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Pousafoles do Bispo – Pisaflores pode ter sido, segundo o corógrafo Pinho Leal, o nome original da freguesia em virtude de ser usual os «moleiros pousarem ali os foles ou ôdres de farinha». Para outros o nome deriva da exploração a pouca distância de minas e da consequente necessidade de pousar os foles dos metais extraídos. Destacando-se na paisagem o Cabeço das Fráguas (ou das Fráugas) é um miradouro natural digno de visita. Noutros tempos foram famosos os chapéus de modelo raiano fabricados em Pousafoles que os nossos pais e avós usaram como sinal de respeito e presença. É digno de visita o «pub amarelo» de Dona Leonor.

A freguesia de Pousafoles do Bispo (acompanhada pela Sobreira, Lameiras de Cima, Lameiras de Baixo e Monte Novo) aparece no limite Noroeste do mapa do concelho do Sabugal. Há uma outra Pousafoles situada no concelho de Mirando do Corvo, no distrito de Coimbra. Registos antigos afiançam que Pousafoles (do Sabugal) era foreira do Conde de Miranda do Corvo e estava obrigada a pagar-lhe quarenta fangas* de centeio e seis galinhas.
Pousafoles do Bispo pertenceu originalmente ao concelho da Guarda mas o foral de Sortelha faz-lhe referência dentro dos seus limites até à sua extinção em 1851 tendo sido, então, integrada no concelho do Sabugal.
Nos tempos em que o chapéu fazia parte das indumentárias de trabalho e domingueira as fábricas de Pousafoles ganharam fama. Os típicos chapéus raianos fabricados na aldeia eram tidos e preferidos como os melhores à venda nas feiras e nos mercados.
Actualmente destacam-se, pelo seu realismo, as procissões da Festa do Senhor dos Passos, no sábado à noite e no domingo de Ramos com missa em homenagem a Nossa Senhora das Dores e a São João.

Pousafoles do Bispo

Na nossa viagem pelas terras do concelho do Sabugal vamos reportando os equipamentos sociais à disposição das populações construídos ou recuperados pelas Juntas de Freguesia por delegação de competências, transferência de verbas e apoio complementar da Câmara Municipal do Sabugal.
Em 1998 as transferências para a responsabilidade das freguesias registaram cerca de 80 mil contos. Actualmente o Município transfere para as 40 Juntas de Freguesia um milhão de euros de verba de capital e 500 mil euros para serviços de limpeza.
A visita à freguesia iniciou-se por Monte Novo, uma anexa que dista cerca de 500 metros de Pousafoles do Bispo.
Em terras de grandes latifundiários (as famílias Tormentas e Cavaleiros) foi recuperado mantendo o estilo próprio da região raiana um edifício para sede da Associação «Amigos de Monte Novo» que conjuntamente com a Associação Cultural Desportiva e Humanitária Pousafoles do Bispo e Associação Desportiva de Caça e Pesca de Pousafoles mantêm unidos associativamente os pousafolenses.
Foram, recentemente, colocados ao serviço do povo depois de recuperados pela Junta de Freguesia com o apoio do Município do Sabugal os fornos comunitários de Monte Novo, Sobreira, Lameiras de Cima, Lameiras de Baixo e Pousafoles.
O executivo da Junta de Freguesia de Pousafoles do Bispo é constituído por José Carlos Jarmela Tomás (presidente), Francisco Pires Costa Paula (secretário) e José Gonçalves Simão (tesoureiro).
Em Pousafoles foi recuperada a sede da Junta da Freguesia, o auditório, a biblioteca, a cozinha e o salão de festas que ficou, assim, transformado em Centro Cívico. O arranjo dos espaços exteriores incluíram o rejuvenescimento do coreto da praça.
A freguesia de Pousafoles do Bispo é agradável à vista do forasteiro registando na memória visual uma aldeia raiana muito «arrumadinha».

