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A colecção arqueológica do Museu Municipal do Sabugal está agora referenciada num excelente catálogo, de manifesta qualidade gráfica e de rigorosa informação escrita, editado pela Câmara Municipal do sabugal e pela Pró-Raia (Associação de Desenvolvimento da Raia Centro-Norte).
O admirável catálogo abre com uma breve apresentação, assinada pelo presidente do Município, Manuel Rito Alves, e do presidente da empresa Sabugal+, Norberto Manso, que justificam a publicação e realçam a importância dos que contribuíram para que a exposição tenha o elevado nível que de facto possui.
De primorosa apresentação e notável organização, o Catálogo apresenta o inventário fundamental do museu, dividindo-se por épocas históricas. Para cada uma delas apresenta o acervo da exposição, antecedido de uma breve descrição acerca do respectivo enquadramento histórico.
As fotografias das diferentes peças surgem sobre fundo negro, tratadas com a devida luminosidade, mostrando ao pormenor a sua composição e configuração. Ao lado das peças a respectiva legenda, indicando o tipo de objecto, a sua origem temporal e espacial, as suas medidas e uma breve descrição.
Sobre a Pré-história revela-se a importância dos achados que confirmam uma posição importante do concelho no contexto regional, pois os povos dessa época fixaram-se muito no vale do Côa. Do acervo destacam-se pontas de setas, fragmentos de lâminas e de cerâmicas, machados, escopros e enxós dos períodos calcolítico e da idade do bronze.
Quanto à Proto-história, revelam-se achados da idade do bronze final e da idade do ferro, oriundos de todo o concelho, especialmente dos antigos povoados do Castelejo (Sortelha), Serra Gorda (Águas Belas), Sabugal Velho (Aldeia Velha) e Cabeço das Fráguas (Pousafoles). Destacam-se fragmentos de cerâmicas, moldes em pedra, machados de bronze, moinhos manuais e estelas de granito.
Já quanto à Época Romana, expõem-se os vestígios do período em que a Península Ibérica esteve integrada no Império Romano, época de grandes evoluções, o que é bem visível na qualidade das diferentes peças, sobretudo oriundas de antigos povoados e locais de preces e libações. O acervo tem em destaque artefactos de decoração, colunas e capitéis em pedra trabalhada, fragmentos de cerâmica, pesos de tear, mós de moinhos, moedas de bronze com a esfinge de imperadores romanos, aras votativas de granito.
Quanto à Época Medieval, a mesma aparece dividida em dois períodos: o de sujeição a Leão e o da integração na coroa portuguesa. Curioso é o texto de enquadramento do período do reino de Leão, que surge em língua castelhana, certamente que melhor assinalar que se fala da época imediatamente anterior a Alcanizes e á inclusão da margem direita do Côa no território português. No acervo do período medieval pontuam fragmentos de cerâmica, ferraduras, moedas de cobre e de bolhão, pedras de armas, pontas de lanças e de virotes, estelas, pedras tumulares.
O catálogo termina com a referência à Época Moderna, apresentando-se peças arqueológicas de variadas origens. Destacam-se aqui os forais das antigas vilas acasteladas, moedas de diferentes reinados, brasões, esculturas, medalhas, anéis, fragmentos de faiança e de cerâmica, sabres, pedaços de pelourinho, e até uma garrafa de água mineral captada nas antigas Aguas Rádium do Casteleiro.
Os textos de enquadramento foram primorosamente escritos por André Tomás Santos, Raquel Vilaça, Pedro C. Carvalho, Iñaki Martín, Luís Repas e Miguel Soromenho. Os textos do catálogo (legendas das peças) são de Marcos Osório. O excelente design gráfico é de Horácio Tomé Marques.
Um catálogo que em boa hora foi elaborado e editado, porque por si só prestigia a colecção do museu, evidenciando o seu valor fundamental.
Um trabalho destes, em termos de qualidade gráfica e de rigor informativo, foi certamente resultado de muitos empenhos, especialmente dos funcionários afectos ao Museu, pelo que para esses vai também o nosso reconhecimento.
plb
A Bertrand prevê abrir em meados de Novembro na cidade da Guarda no novo centro comercial Vivaci uma grande livraria que disponibilizará cerca de 25 mil títulos.
«Vamos abrir em meados de Novembro no novo centro comercial Vivaci na cidade da Guarda uma livraria com 160 m2 e que irá disponibilizar cerca de 25 mil títulos», declarou à agência Lusa, Ernesto Damião, director comercial e de expansão da Bertrand.
«O investimento compreende alguns riscos mas apostámos numa cidade do Interior como a Guarda porque acreditamos nas potencialidades da região e porque temos como missão divulgar o gosto e o consumo pela leitura», acrescentou ainda o responsável da empresa livreira.
A nova livraria irá criar seis postos de trabalho directos e a empresa prevê vender mais de 50 mil livros no primeiro ano e aumentar esse valor nos anos seguintes.
Ainda segundo a agência Lusa o vereador da Cultura e da Educação da Câmara Municipal da Guarda, Virgílio Bento, considerou que «é importante passarmos a ter, finalmente, uma livraria como a qualidade da Bertrand porque o espaço vem colmatar uma falha que havia em termos culturais porque a Livraria Municipal está vocacionada para editar livros da autarquia e para promover os autores da Guarda ou ligados à Guarda ou relacionados com a história da região».
«As pequenas livrarias existentes na cidade da Guarda foram ao longo dos tempos desempenhando o seu importante papel na promoção dos livros mas agora, finalmente, a cidade vai poder ter uma livraria com a qualidade que tem a Bertrand», disse a concluir Virgílio Bento.
jcl
Dois amigos, António Pissara e Angel Hernández Gómez, um português e outro espanhol, escreveram e editaram um livro que retrata a realidade das terras do concelho do Sabugal, tendo por quadro de fundo a tourada com forcão ou capeia arraiana. Neste tempo em que o ciclo das capeias se aproxima do fim aconselha-se a sua leitura para melhor conhecimento desta tradição taurina.
«Terras do Forcão» é um livro escrito em quatro línguas (português, castelhano, francês e inglês), com uma imensa profusão de fotografias, de óptima qualidade gráfica, que pretende ser um meio de promoção e divulgação do concelho do Sabugal, em especial das suas terras da orla raiana. O livro evolui ao redor do imaginário da capeia arraiana, que «começa na infância com as brincadeiras na escola e nos tempos livres, nas expressões utilizadas, onde o grito “Eh, Boiii!!!” é referência».
Os autores são amigos de longa data. Angel Hernández Gómez é professor e é natural de Gata, aldeia espanhola da linha raiana. É um apaixonado pela fotografia e gosta especialmente das terras do concelho do Sabugal, que percorre abundantemente, sempre com a câmara fotográfica ao lado. António Pissara também é professor e é ainda director do semanário Nova Guarda, estando ligado a Aldeia Velha pelo casamento.
O livro foi editado em 2003 e assume-se sobretudo como uma obra de divulgação. Fala com abundância do concelho do Sabugal, muito para além das terras onde tradicionalmente se faz a capeia, mas centrando-se sobretudo nestas: Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Fóios, Forcalhos, Lageosa da Raia e Soito. Também descreve a raia espanhola, onde os touros pastam na devesa, guardados por exímios cavaleiros, que mantém uma ligação permanente com as terras portuguesas. Explica-se no que consiste o forcão, enquanto instrumento de desafio dos touros, cuja origem histórica se perde na noite dos tempos. Também se explicam os rituais ligados às touradas, como o pedido da praça e o passeio dos rapazes, abordando-se ainda o encerro. A páginas tantas aborda-se a tragédia que muitas vezes acontece nas capeias. O arrojo desmedido ou a simples distracção têm ocasionado dramas, que o povo sente com intensidade.
O livro vive sobretudo da imagem. Há muitas fotografias antigas, testemunhando as touradas e os encerros de outrora, quando a praça ainda era vedada apenas com carros de bois carregados de lenha. Há imagens do rio Côa, das nossas paisagens naturais, dos monumentos, do povo assistindo às touradas com expressões de alegria e de apreensão. Também se reproduzem colecções de cartazes de várias épocas, através dos quais se divulgam as capeias, aí pontuando as que se realizaram no Campo Pequeno em Lisboa, pela mão da Casa do Concelho do Sabugal.
O precioso livro pode adquirir-se na Câmara Municipal do Sabugal, que patrocinou a edição.
plb
No dia 15 de Agosto, por ocasião das festas de Pêga, freguesia do distrito da Guarda, Célio Rolinho Pires fez a apresentação pública da monografia da sua terra de nascimento e de vivência. O salão da Junta de Freguesia encheu-se de gente para assistir a um momento impar para Pêga, que foi o culminar de um longo e exaustivo trabalho de investigação.
O livro, intitulado «Pêga – Terra de Panchurras», é um olhar profundo à história de uma terra antiga, cujo povo viveu durante séculos em pura comunidade. Aldeia de lavradores, pastores, padeiros e almocreves, Pêga foi sempre terra de referência no âmbito regional. Há vestígios dos povos da antiguidade em variados locais do seu termo, foi ponto de passagem de primeira importância, era local de basta produção de gado ovino e seus sucedâneos e celeiro de abastecimento aos povos em redondo. Em suma, esta terra de pastores (pegureiros) e de ovelhas (churras) teve grande relevância histórica, daí a importância deste profundo trabalho literário, que enriquece o acervo bibliográfico das terras beiroas.
