Quando penso na Rapoula do Côa, nas suas gentes e nas suas paisagens ocorrem-me estes versos do meu poeta de juventude que foi Mário de Sá Carneiro…

José Robalo – «Páginas Interiores»A ver passar a vida mansamente
Nas suas cores serenas eu hesito
E detenho-me às vezes na torrente
Das coisas geniais em que medito…

Esta aldeia onde tenho parte das minhas raízes, uma vez que o meu avô materno era natural da Rapoula do Côa, traz-me à memória boas e gratas recordações da minha infância passada na aldeia, onde o tempo era infinito.
Desde o Rio Côa, onde toda a canalha das freguesias ribeirinhas aprendia a nadar nas suas águas então cristalinas e onde com canas improvisadas aprendíamos os prazeres da pesca, era à época fonte inesgotável de prazer.
Aos Domingos, lá íamos dois ou três garotos da Ruvina a pé até à Rapoula à tasca da ti Pureza, ou à taberna do ti Melro, jogar nas rifas na ilusão de um prémio.
Rapoula do CôaA Rapoula do Côa continua a ser terra de gente trabalhadora e que não se resigna à inexorável lei da desertificação, gente que continua a resistir e a olhar para o rio Côa como fonte de vida.
É necessário de uma vez por todas que alguém pegue nesta temática de forma séria e que sem demagogias apresente um projecto de reabilitação do Rio Côa, tornando-o numa fonte de vida, devolvendo-o às populações ribeirinhas, como fonte de lazer e de mais valia para a criação de riqueza, porque como diz José Saramago, «sem feitiço não há feiticeiro…»
Chegou-me às mãos e oferecido pela sua Autora uma tese de doutoramento apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, sob o tema «Abandono do espaço Agrícola na Beira Transmontana», Extensão, causas e Efeitos Ambientais, da autoria da Doutora Adélia de Jesus Nobre Nunes, professora da área de Geografia da Faculdade de Letras de Coimbra e natural da Rapoula do Côa.
Este trabalho abrange toda a bacia hidrográfica do Côa incluindo naturalmente o concelho do Sabugal.
Não resisto a pensar que com o novo QREN, novas janelas de oportunidades se abrem na área do ambiente. Estou em crer que o município deverá estar preparado para abrir essas janelas e com a colaboração de gente com esta qualidade poderemos devolver o rio à natureza e aos homens.
«Páginas Interiores» de José Robalo

joserobaload@gmail.com

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