E porque falámos de visitas e visitantes aqui fica um conselho ao jeito de obrigação. Quando for revisitar Pousafoles entre no «pub amarelo» da Dona Leonor. Fica junto à Igreja Matriz escondido pelo imponente campanário. Composto por dois espaços ligados por uma porta interior mantém todos os armários e prateleiras que nos habituámos a ver quando eramos crianças. As balanças com os diversos tipos de pesos, as gavetas para o feijão e o grão com as respectivas medidas, as fotografias que recordam familiares, preciosidades agrícolas e históricas, enfim, um museu particular aberto ao público. «Sim! Já tive alguns problemas para conseguir manter a casa aberta. Mas vou lutar até ao fim. É uma questão sentimental em memória dos meus pais. A minha mãe tem 90 anos.», disse-nos a proprietária. Fomos testemunhas da vontade de Manuel Rito, Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, de apoiar um processo de atribuição de um licenciamento que permite manter aberta esta casa-museu como memória-viva de tempos que já não voltam. E… antes que voltem os profissionais do «politicamente hermético».
* Fanga - Medida de quatro alqueires.
jcl

Quintas de São Bartolomeu – A freguesia está situada a cerca de quatro quilómetros a noroeste do Sabugal. Saindo do Sabugal pela estrada nacional que leva à Guarda, a seguir à ponte dos Sargaçais vira-se no cruzamento à direita no sentido Cerdeira. A principal festividade está marcada para o dia 24 de Agosto em honra de São Bartolomeu, elevado pela Igreja à condição de padroeiro dos padeiros, alfaiates, sapateiros e mercadores de Florença.

Joaquim Manuel Correia no seu livro «Terras de Ribacôa - Memórias Sobre o Concelho do Sabugal» faz a descrição da freguesia em 1905:
«É uma pitoresca aldeia formada de cinco Quintas ou pequenas povoações: Quinta do Santo, Barrocal, Curral, Redonda e do Meio. A Quinta do Santo é a principal e situada no ponto mais elevado. É esta freguesia abundante em águas potáveis e para irrigação, banhada como é por um ribeiro que fertiliza as suas mimosas hortas e lameiros. Tem muitas árvores frutíferas, especialmente castanheiros. Passa a pequena distância a estrada que partindo da estrada distrital, perto da ponte dos Sargaçais, se dirigia à estação da Cerdeira. Perto da povoação passa a caudalosa ribeira dos Sargaçais, que a pequena distância se une ao rio Côa. Nas margens dessa Ribeira, que nasce perto da Paã, há belíssimas veigas e lameiros. Junta-se-lhe o ribeiro das Quintas sobre o qual há uma ponte, a poucos metros da freguesia. A Igreja Paroquial é decente e de boas dimensões e tem altares regularmente ornados. No altar-mor vê-se São Bartolomeu, orago da freguesia. A Feira de São Bartolomeu que se realiza no dia deste santo é sempre muito concorrida pela gente do Sabugal. Em 1765 tinha 101 fogos e em 1889 tinha 150.»

Em Fevereiro de 2007 o Paulo Leitão Batista fez uma reportagem nas Quintas de São Bartolomeu sobre as obras adjudicadas pela Câmara Municipal do Sabugal e incluídas no programa de dotação da rede de saneamento básico em todas as localidades do concelho. Na ocasião o presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Corte, deu conta da sua satisfação pela intervenção justificando a duração da mesma: «A dispersão do casario e a rede de ruas e caminhos que conduzem às habitações situadas fora do núcleo urbano, levaram a que os trabalhos fossem mais lentos.»
Aqui recordamos uma passagem da referida reportagem: «As Quintas de São Bartolomeu são formadas por três núcleos populacionais: a Quinta do Santo, a Redonda e o Barrocal. As casas esparrinham-se nas encostas de um pequeno vale, entremeadas com campos de cultivo pejados de arvoredo. Fora do núcleo urbano de antigamente construíram-se casas novas, por onde se chegava por caminhos esconsos, que com o decurso do tempo a Junta de Freguesia foi empedrando. As Quintas têm um dos maiores perímetros urbanos do concelho do Sabugal, e uma rede de passagens a servir as casas, que formam uma teia descomunal. Cada habitação ficou com o saneamento e a rede de água instalada à porta, e o empedrado, tendo sido levantado, foi de novo reposto, o que demorou o seu tempo.»