Na simbólica cerimónia estiveram presentes, ladeando o escritor: Virgílio Bento, vice-presidente da Câmara da Guarda, Padre Morgado, pároco da freguesia, Crespo de Carvalho, escritor e pensador da Guarda, e Maria Augusta Carvalho Martins, veneranda mulher da terra, amiga íntima do autor, a quem coube apresentar a obra literária.
Virgílio Bento destacou a importância da salvaguarda da memória: «é a memória que nos permite construir a nossa identidade. Sem ela não teríamos capacidade de aprendizagem daí a importância da obra literária de Célio Rolinho Pires, que vai agora no seu quinto livro dedicado à salvaguarda da memória das nossas terras».
Crespo de Carvalho revelou que se apaixonou pela «teoria das pedras»: «O professor Célio tem a coragem de olhar, ver, meditar e daí tirar conclusões, sendo um verdadeiro cientista e historiador».
Por sua vez, Maria Augusta Martins falou ao coração dos conterrâneos.
«Só um homem que conhece bem a nossa terra é capaz de escrever o que ele escreve. Uma vez perguntei-lhe:
- Ó Célio. Como é que te metes-te nesta história das pedras?
E ele respondeu-me:
- Foi por acaso. Vi pedras de variados feitios que apareciam em locais diferentes e daí meditei em como é que tal podia acontecer. Descobri que isso tinha algum significado, e assim nasceu o estudo das pedras.
Estou de acordo com as teorias que ele nos tem revelado. Há coisas com verdadeiro sentido histórico que é preciso revelar ao mundo. E eu vou mais longe: é necessário que esses achados não se percam. As figuras rupestres de Foz Côa foram protegidas, e ainda bem, mas nós também aqui temos coisas que devem ser preservadas porque as pessoas, mesmo sem quererem, podem destruir o património que as nossas terras guardam.»
O autor fechou os discursos de circunstância. O seu grande objectivo é honrar a terra e todos os que nela nasceram. Um livro pressupõe um plano de longo prazo, que amadurece e fica pronto para vir a público. Mas aqui não pode haver pressas. Como um puzzle, as suas peças têm de encaixar perfeitamente.
«Atrevo-me a dizer que as palavras, as frases, os temas, os subtemas que integram o livro são como as componentes de um automóvel. Tudo funciona em interdependência e complementaridade para que o veículo se mova e nos leve, pois é essa a sua função».
Para Célio Rolinho Pires «Pêga – Terra de Panchurras» é sobretudo um livro de afectos:
«Por isso este livro não é meu nem é de ninguém em particular, é dos Pires, dos Rolinhos, dos Mateus, dos Adriões, dos Canários, dos Álvares de Almeida, dos Canhotos, dos Gregórios, dos Esteves, dos Monteiros, dos Gonçalves, dos Fernandes, de todos. Daí a necessidade de o dar a conhecer e o devolver aos verdadeiros donos».
A obra apresenta um mapa, que pretende ser um roteiro de alguns vestígios históricos que existem na freguesia, mas o autor avisa: «não se admirem se ao procurarem fazer o percurso em caminhos milenares não conseguirem passar. Não se espantem ainda se alguns dos vestígios já lá não estiverem. Há coisas que sendo de todos não são de ninguém mas há quem não pense assim!».
plb
Duas iniciativas culturais importantes vão ter lugar na próxima quinta-feira, dia 14 de Agosto, na Casa do Povo, em Vale de Espinho, freguesia arraiana do concelho do Sabugal.
Uma é a apresentação do livro «Viagens na Minha Infância – Lembranças Romanescas» do natural desta mesma aldeia arraiana, Joaquim Tenreira Martins.
A outra á a criação da editora luso-espanhola Côa-Águeda, com sede provisória nos Fóios e em Ciudad Rodrigo, na Espanha.
Joaquim Tenreira Martins retomou o painel de azulejos de Sacavém, que se encontra no Fontanário do campanário de Vale de Espinho, com uma cena infantil escolar, datado de 1936, para colocar na capa do seu livro.
O livro consta de 19 capítulos – o autor tem horror aos números redondos! Cada um apresenta-se como uma espécie de conto, que tanto pode ser lido por crianças, como por pessoas de idade.
Há jovens que o estão a ler e o curioso é que se sentem obrigados a esclarecer com os pais as tradições, os costumes, os lugares, os antepassados. Cria-se com o livro um diálogo entre gerações, à volta de uma aldeia raiana dos meados do século passado.
No final da obra insere-se um glossário com cerca de mil vocábulos. A maior parte das palavras nem vêm sequer no dicionário, mas continuam a ser usadas pelos naturais de Vale de Espinho e arredores. É tempo dos investigadores linguistas se debruçarem sobre este linguarejar raiano-beirão e o inserirem nos seus dicionários.
Pela mesma ocasião, será anunciada a criação da editora Côa-Águeda, com a sua plataforma que tem por lema «Da cultura para o desenvolvimento» – já de si um verdadeiro programa! Através da Côa-Águeda, os seus fundadores, espanhóis e portugueses, pretendem fazer um apelo aos seus filhos dispersos um pouco por toda a parte para que as suas ficções artísticas e literárias possam ser publicadas na terra onde nasceram e irradiar a partir daqui. Á semelhança do que aconteceu na pequena aldeia de Fóios, que tem uma plêiade de escritores, qual deles o mais valioso, e que não conseguiu editor para os seus manuscritos, também o mesmo se passará noutras terras do interior. A editora Côa-Águeda abre-lhes agora as suas portas.
O interior é motivo de inspiração para todo o domínio artístico. As artes precisam de sossego, de paz, de espaços livres e de horizontes a perder de vista. A raia beirã e a sua congénere espanhola é um oásis onde a natureza é mãe e rainha. Portugal está virado unicamente para Lisboa. Ela é o centro, o resto é o interior.
A fundação da Côa-Águeda é uma atitude de protesto e de apelo a todos os que pretendem modificar este estado de coisas.
Como dizia Miguel Torga, «pode ser que o exemplo seja seguido, e o êxodo, que empobreceu a nação comece a fazer-se em sentido inverso, e as nossas misérias e tristezas mudem de fisionomia porque Portugal necessita urgentemente de ser repovoado».
A editora Côa-Águeda nasce de mãos dadas com uma outra editora sediada no Porto, O Progresso da Foz, que, paralelamente à sua actividade editorial, tem um interessante passado cultural, literário e jornalístico.
Neste contexto, tivemos a preciosa colaboração do editor, Dr. Joaquim Pinto da Silva, director do Progresso da Foz, que numa atitude cívica fora do vulgar nos abriu as portas para que este sonho se tornasse realidade.
J.V.
A Companhia de Teatro de Braga apresenta uma peça para crianças, a partir da obra «Histórias que me Contaste Tu», do sabugalense Manuel António Pina, que será apresentada no Theatro Circo da cidade dos arcebispos.
«O Escaravelho Contador» é o nome da peça, que estará em cena de 20 a 28 de Setembro.
O «Escaravelho Contador» apresenta histórias contadas por um escaravelho, como caixas dentro de caixas que se vão revelando ao longo do tempo. Um espectáculo onde não vão faltar muitas imagens e música para alegrar miúdos e graúdos.
Os actores são Solange Sá, Teresa Chaves, Carlos Feio, Rogério Boane, Jaime Soares, e Alexandre Sá, todos pertencentes à Companhia de Teatro de Braga. A peça será encenada por José Caldas e os bilhetes para o espectáculo de 5 euros para crianças e 10 euros para adultos.
Manuel António Pina nasceu no Sabugal em 1943. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Entre 1971 e 2001 foi jornalista do Jornal de Notícias, onde exerceu os cargos de editor e chefe de redacção. Tem colaborado com diversos outros meios de comunicação enquanto colunista.
Tem uma vasta obra literária que engloba poesia, ensaio, literatura infantil, ficção e peças de teatro, tendo já sido traduzido para diversas línguas. A diversidade de géneros desenvolvidos e o seu ecletismo são a evidência do domínio de Manuel António Pina sobre a escrita. Conhecido pelo seu tom reflexivo, filosófico e irónico, o autor é considerado uma das mais eminentes figuras da literatura portuguesa contemporânea.
Recebeu vários prémios, tanto nacionais como internacionais, nomeadamente o Prémio da Crítica pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, em 2002, atribuído à globalidade da sua obra poética.
plb
Aspectos genéricos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), localização das operações, aplicação ao comércio internacional, sínteses por assuntos, casos práticos, é o que se pode encontrar na nova publicação dedicada ao novo regime do IVA na construção civil e no sector do imobiliário, contendo as actualizações decorrentes do Orçamento de Estado de 2008.
O livro, que é uma novidade editorial, aborda o IVA nos seus aspectos mais genéricos, focando os elementos essenciais para o enquadramento das operações no âmbito do processamento deste imposto.
Numa segunda fase analisa-se o IVA aplicado ao sector da construção civil e do imobiliário, recorrendo-se sobretudo a esquemas e exemplos práticos, que ajudam a compreender de uma forma simples e objectiva os principais aspectos do imposto, nomeadamente as alterações decorrentes das novas regras de tributação nestes sectores da economia.
Esta obra, dado o seu cariz prático, pretende ainda ser um instrumento de trabalho e de estudo para técnicos de impostos e outros profissionais da administração pública em geral. Está especialmente indicado para técnicos oficiais de contas, economistas, gestores, contabilistas, estudantes das áreas económico-financeiras, entre outros.
