You are currently browsing the daily archive for Sexta-feira, 11 Abril, 2008.

As «Crónicas do Rochedo» são escritas pela pena do ilustre jornalista Carlos Barbosa de Oliveira. Portuense e portista assumido confessa que a blogosfera é uma diversão em que se deixou enredar.

Conheci o Carlos Barbosa de Oliveira no Cenjor (Centro de Formação Profissional para Jornalistas) no curso de jornalismo digital. Durante semanas, sentados lado a lado, fomos discutindo a actualidade noticiosa, pontos de vista politiqueiros e estas modernices de «escrever em formato web».
A produção de conteúdos e a construção por todos os elementos do curso da página web intitulada «Puro Tango» foi um dos trabalhos jornalísticos que mais gozo me deu até hoje. Foram momentos inesquecíveis desde a pesquisa histórica, passando pelos workshops na Voz do Operário até ao clímax final no «Festival Internacional de Tango» no Coliseu dos Recreios.
– Mas quem é o responsável pelo blogue «Crónicas do Rochedo»?
– Nasci no Porto em frente ao antigo Estádio das Antas. Sofri muito quando era puto e os benfiquistas iam lá fazer a festa. Agora… faço-a eu na minha conchinha do dragão.
Neto de António José Pinto de Oliveira, fundador da empresa Oliva, foi expulso da Faculdade de Direito em 1969 na sequência do Maio de 68. «Estudei na Inglaterra, Suíça, Estados Unidos e Suécia. No regresso e durante uns tempos considerei-me um estrangeiro no meu País. Percebi desde muito novo que era um andarilho», recorda com ar de criança traquina.
Como funcionário das Nações Unidas tornou-se cidadão do Mundo e viveu na Suécia, Jugoslávia e Brasil.
– Para mim viver num país é permanecer pelo menos três meses. A minha excepção foi na Papua-Nova Guiné onde vivi um intenso mês nas tribos do rio Sepik. Fui trabalhar 15 dias para a Argentina e fiquei seis meses. Tenho voltado quase todos os anos a Buenos Aires. (É o apelo de La Cumparsita acrescentamos nós).
A pretexto de uma conferência em Pequim permaneceu na China cerca de um mês e na Austrália prolongou um congresso até ficar satisfeito.
«Eu gosto da experiência da vida. No planeamento das minhas viagens deixei a Europa para depois dos 50 anos. Agora é para depois dos 60 quando já não me apetecer viajar de avião», diz-nos soltando os pensamentos.
– As pessoas vão passear ao fim-de-semana porque não têm espaço em casa. As pessoas fogem da sua própria vida. Vir a Lisboa é civilização. Quem me dera a mim não vir a Lisboa. A minha qualidade de vida é não aguentar engarrafamentos. Sou um privilegiado. Vivo no Lumiar e tenho o Metropolitano à porta. Não preciso de conduzir. Não tenho nem alimento rotinas. Gostei muito de viver em Castelo Branco e adoro Viana do Castelo mas não passo sem a minha casa do Rochedo.
Foi difícil convencer o jornalista Carlos Oliveira a autorizar a publicação desta conversa. «Detesto panegíricos. Tive uma má experiência quando dei uma entrevista para um jornal em Macau», foi a sua insistente expressão.
– E o blogue? – O blogue? O blogue é, para mim, uma diversão! – responde-nos o responsável pelo Crónicas do Rochedo. Aproveitamos para sugerir os seus marcadores «Rochedo das Memórias». Vale mesmo a pena!
Muito fica por dizer sobre este bloguísta que na sua definição diz gostar de ler, adorar viajar e andar a pé. Sobre a idade, depende… nuns dias sente-se com 25, noutros com 70.
Ah! É verdade! O Carlos Barbosa de Oliveira já foi iniciado na degustação do bucho arraiano na Casa do Concelho do Sabugal. Provou, gostou e prometeu voltar.
Aquele abraço raiano e até lá.
jcl

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Uma antiga capela do Seminário Maior da Diocese da Guarda vai receber um Museu de Arte Sacra, após a assinatura de um protocolo com a Câmara Municipal.

