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A ADES-Associação Desenvolvimento Sabugal leva a efeito no domingo, 27 de Julho, mais uma edição do «Pintar Sabugal». A edição de 2008 inclui uma exposição e venda no Museu Municipal das obras do ano anterior.

«Pintar Sabugal»No sábado, 26 de Julho, pelas 19 horas, será inaugurada no Museu Municipal do Sabugal a exposição de pintura «Pintar Sabugal-2007» que poderá ser visitada até ao dia 17 de Agosto.
No domingo decorre ao vivo no Largo do Castelo a sétima edição consecutiva do «Pintar Sabugal» com a participação de crianças, artistas convidados e pintores do Grupo de Artistas e Amigos da Arte (GART).
O objectivo dos artistas plásticos presentes é seleccionar e retratar em aguarela, óleo ou carvão os diferentes locais do Sabugal.
A iniciativa é organizada pela ADES-Associação Desenvolvimento Sabugal e conta com o apoio do Município do Sabugal, da empresa municipal «Sabugal+», da Junta de Freguesia do Sabugal e do GART.
jcl

No dia 14 de Agosto, em Vale de Espinho, na Casa do Povo, pelas 17 horas, será feito o lançamento do livro «Viagens na minha infância – Lembranças romanescas», escrito por Joaquim Tenreira Martins, natural desta terra raiana, em presença de familiares, personalidades portuguesas e espanholas e de amigos provenientes de várias regiões do país.

Joaquim Tenreira MartinsPela mesma ocasião, será apresentada a criação da editora Côa-Águeda, com sede provisória no Centro Cívico de Fóios, que, em parceria com a editora O Progresso da Foz, do Porto, pretende dar uma achega ao desenvolvimento desta zona raiana portuguesa e espanhola, através da edição de livros escritos pelas gentes de valor dispersas um pouco por toda a parte.
O livro «Viagens na minha infância – Lembranças romanescas» de Joaquim Tenreira Martins, com o prefácio de João Fatela, será o primeiro das edições Côa-Águeda, esperando que outros autores naturais ou adoptivos desta zona raiana portuguesa e espanhola possam publicar nela as suas obras no capítulo da escrita, seja ela de ficção ou ensaística.
A publicação interessará certamente jovens e pessoas de mais idade. Em companhia calorosa de seu pai, o autor descreve-nos o ambiente fascinante de uma aldeia de há 50 anos, através do olhar admirativo e maravilhado de uma criança.
Os mais idosos recordarão tradições horizontes, lugares, pessoas que nos moldaram ao longo da nossa vida e que continuam a viver connosco onde quer que estejamos.
Para os mais novos a história leva-os para uma ambiente digno de Harry Potter. Não faltam histórias de bruxas, de lobisomens, de anjos maléficos, de senhoras da má-hora, de lobos e de outros medos de carácter universal que também perpassavam naquela aldeia.
O autor, juntamente com o editor, Joaquim Pinto da Silva, escolheram esta altura de Verão em que naturais de Vale de Espinho, provenientes dos mais variados cantos de Portugal e do estrangeiro, se encontram na terra. É o momento de lembrar tradições, que, quer queiramos quer não, construíram o nosso imaginário e nos ajudaram a viver.
No final do livro o autor insere um glossário de perto de mil palavras típicas desta aldeia do interior raiana que ou não se encontram ainda no dicionário ou têm aqui um sentido diferente.

Alguns dados sobre o autor
Joaquim José Tenreira Martins nasceu em 1945, em Vale de Espinho, Concelho de Sabugal, zona raiana, perto da nascente do Côa e da Serra da Malcata.
Fixou-se na Bélgica em 1972 onde fez estudos de Assistente Social. Concluiu a Licenciatura em Ciências Políticas (Universidade Católica de Lovaina) e posteriormente a Maîtrise em Direito (Universidades de Lovaina e de Lille). Foi Professor de português, durante dez anos no ISCID (Institut Supérieur de Commerce International de Dunkerke, Universidade do Litoral, França).
Trabalha no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas, mas o seu ambiente familiar é essencialmente belga.
Casado, pai de 3 filhas, foi a sua mulher, belga, que lhe sugeriu a ideia de transpor em livro o ambiente da sua infância, esperando que a língua paterna possa também ser transmitida e saboreada pelos seus, na falta de serões, como nos seus tempos de menino.
Joaquim Tenreira Martins

O artista plástico Kim Prisu, natural de Aldeia da Dona, inaugurou este domingo, 6 de Julho, no Museu do Sabugal, uma exposição de pintura que integra criações de vários anos.

O artista que deu origem ao conceito Nuklé-Art e que quis transformar a «sua» Aldeia da Dona numa aldeia cultural está de volta ao concelho do Sabugal.
Joaquim António Gonçalves Borregana que assumiu o nome artístico de Kim Prisu inaugurou no passado domingo, 6 de Julho, uma exposição retrospectiva que inclui obras de diferentes anos.
A descrição do artista e da sua obra por Xavier Silva Rodrigues tem algumas afirmações desconcertantes e deixa alguns avisos aos visitantes. «Para assimilar a obra de Kim Prisu necessita-se sacholar a essência original numas distintivas inextinguíveis do urbano e do campo no qual ele viu a luz pela primeira vez. (…) A sua obra evolui num discernimento que o levam ao início da Dona Aldeia de onde ribombam linguagens, aromas e pigmentações no mundo inconcebível de Kim Prisu.»
É um artista único com um estilo único. Sabugalense, emigrante em França para onde foi levado com apenas nove meses, vive há nove anos no Pinhal Novo, junto ao Montijo.
A sua exposição estará patente no Museu do Sabugal até ao dia 3 de Agosto, de terça a sexta-feira, das 9 às 12.30 e das 14 às 17.30 horas e aos fins-de-semana das 14.30 às 18.30 horas.
Antes da visita aproveite para reler a excelente crónica de José Robalo publicada nas «Páginas Interiores» sobre Kim Prisu intitulada:
«Aldeia da Dona – Museu a céu aberto» Aqui
E também: «A arte do Kim Prisu de Aldeia da Dona» Aqui.

Mesmo assumindo a nossa amizade de sempre com o Kim consideramos que a «Sabugal+» concretizou uma das mais importantes exposições do seu historial.
De visita obrigatória…
jcl

José Leite de Vasconcelos, o grande etnógrafo e antropólogo português nasceu em 7 de Julho de 1858 em Ucanha, concelho de Tarouca, na Beira.

Durante a sua vida, dedicada ao estudo e à investigação antropológica, publicou mais de 1200 estudos e empenhou-se na criação do Museu Etnográfico, hoje Museu Nacional de Arqueologia. Esse museu guarda um invulgar espólio documental, com mais de 24 mil documentos epistolares de José Leite de Vasconcelos, parte dos quais estão agora em exposição naquele museu, a par de uma mostra fotobiográfica.
Licenciou-se em medicina na Universidade do Porto e foi durante três anos delegado de saúde. Em 1888 tomou posse como conservador da Biblioteca Nacional, em Lisboa, passando então a dedicar-se por inteiro ao estudo da Arqueologia.
Em 1901 doutorou-se em Filologia pela Universidade de Paris e fundou a revista cientifica «O Archeologo Português», órgão oficial do museu, cuja edição ainda se mantém actualmente.
Investigador incansável, gostava de pisar o terreno e contactar com o povo. Correu o País de lés a lés, falou com as pessoas, observou as suas tradições, recolheu testemunhos do saber popular, analisou documentos e efectuou escavações.
Enquanto peregrino do saber arqueológico deixou uma obra de vulto, onde se distingue «Etnografia Portuguesa», de dez volumes, contendo o que apurou sobre o saber do povo português, incluindo referências à origem da nação, ocupação do território, religiosidade popular, tradições sociais e culturais.
Dessa vastíssima obra respigámos uma importante referência às nossas terras, que a seguir transcrevemos:

«Casas do concelho do Sabugal:
No concelho do Sabugal, pelo menos em algumas povoações que percorri (Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Souto, Vila Boa, Rendo), as casas têm, frequentemente, balcões exteriores que dão para a rua, ou para um curral, isto é, para um recinto descoberto mas murado, onde às vezes sobe uma alpendrada ou cabanal, nomes que ambos se usam conforme as terras, onde se aguardam aprestos de lavoura (carros, arados, etc.). O balcão consta de escadaria de pedra, encimada de um lajedo ou pátio descoberto, ou com telhado suspenso por colunas, a que também se chama alpendrada. As casas dos pobres são imundíssimas e rodeadas de estrumeiras, que até dificultam a passagem. À entrada das casas, que são altas e têm por baixo lojas para os animais, há uma saleta para a cantareira cheia de pratos na parte superior, e os cântaros da água na inferior. Segue-se a cozinha, com caniço, onde pende uma corrente que sustenta uma caldeira sobre o lume. Na parede do lar há um missão, espécie de poial para o lume a não queimar; correspondente à boneca do Sul. Também na cozinha está a pilheira, um compartimento para a cinza. Aos lados da saleta de entrada ficam os quartos de dormir.»