O livro é da autoria de Duarte Travanca, licenciado em Economia pela Faculdade da Universidade do Porto e pós-graduado em Fiscalidade pelo ISAG e editado pela «Vida Económica» e custa 22 euros.
aps
Joaquim Tenreira Martins espera que o lançamento do seu livro – «Viagens na minha infância – lembranças romanescas» – no próximo dia 14 de Agosto, na sua terra natal – Vale de Espinho – possa ser um revelador das muitas riquezas que durante anos ficaram escondidas no subconsciente de cada um de nós. O que durante a infância se viveu numa aldeia ou em qualquer outro lugar nunca mais se esquece.
Mesmo que a acção narrativa do «Viagens da minha infância» se situe há mais de 50 anos, a maior parte dos temas ligados à infância estão ali. O autor aborda-os de maneira romanesca o que dá todo o encanto aos enredos. Foi por isso que este enfoque do livro apaixonou tanto o Psicólogo e Antropólogo João Fatela, a viver em Paris, e que não hesitou em prefaciá-lo, em termos bastante elogiosos.
O primeiro tema da infância que o autor aborda é o do pai. É um tema universal, mas fundamental. É ele o modelo para toda a nossa vida. É ele que forma a nossa personalidade, o nosso inconsciente como diriam os psicanalistas. O pai – o pai do autor – perpasse também toda a acção narrativa. Ele é o artesão, o alfaiate, o animador de charlas, na sua alfaiataria, onde se forma a juventude através de discussões vivas entre aprendizes e estudantes do liceu ou da universidade que, durante o Verão, nem sabiam onde passar o tempo. Ainda hoje, já homens, e bem colocados na vida, afirmam terem ali passado as férias mais maravilhosas da sua vida.
Era assim mesmo, porque o tema da maravilha e do encanto continua neste livro, através de vários contos onde aparecem os medos que tanto aterrorizam as crianças. Adultos que nós somos, já nem nos lembramos daquilo que padecemos quando éramos pequenos. Histórias de lobos e de lobisomens que vinham até ao povoado ou que andavam à espreita nos campos quando acompanhávamos os nosso pais ou os irmãos mais velhos, não deixavam sossegado o nosso espírito de crianças. Também os anjos maléficos, invisíveis e sempre prontos a fazer patifarias e a deter o poder de vida ou de morte de todas as pessoas da aldeia, eram imagens terrificantes e presentes no nosso espírito.
A descrição dos mitos da castração e da sexualidade não são esquecidos neste livro, através de contos e de episódios que certamente aconteceram com todos nós, no nosso tempo de crianças.
Que outras coisas poderiam ocupar a cabeça de um pequenote? Certamente a saúde, o receio de ficar sozinho no mundo e de perder os entes queridos. Lá aparece então a figura do médico que era fundamental na vida de uma aldeia, e que se deslocava não para as pessoas que estavam doentes, mas para as que estavam a morrer, porque, para as doenças do dia a dia, lá estavam as avós com as sua mezinhas, por vezes mais eficazes que as receitas médicas de qualquer doutor de Coimbra ou de Salamanca.
Para os maus-olhados, o ar da ribeira, a má-hora, o vento da serra ou a má-sorte, existiam as bruxas e as bentas que sabiam, mais que qualquer psiquiatra, falar às pessoas, olhar para elas no mais profundo do seu ser, ouvi-las, invocar o sobrenatural e fazer-lhes todas as rezas e benzeduras do mundo para que o poder divino pudesse passar para o doente, curando-o de todos os males corporais e espirituais.
J.V.
No dia 14 de Agosto, em Vale de Espinho, na Casa do Povo, pelas 17 horas, será feito o lançamento do livro «Viagens na minha infância – Lembranças romanescas», escrito por Joaquim Tenreira Martins, natural desta terra raiana, em presença de familiares, personalidades portuguesas e espanholas e de amigos provenientes de várias regiões do país.
Pela mesma ocasião, será apresentada a criação da editora Côa-Águeda, com sede provisória no Centro Cívico de Fóios, que, em parceria com a editora O Progresso da Foz, do Porto, pretende dar uma achega ao desenvolvimento desta zona raiana portuguesa e espanhola, através da edição de livros escritos pelas gentes de valor dispersas um pouco por toda a parte.
O livro «Viagens na minha infância – Lembranças romanescas» de Joaquim Tenreira Martins, com o prefácio de João Fatela, será o primeiro das edições Côa-Águeda, esperando que outros autores naturais ou adoptivos desta zona raiana portuguesa e espanhola possam publicar nela as suas obras no capítulo da escrita, seja ela de ficção ou ensaística.
A publicação interessará certamente jovens e pessoas de mais idade. Em companhia calorosa de seu pai, o autor descreve-nos o ambiente fascinante de uma aldeia de há 50 anos, através do olhar admirativo e maravilhado de uma criança.
Os mais idosos recordarão tradições horizontes, lugares, pessoas que nos moldaram ao longo da nossa vida e que continuam a viver connosco onde quer que estejamos.
Para os mais novos a história leva-os para uma ambiente digno de Harry Potter. Não faltam histórias de bruxas, de lobisomens, de anjos maléficos, de senhoras da má-hora, de lobos e de outros medos de carácter universal que também perpassavam naquela aldeia.
O autor, juntamente com o editor, Joaquim Pinto da Silva, escolheram esta altura de Verão em que naturais de Vale de Espinho, provenientes dos mais variados cantos de Portugal e do estrangeiro, se encontram na terra. É o momento de lembrar tradições, que, quer queiramos quer não, construíram o nosso imaginário e nos ajudaram a viver.
No final do livro o autor insere um glossário de perto de mil palavras típicas desta aldeia do interior raiana que ou não se encontram ainda no dicionário ou têm aqui um sentido diferente.
Alguns dados sobre o autor
Joaquim José Tenreira Martins nasceu em 1945, em Vale de Espinho, Concelho de Sabugal, zona raiana, perto da nascente do Côa e da Serra da Malcata.
Fixou-se na Bélgica em 1972 onde fez estudos de Assistente Social. Concluiu a Licenciatura em Ciências Políticas (Universidade Católica de Lovaina) e posteriormente a Maîtrise em Direito (Universidades de Lovaina e de Lille). Foi Professor de português, durante dez anos no ISCID (Institut Supérieur de Commerce International de Dunkerke, Universidade do Litoral, França).
Trabalha no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas, mas o seu ambiente familiar é essencialmente belga.
Casado, pai de 3 filhas, foi a sua mulher, belga, que lhe sugeriu a ideia de transpor em livro o ambiente da sua infância, esperando que a língua paterna possa também ser transmitida e saboreada pelos seus, na falta de serões, como nos seus tempos de menino.
Joaquim Tenreira Martins
Continuando a viajar pelas páginas do interessante «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, faremos agora referência à questão religiosa, na altura centrada na polémica reaparição do clero regular, após um período em que conventos e mosteiros haviam sido extintos.
No seu Manual Trindade Coelho fala-nos no colégio de Aldeia da Ponte, no concelho do Sabugal, a pretexto da questão religiosa. O dito colégio era na altura um dos que em Portugal, a coberto de se dedicar ao ensino e à beneficência, se mantinha em funções, com o beneplácito das autoridades.
Em 1834, pelo decreto de 28 de Maio, Joaquim António de Aguiar extinguira todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e demais casas religiosas de todas as ordens regulares. Joaquim António de Aguiar ficaria conhecido por «Mata-Frades», por ter sido autor de tão radical legislação, inspirada na luta contra o jesuitismo, que se temia estar de novo a instalar-se em Portugal.
Porém em 18 de Abril de 1901 saiu um decreto de Hintze Ribeiro, que veio estabelecer a forma como se podiam constituir congregações religiosas, conquanto se dedicassem exclusivamente à instrução ou beneficência. Na decorrência da nova disposição legal voltaram a surgir conventos e mosteiros, mas tudo a coberto de se tratarem de congregações «docentes», que apenas tinham em vista ensinar.
Dentre as associações religiosas que surgiram com o decreto, Trindade Coelho enumera no seu Manual Político a «Associação do Colégio de Aldeia da Ponte», instalada numa aldeia raiana do concelho do Sabugal. A pretexto do ensino, muitas instituições refundaram o espírito jesuíta e isso também se terá passado em Aldeia da Ponte. Trindade Coelho cita mesmo uma carta, datada de 19 de Março de 1906, de um cidadão da aldeia que denunciava a situação: «Igreja aberta continuamente. Fanatismo em redor e consideração cá em cima, do sr. Arcebispo. O resto V. prevê». Outra carta, datada de 25 de Março do mesmo ano, rezava: «O recolhimento de Aldeia da Ponte contava há dois anos 90 e tantos alunos. Há tempos, para iludir a lei, foi-lhe dado o carácter de oficina, fazendo-se aquisição de máquinas».
Nova carta, de 23 de Março: «No recolhimento não há, desde há muito, oficinas, aprendizes, nem ensino propriamente dito. Há meia dúzia de padres estrangeiros, salientando-se o seu fanatismo. Tendo-se coberto com o véu do ensino, este mesmo já o puseram de parte. O instituto ficou o que era: um centro de missionários jesuítas.
O jesuitismo tem hoje na Guarda um dos seus focos mais activos, sendo por ele combatido sem trégua o clero secular da diocese».
Para um melhor conhecimento do processo do antigo colégio de Aldeia da Ponte poderá consultar-se a série de artigos dedicados ao tema por Esteves Carreirinha na coluna «Ecos da Aldeia».
plb
Continuamos deambulando pelo «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, altura em que o regime monárquico liberal dava os últimos suspiros, estando o Partido Republicano em plena ascensão. Nesta ocasião fazemos referência ao processo eleitoral então vigente.
