Pela primeira vez a cidade do Sabugal entra na rota dos grandes eventos de morfologia canina, ao receber, nos próximos dias 28 e 29 de Abril, a XXII Exposição Canina Monográfica do Cão da Serra da Estrela e a I Exposição Canina Nacional.

No sábado, dia 28, com início às 10 horas, irá decorrer no Pavilhão Municipal a Exposição Monográfica do Cão da Serra da Estrela, uma organização da Liga dos Criadores e Amigos do Cão da Serra da Estrela (LICRASE) com o apoio da Câmara Municipal e da empresa municipal Sabugal+.
Esta exposição, que se realiza anualmente, é o evento principal desta raça e reúne os principais criadores, proprietários e amantes do Cão da Serra da Estrela.
No domingo, dia 29, a partir das 9 horas, igualmente no Pavilhão Municipal, terá lugar a I Exposição Canina Nacional do Sabugal, uma prova do calendário do Clube Português de Canicultura aberta aos exemplares de todas as raças e variedades oficialmente reconhecidas e registadas em Livros de Origens de organismos filiados na Federação Cinológica Internacional.
Ambos os eventos têm entrada livre.
plb

Pois lhes conto que um dos meus grandes desgostos foi ver a minha filha mais velha, a Cassilda, casada com um fusco das Batocas. Então eu, com uma vida inteira de carrego no costado a fugir a esses diachos, para a criar a ela e aos irmãos, e a lorpa a dar olhares e depois a anagalhar-se com um dos lapuzes?

Ainda por riba o Augusto Correia, que é esta a sua graça, para além de rabo de saias e colhereiro, era um guardilha pouco cumpridor do seu dever de autoridade. A laia que tinha era para andar de olho fito nos carregos de mulheres e catraios, mais fáceis de surripiar. Onde lhe fairasse a azeite, pão de torno ou galhetas, logo saltava ao caminho, de mão pronta a filar a mercancia.
Careio para o contrabando de alto quilate, o alma do diabo não o tinha. A mim, lhes juro, nunca pôs ele a mão na vestia nem me tomou qualquer carrego. Augado andou ele, mas nanja, que não tinha sorrelfa para isso.
Pois foi este babanca que caiu no goto da nossa Cassilda, para minha grande infelicidade. Tanto morgado que havia na terra, rapazes honrados e trabalhadores, lavradores ou negociantes, com bons dotes e anafados herdos, e a palonça a ficar caidinha pelo Gusto Correia, como se não houvesse outro poldrão no mundo…
Muito me envelhaquei quando soube do arremedo, que ela e a minha mulher me esconderam por basto tempo. Querendo tirar-lhe o vezo, ainda a proibi de sair com o pandilha e, de uma vez, até me predispus a abrir-lhe os olhos à lambada. Valeu a minha Belmira, que me trouxe à memória que também acasalara comigo sem o consentimento de meu sogro.
A verdade é que tanto andaram, aproveitando as minhas ausências no ofício de contrabandista e de negociante, que quando dei fé a coisa já ia de tal modo adiantada, que fazê-la volver atrás era um drama.
A custo lá aceitei que se botassem pregões, com a condição de o lapuz não me aparecer pela frente. Só lhe apontei falas no dia do casamento, quando o valdevinos, em plena igreja, se me dirigiu a pedir a bênção. Dei-lhe boas caras, mas botei-lhe entre dentes:
- Tem tento no que te digo. Se alguma vez me soar que zupas a minha filha és homem morto.
Ele arregalou os olhos e avermelharam-se-lhe as béculas, em sinal de que percebera o recado.
Mais tarde, na noite do Sagrado Nascimento, sentei-me à mesa com ele a consoar. Lá estive meio contrariado e retorcido, quando o jagodes me atirou ao rosto:
- Vossemecê, meu sogro, devia deixar o contrabando…
Logo acusei a assovelada.
- Olha lá, ó canastrão, e de onde me vinha o arrimo da casa? Metia-me a roubar?
- Podia viver da lavoura, que lhe dá cabonde.
- Que sabes tu da vida lafaruz? E diz-me lá que febre te faz o meu contrabando?
- O comandante do posto já me atirou às ventas que sou genro de um contrabandista…
- Pois não há mal em dizer a verdade… Responde-lhe que teu sogro é contrabandista honrado, que nunca escarrou na sopa de ninguém, nem assaltou gente nos caminhos, como os guardas-fiscais, que arrebanham mulheres e ganapos a toda a hora.
O salamurdo estremeceu:
- Se não larga a faina do contrabando, garanto-lhe que serei eu a filar-lhe a carga e a metê-lo no chilindró.
- Tinhas que nascer outra vez para me aliviares o carrego.
A Cassilda que esperava cria daquele machacaz, agarrou-se à barrigona em pranto, maldizendo a nossa zanga e falando que podia ter desmancho. Saí de casa e meti-me na loja de volta do vivo.
Nos tempos seguintes redobrei os cuidados, não fosse o meu genro querer tomar-me alguma carga, para me envergonhar. Mas andei muito tempo sem lhe botar a vista, para meu descanso.
Um dia de inverno, manhã cedo, tornando de Espanha com o macho carregado de fazenda, entrei numa taberna na Aldeia da Ribeira para tomar uma copa de aguardente. Estava eu de calecho entre os dedos, à conversa com a Ti Mariana, a dona da venda, quando notei um vulto a passar a porta.
- Então Ti Tosca, descuidou-se e acabo de o filar com o macho carregadinho de pana.
Era o sandeu do meu genro, que me montara trapa.
- A carga vem do mercado da Malhada, onde ontem estive e me demorei. Nunca ela viu a raia nem a Espanha – disse-lhe.
- Não tem forma de o provar. E ademais vi bem tratar-se de contrabando. Acompanhe-me ao posto que está preso.
Saí da venda magicando como escapulir, sendo que já não tinha a genica da juventude.
Cá fora o fusco ia pôs-me a mão na casaca, por lá a prevenir que eu lhe fugisse.
- Afasta me mim as unhas, que me deves respeito – atirei-lhe.
Ele recolheu a mão e eu, pegando no varal que deixara encostado à parede, mandei uma verduada no macho que deu dois saltos e se pôs em fuga, e arrumei um encontrão ao Gusto, mandando-o a terra. Corri rua abaixo a rabo do macho, com o meu genro em perseguição. Deixei a rua e saltei para um quintal e dali para uma tapada e, mais além, para um lameiro junto à ribeira, que ia alta com a farta água das chuvas. O valdevinos vinha na minha cola, já quase a filar-me, quando formei um salto para o meio da ribeira. Nadei um pouco e, já perto da outra margem, olhei para trás e lá vi o rapazola na borda da água.
- Anda, molha o capote – desafiei-o.
Não foi capaz disso, e eu saí da água e embrenhei-me num matagal.
Fiquei encharcado e sujeito ao reumatismo, mas garanto-lhes que aquele basófias nunca me pegou nem me tomou qualquer fardo.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

Vários historiadores, possivelmente deslumbrados com os resplendores culturais da alta latinidade e depois impressionandos com o desmantelamento do império, apodam a Idade Média de noite milenária da cultura.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaAquele período durou efecitvamente à volta de mil anos. Mas só poderá classificá-lo de noite cultural quem não queira conhecer o papel naquele sector prosseguido peIa Igreja, já directamente pelas suas próprias instituições; já incitando e apoiando realizações dos monarcas e grandes senhores.
Nas igrejas paroquiais, juntamente com as verdades da fé, aprendiam-se rudimentos de leitura, escrita e aritmética.
Nas capitulares, assim chamadas por funcionarem junto dos capítulos (nós hoje chamamos-lhes cabidos, com o que significamos corpos de cónegos de uma diocese), ensinavá-se o trivium e o quadrium, embrião dos actuais cursos de letras e ciências, compreendendo o primeiro a retórica, a gramática e a dialéctica, espraiando-se o segundo pela matemática, geometria, astronomia e música.
Depois, não pode esquecer-se a obra dos mosteiros, tanto na salvaguarda e recuperação das riquezas culturais da antiguidade, como na elevação do nível intelectual das populações.
Muitos conventos ostentavam até atraentes dísticos, convidando à alfabetização: «se queres aprender a ler, entra, que tens aqui – e de graça – o que procuras».
Não falaremos da Universidade, também naquele período surgida e instituição que, só de per si, relevaria todas as eventuais faltas que à Idade Média se pudessem assacar.
Nos domínios da produção artística, o Te Deum, aparecido ainda no primeiro milénio, bastaria igualmente.
Raras vezes, o espírito humano tem voado tão alto como naquele admiravel texto, onde da forma mais elevada se exprimem as três dominantes da alma cristã: a alegria do triunfo, a angústia perante o futuro sempre incerto e a imorredoira confiança em Deus.
«Nós Te louvamos, Senhor; nós Te confessamos. A Terra inteira Te venera, e os Anjos e os Arcanjos, os Principados e as Potestades, os Tronos e as Dominações. O corpo glorioso dos Apóstolos, na sequência dos Profetas, e o branco exército dos Mártires cantam em conjunto a Tua glória. E, por toda a Terra, a Igreja é confessada…
Senhor, só em Ti está a nossa confiança. Nós Te glorificamos pelos seculos dos seculos. Que a nossa súplica seja ouvida e que o nosso clamor chegue até Ti. Senhor, está connosco. Fica com a nossa alma…»
Texto sem autor identificado, atribuído por uns a Santo Ambrósio, por outros a Santo Agostinho, por outros a um obscuro prelado dos confins balcânicos, ressaiba a epopeia jamais ultrapassada.
E, se o Te Deum, simboIizando e expressando, embora, todo um milénio, se pode considerar ainda urna obra isolada, produto apenas duma mente genial, naturalmente muito acima do seu século, há já movimentos culturais que interessam senão multidões, ao menos a importantes massas populacionais.
O mais conhecido é, por certo, o Renascimento Carolíngio.
Achen, nome germânico de Aix-La-Chapelle, à francesa, ou Aquisgrano, à latina, a cidade das águas correntes, funcionou como a capital não só política e militar, mas também científica, de todo aquele extenso período em que Carlos Magno, São Carlos Magna, se revelou o primeiro dos chefes da cristandade e também o primeiro cristão.
A Escola Palatina, sediada na antiga vila do tempo de Pepino, o Breve, viu passar pelas suas cátedras, todos os grandes espíritos da época.
Ali, à sua volta, Carlos Magno, como verdadeiro precursor da Europa do espírito, reuniu tudo o que contava nos domínios da cultura, dos sábios, dos letrados, dos teólogos. Da Gália do Sul, vieram Agobardo e Teodulfo, este último refugiado godo das Espanhas. Da Inglaterra, Alcuino, porventura o mais brilhante de todos os grandes paladinos e primeiro-ministro espiritual do próprio Imperador. Da Italia, Paulo Diacono, Pedro de Pisa e Paulino da Aquileia. Da Irlanda, Clemente e Dungal. Dos países nordicos, Engilberto e Eginhardo, este também notável.
Onde quer que os seus esculcas intelectuais lhes apontassem urn nome célebre, Carlos Magno mandava recrutá-lo.
A todos retribuindo principescamente, mesmo no sentido rigoroso do termo, pois ao já referido Engilberto casou-o com sua filha…
Com menos brilho, embora, outras escoIas funcionaram também, nomeadamente, em Tours.
E, mesmo que na sombra, lançavam-se as bases para o grande renascimento que adviria logo no princípio da idade moderna e que só foi possivel porque os centros culturais da época precedente (que se teima em cIassificar de obscura) se mantiveram vigilantes e operosos.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O Centro Local de Aprendizagem da Universidade, no Sabugal, em parceria com a Câmara Municipal do Sabugal, irá realizar uma «Tertúlia de Sabores. Tradição e Saúde à Mesa», no próximo dia 4 de Maio, no Café Girassol (Sabugal), pelas 21 horas.

A tertúlia contará com a participação do Dr. João Calhau, nutricionista no Centro de Saúde do Sabugal, que acentuará a sua intervenção na questão da saúde, e um representante da Associação do Comércio e Serviços do Distrito da Guarda (ACG), que focará a problemática da alimentação numa vertente mais comercial. Ambas as intervenções pretendem sensibilizar para a possibilidade de se alimentar bem e a custo reduzido, e prometem fomentar um debate interessante em torno de uma problemática tão importante em tempos de crise.
Mais esclarecimentos no Centro Local de Aprendizagem da Universidade Aberta (Centro Dr. José Diamantino dos Santos, Rua Luís de Camões, nº 16, Sabugal – Tel: 271 752 230).
Amália Fonseca – Coordenadora do CLA do Sabugal

A Câmara Municipal do Sabugal recusa pagar à empresa Águas do Zêzere e Côa (AzC) o valor das facturas que esta emite pelo fornecimento de água e pelo tratamento de efluentes, denunciando que as mesmas estão sobrevalorizadas. Na perspectiva do Município, feitas as contas, a empresa terá antes de devolver um valor superior a um milhão de euros que cobrou indevidamente.