Aqui fica a nossa sentida homenagem ao grande etnógrafo português que foi José Leite de Vasconcelos.
plb

Continuando a viajar pelas páginas do interessante «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, faremos agora referência à questão religiosa, na altura centrada na polémica reaparição do clero regular, após um período em que conventos e mosteiros haviam sido extintos.

Manual PolôicoNo seu Manual Trindade Coelho fala-nos no colégio de Aldeia da Ponte, no concelho do Sabugal, a pretexto da questão religiosa. O dito colégio era na altura um dos que em Portugal, a coberto de se dedicar ao ensino e à beneficência, se mantinha em funções, com o beneplácito das autoridades.
Em 1834, pelo decreto de 28 de Maio, Joaquim António de Aguiar extinguira todos os conventos, mosteiros, colégios, hospícios e demais casas religiosas de todas as ordens regulares. Joaquim António de Aguiar ficaria conhecido por «Mata-Frades», por ter sido autor de tão radical legislação, inspirada na luta contra o jesuitismo, que se temia estar de novo a instalar-se em Portugal.
Porém em 18 de Abril de 1901 saiu um decreto de Hintze Ribeiro, que veio estabelecer a forma como se podiam constituir congregações religiosas, conquanto se dedicassem exclusivamente à instrução ou beneficência. Na decorrência da nova disposição legal voltaram a surgir conventos e mosteiros, mas tudo a coberto de se tratarem de congregações «docentes», que apenas tinham em vista ensinar.
Antigo Colégio de Aldeia da PonteDentre as associações religiosas que surgiram com o decreto, Trindade Coelho enumera no seu Manual Político a «Associação do Colégio de Aldeia da Ponte», instalada numa aldeia raiana do concelho do Sabugal. A pretexto do ensino, muitas instituições refundaram o espírito jesuíta e isso também se terá passado em Aldeia da Ponte. Trindade Coelho cita mesmo uma carta, datada de 19 de Março de 1906, de um cidadão da aldeia que denunciava a situação: «Igreja aberta continuamente. Fanatismo em redor e consideração cá em cima, do sr. Arcebispo. O resto V. prevê». Outra carta, datada de 25 de Março do mesmo ano, rezava: «O recolhimento de Aldeia da Ponte contava há dois anos 90 e tantos alunos. Há tempos, para iludir a lei, foi-lhe dado o carácter de oficina, fazendo-se aquisição de máquinas».
Nova carta, de 23 de Março: «No recolhimento não há, desde há muito, oficinas, aprendizes, nem ensino propriamente dito. Há meia dúzia de padres estrangeiros, salientando-se o seu fanatismo. Tendo-se coberto com o véu do ensino, este mesmo já o puseram de parte. O instituto ficou o que era: um centro de missionários jesuítas.
O jesuitismo tem hoje na Guarda um dos seus focos mais activos, sendo por ele combatido sem trégua o clero secular da diocese».

Para um melhor conhecimento do processo do antigo colégio de Aldeia da Ponte poderá consultar-se a série de artigos dedicados ao tema por Esteves Carreirinha na coluna «Ecos da Aldeia».
plb

Continuamos deambulando pelo «Manual Político do Cidadão Português», obra escrita por Trindade Coelho em 1906, altura em que o regime monárquico liberal dava os últimos suspiros, estando o Partido Republicano em plena ascensão. Nesta ocasião fazemos referência ao processo eleitoral então vigente.

Trindade CoelhoA capacidade eleitoral era restrita aos cidadãos portugueses maiores de 21 anos, domiciliados no território nacional, que cumprissem uma de duas condições: soubessem ler e escrever ou fossem colectados em verba não inferior a 500 réis. Em consequência da reforma eleitoral de 1901, de autoria de Hinze Ribeiro, a democracia havia mesmo regredido, pois até aí também eram eleitores os cidadãos que fossem chefes de família, embora não soubessem ler e escrever.
As eleições legislativas disputavam-se em círculos uninominais (em que se elegia apenas um deputado) e plurinominais (onde cada lista continha vários nomes e eram eleitos vários deputados). O escrutínio era secreto. Aberta a mesa de voto, era feita a primeira chamada dos eleitores, votando os que estavam presentes. Após a votação destes, seguia-se uma segunda chamada, designada «chamada geral», dos que não tivessem votado. Duas horas depois da «chamada geral» o presidente da mesa perguntava se havia mais alguém que pretendesse votar. Após a votação seguia-se o escrutínio dos votos, o qual não poderia prosseguir após o sol-posto.
Curioso era o modelo de requerimento de quem pretendia recensear-se por saber ler e escrever:
Ex.mo Senhor Secretário Recenseador: – F. filho de fulano e de fulana, natural de… de tantos anos de idade, estado, profissão, morador há mais de seis meses na rua de…, n.º…, andar, freguesia de…, desejando a sua inscrição no recenseamento por saber ler e escrever, como prova com esta petição feita e assinada pelo seu próprio punho: P. a v. ex.ª se digne mandá-lo inscrever na relação dos eleitores da sua freguesia. – E.R.M. – Data – Assinatura.
O requerimento tinha que ser escrito e assinado pelo requerente, ou na presença de tabelião, que o certificava. Outra forma era redigi-lo na frente do pároco, que o atestava sob juramento, sendo depois a identidade do requerente corroborada pelo regedor da paróquia. Ao requerimento deveria juntar-se certificado de idade, passado pelo pároco, e atestado de residência na freguesia há mais de seis meses, passado pelo regedor.
Trindade Coelho, homem de ampla visão, tece fortes críticas ao facto de não existir ainda o sufrágio universal. Afirma-se apoiante de uma reclamação do Partido Republicano, que exige uma mudança:
«Os abaixo assinados, membros de todas as classes sociais e representantes de todas as opiniões políticas, reclamam uma reforma eleitoral que, baseada no sufrágio universal, e consignado na autonomia política das cidades e a proporcionalidade de representação, permita a intervenção de todos os agrupamentos partidários na gerência dos negócios públicos».

Passado um século, podemos observar, quanto a monarquia constitucional estava longe de proporcionar ao país um sistema eleitoral democrático.
plb

A obra do escritor sabugalense Manuel António Pina dirigida à infância integra um Projecto de Animação Comum de 12 escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico do concelho do Porto, apresentado na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

Manuel António PinaO projecto consistiu no estudo da obra do autor por parte dos alunos das escolas envolvidas. Os mesmos após leitura de um ou mais livros de Manuel António Pina, realizaram trabalhos de recriação da obra. Esses trabalhos incluíram a expressão escrita, plástica e dramática ou através da produção colectiva de um texto poético.
Face ao desafio centenas de jovens estudantes responderam com elevado interesse inscrevendo-se nas iniciativas previstas, excedendo em muito as expectativas dos organizadores.
Os trabalhos produzidos no âmbito da iniciativa poderão ser vistos na Biblioteca Almeida Garrett até ao próximo dia 10 de Julho.
As escolas envolvidas foram as de Nevogilde, Pasteleira, Aleixo, Torrinha, São João da Foz, Viso, Bom Sucesso, Castelos, Ribeiro de Sousa, Gomes Ferreira, Campinas e S. Tomé.
A apresentação do projecto aconteceu na passada segunda e terça-feira. Os alunos apresentaram nessa ocasião diversas leituras declamadas e dramatizadas da autoria do escritor e jornalista, o que foi do agrado do público presente.
plb

Continuamos a referenciar o «Manual Político do Cidadão Português», de Trindade Coelho, que retrata a organização política do país há um século. Desta feita veremos como estavam então organizadas as câmaras municipais.