A capacidade eleitoral era restrita aos cidadãos portugueses maiores de 21 anos, domiciliados no território nacional, que cumprissem uma de duas condições: soubessem ler e escrever ou fossem colectados em verba não inferior a 500 réis. Em consequência da reforma eleitoral de 1901, de autoria de Hinze Ribeiro, a democracia havia mesmo regredido, pois até aí também eram eleitores os cidadãos que fossem chefes de família, embora não soubessem ler e escrever.
As eleições legislativas disputavam-se em círculos uninominais (em que se elegia apenas um deputado) e plurinominais (onde cada lista continha vários nomes e eram eleitos vários deputados). O escrutínio era secreto. Aberta a mesa de voto, era feita a primeira chamada dos eleitores, votando os que estavam presentes. Após a votação destes, seguia-se uma segunda chamada, designada «chamada geral», dos que não tivessem votado. Duas horas depois da «chamada geral» o presidente da mesa perguntava se havia mais alguém que pretendesse votar. Após a votação seguia-se o escrutínio dos votos, o qual não poderia prosseguir após o sol-posto.
Curioso era o modelo de requerimento de quem pretendia recensear-se por saber ler e escrever:
Ex.mo Senhor Secretário Recenseador: – F. filho de fulano e de fulana, natural de… de tantos anos de idade, estado, profissão, morador há mais de seis meses na rua de…, n.º…, andar, freguesia de…, desejando a sua inscrição no recenseamento por saber ler e escrever, como prova com esta petição feita e assinada pelo seu próprio punho: P. a v. ex.ª se digne mandá-lo inscrever na relação dos eleitores da sua freguesia. – E.R.M. – Data – Assinatura.
O requerimento tinha que ser escrito e assinado pelo requerente, ou na presença de tabelião, que o certificava. Outra forma era redigi-lo na frente do pároco, que o atestava sob juramento, sendo depois a identidade do requerente corroborada pelo regedor da paróquia. Ao requerimento deveria juntar-se certificado de idade, passado pelo pároco, e atestado de residência na freguesia há mais de seis meses, passado pelo regedor.
Trindade Coelho, homem de ampla visão, tece fortes críticas ao facto de não existir ainda o sufrágio universal. Afirma-se apoiante de uma reclamação do Partido Republicano, que exige uma mudança:
«Os abaixo assinados, membros de todas as classes sociais e representantes de todas as opiniões políticas, reclamam uma reforma eleitoral que, baseada no sufrágio universal, e consignado na autonomia política das cidades e a proporcionalidade de representação, permita a intervenção de todos os agrupamentos partidários na gerência dos negócios públicos».
Passado um século, podemos observar, quanto a monarquia constitucional estava longe de proporcionar ao país um sistema eleitoral democrático.
plb
Continuamos a referenciar o «Manual Político do Cidadão Português», de Trindade Coelho, que retrata a organização política do país há um século. Desta feita veremos como estavam então organizadas as câmaras municipais.
Cada concelho do reino tinha um corpo administrativo denominado Câmara Municipal, tendo a seu cargo «administrar o os peculiares interesses dos povos da respectiva circunscrição».
Trindade Coelho valoriza muito o papel dos autarcas na gestão dos municípios. Considera que estes foram os primeiros e mais importantes ninhos de democracia, sendo no seu seio que os cidadãos se preparam para vida pública, ao aprenderem a resolver os problemas das populações. «São os naturais viveiros onde o Estado pode ir buscar os seus legisladores, e os seus homens de governo», refere o Manual.
Os vereadores da câmara e respectivos substitutos eram eleitos pelos concidadãos do concelho que soubessem ler escrever e contar, ou que tivessem rendimentos superiores a 500 réis. Os eleitos serviriam por três anos civis, «a contar do dia 2 de Janeiro imediato à eleição ordinária». As funções de vereador eram obrigatórias e gratuitas, ninguém podendo portanto, se eleito, eximir-se a cumprir funções.
O presidente e vice-presidente da câmara eram escolhidos pelos vereadores eleitos, em escrutínio secreto, preferindo, havendo empate, o mais velho dos votados. Antes de entrarem em exercício os eleitos prestavam juramento de fidelidade ao Rei, à Carta Constitucional e às leis do reino.
A câmara celebrava uma reunião ordinária por semana, e as extraordinárias que o interesse do serviço público exigisse. Essas sessões eram públicas, não podendo porém os «espectadores», sob qualquer pretexto, intrometer-se na discussão ou manifestar-se, sob pena de serem de imediato presos e entregues directamente ao poder judicial. Às mesmas sessões assistia sempre o Administrador do Concelho (representante do Governo), que tinha assento ao lado esquerdo do presidente, podendo, esse sim, intervir sempre que o pedisse.
Ademais deveria o presidente entregar todas as semanas ao administrador, para por sua vez remeter ao governador civil, um resumo das deliberações tomadas pela câmara. O governador civil do distrito enviava então a informação de todas essas deliberações ao ministro do reino, muitas das quais necessitavam aliás da sua aprovação para entrarem em vigor.
Trindade Coelho manifesta opinião no seu Manual, considerando que tais disposições comprimiam a acção das câmaras municipais, porque sujeitas a controlo sistemático por parte do poder central, o que era castrador da sua autonomia. Acrescia a isto que as câmaras, assim como as juntas de paróquia, podiam ser dissolvidas a qualquer momento pelo governo.
Era essa mesma a prática corrente: «É geralmente nas vésperas de eleições de deputados que a degola de municípios tem lugar – sendo nomeados pelo governo para substituírem os vereadores do povo, quaisquer servintuários do poder, mais amoldados, por educação e por carácter, ao papel de escravos do que senhores, e mais aptos à defesa da servidão do que ao culto e ao respeito pela liberdade. E temendo a desforra, que seria a réplica da justiça popular ofendida pelos seus verdugos, o código declara que os vogais da corporação dissolvida são inelegíveis para a mesma na primeira eleição a que se proceder».
Estávamos ainda muito longe do poder local democrático que conhecemos hoje e que sobreveio à Revolução de 25 de Abril de 1974.
plb
No ano em que se assinalam os 100 anos da morte trágica do ilustre magistrado e escritor Trindade Coelho, julgamos importante abordar uma das suas obras literárias de referência: o «Manual Político do Cidadão Português». Em sua justa e merecida homenagem, vamos publicar uma sucessão de artigos acerca do conteúdo do Manual, de modo a pudermos comparar a organização que actualmente tem o Estado, com a que detinha há um século.
Não só contos e novelas constituem o espólio literário do grande escritor transmontano, que ficou indelevelmente ligado ao Sabugal, por aqui ter iniciado a sua vida enquanto magistrado do Ministério Público. Especialista em Direito, colaborou em muitas reformas legislativas e publicou alguns livros nesta área do conhecimento.
De todos, o mais conhecido é o «Manual Político do Cidadão Português», publicado em 1906. O livro explica a organização da nação soberana, como contributo para que os cidadãos tomem consciência dos seus direitos e deveres e obtenham uma sociedade melhor educada, uma opinião individual consciente e uma opinião pública mais vigorosa.
Citamos as primeiras palavras da obra:
«Até pag. 196, este livro é a adaptação a Portugal da famosa obra de Numa Droz, Instruction Civique, o evangelho da educação cívica da Suissa, escripto por um homem que principiando a vida por mestre-escola, chegou pelos seus talentos e virtudes a presidente d’aquella República, a mais feliz e a mais educada do mundo.
D’aquella página até ao fim, o livro é inteiramente nosso, original; e expõe nas suas linhas fundamentaes todo o quadro das INSTITUIÇÕES PORTUGUEZAS, como ellas se encontram neste momento. Todos os materiaes d’esta parte, e os que na parte adaptada respeitam a Portugal, foram por nós pacientemente arrancados da montanha das nossas leis, carreados, talhados, dispostos, em ordem á edificação que tínhamos em vista, e ao nosso fim, que era educar.»
Trindade Coelho dedicou a obra aos seus concidadãos, no intuito de que do livro algo pudessem aproveitar para a edificação de uma sociedade melhorada.
O Manual aborda questões como o amor á Pátria, a soberania nacional, as formas de governo, a liberdade e a responsabilidade, a igualdade entre os homens, a organização e as funções do Estado, as instituições portuguesas e o direito internacional.
Começamos por falar nas juntas de paróquia, que eram, há um século atrás, um dos corpos administrativos do Estado, génese das juntas de freguesia.
A junta de paróquia tinha a seu cargo zelar pelos interesses da freguesia. Era composta pelo presidente, cargo que cabia ao respectivo pároco, e por vogais, estes eleitos pelos cidadãos eleitores da respectiva circunscrição (à época eram eleitores os maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever e os que, embora não conhecendo o alfabeto, fossem colectados em quantia não inferior a 500 réis). Nas freguesias que não excedessem mil habitantes elegiam-se três vogais e nas de população superior o número dos vogais a eleger era de cinco.
A junta reunia ordinariamente cada 15 dias e extraordinariamente sempre que a conveniência da paróquia o exigisse. O regedor da freguesia tinha por obrigação assistir às reuniões da junta e podia emitir parecer sobre todos os assuntos. A junta enquanto corpo administrativo tinha um secretário (que também secretariava o regedor) e um tesoureiro.
