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Segunda-feira é dia de publicar a «Imagem da Semana». Ficamos à espera que nos envie a sua escolha para a caixa de correio electrónico:
capeiaarraiana@gmail.com

Data:
Outubro de 2008.

Local:
Quadrazais.

Legenda:
Lixeira a céu aberto
em terrenos da Rede Natura
e no início de uma linha de água
próxima do rio Côa.

Autoria:
Capeia Arraiana.

Clique nas imagens para ampliar

 

O Capeia Arraiana visitou algumas freguesias do concelho do Sabugal na companhia de Manuel Rito Alves, presidente do Município. Iniciamos hoje a publicação dessa caminhada que incidiu sobre projectos e melhoramentos nos equipamentos públicos nas freguesias efectuados pelas Juntas por delegação de competências, transferência de verbas e apoios do executivo camarário.

Manuel Rito AlvesPraticamente no início do Capeia Arraiana (recordamos que existimos desde 6 de Dezembro de 2006) estivemos presentes na reunião da Mesa das Juntas de Freguesia do concelho do Sabugal que se realizou em Sortelha a 31 de Março de 2007. Apresentámos as nossas ideias e tentámos sensibilizar os autarcas presentes para o interesse colectivo em promover e divulgar o concelho do Sabugal através da Internet um suporte comunicacional pouco utilizado nesse tempo.
Agora é tempo de conhecer alguns dos projectos e dos melhoramentos efectuados nas freguesias sabugalenses durante o presente mandato legitimado pelas eleições autárquicas de 9 de Outubro de 2005. Recorde-se que estão cumpridos cerca de dois terços do actual mandato que termina em finais de 2009. Alguns dos equipamentos sociais que visitámos na companhia do presidente Manuel Rito Alves estendem-se no tempo e tiveram início em 2000/2001.
Este périplo (onde se incluem as várias reportagens já publicadas sobre a Cerdeira) vai ser publicado diariamente durante as próximas duas semanas e será retomado em breve quando for possível completar a visita às restantes freguesias do concelho do Sabugal.

Quadrazais

«Vunhir»* a Quadrazais
Partindo da sede do concelho e percorrendo a estrada municipal em bom estado de conservação que passa pela Colónia Agrícola de Martim-Rei chegamos, cerca de 10 quilómetros depois, a Quadrazais, situada a 811 metros acima do nível do mar. Raul Fernandes Bicho, eleito na lista do Partido Socialista, é o actual Presidente da Junta de Freguesia que inclui ainda a anexa Ozendo.
Obras iniciadas em 2000 – Espaço polivalente (nas imagens) que inclui a sede da Junta de Freguesia, o Centro Cívico, o posto médico, a Associação Cultural e Recreativa dos Amigos de Quadrazais e salas para formação.
* Vunhir = Vir em dialecto quadrazenho.
(continua)
jcl

A linha aérea de 60 Kv de ligação ao parque eólico do Sabugal da responsabilidade da empresa Tecneira está a provocar «alta tensão» em alguns proprietários de terrenos na Serra da Malcata. Em causa estão eventuais ilegalidades no contrato de implantação da torre n.º 28.

