«Alfaiates na Órbita da Sacaparte» é um importante livro do falecido Padre Francisco Vaz, natural de Alfaiates, que além de ministro do culto foi missionário em África, pedagogo no Colégio Universitário Pio XII, escritor e empenhado investigador.

O livro de Francisco VazO livro, em três volumes, é uma dádiva ao muito crente povo de Alfaiates, terra que cuja história se assemelha a uma parábola: «Longa caminhada. Ladeando encostas, arranca, trémula, da penumbra densa».
É um trabalho profundo, resultante de uma grande e dedicada investigação. As suas páginas revelam a enorme erudição do seu autor. Da linguagem poética, carregada de metáforas, nota-se a veia de um homem que conhece a fundo as escrituras, manuseia o saber popular e está por dentro da história da região.
Alfaiates é das mais antigas terras da Ibéria. Evoluiu ao sabor dos tempos, dos povos e das culturas dominantes. Dos Lusitanos aos cristão, passando pelos romanos e os árabes, o burgo teve sempre uma importância estratégica. A gente de Alfaiates é religiosa, muito temente a Deus e sempre votada à devoção de Nossa Senhora.
Os lugares de culto destacam-se entre os monumentos coevos de que a vila está recheada. A par do forte e formoso castelo, lá estão as pontes romanas, as fontes medievais, o pelourinho, a igreja matriz e a da Misericórdia. De entre os vestígios históricos ressalta porém e o convento da Sacaparte, e o santuário da sua Senhora, a Santa Maria de Riba Côa. Francisco Vaz discorre sobre o estranho nome de Sacaparte, tentando encontra o fio que permita dobar a meada. Conclui que no essencial interessa olhar para o santuário como espaço de fé e de cultura, onde os homens de todos os tempos se cruzaram com a divindade. Vai ao encontro do culto que ali existe desde outras eras, explica o sentido de cada palmo das pedras que compõem o antigo convento, da igreja mais recente, evoca as imagens que ali se veneram, enumera as cruzes à roda dos caminhos que percorriam os romeiros e as fontes onde se dessedentavam. Descreve a via-sacra, o simbolismo das alminhas e evoca os cultos que marcaram a vida religiosa do santuário mariano.
Para além do marcante aspecto religioso, o livro aborda também os modos de vida do povo no quotidiano e a historia do burgo e da região onde está implantado. Lá está a explicação dos forais, que se transcrevem, assim como o Tratado de Alcanizes, que também se publica. Explanam-se os inquéritos paroquiais do tempo do rei D. José.
No referente à vida do povo que evoca a Senhora, lá estão as tradições antigas, que perduraram durante séculos, parte delas de mãos dadas com a prática do culto. Também se abordam as falas populares, os ditos, os estranhos vocábulos e os seus significados. Três volumes de erudição e de amor filial à Senhora da Sacaparte e ao povo simples e corajoso de Alfaiates.
plb