Já em plena Quaresma, ocorre-nos memorar as tradições da piedade popular, que incluía ladaínhas, rogações, dolente toque dos sinos e a encomendação das almas.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalAs ladaínhas, as rogações e a encomendação das almas são constituídas por letras e músicas, tudo com origem na influência da Igreja, mas a que as sucessivas gerações populares emprestaram fraseologia e ritmos diferenciados.
A encomendação das almas fazia-se a partir da torre das igrejas, tangendo o sino em momentos breves, dando sinal às pessoas que estavam em casa, quando haviam de rezar os Pai-Nossos que o encomendador indicava.
As letras são em geral uma sucessão de quadras piedosas suplicando orações pelas Benditas Almas do Purgatório. É um património que corre o risco de se perder. Não vemos outra solução que não seja a de saber onde haverá uma encomendação e proceder ao seu registo sonoro. Hoje em dia é muito simples, dada a existência de gravadores de som.
Ouso sugerir ao bom amigo Padre Bernardo Terreiro, que tão grande serviço prestou com o levantamento do património musical de Riba Coa, prestasse mais este: o de gravar uma encomendação com o Coro Etnográfico de Almeida e reduzisse música e letra a pauta. Porque não?
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

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