Manual PolticoCada concelho do reino tinha um corpo administrativo denominado Câmara Municipal, tendo a seu cargo «administrar o os peculiares interesses dos povos da respectiva circunscrição».
Trindade Coelho valoriza muito o papel dos autarcas na gestão dos municípios. Considera que estes foram os primeiros e mais importantes ninhos de democracia, sendo no seu seio que os cidadãos se preparam para vida pública, ao aprenderem a resolver os problemas das populações. «São os naturais viveiros onde o Estado pode ir buscar os seus legisladores, e os seus homens de governo», refere o Manual.
Os vereadores da câmara e respectivos substitutos eram eleitos pelos concidadãos do concelho que soubessem ler escrever e contar, ou que tivessem rendimentos superiores a 500 réis. Os eleitos serviriam por três anos civis, «a contar do dia 2 de Janeiro imediato à eleição ordinária». As funções de vereador eram obrigatórias e gratuitas, ninguém podendo portanto, se eleito, eximir-se a cumprir funções.
O presidente e vice-presidente da câmara eram escolhidos pelos vereadores eleitos, em escrutínio secreto, preferindo, havendo empate, o mais velho dos votados. Antes de entrarem em exercício os eleitos prestavam juramento de fidelidade ao Rei, à Carta Constitucional e às leis do reino.
A câmara celebrava uma reunião ordinária por semana, e as extraordinárias que o interesse do serviço público exigisse. Essas sessões eram públicas, não podendo porém os «espectadores», sob qualquer pretexto, intrometer-se na discussão ou manifestar-se, sob pena de serem de imediato presos e entregues directamente ao poder judicial. Às mesmas sessões assistia sempre o Administrador do Concelho (representante do Governo), que tinha assento ao lado esquerdo do presidente, podendo, esse sim, intervir sempre que o pedisse.
Ademais deveria o presidente entregar todas as semanas ao administrador, para por sua vez remeter ao governador civil, um resumo das deliberações tomadas pela câmara. O governador civil do distrito enviava então a informação de todas essas deliberações ao ministro do reino, muitas das quais necessitavam aliás da sua aprovação para entrarem em vigor.
Trindade Coelho manifesta opinião no seu Manual, considerando que tais disposições comprimiam a acção das câmaras municipais, porque sujeitas a controlo sistemático por parte do poder central, o que era castrador da sua autonomia. Acrescia a isto que as câmaras, assim como as juntas de paróquia, podiam ser dissolvidas a qualquer momento pelo governo.
Era essa mesma a prática corrente: «É geralmente nas vésperas de eleições de deputados que a degola de municípios tem lugar – sendo nomeados pelo governo para substituírem os vereadores do povo, quaisquer servintuários do poder, mais amoldados, por educação e por carácter, ao papel de escravos do que senhores, e mais aptos à defesa da servidão do que ao culto e ao respeito pela liberdade. E temendo a desforra, que seria a réplica da justiça popular ofendida pelos seus verdugos, o código declara que os vogais da corporação dissolvida são inelegíveis para a mesma na primeira eleição a que se proceder».

Estávamos ainda muito longe do poder local democrático que conhecemos hoje e que sobreveio à Revolução de 25 de Abril de 1974.
plb

No ano em que se assinalam os 100 anos da morte trágica do ilustre magistrado e escritor Trindade Coelho, julgamos importante abordar uma das suas obras literárias de referência: o «Manual Político do Cidadão Português». Em sua justa e merecida homenagem, vamos publicar uma sucessão de artigos acerca do conteúdo do Manual, de modo a pudermos comparar a organização que actualmente tem o Estado, com a que detinha há um século.

Trindade CoelhoNão só contos e novelas constituem o espólio literário do grande escritor transmontano, que ficou indelevelmente ligado ao Sabugal, por aqui ter iniciado a sua vida enquanto magistrado do Ministério Público. Especialista em Direito, colaborou em muitas reformas legislativas e publicou alguns livros nesta área do conhecimento.
De todos, o mais conhecido é o «Manual Político do Cidadão Português», publicado em 1906. O livro explica a organização da nação soberana, como contributo para que os cidadãos tomem consciência dos seus direitos e deveres e obtenham uma sociedade melhor educada, uma opinião individual consciente e uma opinião pública mais vigorosa.
Citamos as primeiras palavras da obra:
«Até pag. 196, este livro é a adaptação a Portugal da famosa obra de Numa Droz, Instruction Civique, o evangelho da educação cívica da Suissa, escripto por um homem que principiando a vida por mestre-escola, chegou pelos seus talentos e virtudes a presidente d’aquella República, a mais feliz e a mais educada do mundo.
D’aquella página até ao fim, o livro é inteiramente nosso, original; e expõe nas suas linhas fundamentaes todo o quadro das INSTITUIÇÕES PORTUGUEZAS, como ellas se encontram neste momento. Todos os materiaes d’esta parte, e os que na parte adaptada respeitam a Portugal, foram por nós pacientemente arrancados da montanha das nossas leis, carreados, talhados, dispostos, em ordem á edificação que tínhamos em vista, e ao nosso fim, que era educar.»
Manual Politico do Cidadão PortuguêsTrindade Coelho dedicou a obra aos seus concidadãos, no intuito de que do livro algo pudessem aproveitar para a edificação de uma sociedade melhorada.
O Manual aborda questões como o amor á Pátria, a soberania nacional, as formas de governo, a liberdade e a responsabilidade, a igualdade entre os homens, a organização e as funções do Estado, as instituições portuguesas e o direito internacional.
Começamos por falar nas juntas de paróquia, que eram, há um século atrás, um dos corpos administrativos do Estado, génese das juntas de freguesia.
A junta de paróquia tinha a seu cargo zelar pelos interesses da freguesia. Era composta pelo presidente, cargo que cabia ao respectivo pároco, e por vogais, estes eleitos pelos cidadãos eleitores da respectiva circunscrição (à época eram eleitores os maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever e os que, embora não conhecendo o alfabeto, fossem colectados em quantia não inferior a 500 réis). Nas freguesias que não excedessem mil habitantes elegiam-se três vogais e nas de população superior o número dos vogais a eleger era de cinco.
A junta reunia ordinariamente cada 15 dias e extraordinariamente sempre que a conveniência da paróquia o exigisse. O regedor da freguesia tinha por obrigação assistir às reuniões da junta e podia emitir parecer sobre todos os assuntos. A junta enquanto corpo administrativo tinha um secretário (que também secretariava o regedor) e um tesoureiro.
A imposição do pároco com «vogal nato e presidente da junta» resultara de uma lei de João Franco, do ano 1896. Até aí vigorara o código de 1878, de Rodrigues Sampaio, em que todas as juntas de paróquia se compunham por cinco membros eleitos, sendo o presidente escolhido pela junta dentre os elementos que a compunham. O pároco apenas tomava parte e votava nas deliberações acerca de assuntos eclesiásticos.
plb

Estão todos convidados para o lançamento do livro «Frias Madrugadas - Poemas» da poetisa fojeira Amélia Rei…

José Manuel Campos - «Nascente do Côa»Depois do romance «Laura, a Última Viagem», publicado em Março de 2005 sob o pseudónimo literário de Regina R., a autora fojeira Amélia Rei vai apresentar ao público mais uma obra, desta vez em poesia, com o título «Frias Madrugadas – Poemas».
O lançamento do referido livro vai ocorrer no próximo dia 22 de Junho, domingo, pelas 14.30 horas, no auditório do Centro Cívico Nascente do Côa, em Foios.
Conheço já alguns poemas de «Frias Madrugadas» e, pelo que li, posso afirmar que é uma obra que todos os amantes da poesia contemporânea irão apreciar.
O «Centro Cívico Nascente do Côa» convida os leitores do Capeia Arraiana a estar presentes no dia do lançamento.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Fóios)

jmncampos@gmail.com

O grupo de teatro «Coârte» estreia a peça «Rigor Orçamental» no dia 14 de Junho no Auditório Municipal do Sabugal.

«Coârte»A peça de teatro «Rigor Orçamental» tem a sua estreia marcada para sábado, dia 14 de Junho, no Auditório Municipal do Sabugal.
Após alguns meses de ensaios o grupo de teatro «Coârte», criado no início de 2006 pela empresa municipal «Sabugal+», faz a apresentação pública da sua terceira produção.
«Rigor Orçamental» é uma adaptação livre da peça «Medidas de Austeridade» do poeta, actor e encenador Carlos Wallenstein (1926-1990) e retrata com humor a sociedade actual. É uma peça perfeitamente adaptada ao momento difícil que a sociedade portuguesa atravessa.
A direcção, encenação, concepção de cenários e figurinos tem a assinatura de Fernando Carmino Marques.
O elenco é constituído por Mónica Bento, Soraia Pestana, Jomy, Daniela Pinheiro, Inês Alves e Eduardo Pinheiro.
A produção é da responsabilidade da «Sabugal+» e o bilhete custa 2,5 euros.
jcl

A delegação da Guarda do Inatel organiza passeios culturais abertos a sócios e não sócios ao longo do Verão. Para o presente mês de Junho estão previstas visitas ao Luso, Buçaco e Mealhada e às terras de Miguel Torga e Camilo Castelo Branco.

Inatel - Delegação da GuardaPara 14 de Junho, sábado, está programada uma visita ao Luso, Buçaco e Mealhada. A saída está marcada para as 7.30 horas junto à Câmara Municipal da Guarda. O passeio inclui visita guiada pelos chalés e casas senhoriais do Luso e à Mata do Buçaco com todo o seu magnífico património monumental e ambiental. Ao final da tarde os participantes serão presenteados com uma prova de champanhe nas Caves Messias na Mealhada. A chegada à Guarda está prevista para as 22 horas.
No dia 28 de Junho, sábado, o Inatel propõe uma visita às terras de Miguel Torga e Camilo Castelo Branco. A partida será novamente às 7.30 horas junto da Câmara Municipal. A visita inclui passagem por locais do universo torguiano, nomeadamente Régua, Vila Real, Sabrosa, S. Martinho de Anta e S. Leonardo de Galafura com a orientação de António José de Almeida. O regresso à Guarda está marcada para as 21.30 horas.As visitas incluem percursos a pé com grau de dificuldade baixo ou médio.
O valor da inscrição para os dois passeios incluindo transporte, serviço de guia, seguro de acidentes pessoais e almoço será de 27.50 euros para sócios do Inatel e de 32.50 euros para não-sócios.
A delegação do Inatel da Guarda está localizada na Rua Mouzinho da Silveira, 1, 6300-735 Guarda. Para mais informações e inscrições os interessados poderão utilizar o telefone 271212730, o fax 271215779 ou o mail del.guarda@inatel.pt.
jcl

Não vou cair em fatalismos se disser que nos estão a causar imenso dano as feridas provocadas por este sistema político/económico baseado no dinheiro e no lucro, pondo de parte a dignidade humana. O desprezo pela cultura, deixando esta de ser um bem comum para ser um privilégio exclusivo das classes dominantes é um facto.