Quintas de São Bartolomeu

Mais recentemente visitámos novamente as Quintas de São Bartolomeu avaliando as intervenções em equipamentos sociais ao serviço da população. Há melhoramentos visíveis por intervenção da executivo da Junta por delegação de competências, transferência de verbas e apoio complementar do Município.
A sede da Junta de Freguesia está instalada num renovado edifício com salão polivalente no rés-do-chão que pode ser utilizado como auditório. Conservando as memórias do passado foi recuperado um forno comunitário mantendo a sua traça exterior em cantaria granítica típica da região.
A Associação das Quintas de São Bartolomeu foi igualmente «beneficiada» com um polidesportivo.
Do outro lado da estrada o recinto das festas com palco, instalações sanitárias de apoio e um amplo recinto para bailaricos está funcional e bem situado.

As ruas interiores estão muito bem cuidadas e com excelente piso. A arquitectura e os estores fechados da maioria das casas construídas há menos de 30 anos confirma a qualidade de emigrantes dos seus proprietários. É uma típica freguesia raiana, renovada e rejuvenescida nos seus equipamentos sociais, onde também só vão faltando as pessoas.
jcl

Vila do Touro – É uma das cinco povoações acasteladas do concelho do Sabugal. Situa-se no alto de uma elevação entre o Cabeço de São Gens e o Alto do Castelo perto do vale da Ribeira do Boi no seu ponto de união ao Rio Côa. Lá do alto, entre-muralhas, avistam-se a Abitureira, Baraçal, Arrifana, Sabugal, Seixo do Côa, Pêga, Martim Pêga e Guarda.

A freguesia de Vila do Touro integra-se numa região de terrenos graníticos, de relevo suave, com os cabeços de São Gens e do Alto do Castelo a destacar-se na paisagem. Tem vestígios da presença humana desde a pré-história e têm sido encontrados inúmeros objectos arqueológicos como machados de pedra e bronze que permitem pensar que aqui tenha vivido uma comunidade desde a Idade do Bronze.
Os romanos deram-lhe o nome de Tauro pois a denominação aparece referida numa epígrafe encontrada perto da povoação da Abitureira. Este topónimo fica a dever-se à configuração topográfica elevada dos dois morros da Vila que se assemelham às protuberâncias de um touro.
São desse tempo e ainda hoje visíveis na povoação os troços de algumas calçadas que pertenceram a importantes vias de comunicação e ligação com as praças militares de Alfaiates, Sabugal, Sortelha e Guarda.
O foral de Vila do Touro foi-lhe concedido a 1 de Dezembro de 1220 por Dom Pedro Alvito que era mestre dos Templários mas, contudo, nunca foi possível alcançar um acordo com o concelho da Guarda que se opôs sempre à criação de concelho da Vila do Touro.
A construção inacabada do castelo de Vila do Touro, situado 800 metros acima do nível do mar, limitou-se às muralhas que apresentam uma forma poligonal irregular em consequência do terreno muito acidentado em que assentam. Integrada nas muralhas pode ser admirada a Porta de São Gens com o seu arco quebrado em estilo gótico, abobadada e parcialmente entaipada.
Durante o reinado de D. Dinis (1279-1325), com a assinatura do Tratado de Alcanices (1297) a Vila do Touro perdeu a sua importância estratégica e a fortificação nunca foi terminada.
Vila do Touro foi sede de concelho entre o séc. XIII e o início do séc. XIX tendo sido extinto durante as Reformas Liberais em 1836 conjuntamente com o de Alfaiates.
A freguesia possui um vastíssimo património histórico e arqueológico como a Igreja matriz, o Pelourinho, a cadeia, o antigo edifício das repartições, os barrocos da forca, as fontes de Paio Gomes e das Patas, os chafarizes do Carvalho e do Churro, as capelas da Senhora do Mercado (séc. XIV nas fotos), de São Sebastião, de São Gens e de São Lázaro.
Algumas janelas da aldeia ostentam ainda molduras trabalhadas em pedra de influência renascentista.
Enfim… um museu que regista a céu aberto a história das gentes de Ribacôa.