No final do ano de 2011 o presidente António Robalo oficiou o administrador executivo da empresa, dando-lhe conta que a Câmara Municipal do Sabugal verificara que os sistemas de controlo do abastecimento de água e do tratamento de efluentes padeciam de vícios na medição. A autarquia alegou que os mecanismos de medição nunca foram calibrados nem aferidos, e que os mesmos contabilizam a passagem de ar com se de água se tratasse.
A Câmara colocou ainda em causa, à semelhança de outros municípios, o contrato de concessão celebrado entre o Estado e a AzC, afirmando que tem vícios insanáveis, que o tornam nulo. A razão assenta no facto de se ter retirado do sistema a área geográfica do município da Covilhã, o que aliás está a ser alvo de processo no Tribunal Administrativo de Castelo Branco, onde as várias Câmaras Municipais pedem a declaração dessa mesma nulidade.
Face às disfunções verificadas, a Câmara do Sabugal entende que só tem de pagar à AzC o fornecimento de água que foi realmente facturado aos munícipes, acrescido de 30%, (tendo em conta as perdas). Quanto ao saneamento, entende a Câmara que apenas tem a pagar 80% do volume de água facturado aos munícipes.
Face aos considerandos acerca dos reais valores do fornecimento de água e de efluentes tratados, a Câmara rejeita as contas que a empresa lhe apresenta para pagar, por conterem valores muito superiores ao correspondente serviço de fornecimento.
Feitas as contas, entre o que se pagou e o que se deveria ter pago, a Câmara do Sabugal alega não ser devedora de quaisquer montantes, antes sendo credora da empresa, num valor que no final do ano rondava um milhão e 300 mil euros.
O Município oficiou mesmo a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas, dando-lhe conta dos vícios detectados e da intenção de discutir em tribunal todas as facturas, uma a uma, se as mesmas não apresentarem os valores enquadrados nos critérios que o próprio Município considerou.
A batalha entre a AzC e os municípios que integram o sistema de abastecimento de água e tratamento de efluentes já vem de há vários anos e arrasta-se em tribunal, com acusações mútuas de incumprimento.
Manuel Frexes, ex-presidente da Câmara Municipal do Fundão e principal contestatário das contas apresentadas pela AzC é actualmente administrador da Àguas de Portugal, a accionista maioritária da AzC.
plb

Por estes dias, em que a chuva resolveu aparecer, dando a esta primavera uma tonalidade mais cinzenta e cumprindo o ditado de que, «Abril águas mil», tenho pensado, em como em Portugal, ninguém estabelece um plano de acção. Ninguém planifica. Ninguém estabelece objectivos e caminhos para lá chegar. Os partidos, arrastam uma indefinição ideológica e, mesmo com programas políticos (ou pseudopolíticos), estes são feitos em função das circunstâncias. Carecem de uma matriz identitária e de identidade.

Esta ideia vem a propósito das jornadas parlamentares do PS, que decorreram em Bragança, primeiro e, depois, a prática governativa deste governo do PSD.
António José Seguro, líder do PS, discursava e apregoava para os seus deputados de que este governo estava a ignorar o interior. Fiquei pasmado! Então não foi o PS que foi fechando escolas, centros de saúde, estações dos correios? Ah! Mas antes estavam no governo. Agora, como já não estão, volta o discurso do interior. Serve como exemplo de um discurso feito em função das circunstâncias.
Depois, comparem o discurso do primeiro-ministro agora e do candidato a primeiro-ministro antes. Palavras como «não aumentamos impostos», «não serão pedidos mais sacrifícios aos que menos têm», são palavras que depressa o vento levou. O que prova que os programas e os discursos são vazios. As ideias inexistentes.
Esta semana trouxe ao de cima a verdade crua e nua do acordo de concertação social. É mau e, como tal, provocou alterações na lei laboral más. E mesmo assim, o governo não o está a cumprir. Guardei a cara de espantado do secretário-geral da UGT… O ministro da economia apresentou esta semana a nova proposta do governo para o valor da indeminização aos trabalhadores por despedimento, 7 a 13 dias por cada ano de trabalho. Argumentos: para ficarmos enquadrados com a média da União Europeia. Exactamente como os alemães, já que ganhamos exactamente o mesmo! Brilhante este ministro. Outro argumento, que existe um estudo que aponta nesse sentido. Claro que faltava cá o estudo! Há sempre um estudo! Mas nunca se sabe quem o fez, onde está, quem o encomendou. Tal e qual como os estudos do Sr. George, director eterno geral da saúde, contra o tabaco. E, por fim, o argumento da troika. Sempre a troika, como costas grandes para impor restrições aos mais fracos. A mesma troika exige o corte nas rendas das PPP’s, mas aqui só se ouvem palavras vãs. Esta prática de governar, negando tudo o que se disse, prejudica a democracia porque, essencialmente, afasta as pessoas da política e, principalmente, dos partidos. E os portugueses têm-no mostrado em cada acto eleitoral.
O primeiro pacto ou acordo que os políticos e os partidos têm que fazer com o eleitorado é o da confiança. É esta confiança o suporte da prática política e do funcionamento da democracia e das suas instituições. Mas para isso, como disse, é necessário a existência de uma matriz ideológica que seja identitária e, por isso, identifique.
O panorama nacional mostra, e demonstra, um arco político ideologicamente errante, politicamente vazio e eticamente duvidoso.
Podemos dizer, diz-me se estás no poder ou na oposição e eu direi quem és.

P.S. Esta semana o FMI emitiu um relatório, onde aponta que Portugal, depois da intervenção da troika, terá muitas dificuldades em relançar a economia. Nada de novo, basta seguir o rumo das políticas seguidas pelo governo. Mas o que admira é que, a base de muitas das políticas, são do próprio FMI! Mais, o FMI faz parte da troika! Esta troika não está cá, supostamente, para nos salvar? Este relatório é o reconhecimento próprio fracasso.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

«Um Santo é alguém que apesar dos limites e defeitos, vive plenamente a Vida de Deus»; Comissão da Causa da Canonização.

Há muito que andava com o desejo de fazer um texto sobre o Santo Padre Cruz – Padre Francisco Rodrigues da Cruz, que nasceu em 29/7/1859, na Vila de Alcochete, no Distrito de Setúbal. Esta vontade está alicerçada nas muitas conversas que os meus saudosos Pais Bismulenses – José Maria Fernandes Monteiro e Maria da Piedade Alves Lavajo – entabulavam sobre a vida deste Homem e Padre, que conheceram nas décadas de sessenta do século passado, e a quem se confessaram, tendo por ele uma devoção muito especial. A minha Mãe tinha na sua mesinha de cabeceira uma pequena imagem do Santo Padre Cruz, pedindo-lhe a sua protecção, inclusive para o seu Clube, o Clube da nossa família – O Vitória de Setúbal. Infelizmente, nem sempre o Padre Cruz ouviu as suas orações, mas a minha Mãe explicava-me que a culpa era dos jogadores, que em frente ao guarda-redes e sozinhos falhavam os golos escandalosamente. E tinha muita razão…
Fez os estudos secundários em Lisboa e o Curso de Teologia na Universidade de Coimbra. Aos vinte e três anos foi ordenado sacerdote. Torna-se director do Colégio dos Órfãos de Braga, Director Espiritual de S. Vicente de Fora e Professor de Filosofia no Seminário de Santarém, que por motivos de saúde teve de abandonar.
Em Dezembro de 1940 entrou na Companhia de Jesus e em 1942 visitou a Madeira e os Açores.
Um dia fui cortar o cabelo no Fundão, dando conhecimento ao barbeiro da minha intenção de escrever sobre o Padre Cruz. Este olhou para mim, fixou-me e disse-me: «eu ajudei muitas vezes na missa em Alpedrinha o Santo Padre Cruz, que visitava regularmente a nossa histórica Vila». Joaquim Mendes Caldeira, Barbeiro há mais de cinquenta anos, na Praça do Município do Fundão e o seu conterrâneo Doutor António Ribeiro, ex-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alpedrinha, foram acólitos e seus acompanhantes.
Devo a estes dois senhores as pistas que me deram para basear todo este texto, pois viveram de perto todas estas vicissitudes, o que lhes confere uma importante credibilidade. Seria bom o poder local dar maior visibilidade a estes factos, com uma maior investigação, e gravar o seu nome na toponímia de Alpedrinha, ou outro gesto que perpetue a sua memória.
O Padre Cruz tinha em Alpedrinha um grande amigo, Alexandre Inácio, notário em Benavente.
Chegava a Alpedrinha através da via ferroviária e subia a pé com o breviário, o terço, uma malinha, vestido com a sotaina e o seu chapéu, numa modéstia total.
Celebrava a Eucaristia na Igreja Matriz, no altar lateral de Nossa Senhora de Fátima, sempre com a presença da população de Alpedrinha. Muitas vezes visitava os doentes do Hospital da Misericórdia de Alpedrinha sob a orientação das Irmãs Hospitaleiras Franciscanas, hoje o Lar da Terceira Idade.
Estes dois acólitos muitas vezes o acompanharam à Estação de Caminho de Ferro de Alpedrinha. Numa das vindas, o Santo Padre Cruz demorou mais tempo que o previsto com os «seus doentes», como ele costumava dizer e o horário do comboio já lá ia. Todos estavam preocupados, mas o Padre cruz sossegou-os: «o comboio não sai da estação de Alpedrinha sem eu chegar». Conseguiu-se que o único automóvel de Alpedrinha fosse colocado à sua disposição e lá partiram. A verdade é que o comboio lá estava parado, sem se saber as razões deste facto, com grande descontentamento geral e sem explicação, e só começou a sua marcha a caminho de Lisboa, quando o Padre Cruz subiu para uma carruagem, sendo saudado por todos os passageiros que o reconheceram e admiraram a sua santidade. Todos diziam que tinha sido um milagre.
Todos nós sabemos que este sacerdote se dedicou totalmente a visitar doentes, reclusos, pessoas marginalizadas e carenciadas. Hoje fala-se muito na caridade e talvez se pratique pouco. Este simples, humilde e pobre Padre, é uma referência moral e cristã, sobretudo para todos aqueles que têm responsabilidades litúrgicas e não só… Este grande discípulo do Santo Cura de Ars, conduziu a sua missão ímpar, ultrapassando todas as fronteiras e colocando o homem no centro do mundo.
Infelizmente muitas vezes me desloco ao Cemitério de Benfica em Lisboa para me despedir de familiares e amigos. Nunca deixo de rezar junto ao seu mausoléu, onde há sempre pessoas a perpetuar a sua memória. É possível que qualquer dia o festejemos nos altares, porque a vida das pessoas já o santificou.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A Câmara vai celebrar protocolos com cinco associações do concelho, renovando assim o apoio do Município às suas actividades de defesa do ambiente, que incluem a manutenção de equipas de sapadores florestais.

Sapadores FlorestaisAs associações que vão assinar os acordos com a Câmara são a Coopcôa, Acrisabugal, Assembleia de Compartes da Freguesia de Malcata, Conselho Directivo do Baldio dos Fóios e a Comissão de Compartes da Freguesia de Aldeia Velha.
Estas entidades associativas têm mantido ao longo dos últimos anos um esforço permanente, desenvolvendo actividades em prol da defesa e da valorização da floresta e do ambiente. O trabalho extremamente positivo que mantêm na sua actuação esteve na base da assinatura dos protocolos, que vigorarão por todo o ano de 2012 e na base dos quais se comprometem a manter essas mesmas actividades. Em contrapartida a Câmara concede apoio financeiro, na forma de subsídios, o que permitirá às associações a dar continuidade às actividades dos sapadores florestais, que de entre outras se inclui a limpeza da floresta e prevenção dos incêndios.
Os protocolos e o apoio concedido pelo Município têm por base o Regulamente de Apoio ao Associativismo Concelhio, que está em vigor deste meados de Outubro de 2011. O Regulamente prevê o apoio através de protocolos ou de contratos-programa, desde que se verifique o interesse local, a reciprocidade, a complementaridade de objectivos e a vontade das partes envolvidas.
A acção das associações em apreço enquadra-se na defesa da floresta e da valorização do ambiente.
plb

Vão no bom caminho as propostas apresentadas na conferência «Portugal – A Soma das partes: as economias como fator de desenvolvimento» realizada no dia 16 de abril em Castelo Branco e organizada pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, pelo DN e pela TSF.

Beira Alta

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»No meu entender a mais importante intervenção na Conferência da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC) partiu do deputado socialista pelo círculo de Castelo Branco, Fernando Serrasqueiro, ao defender a criação de um «POLIS económico» que, à semelhança do que está ainda em desenvolvimento para a requalificação urbana, contribuísse para o desenvolvimento e a criação de riqueza em regiões como o Interior de Portugal.
Proposta muito oportuna, e que deveria merecer análise aprofundada por parte, nomeadamente, da CCDR Centro e dos responsáveis pela aplicação dos fundos comunitários.
Iria mais longe ainda, dizendo, que esta é uma proposta que deveria ser também analisada no âmbito dos Programas Comunitários transfronteiriços, pois continuo a pensar que o desenvolvimento dos territórios nacionais raianos, está umbilicalmente ligado ao desenvolvimento dos mesmos territórios em solo espanhol.
Igualmente importante, a proposta do deputado social democrata Carlos São Martinho (e que pena tenho que os deputados pelo círculo da Guarda pareçam mais interessados em discutir outras coisas…), de defender que o Interior deveria ser remunerado pelos recursos naturais que cede ao litoral.
É uma proposta justa, pois o interior funciona hoje como o pulmão verde e «fornecedor» de bens naturais essenciais ao equilíbrio natural do País, para além da água, dos produtos alimentares, da floresta, etc.
Não queremos nem nos deixam ter um desenvolvimento massificado igual ao do litoral, mas devemos ser recompensados por isso.
De referir ainda uma outra proposta, do Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, de inegável valia, defendendo que haja uma transferência das vagas abertas no ensino superior do litoral para o Interior, conduzindo a que mais jovens venham estudar nos estabelecimentos de ensino superior do Interior.
Tenho assistido a muitas conferências sobre o Interior e confesso, poucas terão sido aquelas onde propostas concretas como estas tenham sido apresentadas.