«L’Innocence», de William BouguereauPara a instalação do museu procedeu-se a uma profunda remodelação da antiga capela, cujos custos atingiram os 600 mil euros, disponibilizados pelo município guardense. Amanhã, 12 de Abril, a autarquia entregará à diocese o edifício, numa cerimónia que se realiza às 11 horas.
O museu irá acolher algumas das obras de arte existentes por toda a diocese, em que se veja interesse na sua exposição no local. Poderá haver mostras permanentes e temporárias, tendo em conta o elevado número dessas peças, existentes em capelas e igrejas das várias paróquias.
A diocese está a proceder a um inventário, coordenado pelo cónego Cunha Sério, presidente da Comissão Diocesana de Arte Sacra, que declarou à Lusa que «a Igreja foi sempre detentora, desde há séculos, de obras primorosas e soube conservá-las, apesar do tempo e dos inimigos que tornam precária qualquer obra humana».
A autarquia está também satisfeita com a solução encontrada, pois, segundo o seu presidente, Joaquim Valente, «o turismo religioso tem uma componente muito forte em termos de atracção». A Câmara espera assim melhorar a oferta cultural da cidade, o que poderá criar mais atractividade à Guarda e em particular ao seu centro histórico.
plb

O sabugalense Joaquim Esteves Saloio teve engenho e arte para concretizar uma difícil passagem de testemunho enquanto presidente da Mesa da Assembleia Geral dos anteriores órgãos sociais da Casa do Concelho do Sabugal. Vamos conhecer um pouco melhor este carismático bancário-advogado.

Joaquim Esteves Saloio, é natural da Torre, no concelho do Sabugal. Nasceu no seio de uma família de agricultores e foi o quinto de seis filhos de Manuel José Saloio e Maria Domingas Martins Esteves.
Frequentou a Escola Primária na Torre mas nesse tempo o exame da 4.ª classe era feito no Sabugal. A custo lá confessou que sabia muito bem a data, 1956, porque tinha ganho o prémio do melhor exame desse ano no concelho do Sabugal. Insistimos para que nos explicasse como tudo aconteceu apesar de nos ir dizendo que «talvez fosse melhor não pôr isso no artigo»:
– Era um tipo muito envergonhado na terceira classe. Houve uma altura em que a professora da classe feminina adoeceu e levavam as raparigas à tarde para a nossa sala. Invariavelmente tinha dores de barriga para me deixarem ir mais cedo para casa. O exame da quarta classe no Sabugal foi feito pelo director e pela professora Nina, que dava aulas na Colónia Agrícola de Martim-Rei. Trocavam muitos segredinhos e como pensei que eram namorados fui respondendo descontraidamente às perguntas. No final deram os parabéns à minha professora, a D. Isabel Baltasar, mulher de José Maria Baltasar, que foi presidente da Câmara Municipal do Sabugal antes do 25 de Abril.
Nesse ano ingressou no Seminário Menor da Guarda (instalado no Fundão) onde estudou durante cinco anos. Mas logo nas primeiras férias do Natal quando chegou à aldeia o primo, António Esteves Morgado (que veio a ser presidente do município sabugalense), correu a dizer-lhe: «Oh Quim! Tens que ir à escola porque a professora tem uma caixa com 36 livros e um diploma do melhor exame para te dar.» E assim ficou registada a data para sempre.
Joaquim Saloio frequentou o Seminário Maior na cidade da Guarda durante sete anos. Foi jogador-treinador da equipa dos seminaristas entre 1965 e 67 e recorda os renhidos desafios com o Colégio de São José, do Outeiro de São Miguel, do Reformatório do Mondego e com o Liceu da Guarda onde alinhava o célebre Cameira que chegou a ser internacional português.
