O escritor açoriano Cristóvão de Aguiar é homenageado hoje, sábado, 23 de Fevereiro, no Mercado Ferreira Borges na Festa do Livro. O autor da trilogia de romances «Raiz Comovida» aproveita a ocasião para apresentar o seu mais recente romance «Braço Tatuado».

«Braço Tatuado», de Cristóvão de AguiarCristóvão de Aguiar nasceu em 1940, na Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores e está ligado, pelo casamento, à vila do Soito no concelho do Sabugal. O seu mais recente romance «Braço Tatuado – Retalhos da Guerra Colonial» é hoje, sábado, apresentado na Festa do Livro, no Mercado Ferreira Borges, no Porto.
Licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Coimbra já depois de ter participado entre 1965 e 67 na Guerra Colonial na Guiné. Como escritor já recebeu várias distinções incluindo o Prémio Miguel Torga e a Ordem do Infante D. Henrique em 2001.
O ex-director de A Bola Carlos Miranda escreveu um dia: «Cristóvão de Aguiar retrata a sua passagem pela guerra de África. E o livro deixou de ser de cabeceira para ser de todos os possíveis momentos. Muito se tem escrito sobre um certo virar de costas dos nossos escritores ao tema da guerra colonial. Um certo mas não completo, pois a bibliografia da guerra de África, aos poucos e poucos, tem crescido o seu bocado, e com algumas obras de grande categoria. Confessamos, no entanto, que nenhum dos escritores nos terá impressionado tanto como o Cristóvão de Aguiar, um depoimento forte, impressionante, cruel, onde nos é revelada muita coisa que, até aqui, só nos tinha sido contado por familiares ou amigos.»
O escritor Victor Rui Dores considera que o romance é escrito com desenvoltura narrativa que nos percepciona a guerra não só sob o ponto de vista de ex-combatente mas também na perspectiva do próprio povo africano vitíma, como nós, dessa guerra escusada e inglória.
«Anti-heróis inadaptados numa guerra onde o que conta é manter-se vivo, as personagens (humaníssimas) deste livro entregam-se com sinceridade a contar o tempo que lhes falta para o definitivo adeus às armas, aguardando, com impaciência, que o navio Uíge os transporte de regresso a Portugal. Como aspecto positivo da guerra, ficarão apenas as amizades que se construíram, as cumplicidades que se aprofundaram, as experiências de grupo que se viveram», pode ainda ler-se no comentário à obra.
jcl