Tal como num artigo anterior foquei as idas a Albergaria, neste caso era a Almedilha, pois tínhamos e temos duas povoações bem próximas da raia, onde, assiduamente, íamos às compras, embora Almedilha fosse um pouco mais longe.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaAqui, próximo da Navetalaia existia a quinta do Natcho (Inácio), com carradas de bois que criava, muitos deles, para as Capeias da redondeza.
Aldeia da Ponte, Alfaiates, Soito e outras mais, ajustavam a este ganadeiro espanhol, os seus magníficos touros e vacas, exibindo uma parelha de cornos, que metiam respeito, mais parecendo agulhetas afiadíssimas, prontas para pinchar algum, menos cuidadoso na praça. Eram, realmente, um perigo, estes corpulentos animais vindos da Espanha, que tanto espectáculo deram nas nossas aldeias.
Ainda deambulávamos pela escola primária, mal se aproximava Junho, ninguém descansava, enquanto não íamos ver o gado, na quinta deste amigo espanhol.
Quando por lá não estava, então lá teríamos que os afoliar também um pouco, pois a longa caminhada a pé, para lá chegar, tinha sido dura e não podia ser em vão.
Touros no campoNo dia que decidíamos ir aos bois, não havia escola para uns quantos, faltávamos e ao outro dia, lá teríamos que enfrentar o Sr. Professor Andrade, inventando algumas desculpas, que duravam pouco, descobrindo-se a verdade num ai, sem que desse tempo de respirarmos, sendo premiados com uma vintena ou mais de reguadas em cada mão, para aprendermos a não ser insurrectos e mentirosos, levando ainda para casa uma infinidade de cópias para fazer no caderno e apresentar ao outro dia.
A quinta do Natcho perto de Almedilha e a seguir à Navetalaia deixou a todos imensas recordações, não só relacionadas com os touros, e que animais ele tinha, mas também com o contrabando, que se realizava nesta altura, principalmente máquinas de costura e outras coisas mais, cujo destino era Lisboa.
«Ecos da Aldeia» de Esteves Carreirinha

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