Se às pessoas de hoje lhes retirarem a especialidade em que se formaram não sabem mais nada. Antigamente além da especialização havia cultura geral. Este sistema faz com que o homem deixe de existir como cidadão, retira-lhe a vontade, retira-lhe a dignidade e faz dele um simples consumidor, deixando de lutar pela solidariedade e justiça social. Talvez seja esse o objectivo principal dos senhores do sistema.
O que passará então a ser o homem? Um imbecil social que se limita a percorrer as grandes superfícies e centros comerciais onde se concentram restaurantes, cinemas, bancos, ginásios, automóveis, agências de viagens etc. O suficiente para fazer dele um consumidor. É aí, nessas grandes superfícies e centros comerciais que se dá a transformação de cidadão a imbecil social. Infelizmente os políticos amantes desta ordem das coisas tentam produzir o maior número de imbecis sociais possível.
Sendo assim regressemos ao nosso Concelho e formemos uma resistência. Resistência que integrará, como é natural, os homens e as mulheres da cultura, cuja principal acção se baseará nesta premissa: nunca danar o pensamento dos leitores e dos restantes receptores da cultura, porque é a coisa mais livre e digna que possui o homem.
Qual é a medida da cultura? Não sei, direi simplesmente que é a capacidade de não nos deixarmos manipular emocionalmente, nem controlar por qualquer ideologia, religião e publicidade.
Que armas iremos usar nessa resistência?
1.º Dar prémios literários, e outros, a quem se destaque na cultura no nosso Concelho.
2.º Criação de uma revista unicamente dedicada à cultura do nosso Concelho.
3.º Dedicar um dia (o do nascimento ou da morte) a um vulto da cultura do nosso Concelho.
4.º Colocar nos nossos jardins, placas com poemas e frases dos homens e mulheres da cultura do nosso Concelho.
5.º Colocar estátuas de bronze, ou granito, dos homens e mulheres de cultura do nosso Concelho, nas terras onde nasceram ou viveram. Porque não junto a um antigo fontanário onde muitas teriam matado a sede, junto da escola onde aprenderam as primeiras letras, porque não à entrada da aldeia, à beira da estrada que tantas vezes calcorrearam a pé. Acredite, leitor que seria muito mais digno, honesto do que vermos a actual colonização do espaço público por coisas que nos são alheias.
A isto que se convencionou chamar modernidade, os tempos de agora, não passa na realidade de decadência e regressão.
Vamos fazer uma revolução das consciências? Não ria leitor…Sabe o que dizia Cioran, um escritor Franco Romeno? «A longo prazo, a vida sem utopia torna-se irrespirável».
As grandes mudanças históricas sempre foram de ordem espiritual, saíram da alma do homem.
Não saíram de investimentos económicos, de obras faraónicas e de lucros astronómicos.
Opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A «Nova Águia» fez o seu primeiro voo. A revista pretende recriar um movimento de transformação das mentalidades e das vidas aglutinando algumas das mais notáveis figuras da nossa cultura. O número um inclui o ensaio inédito «Anamnese da ideia de Pátria» de mestre Pinharanda Gomes.

Nova ÁguiaJá está disponível nas livrarias o primeiro número da «Nova Águia», a revista semestral de cultura para o Século XXI. Vinculada a três entidades, Associação Marânus/Teixeira de Pascoaes, Associação Agostinho da Silva e Mil: Movimento Internacional Lusófono inspira-se na visão de Portugal e do Mundo de Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A «Águia» foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa cultura. A «Nova Águia» pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu «espírito», adoptando aos nossos tempos, ao século XXI.
Os ensaios, poesia e outros temas subordinados ao título «A Ideia de Pátria, Sua Actualidade» incluem inéditos, entre outros, de Pinharanda Gomes e Agustina Bessa-Luís.
O pensador e filósofo quadrazenho faz parte do Conselho de Direcção da revista e colaborou com o ensaio «Anamnese da ideia de Pátria» do qual transcrevemos uma passagem:
«Raiz da liberdade e da autonomia é o pensamento próprio, o pensamento pensante que aufere do pensamento pensado, renovando a tradição. O pensamento pensante dialoga com o pensamento pensado, do mesmo modo que a Filosofia dialoga com a Cultura. Não há forma de pensamento pensante puro, alheio ao pensado, pois todo o pensamento, ainda o inovador, parte de uma situação, recebida, e não criada, de modo espontâneo. A simples utilização das palavras leva o pensamento pensante a uma cultura situada. A Pátria é livre quando exerce a autonomia, a propriedade de um pensamento projectivo, e deixa de ser livre se não assumir o seu próprio na diferença, pelo que se anula como Pátria, que se revela ou manifesta na singularidade da liberdade de filosofar, sem a qual a Pátria se entrega a mortal cativeiro. Sem a assunção da Pátria, a Nação tende a desagregar-se e a perder a memória de de Justiça e Direito são base do trono pátrio.»
E como escreveu Fernando Pessoa: «O futuro de Portugal… é sermos tudo»
jcl

Não nos compete a nós, organizadores, fazer a avaliação deste Encontro que se realizou no passado dia 24 de Maio no auditório do Centro Cívico «Nascente do Côa» em Foios. Poderíamos pecar por excesso de modéstia ou por alguma falta de objectividade, dado que o mesmo foi preparado e vivido essencialmente com o coração. Contudo, podemos reflectir sobre o acontecimento e é isso que nos propomos fazer aqui.

1.º Encontro de Escritores das Terras de RibacôaCulturalmente, tivemos ocasião de partilhar saberes, de aprender com mestres, de levantar algumas questões e apresentar propostas que, a serem implementadas, muito contribuirão para o desenvolvimento cultural e até mesmo económico da região. Abordou-se o tema «Mentalidades» ou, mais concretamente, «Mudança de mentalidades», problema difícil mas não impossível de atenuar ou mesmo resolver se todos nós dermos o nosso contributo. Temos um passado de solidariedade, de luta e de coragem de que nos orgulhamos. É um facto indiscutível. Mas não podemos continuar a viver esse passado no presente e muito menos a perspectivá-lo para o futuro. A sociedade mudou, teremos que mudar também se quisermos acompanhar a evolução. Falou-se em interioridade e no abandono e esquecimento a que somos votados por parte do Poder Central. Inegável… Mas somos de rija têmpera, nós, os filhos de Ribacôa. Aproveitemos essas qualidades do passado que muito fizeram sem a ajuda do Poder Central que nos ignorou. Continuemos na mesma via e não esperemos eternamente pela ajuda que raramente vem. Adaptemo-nos aos tempos e à nossa realidade geográfica e sociocultural sem copiar modelos que nada têm a ver connosco. Talvez que a ideia da criação de uma Associação de Escritores de Ribacôa, proposta pelo Dr. Pinharanda Gomes no Encontro, seja um factor de mudança das mentalidades já que a mudança passa sempre pela informação e o conhecimento. Oxalá se concretize.
Todavia, o mais marcante do Encontro foi o clima de amizade que se viveu.
A maior parte dos oradores, até 24 de Maio, só era conhecida por nós através das suas obras e alguns contactos formais via email. Chegaram como convidados ilustres, partiram como amigos verdadeiros com a promessa de regressarem. A todos eles o nosso agradecimento profundo pelo belo dia que nos foi dado viver. Bem-hajam, à boa maneira de Ribacôa.
De lamentar apenas a falta de alguns órgãos da comunicação social da região. Talvez estejam connosco num próximo evento. Esperemos que assim seja.
Amélia Rei
(Assessora Cultural do Centro Cívico Nascente do Côa)

«Exposições 2008» é uma iniciativa da delegação do INATEL da Guarda que desafiou os centros culturais e desportivos de modo a realizar exposições sobre as suas próprias actividades.

