O futuro das Beiras e em especial, da Beira Raiana, passa pelo esforço de todos em convencer o poder central da necessidade da descentralização política e de uma regionalização efectiva com representantes eleitos. Por outro lado o mal-dizer dos «velhos do Restelo» contra aqueles que têm iniciativa e ideias sempre valeu o que valeu.

José Carlos Lages«Assuma ou não a palavra regionalização o desenvolvimento do Norte e do vale do Douro passa pela descentralização política» foi a principal conclusão do seminário realizado no Palácio da Bolsa pela Associação Comercial do Porto.
Arlindo Cunha, presidente da Fundação Rei D. Afonso Henriques afirmou no seminário que «com um poder regional efectivo não teria acontecido a descontinuidade política, causada pelas sucessivas mudanças no poder central».
Na mesma linha de pensamento o economista Miguel Cadilhe afirmou defender há muito que a solução de «um líder político eleito directamente poderia ter tanta ou mais legitimidade que um ministro na altura de discutirem o que convém a cada região».
A defesa da regionalização (encabeçada pelo deputado algarvio Mendes Bota) e de líderes regionais fortes ganha cada vez mais adeptos. Desta vez os bons ventos, como exemplo de teorias que funcionam na prática, vêm de nuestros hermanos com as suas regiões autónomas que têm proporcionado um desenvolvimento e um distanciamento cada vez maior entre os dois países ibéricos.
A democracia portuguesa tem um pressuposto. Os eleitos têm legitimidade para governar e decidir o que acham que é melhor para os seus cidadãos. Os cargos de responsabilidade regional não poderão ser, nunca, por nomeação política. Ficam esvaziados de credibilidade. Os defensores da Regionalização, nos quais me incluo, devem exigir eleições para os órgãos das futuras regiões (autónomas) administrativas.
«Pela defesa da Regionalização» estará sempre presente nos meus artigos de opinião como ideia assumida e pela qual me baterei convictamente por considerar ser o melhor para todas as regiões e todas as gentes cada vez mais esquecidas e maltratadas pelo poder central do Terreiro do Paço.
Nota final: As ideias defendem-se com outras ideias, pela positiva, apresentando caminhos alternativos. A ciência política teoriza que o combate de ideias faz-se com a apresentação de alternativas. Sempre desconfiei dos que fazem profissão do estar contra. Chegam até, por falta de respeito por eles próprios, a conseguir estar contra os que já estão contra. Maneiras de estar que valem o que valem. Pouco ou nada.
Todos temos direito à nossa opinião. Devemos assumi-la e defendê-la com cara e assinatura. Sempre recusei e acusei de falta de carácter os falsos protagonismos que tentam viver à custa do descrédito de pessoas honestas, conceituadas e com provas dadas. Reprovável em todos os sentidos as vãs tentativas de colagem a nomes respeitáveis. Repito: Reprovável e desonesto!
Temos que fazer por merecer tudo o que as gerações dos nossos pais e avós nos legaram. Se não sobrar mais nada então que seja apenas e só por respeito pelos mais antigos. Ponto final parágrafo.
«A Cidade e as Terras» de José Carlos Lages