Comemora-se hoje, dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher. E, como sucede sempre nestes casos, as celebrações ocorrerão um pouco por todo o lado neste planeta Terra, com mais pompa e circunstância nalguns países do que noutros, como é de esperar.

Amélia ReiEntrevistas a mulheres famosas, artigos elaboradíssimos na imprensa, transmissões prolongadas nos canais televisivos, cerimónias públicas e privadas, ofertas de presentes e flores, etc., etc., etc, tudo a pretender lembrar que, nesse dia, a Mulher é Muito Importante.
É justo, é agradável, é bom que assim seja. Mas é pouco. Um dia não chega para celebrar a importância da Mulher. Ela é importante todos os dias e sempre o foi, desde os primórdios do Homem e das sociedades matriarcais, como um dos dois pilares da Humanidade.
Vimo-la, ao longo dos tempos, sentinela vigilante e guerreira corajosa em defesa da família; vimo-la esposa submissa e mãe amantíssima encarregue da educação dos filhos, autêntica rainha do lar, pobre rainha sem ceptro totalmente dependente da autoridade incontestável e incontestada do marido. Vimo-la e vemo-la deitada numa cama, sofredora e feliz no supremo acto de trazer ao mundo mais um filho.
Vimo-la debruçada sobre outras camas de hospitais de campanha, enfermeira voluntária e meiga, tentando com o seu sorriso minimizar o efeito de guerras devastadoras de que estava inocente.
Vimo-la, tantas vezes, ser considerada um mero objecto de prazer, jóia rara e preciosa, sim, mas desprovida do direito humano do livre arbítrio porque o seu corpo era a única coisa que interessava. A alma fica de fora nestes casos.
Com os tempos, a mulher foi-se emancipando e conquistou o seu lugar ao sol. Hoje podemos vê-la em pé de igualdade com a outra metade, o Homem, na política, na justiça, na saúde, no ensino, nas empresas, nos trabalhos agrícolas mecanizados, em todos os ramos de actividade, em suma, com um desempenho que demonstra cabalmente ser mulher portadora de uma inteligência e competências que nada ficam a dever aos seu belo corpo.
Todavia, há ainda um longo caminho conjunto a percorrer para que o Dia Internacional da Mulher seja algo com sentido. Enquanto for vítima de descriminação laboral, números clausos para cargos políticos, violência e violação, etc. etc. etc. e, acima de tudo, enquanto não estiver em pé de igualdade plena com o Homem no que toca a direitos e deveres, esta comemoração tem um o sabor levemente amargo. Igualdade de direitos e deveres, sim, não que se pretenda sequer afirmar ou pensar que a mulher é igual ao homem, Felizmente, são diferentes e é nessa diferença que a Humanidade se completa e complementa de forma harmoniosa e enriquecedora.
Recrie-se a citação comodista e desactualizada «Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher» para «Ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher».
E assim será digno de celebração o Dia Internacional do Homem e da Mulher (lado a lado e sempre juntos como é natural).
Amélia Rei