Os responsáveis pela governação local não souberam enganar o destino, provocando o desvio de pelo menos uma daquelas importantes vias rodoviárias que o ligassem ao mundo desenvolvido e assim ter a seu favor um elemento atractivo para os investidores.

Joaquim Ricardo («Ideias Soltas»)O concelho de Sabugal, está condenado a ser o concelho mais atrasado do país, porque tudo lhe passa ao lado. É uma afirmação muito dura mas que infelizmente corresponde exactamente à verdade, senão vejamos.
Em termos de vias de comunicação, ficou esquecido para sempre. As duas grandes vias de comunicação e que ligam o país à Europa desenvolvida, passam-lhe sorrateiramente uma a Norte e a outra a Sul, empurrando o concelho ainda mais para a raia subdesenvolvida: O Itinerário Principal Cinco (IP5), antecessora da A25, que liga o litoral ao centro da Europa e mais recentemente a A23, que liga o Sul, com entrada na A1 que vai para o Norte, em Torres Novas e termina quando encontra a A25 e a A24, esta última seguindo depois para Trás-os-Montes. Antes da construção destas importantes infra-estruturas e para quem se dirigia para sul vindo da Europa, tinha passagem obrigatória pelo Sabugal. Primeiro pelo centro da vila e depois pela sua marginal, onde e não só o transporte de mercadorias efectuado pelos grandes camiões (TIR’s) mas também os viajantes transportados em carros ligeiros, como era o caso dos emigrantes e cidadãos estrangeiros, por exemplo, atravessavam o concelho e consequentemente a vila, aqui fazendo abundantes pausas para uma bem merecida refeição e até pernoitando para de manhã seguirem viagem. Com efeito, é com alguma nostalgia que recordo o intenso movimento circulatório e as visitas dos respectivos viajantes, principalmente nos meses de Julho, Agosto e Setembro em que a estrada e a vila se enchia de veículos de matrícula estrangeira cujos ocupantes, uns emigrantes outros turistas, se demandavam para esse Portugal profundo em busca de umas bem merecidas férias.
A23 - Saida para o SabugalOs responsáveis pela governação local não souberam enganar o destino, provocando o desvio de pelo menos uma daquelas importantes vias rodoviárias que o ligassem ao mundo desenvolvido e assim ter a seu favor um elemento atractivo para os investidores. Outros souberam aproveitar aquela oportunidade. Que o digam os naturais da cidade de Viriato, a próspera Viseu, cujo desenvolvimento dos últimos anos foi inquestionavelmente provocado pela sua ligação as regiões mais desenvolvidas do país e do estrangeiro, como é o caso do litoral português e da Europa. Todo o seu poder reivindicativo assentou nas vias de comunicação existentes e estas terão sido as responsáveis pelo seu desenvolvimento.
Para promover o seu desenvolvimento, qualquer região precisa, a par de outros saberes, de boas vias de comunicação e o concelho, se não se quiser atrasar ainda mais face ao resto do país, terá que repensar na sua ligação às regiões prósperas do resto do país e do mundo, deixando de ser notícia sempre pela negativa como é o caso da sua modesta posição número 264 nos índices de qualidade de vida dos seus munícipes, descendo 27 posições relativamente a anteriores estudos, em conformidade com os dados recentes publicados pelo INE.
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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