Inatel - Delegação da GuardaA delegação do INATEL da Guarda desafiou os centros culturais e desportivos a integrarem o projecto «Exposições 2008» com mostras organizadas com as suas próprias actividades.
Aderiram este ano a esta iniciativa a desenvolver na sede dos grupos ou em espaços das suas localidades os seguintes grupos com as exposições abaixo indicadas:
– Rancho Folclórico de Gouveia – «As nossas memórias», de 7 a 30 de Junho na Tasca do António Cacho.
– Grupo de Amigos do Manigoto – «O Manigoto com Vida», de 22 de Maio a 22 de Junho na sede do Grupo.
– Centro Social Cultural e Recreativo de Paranhos da Beira – «A vida de um Centro Cultural», de 6 a 27 de Julho na sede do Centro.
– Centro Cultural de Famalicão – «Sentidos, retrospectiva de um projecto cultural (1991 a 2008)», no mês de Julho na sede do Centro.
– Rancho Folclórico de Vinhó – «Três décadas de recolhas», de 5 de Julho a 5 de Agosto na sede do Rancho.
– Rancho Folclórico de Vila Nova de Tázem – «Vinha e vindima», de 18 de Maio a 8 de Junho na sede do Rancho.
– Rancho Folclórico de Seia – «28 anos de cultura etnográfica», de 10 a 29 de Junho na sede do Rancho.
– Associação Juvenil Os Bazófias de Vale de Azares – «Os Bazófias», de 6 a 30 de Julho no Centro Cultural de Celorico.
Para lá destes períodos, as associações poderão fazer circular as exposições pelas outras associações em períodos entre 15 dias e um mês, se para isso forem solicitadas.
Joaquim Igreja
(Coordenador cultural do INATEL da Guarda)

Um evento cultural é sempre algo que a maior parte das vezes passa despercebido perante a esmagadora maioria da opinião pública. E todos sabemos porquê.

José Manuel Campos, Amélia Rei e Manuel Rito AlvesEm primeiro lugar a cultura não dá lucro, a partir daí é ignorada. Depois a anti-cultura instalada na nossa sociedade tem como principais promotores a televisão e os seus filhos dilectos que são o hedonismo e o relativismo, estes têm como função neutralizar qualquer acto que seja transformador. E não há nenhum acto verdadeiramente cultural que não seja transformador.
Transformador foi o Encontro de Escritores de Terras de Ribacôa que se realizou nos Foios. E transformador porquê? Quem assistiu ao evento reparou com agrado que não foi um simples passatempo nem um entretém banal, naquele espaço que é o Centro Cívico Nascente do Côa, a cultura mostrou-se no seu verdadeiro sentido transcendental, poemas, prosas, história do Concelho, realidade e actualidade do Concelho, textos e improvisos foram hinos à cultura tanto popular como erudita. Um pouco da vasta e profunda cultura espanhola esteve representada por elementos desse mesmo povo.
A sorte do Mundo vai ser ditada nestas pequenas pátrias que são as regiões, como lhes chama esse grande homem da cultura do nosso Concelho e do País, que é Pinharanda Gomes. O nosso Concelho também é uma pequena pátria, dele também sairá um grito de revolta e de protesto para aqueles que nos governam dos quais ainda só tivemos falsas promessas, retórica barata e mais nada.
Um agradecimento sincero a três pessoas. A primeira ao Senhor Presidente da Câmara, que é uma das honrosas excepções à maneira de fazer política, não tem como a maior parte dos que nos governam um programa instalado no cérebro virado somente para a economia, olha mais alto, é um amante da cultura.
Dignidade e resistência tem o promotor deste evento, o Presidente da Freguesia dos Foios, o Professor José Manuel, sempre assim o conheci. A resistência que aqui aludo, é a resistência à tentativa da destruição do Espírito de Abril, ou seja, da Liberdade. É um homem que luta contra a decadência e a regressão destes tempos ditos de modernidade. Não morrerá de todo, ficará como alguém que elegeu um ideal superior, não uma colecção de troféus.
Por fim, um agradecimento a essa mulher maravilhosa que é a Dª. Amélia Rei. Trabalhou e coordenou para que tudo corresse bem, assim como correu. Um bem-haja para ela.
Uma mensagem para todos, sem cultura não há progresso. E se por acaso houver algum, é só o material. E o progresso só material é progresso?
Alguém disse um dia: Há que ser culto para se ser livre.
António Emídio

Valorizar e recuperar o património ferroviário recuperando estações e linhas de caminho de ferro abandonadas transformando-as em circuitos de bicicletas é o objectivo da Refer e de autarquias como Figueira de Castelo Rodrigo.

Comboios no Alto DouroA Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo projecta recuperar o conjunto de edifícios de Barca d’Alva e transformá-los numa unidade hoteleira integrando a estação no Circuito dos Castelos.
Em declarações ao Diário de Notícias, Vicente Pereira, da empresa Invesfer, adiantou que «a intenção é chamar a iniciativa privada e associar os municípios que podem recorrer a fundos comunitários e desenvolver os projectos de valorização do património e integrá-los nas ecopistas.
A ecopista consiste no aproveitamento das linhas ferroviárias desactivadas para actividades de lazer e de turismo da Natureza privilegiando os passeios com bicicletas adaptadas aos carris.
Os edifícios mais carismáticos como estações e os antigos dormitórios dos ferroviários (como o do Pocinho) vão ser recuperados e integrados numa rede de pequenas pousadas e núcleos museológicos.
Na linha da Tua, a estação de Macedo de Cavaleiros, vai também receber uma unidade hoteleira associada a uma ecopista até à barragem do Azibo. Em Vila Real, Chaves e Arco do Baúlhe existem vários museus ligados aos comboios que poderão ser integrados neste projecto de recuperação do património ferroviário português.
jcl

No Dia Mundial dos Museus, 18 de Maio, destacamos o Museu Oriente inaugurado recentemente na Doca de Alcântara, próximo da zona de Belém, em Lisboa. Espaço de excelência no contexto cultura português é a concretização de um desígnio a que a Fundação de Carlos Monjardino se propôs desde que foi criada há 20 anos. A directora do Museu Oriente, Natália Correia Guedes, é neta do escritor sabugalense Joaquim Manuel Correia.

Museu do OrienteO Museu do Oriente, testemunho das relações históricas entre Portugal e a Ásia, foi inaugurado no dia 8 de Maio, em Lisboa.
Localizado na Doca de Alcântara, próximo de Belém, num edifício dos anos 40 devidamente adaptado e com uma situação privilegiada junto ao rio Tejo, o Museu do Oriente exibe, através das suas exposições, permanente e temporárias, testemunhos da presença portuguesa na Ásia.
O espaço cultural dirigido por Natália Correia Guedes, reúne colecções que têm o Oriente como temática principal, nas vertentes histórica, religiosa, antropológica e artística. O seu acervo resulta de aquisições efectuadas em Portugal e no estrangeiro e inclui núcleos de arte chinesa, indo-portuguesa, japonesa e timorense.
A exposição permanente engloba 1400 peças alusivas à presença portuguesa na Ásia e 650 pertencentes à colecção Kwok On, agrupadas sob a temática Deuses da Ásia. A exposição temporária inaugural é inteiramente dedicada às Máscaras da Ásia.
A presença portuguesa na Ásia está representada através de objectos adquiridos pela Fundação nas áreas da pintura, cerâmica, têxteis e outras artes decorativas.
A colecção é enriquecida por um espólio de 1250 peças artísticas e documentais pertencentes a vários museus e outras instituições culturais, cujo empréstimo ou depósito foi confiado ao Museu do Oriente.
A colecção Kwok On, testemunho ímpar das artes performativas de raiz popular e das grandes mitologias e religiões de toda a Ásia, é reconhecida como uma das mais importantes à escala europeia. Composta por mais de 13 mil peças relacionadas com a música e com o teatro (instrumentos musicais, trajes, marionetas, máscaras, pinturas, porcelanas) e com as festividades tradicionais (objectos rituais, lanternas, pinturas, jogos), constitui um elemento decisivo para colocar o Museu do Oriente no roteiro das grandes instituições internacionais dedicadas às culturas e civilizações asiáticas.
Além das exposições, o espaço multiusos do Museu do Oriente será palco de uma programação cultural ao nível da música, dança, teatro, cinema e marionetas, para além de conferências, seminários, cursos e congressos e ainda de outras actividades lúdico-pedagógicas promovidas pelo Serviço Educativo.
Para levar a cabo a sua diversificada actividade, o Museu do Oriente dispõe de um Auditório, de um Centro de Reuniões e de um Centro de Documentação, local de referência na pesquisa de informação na área das ciências sociais e humanas e em tudo o que diga respeito à Ásia e às suas relações com Portugal.

Apresentação em «powerpoint» do Museu do Oriente. Clique aqui.
jcl

Com o objectivo de analisar a importância dos vestígios judaicos no concelho estiveram no Sabugal quatro investigadores do Centro de Estudos de Israel, Médio Oriente e Mediterrâneo do ISLA de Gaia.

