A reprodução em cativeiro do Lince Ibérico da Malcata continua a ser uma guerra que está longe de estar perdida. Vamos todos continuar a acreditar que vale a pena exercer o nosso direito de cidadania à indignação.

Correio dos LeitoresFrom: António Moura
To: Capeia Arraiana
Subject: Reprodução do Lince Ibérico da Malcata em cativeiro
Eu tive a imensa sorte de ver aquilo que o meu filho provavelmente poderá nunca ver… Há cerca de 15 anos atrás, numa manhã amena de Julho enquanto me dirigia a um apiário na Serra da Malcata, mais concretamente a um lugar chamado Vale da Ursa na freguesia de Quadrazais, começo aos poucos a vislumbrar uma figura a descrever movimentos circulares, como se perseguisse alguma coisa. Esta primeira imagem inicia-se a uns bons 300 metros de distância, e logo de início o meu amor pela natureza pôs em prática à medida que me ia aproximando, uma tentativa de reconhecer aquilo de que se tratava.
Por exclusão de partes fui eliminando raposas e canídeos, os movimentos eram descritos por um animal de médio porte, mas com a elasticidade de um felino. Já a menos de 100 m de distância e depois de ele se aperceber da minha presença, pude ver o último olhar que me lançou mesmo antes de se refugiar no matagal. Esse olhar que desde então me acompanha, faz parte de mim, esse olhar, nenhum técnico incompetente o poderá apagar como apagaram 30 anos de expectativas e promessas, ou como apagaram o único exemplar capturado vivo na Malcata!! mas essa é outra história…
A minha história é a da tristeza de um outro olhar, o do meu filho quando lhe disse que a reprodução de linces em cativeiro já não viria para a Malcata. Esta é também a história de 30 anos de mentiras no interior profundo. O pouco que esta terra nos dá também nos é tirado.
Para finalizar só falta alterar o nome do bicho para que permita aos ingleses uma melhor fluência na sua pronúncia.
António Moura

É legitímo o direito à indignação contra a decisão politiqueira de um ministro que não sabe nem nunca quis saber onde fica a Serra de Malcata. É nossa obrigação berrar bem alto e não deixar esquecer o nosso lince. É uma obrigação de todos passar a chamar-lhe o «Lince Ibérico da Malcata» mesmo que alguns, ridiculamente, o queiram obrigar a falar com sotaque algarvio.
jcl

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