Promover a fixação de novos residentes de molde a travar o fenómeno da desertificação, através da criação de postos de trabalho, deverá ser o principal objectivo estratégico dos responsáveis autárquicos.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)Nos termos da Constituição da República Portuguesa, versão de 2005, art. 235º, n.º 2, «As autarquias locais são pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas».
Como já tivemos ocasião de deixar escrito as entidades com maior interesse e poder de influência sobre os destinos da região são a própria autarquia e o governo, pois são eles que determinam e controlam as medidas a adoptar para o seu desenvolvimento e têm os recursos financeiros necessários. Numa segunda linha, surgem a população local, as instituições e os comerciantes, estes com um elevado interesse mas com pouco poder.
Por outro lado, conclui-se da análise «SWOT», como elementos claramente potenciadores de oportunidades e inibidores de ameaças, as actividades relacionadas com a agro-pecuária, a floresta, a construção civil e os serviços de apoio à terceira idade. Ao invés, a desertificação, a falta de vias de comunicação e a inexistência de recursos naturais no subsolo, são os pontos fracos que mais potenciam as ameaças e mais inibem o aproveitamento das oportunidades.
Pelo exposto, o objectivo estratégico principal para o concelho, passará por aproveitar as potencialidades ligadas às actividades supra referidas e providenciar a abertura de vias de comunicação, ligando a região aos principais eixos rodoviários nacionais e europeus tendo em vista encurtar as distâncias que a separam dos grandes centros urbanos dos dois lados da fronteira.
Para a satisfação dos novos habitantes é fundamentalmente necessário criar atractivos que satisfaçam os seus legítimos interesses financeiros e de bem-estar social. Por outro lado os potenciais novos investidores vão querer respostas céleres e isentas de burocracias para instalarem as suas unidades industriais no território. Neste particular, caberá aos responsáveis autárquicos fazerem os adequados investimentos na aquisição ou construção de instalações prontas a serem ocupadas por essas unidades, em zona industrial devidamente infra-estruturada, fazendo-se substituir perante a instituição financiadora, logo que o investidor se instale. Para a população em geral é necessário criar condições que potenciem o seu bem-estar. Seria louvável que os responsáveis autárquicos, por exemplo, criassem zonas pedonais e circuitos para bicicleta, em todo o concelho, e muito especialmente junto aos cursos de água mas não só, para que a população as possa utilizar para melhorar a sua condição física e de saúde.
Pelo exposto conclui-se que, promover a fixação de novos residentes de molde a travar o fenómeno da desertificação, através da criação de postos de trabalho deverá ser o principal objectivo estratégico e estar sempre na primeira linha de orientação dos responsáveis autárquicos. É que ninguém muda de residência de ânimo leve! Para trás deixam-se familiares e amigos, costumes e tradições. Por isso só haverá fixação de novos residentes se obtiverem condições melhores que as que detinham anteriormente. Condições essas, que não se limitam à existência de um trabalho mas também às condições relacionadas com a habitação, aos equipamentos sociais públicos, rede viária e ainda pela obtenção de outros incentivos como sejam os ligados à natalidade, protecção da infância (creches) e à terceira idade e ainda os relacionados com o pagamento de impostos, etc.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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