Concluiu o curso de Teologia com 23 anos e o padre Joaquim Teles Sampaio, da Amoreira, levou-o para Moçambique para a paróquia de Macuti, na Beira, onde foi responsável pelo canto coral, catequese e escutismo acumulando com as aulas de Moral na Escola Industrial e Comercial Freire de Andrade. «Não fui ordenado padre porque ainda não tinha feito 24 anos. Eu teria requerido a dispensa da idade se o bispo me proporcionasse trabalhar em equipa com os padres Pereira de Matos e Bernardo José Guerra Ribeiro», esclareceu-nos a propósito.
Passado um ano foi incorporado na tropa em Lourenço Marques, primeiro com a especialidade de secretariado e depois em Nampula, como alferes na chefia dos Serviços de Contabilidade e Administração. Aproveitou para dar aulas e ganhar algum dinheiro extra na Escola Industrial e Comercial Neutel de Abreu.
– Um dia entra pela repartição dentro um tipo a dizer que era da Guarda. «E eu também», respondi-lhe. «Sou do Sabugal», acrescentou então. «E eu também», repeti. Olhámos um para outro incrédulos. E foi lá longe em Moçambique que conheci o Morgado Carvalho do Soito. Foi uma festa.
Em 1974, a seguir ao 25 de Abril, regressou ao continente e ao Sabugal.
– Concorri e entrei no BES (antigo Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa) tendo ficado colocado nos serviços centrais na sede. Passei pela secção de letras, pelo departamento Internacional e finalmente fui secretário do Conselho de Administração do BES durante cerca de 13 anos. Pertenci durante muitos anos à direcção do Grupo Desportivo do banco onde em colaboração com Nuno Espinal fundámos o BESCLORE (Grupo de Danças e Cantares do BES).
Decidiu matricular-se na Universidade de Direito tendo-se licenciado em Direito em 1982.
Em Outubro de 2000 ingressou nos corpos sociais do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) como presidente do Conselho Geral e desde 2003 é presidente da Mesa Unificada da Assembleia e Conselho Geral.
– Uma dia, José Cunha, director do banco combinou comigo ir comer lebre com feijão branco a um restaurante na Baixa. Fiquei sentado ao lado do dono dos armazéns Capelo. E a propósito do Sabugal, o senhor Manuel Capelo diz-me que ainda era primo de uma tal Ti Domingas. Na Torre apenas duas mulheres tiveram esse nome e uma já tinha morrido – Só pode ser a minha mãe – disse-lhe concluindo que acabava de conhecer mais um primo.
As estórias das férias de Verão de Joaquim Saloio enquanto andou no Seminário foram mais que muitas. Entre as publicáveis aqui ficam duas:
Com os nossos 18 ou 19 anos eu e o meu primo, António Morgado, iamos até ao Ozendo e costumavamos visitar a Ti Isabel, mãe da Alexandrina Pereira. Nesse tempo as mulheres sentavam-se nas escaleiras das casas à fresca da tarde. Comentando o pagamento das patentas* uma das senhoras presentes virou-se para nós e disse – Vocês os dois! Se algum vier casar ao Ozendo não paga de patenta menos de cinco contos de réis! – ficámos, estupefactos, a olhar um para o outro mas rematámos «Não importa! Arranjamos melhor sem ter que pagar a patenta!» e fomos embora. Aqui fica outra… Uma vez na Capeia de Quadrazais, como andava no seminário, tive um lugar reservado só para mim na janela da casa da Olinda, filha da Ti Maria do Balhezinho. A meio da capeia apareceram duas raparigas na janela do lado. A dona da casa apresentou-nos e diz-me – Éh Quim! Atira-te a elas! São universitárias!
E terminou com música: «Na altura o Rádio Altitude era conhecido como o Rádio Moca. No top das músicas pedidas esteve durante muito tempo a Baby Baby Camback. Outras modas!»
Fez-se sócio da Casa do Concelho do Sabugal por influência da então estudante Amélia Martins, de Rendo. «Colaborei com a Casa no Conselho Fiscal e ultimamente como presidente da Mesa da Assembleia Geral onde passei uma das mais atribuladas fases da instituição. Felizmente que tudo está no bom caminho. Agora é preciso olhar para a frente.»
Joaquim Esteves Saloio na primeira pessoa.

