As suas características assemelham-se a «castros» habitados por povos lusitanos, da idade do Bronze, cerca de 1000 anos a.C. Com efeito, estes antigos povoados eram estrategicamente implantados a grandes altitudes, privilegiando as boas condições naturais de defesa, próximos de linhas de água e os seus habitantes dedicavam-se à agricultura e pastorícia.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)Moita – cabeço é o lugar onde, segundo a lenda, existe um «tear de ouro» enterrado e de onde nas noites de lua cheia, descem os seus habitantes para lavarem o linho, junto à fonte romana, entretanto subterrada aquando da exploração da água que abastece a cidade do Sabugal.
Moita – cabeço situa-se bem no cume de um monte, onde abunda o carvalho rasteiro – moitas, típicas daquele lugar. Aquelas terras pertencem a gentes da pequena aldeia de Ameais, povoação que pertence à freguesia de Aldeia de Santo António, concelho do Sabugal. Esta aldeia fora noutros tempos muito populosa e os seus habitantes possuíam muitas terras.
Segundo se diz na aldeia, a sua vizinha aldeia de Alagoas, situada mais a Sul, bem no pico de um monte, a cerca de 1700 metros de altitude, virada a norte, do outro lado da «moita-cabeça», também da freguesia de Aldeia de Santo António foi fundada por gentes, muitas delas antigos serviçais, oriundas da sua vizinha e irmã aldeia, fruto da aquisição de terras pertencentes aos abastados senhores. Quem percorre os prados situados junto à aldeia de Ameais, facilmente se apercebe das excelentes qualidades dos seus terrenos, óptimos para a prática da agricultura – terrenos planos, com água abundante e de fácil utilização pois ela escorre facilmente ao longo deles.
Para quem não conhece o local objecto do presente tema, aqui deixo um possível trajecto: Quem sai do Sabugal e atravessa a ponte construída pelo Rei Lavrador, que também construiu o Castelo, (tudo numa noite e não fazendo mais porque não quis?), entra-se logo em terras da «Freguesia», nome dado pelos habitantes do burgo às gentes do outro lado do rio – Aldeia de Santo António.
Seguindo, já em terras da «Aldeia», vira-se logo à esquerda em direcção a Castelo Branco e decorridos cerca de 250 metros e numa curva bem apertada, à direita, toma-se a direcção da sede da freguesia, Aldeia de Santo António que dista a pouco mais de 4 quilómetros. Entra-se na aldeia, virando à esquerda na primeira placa que se encontra com aquele nome. Segue-se em direcção ao centro e procure-se a placa indicativa de Ameais. Encontrará, logo à saída da aldeia, à direita, uma fonte com água corrente, e do mesmo lado avistará a sede social da Liga dos Amigos. Depois e continuando em direcção a aldeia de Ameiais, encontrará uma placa com a indicação de «Sepulturas Romanas», local de visita obrigatória, em caminho de terra batida – este é o antigo caminho da Urgueira (antiga sede de Freguesia – contemporânea do concelho de Sortelha), que vai dar lá bem no alto, à actual estrada nacional, Sabugal – Castelo Branco. Não muito longe – cerca de 500 metros, estaremos frente ao local onde, bem no seu cume, se situa (julga-se? Pois não conheço nenhuma prova ou pesquisa arqueológica) um «Castro», em forma circular, que se crê remontar ao tempo dos lusitanos.
Visitei o local e constatei, no cume do cabeço, uma grande elevação de terreno, em forma de círculo, com um raio de cerca de 60 metros. Não fiz qualquer pesquisa no terreno porque não possuo quaisquer conhecimentos de arqueologia. Mas pesquisando sobre o tema, constata-se que as suas características se assemelham a castros habitados por povos lusitanos, na idade do Bronze, cerca de 1000 anos a.C. Com efeito, estes antigos povoados eram estrategicamente implantados a grandes altitudes, privilegiando as boas condições naturais de defesa, próximos de linhas de água e os seus habitantes dedicavam-se à agricultura e pastorícia. Ora, o local visitado – a «Moita–Cabeço» –, possui todas estas características: Está estrategicamente situado no cume de um monte de elevada altitude, sendo o maior daquele local, e no supé encontramos água abundante e terrenos férteis. Por tudo isto, entendo que o local merece ser visitado e analisado cuidadosamente por especialistas do ramo da arqueologia.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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