A acção de reflexão sob o lema «Batalha: Pensar o Turismo Cultural com os escritores» e a sua ligação à vida e obra de Miguel Torga reuniu no dia 15 de Março, na Batalha, mais de uma centena de participantes. A aldeia histórica de Sortelha foi o ponto de partida para esta peregrinação, coordenada por José Cymbron, pelos concelhos eminentemente torguianos propondo o «Turismo Cultural» e o «Dia de Torga».

«Hoje sei apenas gostar duma nesga de terra debruada de mar» (Torga)

Miguel Torga (Batalha)Sob a coordenação do professor universitário José Cymbron, ausente por doença, decorreu no sábado, 15 de Março, no Mosteiro da Batalha e no Auditório Municipal uma acção de reflexão alusiva à temática do Património Cultural Português, a sua ligação à Educação e ao Turismo e à passagem de Miguel Torga pelo concelho.
O director do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, Júlio Ribeiro Órfão, serviu de guia aos mais de cem participantes no percurso pela grandiosidade arquitectónica do monumento que foi reconhecido em 1983 como Património Mundial.
Logo depois da entrada, à direita, a Capela do Fundador, onde repousam no mesmo túmulo os restos mortais do rei D. João I e de sua esposa D. Filipa de Lencastre e as Capelas Imperfeitas (que os estrangeiros preferem chamar Capelas Inacabadas) foram o cenário ideal para escutar textos literários de Miguel Torga, Camões, Pessoa, Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Lopes Vieira, Jaime Cortesão, José Travaços, Jorge Dias e Carlos Queirós entre outros.
Nos jardins exteriores os convidados de honra, general Ramalho Eanes (antigo Presidente da República) e esposa (Manuela Eanes), descerraram uma lápide com o texto do Diário de Miguel Torga, de 15 de Março de 1983, alusivo à sua passagem pela Batalha: «As Capelas Imperfeitas. Vim contemplá-las novamente com a imaginação, como devia competir a todos os portugueses pelo menos uma vez na vida.»
Os participantes deslocaram-se de seguida para o Auditório Municipal onde foram recebidos pelos alunos da Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP) que sob a batuta do maestro Alberto Roque interpretaram, afinadíssimos, algumas músicas clássicas.
As comunicações estiveram a cargo do general Ramalho Eanes, de Carlos Henriques (vereador da cultura da Câmara da Batalha) e de Carlos Vieira (administrador do INP-Instituto das Novas Profissões).
A intervenção do coordenador científico do projecto, José Cymbron, impossibilitado de estar presente fisicamente, com o título «O que fazer com a obra de Miguel Torga?», foi lida por Mafalda Patuleia e continha oito propostas. O Capeia Arraiana disponibiliza para cópia o documento na íntegra mas aproveitamos para destacar a segunda proposta:
«Avançar com um projecto da Junta de Freguesia de Sortelha, que visa criar um Centro de Divulgação da Obra de Miguel Torga, e que se propõe dar início já em 2008 a quatro eventos torguianos, um em cada uma das estações do ano. É com muita satisfação que vos digo que estão hoje, connosco, o presidente da Junta de Sortelha (autor do projecto), o vereador da cultura do Sabugal e o sabugalense Dr. Bernardino Henriques, que no passado ano publicou um livro fruto de uma investigação desenvolvida ao longo de dez anos: Miguel Torga – (Quase) na Primeira Pessoa.»
A comitiva sabugalense com António Robalo, vereador da cultura do município, Luís Paulo, presidente da Junta de Freguesia de Sortelha e Bernardino Henriques, investigador torguiano natural dos Fóios, aproveitou para convidar o general Ramalho Eanes a estar presente em Sortelha no Encontro de Maio sobre Torga.

Propostas de José Cymbron: O que fazer com a obra de Miguel Torga?
jcl