Fomos até à Cerdeira do Côa, onde conversámos com Amândio Assis, proprietário de uma empresa de sucesso no concelho do Sabugal, a «Caracol Real», que produz petiscos prontos a comer, a começar pelo caracol e a caracoleta, que fornece todo o território nacional e exporta para diversos países da Europa.

Amândio AssisA qualidade do produto confeccionado na sua casa é a grande preocupação do empresário Amândio Assis, um alentejano de Évora que há 30 anos escolheu viver no Sabugal, onde instalou um negócio que progressivamente se foi afirmando.
Embora alentejano de nascimento, foi criado em Lisboa e esteve alguns anos em África. O seu primeiro contacto com o Sabugal deu-se quando ainda era muito jovem e integrava um grupo musical que foi actuar à Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa. «Na altura estava muito longe de imaginar que um dia viria para o Sabugal», confessa Amândio Assis. A verdade é que por diversas circunstâncias acabaria mesmo por vir para ao concelho do Sabugal, onde constituiu família e iniciou um negócio pioneiro: a confecção e venda de caracol pronto a comer.
«Estabeleci um pequeno café. Como sou do Sul passei a servir doses de caracol, um petisco que na altura tinha pouca aceitação nestas terras. A verdade é que os meus caracóis tiveram sucesso e passei mesmo a fornecer caracol pronto a comer a outros bares». O negócio foi-se expandido e em poucos anos Amândio Assis «conquistou» o Centro e o Norte do País. Foi mesmo pioneiro no negócio da produção e venda de caracol pronto a comer, obtendo o primeiro licenciamento nacional para esse efeito. Hoje fornece cerca de 30 hipermercados e vende a empresas de distribuição que exportam o seu produto para a Suíça, França, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos.
Sendo o caracol um petisco de Verão, que se consome de Maio a Setembro, passou a produzir também outros petiscos, assim ficando menos refém da sazonalidade do negócio. Além do caracol pronto a comer, confecciona caracoleta recheada, feijoada de caracol (uma iguaria muito apreciada), moelas, e outros petiscos. «Tudo tem o seu segredo, seja nos condimentos ou na forma de cozinhar, mas o que garanto é que apenas confeccionamos petiscos recorrendo a receitas próprias, com base em produtos naturais e sem recurso a quaisquer conservantes», garante o empresário.
A empresa «Caracol Real», fixada na Cerdeira do Côa, chega a empregar 15 pessoas no período de Verão, quando o negócio do caracol está no auge. Mas tratando-se de um trabalho sazonal, no período de Inverno tem apenas quatro efectivos, que tratam da confecção e venda de outros petiscos. As instalações da empresa e as viaturas de transporte do produto estão certificados, assim como o produto confeccionado, que é sujeito a análises periódicas. Porém face à exiguidade das instalações e à expansão do negócio, estão já em construção novas instalações, também na Cerdeira do Côa.
Quanto a ajudas por parte das entidades oficiais, Amândio Assis confessa-se algo desiludido: «Tirando a Câmara do Sabugal, que nos tem dado algum apoio, nada recebemos por parte de outras entidades. Os organismos oficiais vocacionados para apoiar a economia deviam acompanhar melhor as pequenas e médias empresas. Era bom que viessem ao terreno para verificarem quem é que merece receber apoios, em vez de se ficarem apenas pelos gabinetes. Neste sistema safa-se quem tem tempo e dinheiro para dar conta das burocracias, mas não aqueles que se dedicam de alma e coração à sua actividade. No meu caso, posso afirmar que se recebesse alguns apoios a minha empresa tinha hoje um forte potencial».
Mas o empresário tem projectos para o futuro: «A nossa caracoleta recheada é melhor do que a francesa, que é líder no mercado. Nós temos a matéria-prima e o conhecimento, bastava-nos algum apoio para dominarmos o mercado europeu. O meu grande objectivo é aproveitar as novas instalações, onde terei melhores condições, para produzir a caracoleta recheada em maior quantidade e mantendo a sua qualidade. Tenho a certeza que assim conseguirei exportar mais esse produto, porque a nossa caracoleta é melhor confeccionada e mais saborosa e é muito superior à produzida pelos franceses».
Sobre a terra que o acolheu, a Cerdeira do Côa, vê com desalento o seu progressivo abatimento. «Não fora o Colégio Regional, e esta terra estava completamente deprimida. Nunca me cansarei de apoiar essa grande instituição. A Cerdeira tem condições para ser uma terra de progresso, tem uma estação do caminho-de-ferro numa linha internacional, tem ligação rápida à auto-estrada, podia estar noutra situação, mas ao contrário disso está a degradar-se».
No final deste mês, e à semelhança do ano anterior, o Caracol Real vai marcar presença na Feira Agro-alimentar do Alto-Côa, que se realiza na vila do Soito. «Vamos oferecer, e também vender, o nosso produto aos visitantes da feira», disse Amândio Assis que acredita num futuro promissor para o seu negócio, que progressivamente se vai afirmando no contexto nacional e internacional, assim prestigiando também o concelho do Sabugal.
plb

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