Torre N.º 28Junto a Quadrazais, na zona da Machoca, destacam-se na paisagem algumas das sapatas que irão suportar as torres da linha de média (alta!?) tensão de transporte da energia eléctrica produzida pelas torres eólicas em construção nos limites do Soito e dos Fóios.
Este tipo de linhas necessita de uma marcação praticamente em linha recta o que provoca e obriga a cuidados redobrados na sua execução.
O empresário apícola António Moura, gestor da TerraMel com colheitas de mel e pólen em 500 colmeias em regime de transumância, acompanhou-nos na visita que fizemos à zona onde está prevista a passagem da linha da Tecneira. Num alinhamento rectilíneo a olho nu na estrada de Quadrazais salta à vista a proximidade ao perímetro urbano da aldeia.
«Estamos em terrenos da Rede Natura 2000 e da Reserva Natural da Serra da Malcata mas esta linha tem um parecer positivo de impacto ambiental do ICN. A Câmara Municipal do Sabugal tem repetidamente publicado em pareceres que as linhas aéreas de energia eléctrica devem ser afastadas o mais possível dos perímetros urbanos. O presidente da Junta de Freguesia de Quadrazais pretende igualmente que seja evitado o perímetro urbano mas a tentativa de construção da linha continua», vai esclarecendo António Moura enquanto avançamos no todo-o-terreno pelo caminho rural que leva à propriedade da sua mãe.
A herança do avô materno foi partilhada por três irmãos. A sua mãe e dois tios passaram a ser proprietários de uma razoável área de carvalhos negrais e um imenso lameiro pintado de verde e regado por cristalina água corrente. À beleza da paisagem alia-se um calmo silêncio decorado com os sons das aves e do vento que passa.
Mas a passagem da linha de transporte de energia da Tecneira está a provocar «alta tensão» na família de António Moura…
«O terreno está registado nas Finanças, indivisível e em nome de duas pessoas mas o meu tio sem conhecimento da minha mãe fez um contrato com a Tecneira, recebeu uma verba e ausentou-se do País, possivelmente para França. O problema é que a minha mãe não assinou nada e agora anda por aqui o senhor Paulo a fazer marcações no nosso terreno para implantação da torre n.º 28. Contactei a Tecneira e garantiram-me que têm um contrato assinado para utilização do terreno. Agora quero que me mostrem onde está a assinatura da minha mãe», concluiu António Moura garantindo que não vai desistir facilmente.
A linha de transporte de energia eléctrica segue dentro de momentos…
jcl

Há duas traduções para português recomendadas da obra de Platão «Apologia de Sócrates». Uma é de Manuel Oliveira Pulquério e outra é da autoria do filósofo Pinharanda Gomes.

«Apologia de Sócrates» por Pinharanda GomesA obra «Apologia de Sócrates» de Platão tem duas traduções de grego para português reconhecidas nos meios literários e intelectuais. Uma pertence a Manuel Oliveira Pulquério e a outra ao filósofo e pensador quadrazenho Jesué Pinharanda Gomes.
O Capeia Arraiana teve acesso a uma análise especializada à tradução da obra assinada por Hugo Santos. Aqui deixamos alguns tópicos:
«Desde o prefácio que se evidencia o poderio do prefaciador e tradutor. A figura do filósofo, na sua defesa solitária, o seu magistério, a época ressaltam, com brilhantismo, das palavras iniciais de Pinharanda. O seu trabalho afigura-se-nos notável e o original surge-nos vertido num puríssimo português, rigorosamente exposto, com a força do que é claro e sólido» escreve o analista literário Hugo Santos.
A força da tradução de Pinharanda Gomes dos textos gregos do filósofo Platão tem passagens com pensamentos dialécticos intemporais. «Ora bem, Atenienses, não faço a minha apologia a favor de mim próprio, como alguém pode julgar, mas principalmente por mor de vós, que, ao condenar-me, erraríeis contra a graça que de mim vos fez o deus (…) Nunca fui mestre de ninguém, e se alguém, jovem ou velho, pretende ouvir-me falar e observar o que faço, nunca a tal me opus, nem nunca dialoguei a soldo, nem deixei de dialogar por não me pagarem (…) Escreveu com brilhantismo de forma e com analítica inteligência o teor da oração socrática (…) A Platão terá interessado mais o teor dialéctico do que o registo novelístico do processo».
E como diz o filósofo: «É possível que nenhum de nós saiba algo de belo e de bom, mas ele julga que sabe quando nada sabe, enquanto eu, que nada sei, não julgo que sei.»
Nunca é demais falar de Pinharanda Gomes. O grande pensador merece todo o nosso respeito e reconhecimento.
jcl

Por volta das 15 horas de terça-feira, 26 de Junho, um gravíssimo acidente de viação junto à Colónia Agrícola de Martim-Rei vitimou José Manuel Moreira, natural de Quadrazais e causou ainda dois feridos graves.

