Quem, natural da Raia, não tem na memória a melodia de um cântico de ritmo largo, que se entoava sobretudo nas celebrações eucarísticas, sendo música obrigatória nas procissões paroquiais do Santíssimo?

Jesué Pinharanda – Carta DominicalO autor da letra e da música foi o padre Joaquim Dias Parente, que durante anos a fio paroquiou uma das freguesias de Manteigas, tendo falecido em 1957.
Músico por irrepremível vocação, dormia com um caderno de pauta na mesinha de cabeceira, e com frequência acordava para anotar alguma nota que lhe surgia de dentro do peito.
Compôs cânticos religiosos diversos, incluíndo o bem conhecido «Senhora Nossa, Senhora Minha», mas também compôs música profana e destinada ao teatro e teve parte de leão no renovamento das bandas musicais de Manteigas (a Nova e a Velha), para as quais escreveu e adoptou muitas partituras.
No entanto, o cântigo que o tornou famoso é de facto o «Santos Anjos e Arcanjos» que deveio património litúrgico, já poucas pessoas se importando com o nome do autor. É um cântico a bem dizer oficial.
Padre Joaquim Dias ParenteEscrevemos esta nótula, profundamente sensibilizado pela leitura de uma notável biografia que se publicou em Manteigas, para assinalar os 50 anos da morte do padre Joaquim Dias Parente. Nesta obra, devida ao incansável espírito e à criatividade intelectual do dr. Manuel Ferreira da Silva, o autor versa com rigor e saber o homem, a obra, a missão e a mensagem que o padre Parente nos legou, ao deixar no mundo verdadeiros momentos de eternidade.
Com esta obra, o dr. Ferreira da Silva honra o homenageado, mas também honra os compatrícios diocesanos e a sua própria figura de meritório biógrafo. Parabéns.
A edição é da Paróquia de Santa Maria de Manteigas.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

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