Começo a escrever estas linhas exactamente no primeiro dia de trabalho deste ano de 2008. É já noite e em fase adiantada.

Joaquim Ricardo – Ideias SoltasAs notícias que durante o dia todo nos foram oferecidas pelos os meios de comunicação social são de tal maneira preocupantes que davam já para escrever um romance – o que não irá acontecer, descanse o leitor! Não as vou relatar todas, certamente, mas não resisto a comentar uma: A que se relaciona com o que aconteceu nas estradas portuguesas. São, «apenas» as mortes e os feridos (ligeiros e graves) que ocorreram nestas festas de natal e fim de ano e as inevitáveis estatísticas e comparações? Afinal, ficamos a saber todos que a tragédia deste ano até não foi tão «má» como a dos anos anteriores! É sempre assim? Os números e a sua retórica, depois de bem confeccionados por um bom «cozinheiro» dão-nos resultados fascinantes! Ao jeito do que desejamos! Apetece-me perguntar: mas afinal quando é que os responsáveis nos dizem a verdade e declaram publicamente que afinal são uns incompetentes e que mereciam ser demitidos pois os resultados alcançados pelo organismo que custa «couro e cabelo» aos contribuintes não conseguiu os objectivos prometidos? Mas pronto, a partir de amanhã tudo volta ao normal e tudo se esquece.
Brigada de Trânsito da GNRAfinal, tudo isto só veio à «baila» porque durante as festividades se mobilizaram dois mil e tal homens e não sei quantas viaturas e não sei quantos litros de combustível e não seis quantas horas extras e ajudas de custo e já agora, não sei quantas horas, em horário nobre, dos quatro ou cinco (pelos menos) canais de televisão e não sei quantas páginas, em destaque de primeira página, na nossa imprensa! Teremos agora pela frente, mais trezentos e sessenta e cinco dias em que não se falará jamais no que aconteceu no final de 2007 nas estradas portuguesas e os responsáveis descansarão à sombra da sua incompetência e da sua falta de ideias para por cobro a esta tragédia nas nossas estradas que, por sinal até estão melhores que nunca? E os automóveis até são bons, quase todos novos ou com a revisão feita!
Afinal qual é a desculpa para não baixar os «números» que todos os anos teimam em aumentar e só o engenho e a arte dos responsáveis conseguem esconder?
Até breve!
«Ideias Soltas», opinião de Joaquim Ricardo

dr_jfricardo@hotmail.com

Joaquim Fernando Ricardo nasceu na Aldeia de Santo António, concelho do Sabugal. É funcionário superior da Administração Fiscal, tendo feito carreira no Porto, onde foi Chefe de Finanças, passando depois pela Covilhã. Durante cerca de dois anos exerceu um cargo dirigente na Direcção-Geral de Contribuições e Impostos, em Lisboa, de onde regressou recentemente à Covilhã, reassumindo as funções de Chefe de Finanças. É autor do livro «Direito Tributário – Colectânea de Legislação», obra de grande sucesso editorial. Sempre dedicado à sua terra, fundou e preside à Liga dos Amigos de Aldeia de Santo António.
Aceitou o repto do Capeia Arraiana e aqui o temos como colaborador convidado, assinando às quartas-feiras a coluna «Ideias Soltas».

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