* A «Patenta» ou «Pagar o vinho» era uma moda que caiu em desuso nas terras raianas em que os forasteiros que quisessem namorar raparigas da aldeia eram obrigados a pagar uma borga para todos os solteiros. Só depois lhe era permitido circular e permanecer junto da casa da sua amada.
jcl

Decorria o ano de 1978, quando teve lugar a primeira Capeia Arraiana em Lisboa, mais concretamente, na Praça de Touros do Campo Pequeno, sedeada em plena Capital.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaNunca antes se tinha feito algo no género, isto é, transportar a Capeia para fora do seu habitat natural, que é a região arraiana, nas terras de Riba Côa.
Entre a primeira Capeia e a XXIX, realizada em 2006, em Sobral de Monte Agraço, passaram longos 30 anos, plenos de muitas recordações com magnificas Capeias realizadas, a maior parte delas no Campo Pequeno, com incursões por Cascais, Vila Franca de Xira, Sobral de Monte Agraço, Moita e Paio Pires, não esquecendo algumas exibições do Forcão em Arruda dos Vinhos e Santarém, fora das realizações da tradicional Capeia Arraiana anual, que a Casa do Concelho de Sabugal levou a efeito.
O Campo Pequeno tornou-se assim o palco privilegiado, ano após ano, onde decorriam grandes espectáculos do Forcão, precedidos do passear da Praça com os rapazes bem aprumados, acompanhados por algumas Bandas Filarmónicas, Grupos de Ranchos e os Bombeiros Voluntários do Sabugal e Soito, previamente convidados para a Capeia, pedindo-se a Praça a Sua Ex.ª o Sr. Presidente da Câmara do Sabugal, ou outra personalidade, na sua ausência.
A azáfama começava pela manhã bem cedo, com os preparativos do Campo Pequeno, a montagem do Forcão, a chegada dos Touros, os convidados, os Bombeiros, o Rancho Folclórico e a Banda de Música, seguindo-se o almoço na Casa, ou nas imediações do Praça de Touros.
Alguns anos, foram incluídos Passeios, acompanhados pela rapaziada em fila, Banda de Música, Rancho Folclórico e os Bombeiros, numa manifestação espectacular ao longo da Avenida João XXI, saindo da sede da Casa, no Areeiro, até ao Campo Pequeno, fazendo parar o trânsito, seguindo-se uma volta exterior na Praça de Touros, entrando todo o cortejo de seguida na dita, num ambiente indescritível de grande fervor arraiano. Só visto e vivido, pois as palavras são curtas para esta manifestação.
O pessoal arraiano, residindo na grande Lisboa, acrescido de muitos que se deslocavam do Concelho, de propósito para este grande acontecimento, dava seguimento assim à Capeia, oriunda da Raia, dando outro colorido à Festa que iria decorrer pela tarde, logo após o Passeio e o Pedido da Praça, tal e qual como acontecia na Raia, em qualquer povoação, com o pormenor de nunca se ter efectuado a cavalo, pois também não havia «Encerro», seguindo-se brilhantes faenas, que culminavam com o agarrar os touros em plena arena, numa demonstração de valentia e coragem, já por demais reconhecida e elogiada, sendo os nossos jovens e menos jovens, merecedores de fortes aplausos, de assistências consideráveis.
Pela noite, acabada a Capeia, a festa continuava nas imediações da Praça, num grande ambiente, nada ficando a dever à Raia, antes pelo contrário, numa animação com baile também, acrescido de muitos petiscos e bebidas, principalmente as morcelas e chouriças, que vinham lá do Concelho, desembocando no Campo Pequeno, proporcionando a Casa os assadores, para todos se refastelarem com estes pitéus inigualáveis. Ai que saudades!…
Francisco Engrácia, natural de Vila Boa, falecido em Junho de 2003, foi um dos principais impulsionadores do lançamento da Capeia em Lisboa, deixando um vácuo difícil de preencher, por tudo o que representou na divulgação da cultura da Raia, ao introduzir a Capeia Arraiana na grande região de Lisboa há, sensivelmente, 30 anos.
A sua ligação à Casa do Concelho de Sabugal, desde a sua fundação, aliado aos múltiplos conhecimentos, que dispunha nos diversos círculos da sociedade Lisboeta, sendo bem secundado por alguns arraianos, levou a que se efectuasse a Capeia no Campo Pequeno, coisa impensável nos tempos que corriam. Mas o Chico, era assim que o tratávamos, não desarmou e, derivado à sua capacidade e perseverança, conseguiu os seus intentos, tornando a Capeia do Campo Pequeno, todos os anos, num dos principais pontos de convergência da nossa gente da Raia, residindo na grande Lisboa.
É mais que justo e merecido reconhecer os seus méritos, por todo o seu contributo desinteressado, tanto no arranque, como ao longo dos muitos anos, cuja ligação à Casa e ao Concelho de Sabugal é por demais conhecido, contribuindo para resolver inúmeros problemas, que surgiam numa altura, em que a Casa dava os primeiros passos na Capital, acolhendo mais uma Associação, que continua a prestigiar o Concelho de Sabugal e a Raia, ao longo de mais de três décadas, onde as actividades foram consideráveis e diversificadas.
No regresso à espectacular Praça de Touros do Campo Pequeno, «o Chico vai estar presente em pensamento», pois ficará sempre ligado à história da Capeia em Lisboa, numa moderna e magnificamente renovada, principal Praça de Touros do País. Para muitos, será uma oportunidade de conhecer as novas instalações da Praça.
A Capeia em Lisboa tem servido, assim, ao longo dos tempos, para promover a cultura e tradição do Concelho de Sabugal, levando a nossa região a ser falada e escrita em diversos jornais e inclusive a ser tema de reportagem televisiva nos diversos noticiários.
Marque já na sua agenda: Capeia Arraiana no dia 31 de Maio de 2008, às 17 horas, na renovada Praça de Touros do Campo Pequeno.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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