Vila do Touro

Mas a história também se escreve com modernos investimentos. Destaque para o bom-gosto demonstrado pelo arranjo paisagístico e enquadramento numa elevação desafogada da novíssima sede da Junta de Freguesia de Vila do Touro, um bonito edíficio que reflecte com rara intensidade a luz do Sol.
Por intervenção do executivo da Junta de Freguesia aproveitando os fundos da delegação de competências, verbas de capital e o apoio complementar da Câmara Municipal do Sabugal foi construído de raiz uma funcional sede equipada com mobiliário moderno e computadores que serve igualmente de espaço polivalente.
A freguesia dispõe de dois lares apoiados pela Segurança Social e que contaram com um subsídio camarário no valor de 20 mil euros (metade durante a construção e a outra metade na fase de instalação). Existe igualmente um espaço associativo que contou com o apoio do município sabugalense.
Junto à zona de acesso às muralhas e muito perto da Porta de São Gens foi recuperada uma antiga casa rasteira em pedra. Foi adaptada para posto de Turismo e dá trabalho a uma jovem da freguesia. As características inclinadas do terreno permitiram incluir uma mezanine para exposições culturais temporárias.

Há quanto tempo não visita Vila do Touro? As férias convidam ao descanso. Enquanto descansa aproveite para passear pelas freguesias com história do nosso concelho e descubra a qualidade de vida proporcionada pelos novos equipamentos sociais à disposição dos sabugalenses.
Aproveitamos para deixar um reparo aos responsáveis autárquicos do concelho da Guarda. Fica-lhes mal deixar ao abandono umas centenas de metros de estrada com o alcatrão num deplorável estado entre Vila do Touro e o cruzamento junto a Pêga. É uma forma terceiro-mundista de nos dizerem que não gostam de nós mas acreditem que ficam muito mal na fotografia. Senhores autarcas guardenses na próxima visita ao Sabugal passem por Vila Touro para perceberem melhor o meu lamento.
jcl

GALERIA DE IMAGENS – 13-7-2008
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«As bençãos não são para as pedras, são para as pessoas», exortou o Arcebispo de Évora, D. José Alves, após aspergir com o hissope a entrada da grande nave interior do Pavilhão Multiusos da Lageosa da Raia. O prelado, filho da terra, tinha tido momentos antes, o privilégio de cortar a fita que inaugurava o moderno e grandioso espaço coberto. O sábado, 12 de Julho, foi dia de festa para as gentes da terra. O orgulho e a satisfação do presidente da Junta de Freguesia da Lageosa, Francisco Sanches Pires, foi testemunhado por Manuel Rito Alves e António Robalo, respectivamente, presidente e vereador da Câmara Municipal do Sabugal, Rui Moreira, Director Regional de Agricultura e Pescas do Centro, alguns presidentes de Junta de Freguesia e por mais de três centenas de lageosenses.

