O Governo português alterou as regras das candidaturas aos apoios comunitários pondo em causa a concretização dos projectos defendidos pelos municipios das regiões do Vale do Côa e do Alto Douro Vinhateiro.

Trás-os-Monte e Alto DouroAs candidaturas foram elaboradas segundo as regras do anterior Quadro Comunitário de Apoio (QCA III) que valorizava os territórios pelas suas especificidades, identidades e afinidades culturais e patrimoniais. O Quadro de Referência Estratégtico Nacional (QREN) alterou as regras do jogo e no actual quadro comunitário as candidaturas só podem ser feitas por associações de municípios, agrupados em unidades estatísticas de nível III (Nuts III). Fica, assim, em causa o Plano Estratégico de Promoção Turística do Vale do Côa elaborado por dez municípios integrados na base territorial da região.
A introdução de uma marca de promoção turística da região com colocação de sinalética apropriada, a requalificação do cais fluvial de Barca d’Alva e a reactivação do troço nordeste da linha ferroviária do Douro arriscam-se a não sair do papel em resultado da complexidade das alterações introduzidas.
O estudo governativo está pronto desde o final do ano passado e define o turismo como a aposta estratégica da região da Beira Interior Norte (Alto Douro Vinhateiro e Vale do Côa) apoiada na necessidade de investimentos em projectos estruturantes que mobilizem parceiros público-privados.
«Uma das regiões mais deprimidas e envelhecidas da Europa com um índice de envelhecimento superior a 232 por cento necessita de um novo modelo de governação que articule projectos regionais e nacionais», pode ler-se no documento que sugere ainda «a criação de uma agência de marketing territorial que agilize procedimentos aproveitando sinergias de marcas e propostas diferenciadas».

Os autarcas da Beira Interior estão obrigados a estudar com muita atenção este documento governativo que redefine apoios e aponta as apostas estratégicas.
jcl

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