A imposição do pároco com «vogal nato e presidente da junta» resultara de uma lei de João Franco, do ano 1896. Até aí vigorara o código de 1878, de Rodrigues Sampaio, em que todas as juntas de paróquia se compunham por cinco membros eleitos, sendo o presidente escolhido pela junta dentre os elementos que a compunham. O pároco apenas tomava parte e votava nas deliberações acerca de assuntos eclesiásticos.
plb
Estão todos convidados para o lançamento do livro «Frias Madrugadas - Poemas» da poetisa fojeira Amélia Rei…
Depois do romance «Laura, a Última Viagem», publicado em Março de 2005 sob o pseudónimo literário de Regina R., a autora fojeira Amélia Rei vai apresentar ao público mais uma obra, desta vez em poesia, com o título «Frias Madrugadas – Poemas».
O lançamento do referido livro vai ocorrer no próximo dia 22 de Junho, domingo, pelas 14.30 horas, no auditório do Centro Cívico Nascente do Côa, em Foios.
Conheço já alguns poemas de «Frias Madrugadas» e, pelo que li, posso afirmar que é uma obra que todos os amantes da poesia contemporânea irão apreciar.
O «Centro Cívico Nascente do Côa» convida os leitores do Capeia Arraiana a estar presentes no dia do lançamento.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Fóios)
jmncampos@gmail.com
Francisco Santos Vaz, brindou-nos com outro livro, desta feira reunindo um conjunto de anedotas, adivinhas, provérbios, passatempos e enigmas, que durante anos foi publicando no jornal Nordeste, de que é director.
O título é «Pantivária», precisamente o nome da rubrica das páginas do Nordeste que mensalmente publica pequenos textos de passatempos e divagações que o tornam mais interessante e o aliviam do forte peso institucional enquanto jornal de inspiração cristã e de índole paroquial.
Pode o assinante do Nordeste ter ou não tempo para o ler de fio a pavio, mas nunca pousa o jornal sem antes ler a coluna com as anedotas, os adágios e os passatempos. Os textos são de pequeníssima dimensão, imperando a economia das palavras, primando pela pontaria, pondo de lado rodeios e desnecessárias explicações. A sua leitura breve deixa invariavelmente o leitor alegre e satisfeito, quiçá até descontraído. Após o dia de trabalho, certamente cansado, retirou o Nordeste da caixa do correio, estirou-se no sofá, abriu o jornal e leu-lhe as «gordas». Se porventura algum texto lhe chamou a atenção deu-lhe uma vista de olhos, mas depressa essa mesma atenção se perdeu nas facécias que o Padre Chico ali colocou. Leu-as com satisfação, compôs um esgar de sorriso e, já relaxado, avançou para a leitura dos restantes artigos. Assim se começa a ler o Nordeste.
Muitas das facécias têm mesmo um sentido pedagógico e até moral, espraiando-se por variadas temáticas. Quanto à origem dos textos, há que dizer que nem tudo saiu da sabedoria e da prodigiosa memória do autor. Ele mesmo confessa: «As fontes são muitas: jornais, revistas, agendas, almanaques, encontros de amigos, conversas…».
Francisco Santos Vaz é natural da Bismula, concelho do Sabugal. Sendo sacerdote, paroquiou em várias terras do concelho, como a Bismula e Alfaiates, sendo actualmente pároco de Águas Belas. É licenciado em Filologia Clássica e foi professor do ensino secundário.
O «Pantivária» é o terceiro livro de Francisco Santos Vaz, seguindo-se a «Nordestinas e Sabatinas» (2003) e «Ao Longo do Caminhar» (2006). Cada publicação reuniu numa temática alguns dos textos que escreveu no Nordeste. Assim os retirou da efemeridade associada à publicação periódica, dando-lhes a merecida perenidade.
As encomendas podem ser feitas ao autor, que também é o editor: Av. 25 de Abril, n.º 32, 6320-345 Sabugal.
plb
Os primeiros 30 anos de vida de Churchill foram repletos de aventura: marchas nocturnas, cargas de cavalaria, escaramuças fronteiriças, a fuga de um campo de prisioneiros bóeres e até uma visita às guerrilhas em Cuba.
Aclamado como o seu melhor livro, «Os Meus Primeiros Anos» foi originalmente publicado em 1930 e abarca o período que vai desde o nascimento do autor, em 1874, até ao seu casamento, em 1908. Foi adaptado ao cinema em 1972 por Richard Attenborough num filme chamado Young Winston (O Jovem Leão).
«Só neste Inverno de 1896, quando estava prestes a completar o meu vigésimo segundo ano, cresceu em mim o desejo de aprender. Comecei a sentir que me faltavam conhecimentos, por mais vagos que fossem, sobre muitas das grandes esferas do conhecimento. Reunira um vasto vocabulário e tinha um gosto especial pelas palavras e pela forma como se adaptavam e se encaixavam nos devidos lugares, como moedas na ranhura de uma máquina. Dei comigo a utilizar muitas palavras cujo significado não conseguia definir com exactidão. Admirava essas palavras, mas receava utilizá-las com medo de parecer absurdo. A julgar pelo contexto, pensei que poderia significar «o espírito das escolas privadas», «respeitar as regras do jogo», «esprit de corps», «comportamento honroso», «patriotismo» e coisas semelhantes.» (Winston Churchill).
Mas este livro é mais do que uma história de aventuras. É também um relato elegíaco do período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial e um retrato aprofundado de uma das mais brilhantes personalidades do século XX, através das palavras do próprio. Aqui se encontram as raízes de uma incansável energia e ambição nascida de pais ausentes e escolaridade deficiente. Um livro fundamental para quem quiser perceber quem foi afinal essa fascinante personalidade de nome Winston Churchill.
Winston Churchill – Os Meus Primeiros Anos», de Winston Churchill, 392 pgs., Colecção o Passado e o Presente, «Guerra e Paz-Editores», 22.00 euros.
Ana Paula Sousa
A história que se conta em «A especiaria - Em Busca do elixir da eterna juventude» é uma ficção apoiada em personagens, algumas delas verídicas, que construíram a história comum das nações irmãs: Angola, Cabo Verde, Portugal e São Tomé.
A acção decorre entre 1540 e 1975, socorrendo-se o autor de episódios, verdadeiros uns, imaginados outros, a que acrescenta sal e jindungo, crente de que o presente é consequência de todo um passado de amores e ódios e o futuro passa pela defesa desta cultura mestiça, crioula, sem a qual deixaremos de ser quem somos: diferentes.
A história é percorrida por um herói, Flávio Mancini, obcecado com a procura do elixir da eterna juventude, droga que o Homem busca, desde sempre, para contrariar a decrepitude do corpo e da mente. Sonhador incurável, o veneziano tem a certeza que o licor único se encontra em Angola, escondido algures nas florestas do reino do Congo.
Será que Mancini encontra a divina especiaria? Talvez sim e talvez não. Depende do ponto de vista do leitor.
António Oliveira e Castro nasceu em Angola, no Bongo-Lépi, em 1951, e por uma série de acasos continua vivo. Em 1977, salta directamente dos quadros da Comissão Nacional do Plano, de Angola, para a cozinha do Caravela, em Estocolmo. Mas falta-lhe luz na cidade dos nórdicos e voa para Lisboa, para se esconder, como uma toupeira, nas catacumbas de uma organização política. Experimenta o cinema, a pintura, a poesia, a universidade, a rádio, a publicidade, a agricultura, sem nada levar a sério. Prova, sacia-se e abandona os despojos. Não se encontra. Para sobreviver é obrigado a trabalhar. Fá-lo sem convicção.
Em 2005 arranja coragem e agarra-se com determinação ao projecto de toda uma vida: A Especiaria.
Anteriormente publicou os volumes de poesia «Houve Mesmo Um Dia de Desespero em Que Se Cultivaram Campos de Cicuta» (1985) e «As Planícies Donde Vim» (1987).
«A Especiaria», de António Oliveira e Castro, 224 pgs., Colecção Tempos Modernos, «Guerra e Paz-Editores», 15.50 euros.
Ana Paula Sousa
Foi, recentemente, publicada e apresentada publicamente uma colectânea de trabalhos de investigação sobre a vida e a obra do Papa João XXI. O pensador e filósofo português Pinharanda Gomes colaborou com a investigação «Pedro Hispano, mestre de Lógica».
Uma colectânea de 12 trabalhos de investigação sobre a vida e a obra de Pedro Julião, conhecido na Europa por Pedro Hispano ou Petrus Hispanus Portugalensis, e que foi Papa com o nome de João XXI foi, recentemente publicada pela Associação de Médicos Católicos.
O volume é organizado por J. Paiva Boléo-Tomé e tem a intenção de comemorar os 800 anos do nascimento daquele sábio em Lisboa, em data não definida, mas situada segundo as investigações, entre 1205 e 1210.
O volume agora publicado resulta do conjunto de conferências de um ciclo que se realizou entre Setembro de 2001 e Maio de 2002. O conjunto de estudos analisa as vertentes mais conhecidas da sua sabedoria: a vertente científica e médica, e a vertente de filósofo e cultivador do pensamento medieval. À maneira da época, era o homem enciclopédico, que procurava abarcar toda a sabedoria humana e divina, como então se dizia.
O pensador e filósofo Jesué Pinharanda Gomes contribui com a investigação «Pedro Hispano, mestre de Lógica» destacando que o religioso inaugurou a tradição dos compêndios como forma de consulta sistematizada para os estudantes.
O volume vem ilustrado com bastantes imagens que documentam a sua notoriedade na época. Trata-se, pois, de uma obra essencial para o conhecimento desta figura ímpar do século XIII, contemporâneo de nomes como S. Tomás de Aquino ou Afonso X o Sábio.