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ps 1 – Chegam-me notícias de que a concessão da exploração das Termas do Cró e da construção exploração do hotel já terão sido aprovadas em Reunião de Câmara o que é uma boa notícia. Acredito que os técnicos municipais e os eleitos políticos fizeram uma análise cuidada da única proposta que, parece, foi apresentada. E digo isto porque me levantou alguma preocupação saber que foi entregue esta concessão a uma empresa constituída em março de 2011, com um capital social de, apenas, 50.000 euros e da qual, uma pesquisa na Internet não permite perceber se já efetuou algum investimento nesta área ou na área da hotelaria.

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ps 2 – Aos amantes da música portuguesa um alerta. Foi publicado na semana passada um dos melhores discos de fado, e não só, que já ouvi na minha vida. Chama-se Quinto e é do fadista António Zambujo. Fabuloso!


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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A Câmara Municipal de Gaia presidida por Luís Filipe Menezes, condecorou no passado sábado, dia 14 de Abril, várias personalidades nacionais, entre elas o escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina.

Manuel António Pina - Luis Filipe Menezes - Vila Nova Gaia

O presidente do Município, Luís Filipe Menezes, antecipou a comemoração do 38.º aniversário do 25 de Abril, condecorando, como vem sendo hábito, várias personalidades e instituições com a medalha honorífica do concelho.
O vencedor do Prémio Camões 2011, Manuel António Pina, e o historiador Hélder Pacheco foram dois dos homenageados, a par do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e do presidente do conselho de administração da EDP, António Mexia, entre outros. Também foram homenageadas instituições como a empresa Barbosa e Almeida e a Rádio Renascença A título póstumo, foram ainda distinguidos a resistente antifascista Beatriz Cal Brandão, a defensora dos direitos das mulheres Teresa Rosmaninho e também Henrique Castro.
A mediatização do evento teve porém a ver com as palavras que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, proferiu na ocasião, em nome das personalidades agraciadas na homenagem. Defendeu que «a grande oportunidade de afirmação do Norte é agora, mas não pela via do combate político administrativo e sim pela da afirmação empresarial e económica». O governador questionou ainda: «Onde estão as condições em termos de cultura empresarial? Onde é que há maior tecido de PME? É aqui. Onde é que há a maior distância em relação à administração central e como tal a maior independência? É aqui.» E concluiu: «Por isso, eu espero que o Norte dê um grande contributo para cumprir Abril.»
plb

Irá ter lugar, no próximo fim-de-semana, entre os dias 21 a 22 de abril, a segunda edição do Encontro de Associações do Concelho de Meda, iniciativa da Câmara Municipal, das Casas do Benfica e do Porto e do Núcleo Sportinguista de Mêda.

O evento integra actividades desportivas, palestras, jogos tradicionais, concurso de pesca, passeio de motorizada, provas de perícias automóveis e espectáculos musicais.
As iniciativas das Associações do concelho merecem o apoio da Câmara Municipal de Mêda e são incentivadas pela Autarquia através de uma cooperação estreita e sólida. A Autarquia tem apostado numa política de parceria e de incentivo ao Movimento Associativo, através da atribuição de diferentes apoios logísticos e financeiros, valorizando sempre o papel fundamental do associativismo, pelo que a organização desta actividade se insere nesta lógica de pensamento.

PROGRAMA
Sábado (dia 21):
10:00 – Torneio de Futebol de 7 (Estádio Dr. Augusto César de Carvalho)
14:00 – Abertura Oficial do II Encontro das Associações do Concelho de Mêda (Nave de Exposições do Mercado Municipal)
14:15 – Palestra «Segurança na 3.ª Idade» (Nave de Exposições do Mercado Municipal)
15:15 – Jogos Tradicionais (Recinto das antigas Escolas Primárias)
17:30 – Final do Torneio de Futebol de 7 (Estádio Dr. Augusto César de Carvalho)
22:00 – Grupo de Cantares «O Sincelo» (Nave de Exposições do Mercado Municipal)
Domingo (dia 22)
07:00 – Início do Concurso de Pesca à Truta (Barragem de Ranhados)
09:00 – Passeio de Motas 50cc (Concentração – Nave de Exposições do Mercado Municipal)
10:30 -Início Oficial da I Prova de Perícia Automóvel Cidade de Mêda (Parque de estacionamento do Centro Escolar do 1.º CEB de Mêda)
14:00 – Abertura do recinto do II Encontro das Associações do Concelho de Mêda (Nave de Exposições do Mercado Municipal)
14:30 – I Prova de Perícia Automóvel Cidade de Mêda – prova cronometrada (Parque de estacionamento do Centro Escolar do 1.º CEB de Mêda)
21:30 – Grupo Musical MC (Nave de Exposições do Mercado Municipal)
plb (com CM Mêda)

A generalidade dos dirigentes intermédios, de primeiro e segundo grau, da Câmara Municipal do Sabugal ocupam os cargos em regime de nomeação temporária, ou de substituição, devido a erros e omissões nos respectivos concursos, situação que se arrasta há quase um ano e que parece não ter solução à vista.

Em meados de 2011, face à aprovação de uma nova estrutura orgânica para a Câmara Municipal, vários funcionários do Município foram nomeados para cargos dirigentes em regime de substituição, por despacho do presidente António Robalo. Seguidamente proferiu os despachos para abertura dos respectivos concursos para a escolha definitiva dos dirigentes.
Porém o presidente não podia decidir sozinho, pois a competência para a abertura dos concursos era da Câmara Municipal, ou seja do órgão executivo que reúne os vereadores eleitos. A situação foi apenas levada ao executivo em Novembro de 2011, altura em que os vereadores da oposição acusaram o presidente de esconder os procedimentos, e de insistir no erro quando estava na posse de um parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), que esclarecia ser a competência da Câmara, recusando num primeiro momento ratificar o acto do presidente. A situação seria desbloqueada numa segunda reunião, altura em que o vereador Joaquim Ricardo se absteve na votação, viabilizando a ratificação da abertura dos concursos.
Porém, nos termos legais, os resultados dos concursos teriam que ser homologados no prazo de seis meses após a sua abertura, prazo esse que se atingiu no mês de Janeiro de 2012, sem que os concursos estivessem concluídos. O atraso obrigou a Câmara a pedir autorização ao Governo para prosseguir o procedimento concursal.
Na Câmara teme-se porém que o governo não conceda autorização, ou a retarde, face às medidas de contenção de despesas e à intenção de reduzir substancialmente o número de dirigentes nas autarquias.
Entretanto os dirigentes mantêm-se a título provisório, sem nomeação definitiva, o que está a causar mal-estar e falta de motivação entre os funcionários que ocupam esses cargos.
plb

Um sabugalense balançou-se na iniciativa cívica de realizar no dia 25 de Abril, nas ruas do Sabugal, uma marcha em defesa da democracia e da dignidade, seguida de um debate de ideias acerca do momento político que o país atravessa.

António Emídio lançou a ideia no Capeia Arraiana, num artigo da sua colaboração semanal, intitulado «Sabugalenses pela Democracia», publicado no dia 13 de Março de 2012 (que pode rever aqui).
À margem de qualquer partido ou movimento político, sem o apoio de qualquer associação ou grupo instituído, António Emídio convocou a concentração para o Largo 25 de Abril (Largo da Fonte) às 14 horas. Os que ali comparecerem, muitos ou poucos, seguirão depois em «caminhada» pelas ruas do Sabugal até ao Auditório Municipal, no Largo de São Tiago, onde se realizará um debate informal.
António Emídio, há muito que intervém publicamente, através da publicação de livros e de artigos em jornais e blogues, defendendo que a Democracia e a Liberdade estão a sucumbir face ao avanço imparável do Neoliberalismo económico, em que o poder financeiro e empresarial substitui o poder democrático. A crise que assola o país, a austeridade e as suas medidas draconianas fizeram de Portugal uma espécie de protectorado das grandes potências europeias, em especial da Alemanha, o que tem indignado o autor sabugalense.
Falámos com o nosso colaborador, um dos mais antigos e assíduos – vai já com 203 artigos semanais, publicados sucessivamente. António Emídio destaca desde logo a independência da sua iniciativa, que está livre de qualquer imposição ou sujeição a interesses: «a ideia foi minha, não há ninguém por trás desta iniciativa, nem forças políticas, sindicais ou sociais, não há sequer mais gente na organização», garantiu-nos.
Perante o pedido de esclarecimento acerca como se vai processar o debate, o activista é também explícito: «Oradores? Todos quantos quiserem, claro! Não será dentro de uma anarquia, terá que haver ordem. Muito provavelmente eu direi ao princípio alguma coisa, e a partir daí será lançada uma frase sobre Abril, começando então o debate. A frase até poderá ser esta, «a Democracia está em recessão?», ou outra qualquer, mas falando sempre em Abril e Democracia».
Receoso de más interpretações, António Emídio frisa bem o carácter da iniciativa: «está aberta a tudo e a todos – a todas as ideologias sejam elas quais sejam, aberta a todos os homens e mulheres que querem viver com dignidade num País onde a Democracia e a Constituição já foram postas entre parênteses».

Uma iniciativa original que sai da ideia de um homem que há muito defende uma intervenção cívica em defesa dos valores e das conquistas que Abril nos trouxe e que a pouco e pouco vamos perdendo.
plb

Na semana transacta a GNR da Guarda procedeu a um conjunto de detenções em flagrante delito, nomeadamente por situações de tráfico de estupefacientes, na cidade da Guarda, por posse ilegal de armas, em Vale da Mula (Almeida), e por furto de metais não preciosos em Lagarinhos (Gouveia).

GNRSegundo o comunicado semanal da GNR da Guarda, em 9 de Abril foi detido na Guarda um indivíduo de 23 anos de idade, residente em Manteigas, desempregado, por crime de Tráfico de estupefacientes. O detido tinha em sua posse 69,6 gramas de haxixe. Quantidade suficiente para cerca de 140 doses individuais. A detenção foi efectuada no decurso de uma fiscalização de rotina.
Já no dia 10 de Abril foi detido um homem de 41 anos de idade, residente em Vale da Mula (Almeida), por crime de posse ilegal de armas. A detenção ocorreu no âmbito de um Inquérito criminal a correr termos naquele Núcleo de Investigação, em cumprimento de mandados de buscas domiciliárias à residência do suspeito. Foram encontradas e apreendidas duas armas de fogo – uma arma de caça de calibre 12 e uma pistola de calibre 6,35mm.
No dia 11 de Abril, foi identificado em Gouveia um jovem de 23 anos de idade, residente em Mangualde, desempregado, por crime de furto de metais não preciosos (300 metros de cabo de cobre). A identificação foi efectuada após uma denúncia de furto de linha de comunicações da PT, em Lagarinhos (Gouveia), ocorrido em 9 de Abril. Após diligências investigatórias foi encontrado, na posse do indivíduo identificado, o cobre furtado.
plb

A karateca da Guarda Rita Morgado alcançou o terceiro lugar na edição deste ano do Maia Open, ganhando os confrontos com grandes prestações, perdendo apenas uma eliminatória e pela diferença mínima de 3-2.

Realizou-se no passado sábado e domingo mais uma edição do Maia Open, prova internacional, que juntou centenas de atletas oriundos de todo o país e estrangeiro como por exemplo Espanha, Marrocos, Andorra e França.
A Academia Egitaniense (AEKS) marcou presença com dois atletas que ainda que não sejam seniores, participaram na categoria Open Kata.
Rita Morgado obteve um brilhante terceiro lugar. Já Pedro Carvalho não conseguiu alcançar um lugar de pódio, mas representou muito bem a AEKS. Estes atletas foram acompanhados pelos treinadores Rosa e José Jerónimo que exerceram também funções de arbitragem.

Rui Jerónimo em Madrid
Rui Jerónimo, diretor técnico da Portugal Kyokai Karate-Do Shotokan esteve presente no talvez último Curso Internacional de Karate-Do Shotokan ministrado em Espanha pelo Kancho Hirokazu Kanazawa, único mestre com a graduação máxima de 10º Dan de Karate Shotokan, mas que dada a sua elevada idade (81 anos), declarou oficialmente que irá realizar a partir de agora menos viagens pelo mundo.
Rui Jerónimo aproveitou esta oportunidade para realizar um exame de graduação com este lendário mestre que tem milhares de seguidores da sua linha (associação) em mais de 130 países.
plb (com AEKS)

A Câmara Municipal aprovou o plano anual de mercados e feiras a decorrer no concelho do Sabugal durante o presente ano de 2012. Muitas terras de pequena dimensão, em termos de moradores permanentes, conseguem manter o seu mercado mensal e a sua feira de ano, demonstrando por essa via a sua vitalidade.

Feiras (chamadas feiras de ano), por terem data de realização todos os anos e não mensalmente, como sucede com os mercados:
Badamalos: 24 de Agosto.
Casteleiro: 10 de Fevereiro, 10 de Maio e 10 de Novembro.
Quadrazais: segundo domingo de Agosto.
Rebolosa: 25 de Novembro.
Ruivós: segundo fim-de-semana de Março.
Ruvina: segunda-feira de Pascoela.
Sabugal: 29 de Junho.
Santo Estêvão: 15 de Março e 25 de Setembro.
Soito: primeiro domingo de Agosto.
Vilar Maior: 17 de Agosto.

Mercados, de realização mensal:
Aldeia do Bispo: primeira terça-feira.
Aldeia da Ponte: primeira segunda-feira.
Alfaiates: segunda quinta-feira.
Bendada: dia 12 de cada mês e às quartas-feiras entre os dias 22 e 29.
Bismula: último dia do mês.
Casteleiro: dia 10 de cada mês.
Fóios: último sábado.
Pousafoles do Bispo: segundo domingo.
Sabugal: primeira quinta-feira e terceira terça-feira.
Santo Estêvão: última quinta-feira.
Soito: quarta terça-feira.
Vale de Espinho: segundo sábado.
Vila do Touro: terceira quinta-feira

Os mercados e as feiras são sinais de vitalidade para a sede de concelho e para as freguesias que ainda os conseguem manter. Para além disso são geralmente de grande utilidade para as pessoas, que assim têm à porta um conjunto de bens essenciais que doutra forma teriam que ir comprar longe.
plb

De vez em quando, em alguns dos meus artigos, tenho falado no declive do Ocidente, no fim do Império. Acontece que este tema é um pouco polémico, e para algumas pessoas até provocador, mas eu limito-me a constatar a realidade.