Visita do CEIMOM do ISLA ao SabugalNo passado dia 6 de Maio, deslocaram-se à cidade de Sabugal quatro investigadores do Centro de Estudos de Israel, Médio Oriente e Mediterrâneo (CEIMOM) do Instituto Superior de Línguas e Gestão (ISLA) de Gaia.
O itinerário científico teve como ponto de partida a «Casa do Castelo», visto que foram as obras de recuperação desta casa que puseram a nu vestígios importantes nomeadamente um Altar Judaico, que, de algum modo, despertou a necessidade de se realizarem estudos mais aprofundados sobre os vestígios judaicos no nosso Concelho.
Na presença de Manuel Corte, vice-presidente do município sabugalense, confirmou-se a breve formalização e preparação de um projecto de investigação sobre os vestígios judaicos no concelho de Sabugal, na história, no património edificado, na genealogia, e na gastronomia.
Seguidamente mostrou-se alguma da panorâmica do concelho, muito apreciada pelos visitantes, que sentiram as potencialidades da nossa zona, tanto no sentido cultural, como explorando as belezas naturais que o turismo de lazer tanto aprecia.
A jornada de investigação terminou em Vilar Maior onde o arqueólogo Marcos Osório fez uma visita guiada, despertando ainda mais o interesse nos pormenores históricos tão presentes nesta aldeia.
Natália Bispo

O quarto filme da série «Indiana Jones» tem a sua estreia mundial marcada para o dia 22 de Maio, depois de uma antestreia, uns dias antes, no Festival de Cannes, em França.

«Indiana Jones e o reino da caveira de cristal» realizado por Steven Spielberg e mais uma vez com Harrison Ford no papel de protagonista, custou 210 milhões de euros dos quais 94 milhões foram aplicados em campanhas promocionais em todo o mundo.
A trilogia «Indiana Jones», estreada entre 1981 e 1989, facturou mais de 750 milhões de euros de receita de bilheteira.
Veja aqui tudo sobre o quarto filme da série: «Indiana Jones e o reino da caveira de cristal»…

Clique na imagem para ver a página oficial do filme…

«Clique na Imagem para aceder à página oficial do filme

Nos cinemas portugueses a partir de quinta-feira, 22 de Maio de 2008.
aps

A delegação do INATEL da Guarda organiza, em colaboração com a Junta de Freguesia de Almeida, o 6.º Encontro de Tocadores de Concertinas desta localidade.

Inatel - Delegação da GuardaO 6.º Encontro de Tocadores de Concertinas de Almeida terá lugar no dia 25 de Maio no Largo da Câmara Municipal, em Almeida.
A organização está a cargo da delegação do INATEL da Guarda fará a inscrição dos tocadores a partir das 10.30 horas no Largo 25 de Abril, em Almeida.
A jornada musical terá início após a concentração de todos os inscritos estando programada para todos os participantes uma visita guiada pela localidade.
O almoço será oferecido a todos os tocadores pelo INATEL que receberão no no final uma lembrança da presença no evento.
Para o 6.º Encontro de Almeida estão convidados todos os tocadores e todos os apreciadores de concertina.
Joaquim Igreja
(coordenador cultural INATEL-Guarda)

O restaurante Trutalcôa, no viveiro das trutas de Quadrazais, foi o local escolhido pelo INATEL da Guarda para apresentar a edição número 18 do seu boletim cultural, no qual se dá destaque ao concelho do Sabugal.

Inatel - Delegação da GuardaO boletim trata alguns temas relativos às actividades culturais vividas no concelho do Sabugal, pelo que o coordenador cultural do INATEL da Guarda, Joaquim Igreja, escolheu um restaurante desse concelho para realizar no dia 27 de Maio, terça-feira, às 20 horas, a sua apresentação pública. O Trutalcôa, situa-se na Estrada do Sabugal para os Fóios, junto ao viveiro das trutas, a 10 quilómetros do Sabugal, logo a seguir à aldeia de Quadrazais.
Os trabalhos publicados no boletim abordarão a riqueza do concelho do Sabugal a nível associativo, sobretudo no âmbito cultural e etnográfico. Analisa-se a situação do concelho com textos de vários colaboradores, dando-se ainda conta de algumas iniciativas culturais que acontecem regularmente nas terras raianas.
O INATEL convidou os representantes locais e os colaboradores do boletim a estar presentes na apresentação, à semelhança do que normalmente acontece neste tipo de lançamentos.
plb

O músico Luís Represas vai actuar no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG), no próximo sábado, dia 17 de Maio, às 21.30 horas.

Luis Represas«Olhos nos olhos é um reencontro comigo, com as minhas almas gémeas, a maneira mais sincera de ser eu, a forma mais franca de me revelar». É assim que o cantor e compositor Luís Represas define o seu último registo de originais, o nono da sua carreira a solo e pós-Trovante.
«Olhos nos Olhos» é precisamente o trabalho que o músico português vai apresentar no Grande Auditório do TMG. A acompanhar o ex-Trovante estarão em palco os músicos Pedro Abrantes (Bateria), João Nuno Represas (Percussão), Hernâni Teixeira (Baixo), Luís Fernando (Guitarra), Nanuto (Saxofones), Helder Godinho (Piano) e Carlos Garcia (Teclas).
O disco «Olhos nos Olhos» foi integralmente gravado em Cuba e conta com a participação especial da brasileira Simone, dos cubanos Pablo Milanés e Liuba Maria Hévia, entre muitos outros. A produção desse trabalho musical foi da responsabilidade de Miguel Nuñes, tendo sido masterizado nos Abbey Road Studios, em Inglaterra. «Sagres» é o nome do primeiro single de trabalho, que está a ser um grande sucesso de rádio em Portugal.
plb

O Museu Oriente, em Alcântara, foi inaugurado quinta-feira, 8 de Maio, com a presença do Presidente da República, Cavaco Silva, do primeiro-ministro, José Sócrates e de outras individualidades. O novo espaço cultural tem como directora Natália Correia Guedes e abriu oficialmente ao público durante o fim-de-semana com entrada livre.

Museu do OrienteO Presidente da República, Cavaco Silva, considerou na inauguração que o novo Museu do Oriente, em Alcântara, apresenta «um notável conjunto de peças que testemunha a formação da globalização mundial levada a cabo no período dos Descobrimentos Portugueses».
As palavras de Cavaco Silva foram proferidas durante uma cerimónia em que estiveram presentes o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o primeiro-ministro, José Sócrates, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, o ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, o ex-chefe de Estado Jorge Sampaio, o ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão, o cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e o empresário José Berardo, entre outras figuras.
O Museu do Oriente tem como directora Natália Correia Guedes, neta do escritor sabugalense Joaquim Manuel Correia, e abriu portas com duas exposições (permanente e temporária) alusivas à presença portuguesa na Ásia.
Em breves declarações ao Capeia Arraiana a responsável pelo Museu, Natália Correia Guedes, mostrou-se «muito satisfeita com a adesão do público e com a enorme qualidade e valor das peças expostas». Mas, preocupada em servir de cicerone à vice-ministra da Cultura da República da China pediu-nos desculpa e prometeu para breve uma conversa mais demorada e mais tranquila.
O museu reúne colecções que têm o Oriente como temática principal, nas vertentes histórica, religiosa, antropológica e artística e engloba 1400 peças alusivas à presença portuguesa na Ásia e 650 pertencentes à colecção Kwok On, agrupadas sob a temática Deuses da Ásia.
O acervo é constituído por mais de 13 mil peças relacionadas com a música e com o teatro (instrumentos musicais, trajes, marionetas, máscaras, pinturas, porcelanas) e com as festividades tradicionais (objectos rituais, lanternas, pinturas, jogos). «Só isto constitui um elemento decisivo para colocar o Museu do Oriente no roteiro das grandes instituições internacionais dedicadas às culturas e civilizações asiáticas», disse com satisfação Carlos Monjardino.
O Museu do Oriente, orçado entre 25 e 35 milhões de euros, está instalado no edifício dos antigos armazéns frigoríficos do bacalhau do porto de Lisboa. Desde a abertura ao público e até ao final desta segunda-feira, 12 de Maio, já foi percorrido por mais de 14 mil visitantes.
jcl

Até ao dia 18 de Maio está patente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, uma exposição intitulada «Gente do Salto», que retrata em fotografia e em vídeo a vida difícil dos emigrantes portugueses em França.

Capa do livroPara os menos atentos e que por ventura estejam interessados, informo que está patente ao publico, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com entrada gratuita, até ao próximo dia 18 de Maio, uma importante exposição de fotografia e filmes sobre a vida dos emigrantes em França, nas décadas de 50 e 60. Também para quem se interesse por estes assuntos (e passo a publicidade) foi recentemente editada pela editora francesa «La Huit Production» uma colectânea com dois DVD, acompanhada de um pequeno livro ilustrativo, intitulada “Gente do Salto – Gens du Salto – Memórias de Portugueses que fugiram para França nos anos 60».
Esses mesmos filmes estão agora em exibição na exposição do Centro Cultural de Belém, retratando a vida difícil desse período conturbado da nossa história contemporânea. Esta colectânea está a venda nas lojas da FNAC.
José do Bernardo

O Centro Cívico Nascente do Côa e a Junta de Freguesia de Foios informam (com algum orgulho e alegria) que iniciaram os procedimentos para que os escritores da região transcudana, a que se podem juntar também os escritores das províncias espanholas de Castilla-Leon e Extremadura, vejam facilitada a edição das obras que produzirem.