Sendo pouco conhecidas as circunstâncias da sua vida, sobretudo quando viveu em Portugal (poderá ter sido prior em Mafra ou membro de uma colegiada em Guimarães), a sua acção como pensador da grande Idade Média faz dele uma das figuras culturais da Humanidade.
jcl
«Com um Bornal Roto às Costas» é um livro da autoria de Sérgio Paulo Silva, um amante da caça que também adora as terras raianas do concelho do Sabugal, e a elas dedica muitas linhas.
O livrinho tem uma curiosa e invulgar dedicatória: «à aldeia de Vale de Espinho». Isto surge porque Sérgio Silva aportou um dia com os amigos caçadores nessa terra, por mero acaso, já que gostavam de andar à aventura. Era Dezembro e o frio imperava no largo da aldeia onde os caçadores estacionaram a caravana. Vendo-os assim, tolhidos pelo frio, o Domingos Vinagre e a sua mulher Ermelinda chamaram-nos a casa, onde lhes ofereceram o calor do borralho. Para aqueles homens errantes, que haviam andado por todo o lado, aquilo foi acto único e inesquecível, só possível de praticar por gente de alma limpa, como era a daquela aldeia raiana. Passaram a amar a terra e povo que a habitava.
Vale de Espinho passou a ser a segunda terra de Sérgio Paulo Silva, ou a sua terra de adopção. Ali passou a estar em todas as aberturas da caça, sempre com os seus amigos de aventuras. Ali se abasteceram de queijos e cabritos, ali passaram a comer a boa gastronomia raiana. As estadas incluíam sempre idas aos Fóios, ao BeiraCôa e ao Lei Troncho, onde fizeram especial amizade com o Zé Manel, presidente da Junta, professor e bom conviva.
O livro descreve pois as aventuras destes amantes da arte de Diana. Aborda os belos momentos que essa prática proporciona, para além dos tiros de espingarda e o abate de coelhos e perdizes. Na caça passeia-se pelo campo, inspira-se ar puro, esquece-se a pressão da vida quotidiana e retemperam-se as forças.
Sérgio Silva é de Salreu, aldeia do concelho de Estarreja, no distrito de Aveiro. Gosta de deambular pelo País, caçando e conhecendo as terras e convivendo com as pessoas. Mostra ser apreciador da boa gastronomia popular, e nisto estão bem posicionadas as terras raianas do concelho do Sabugal, as quais tanto visita.
É livro de edição particular, que gentilmente cedeu aos amigos. Não estando à venda em livrarias é algo raro e especial, que bem merece a pena procurar porque é de aprazível e fundamental leitura.
plb
O escritor sabugalense António Emídio brindou-nos com novo livro, mais uma vez voltado para a análise social e política. Trata-se de um romance marcado pela sua ânsia de comunicar e de partilhar as preocupações perante o mundo de injustiças em que vivemos.
António Emídio, é uma voz que clama no deserto. O seu novo livro, na senda dos anteriores, representa um acto de protesto contra as lógicas de hoje e os males de que enfermam as democracias modernas. Algo muito pouco analisado nos dias que correm, em que as pessoas, vivendo a febre do consumismo, numa liberdade aparentemente sem limites, não se apercebem do rumo que o mundo está a seguir. O campo está aberto para os que, sem escrúpulos, se vão aproveitando da situação, obtendo para si ganhos de toda a ordem, em detrimento dos males de que enfermam as populações.
A história começa no dia em que morreu Salazar, no ano de 1970, e acaba na actualidade. Dois jovens, que nasceram e cresceram na mesma aldeia, têm desde cedo diferentes formas de viver e de conviver em sociedade. A mesma camioneta de carreira leva-os da aldeia, a caminho de Lisboa, onde vão prosseguir os estudos. Aí cada qual vive no seu meio estudantil, um ingressando nos movimentos de luta contra a ditadura e outro vivendo unicamente para os estudos e convivendo com alguns servidores do regime. A revolução dos cravos apanha-os a ambos na capital e cada um vive de sua forma o acontecimento.
O que lutou contra a ditadura mantém-se sempre fiel às suas convicções, defendendo a liberdade e a justiça. O outro torna-se oportunista aderindo a cada momento aos partidos dominantes, numa inabalável ânsia pela riqueza e pelo poder.
A sociedade degrada-se e os sonhos de uma vida melhor num mundo mais justo e fraterno vão-se desfalecendo à medida que o tempo caminha e que as paixões revolucionárias dão lugar ao pragmatismo governativo e à submissão às políticas internacionais. O idealista mantém a esperança mas olha desolado para o estado a que as coisas chegaram, cansado e triste pelo rompimento do projecto de mudança que se iniciou com a Revolução de 25 de Abril de 1974. O pragmático, desprovido de ideais, olha com avidez para cada mudança, procurando obter para si benefícios financeiros, que o fazem um homem rico e um dignitário do poder.
É o quarto livro que António Emídio publica. Todas as suas obras são verdadeiros aforismos ou alegorias, que nos revelam algo que temos de descortinar.
O livro «As Metamorfoses do Lobo» recomenda-se como exercício de interpretação. Queira o leitor interessado descobrir nas entrelinhas e nos enredos da história os alertas que o autor quis deixar.
A obra pode encontrar-se nas livrarias e papelarias do Sabugal.
plb
Natural de Valongo do Côa, concelho do Sabugal, a socióloga Teresa Carreira escreveu e publicou um novo livro intitulado «Educatio – Novos desafios - Sociologia da Escola». Trata-se de um estudo que se centra na importância da educação enquanto desafio fundamental nas sociedades contemporâneas.
O livro, que afinal é um estudo cientifico da maior importância, parte da ideia que os desafios sociais que interferem nos contextos educativos e formativos são cada vez maiores.
No entender da autora, o estudo justifica-se porque vivemos num contexto de fortes transformações societárias, na era da informação e do conhecimento, onde a aposta na formação ao longo da vida, lifelong learning, é uma das estratégias prioritárias na União Europeia, para tornar os países capazes de competir numa economia global. Assume-se também que a condição sine qua non do desenvolvimento dos indivíduos e das nações é a sua adesão ao paradigma que interliga a socialização e educação à aprendizagem permanente. Assim, a educação é uma peça fundamental da knowledge-based economy, sendo a aprendizagem e a formação considerados pilares do crescimento e competitividade.
Os temas de análise das Ciências da Educação e da Sociologia da Educação são preocupações mundiais que apelam, com especial atenção, para as vantagens da intermulticulturalidade e igualdade de oportunidades para todos.
O livro foi publicado em Janeiro de 2008, pela Editorial Minerva, inserido na colecção «Educação e Ciências da Educação». Tem prefácio de Tomé Belaluz e posfácio de Alice Tomé.
A autora do valioso ensaio, Teresa Carreira, é Professora da Universidade do Algarve, doutorada em Ciências da Educação, Cientista, Socióloga e Educóloga, tendo uma vasta obra bibliográfica publicada em Portugal e no estrangeiro.
plb
O escritor açoriano Cristóvão de Aguiar é homenageado hoje, sábado, 23 de Fevereiro, no Mercado Ferreira Borges na Festa do Livro. O autor da trilogia de romances «Raiz Comovida» aproveita a ocasião para apresentar o seu mais recente romance «Braço Tatuado».
Cristóvão de Aguiar nasceu em 1940, na Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Açores e está ligado, pelo casamento, à vila do Soito no concelho do Sabugal. O seu mais recente romance «Braço Tatuado - Retalhos da Guerra Colonial» é hoje, sábado, apresentado na Festa do Livro, no Mercado Ferreira Borges, no Porto.
Licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Coimbra já depois de ter participado entre 1965 e 67 na Guerra Colonial na Guiné. Como escritor já recebeu várias distinções incluindo o Prémio Miguel Torga e a Ordem do Infante D. Henrique em 2001.
O ex-director de A Bola Carlos Miranda escreveu um dia: «Cristóvão de Aguiar retrata a sua passagem pela guerra de África. E o livro deixou de ser de cabeceira para ser de todos os possíveis momentos. Muito se tem escrito sobre um certo virar de costas dos nossos escritores ao tema da guerra colonial. Um certo mas não completo, pois a bibliografia da guerra de África, aos poucos e poucos, tem crescido o seu bocado, e com algumas obras de grande categoria. Confessamos, no entanto, que nenhum dos escritores nos terá impressionado tanto como o Cristóvão de Aguiar, um depoimento forte, impressionante, cruel, onde nos é revelada muita coisa que, até aqui, só nos tinha sido contado por familiares ou amigos.»
O escritor Victor Rui Dores considera que o romance é escrito com desenvoltura narrativa que nos percepciona a guerra não só sob o ponto de vista de ex-combatente mas também na perspectiva do próprio povo africano vitíma, como nós, dessa guerra escusada e inglória.
«Anti-heróis inadaptados numa guerra onde o que conta é manter-se vivo, as personagens (humaníssimas) deste livro entregam-se com sinceridade a contar o tempo que lhes falta para o definitivo adeus às armas, aguardando, com impaciência, que o navio Uíge os transporte de regresso a Portugal. Como aspecto positivo da guerra, ficarão apenas as amizades que se construíram, as cumplicidades que se aprofundaram, as experiências de grupo que se viveram», pode ainda ler-se no comentário à obra.
jcl
Aristides Duarte vai lançar a 3.ª edição da sua obra «Memórias do Rock Português» com novas imagens e uma capa renovada.
