«Na Eternidade Nada nos Separará», é o último romance de António Emídio, escritor natural do Sabugal. É uma história de amor e de ódio, de abusos, de luta e de indignação, que vale a pena ler e sobre ela reflectir.

O livro de António EmidioA acção decorre num Portugal futuro, numa sociedade onde o medo tomou conta das pessoas, em que os direitos foram restringidos, o mercado e os banqueiros passaram a dominar, numa ditadura encapotada.
Deixou de ser feriado em 25 de Abril, passando a sê-lo em 11 de Setembro, data mais significativa para a humanidade. As eleições continuam a existir, num sinal democrático, mas não importa qual partido ganhe, que tudo dá no mesmo. As mesas de voto deixaram as escolas e instalaram-se nos centros comerciais, onde as grandes cadeias de supermercados, que patrocinam os partidos, oferecem créditos e descontos a quem prove ter votado. Instalou-se a anarquia capitalista. A saúde e a educação estão completamente privatizadas. Os livros escolares estão repletos de publicidade comercial. A Filosofia e a Literatura foram banidas dos currículos, agora nada voltados para banalidades.
A cultura foi votada ao desprezo, ao povo vale apenas o futebol. A democracia baseia-se apenas na ideia de liberdade, valor supremo, e único, que importa defender, ainda que com a maior das hipocrisias e por meio do logro. O terrorismo internacional surge como espantalho encenado pelos donos do poder, para manter o medo entre a população, e assim melhor a manipular.
É um livro de indignidades, que nos alerta para os riscos que corremos com a evolução da globalização e do seu caminho de destruição. O cenário pode parecer-nos irreal, mas uma análise atenta leva-nos a concluir que se não houver resistência a evolução da sociedade conduzir-nos-á a uma realidade similar à que o autor nos descreve e na qual o drama se desenvolve.
Pelo meio há uma história de amor proibido, cujos protagonistas procuram a felicidade, mal grado os obstáculos que lhes colocam no caminho.
plb

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