Igreja Matriz de QuadrazaisO trágico acidente de viação deu-se por volta das 15 horas na estrada nacional 233.3 (Sabugal-Quadrazais), junto à Colónia Agrícola de Martim-Rei.
O choque frontal envolveu um ligeiro de passageiros onde seguia um casal de Quadrazais, ambos com 70 anos, e um veículo comercial de mercadorias pertencente à empresa Torrestir da Covilhã conduzido por um jovem de 25 anos. Há, infelizmente, a lamentar a morte do condutor do ligeiro, José Manuel Moreira, ferimentos graves na esposa e no ocupante do outro veículo.
Em declarações à agência Lusa, Nuno Mendonça, adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários do Soito «não encontra explicação para o acidente pois este deu-se num local com uma ligeira curva e boa visibilidade».
Quando os bombeiros chegaram ao local «os dois feridos estavam fora das viaturas e eram assistidos por um médico, que passava na altura, e o morto estava encarcerado no interior do veículo» esclareceu o adjunto acrescentando que «estiveram no local do acidente as corporações de bombeiros de Soito e Sabugal, com 19 homens e seis viaturas».
À família enlutada o Capeia Arraiana endereça sentidos pêsames.
As más notícias e que nunca gostaríamos de dar sucedem-se no nosso concelho.
jcl

Retomando o tema da vida e da morte, ocorre-nos o facto de, nos últimos tempos, cada um de nós já ter lido, nos media, uma palavra aparentemente nova: tanatologia.

Jesué Pinharanda - Carta DominicalMorte (tanatos) + ciência (logia) vem a ser, em rude definição, a ciência da morte, que se destina a averiguar sobretudo as causas da morte de pessoas, causas essas objecto da antiquíssima prática da autópsia, considerado no âmbito da Medicina Legal.
Confesso que é tema bem obscuro para o subscritor desta carta, que em toda a sua vida só vislumbrou, ainda criança, com outras encarrapitadas num castanheiro, o desmancho total de um homem, cadáver, efectuado no próprio cemitério, à beira da sepultura, na presença da Guarda e os portões do cemitério fechados. Pequeno, pouco vi, mas deu para entender.
Cristina MendonçaAgora, quem sabe de tanatologia tem costela quadrazenha e soitenha. É a doutora Cristina Mendonça, neta do senhor Nunes (do Soito) e da Senhora Dona Ritinha (de Quadrazais). Deste casal nasceram filhos, sendo uma filha, Branca, nascida em Quadrazais e casada em Moçambique, que vem a ser mãe de Cristina de Mendonça (Mendonça por parte do pai, Alcino) que em princípio já não usará o sobrenome dos Pinharandas, mas que tem deles o sangue.
Em diversos jornais têm aparecido artigos e entrevistas com a doutora Cristina, segundo se conclui a nossa mais reputada médica legista, facto atestado pelas missões que, no âmbito da União Europeia e da ONU lhe têm sido cometidas: enviada à Tailândia para identificação das vítimas do tsunami, projecto de exumações no Kosovo e Bósnia, para identificar as mortes eventualmente acontecidas como crimes de guerra, a preparação de especialistas no Kosovo, e idêntica missão no Chile.
Segundo entrevista concedida a um jornal do Porto, a sua vida é um convívio diário com a morte. Em razão do direito à vida, uma vez que as mortes provadamente derivadas de crime serão objecto de julgamento em tribunais internacionais. E eleva a nossa terra.
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

Consultámos há tempos, os volumes do «Dicionário das Freguesias», editado pela ANAFRE. Eis um choque frontal: o Dicionário informa que o orago de Quadrazais é Santa Eufêmia! Quem, e quando, nomeou a Santa Eufémia orago de Quadrazais? A paróquia existe desde antes do século XIV, sendo uma das poucas da Raia com dignidade de Abadia, de onde o pároco tem direito ao tratamento de Abade, no mesmo plano do pároco do Sabugal.