A publicação, em edição de autor, foi revista e actualizada com novas imagens e uma capa renovada e estará à venda a partir de meados de Fevereiro. Contém 230 páginas (14 a cores) com muitas fotografias e relata a história da música moderna portuguesa, desde os tempos do «yé-yé», nos anos 60.
A edição inclui cerca de 60 biografias de bandas e artistas da música moderna portuguesa, desde «Os Claves» aos «Mão Morta». Há, ainda, espaço para relatos de concertos, uma entrevista, muita memorabilia e uma discografia básica do rock português.
Recorde-se que a primeira edição da obra foi lançada em Abril de 2006. Em Outubro do mesmo ano saiu para os escaparates revista e aumentada a segunda edição.
Ambas as edições esgotaram, pelo que esta terceira edição servirá para aqueles que nunca adquiriram a obra, ou para aqueles que queiram manter-se actualizados com tudo o que, desde Outubro de 2006, aconteceu nos meandros do rock português.
O livro tem muitas referências ao concelho de Sabugal, nomeadamente relatando episódios ocorridos em concertos nos famosos Bailes de Finalistas do antigo Externato Secundário do Sabugal ou noutros locais.
Aristides Duarte, natural de Soito (Sabugal) é professor do 1.º Ciclo do Ensino Básico e, há uma década um caminho de divulgação da música portuguesa, nas páginas do semanário «Nova Guarda» e através do seu blogue «http://rockemportugal.blogspot.com» onde os acontecimentos musicais do concelho, desde que relacionados com a temática da música moderna, não deixam de ser relatados.
A obra poderá ser adquirida directamente ao autor através do endereço de e-mail: akapunkrural@gmail.com ou através do telemóvel 962929908.
Um segundo volume da obra, totalmente inédito, está nos planos do autor, o qual poderá surgir no final deste ano.
ad
«Alfaiates na Órbita da Sacaparte» é um importante livro do falecido Padre Francisco Vaz, natural de Alfaiates, que além de ministro do culto foi missionário em África, pedagogo no Colégio Universitário Pio XII, escritor e empenhado investigador.
O livro, em três volumes, é uma dádiva ao muito crente povo de Alfaiates, terra que cuja história se assemelha a uma parábola: «Longa caminhada. Ladeando encostas, arranca, trémula, da penumbra densa».
É um trabalho profundo, resultante de uma grande e dedicada investigação. As suas páginas revelam a enorme erudição do seu autor. Da linguagem poética, carregada de metáforas, nota-se a veia de um homem que conhece a fundo as escrituras, manuseia o saber popular e está por dentro da história da região.
Alfaiates é das mais antigas terras da Ibéria. Evoluiu ao sabor dos tempos, dos povos e das culturas dominantes. Dos Lusitanos aos cristão, passando pelos romanos e os árabes, o burgo teve sempre uma importância estratégica. A gente de Alfaiates é religiosa, muito temente a Deus e sempre votada à devoção de Nossa Senhora.
Os lugares de culto destacam-se entre os monumentos coevos de que a vila está recheada. A par do forte e formoso castelo, lá estão as pontes romanas, as fontes medievais, o pelourinho, a igreja matriz e a da Misericórdia. De entre os vestígios históricos ressalta porém e o convento da Sacaparte, e o santuário da sua Senhora, a Santa Maria de Riba Côa. Francisco Vaz discorre sobre o estranho nome de Sacaparte, tentando encontra o fio que permita dobar a meada. Conclui que no essencial interessa olhar para o santuário como espaço de fé e de cultura, onde os homens de todos os tempos se cruzaram com a divindade. Vai ao encontro do culto que ali existe desde outras eras, explica o sentido de cada palmo das pedras que compõem o antigo convento, da igreja mais recente, evoca as imagens que ali se veneram, enumera as cruzes à roda dos caminhos que percorriam os romeiros e as fontes onde se dessedentavam. Descreve a via-sacra, o simbolismo das alminhas e evoca os cultos que marcaram a vida religiosa do santuário mariano.
Para além do marcante aspecto religioso, o livro aborda também os modos de vida do povo no quotidiano e a historia do burgo e da região onde está implantado. Lá está a explicação dos forais, que se transcrevem, assim como o Tratado de Alcanizes, que também se publica. Explanam-se os inquéritos paroquiais do tempo do rei D. José.
No referente à vida do povo que evoca a Senhora, lá estão as tradições antigas, que perduraram durante séculos, parte delas de mãos dadas com a prática do culto. Também se abordam as falas populares, os ditos, os estranhos vocábulos e os seus significados. Três volumes de erudição e de amor filial à Senhora da Sacaparte e ao povo simples e corajoso de Alfaiates.
plb
A apresentação do livro de poemas «Frias Madrugadas» da escritora fojeira Amélia Rei vai ter lugar no Centro Cívico Nascente do Côa em Maio aquando do 1.º Encontro de Escritores das Terras de Ribacôa.
Após a participação numa antologia de Poesia editada pelo Ministério da Educação em 2004 e a publicação do romance «Laura, a Última Viagem», com o pseudónimo literário de Regina R, é com todo o prazer e orgulho que noticiamos em primeira mão o lançamento de mais um livro de poemas desta nossa conterrânea e amiga, a professora Amélia Rei Dias, aposentada, amante da terra-mãe, à qual resolveu voltar após um afastamento de 45 e actualmente co-responsável pelos assuntos culturais do Centro cívico Nascente do Côa sediado na freguesia de Foios, concelho do Sabugal e distrito da Guarda.
De salientar o interessado trabalho desenvolvido nesta área, totalmente em regime de voluntariado, sobretudo com os jovens e com a organização e gestão da Biblioteca do Centro Cívico.
Este acontecimento vai ter lugar no dia 24 de Maio de 2008, aquando do 1.º Encontro de Escritores das Terras de Ribacôa.
O livro supra-citado consta de quatro partes (distintas mas interligadas), a saber:
I –Terra-mãe, Ventre Fecundo de Onde Brotam Rios e Poemas;
II – De Pégaso à Fonte de Hipocrene;
III – Laura, os Poemas por Escrever;
IV – Radiografias da Alma.
Não é difícil adivinhar que, embora separados por uma questão de organização, todos os poemas formam um hino de amor desta poetisa: à terra que a viu nascer, aos cavalos que tem e lhe são tão queridos, ao romance que considera inacabado e a que o público menos atento não deu o devido valor, à vida e ao ser humano capaz de cometer erros mas que sempre se poderá sobrepor a eles se tiver força de vontade para isso.
É, pois, um livro a não perder e de que todos nós, gente da Ribacôa, nos podemos orgulhar.
José Manuel Nunes Campos,
presidente da Junta de Freguesia de Foios
«Dom Frei Gedeão, Templário», é o título de um livro de Mário Simões Dias, que se soma a outros da mesma autoria, dedicados à história e às gentes das terras do Cimo Côa.
Mário Simões Dias, nasceu no Pombal, lugar da freguesia do Rochoso, concelho da Guarda, mas gosta de assinalar que cresceu brincando entre as pedras históricas de Vilar Maior. Radicado em Coimbra, onde estudou e fez profissão, manteve o apego às terras de origem. Dedicando-se à escrita, num permanente afã criativo, deu à estampa dezenas de livros, na sua maioria dedicados ao culto divino e à história da região onde nasceu.
«Dom Frei Gedeão» é um livro pequenino, de 86 páginas, que se lê num ápice. Trata-se de uma ficção assente num contexto histórico real: a luta dos cristãos contra os moiros no tempo medieval, tentando libertar as terras peninsulares do infiel invasor. Gedeão é o herói da acção, o corajoso frade guerreiro nascido em Vilar Maior, que ainda jovem integrou a Ordem do Templo, sendo um dos mais corajosos combatentes, cuja força e coragem o tornavam comparável ao famoso Gedeão bíblico, que apenas com 300 homens derrotou milhares.
Começando-se a leitura parece estar-se ante um dramático conto medieval, mas cedo se descobre que o autor insiste em estar presente, dando a todo o tempo pormenores acerca do enquadramento histórico que subjaz à acção.
O conto vale sobretudo pelos abundantes pormenores acerca da organização dos freis templários: o ritual religioso, a estrutura militar, a assistências às populações. Para melhor elucidação, o livro contém um conjunto de pequenas estampas onde se reproduzem imagens dos freis guerreiros, dos monumentos e dos simbolismos da Ordem do Templo. Também tem algumas notas que explicam a origem dos lugares, as datas importantes e a história real de algumas personagens. A finalizar há ainda um pequeno apêndice com a história de vida de S. Fernando, um importante cavaleiro medieval, muito audaz, leal e cristão.
plb
«Na Eternidade Nada nos Separará», é o último romance de António Emídio, escritor natural do Sabugal. É uma história de amor e de ódio, de abusos, de luta e de indignação, que vale a pena ler e sobre ela reflectir.
A acção decorre num Portugal futuro, numa sociedade onde o medo tomou conta das pessoas, em que os direitos foram restringidos, o mercado e os banqueiros passaram a dominar, numa ditadura encapotada.
Deixou de ser feriado em 25 de Abril, passando a sê-lo em 11 de Setembro, data mais significativa para a humanidade. As eleições continuam a existir, num sinal democrático, mas não importa qual partido ganhe, que tudo dá no mesmo. As mesas de voto deixaram as escolas e instalaram-se nos centros comerciais, onde as grandes cadeias de supermercados, que patrocinam os partidos, oferecem créditos e descontos a quem prove ter votado. Instalou-se a anarquia capitalista. A saúde e a educação estão completamente privatizadas. Os livros escolares estão repletos de publicidade comercial. A Filosofia e a Literatura foram banidas dos currículos, agora nada voltados para banalidades.
