Tenho participado, ao longo da minha vida de investigador da nossa cultura, em centenas de colóquios, conferências e seminários relativos ao pensamento e à cultura portugueses, tendo sido inúmeras as ocasiões em que essas actividades decorreram em escolas – secundárias e sobretudo universitárias –, em tempo de aulas e com cursos que poderiam aproveitar da participação no Colóquio ou na Conferência.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalAcho não ser injusto, nem inoportuno, se disser que tais actividades, embora localizadas nas escolas, decorrem como se fossem no deserto, ou num sítio quase desabitado. Algumas vezes pensei que a ausência de alunos nos auditórios tivesse algo a ver com o facto de os conferencistas não os motivarem. No entanto, em dezenas de casos, colóquios houve que os prelectores eram personalidades de tomo e de vulto, algumas vezes até com forte imagem pública.
Numa universidade com cursos humanísticos não seria difícil organizar os horários de modo a que os alunos pudessem assistir; ou motivar os alunos a prescindirem desta ou daquela aula, indo às conferências e relatando o que ouvissem para o professor. Tal não sucede, havendo quem admita que os professores temem que os alunos ouçam algo que eles ignoram.
No fundo, trata-se de indiferença. Ainda agora, temos o caso do colóquio sobre Joaquim Manuel Correia, no Sabugal. Uma actividade repleta de interesse, do ponto de vista cultural e local. A este propósito, lemos no «Amigo da Verdade»:«A entrada em todos estes eventos foi livre. Embora não fossem muitos os participantes, tivemos, no entanto, uma acção activa, viva e desinteressada.»
De facto, um tão cómodo auditório, bem poderia estar mais cheio, se as pessoas realmente tivessem interesses culturais. Deste modo, como que passam ao lado da vida.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

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