António EmidioE se por acaso o declive do Ocidente já começou, qual a parte do Mundo emergente? A Ásia, e dentro dela a grande potência que é a China. A China está a despertar de um século em que foi dominada e colonizada pelas potências ocidentais, principalmente a Inglaterra, esteve também debaixo do domínio japonês e passou por uma guerra civil prolongada e cruenta, tudo isto fez da China o país mais pobre do Mundo. Com Mao-Tsé-Tung, já no século XX, há um pequeno ressurgimento da China, mas a repressão e uma ditadura brutal, originaram o descalabro económico. Vejamos agora o que foi a China antes de todos estes acontecimentos. A China foi a primeira potência económica durante dois mil anos: no tempo de César Augusto, o Império Romano possuía 8% do PIB Mundial, a China 26%.
Em 1600, século XVII, da China saíram 30% do PIB Mundial, a Europa, incluindo o Império Espanhol, Russo e Otomano, saíram 19%.
Em 1820 a China alcançou 32.95% do PIB Mundial, a Europa, incluindo os impérios Espanhol, Austro-Húngaro e Otomano, 23%.
Foi a primeira potência tecnológica até ao século XIX, foram ilimitados os inventos chineses, muitos deles com séculos de adianto em relação à Europa.
A sua população nestes dois mil anos, oscilou entre os 21 e os 36% da população mundial.
E agora, no limiar do século XXI, já estamos convencidos ou ainda não de que a China pobre já não existe, mas existe sim uma China rica e moderna? Vejamos:
- Já é a segunda potência económica mundial.
- É a primeira potência em matéria de exportações.
- É a segunda potência científica.
- É a terceira potência espacial.
- A expectativa de crescimento da procura mundial de petróleo para 2030 é de 20% mais do que em 2010. O principal consumidor será a China.
- É a primeira potência em crescimento.
- É o primeiro mercado automobilístico, de infra-estruturas, de informática de electrónica etc. Qualquer dia será o primeiro mercado em produtos de luxo, turismo e também aeronáutica.
– É a primeira potência em formaturas, por ano ingressam nas universidades chinesas 28% dos seus jovens, formando-se a maior parte em engenharia e ciências.

Ideologicamente o que é a China? Oficialmente comunista, existe um único partido, o Partido Comunista Chinês. Mas será uma economia socialista de mercado? Será o socialismo de características chinesas? Será uma estrutura capitalista de tipo socialista? Uma coisa é certa, as desigualdades são gritantes, a maioria dos trabalhadores são mão-de-obra escrava, mas dizem que estão dispostos a trabalhar dia e noite…
Na China, pouco ou nada ligam à defesa do meio ambiente.
Não existe Democracia nem Liberdade, só liberdade económica, não política, o que aumenta ainda mais a escravatura. É com tudo isto querido leitor (a) que nós ocidentais temos de competir. Os neoliberais no ocidente já vão dizendo que a concorrência com a China será impossível com sistemas democráticos, onde o homem possa reivindicar os seus direitos.
Será que um dia a China irá chegar a primeira potência mundial? Que conflitos provocará com as potências ocidentais? Só interrogações querido leitor(a)! O Império permitirá? Não atacará militarmente se vir a sua hegemonia desaparecer? Ou será que a China se transformará numa grande potência Neoliberal? A nível económico e político? Digo isto porque presentemente dentro da China existe um novo pensamento que é «China 2030», que consiste num maior desenvolvimento da economia privada e a limitação, ou supressão dos monopólios públicos. Presentemente quem controla todo o processo político e económico é o partido Comunista Chinês, mas quem controlar a economia acabará por controlar o Partido. Deng Xiaoping quis construir o Socialismo passando pelo Capitalismo, mas começo a convencer-me que não constrói um nem outro, talvez construa uma barbárie com corpo de Mao-Tsé-Tung ea cabeça de George Bush. A História o dirá.

Disse no meu artigo Sabugalenses pela Democracia, que iria informando para que a CAMINHADA PARA ABRIL se pudesse realizar. Ficou assim: no dia 25 de Abril, se o tempo o permitir, quem quiser que esteja no Largo 25 de Abril, (Largo da Fonte) entre as 14 horas e as 14 horas e trinta minutos, caminha-se por algumas ruas da Cidade, indo depois até ao Auditório Municipal para um pequeno debate sobre o 25 de Abril.
Se o tempo não o permitir, a concentração será no Auditório Municipal entre as 14 horas e as 14 horas e trinta minutos, dando-se logo começo ao debate.
Querido leitor(a), querido(a) Sabugalense, vamos ter a coragem cívica com esta marcha e debate, a que poderemos também chamar MARCHA PELA DIGNIDADE, para desafiar os que tentam destruir as conquistas de Abril, Democracia e Liberdade, em vez de nos ajoelharmos perante eles, como exigem os espíritos retrógrados, os espíritos da ditadura, da chantagem e do medo.

«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A 18 de Abril celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios sob o lema «Do património mundial ao património local, proteger e gerir a mudança». Nas iniciativas a nível nacional do IGESPAR destaque para a visita ao estaleiro e às pinturas murais de Carvalhal do Côa, na freguesia de Badamalos, concelho do Sabugal.

IGESPAR - Carvalhal do Côa - Badamalos - Sabugal

O IGESPAR-Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, promove anualmente esta iniciativa, tendo por base a proposta do ICOMOS Internacional, apresentando em 2012 uma programação diversificada de actividades organizadas por entidades públicas e privadas.
Esta comemoração tem como objectivo sensibilizar o público para a diversidade e vulnerabilidade do património, bem como para o esforço envolvido na sua proteção e salvaguarda.
O tema escolhido para este ano – Do Património Mundial ao Património Local, proteger e gerir a mudança – assinala uma relevante efeméride, o 40º aniversário da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural da UNESCO, no quadro da qual foi estabelecida a conhecida «Lista do Património Mundial». As reflexões e discussões levadas a cabo sobre esta matéria , a nível internacional, vêm-se refletindo na evolução de conceitos e metodologias que revertem para as distintas realidades nacionais e para as práticas concretas e mais locais da conservação.
No concelho do Sabugal o Programa Atelier Samthiago organiza uma visita ao estaleiro e às pinturas murais de Carvalhal do Côa, na freguesia de Badamalos. A orientação da visita está a cargo do pároco da freguesia, Padre Hélder Lopes, e de António Oliveira, coordenador da empresa de conservação e restauro.
O programa é o seguinte:
15:00 – Recepção dos participantes e distribuição da documentação.
15:30 – Visita ao estaleiro e trabalhos de conservação e restauro da Igreja Matriz de Badamalos.
16:30 – Saída para a Capela de São Marcos do Carvalhal, para observação das pinturas murais recentemente descobertas.
17:30 – Encerramento.
A organização da visita pertence ao Atelier Samthiago® – Conservação e Restauro e à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Badamalos
As inscrições gratuitas, obrigatórias, são limitadas e devem ser feitas para o email geral@samthiago.com ou pelo telefone 258 825 385.
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982 pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) e aprovado pela UNESCO.
jcl (com Atelier Samthiago e IGESPAR)

A Câmara Municipal do Sabugal defronta-se com um problema inesperado: os terrenos para onde se prevê a construção do hotel das Termas do Cró, estão afinal classificados como Reserva Ecológica Nacional (REN), facto que inviabiliza a construção do empreendimento.

Depois de ter chegado ao fim o concurso público para construção e exploração de uma unidade hoteleira na estância termal do Cró, e de se ter apresentado a concurso um único concorrente, a Câmara Municipal depara-se com a constatação de que as obras não poderão avançar devido à classificação dos terrenos.
A impossibilidade de construção apenas poderá ser contornada com uma alteração ao Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal, processo que se afigura difícil e moroso, o que tem feito com que o presidente da Câmara Municipal, António Robalo, se desloque amiudadamente a Coimbra, tentando desbloquear a situação junto da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).
Capeia Arraiana sabe que antes de ser lançado o concurso para a construção do hotel, o presidente terá sido alertado para o problema pelos serviços técnicos da autarquia, mas, mesmo assim, manteve o concurso.
Ao concurso concorreu apenas uma empresa, a Natura Empreendimento SA, sedeada na Meda, a qual tem por actividade económica o turismo em espaço rural. Com um capital social de 50 mil euros, a empresa foi formada há um ano por quatro empresários, cuja experiência no sector do turismo advém da implementação do projecto Civilcasa, formado há oito anos e que tem já concluídos algums projectos imobiliários e outros em curso, nomeadamente na região de Aveiro.
Depois da «bronca» criada com a suspensão da obra de execução de um percurso de interpretação na margem da albufeira do Sabugal, por terem sido descobertos erros insanáveis no projecto, nomeadamente o facto do percurso projectado estar em parte submerso pelas águas, emerge agora uma nova «calinada». Erros sucessivos têm feito com que as obras não avancem e os projectos não se concretizem.
plb

Esta não é uma matéria nova no «Capeia»: história da Serra da Pena (1910-1961 / anos 2000). Mas hoje trago-lhes uma sistematização e uma síntese da história de um hotel fantasma encravado no meio de uma serra de mimosas. Lembram-se das mimosas, uma mata de mimosas (primaveras) por aquela encosta acima desde a estrada Santo Amaro-Sortelha até ao hotel?

Hoje trago uma crónica anormalmente extensa. Mas acho que o tema o merece. Quem gostar vai ficar encantado. Quem não gostar, tenha paciência, amigo: passe adiante (é a lei da net: dá para todos).
Para mim, a Serra da Pena sempre foi do Casteleiro. Embora administrativamente não o seja, na prática, aquela gente sempre «caiu» para a minha terra e nunca para Sortelha, lá tão longe. A rapaziada (pouca) da Serra da Pena era nossa. Era assim que os sentíamos. Vinham à escola ao Casteleiro e tudo. Vinham pela Ribeira da Cal e pela Carrola – era um saltinho. As mulheres vinham a pé. E os rapazes (dois ou três) vinham era de bicicleta.
1954 ou 55. Tinha eu os meus seis ou sete anos. O meu pai conduzia aquele jeep Willys, igualzinho aos que encontraria na tropa às centenas. O patrão dele era o Engº Elias, gerente do complexo da Serra da Pena, então propriedade de ingleses. Eu ia lá muitas vezes com ele. Lembro-me muito bem de todos aqueles recantos – as fotos actuais, apesar do mato, da erva seca e do palhiço, mostram-me as vistas exactas da minha meninice por aqueles meandros todos. Nas de interior revejo o que era o hotel e aquilo em que se tornou, com a delapidação de meados dos anos 50 e depois disso.
Mas naquele dia fui ver o fim da Serra da Pena. O gerente, como não lhe pagavam e adivinhava a falência que se avizinhava, resolveu pagar-se por suas próprias mãos: arrancou tudo o que era metal (torneiras, chuveiros, tubagens, apetrechos da enorme cozinha do hotel e das termas… tudo o que fosse cobre ou níquel e até as loiças). Levou tudo em camiões e despachou a carga para Lisboa. Acho que o meu pai nunca mais o viu. Leio (não me lembro, sinceramente, mas leio) que ele vivia no Casteleiro. Não garanto. Mas lá que ia muitas vezes ao Casteleiro, isso ia.

A «febre da radioactividade»
Vamos por partes: hoje, os médicos vêm dizer-nos que afinal o café contém químicos que atrasam as doenças neurovegetativas e que, se tomado moderadamente, é positivo para o organismo. Isto, depois da diabolização do café durante décadas – lembram-se? Pois bem: com o urânio aconteceu exactamente o contrário. Há um antes e um depois de Hiroshima e Nagasáki, a partir do que o urânio passou a ser também diabolizado. Mas entre o início do século XX e o final da II Guerra Mundial, o urânio foi tido como substância curativa pelas suas propriedades (que foram e são mal utilizadas pelos humanos).
Mas naqueles anos de 1900, corria na Europa a chamada «febre da radioactividade»: acreditava-se que o rádio curava quase tudo e as pessoas acorriam onde houvesse esse elemento. Foi o caso.
Quando falamos de rádio (elemento químico), saiba que estamos a falar de uma substância fortíssima: «o rádio é um milhão de vezes mais radiativo do que a mesma massa de urânio». Hoje, por serem mais seguros e até mais eficazes, o cobalto e o césio substituíram o rádio, o qual foi descoberto por Marie e Pierre Curie em 1898, e foi muito usado na medicina. E ainda hoje: «O rádio (geralmente na forma de cloreto rádio) é usado em medicina para produzir o gás radónio para o tratamento do cancro», segundo se lê também na Wikipédia – o que vale o que vale… E ainda: «O rádio pode causar grandes danos aos ossos substituindo o cálcio. A inalação, ingestão ou exposição ao rádio pode causar cancro ou outros distúrbios orgânicos».

Nascem as termas
É neste quadro que a zona da Azenha/Quarta-Feira conhece um «boom» de desenvolvimento: empresas e emprego.
Primeiro, a partir de 1910, a Société d’Uraine et Radium explora as propriedades da região. Logo de seguida, um conde espanhol vem aqui com a filha que tinha uma doença grave e, com estas águas, se curou.
Foi o motor de uma mudança forte: vai haver a partir daí muito crescimento e publicidade – presume-se mesmo que águas engarrafadas podem ter corrido pela Europa: «Água Radium dá Saúde Vigor e Força». A fase de exportação, aliás, deve ter conhecido algum incremento com a visita de Madame Curie, estudiosa do urânio, que aqui esteve uns quatro meses e que deve ter levado água desta para o seu conhecido laboratório de Paris.