Reunião de trabalho no Centro Civico dos FóiosEfectivamente, tendo sido contactados pelo editor de «O Progresso da Foz», com sede no Porto e livrarias em Bruxelas, no sentido de nos propor um acordo de colaboração no ramo editorial, entendemos ser esta uma proposta a não perder. A concretizar-se, será mais uma possibilidade de dinamização e enriquecimento cultural da região e uma ajuda aos que sentem na pele a dificuldade de entrarem numa editora reconhecida e verem os seus trabalhos devidamente publicitados e valorizados. Tal contacto deveu-se à amizade e gentileza do Dr. Joaquim Tenreira Martins, natural de Vale de Espinho, radicado na Bélgica mas não esquecendo nunca estas terras que visita com frequência.
Nestas circunstâncias, procedemos de imediato ao estudo da proposta, tendo ocorrido a primeira reunião de trabalho no passado dia 25 de Abrill. Além do Presidente da Junta de Freguesia de Fóios e da Assessora Cultural do Centro Cívico Nascente do Côa, estiveram presentes o editor Joaquim José Pinto da Silva, que desempenha também as funções de Director-Geral da Política Regional da Comissão Europeia, o Dr. Tenreira Martins da Embaixada de Portugal em Bruxelas, o escritor espanhol D. Tomás Acosta Piriz, o Alcalde de Navasfrias D. Celso Ramos, desde sempre ligado ao ramo editorial, a escultora de renome internacional Maria Leal da Costa, o empresário de turismo rural Joaquim Manuel Coelho e a professora Maria Natália Madalena Pires.
Foi deliberado que, a ser aprovado o acordo entre as partes, o que se efectivará se o protocolo a ser apresentado pelo editor vier ao encontro dos nossos objectivos, a referida sucursal terá o nome de Coágueda, de Côa e Águeda, rios que nascem quase juntos embora escolhendo percursos diferentes, a reencontrarem-se no Douro que os leva, juntos, rumo ao mar. Tal como portugueses e espanhóis destas zonas após o Tratado de Alcanizes. Quase juntos nascemos também. Juntos queremos continuar a viver em saudável irmandade, rumo à cultura e ao desenvolvimento comuns.
Amélia Rei
(Assessora Cultural do Centro Cívico Nascente do Côa)

Tenho participado, ao longo da minha vida de investigador da nossa cultura, em centenas de colóquios, conferências e seminários relativos ao pensamento e à cultura portugueses, tendo sido inúmeras as ocasiões em que essas actividades decorreram em escolas – secundárias e sobretudo universitárias –, em tempo de aulas e com cursos que poderiam aproveitar da participação no Colóquio ou na Conferência.

Jesué Pinharanda – Carta DominicalAcho não ser injusto, nem inoportuno, se disser que tais actividades, embora localizadas nas escolas, decorrem como se fossem no deserto, ou num sítio quase desabitado. Algumas vezes pensei que a ausência de alunos nos auditórios tivesse algo a ver com o facto de os conferencistas não os motivarem. No entanto, em dezenas de casos, colóquios houve que os prelectores eram personalidades de tomo e de vulto, algumas vezes até com forte imagem pública.
Numa universidade com cursos humanísticos não seria difícil organizar os horários de modo a que os alunos pudessem assistir; ou motivar os alunos a prescindirem desta ou daquela aula, indo às conferências e relatando o que ouvissem para o professor. Tal não sucede, havendo quem admita que os professores temem que os alunos ouçam algo que eles ignoram.
No fundo, trata-se de indiferença. Ainda agora, temos o caso do colóquio sobre Joaquim Manuel Correia, no Sabugal. Uma actividade repleta de interesse, do ponto de vista cultural e local. A este propósito, lemos no «Amigo da Verdade»:«A entrada em todos estes eventos foi livre. Embora não fossem muitos os participantes, tivemos, no entanto, uma acção activa, viva e desinteressada.»
De facto, um tão cómodo auditório, bem poderia estar mais cheio, se as pessoas realmente tivessem interesses culturais. Deste modo, como que passam ao lado da vida.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

Francisco Santos Vaz, brindou-nos com outro livro, desta feira reunindo um conjunto de anedotas, adivinhas, provérbios, passatempos e enigmas, que durante anos foi publicando no jornal Nordeste, de que é director.

O título é «Pantivária», precisamente o nome da rubrica das páginas do Nordeste que mensalmente publica pequenos textos de passatempos e divagações que o tornam mais interessante e o aliviam do forte peso institucional enquanto jornal de inspiração cristã e de índole paroquial.
Pode o assinante do Nordeste ter ou não tempo para o ler de fio a pavio, mas nunca pousa o jornal sem antes ler a coluna com as anedotas, os adágios e os passatempos. Os textos são de pequeníssima dimensão, imperando a economia das palavras, primando pela pontaria, pondo de lado rodeios e desnecessárias explicações. A sua leitura breve deixa invariavelmente o leitor alegre e satisfeito, quiçá até descontraído. Após o dia de trabalho, certamente cansado, retirou o Nordeste da caixa do correio, estirou-se no sofá, abriu o jornal e leu-lhe as «gordas». Se porventura algum texto lhe chamou a atenção deu-lhe uma vista de olhos, mas depressa essa mesma atenção se perdeu nas facécias que o Padre Chico ali colocou. Leu-as com satisfação, compôs um esgar de sorriso e, já relaxado, avançou para a leitura dos restantes artigos. Assim se começa a ler o Nordeste.
Muitas das facécias têm mesmo um sentido pedagógico e até moral, espraiando-se por variadas temáticas. Quanto à origem dos textos, há que dizer que nem tudo saiu da sabedoria e da prodigiosa memória do autor. Ele mesmo confessa: «As fontes são muitas: jornais, revistas, agendas, almanaques, encontros de amigos, conversas…».
Francisco Santos Vaz é natural da Bismula, concelho do Sabugal. Sendo sacerdote, paroquiou em várias terras do concelho, como a Bismula e Alfaiates, sendo actualmente pároco de Águas Belas. É licenciado em Filologia Clássica e foi professor do ensino secundário.
O «Pantivária» é o terceiro livro de Francisco Santos Vaz, seguindo-se a «Nordestinas e Sabatinas» (2003) e «Ao Longo do Caminhar» (2006). Cada publicação reuniu numa temática alguns dos textos que escreveu no Nordeste. Assim os retirou da efemeridade associada à publicação periódica, dando-lhes a merecida perenidade.
As encomendas podem ser feitas ao autor, que também é o editor: Av. 25 de Abril, n.º 32, 6320-345 Sabugal.
plb

A organização do Rock In Rio-Lisboa e o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações assinaram no dia 29 de Abril um protocolo apoiado numa campanha de sensibilização para a utilização de transportes públicos nos dias dos concertos.

Rock In Rio-Lisboa 2008Foi assinado esta quarta-feira, 29 de Abril, um protocolo entre o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, representado pelo ministro Mário Lino e a secretária de Estado Ana Paula Vitorino e Roberta Medina, vice-presidente da organização do Rock In Rio-Lisboa.
A parceria hoje formalizada nasce de uma sinergia entre as duas entidades com um objectivo comum: sensibilizar as pessoas para a importância da utilização dos transportes colectivos em vez do transporte individual.
A campanha «Goze a Viagem» para a promoção do transporte público vai ter como anfitrião o actor Ricardo Carriço que abraçou imediatamente esta iniciativa. O conceito desenvolvido para esta campanha está assente na valorização dos aspectos positivos do transporte público, utilizando uma linguagem simples, imediata, objectiva e transversal aos diferentes alvos de comunicação.
Dois elos estabelecem a ligação do Rock in Rio-Lisboa 2008 com esta campanha. Por um lado, a temática do projecto social – as Alterações Climáticas – e, por outro, o Plano de Redução de Emissões de Carbono do evento.
A organização do Rock in Rio-Lisboa estabeleceu parcerias com todos os operadores de transportes para o desenvolvimento de uma rede especial para os dias do evento de modo a que o público chegue à Cidade do Rock e regresse aos seus destinos de uma forma rápida, confortável e… amiga do ambiente:
– Metropolitano: serviços especiais na Estação da Bela Vista até às três e meia da madrugada com ligação às linhas Vermelha e Verde;
– Transtejo: realiza serviços regulares entre Cais do Sodré e Cacilhas e entre o Terreiro do Paço e o Barreiro até às duas e meia da madrugada;
– Carris: além das carreiras da Rede da Madrugada, realiza carreiras com partida junto ao pórtico da Cidade do Rock até duas horas depois do último concerto do Palco Mundo;
Fertagus: comboio especial que parte cerca de uma hora depois do encerramento do evento da estação Roma/ Areeiro para a margem Sul;
– CP: para além do ROCKCard CP, um produto especial para os moradores do Norte do país, a CP disponibiliza um comboio especial nas Linhas de Sintra e de Cascais, saindo cerca de uma hora após o final do evento respectivamente das estações Roma/ Areeiro e Cais do Sodré.
aps

A Culturguarda, empresa que gere o Teatro Municipal da Guarda (TMG), associou-se a instituições espanholas e apresentou duas candidaturas ao programa comunitário Interreg, com o objectivo de obter financiamento para projectos comuns.

