Dentro da colecção «Memórias de Riba Côa e da Beira Serra», o escritor quadrazenho J. Pinharanda Gomes escreveu o livro «O Motim do Aguilhão no Sabugal», o qual evoca aquele que porventura foi o mais relevante acto de revolta do povo do concelho raiano face às injustiças de que era alvo por parte do governo.

O Livro editado pela Casa do SabugalTrata-se de um documentário histórico, reportado a uma época conturbada em que uma série de leis duras e injustas sujeitaram os lavradores a uma situação difícil, agravada com a apatia das autoridades concelhias.
No dia 10 de Fevereiro de 1926 cerca de mil e 500 manifestantes invadiram a Praça da República, onde se situa a Câmara Municipal do Sabugal, gritando palavras de ordem contra os impostos recentemente lançados, contra a licença dos cães e contra a licença para se ter vara com aguilhão.
A Guarda Nacional Republicana carregou duramente sobre os revoltosos, destroçando o ajuntamento e obrigando os lavradores a regressar às suas aldeias. O motim ficou resolvido, mas a semente da revolta estava lançada entre o povo sabugalense, que nunca se conformou com o aparecimento do Estado para cobrar impostos e licenças, mas estando no mais ausente, mantendo as pessoas da raia votadas à sua sorte.
Pinharanda Gomes apresenta a cronologia dos acontecimentos e analisa com profundidade as razões dos protestos. Mostra que pessoas gradas estiveram do lado do povo, como o deputado Joaquim Dinis da Fonseca e o lavrador abastado Joaquim Mendes Guerra, transcrevendo também documentos históricos que ajudam a compreender a luta do povo contra os actos de opressão de que era alvo. Nesses documentos incluem-se artigos dos jornais «O Sabugal» e «Gazeta do Sabugal», que na altura concorriam entre si e marcaram posição em lados opostos.
O pequeno e valioso livrinho de J. Pinharanda Gomes foi publicado em 1978, pela então recentemente fundada Casa do Concelho do Sabugal. A ideia era lançar uma colecção de publicações, denominada «Estudos Sabugalenses», mas o projecto ficou-se por aqui, nunca tendo continuidade.
O livro poderá ser adquirido na Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa, que ainda detém alguns exemplares.
plb