Inauguração do Pavilhão Multiusos da Lageosa da RaiaA cerimónia de inauguração do Pavilhão Multiusos da Lageosa da Raia estava marcada para o meio-dia de sábado, 12 de Julho. Após a celebração litúrgica na Igreja presidida por um lageosense muito especial, D. José Alves, Arcebispo de Évora, rumaram todos até junto do moderno e enorme pavilhão. No ar já se sentia o cheiro dos marranos que estavam a ser assados ali perto nos fogareiros com espeto do Restaurante «O Ver da Serra» de Castelo Branco.
«As bençãos não são para as pedras, são para as pessoas. Em primeiro temos a obrigação de bendizer quem nos ajudou a construir o edifício não esquecendo que Deus também teve o seu papel decisivo e em segundo abençoar quem idealizou, projectou e construiu o edifício e para todos aqueles que o vão utilizar no futuro. Aquilo que construímos é nosso e dos outros e deve ser colocado ao serviço de todos», lembrou com sapiência D. José Alves após ter cortado a fita inaugural e aspergido as instalações.
Visivelmente orgulhoso o presidente da Junta de Freguesia da Lageosa da Raia, Francisco Sanches Pires, cumprimentou o Arcebispo de Évora, D. José Alves, do Director Regional da Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), Rui Moreira e do Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves e aproveitou para «agradecer os apoios e contributos financeiros, técnicos e administrativos de Rui Moreira, director regional da agricultura e pescas, da Câmara Municipal do Sabugal nas pessoas do presidente Manuel Rito Alves, engenheiro Tavares, engenheiro Correia e Dona Teresa e restantes funcionários camarários». Lembrou igualmente «a ADES, o autor do projecto, Tózé Chispas, e Vítor Gonçalves que ofereceu as cadeiras para o pavilhão» e reforçou o seu agradecimento pela presença dos «presidentes de Junta, dos alcaldes espanhóis e dos seus conterrâneos».
«Apesar de viver fora a Lageosa é e sempre será sempre a minha terra. As obras que prometi para o meu mandato estão concluídas: o parque de merendas, o ringue desportivo, o arranjo dos caminhos rurais e do pontão, a criação da equipa de sapadores florestais em conjunto com mais três freguesias vizinhas e… o pavilhão multiusos, a obras mais desejada e mais sentida», lembrou o presidente Francisco Sanches Pires. Depois, com mais abrangência, enumerou diversos problemas das freguesias e do concelho como «a falta de fixação dos nossos jovens ou o problema da recolha dos lixos inorgânicos» apontado como solução «a criação de um pólo industrial que inclua Aldeia Velha, Aldeia do Bispo, Forcalhos e Lageosa». Finalizou com um desejo: «Que todos façam um bom aproveitamento da infra-estrutura agora disponibilizada!»
Rui Moreira (DRAPC) «denunciou» a sua amizade com o presidente da Junta e lembrou que «foi difícil trazer este investimento para aqui por parte do meu amigo Francisco Pires mas é hoje um motivo de alegria também para mim e hoje, a Lageosa está de parabéns porque há, aqui, obra feita.»
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, discursou de seguida e aproveitou para responder aos «reptos» de Francisco Pires: «Cumpre-se hoje mais um sonho das gentes desta terra. A Câmara Municipal do Sabugal apoiou administrativamente e fez um esforço financeiro de cerca de 130 mil euros. Mas a obra merece e estamos todos de parabéns. É agora tempo de fazer com que esta casa não seja mais um espaço fechado. Ouvi com muita atenção as palavras do senhor presidente da Junta mas considero que não é o pólo industrial que faz falta. Fazem falta é investidores, portugueses ou estrangeiros, porque se aparecerem os projectos o município apoia com a oferta de infra-estruturas ou de terrenos. Quanto à recolha de lixos inorgânicos está em causa, também, a irresponsabilidade dos cidadãos que resolvem levar os seus electrodomésticos velhos para o meio do campo prejudicando a Natureza e o Ambiente. A Câmara tem um serviço que, através de uma simples chamada telefónica, os aparelhos obsoletos são recolhidos à porta de casa sem custos. Primeiro individualmente e depois colectivamente temos todos de fazer o melhor pelas nossas terras.»
E porque o último orador foi D. José Alves e este já tinha avisado que «este almoço pagava-se com o silêncio com que se ouviam os discursos» foi com respeito que os presentes escutaram a sua intervenção.
«É um desafio saber utilizar e tirar partido dos equipamentos. Hoje sozinhos pouco ou nada podemos fazer. Precisamos de dar as mãos aos nossos vizinhos. Se as terras ficarem abandonadas são terras de ninguém. E aqui deixo uma sugestão: recuperar as casas da Rua do Meio e fazer delas um museu para recolha das nossas alfaias agrícolas que pouco a pouco vão desaparecendo. A Igreja e o Estado temos um objectivo comum: o bem das populações. Vamos dar as mãos e pensar nos nossos projectos», finalizou D. José Alves.

Iniciou-se, de seguida, o almoço-convívio que incluiu a açorda na bem confeccionada ementa. Em homenagem, possivelmente, aos hábitos alimentares do prelado lá por terras alentejanas.
jcl

Baraçal – Originalmente pertencia a Vila Touro mas foi constituída freguesia por decreto de 9 de Setembro de 1904 na sequência de um movimento que ficou conhecido por «Apartação». Por resolução do Presidente do Conselho de Ministros, Ernesto Rodolpho Hintze Ribeiro, o Baraçal, a Quinta das Vinhas, a Moita e Roque Amador separaram-se da freguesia de Nossa Senhora da Assunção do Touro como era então conhecida a Vila Touro. A freguesia do Baraçal inclui três anexas: Quinta do Roque Amador, Quinta dos Moinhos e Quinta das Vinhas. Dista cerca de sete quilómetros do Sabugal e tem como vizinhas a Rapoula do Côa, Rendo, Quintas de São Bartolomeu e a atrás citada Vila Touro.

