Se a percentagem de idosos atinge hoje 40 por centro da população concelhia, os mesmos devem merecer uma atenção especial, devendo adoptar-se estratégias que conduzam a um aumento da qualidade de vida dos nossos «mais velhos».

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Na semana passada apresentei a proposta de criação de uma Unidade Móvel de Saúde que permitisse o acesso aos serviços médicos dos idosos residindo em freguesias não servidas quer pelo Centro de Saúde, quer pelas diversas Extensões, sem necessidade de deslocação ao Sabugal.
Referi igualmente que o Concelho apenas possui 4 farmácias – Sabugal, Soito e Cerdeira do Côa –, com extensões em Aldeia do Bispo, Aldeia da Ponte, Alfaiates, Aldeia Velha e Vale de Espinho.
Tal impõe que, mesmo com a Unidade Móvel, os idosos continuarão a ter que se deslocar à sede do concelho ou àquelas freguesias para adquirir os medicamentos de que necessitam.
Ora, a legislação em vigor não permite a abertura sistemática de extensões farmacêuticas, nem tal se justificaria na maior parte das nossas freguesias, dado o número reduzido de habitantes.
Unidade Móvel de SaúdeAssim, coloca-se a questão de como ultrapassar a necessidade de deslocação dos idosos às farmácias, o que passa, naturalmente, por criar um instrumento que, sem ferir a legislação em vigor, disponibilize os medicamentos no local de residência do doente.
No meu entender, tal terá de passar por uma aposta conjunta da Câmara Municipal, das Juntas de Freguesia e das Farmácias, com os seguintes contornos:
– O doente entrega a sua receita na Junta de Freguesia, indicando a farmácia de preferência;
– A Junta de Freguesia envia de imediato, via fax ou Internet, para a farmácia seleccionada, uma cópia da receita;
– A Câmara Municipal disponibiliza uma viatura que, com a periodicidade e os itinerários definidos, e com a presença de um técnico farmacêutico disponibilizado pelas Farmácias, recolhe os medicamentos e os entrega aos doentes, que para o efeito se deslocarão à Junta de Freguesia respectiva, para recepção dos medicamentos e seu pagamento.
Parece complicado e obriga a acordos entre as partes, nem sempre fáceis. Mas termino com a mesma pergunta da semana passada:
Não merecerão os nossos «mais velhos» um acesso mais fácil aos cuidados de saúde?
«Sabugal Melhor»
opinião de Ramiro Matos

ramiro.matos@netcabo.pt