Nasce o hotel
O atrás citado conde espanhol, depois da cura da filha, constrói então o hotel termal. Mas as propriedades radioactivas das águas só serão reconhecidas em 1920.
Em 1922, é atribuída a primeira de várias concessões oficiais de exploração de águas radioactivas no local do «Chão da Pena» (expressão que deve ter ficado perdida nos tempos. Da minha infância, o que ficou foi «Serra da Pena»).
Em 1926, uma reportagem de um jornal regional (A Serra) divulga a inauguração (tardia?) do hotel termal para 150 pessoas.
Em 1929, a Sociedade Águas Radium Lda toma de arrendamento as instalações e introduz outros tratamentos (até aí era usada apenas a imersão em balneário): aplicação de lamas, compressas eléctricas radioactivas e a studa chair para lavagem do cólon – como leio num dos sítios que consultei.

Morrem as termas e a exploração de águas engarrafadas
Durante a II Guerra morrem as termas: o urânio passa a ser um material maldito, cada vez mais detestado e temido. Os efeitos nos japoneses foram fatais para as termas também. Lá por 40 e poucos, acabou a febre radioactiva, que já vinha esmorecendo.
Não há notícia de publicidade nos jornais às Águas Radium depois de 36. Coincidência ou não: é a data da Guerra Civil de Espanha – de onde ainda vinham clientes também.
Assim, com o fim do arrendamento (1945), sobreveio a morte das termas.
Leio que as termas tiveram 35 inscrições em 1944 e 36 no ano anterior. Quase nada, portanto.
Ou seja: «a descoberta dos malefícios trazidos pela radioactividade e pela energia atómica durante a Segunda Guerra Mundial provocou a falência do complexo hoteleiro e industrial (termas e engarrafamento – esclareço eu, JCM) que anos antes tinha passado a ser explorado por ingleses».

Morre o hotel
Julgo que é por essa altura que o tal gerente que bem conheci em miúdo – o Sr. Engº Elias – toma conta, após aquisição por parte dos ingleses. Ingleses que também exploravam as Minas da Bica, na Azenha, Quarta-Feira. A empresa que explora o hotel a partir de 1951, em substituição da Société, é a Companhia Portuguesa de Radium, de capitais ingleses. Era para essa que trabalhava o Engº Elias, suponho que já antes.
Não era, ao que sei, a mesma empresa das minas, mas era também de ingleses, portanto.
O hotel ainda dura por uns tempos, mas já em grande depressão económica.
Avizinhava-se a falência a cada ano que passava. Isso acontecerá lá por 1954, 55, pelos meus cálculos.
E foi aí que um dia aconteceu a cena de arrancar de lá tudo o que podia ter algum valor, como acima narrei – e que tanto me impressionou na altura.
Leio que a «será em 1951, através da Companhia Portuguesa de Radium, uma empresa de capitais ingleses, que o Hotel volta a funcionar, embora as termas não voltem a ser exploradas. Em 1961, esta companhia mineira cessa a sua actividade, mas segundo a documentação o hotel já estaria encerrado».

Anos 2000: recuperação falhada
Julgo que em 1985, num leilão efectuado em Lisboa, o complexo hoteleiro e termal foi leiloado.
É adquirido por Ramiro Lopes, das Minas da Panasqueira. Em 2 000, vende a um irmão que pretende fazer a recuperação do «glamour» antigo. Diz-se que os fundos europeus escorreram em grande. A empresa chamava-se Golfibérica (não sei se com capital também espanhol – tenho uma ideia vaga de na altura ter ouvido falar dessas três circunstâncias: fundos europeus, fraude, espanhóis – mas não garanto ao certo).
E algumas pedras foram de facto «mexidas». Suponho que obedecendo àquele princípio famoso de que é preciso que algo mude para tudo ficar na mesma. E o que é facto é que os fundos europeus, se os houve, voaram sem deixar rasto nem resultado.
Na acta da CM Sabugal de 28 de Janeiro de 2000 lê-se que foi «presente ofício da Firma GOLFIBÉRICA referente ao projecto turístico da Águas Rádio – Serra da Pena – Sortelha, tendo o Presidente dado conhecimento da reunião com a gerência da empresa onde lhe foi dado a conhecer o interesse por parte de investidores estrangeiros naquele investimento, estimando-se a criação de cerca de 150 postos de trabalho. Propôs que a Câmara Municipal disponibilize a colaboração técnica possível e que se considere o investimento de interesse municipal, propostas que foram aprovadas por unanimidade».
Portanto: todos os benefícios, nenhum efeito prático positivo.
O que pretendiam ou diziam estes empresários que pretendiam fazer? Parece que algo grandioso: «… recuperação e ampliação do edifício de granito existente, convertendo-o num hotel de cinco estrelas, na construção de um campo de golfe com 18 buracos e de dois aldeamentos turísticos totalizando 146 “Villas”».
Nada mau… se não estivéssemos por ali todos convencidos logo de início de que se tratava, isso sim, de um gigantesco «bluff». Fraude ou não, um dia se saberá.

Divirta-se
Sendo esta uma crónica especial, gostaria de deixar ao seu dispor uma série de fontes e visitas que fiz para complementar a informação que já tinha. Há álbuns fotográficos aí publicados que são um mimo. Há alguma informação fidedigna – mas outra que nem tanto. Escolho os seguintes oito sites: Site 1, Site 2, Site 3, Site 4, Site 5, Site 6, Site 7, Site 8.
Que beleza! Pelo torneado das colunas ainda recordo a paz e a harmonia dos interiores daquele gigante no meio da serra.
Ainda hoje sentimos algo de atracção positiva quando da estrada olhamos «o hotel da Serra da Pena» (era assim que lhe chamávamos).
… Agora que dá dó olhar para a Serra da Pena e ver o mausoléu de pedra abandalhado e degradado, isso é inegável. Pedi aos editores do «Capeia» que publicassem um painel fotográfico para dar de comer aos olhos… Acho que vão gostar… Há como que uma onda de nostalgia avassaladora quando se olha para estes lugares assim.

Nota final
Vejam a foto do projecto (a do quadrado a tracejado à volta das construções). Notem como ela mostra a megalomania desconchavada de quem não queria mesmo fazer era nada… Impressiona a desfaçatez.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Vai realizar-se a 19 de Maio (sábado) o sexto encontro dos antigos professores, alunos e funcionários do Externato Secundário do Sabugal.

Ex-alunos e professores com José Diamantino dos SantosO encontro acontecerá na cidade do Sabugal e tem o seguinte programa:
9h45 – Visita ao Castelo do Sabugal
11h00 – Porto de Honra na Sª. da Graça
12h30 – Missa de Acção de Graças na Capela de Nª Sª da Graça
14h00 – Almoço de convívio no Restaurante D. Dinis, no Raihotel
O ponto de encontro inicial é o Largo do Castelo, de onde se partirá para a visita ao monumento ex-líbris da cidade.
A Comissão Organizadora do encontro de 2012, está a pedir aos antigos alunos, professores e funcionários para se inscreverem para participarem no encontro até ao final da primeira semana de Maio (dia 6).
«Temos mais de 2.100 fotografias de antigos alunos, as fotografias da nossa matrícula no Colégio. Se, com a confirmação da sua presença, puder enviar-nos, por anexo a e-mail ou por outro meio, uma fotografia actual, os nossos registos ficarão mais enriquecidos», apela a comissão aos potenciais participantes.
A inscrição pode ser feita por telefone, sms ou e-mail para qualquer elemento da Comissão Organizadora):
Aires Rodrigues (917 786 495)
Irene Cardona (966 004 482 – irenecardona@sapo.pt)
Isidro Candeias (964 545 510 – isidro.candeias@sapo.pt)
José Morgado (965 869 121 – morgadio46@gmail.com)
Rosa Lucas Santos (964 403 467 – rosa.l.santos@portugalmail.pt)
plb

No dia 19 de Abril (quinta-feira), a partir das 9 horas, realiza-se na cidade da Guarda o seminário «Prevenção dos Maus Tratos na Infância», organizado pelo Núcleo Desportivo e Social (NDS).

O seminário acontecerá na sala da Assembleia Municipal, e surge no âmbito da campanha do Mês da Prevenção dos Maus Tratos (Abril 2012).
O Projecto Tu Decides+… do NDS, que está inserido no Programa Escolhas 4.ª Geração, em associação com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da Guarda, prevê a dinamização de um conjunto de acções em prol da prevenção dos maus tratos na infância, onde se destaca a realização do seminário «Prevenção dos Maus Tratos na Infância».
O evento realiza-se com os apoios do Município da Guarda, Ministério Público, Instituto Politécnico da Guarda e do Núcleo de Atendimento de Apoio à Vítima de Violência Doméstica do CFAD.
O Projecto Tu Decides+… espera a participação no seminário de todas as instituições, entidades e técnicos que diariamente trabalham no âmbito do apoio à família, infância e juventude e que directa ou indirectamente se envolvem na causa da Prevenção dos Maus Tratos.
Da realização do seminário resultará a assinatura de uma Declaração de Compromisso em prol da Prevenção dos Maus Tratos na Infância.
plb

No próximo dia 25 de Abril (quarta-feira), o Teatro Municipal da Guarda (TMG) celebra o seu sétimo aniversário. Para comemorar, convidou Rodrigo Leão a apresentar em concerto o seu último disco de originais: «A Montanha Mágica». O concerto está marcado para as 21h30 no Grande Auditório.

Dono de uma das mais interessantes discografias do nosso país, o músico e compositor Rodrigo Leão tem conhecido o sucesso dentro e fora do de Portugal, facto que lhe tem permitido ter convidados de peso nos seus discos, como aconteceu com Ryuichi Sakamoto, Stuart Staples (Tindersticks) ou Beth Gibbons (Portishead). Na década de 80, o seu visionário trabalho na Sétima Legião lançou pistas que ainda hoje são exploradas pela pop portuguesa.
Fez também parte dos Madredeus, grupo com que começou por explorar o mundo e com quem gravou três álbuns que angariaram aplausos em todo o mundo. Logo depois, Rodrigo Leão aventurou-se a solo com enorme sucesso. O seu mais recente disco, editado em 2011, chama-se «A montanha mágica» e é esse o trabalho que o músico português traz ao TMG no dia 25.
No seu novo disco Rodrigo Leão decidiu recuar até uma ideia de infância que se traduz nos títulos – «A praia do Norte», «O Baloiço», «Aviões de Papel» ou, para citar apenas mais um, «O Navio Farol» -, mas também e sobretudo na abordagem musical, nos arranjos. Proeza só ao alcance de quem muito sabe, A Montanha Mágica soa a um tempo diferente e igual, fluído e permanente, difuso como algumas memórias, mas tão real como as palavras impressas num livro. Esse efeito tem origem na pausa que Rodrigo impõe agora ao seu aplaudido Cinema Ensemble para se concentrar no essencial.
Acompanham Rodrigo Leão (teclados e baixo) em palco os músicos Celina da Piedade (acordeão, metalofone, voz), Viviena Tupikova (violino), Bruno Silva (viola de arco), Carlos Tony Gomes (violoncelo) e João Eleutério (guitarra).
Logo depois do concerto, o Teatro Municipal da Guarda promove uma sessão comemorativa do seu sétimo aniversário que terá lugar no Café Concerto e é aberta a todo o público que se queira juntar à celebração.

«Famílias ao Teatro» no Pequeno Auditório
Famílias ao Teatro com a oficina / espectáculo «O Vento» é a nova criação das Visões Úteis. Uma iniciativa que o TMG apresenta no próximo sábado, dia 21 de Abril, em duas sessões à escolha: às 15h00 e às 18h00.
Mais do que um espectáculo de teatro, esta é uma actividade onde o teatro se faz com o público e onde o público é convidado a participar. Trata-se de um formato dinâmico e sempre experimental que resulta num espectáculo que não é só para ver, é também para fazer. Ambas as sessões do dia dividem-se em dois momentos: uma oficina de 45 minutos e um espectáculo também de 45 minutos logo a seguir. Na oficina, o público participante fica a conhecer o espectáculo por dentro e nas diferentes artes que se cruzam em cena, como a luz, o som, o gesto e o movimento, e ensaia uma acção que vai interpretar, decidindo depois um entre dois finais possíveis para a história. Na primeira sessão, a oficina começa às 15h00, sendo o espectáculo às 15h45. Na segunda sessão, a oficina começa às 18h00 e o espectáculo é às 18h45.
As oficinas destinam-se a crianças dos 4 aos 10 anos, que deverão ser acompanhadas por um adulto. O restante público que não quiser participar nas oficinas pode assistir depois aos espectáculos que as sucedem. Os bilhetes, em ambos os casos, custam 3€. «O vento é movimento. Move coisas, move-se nos corpos. Torna-se visível nas coisas e nos corpos. Nas paisagens. O vento é uma força abundante que alimenta e às vezes transborda.
Esta é a ideia que sustém o projecto: o espectáculo precisa da força do público para se mover, para este ser o vento que faz tudo acontecer. O Vento é desafio e mudança. Cada evento-espectáculo é realmente único e depende verdadeiramente da articulação entre actores e público, ambos intérpretes. O Vento nunca pára de criar e de se reinventar.», refere o texto de apresentação desta oficina/ espectáculo. A direcção da iniciativa é de Inês de Carvalho, a dramaturgia é de Alberta Lemos, Ana Vitorino e Carlos Costa e a interpretação de Ana Vitorino e Carlos Costa. No Café Concerto, dia 19 de Abril

Jazz com o Rodrigo Amado no Café Concerto
O Rodrigo Amado Motion Trio actua a 19 de Abril (Quinta-feira) no Café Concerto às 22h.
Depois de um primeiro disco muitíssimo bem recebido pela crítica nacional e internacional, o Motion Trio de Rodrigo Amado tem confirmado em concerto que se trata de um dos mais interessantes projectos da cena jazz nacional. Na busca por expandir a sonoridade característica do grupo, o trio fez um convite ao trombonista americano Jeb Bishop para os acompanhar ao vivo. O músico norte-americano é colaborador habitual de Ken Vandermark (tendo sido um dos vectores fundamentais do seu projecto-âncora Vandermark 5) bem como em múltiplos projectos sediados em Chicago como Chicago Tentet de Peter Brötzmann e a Exploding Star Orchestra de Rob Mazurek. O trombonista acrescentou o seu cunho pessoal elevando a música do trio para outro patamar.
Em palco no Café Concerto vão estar Rodrigo Amado (saxofone), Miguel Mira (violoncelo), Gabriel Ferrandi (bateria) e o convidado especial Jeb Bishop (trombone). Trata-se de um concerto em Parceria com o Jazz ao Centro Clube, apresentado no âmbito da rede 5 Sentidos. A entrada é livre!

