Natural e residente em Pêga, concelho da Guarda, o escritor Célio Rolinho Pires está contudo fortemente ligado ao concelho do Sabugal, cujas pessoas e terras conhece bem e às quais tem dedicado boa parte das suas investigações.

Conversando com Célio Rolinho PiresEstivemos à conversa com o autor do livro «O País das Pedras», numa esplanada do Sabugal, aproveitando uma das suas abundantes visitas à cidade, onde regularmente vem fazer compras, cortar o cabelo, ou simplesmente beber café e passar um bocado com os amigos.
Célio Rolinho Pires, foi durante alguns anos professor do ensino primário em Lisboa, até que o apelo das origens o chamou de volta à sua terra. Optando pela docência no ensino preparatório, passou a leccionar na Guarda, onde durante largos anos foi professor de Português e de História. Entretanto aposentou-se e passou a dedicar-se ao estudo do passado das terras e das gentes da sua região.
Na juventude cumpriu o serviço militar em Moçambique, onde viveu uma experiência difícil e muito marcante. «Fui oficial miliciano e pelo meio das peripécias da guerra colonial, dei aulas a alguns soldados que não tinham completado a instrução primária. Levei 32 deles ao exame da quarta classe, e essa é uma das melhores recordações que guardo dessa altura», refere revendo aqueles tempos, muito marcados pela saudade.
Tendo a paixão da caça, conhece como ninguém os campos do planalto sabugalense. Nessas andanças foi observando a curiosa forma de alguns barrocos, intrigando-o o facto de muitas delas se repetirem. De maior mistério lhe pareceram as pedras da «Cornusela», no sopé do Monte de S. Cornélio, junto ao Dirão da Rua. Daí partiu para um estudo aturado das formas das pedras, lendo textos antigos, analisando a história destas terras, a suas tradições, a toponímia, as religiões antigas e os termos populares. «Descobri que aquelas pedras formavam um verdadeiro santuário dos povos antigos e dali parti para o estudo de outras pedras e de outros lugares», refere com uma ponta de orgulho no olhar. «Considero a Cornusela de tal forma importante que vivo angustiado com a ideia de que tudo um dia pode ser destruído com o avanço de alguma estrada ou outra construção desenfreada».
Quando publicou «Os cabeços das Maias», em 1995, expondo as suas conclusões acerca da forma das pedras, recebeu algumas criticas veiculadas pela imprensa, que punham em causa a firmeza da sua tese, nalguns casos tentando até ridicularizar os fundamentos das suas teorias. Considerou-as injustas: «Pensei em responder de imediato, pela mesma via, chegando mesmo a redigir textos com essa finalidade. Mas reflecti e conclui que a melhor resposta era desenvolver melhor a minha tese e fundamentá-la com maior rigor. Assim nasceu o livro «O País das Pedras», como resposta às críticas que me formularam». Hoje sente que valeu a pena ter aprofundado as investigações porque têm sido muitas a referências abonatórias ao seu estudo acerca do valor das pedras que cobrem os campos na nossa região.
Da sua actividade de escritor publicou ainda o livro de saudades e sentimentos «Rosas de Santa Maria», dedicado às suas vivências de juventude, e o estudo «A Guarda, no Caminho do Estremo», onde explica a origem da cidade de D. Sancho II e o desenvolvimento do seu termo. Além do mais colaborou com o sector da cultura da Câmara Municipal da Guarda, escrevendo três cadernos da colecção «O Fio da Memória» e alguns artigos na revista cultural «Praça Velha».
«Agora tenho em perspectiva a elaboração de um estudo sobre a freguesia de Pêga, e ando a recolher dados para esse efeito», revela-nos Célio Rolinho Pires, que com boa propriedade podemos chamar o Escritor das Pedras.
plb

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