A cultura foi votada ao desprezo, ao povo vale apenas o futebol. A democracia baseia-se apenas na ideia de liberdade, valor supremo, e único, que importa defender, ainda que com a maior das hipocrisias e por meio do logro. O terrorismo internacional surge como espantalho encenado pelos donos do poder, para manter o medo entre a população, e assim melhor a manipular.
É um livro de indignidades, que nos alerta para os riscos que corremos com a evolução da globalização e do seu caminho de destruição. O cenário pode parecer-nos irreal, mas uma análise atenta leva-nos a concluir que se não houver resistência a evolução da sociedade conduzir-nos-á a uma realidade similar à que o autor nos descreve e na qual o drama se desenvolve.
Pelo meio há uma história de amor proibido, cujos protagonistas procuram a felicidade, mal grado os obstáculos que lhes colocam no caminho.
plb
Um rapaz de haveres, que caça na serra, encontra por entre as urzes uma bela rapariga, por quem se apaixona imediatamente. Mas a galfarra diz-lhe ser filha do Montejo e o moço estremece, apavorado de ouvir o nome do sanguinário bandido que assola as terras da raia sabugalense.
Obra ultra-romântica, «Rosa da Montanha» foi escrita por António José de Carvalho, natural do Sabugal, filho de um médico da vila, que no entanto optou por se radicar em Lisboa por largo tempo da sua vida. O romance tem por enquadramento o Sabugal, Quadrazais e a Serra onde se acoitava a quadrilha do temível Montejo.
Eugénio, assim se chama o jovem estudante e caçador, encanta-se com a jovem que diz ser filha do bandido, ficando profundamente apaixonado pela cândida criatura que encontrou na serra. Mas o destino conduziu-o esse mesmo dia a uma outra paixão: a de uma jovem contrabandista quadrazenha chamada Florinda.
De resto o livro é a história de um jovem ultra-apaixonado, dividido entre dois amores, sob a permanente atenção e protecção de uma mãe extremosa. Em todo o tempo o livro moraliza, tratando da valoração do bem e do amor e da rejeição absoluta do mal, do crime e da vilania.
Malgrado o exagero próprio de um romance sentimental, Rosa da Montanha tem a virtude de levar o leitor até à sociedade raiana de meados do século XIX, dando-lhe um quadro bem real dos modos de vida do povo. Também o conduz a alguma da realidade histórica, marcada pelas malfeitorias praticadas pelo bando do Montejo, que de facto existiu naquele tempo.
Como seria de esperar, o romance acaba em bem: os vilãos são mortos ou aprisionados, os cativos libertados das garras dos bandidos e Eugénio e Rosa casam felizes, prometendo amor eterno.
O livro foi originalmente publicado em 1871. A Casa do Concelho do Sabugal reeditou-o em 2002, com adaptação do texto às normas ortográficas actuais. Pinharanda Gomes escreveu um elucidário e colocou-lhe algumas notas, pelo que a edição ficou enriquecida, podendo agora ser adquirida na Casa do concelho do Sabugal em Lisboa ou na Câmara Municipal do Sabugal.
plb
«A Antiga Vila de Sortelha, Aldeia-Museu de Portugal» é o título de um precioso livro da autoria de Vítor Pereira Neves, que assim deixou à sua terra de nascimento uma valiosa monografia que em muito contribuiu para a sua afirmação no contexto regional.
A primeira edição da obra aconteceu em 1981, mas o rápido esgotamento dos livros levou o autor, volvidos 10 anos, a promover uma segunda edição. O sucesso da obra fez com que Vítor Pereira Neves não se coibisse de considerar ter contribuído decididamente para que Sortelha fosse uma das dez Aldeia histórica de Portugal, que receberam apoios do Estado para requalificação. Assim, de aldeia abandonada e sem futuro à vista, transformou-se num importante pólo de turismo na região, com claras vantagens para a população local.
O livro é simultaneamente uma obra monográfica e etnográfica, sem esquecer as referências à longa e rica história de Sortelha. É sobretudo um livro de evoca o heróico povo desta antiga vila amuralhada que em tempos foi praça militar crucial da defesa do reino, enquanto o termo de Portugal se situava no rio Côa, ou seja, antes de D. Dinis ter obtido Riba-Côa pelo Tratado de Alcanizes, firmado com o monarca de Leão.
Pereira Neves, homem de abundante saber, descreve ao pormenor os lugares de maior importância de Sortelha. Explica a origem dos topónimos, infere as razões pelas quais os monumentos ali estão instalados e explica como as coisas eram executadas em tempos remotos. Aqui e além há um alerta oportuno aos poderes públicos, reclamando intervenção para o bom cuidar das nossas coisas.
No referente às tradições e ao linguajar popular, o autor revela também os seus profundos conhecimentos. Fala-nos das crendices e superstições que povoavam a mente de um povo entregue a si mesmo. Também nos indica as mesinhas a que se recorria para curar as maleitas e os achaques. Mesmo em relação à gastronomia o livro elucida-nos acerca de quais eram as ementas a que o povo mais recorria, quer fosse na vida quotidiana, nas fainas do campo, ou quando ocorresse festividade em que tivesse de preparar refeição mais aparatosa. Ainda uma palavra para a dialectologia do povo sortelhense, a que tão bem alude, explicando os termos usados e o seu significado, sem esquecer nalguns casos a explicação acerca da origem de certas expressões.
Um livrinho fascinante acerca de uma das mais belas aldeias medievais portuguesas, que bem merece destaque.
plb
Há duas traduções para português recomendadas da obra de Platão «Apologia de Sócrates». Uma é de Manuel Oliveira Pulquério e outra é da autoria do filósofo Pinharanda Gomes.
A obra «Apologia de Sócrates» de Platão tem duas traduções de grego para português reconhecidas nos meios literários e intelectuais. Uma pertence a Manuel Oliveira Pulquério e a outra ao filósofo e pensador quadrazenho Jesué Pinharanda Gomes.
O Capeia Arraiana teve acesso a uma análise especializada à tradução da obra assinada por Hugo Santos. Aqui deixamos alguns tópicos:
«Desde o prefácio que se evidencia o poderio do prefaciador e tradutor. A figura do filósofo, na sua defesa solitária, o seu magistério, a época ressaltam, com brilhantismo, das palavras iniciais de Pinharanda. O seu trabalho afigura-se-nos notável e o original surge-nos vertido num puríssimo português, rigorosamente exposto, com a força do que é claro e sólido» escreve o analista literário Hugo Santos.
A força da tradução de Pinharanda Gomes dos textos gregos do filósofo Platão tem passagens com pensamentos dialécticos intemporais. «Ora bem, Atenienses, não faço a minha apologia a favor de mim próprio, como alguém pode julgar, mas principalmente por mor de vós, que, ao condenar-me, erraríeis contra a graça que de mim vos fez o deus (…) Nunca fui mestre de ninguém, e se alguém, jovem ou velho, pretende ouvir-me falar e observar o que faço, nunca a tal me opus, nem nunca dialoguei a soldo, nem deixei de dialogar por não me pagarem (…) Escreveu com brilhantismo de forma e com analítica inteligência o teor da oração socrática (…) A Platão terá interessado mais o teor dialéctico do que o registo novelístico do processo».
E como diz o filósofo: «É possível que nenhum de nós saiba algo de belo e de bom, mas ele julga que sabe quando nada sabe, enquanto eu, que nada sei, não julgo que sei.»
Nunca é demais falar de Pinharanda Gomes. O grande pensador merece todo o nosso respeito e reconhecimento.
jcl
Nordestinas e Sabatinas é um livro que testemunha a luta por duas grandes causas: a do jornalismo militante através de um simples e humilde boletim paroquial e a do desenvolvimento de aldeias recônditas e esquecidas.
Francisco dos Santos Vaz compilou em livro as suas belíssimas e acutilantes crónicas que publicou durante mais de 30 anos no jornal Nordeste, de que foi, e ainda é, director.
Os textos estão datados, o que permite ao leitor acompanhar a evolução do jornal e a sua importância nas grandes lutas pelo desenvolvimento das aldeias do concelho do Sabugal a que se reportou. O autor, nascido na Bismula, é senhor de um cultivado estilo narrativo, recorrendo por vezes à ironia e ao humor, mesmo que a mensagem seja amarga, revelando a triste vida das aldeias raianas, onde os benefícios do progresso tardavam em chegar.
Cada texto tem uma mensagem de grande profundidade, sendo de alerta, de lamentação ou até de reivindicação, sempre em nome do povo. Um povo humilde e valente, também muito religioso e temente a Deus, muito dado à aventura, mas a quem os poderes públicos tardam em dar meios para seguir nas vias da fortuna.
«Nordestinas e Sabatinas» é a história da luta pelo desenvolvimento das nossas terras. Ali, em estampa, revela-se a vida difícil das pessoas quando as estradas eram de terra batida, não havia máquinas nos trabalhos agrícolas, a água não era canalizada e a iluminação era feira com candeia de azeite. Mas, face à vida difícil dos paroquianos, o Nordeste e Francisco Vaz estavam lá para dar palavras de conforto e também para denunciar os males de que as aldeias padeciam, reivindicando as mudanças que eram necessárias.
Um livro único, publicado no ano 2003, que testemunha uma luta de um homem de convicções que, contra ventos e marés, sempre esteve ao lado dos povos que enquanto padre pastoreou e enquanto jornalista observou.
plb
