Aqui há pouco tempo atrás, referi num artigo que o Piloto Aviador Raul Fernandes aterrava com a sua avioneta, de vez em quando no Vale de Aldeia da Ponte, por altura da década de 50. Teria sido por altura de 1954 a 1956.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaQuando soavam os motores, com o barulho característico do roncar da avioneta, próximo da Aldeia, surgiam as exclamações: «Lá vem o Raul da casaca azul», era assim que vinha vestido, fazendo referência à sua farda de piloto aviador, correndo todo o povo para o Vale, assistindo, extasiado, à sua manobra de aterragem. A descolagem era também mais um espectáculo acrescido levando a uma excitação em toda a nossa Aldeia
Aldeia da Ponte tinha o seu «aeroporto» no Vale, onde aterravam as avionetas, constituindo um feito difícil de igualar nas outras Aldeias, isso enchia a todos de orgulho naquela época, ouvindo as histórias contadas pelas pessoas mais idosas.
Também nós ficámos deslumbrados com esta história, apesar de não ser da nossa lembrança, o que é uma pena, mas aconteceu várias vezes na nossa Aldeia, só por este facto, dava para nos sentirmos com uma pontinha de orgulho na nossa terra.
Raul da casaca azul - Foto retirada do livro «O passeio dos moços da Raia» de José PrataImaginem o que pode acontecer com o início dos estudos, quando os despiques eram sobre a valia das Aldeias de cada um, coisa de jovens no dealbar da carreira de estudante e, quão difícil foi, convencer os nossos amigos da veracidade da história de Aldeia da Ponte. Podia lá ser, aviões em Aldeia da Ponte!… Estávamos a inventar, seguramente, quanto à Espanha, ainda vá que não vá, como estávamos na fronteira, era bem possível.
Cada um exaltava as histórias dos seus sítios e, para nós, nada era mais importante do que a nossa Aldeia, pois além de ter um «aeródromo» no Vale, onde aterravam avionetas, também tínhamos ali, à mão de semear, a Espanha, nomeadamente, Albergaria e Almedilha, com quem disputávamos jogos da bola, para não falar das outras inúmeras visitas, à cata do pão e outras mercearias para a casa, tornando-se para nós corriqueiras, tal era a frequência com que lá íamos.
Segundo contam os mais antigos, quase todas as avionetas da época caíram, tal como a do nosso herói de Aldeia pois, segundo rezam as lembranças, há quem diga, que na época eram sobrecarregadas com demasiado peso para a sua capacidade. Não garantimos que tenha sido assim, mas é provável que tenha acontecido.
O Alferes Piloto Aviador Raul Fernandes, nascido em 2 de Janeiro de 1930, faleceu vítima de queda da sua avioneta em 20 de Setembro de 1956 com 26 anos de idade e está sepultado no cemitério de Aldeia da Ponte.
Para a história de nossa Aldeia fica esta lembrança do Raul da casaca azul, piloto-aviador da década de 50.
Num próximo artigo voltaremos com mais pormenores do nosso aviador.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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