Américo RodriguesSegundo declarações prestadas à Lusa por Américo Rodrigues, director artístico do TMG, as candidaturas, no valor global de 900 mil euros, foram propostas em colaboração com a Junta de Castilla e Léon, Fundação de Cultura de Salamanca e Ayuntamiento de Santa Maria de Tormes.
A parceria com a Junta de Castilla e Léon visa a realização de um festival de música étnica, a produção de um espectáculo de teatro «com actores da Guarda e de Salamanca» e um festival de blues, indicou.
A outra candidatura, segundo o mesmo responsável, envolve, além da vertente da formação, a edição de uma antologia de poetas da Guarda e de Salamanca, festivais de música clássica, teatro ibérico e de cinema.
Américo Rodrigues assinalou à Lusa que a aprovação das candidaturas «pode ser muito bom para o TMG porque esta aproximação a Espanha faz parte da construção da sua identidade».
«A originalidade do teatro, o que o diferencia dos outros, é que nós também temos como preocupação a aproximação com Espanha», frisou.
«Para nós, está claro que temos de colaborar com os nossos vizinhos espanhóis», disse ainda o director do TMG, para justificar as candidaturas ao programa Interreg.
O Teatro da Guarda é a única estrutura de Portugal a integrar a «Rede de Teatros de Castilla y León», que permite uma grande circulação de espectáculos entre os dois países, em resultado de um protocolo celebrado com a Junta de Castilla e León.
O complexo do TMG, inaugurado em 25 de Abril de 2005, custou cerca de 10,5 milhões de euros.
Localizado no centro da cidade, junto do antigo Convento de São Francisco, nele funcionam o grande auditório (com capacidade para 626 pessoas), o pequeno auditório (com capacidade para 164), um café-concerto (com lotação para 100 pessoas) e uma galeria de exposições.
No último ano, promoveu 344 actividades e registou um total de 109.333 utentes, segundo a direcção.
plb

As comemorações dos 150 anos do nascimento do escritor ruvinense Joaquim Manuel Correia reservaram lugar na história do concelho do Sabugal. As cerimónias decorreram durante a manhã com palestras no Auditório Municipal e durante a tarde no Museu com o lançamento do romance «Celestina», um inédito que, finalmente, pode (e deve) ser lido por todos os sabugalenses. Extraordinário e preocupante foi o alheamento dos alunos e professores do Sabugal que primaram pela ausência e indiferença perante a qualidade e o valor indiscutível dos oradores presentes.

Joaquim Manuel CorreiaFoi uma jornada repleta de ensinamentos sobre a vida e obra de Joaquim Manuel Correia, a história do Sabugal e de Portugal.
Norberto Manso, pela «Sabugal+», Natália Correia Guedes, neta do homenageado, e Manuel Rito Dias, presidente da Câmara Municipal do Sabugal abriram as comemorações e deram as boas-vindas aos presentes.
Moderados pelo vereador António Robalo, natural e residente na Ruvina, participaram no primeiro painel João Serra (professor e historiador das Caldas da Rainha) com o tema «Os trabalhos de Joaquim Manuel Correia», mestre Jesué Pinharanda Gomes (pensador e filósofo de Quadrazais) com «Joaquim Manuel Correia: aspectos da sua vida e obra» e Manuel Leal Freire (poeta e escritor da Bismula) que falou de «Aspectos de uma família na Ruvina nos finais do séc. XIX».
O segundo painel foi constituído por Adérito Tavares (professor e historiador de Aldeia do Bispo) que resumiu «O País e o Sabugal: Enquadramento Histórico - 1858-1974» e Manuel Meirinho Martins (politólogo do Soito) finalizou com «O Sabugal de hoje».
No final o moderador António Robalo concluiu e encerrou os trabalhos da manhã lendo excertos de um texto que um ruvinense passou à prosa nas «Páginas Interiores» deste blogue. Aqui deixamos a excelência do seu pensamento e do seu sentir sobre a Ruvina: «Na Ruvina tomei consciência do mais importante da vida tendo aprendido a gostar das pessoas e a valorizá-las pelo que são. Quando falo da Ruvina as emoções assaltam-me e embarga-se-me a voz. O meu pensamento treme, quando falo da minha aldeia.
Foi na Ruvina que me cortaram o cordão umbilical, porque na altura não havia maternidades e tudo ficava longe. Foi aqui que aprendi a rir, a chorar, andar, a falar, a ler e a escrever.
Acredito como Rilke, que a nossa pátria é a nossa infância. A minha infância é a minha aldeia. A Ruvina sempre foi e será para mim uma lição de vida e por isso, sempre que posso retorno às origens. Em pensamento nunca a abandono e a ela regresso diariamente. A sua ausência é uma coisa que trago sempre comigo.»

Na parte da tarde decorreu no Museu Municipal a inauguração da exposição sobre o homenageado e a apresentação e lançamento do romance «Celestina».
Entre outros marcou presença o padre António Souta que levou consigo um exemplar autografado pela neta do escritor. Com aquela tranquilidade que lhe é peculiar confessou enquanto Natália Correia Guedes lhe autografava o exemplar de «Celestina»: «Quanto tinha que ir visitar uma freguesia do concelho lia primeiro o livro de Joaquim Manuel Correia, Memórias do Concelho do Sabugal, para melhor me preparar para a homília.»
Extraordinário e preocupante é a ausência de alunos e professores que muito teriam a aprender com todas as sábias apresentações de todos os conferencistas. Ou, então, é porque já sabem tudo…
(fim)
jcl

O historiador Adérito Tavares, natural de Aldeia do Bispo, deu no Auditório Municipal do Sabugal uma brilhante lição de História de Portugal. Muito lhe ficou por dizer apesar de o ilustre docente da Universidade Católica se ter limitado ao período em que viveu Joaquim Manuel Correia.

Adérito TavaresAdérito Tavares ilustrou a sua apresentação com imagens projectadas no grande ecrã do Auditório Municipal que ajudaram a melhor perceber o período conturbado de passagem da Monarquia para a República.
Como já tocou está na hora de entrar na «sala de aulas»…
«Vamos iniciar esta análise histórica na chamada segunda parte da Dinastia de Bragança onde reinaram D. Maria II (1834-53) e D. Pedro V (1853-1861) que assistiram entre 1851 e 1887 ao movimento político que procurou restaurar a tranquilidade em Portugal.
Em 1884 dá-se a Patuleia (revolução da Maria da Fonte) com o Duque de Saldanha (regeneração) a conseguir impor uma certa acalmia no País. Mas D. Pedro V morre em 1861, com apenas 24 anos, e D. Luís sucede ao irmão.
As freguesias do concelho do Sabugal apresentam no Censo de 1864: Aldeia da Ponte, Aldeia Velha e Alfaiates com mais de 1000 habitantes. Quadrazais com 1654 habitantes e Soito 1226 são as freguesias com mais habitantes. O Sabugal regista 1550 habitantes. A Ruvina com 180 habitantes e cerca de 180 habitantes (50 fogos) e Ruivós com 165 são as menos populosas.
Por essa altura aparece António Maria Fontes Pereira de Melo, o grande visionário que faz a modernização de Portugal no século XIX. Surgem o telégrafo, os correios (o primeiro selo em Portugal data de 1853 e regista a morte da rainha embora o selo postal já existisse desde 1840 em Inglaterra) e o telefone.
O surgimento do caminho-de-ferro vai dar o grande contributo para a modernização do País. Em 1856 é inaugurado o primeiro troço entre Lisboa e o Carregado. A Estação do Rossio é inaugurada a 18 de Maio de 1890 em conjunto com o túnel que ainda hoje existe.
Em 1879 foi inaugurada a Avenida da Liberdade por iniciativa de Ressano Garcia formado na escola de Paris.
A praça do Rossio recebeu, por essa altura, o edifício do Teatro Nacional de Almeida Garrett e depois rebaptizado de D. Maria.
A Praça do Comércio ou Terreiro do Paço foi construída após o terramoto de 1755. No centro, em lugar de destaque, a estátua de D. José alinhado com o arco da Rua Augusta que foi concluído no reinado de D. Luís.
Em 1855 (ano da morte de D. Luís) dá-se o ultimato inglês para impedir que Portugal una Angola a Moçambique. O poderio de Inglaterra face à fraqueza portuguesa impõe-se reivindicando a ligação entre a cidade do Cabo e o Cairo.
Quando o ministro dos negócios estrangeiros português pergunta ao homólogo inglês porque não respeitam a velha aliança este responde-lhe com a célebre afirmação: Não há alianças eternas. Eternos são os interesses de sua magestade.
Rafael Bordalo Pinheiro aproveita para caricaturar um catético Portugal que vive do passado perante a vitalidade da Inglaterra que reivindica a posse das colónias portuguesas.
Os republicanos culpam a monarquia do estado a que chegou Portugal e passam a governar em regime de alternânci