Jesué Pinharanda Gomes - Carta DominicalA imagem de Quadrazais foi (talvez hoje não seja) controversa. Polémica. Quem leu o «Maria Mim» de Nuno de Montemor não deixa de sentir algum tremor face aos testemunhos que ele registou, depreciativos para a freguesia. Sentimos a depreciação em carne viva, quando, identificando a nossa naturalidade, com frequência vinha à baila o ápodo de contrabandistas. Tomavam, os estranhos a parte pelo todo, e faziam gala de acusar os quadrazenhos por uma actividade que só no Liberalismo deveio efectivo crime. A Raia do Côa foi secularmente aberta, e talvez voltemos a este assunto.
O tema de hoje é, porém, a negligência de Quadrazais na apresentação da sua imagem. Consultámos há tempos, os volumes do «Dicionário das Freguesias», editado pela ANAFRE. Eis um choque frontal: o Dicionário informa que o orago de Quadrazais é Santa Eufêmia! Quem, e quando, nomeou a Santa Eufémia orago de Quadrazais? A paróquia existe desde antes do século XIV, sendo uma das poucas da Raia com dignidade de Abadia, de onde o pároco tem direito ao tratamento de Abade, no mesmo plano do pároco do Sabugal.
Em antiquíssimo documento régio, de 1320/1321, lá aparece a paróquia de «Santa Maria de Quadrazais». De facto e de direito o orago quadrazenho é Santa Maria, do título de Santa Maria Maior, ou seja, Nossa Senhora da Assunção, que se venerava no trono principal da igreja matriz. Santa Eufêmia tem jus à fama de imagem das mais populares da Raia, mas não é orago. Aliás, quem redigiu o artigo sobre Quadrazais devia ter conferido as informações em qualquer enciclopédia (que habitualmente dedicam várias linhas à freguesia, com grande rigor) ou perguntar ao pároco qual o nome do orago.
Motivo de perplexidade é também a pequenez da notícia do dicionário da ANAFRE. Quadrazais mais parece ali uma quinta, quando a sua notícia se compara com a de freguesias em volta, como Malcata, que ocupa uma boa página, contra Quadrazais, ocupando talvez 1/8. E, no entanto, acerca de Quadrazais há inúmeros estudos publicados, uns generalistas, outros especialistas.
Há atenuante para tão magro e errado tratamento da nossa imagem?
«Carta Dominical» de Pinharanda Gomes

Estivemos à fala com… Jesué Pinharanda Gomes. Natural de Quadrazais, onde nasceu em 1939, é um reconhecido pensador português, autor de vasta obra, com mais de duas centenas de títulos publicados. Faz da vida um exercício de preparação para a morte na sua peregrinação pelo absoluto.

À fala com… Pinharanda GomesFalar de alguém que numa pesquisa no motor de busca Google para as palavras «Pinharanda Gomes» regista mais de 19 mil páginas e que diz com toda a humildade «continuo a escrever na minha Olympia Monica 1964 que comprei por quatro contos, não tenho Internet em casa mas reconheço que me faz falta» é um exercício cuidadoso e respeitoso.
O encontro decorreu em Loures, nos arredores de Lisboa, e a agricultura foi o tema de partida. «A batata teve um primeiro ensaio de cultivo com o Marquês de Pombal em 1758 mas só começou a ser produzida regularmente em Portugal a partir de 1850. As culturas da zona saloia de Loures e Malveira são idênticas às nossas. Estas terras foram povoadas por agricultores da raia sabugalense. Vinham das terras frias e da Beira Baixa. A vantagem é que aqui o clima é mais ameno e favorável», esclareceu com sapiência.
Ofereceu o espólio de sua mãe, Luísa Rodrigues Bicheira, uma das melhores colecções de autores do distrito da Guarda para criar a primeira biblioteca do Sabugal. «São cerca de quatro mil livros que andaram aos trambolhões pela Câmara, pelos bombeiros até ficarem em definitivo na Biblioteca Municipal» recorda com alguma tristeza na fala.
Sentiu a vocação de escritor por volta dos 11 anos. Abdicou do destino rural proposto pelo pai e muda-se para Lisboa para se dedicar às Letras. Antes um primeiro trabalho em 1956 no «Correio da Beira», na Guarda. Colabora no «Diário de Notícias» e em «O Debate». Estuda as grandes correntes do pensamento filosófico grego e europeu, as teses teológicas católicas, frequenta cursos de latim e de grego, organiza edições, colabora em obras colectivas e participou em centenas de congressos e colóquios. É membro da Sociedade de Língua Portuguesa, da Academia Luso-Brasileira de Filosofia e sócio-fundador do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira.
Faz parte da Comissão de História da Causa da Canonização do Beato Nuno de Santa Maria mais conhecido por Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável. Passa, agora, muito do seu tempo na Biblioteca Nacional, numa incansável leitura de pesquisa de documentos canónicos desde o tempo de D. Duarte. O objectivo é pedir a canonização do Beato através dos documentos por si compilados no livro «A espiritualidade de Nuno de Santa Maria».
Publicou o primeiro livro, «Exercício da Morte», em 1964, porque como ainda hoje diz «A morte? O que é isso? Viver é preparar e esperar a morte!»
Em Abril estará em Sesimbra como orador convidado para a «Conferência sobre o Jornal 57» que marcou uma época e que comemora 50 anos.
jcl

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