Neste «país à beira-mar plantado» nunca tão poucos ganharam tanto e muitos ganharam tão pouco!

Joaquim Ricardo – Ideias SoltasPortugal está dividido: Não entre o norte e o sul, nem entre os adeptos dos respectivos clubes de futebol, como seria de esperar, mas sim entre os poderosos senhores, uma minoria em número mas representativos da posse da maioria da riqueza produzida pelo país – verdadeiros patriotas e aos olhos dos nossos compatriotas europeus os verdadeiros portugueses de primeira –, sedosos de engordar ainda mais os seus já avultados ordenados e os «Zés», pensionistas, que representam mais de 10% da população portuguesa, obrigados a viver com uns míseros euros durante todo o mês e cujo «aumento», anual ou melhor ainda, o seu pagamento, está a constituir um verdadeiro problema nacional! É verdade!… E com esta discussão, pasme-se, relega-se para segundo plano o verdadeiro problema, dos ditos «caçadores» de altos cargos cujos «míseros» proventos mensais não constituem qualquer problema para o país – o «seu país»!… Ninguém saberá o “quantum” do seu ordenado, certamente para não incomodarem e porque não «humilharem» ainda mais o restante povo trabalhador, com ordenados há muito tempo congelados e claro: os «Zés» pensionistas que esses sim estão a incomodar muita gente no (des) governo deste país que acaba de deixar a presidência de um dos maiores clubes de ricos do mundo! Mas infelizmente de ricos, só os nossos compatriotas de “primeira” terão direito a esse adjectivo porque os restantes, em vez da tão clamada convergência de rendimentos com os restantes parceiros europeus, cada vez se afastam mais! Um verdadeiro fosso é já o que acontece actualmente – compare-se, a título de exemplo, o nosso salário mínimo (426 €) e o auferido por um Luxemburguês (1 500 €). Neste «país à beira-mar plantado» nunca tão poucos ganharam tanto e muitos ganharam tão pouco!
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

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