Zeus, o deus supremo do Olimpo, foi criado pelas Ninfas longe dos apetites devoradores de seu pai Cronos. Para além da boa gastronomia que detém, Belver, no concelho do Gavião, é um lugar idílico, com um castelo sobranceiro ao rio Tejo e uma envolvente cativante.

José Robalo – «Páginas Interiores»Zeus era na mitologia grega o deus supremo que governava o Olimpo. Foi contudo com alguma dificuldade que este deus se livrou da fúria devoradora de seu pai Cronos. É conhecida a história: a mãe Terra terá profetizado que Cronos iria ser destronado por um dos seus filhos. Perante tal augúrio, Cronos passou a devorar todos os filhos que a sua esposa Rea lhe dava. Quando Zeus nasceu, a mãe exausta e desesperada com os banquetes do seu marido, entregou o filho à mãe Terra para que esta o protegesse longe dos apetites devoradores do pai, tendo sido criado pelas Ninfas no monte Ida na ilha de Creta. Para enganar Cronos, Rea colocou entre panos brancos uma pedra do tamanho de um recém-nascido, que Cronos engoliu sofregamente, demonstrando assim que este deus sendo mau e vingativo, não era de certeza um bom garfo!
Falando de gastronomia, confidenciava-me um amigo, que um dos exercícios mais arrojados, tornando-se até um acto de coragem, é entrar num restaurante onde não se conhece ninguém ou que nunca nos foi sugerido, sentarmo-nos e comermos um prato com molhos estranhos. Resta-nos encomendar-nos a Deus depois de ingerimos e depositarmos no nosso íntimo estes venenos. Foi com alguma satisfação que li neste espaço um artigo do meu amigo Paulo Leitão, que de uma forma superior tecia elogios à gastronomia de Belver e a um restaurante recomendado do lugar. Estes elogios são merecidos.
Para além da boa gastronomia que detém, Belver é um lugar idílico, com um castelo sobranceiro ao rio Tejo e uma envolvente cativante, com a praia fluvial do Alamal de bandeira azul e bandeira acessível, muito bem cuidada e com passeios de barco no Tejo, com a duração de 2 horas, uma vez que o rio é navegável numa distância de 18 quilómetros entre a barragem de Belver e a Barca de Amieira. A paisagem envolvente ao rio Tejo é onírica e inesquecível!
Nas relações pessoais e humanas prezo a gratidão e a amizade, sentimentos que tenho para com aquela gente. Belver, como o amigo leitor sabe pertence ao concelho do Gavião, autarquia socialista onde só tenho bons amigos.
Amigos que apesar de encontrar de forma espaçada por contingências da vida, quando o fazemos, é como se estivéssemos estado juntos no dia anterior. São assim os amigos. Estes amigos que adoram o Sabugal, conhecem a raia, vibram com as nossas capeias e com os nossos sucessos. Quando nos encontramos é para partilhar sabores e gastronomia temática em que o Alentejo é muito rico. Belver, tem na lampreia pitéu invulgar que já degustei no Sabugal, preparado por esta gente hospitaleira.
Diz-me o meu amigo vereador do município do Gavião, Francisco Louro: «No Sabugal adoro e vibro com as capeias que corro com todo o prazer no mês de Agosto. Com um grupo de amigos do Gavião e com a família, assistimos aos encerros e capeias com o mesmo entusiasmo dos raianos. Impressiona-me a devoção das vossas gentes pelas festas religiosas, sendo assíduo das festas da Sacaparte. O Sabugal é um dos nossos roteiros de férias e fins-de-semana.»
Belver (concelho do Gavião)Penso que as autarquias do interior deveriam trocar conhecimentos e experiências, porque confrontando-nos com problemas idênticos, talvez tivéssemos todos aprender e a ganhar uns com os outros, no sucesso e na contrariedade.
Na organização da Festa da Europa, na qualidade de presidente da ADES e porque esta festa desenvolveu uma componente de mostra gastronómica socorri-me destes amigos do Gavião, para viabilizar a presença de um restaurante de cozinha alentejana, o que veio acontecer com o Restaurante da Ribeira da Venda situado no parque de merendas da Comenda, outro lugar idílico e que foi um sucesso, na divulgação da gastronomia alentejana.
O feed-back que me chegou foi de uma experiência totalmente conseguida em termos gastronómicos. A eles o meu reconhecimento público e muito obrigado. O município do Gavião tem uma mostra gastronómica na 3ª semana de Julho muito interessante, onde a cozinha do Sabugal poderia e deveria estar presente por ser salutar este intercâmbio. Os amigos, os negócios, as trocas de experiências, também se fazem à volta de uma boa mesa e de um bom vinho. Este concelho tem em fase de nascimento três bons vinhos tintos com corpo e taninos, a lembrar-nos que estamos no Alentejo: o Pausa e o Margalha, ambos da Quinta da Margalha e o Garfos da Quinta dos Garfos, vinhos com qualidade e de bom preço.
Por outro lado, este concelho integra-se na associação de municípios do norte alentejano, que está a elaborar um estudo com a participação da Universidade Nova de Lisboa. Diz-me o meu amigo e vereador do pelouro do Ambiente Francisco Louro: «A Agenda 21 Local é uma ferramenta para aumentar a qualidade de vida no município e evitar que as pessoas tenham de sair para outros territórios em busca de um futuro melhor. É um instrumento de politica e gestão municipal na área do desenvolvimento sustentável, integrando os aspectos ambientais, sociais, culturais, económicos e de organização espacial. Promove-se neste processo o envolvimento dos principais actores locais. A qualidade de vida depende muito das oportunidades de emprego, da existência de um tecido produtivo robusto e gerador de riqueza, de um ambiente social solidário, inclusivo e dinâmico, e na manutenção de um ambiente natural e equilibrado, em que os recursos são utilizados eficazmente e a pensar no futuro. Os desafios a enfrentar são muito fortes e por isso a A21L tem como opção fundamental o trabalho em estreita sintonia entre a autarquia, os actores económicos e a sociedade civil.»
A A21L tem as suas origens numa Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Cimeira da Terra ou Cimeira do Rio, realizada no Rio de Janeiro em 1992.
Para aceder a estes territórios basta tão só deixar a A23, no nó do Gavião em direcção a Belver e procurar o Restaurante da Quinta do Belo-Ver onde poderá degustar a diversidade e qualidade da boa cozinha alentejana acompanhada de bons vinhos e de um esmerado serviço. O amigo leitor, está num espaço sobranceiro ao Rio Tejo e com vista para o castelo medieval de Belver. Se pretender descansar, a Quinta de Belo-Ver é uma unidade de turismo rural de eleição para retemperar forças em contacto com a natureza.
«Páginas Interiores» opinião de José Robalo

joserobaload@gmail.com

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