Os granitos da nossa região são famosos e abundantes. A sua exploração e comercialização teriam um custo primário relativamente baixo e por isso competitivo nos mercados nacionais e internacionais.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)O concelho não tem nem nunca teve uma forte tradição neste sector de actividade económica. Apesar disso, é de salientar a existência de algumas unidades com alguma relevância económica e que tem contribuído positivamente para a fixação da população activa do concelho. E, sem querer desprezar outras pequenas industrias, destaco a têxtil com forte implantação na vila do Soito, que em muito tem contribuído para o seu desenvolvimento. Na própria cidade do Sabugal, assistiu-se recentemente ao nascer de algumas pequenas unidades ligadas a este ramo. Porém este sector tem uma forte componente de mão-de-obra e como tal foi fortemente prejudicada com a liberalização do comércio internacional e a consequente entrada de produtos oriundos de países cujo preço do «braço humano» é quase gratuito, quando comparado com os praticados em países desenvolvidos.
O fabrico de móveis deverá contar como fonte de alimentação em matérias-primas a madeira, oriunda da exploração da floresta raiana, cujas espécies – o freixo, o carvalho e a cerejeira, é imperativo incrementar.
O território do concelho tem fronteiras naturais com a Espanha. Este país tem uma taxa de crescimento da sua economia muito acima da média dos países que constituem a União Europeia e, sendo assim, deveremos aproveitar esse factor positivo desenvolvendo com as suas regiões, nossas vizinhas, parcerias que potenciem bem-estar para as suas populações irmãs, cujos problemas são comuns. Porém, opino que não deveremos apostar em sectores sensíveis à possível deslocação para países que apostam no seu desenvolvimento através da atribuição de baixos salários e até na exploração de mão-de-obra infantil, combatendo, desta forma, os resultados nefastos do fenómeno conhecido por globalização.
No rol dos sectores contemplados não constam indústrias poluentes ou inimigas do ambiente e por isso preservam a boa qualidade do nosso ar que, se fosse possível exportar, constituiria a maior fonte de receita do concelho.
A par do desenvolvimento de parcerias com regiões vizinhas do outro lado da fronteira, outros sectores regionais deverão ser apoiados e até incentivados porque são potenciadores de desenvolvimento. Refiro-me aos sectores ligados à transformação da madeira – fabrico de móveis e à exploração de granitos da região. O fabrico de móveis deverá contar como fonte de alimentação em matérias-primas a madeira, oriunda da exploração da floresta raiana, cujas espécies – o freixo, o carvalho e a cerejeira, é imperativo incrementar, como já foi aqui referido. Os granitos da nossa região são famosos e abundantes. A sua exploração e comercialização teriam um custo primário relativamente baixo e por isso competitivo nos mercados nacionais e internacionais.
Pelo exposto e sem entrar em pormenores, que só um estudo especializado poderia proporcionar, aqui expressei o meu pensamento sobre um possível contributo de desenvolvimento para a nossa região no que diz respeito ao sector industrial. Como se viu, no rol dos sectores contemplados não constam indústrias poluentes ou inimigas do ambiente e por isso preservam a boa qualidade do nosso ar que, se fosse possível exportar, constituiria a maior fonte de receita do concelho.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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