Sendo um homem de compromissos e habituado a cumprir prazos, por defeito de profissão, o prazo é sempre cumprido no último dia. E o Natal em família na Ruvina não deixa tempo para uma escrita interessante para o leitor.

José Robalo – «Páginas Interiores»Acontece no entanto que por vezes, o excesso de trabalho e de compromissos nos tolhem o pensamento e nos impedem com alguma lucidez engendrar uma história, um conto que possa ter respeito e interesse pelo leitor.
Encontrando-me na Ruvina, a azáfama do madeiro de natal, os preparativos da Consoada e da missa do galo, as prendas do menino Jesus, que hoje designamos por Pai Natal, têm usurpado esse tempo para a reflexão e para a escrita. É nestes momentos que nos acode ao espírito o pensamento do poeta, quando escrevia:

Capela da Senhora das Preces«Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.»

É assim desta forma desidiosa, que na Ruvina desfruto do Natal, a época mais bonita para se viver em família numa aldeia do Sabugal, longe da indiferença e do anonimato das grandes cidades.
Proponho-lhe caro leitor amigo, nesta época preguiçosa por excelência que procure na sua estante, biblioteca ou livraria um livro precioso: «Os Novos Contos da Montanha», de Miguel Torga e à lareira aos seus filhos, netos ou para si próprio leia a história de Natal mais bonita que conheço. Um conto que perpetua a nossa memória do Natal e que no livro tem esse nome.
A história degusta-se à lareira em cinco minutos, mas se pretender ter o prazer de a ouvir pela voz do seu autor também existe em CD. Boas leituras.
Para todos um Santo e Feliz Natal.
«Páginas Interiores» opinião de José Robalo

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