Concerto de Comemoração do Dia Mundial da Voz
A pretexto do Dia Mundial da Voz, o Conservatório de Música de S. José da Guarda apresenta no próximo dia 20 de Abril (sexta-feira), no Café Concerto, às 22 horas, um espectáculo de música e poesia «em forma de concerto comemorativo».
O espectáculo contará com a participação das classes de Canto e Técnica Vocal do Conservatório de Música da Guarda e com as vozes de Noémia Mateus, Catarina Natário e Rita Pereira, e a colaboração da turma de Técnica Vocal, e do Coro Bomtempo.
Trata-se de uma iniciativa com o apoio do TMG. A entrada é livre.

Exposição de Roberto Chichorro na Galeria de Arte
Durante o mês de Abril, a exposição «Vivência a cores d’um Andarilho» de Roberto Chichorro será visitada por cerca de 400 alunos da Escola Básica 2, 3 de Santa Clara, da Guarda. As visitas guiadas à exposição serão complementadas com actividades pedagógicas orientadas pelo Serviço Educativo do TMG. Recorde-se que a exposição estará patente na Galeria de Arte até 20 de Maio e pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h00 às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h00 às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
Roberto Chichorro nasceu em 1941 em Lourenço Marques. Trabalhou como desenhador de publicidade e arquitectura, e como decorador de pavilhões para feiras internacionais em Moçambique. Fez cenografias para espectáculos e ilustrou vários livros. Foi bolseiro do Governo Espanhol, em Madrid, para cerâmica (Taller Azul) e zincogravura (Óscar Manezzi) e do Governo Português, vivendo em Portugal desde essa data e dedicando-se exclusivamente à pintura. Participou é várias exposições individuais e colectivas por todo o mundo, desde 1960. É um dos mais conceituados pintores Africanos da actualidade.
Sobre a sua obra, escreve Álvaro Lobato Faria: «Qualquer obra de Roberto Chichorro poderia começar assim. A construção do seu imaginário decorre do enquadramento de sonhos e memórias de histórias vividas, fragmentadas e esfarrapadas pelo esquecimento, que procura repor numa unidade lógica própria da narração. Sabe-se lá que promessas, que juras ou votos ficariam por cumprir, mas para Chichorro todas as histórias são dignas de serem contadas. Há mais mundos do que este e para que disso tomemos consciência, a imaginação é tão indispensável quanto o olhar, receptivo à descoberta. Aqui, reside uma das marcas da originalidade e da intemporalidade do seu imaginário: ele opera em nós um desenraizamento, obriga-nos a abandonar os lugares-comuns, transporta-nos para algures e daí para nenhures».
plb (com TMG)

Não sou homem de teres, que a vida incerta de contrabandista e azemel só me deu o arrimo, ainda que as canseiras fossem muitas. Mas o que herdei de meu pai e de meu sogro, adido ao pouco que surdiu o meu negócio, sempre o defendi com unhas e dentes, ainda que tivesse que me impor pela força e pela manha, quando me quiseram engazupar.

Aconteceu de uma vez alguém querer esbulhar-me do direito de uso pleno e exclusivo da água que ia do açude do Pereiro, para rega dos meus lameiros e olgas. O António Cerdeira, que tinha dois prédios na ínsua, apregoava estar no direito de regar o renovo com a água da minha levada.
Chegando-me aos ouvidos que o farrabraz andava a desviar a linfa, fui de madrugada tomar fé no caso. No local reparei que o lapuz tinha aproveitado a noite para me chispar os tornadoiros e abrir outros que conduziam a água às suas leiras.
Fiquei furibundo, mas, para não me perder, que tenho um génio danado, enviei a casa do machacaz, o meu vizinho João Tomé, com o recado de que tivesse tino e não voltasse a repetir a brinca, sob pena de ser homem morto.
Acagaçado o Cerdeira não tornou a bulir nos tornadoiros, mas, aconselhado, meteu o caso na Justiça. Soube-o quando recebi a citação do Tribunal do Sabugal, dando-me conta da demanda, em que o ladrão reclamava o direito ao uso da água segundo o velho costume da adua, apresentando um bom naipe de testemunhas.
– Este Tonho Cerdeira quer caçoada, mas depressa o tiro de cuidados – disse para alguns, a ver se lhe metiam tino.
Foram nulos esses arreganhos e a acção avançou seus termos.
À cautela comecei a tratar do caso junto da Justiça. Enviei um cabrito e um frangão para o juiz da comarca, duas lebres e uma canastra de ovos para o delegado, e um borrego para o oficial de diligências. Embora ciente de que a razão me assistia, aprendera com a vida a ter cautelas, e assim urdi a trama necessária a virar o caso a meu favor. Quanto às testemunhas, que eram gente da terra, e foi fácil convencê-las a deporem por mim. Uns virei-os com a razão e outros com copos do bom verdasco da minha adega.
No dia da audiência a coisa correu-me de feição, para espanto do Cerdeira, que pensava ter o caso nas mãos. Todavia, quando esperava que o juiz sentenciasse a meu favor, o alma do diabo convocou as partes arroladas para o dia seguinte, no local da disputa, alegando que o Tribunal tinha que esclarecer certas dúvidas.
Lá fomos à levada do Pereiro, a meio caminho entre a Bismula e Vilar Maior, a ver a agueira e os terrenos que servia.
Junto à levada o Cerdeira volveu a declarar-se espoliado da água de limar as courelas, denunciando ao Juiz que eu montara mascambilha, voltando as testemunhas do avesso.
- Está bom de ver, senhor Juiz, que tendo sido eu a arregimentar as testemunhas elas não depunham contra mim…
¬– A levada foi erguida por meu avô e, desde que me conheço, Meritíssimo, fomos os únicos a servir-nos dela para limagem dos lameiros e rega do renovo – disse eu ao juiz para calar a boca ao Cerdeira.
– Não se atente ti Tosca, que vossemecê bem sabe que a água foi-nos abonada pelo seu pai, à troca de um horto no Vale Carvalhão, altura em que foram assilhados estes bueiros – disse o Cerdeira apontando um cano de pedra que saía do fundo do cômoro da levada.
Alterei-me quando notei o juiz a manear a cabeçorra, dando ares de quem concorda com o que argumentava o Cerdeira. Tinha de o meter no carreiro.
Aproveitando um momento de distracção da comitiva, a mirar um carro de vacas que passava no caminho, cheguei-me de manso ao juiz e larguei-lhe em surdina:
– Meu pandorga, recebeste o cabrito e o galaró e agora queres dar a volta ao prego?
E, sem mais paleio, arrumei-lhe um contrifão que o atirou para a levada que ia prenhe de água.
– Ai que me afogo! – urrou o magistrado quando veio à tona.
E logo lhe lancei a manápula em socorro.
– Ó Doutor, como diabo afocinhou na corrente? Segure-me a mão, que o arrupo.
E puxei-o para terra seca, ao mesmo tempo que todos acorriam para tomar fé no acontecido.
– Meti o pé em falso e emborquei, valeu-me vossemecê José Tosca – pronunciou-se o juiz, aliviado, depois de colocado de borco a despejar da arca a água que engolira.
Passados dias soube-se o veredicto que considerou a água da levada como minha pertença exclusiva. Fez-se justiça.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

A Câmara Municipal da Guarda instalou uma horta no jardim do telhado do edifício dos Paços do Concelho, com as espécies hortícolas ali produzidas a terem como destino o consumo no refeitório da autarquia.

De acordo com o que foi veiculado pela agência Lusa, a plantação, feita num espaço que «nunca funcionou bem» como jardim, devido à sua localização e exposição solar, foi coordenada por Ismael Pereira, responsável pela divisão dos serviços urbanos da autarquia.
Em breve, funcionários e munícipes poderão ver dois grandes canteiros, com uma área total de 150 metros quadrados, «enfeitados» com cebolas, alfaces, couves, tomates e pimentos, em vez das tradicionais plantas de jardim.
«Este espaço não estava aproveitado e, com este projeto, conseguimos dar-lhe uma utilização», disse à agência Lusa Gonçalo Amaral, vereador responsável pelo pelouro das zonas verdes.
O autarca adiantou que «o objetivo [da autarquia] não é produzir produtos hortícolas para a sua sustentabilidade», mas antes «dar o exemplo» à sociedade.
«Pretendemos sensibilizar as pessoas para a possibilidade de terem uma horta em casa, verificando a existência desta num espaço improvável, declarou, lembrando que o canteiro se situa no segundo andar do edifício dos Paços do Concelho, na cobertura da sala da Assembleia Municipal.
plb (com Lusa)

A guerra movida ao latim, que foi praticamente banido do curso geral dos liceus na década de quarenta do século passado (efectivamente a chamada Reforma Pires de Lima manteve-o apenas para certas alíneas dos então sexto e sétimo anos) fez com que a generalidade da população não relacione o vocábulo convento com o seu elemento essencial.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaOs que se iniciaram nas complicadas operações da enunciação e conjugação dos verbos naquela língua, esses certamente que recordarão o venio, venis, venire, veni, ventum, que a muitos terá provocado o àspero contacto com a féruIa e vara, meios didácticos cssenciais numa escola que, por orbilana, se baseava na regra – a letra com sangue entra.
O prefixo com e a raiz ventum dão ao termo a ideia da reunião a que ocorriam, no caso, todos os vizinhos; e daí o seu caracter de assembleia que, na alta idade média, se substituiria ao município que, como já referimos, apresentava origem romana.
Mas da transição para a mescla produzida da fusão daquelas instituições com as leis e costumes dos invasores do império resultaram efectivamente outras novas onde a vontade popular se exprimia por voto directo.
E uma das mais interessantes e que mais profundamente haveria de marcar o relacionamento entre os habitantes da mesma área geográfica e influenciar futuramente toda a organização administrativa a que hoje chamamos autárquica foram as assembleias de vizinhos no período visigótico.
Os visigodos eram um desses numerosos povos germanicos que tendo visto no império uma carreira nele penetraram como servidores e de que, com o colapso de Roma, se tornaram senhores.
Efectivamente, nas grandes movimentações que se seguiram a 476, ano símbolo, mas impreciso quanto a extremações temporais, enquanto que os burgundios se fixaram em torno de Viena e na actual Suiça; os francos ou galos entre os Pirinéus e o Reno (os belgas, os aquitanos e outros cabendo na designação de Germanos misturavam-se com eles); os ostrogodos mostraram preferência pela Península Itálica e uma enorme multidão de bárbaros se quedavam ainda por aquilo que hoje se chama a planície germano-polaca, os visigodos venceram as dificuldades dos altos desfiladeiros e derramaram-se pela Ibéria de onde acabaram por expulsar suevos e vândalos, se é que estes últimos, povo mais nómada do que sedentário, não preferiram, da sua expontânea vontade, demandar o Norte de África e os suevos não rumaram, também, às Ilhas Britânicas lato sensu.
De qualquer modo, os visigodos lançaram profundas raízes, fundiram-se com os ibéricos, romanizados ou não, e influenciaram poderosamente toda a vida peninsular, através nomeadamente da sua tendência para os grandes debates que ocupavam desde as simpIes comunidades vicinais até aos concílios nacionais de Toledo.
Esta tendência para absorver de cada civilização o que dela melhor pudesse coutribhuir para o aperfeiçoamento do sistema permaneceu.
O município, instituição de base romana beneficiou, assim dos aportes do direito visigótico, reformulado e enriquecido, que viria a influenciar mais tarde as comunidades rurais da Idade Média e receberia até influxos da Cabília magrebiana, copiando parte das regras dos seus ajuntamentos.
Assim se gerou a tradição duma recta e regular administração municipal e depois também provincial.
E o município, lembrou Alexandre Herculano, representa, de modo verdadeiro e eficaz, a variedade contra a unidade, a irradiação da vida política contra a centralização, revelando-se a única instituição capaz de assegurar a liberdade das classes laboriosas e populares.
Aliás todos os povos, se os deixarem, tendem para a gestão autárquica, o que levou Toqueville a afirmar que o município e as instituições que lhe são similares (conventus publicus, comunidades medievas, ajuntamentos da cabília) parecem ter saído mesmo das mãos de Deus.
Só por seu intermédio se pode realizar o duaIismo tão fecundo de uma boa governação: autoridade ao alto, liberdade nas estruturas inferiores; competência dos governantes; fiscalização dos governados…
Na grande Europa que existe como realidade institucional e a que se pretende dar um corpo de leis, impõe-se axiomaticamente o respeito por essas comunidades de base e fará, por isso, algum bem recordar a mera legalidade positiva, existindo, não por qualquer delegação, mas por direito próprio…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O Padre Manuel Joaquim Martins nasceu nos primórdios da Primavera de 1939, na Freguesia da Bismula. Os seus Pais viviam junto à Igreja Matriz, que mais tarde foi destruída, reconstruindo a actual, sem qualquer espólio patrimonial e religiosos da anterior, a não ser o aproveitamento das suas pedras.

