Situado ao longo da estrada para Albergaria de Argañan, Espanha, o Vale de Aldeia da Ponte é composto de cinco espaços, onde nasceram algumas obras importantes.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDo grande complexo do Vale, sobram apenas duas grandes fatias deste território, o principal e o do Cabecito, separado daquele, pelo ribeiro que atravessa esta zona do Vale, que vai desaguar à nossa Ribeira da Aldeia, vulgo, rio Ceserão, que por sua vez desagua no rio Côa.
Num primeiro espaço, que antigamente, ainda serviu para desafios de futebol, quando o Vale era inundado pelas imensas Mêdas de trigo e centeio, para as malhas, a seguir às últimas casas do povo, foi destinado à construção, há um bom ror de anos. Ao lado da Capela de Santo Cristo, nasceu o Lar de Santo Cristo, ocupando todo este espaço, sendo, em outros tempos, também bastante utilizado como campo de futebol, na altura das malhas. Do outro lado da Estrada para Albergaria, situa-se o novo Parque Desportivo e o recinto das festas, composta por um parque de estacionamento, onde se situou a anterior sala da ordenha, Ringue de Futebol de 5, Balneários e Campo de Futebol de 11, restando o espaço principal e o dito vale do caminho do Cabecito, completamente vedados, pois são alugados anualmente, advindo deste aluguer uma receita para a Junta de Freguesia, entidade a quem pertencem todos estes terrenos.
A acarranja e a malhaAs terras do Vale são de uma qualidade especial pois, mal caem as primeiras chuvas de Outono, de imediato, irrompem as suas abundantes ervas, sendo a primeira terra a rebentar, na nossa Aldeia, conferindo-lhe uma paisagem, que vale a pena contemplar. É frequente descortinar, quem por aqui passa, parar a viatura e sair um pouco, admirando este espaço verdejante, que se lhes depara, então no Inverno, totalmente coberto de um manto de neve, mais atractivo se torna.
Para além do Futebol e outros desportos, mais as tradicionais brincadeiras de épocas recentes, que lá tiveram lugar, serviu para as pastagens de várias espécies de animais, chegando para todos, pois a fartura de erva era abastada, como acima descrevemos, e ainda, para as malhas de trigo, centeio e outras utilidades, que em tempos mais remotos, as pessoas utilizavam a seu bel prazer, consoante as necessidades.
Apesar de não agradar muito à malta nova, na época, pois durante algum tempo, as malhas «roubavam-nos» o melhor espaço para o jogo da bola, devemos confessar, que todo este movimento diário proporcionava um espectáculo digno de ser apreciado, superlotando o Vale, com uma infinidade de grandes Mêdas de centeio e trigo, então com a chegada das máquinas de malhar, que faziam a delicia da canalha miúda, a azáfama começava bem cedo, todos os dias, durante um ou dois meses, num trabalho que dava os resultados das colheitas do ano neste capitulo, com o encher dos sacos de grão e mais as «faxas» de palha atadas com «nagalhos» de palha, feitos, previamente, para esta grande operação, sendo guardadas nos palheiros, com toda a utilidade que se conhece, seja para alimentação dos animais durante o Inverno rigoroso, que todos os anos acontece, seja também para a cama dos ditos cujos, nas suas cortes.
Na década de 50 destacam-se ainda, as aterragens e descolagens de pequenas avionetas, qual campo de aviação improvisado, de que o saudoso piloto-aviador Raul Fernandes, o célebre Raul da casaca azul, se serviu várias vezes, nas diversas visitas a Aldeia da Ponte, provocando um alvoroço danado na pacatez da nossa Aldeia, de cada vez que lá aterrava ou descolava. Voltaremos a este assunto.
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

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