Para fazer face à falta de população, os países ricos recorrem à «importação» desta de países onde ela abunda ou seja, permitem a emigração de cidadãos de regiões menos desenvolvidas e esta medida resolve o problema da falta de naturais para executar as tarefas necessárias ao seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, os novos residentes contribuem para as tornar ainda mais ricas e prósperas.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)Não é necessário gastar dinheiro com estudos para afirmar que a população de Portugal tem estado a envelhecer e irá continuar nessa direcção por muitos e bons anos. Este fenómeno, em si, não é mau pois ele resulta da melhor assistência médica que se faz sentir nos países desenvolvidos, provocando uma maior longevidade dos indivíduos, a que tecnicamente se dá o nome de aumento da esperança de vida. Por outro lado e no mesmo sentido, a mortalidade infantil tem também vindo a diminuir drasticamente no nosso país, também fruto da boa assistência aos novos compatriotas, tanto no momento do seu nascimento como nos primeiros anos de vida. Os dois fenómenos – aumento da esperança de vida e diminuição da mortalidade infantil – seriam os responsáveis, em teoria, pelo aumento da população de um qualquer país ou região, não fosse o facto de, para a análise referida estar completa, ser inevitável acrescentarmos mais um outro dado: A natalidade ou mais concretamente o seu aumento deficiente. Com efeito, a taxa de natalidade em Portugal é de 1,7 aproximadamente. Ou seja, cada casal não chega a repor o número de indivíduos necessários para o repovoamento.
O espaço ocupado pelo concelho de Sabugal, tem vindo ao longo dos últimos anos a sofrer das maleitas provocadas pelos fenómenos expostos atrás, aos quais acrescentaremos a não fixação de residência dos poucos habitantes aqui nascidos e criados. Com efeito, os naturais, chegados à idade da sua entrada no ensino superior migram para outras regiões do país, normalmente para o litoral, para aí frequentarem o ensino universitário ou politécnico e, normalmente, por lá ficarem depois de adquirirem as necessárias competências profissionais, contribuindo com o seu trabalho e saber para o seu próprio bem estar e potenciando o desenvolvimento da região onde se fixam. E assim, a região que os viu nascer não beneficia da sua formação e do seu labor! Por cá, ficarão os seus progenitores que em breve se tornarão idosos, engrossando ainda mais este número, já de si muito elevado.
O desenvolvimento e a riqueza de um país ou região não é proporcional ao volume da sua população mas sim ao seu nível cultural e intelectual. Se assim fosse, a China e a Índia, por exemplo, seriam os que apresentavam melhores índices de bem-estar e desenvolvimento. E, em contrapartida, os países com menor população, como é o caso do Luxemburgo, da Suíça, da Bélgica, etc. seriam os mais pobres do planeta. Mas não é assim e até constata-se exactamente o contrário, como também todos nós sabemos. A este propósito, lembra-me um ditado popular que diz: «Quem não tem cão, caça com gato!» Com efeito para fazer face à falta de população, os países ricos recorrem à importação desta de países onde ela abunda ou seja, permitem a emigração de cidadãos de regiões menos desenvolvidas e esta medida resolve o problema da falta de naturais para executar as tarefas necessárias ao seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, os novos residentes contribuem para as tornar ainda mais ricas e prósperas.
Pelo exposto, constata-se que o concelho de Sabugal, tem como um dos seus pontos fracos, o envelhecimento da sua população e ao mesmo tempo assiste ao êxodo da, também sua, população jovem. Estes factos, aliados a outros, são responsáveis pelo atraso no seu desenvolvimento e sendo um problema, ele deverá ser transformado em desafio para os actuais e futuros responsáveis locais pondo cobro a este fenómeno adoptando medidas que contrariem esta tendência. Caso contrário, teremos dentro de algumas dezenas de anos, um concelho transformado num imenso lar de idosos, sem gente para tomar conta deles.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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