Seu Pai, Manuel Martins Salgueira, participou no Contingente Militar Português na I Grande Guerra de 1914 em Flandres – França. Ali sofreu as agruras de uma guerra injusta e desumana, regressando são e salvo à sua Bismula, onde casa com Rita Martins. Desta união conjugal nascem duas raparigas e cinco rapazes. O trabalho agrícola era árduo, sem horários, sem férias, sem subsídios, e assim sobreviviam, como a maioria dos habitantes bismulenses.
O seu filho Manuel Joaquim Martins, feito o exame da 4ª Classe no Sabugal, como ordenavam as normas escolares, vai trabalhar nas fainas agrícolas. Os Pais por motivos económicos não o deixaram ir para o Seminário. Porém, com o apoio dos seus conterrâneos, Padre Carlos Leal Moita, do Padre José Eduardo Videira e da sua Tia Célia Martins, Religiosa das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, os Pais autorizam-no a ir fazer as provas de admissão ao Seminário do Fundão, onde está seis anos. Ingressa de seguida no Seminário Maior da Guarda, onde durante quatro anos frequenta o Curso de Filosofia e Teologia chegando ao Presbitério.
A Ordenação Sacerdotal decorre no dia 19 de Agosto de 1962, na Histórica Vila de Trancoso. Segue-se a celebração da Missa Nova, em 26 daquele mês, na sua Terra Natal – a Bismula, que contou com a anuência e adesão de todo o povo bismulense. Foi seu padrinho o bismulense, Dr. Manuel Leal Freire e Esposa.
Inicia a sua caminhada de Pároco, como Coadjutor da Sé da Guarda, auxiliando o Padre Isidro. Seguem-se as Paróquias de Vilares e Carnicães do Arciprestado de Trancoso. Tive a oportunidade de num Verão o visitar e conviver, acompanhando-o numa velha mota, que passava por caminhos quase intransponíveis, em missão apostólica. Era um padre simples, humilde, muito próximo do povo, preocupado e atento às pessoas e dinâmico com a juventude. Tinha tido um grande mestre, o Padre Ezequiel Augusto Marcos, Pároco na Bismula, que lhe legou importantes ensinamentos e os colocou ao serviço do seu trabalho sacerdotal.
Uma terrível doença atirou-o para o Sanatório Sousa Martins na Cidade da Guarda, Unidade Hospitalar inaugurada com pompa e circunstância pelo Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia, onde permaneceu vinte meses. Apesar de doente, aproveitou este facto para fazer apostolado junto dos outros doentes. Só um doente sabe e compreende melhor a dor e o sofrimento do seu próximo. Assim, junto dos seus companheiros doentes presta-lhes assistência espiritual e humana, ajuda-os a ter esperança, estimula-os, anima-os, mentaliza-os para terem fé, a acreditar na Primavera da Vida, em dias de sol e de felicidade. Todos o escutam, todos verificam que é um Padre com uma mensagem evangélica. A receptividade a estas verdades ajudam aqueles doentes a vencer obstáculos, os malefícios físicos, psíquicos e outros de uma malvada doença: a tuberculose.
Recuperado totalmente, são-lhe atribuídas as Paróquias de Aldeia de Joanes e Aldeia Nova do Cabo, do Arciprestado do Fundão. Não dispõe de Casa Paroquial, mas graças ao seu dinamismo e com o apoio dos seus paroquianos é-lhe construída uma habitação com toda a dignidade, junto à Igreja Matriz de Aldeia de Joanes. Também é da sua iniciativa, com o apoio da Paróquia de Aldeia de Joanes, que numa Missa Campal e Primeira Comunhão de Crianças, naquela Zona Rural, preparadas pela Catequista Maria Manuela Marques Bernardo, se decidiu fazer-se ali uma Capela. João Franco Diamantino e Teresa Brito Nogueira ofertaram o terreno e uma Comissão começou a recolher donativos para a construção nas Quintas de S. José, da actual Capela com o mesmo nome, onde celebrava a Eucaristia e se ensinava a Catequese. Fez obras de restauro na Igreja Matriz de Aldeia de Joanes, sem ajudas oficiais.
Converso com muitas pessoas que eram jovens, quando o Padre Manuel Joaquim Martins foi Pároco nestas Paróquias, durante dezasseis anos. Falo com muitas pessoas que com ele trabalharam durante os dez anos de Assistente do Agrupamento 120 do Corpo Nacional de Escuteiros do Fundão. Tenho trocado impressões com ex-colegas professores e ex-alunos e alunas da Escola Secundária do Fundão. Dizem-me que estava sempre próximo de todos, a sua casa sempre aberta para receber, para dar conselhos, dar uma palavra amiga, resolver os problemas das Paróquias, e não esquecia os jovens paroquianos em serviço militar, com quem trocava correspondência, e, chegados do Ultramar, visitava-os e contava com eles na sua missão evangélica.
No acompanhamento com os jovens apontava-lhes os valores do Evangelho, e, com eles celebrava todos os Sábados, na Igreja Matriz do Fundão, uma Eucaristia muito participativa com centenas de rapazes e raparigas. Em Aldeia Nova do Cabo celebrou uma Eucaristia com instrumentos musicais com os jovens que foi pioneira na Diocese da Guarda.
Do Fundão parte para a Zona Pastoral de Trancoso e um novo desafio lhe é colocado com a atribuição de outras Paróquias tendo Freches no centro da sua actividade Prebisteral. Dá aulas em Trancoso, Celorico da Beira e em Vila Franca das Naves. Actualmente é Pároco de Vila Franca das Naves, Póvoa do Concelho, V. Mouro e Feital.
O Padre Manuel Joaquim Martins foi um agente cultural, social e religioso, porque teve responsabilidades públicas e esteve sempre mais interessado, em alguma coisa, do que em ele próprio.
Com quarenta e nove anos de serviços às comunidades cristãs, este Bismulense, tem honrado a sua Terra Natal – a Bismula – e a Igreja de que é um simples servidor. Trabalhou sempre nos projectos que Jesus Cristo indicou nos seus Evangelhos.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

LAPSO – s. m. – espaço de tempo, descuido, falta, erro, inadvertência que se comete ao falar (lapso de língua) ou a escrever (lapso de pena). Ainda, esquecimento momentâneo de obrigações urgentes. Este substantivo tem como sinónimos, falha, falta, irregularidade, lacuna, niquice e omissão.

Parece-me que, desta forma, não haverá dúvidas sobre o sentido da palavra usada pelo senhor Ministro das Finanças, o poderoso Gaspar, no parlamento, para justificar o adiamento da provável reposição dos subsídios de Natal e de férias. Ora, se foi repetido vezes sem conta pelas vozes da trioka portuguesa, leia-se Passos Coelho, Victor Gaspar e Miguel Relvas, que estes seriam repostos em 2013, são agora apontados para 2015. Seria um lapso se, um deles o tivesse afirmado. Aceitável como lapso se, os três, o tivessem dito uma única vez. Mas ele foi apregoado e com aquele ar sério com que este governo gosta de se propagandear. Pois bem, este governo, tem vindo a cometer vários lapsos e em vários sentidos. Primeiro, o lapso de o programa de governo não ser o apresentado na campanha eleitoral e, portanto, a votos. Poderá dizer-se que o memorando da troika os impediu, contudo, ele foi assinado pelos partidos do governo e assistimos diariamente à tomada de medidas que vão muito além de tal memorando. Um lapso, certamente… Depois, têm sido as medidas tomadas (pelo menos anunciadas) num timing verdadeiramente extraordinário: os cortes dos subsídios próximo do Natal, a extinção da tolerância de ponto do Carnaval em vésperas, o fim dos feriados anunciados mas não assumidos pelo governo quais, os cortes na saúde, na educação, na justiça, o aumento de impostos por sistema (esta semana o governo apresentou à Confederação do Comércio uma proposta de um imposto para as superfícies comerciais com mais de quatrocentos metros quadrados, a proposta já lá apresenta o valor das multas aplicar, mas não diz de quanto é o imposto!), os combustíveis trepam por aí acima, tal como o desemprego, a economia está moribunda… Só pode ser um lapso! Lapso, também, o segredo com que o governo aprova a suspensão das reformas antecipadas e recorde com que foi pulicado em Diário da República (claro, com a condescendência do Presidente da República, que argumentou com o interesse nacional..) e, depois, explicado pelo sr. Primeiro Ministro em Moçambique, lá longe. Um lapso, claro! O orçamento não está a ser cumprido, os números que o governo apresentou têm-se revelado errados, as medidas tomadas apontam sempre na mesma direcção, os funcionários públicos e os trabalhadores. Os milhões continuam a deslizar para os BPN’s, para as PPP’s, para os escritórios de advogados dos amigos, para os inúmeros parasitas (leia-se assessores, especialistas, secretários e afins) que em nada são beliscados. Lapsos, com certeza.
A prática governativa deste governo tem-se revelado um verdadeiro lapso. Mas o governo acrescentou um novo significado à palavra lapso, mentira. Sim, sempre que se desculpa com um lapso, o governo está a mentir. E, lá diz o povo, «apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaTrancoso continua ser um dos meus roteiros preferidos. Ainda há muito pouco, voltei a passar nesta terra linda e foi bom rever as suas imponentes torres que tornam a vila, de longos séculos de história, um centro obrigatório de passagem para o norte, nas saídas ou entradas de Espanha. Muitos Espanhóis, ali abeiram na visita às suas majestosas muralhas e na compra de produtos regionais no Centro histórico, onde não faltam os bons queijos da Serra, os licores e o mel da região. Os Portugueses, que ali passam, não ficam sem repetir que Portugal tem muitos lugares encantados e belos, merecedores das nossas visitas. E eu, mais uma vez me sinto feliz por ser portuguesa e poder apreciar, a cada passo, a magnificência de cada palácio, a beleza de cada verde e o azul do Céu português que me encanta.

Trancoso

TRANCOSO

Trancoso é bela terra
No quente coração das beiras
E tu, castelo imponente
De Penedono, Parente
És assim, na verdade
Um ex-libris da cidade.

Erguido sobre um planalto
Guardador do rio Douro
Na raia foste importante
Tal te mantiveste doravante
Como nos reza a história
E nos deixa em memória.

Ao olhar teu brasão
Fácil é reconhecer-te
Bem rodeado ficas
Por freguesias bem ricas
De riquezas e de nomes
Que da história não escondes.

Castelo de fortes muralhas
Pequena me faz sentir
De origem medieval
O que se torna bem normal
Épocas de fortes significados
De nomes bem registados.

Terras de granito e xisto
Justiçam produção
Do teu vinho bem famoso
Que Urraca quer lembrar
De bons terrenos que recebeu
Quando o marido morreu.

Trancoso pequena foste
Muitas batalhas, suportaste
Mas a regra nos faz saber
Que o difícil faz crescer
Com Afonsos floresceste
E d’eles, Foral recebeste.

Feira Franca tu criaste
Com reunião de feirantes
Decerto não esqueceste
Que a Afonso III o deveste
Época áurea em que floriste
Teus bons dotes (de mercador), cumpriste.

Em três dias de folia
De constante compra ou venda
Eis que a Feira Franca anual
Faz criar outra mensal
Outras vendas e trocados
Que nesse tempo eram regrados.

E uma festa majestosa
Nos vem lembrar Isabel
Do grande milagre Senhora
Em que Dinis seu Senhor
Com ela se quis casar
Em Trancoso, e te honrar.

Tal era tua importância
De que destacamos a rigor
Pois nos impõe a verdade
A nova cerca foi realidade
Com este Senhor de vistas largas
Que ampliou tuas muralhas.

E vemos o bairro judaico
Que marcou vida económica
E também a Rua Direita
Que assim ficou dessa feita
E distinguiu seu traçado
Do Medieval assinalado.

Seus muros reedificados
Por D. João, acarinhados
Nas lutas heroicas sofridas
De Castela recebidas
Por defender Mestre de Avis
Assim parece que se diz.

Mostraram sua valentia
As tuas gentes, Trancoso
Nas várias guerras sofridas
Pelos séculos fora, vividas
E D. Manuel, o Venturoso
Com Foral, te fez poderoso.

Mas a vila viveu sempre
Alvores e resistências
Que outras guerras se seguiram
Trancosenses resistiram
E te tornaram sublime
Pois quem te ame, se anime!

No teu majestoso esplendor
Prolongadas tuas muralhas
Cidade digna e lutadora
Altiva e feliz Senhora
Honraste teus habitantes
E continuas a honrar, como dantes.

Assim continuas eufórica
Como n’outros tempos de então
Altiva, livre e cimeira
Cidade de muitas, primeira
Viva laboriosa e feliz
Como qualquer habitante diz.

