Segundo um estudo do Observatório da Universidade da Beira Interior (UBI) e das Cáritas Diocesanas de Salamanca e da Guarda o desemprego e a desertificação são as principais preocupações das populações raianas.

Marco fronteiriço na Serra das MesasO estudo foi coordenado pelo professor Pires manso, e versa sobre condições de vida e bem-estar das populações fronteiriças. O mesmo conclui que os principais problemas são comuns aos dois lados da fronteira, embora haja algumas diferenças nas condições de vida.
«Há mais lares e centros de dia para apoio a idosos do lado português, mas os espanhóis têm vencimentos e pensões mais elevadas», exemplifica Pires Manso, que é natural dos Fóios, concelho do sabugal, e há muito vem elaborando estudos económico-sociais sobre a região.
«Outra diferença clara é que não há freguesia em Espanha que não tenha uma agência bancária. Cá só há praticamente nas vilas, havendo depois caixas automáticas nas aldeias», descreve. Porém em termos de tecnologias de uso corrente, «não há diferenças no dia-a-dia entre os dois lados da fronteira».
O trabalho abrangeu 30 freguesias da raia portuguesa e outras tantas do lado espanhol, tendo-se em conta parâmetros como o nível de desenvolvimento económico e as idades dos habitantes. Houve também contactos com autarcas, empresários, membros de várias associações e escolas.
As declarações do professor da UBI foram prestadas à Lusa, em antecipação da apresentação pública do estudo, que apenas acontecerá em Maio. «As conclusões vão ser tornadas públicas, de forma mais profunda pela Cáritas, mas é desde já notório que as maiores preocupações dos residentes são com a falta de emprego e a desertificação», revelou Pires Manso.
Tanto do lado português como do espanhol, as pirâmides etárias das populações revelam os mesmos resultados. «A população cresceu até à década de 60, mas depois houve uma queda a pique, com forte emigração», explica, concluindo depois que «por causa disso, ainda hoje há falta de juventude e de iniciativa empresarial».
plb

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