«Quem? O povo de Gouveia.» «O quê? Novo Centro de Saúde.»
«Onde? Em Gouveia.» «Quando? No sábado, 1 de Dezembro»,
«Como? Manifestação de protesto junto ao novo Centro de Saúde». «Porquê? Apesar de concluído espera há mais de um ano para ser inaugurado.»

Álvaro Amaro, presidente da Câmara Municipal de GouveiaO título alerta e a estrutura da abertura de uma notícia deve contemplar uma visão resumida do acontecimento que pretende desenvolver. Regras jornalísticas que devem ser respeitadas para facilitar a leitura e a interpretação dos factos relatados. Mas vamos ao que interessa…
Antes de mais é importante esclarecer que não é uma questão política. É, apenas, uma questão pessoal. Não gosto do governante, não gosto da sua política e tenho a certeza que o tempo e o julgamento da História concluirão que o ministro da Saúde, Correia de Campos, estava mal aconselhado e enganado… redondamente enganado. De facto ninguém acredita que é chique nascer em Espanha ou a bordo de uma ambulância. De facto ninguém acredita que fechar os centros de saúde do Interior e tratar os beirões como cidadãos de segunda é a melhor política para Portugal. De facto ninguém acredita que os excessos de despesismo na Saúde se combatem com o fecho de maternidades ou hospitais.
Gouveia tem um centro de saúde degradado e sem condições que funciona em dois edifícios e um Serviço de Atendimento Permanente (SAP) que já foi «julgado e condenado ao encerramento» pelo ministro da Saúde. Mas…
O povo de Gouveia não compreende e protestou no sábado, 1 de Dezembro, em frente às instalações do Centro de Saúde novinho em folha e que espera há mais de um ano a sua abertura. «É um escândalo!», denuncia o presidente da Câmara Municipal de Gouveia, Álvaro Amaro, aos microfones da TSF.
Afinal, depois do protesto da população e da indignação do autarca o ministro da Saúde acordou e apressou-se a dizer hoje, 11 de Dezembro, em Lisboa, à margem da cerimónia de apresentação da Plataforma da Obesidade (dos gordos) que afinal o Centro de Saúde vai abrir ainda este ano. «O problema foi da construção defeituosa que permite infiltrações», esclareceu. «Sim! Este Inverno tem sido muito chuvoso», acrescentamos nós.
Álvaro Amaro não aceita que «o Estado tenha gasto três milhões de euros e o município 500 mil euros num edifício que se está a degradar, numa total e absoluta falta de respeito para com os cidadãos, à luz de uma reforma da saúde que ora avança ora recua, e quer fechar o serviço de internamento».
Porque um mal nunca vem só está também previsto a partir de 20 de Dezembro o fecho do internamento nas actuais instalações. Em conversa com a coordenadora da sub-região de Saúde esta referiu a Álvaro Amaro que o novo Centro de Saúde de Gouveia terá 10 camas para internamento mas que apenas poderão ser utilizadas durante seis horas. «E se as pessoas precisarem mais de seis horas, pedem autorização ou metem um requerimento ao ministro?» questiona o autarca.
Depois dos protestos e da indignação parece que o Centro de Saúde de Gouveia vai, finalmente, entrar em funcionamento antes do final do ano.
Definitivamente alguém anda a dar cabo da saúde e da paciência dos beirões.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

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