E da minha admiração
Por isso merecedora
Feliz e Real Senhora

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Aproveitando para retemperar forças e ânimo, mais uns dias na minha terra, e por isso uma crónica dispersa.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Reencontrar amigos que já não via há anos, eis uma das surpresas agradáveis de quem volta à sua terra.
Infelizmente, são cada vez menos, pois a idade, a existência de filhos e netos, o falecimento dos familiares, o custo das viagens, tudo contribui para que cada vez menos sabugalenses da minha idade se desloquem à sua terra.
Mas é uma alegria imensa quando nos revemos, como se os anos não tivessem contado para nós…
Porque de encontros se trata, regalei-me de novo com uma morcela excelente e um cabrito assado na brasa como só o João e a Ofélia sabem fazer. E muito me agradou verificar que o Restaurante «Robalo» continua firme, mantendo, quando não aumentando, a sua clientela.
E falar deste casal sabugalense é também falar da sua hospedaria e da «Tasca do Mono», lugar de convívio quase obrigatório.
Falar do Sabugal é também falar dos nossos enchidos e da qualidade permanente como o meu amigo Toninho (não leves a mal António Alves, mas a amizade que nos liga desde a infância, permite-me tratar-te assim…) do Talho «Alves» as prepara. As suas morcelas, chouriças e mioleiras, para não falar dos buchos, fazem a delícia de qualquer um, e bem sei, por experiência própria, como as pessoas que almoçam em minha casa nunca dispensam estas iguarias.
Infelizmente os responsáveis pela igreja católica no Sabugal parece não entenderem o significado da palavra tradição. Não sendo católico, nem crente, não posso deixar de lamentar que se tenha perdido todo o significado popular e católico das chamadas «endoenças».
Quem não se lembra da procissão dos Paços, que percorria uma parte significativa do Sabugal, parando nos pequenos altares preparados pelos vizinhos onde estavam os estandartes da Via Sacra, e o seu momento alto no sermão do encontro na esquina do café do Sr. Abílio?
Quem não se lembra do «enterro do senhor»?
Quem não se lembra das «matracas» que na missa da meia-noite de sábado ecoavam numa igreja em silêncio e em total escuridão, anunciando a «ressurreição»?
Pois tudo isto se perdeu, como se, para além do culto religiosos, estas não fossem manifestações de cultura popular.

PS: Primeiro o Tribunal, agora a ameaça das Finanças fecharem. A seguir lá irão ao Registo Civil, ao Notário, ao Centro de Saúde e a tudo o mais que esta gente que mais de metade dos eleitores colocou no poder considerar que não «lhes faz falta em Lisboa»!…
Será que quem votou nestes partidos está de acordo?

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A Agência da Guarda da Fundação INATEL organiza a 22 de Abril o Concerto da Primavera, em colaboração com a Sociedade Musical Gouveense, banda que acaba de comemorar o seu Centenário.

O Concerto terá lugar no Teatro Municipal da Guarda (TMG), no Grande Auditório, pelas 16 horas.
A Sociedade Musical Gouveense é considerada a melhor banda filarmónica do distrito da Guarda e tem em múltiplas ocasiões ganhado reconhecimento a nível nacional e internacional. No Concerto da Primavera do dia 22 de Abril, serão interpretadas obras de Toshiaki Minami, David Maslanka, Bert Appermont, Robert Bennet e Jorge Salgueiro, entre outros. A Banda, que integra cerca de 60 elementos, tem como director artístico o maestro Hélder Abreu.
A entrada é gratuita, mediante bilhete a levantar na bilheteira do TMG ou na Agência da Guarda da Fundação INATEL até ao dia do espectáculo.
plb (com INATEL – Delegação da Guarda)

Os habitantes de Ruivós recriaram a Paixão e Morte de Jesus, na Sexta-feira Santa, pelas ruas da paróquia. Às nove e meia da noite reuniram-se, junto ao Cemitério de Ruivós, largas dezenas de pessoas para assistir à recriação do momento mais significativo da fé dos cristãos.

(Clique nas imagens para ampliar.)

O cenário era verdadeiramente bucólico. A noite tornou-se amena, deixando brilhar a lua cheia. Nas ruas havia apenas luz de candeias, tochas e fogueiras. Os personagens estavam vestidos a rigor, com roupas da época. Dos 5 aos 80 anos, todos os actores deram um fulgor especial à vivência das últimas horas da vida terrena de Jesus.
No papel de Jesus Cristo esteve João Reis, do Grupo de Teatro «Guardiões da Lua», que arrancou os mais sinceros elogios por parte dos espectadores. Os restantes 81 personagens eram maioritariamente habitantes de Ruivós, contando-se também alguns paroquianos de Ruvina, Vale das Éguas e Badamalos.
O texto da peça de teatro, com 5 actos e 10 cenas, foi uma adaptação da paixão de São João, com algumas aportações de outros evangelistas.
O primeiro acto começou no Largo do Cemitério, com Jesus a enviar dois dos seus discípulos a preparar a Ceia Pascal. Já dentro da Capela de São Paulo, os presentes assistiram a duas ceias pascais: a primeira de uma família moderna, a segunda a evocar a última Ceia de Jesus.
No segundo acto, no Horto das Oliveiras, assistiu-se à oração de Jesus e à sua prisão, levada a cabo pelos príncipes dos Sacerdotes, pelos anciãos do Templo e pelos soldados judaicos e romanos.
O terceiro acto teve lugar no Largo da Fonte, junto das casas de Anás e Caifás, onde Pedro negou conhecer o seu mestre.
Já no Largo da Igreja estava instalado o Sinédrio e a Casa de Pilatos. O quarto acto foi muito participativo, tendo a multidão acusado veementemente Jesus e pedido a Pilatos a sua morte.
A caminho do Calvário, apareceu Verónica, Simão de Cirene, Maria de Nazaré e as mulheres de Jerusalém.
No quinto acto atingiu-se o clímax da peça. Jesus foi despido das suas vestes e cruxificado. Já na cruz, ouviram-se as célebres últimas “sete palavras” de Jesus antes de morrer. No momento em que Jesus morreu brilhou no céu um relâmpago e ouviu-se um forte trovão.
Todo o percurso foi feito em silêncio religioso. No final o sentimento comum era de emoção e preenchimento espiritual.
O pároco, responsável pela encenação, fez um agradecimento a todos os que colaboraram e contribuíram para que esta actividade fosse possível, agradeceu a presença de tão numerosa assembleia e desejou a todos uma boa Páscoa.
Organizaram esta peça de teatro a paróquia e a junta de freguesia de Ruivós. Apoiaram esta actividade as «Confecções Torre», a Câmara Municipal do Sabugal, a Sabugal+ E.M. e a paróquia de Aldeia da Ponte. Colaboraram na organização uma dezena de costureiras e mais de uma dezena de pessoas na montagem e apoio técnico.
Padre Hélder Lopes

Excelente iniciativa e excelente direcção de «actores». Os nossos parabéns ao Padre Hélder pelo dinamismo que tem colocado na sua pastoral.
jcl

O Centro Cívico Nascente do Côa, nos Fóios, concelho do Sabugal, vai ter patente ao público a exposição «Côa: Reinventar a Arte da Nascente à Foz», que espelha as formas do rio e da arte primitiva que existe ao longo do seu curso.

A mostra vai ser inaugurada a 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos, pelas 15 horas, no espaço «Portas do Côa», do Centro Cívico.
A iniciativa surgiu da junção de vontades entre a Câmara Municipal do Sabugal e a Fundação Côa Parque (Parque Arqueológico / Museu do Côa), e deveu-se ao papel catalisador da Junta de Freguesia dos Fóios, a terra onde o Côa nasce.
Para e realização da exposição adaptou-se uma sala, no Centro Cívico Nascente do Côa, que passou a designar-se sala «Portas do Côa». Serão ali apresentadas ao visitante, através de um percurso, as várias formas de arte que proliferam nas margens do Rio Côa – da arte património mundial da foz à arte local do Alto Côa – onde se destaca a Estela da Idade do Bronze dos Fóios.
Os conteúdos da exposição serão iminentemente gráficos, aplicados sobre o invólucro do espaço expositivo, com o complemento audiovisual de uma zona de projecção.
A Exposição «Côa: Reinventar a Arte da Nascente à Foz» resulta da estratégia da Câmara Municipal do Sabugal na promoção dos territórios e do desenvolvimento do turismo, numa perspectiva sustentável. O projecto integra a Estratégia de Eficiência Colectiva PROVERE «Turismo e Património do Vale do Côa», tendo sido candidatado ao Programa Operacional Regional do Centro.
plb (com CM Sabugal)

O governo está a estudar o encerramento de boa parte das Repartições da Autoridade Tributária e Aduaneira, nomeadamente em zonas do Interior, onde a dimensão dos serviços não justifica a sua existência. No Distrito da Guarda teme-se o encerramento de diversas repartições, podendo uma delas ser a do Sabugal.

O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) tem manifestado preocupação com os termos de um eventual projecto de encerramento de algumas repartições de Finanças, agora rebaptizadas de Repartições da Autoridade Tributária e Aduaneira, face à possibilidade da passagem de alguns trabalhadores para o quadro da mobilidade especial.
No Ministério das Finanças o assunto está a ser analisado com toda a reserva, mas fala-se estar em cima da mesa a possibilidade de fechar um terço das Repartições de Finanças que estão espalhadas pelo país, sendo que no distrito da Guarda apenas terão por certo escapar à extinção as repartições de maiores dimensões, que serão as da Guarda, Seia e Gouveia. Fala-se que outros cenários apontam para que a repartição do Sabugal se mantenha, mas isso é por ora uma incógnita, na medida em que nada de concreto se sabe acerca dos termos da reforma da máquina fiscal.
Entretanto o grupo Parlamentas do Partido «Os Verdes», que recebeu em audiência uma delegação do STI, anunciou que questionou formalmente o Governo acerca da real intenção de encerrar repartições da Autoridade Tributária e Aduaneira e, em caso afirmativo, quais as que tenciona encerrar. Perguntam ainda «Os Verdes» quantos trabalhadores irão ser afectados na sequência desses encerramentos e que estudos foram feitos sobre os impactos desta medida nas populações.
O projecto que estará ser preparado no Ministério das Finanças, baseia-se nas directrizes do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central) e prevê medidas de concentrações de serviços, fusões das tesourarias com os serviços de cobrança das autarquias e da Segurança Social.
Porém o «encolher» do Fisco poderá começar nas estruturas de topo, reduzindo-se o número de direcções distritais, que se passarão a chamar-se direcções regionais, o que permitirá diminuir também o número de dirigentes.
plb

Falar de mafiosos e criminosos nos tempos que correm é uma banalidade, todos nós sabemos que esse tipo de gente existe e cada vez está mais espalhada pelo Mundo. É gente sem valor ético, moral e cívico nenhum, mas enchem páginas de jornais, alimentam telejornais e alguns são bem queridos nas nossas sociedades.

António EmidioSe eu chegar ao banco e depositar mil euros «sujos», venda de droga, por exemplo, o funcionário bancário aceita-os com um sorriso, e eu fico cliente do banco. Mas se por acaso lá chegar com mil milhões de euros para depositar, mais tarde ou mais cedo serei dono do banco, já não um simples cliente. Por isso, os banqueiros estão a ficar amedrontados, sabem que muitos grupos criminosos estão a infiltrar-se na actividade bancária e financeira, lavando dinheiro da droga, das armas e da prostituição.
O euro é uma coisa positiva, mas tem dentro dele grandes riscos, riscos a nível de crime económico, não há regras nesta Europa para a circulação do dinheiro, está a tornar-se por isso numa gigantesca máquina de lavagem de dinheiro «sujo». Qualquer um pode ter milhões de euros «sujos» em Lisboa e ir depositá-los a Berlim, não há controlo, ninguém lhe pergunta nada, isto acontece muito e cada vez mais. Não há regras, as finanças estão «sujas» em qualquer parte da Europa. Sabe agora querido leitor(a) porque o Neoliberalismo, a ideologia da União Europeia, não quer regulamentar nem intervir nas questões financeiras?
Há países que começam agora a reagir, o caso da Suíça, há uns anos atrás, quando alguém abria uma conta num banco suíço, ninguém lhe perguntava nada, ficava com um número, e tudo corria bem, hoje já pedem uma série de dados.
Esta Mundialização tudo liberalizou, facilitou o contacto entre criminosos e mercados (grandes empresas multinacionais). A abertura das fronteiras aumentou os movimentos migratórios, os criminosos servem-se destas comunidades de emigrantes para traficarem, principalmente com droga e mulheres, de uns países para outros. Este crime mundializado está a desestabilizar os sistemas políticos e até a alterar o funcionamento das economias locais, das economias dos países. O que fazem os sacrossantos doutores da lei? Nada! O que faz a classe política corrompida? Nada! E o que acontece a uma classe política de homens e mulheres honrados que tentam acabar com este tipo de crime? É humilhada, vilipendiada, desacreditada e até ameaçada nos órgãos de comunicação social, porque estes vivem à custa da publicidade de muito criminoso.
Porquê tudo isto? A crise de 2008, cuja responsabilidade foi atribuída a fluxos financeiros que circulavam pelo Mundo sem controlo, continuam na mesma sem controlo e ainda nada se fez para pôr cobro a isto. Pessoalmente creio que esta situação irá ter um fim, porque o que está a acontecer é um fenómeno moderno, não eterno, ou seja, a economia domina neste momento a política. Aliás, isto é uma ideologia, a ideologia do crime económico que em nada difere da ideologia do crime político, as ditaduras.

E agora uma pequena anedota: numa operação STOP foi interceptado um camião com 2000 quilos de cocaína. O comandante da força militar diz a um subordinado: sargento, aplicamos um bom golpe a estes tipos, apanhamos 2000 quilos de cocaína de boa qualidade, informe a base que recuperamos 1.500 quilos. O sargento chama o cabo e diz-lhe: informa a base que recuperámos 1.000 quilos da cocaína. O cabo transmite para a base: informamos que a operação foi um êxito, recuperamos 500 quilos de cocaína.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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