O romance inédito de Joaquim Manuel Correia «Celestina-Episódios da última guerrilha carlo-miguelista» foi apresentado no sábado, 5 de Abril, durante as comemorações dos 150 anos do seu nascimento que decorreram no Auditório Municipal do Sabugal. A edição da obra pertence à Câmara Municipal do Sabugal e à Empresa Municipal Sabugal+ com o apoio da família do autor.

O manuscrito «Celestina» está datado de 1904 quando Joaquim Manuel Correia já vivia nas Caldas da Rainha e a última revisão de 1945 pouco antes de morrer.
Posteriormente o filho Fernando voltar a rever as 726 páginas em formato A5 dactilografado por quatro pessoas em 1966. Foi por essa altura que Jesué Pinharanda Gomes teve em seu poder o romance com o objectivo de preparar a sua edição o que não se veio a concretizar.
«Celestina» é um romance histórico que nos ajuda a compreender as aldeias sabugalenses do final do séc. XIX e princípios do séc. XX.
«O retrato da vida de aldeia, simples, pura, familiar, temperada com a rudeza do trabalho do campo que, embora nem um nem outro tivessem experimentado directamente, assistiram ainda em passeios a quintas, tapadas e lameiros; o diálogo vivo raiano em que o uso da gíria quadrazenha empresta um sabor regional único: a presença de Coimbra, marcante na vida de ambos, como em qualquer das gerações estudantis de oitocentos – o rio, os passeios no Choupal, as serenatas ao luar, as partidas aos lentes e, finalmente os estados de alma – as paixões, os ódios, os ciúmes que entusiasmavam os seus espíritos românticos, poetas como o foram ambos, autor e filho revisor» pode ler-se na dedicatória e agradecimentos da neta do autor Natália Correia Guedes na introdução do romance.
Aproveitamos ainda para destacar um outro passo da mesma introdução: «Entre duas paixões se desenrola a acção de Celestina, a guerrilha política carlo-miguelista e o amor impossível de Celestina por D. Benito. Na sua órbita tanto aparecem os meandros secretos da Ordem de São Miguel da Ala, como a pacatez aldeã com todo o sabor e sabedoria das gentes e da Natureza, das refeições à lareira, dos trajes, da luz e das sombras da candeia, dos jogos tradicionais, das festas, das rezas para curar, das artes e das técnicas. A acção passa-se entre 1872-75, em plena Pavorosa, à facção miguelista tinham aderido não só ricos proprietários e fidalgos, mas também párocos de dezenas de aldeias próximas de Aldeia da Ribeira, quartel-general do cérebro, o padre João de Matos, o Barrocas, Aldeia da Dona, Vale das Éguas, Miuzela, Aldeia da Ribeira, Cró, Valongo, Alfaiates, Quintas de São Bartolomeu, Lajeosa, Aldeia do Bispo, Fóios, Aldeia Velha, Malhada Sorda, Vila do Touro, para citar apenas algumas.»
E como mais vale tarde do que nunca é justo destacar o empenho de Manuel Rito, presidente da Câmara Municipal do Sabugal e de Norberto Manso, presidente da Sabugal+ que abraçaram este projecto e o deram à estampa.
O Capeia Arraiana recomenda vivamente o romance «Celestina» que ao longo das suas 500 páginas nos ajuda a compreender melhor os últimos 150 anos das nossas terras e das nossas gentes raianas.
jcl apoiado em excertos retirados da introdução à obra