Baraçal

Uma das intervenções recentes (depois de 2001) protagonizadas pela Junta de Freguesia, presidida por Luís Carlos Carreto Lages, incluiu o recinto de festas da aldeia localizado junto a mais um bonito fontanário do concelho.
Sofreram, igualmente, obras de melhoramentos os edifícios da Junta de Freguesia e da antiga escola primária transformada em sede da associação com balneários e afins. As intervenções foram geridas pelo executivo da Junta por delegação de competências, atribuição de verbas e comparticipação da Câmara Municipal do Sabugal. O destaque vai inteirinho para a reabertura do ensino básico da freguesia com 10 alunos. É a grande notícia num concelho onde infelizmente a normalidade está no encerramento dos estabelecimentos de ensino.
Aproveitámos para conhecer o Centro de Dia do Baraçal inaugurado àcerca de cinco anos e a funcionar na antiga sede da Junta de Freguesia. As três colaboradoras do Centro prestam apoio domiciliário aos idosos da freguesia mas «os que podem vêm aqui para se distrairem uns com os outros» esclarece-nos a dona Josefina. «Tratamos da roupa e fornecemos entre 15 e 20 almoços e jantares diariamente», acrescenta ainda.
Um moderno equipamento informático destaca-se no mobiliário modesto. «É o computador da Pró-Raia que faz parte do projecto avósn@net» elucida-nos a funcionária.
Por perto estava um dos utentes do Centro, Joaquim Martins, de 47 anos, que deu «o nome para a tropa» no mesmo ano do Presidente Manuel Rito, que nos acompanhou nesta vista ao Baraçal. Logo ali se criou uma grande empatia entre os dois recordando momentos que lhes ficaram gravados na memória.
Sentimos, contudo, a desertificação das nossas aldeias. As ruas estão desertas, as soleiras das portas não têm ninguém e até o «vivo» parece ter desaparecido. Estranhas e perturbantes sensações reflectidas nas frias paredes de pedra que escondem as lareiras há muito apagadas.

Aproveito, também, para recordar um episódio da minha infância. Um dia cai de uma cerejeira, desloquei o ombro e não conseguia mexer o braço. A minha mãe pegou em mim e levou-me até ao Roque Amador a um dos mais afamados «indireitas» que o concelho já teve e de que, infelizmente, não recordo o nome. Fez-me umas manigâncias ao braço, colocou-me uma vima cor-de-vinho com buracos e mandou-me embora não sem antes nos dar uma recomendação. A viagem de volta devia ser feita a pé porque os movimentos do burro não ajudavam à cura. O povo dizia que tinha dons especiais. E devia ser verdade porque a vima descolou pouco a pouco e… pouco a pouco o meu ombro voltou ao normal.
jcl

Aldeia de Santo António – «Agora há outras pontes, mas esta, do Sabugal, é mítica: abriu as portas de Portugal a Ribacôa e as portas de Ribacôa a Portugal.» Assim pensava e escrevia recentemente mestre Pinharanda Gomes na sua crónica dominical. De facto quando se fala de Aldeia de Santo António é obrigatório falar da ponte que une e… divide como nenhuma outra as duas margens da Côa porque… para lá da ponte mandam os que lá estão. Mais do que uma rivalidade ou uma guerrilha é o orgulho do «Bairro da Ponte» que vai passando de geração em geração ao jeito de sentido de vida.

Aldeia de Santo António

Fomos até Aldeia de Santo António para dar continuidade ao tema «Equipamentos Sociais nas Freguesias do Sabugal» recuperados ou construídos, desde 2001, pelas Juntas de Freguesia ao abrigo das delegações de competências, atribuição de verbas e apoio suplementar da Câmara Municipal.
Encostado ao cajado enquanto olhava de soslaio para o carro que acabava de parar a poucos metros o pastor aguardou para perceber ao que vinhamos. As ovelhas e as cabras fizeram, também, uma pausa na escolha das ervas que iam petiscando no verde lameiro junto a um bonito fontanário empedrado.
Estávamos junto ao edifício da sede da Junta de Freguesia de Aldeia de Santo António, presidida por Maria Delfina Alves. Aldeia de Santo António é uma das 40 freguesias do concelho do Sabugal e inclui as localidades de Urgueira, Alagoas e Ameais.
O edifício rasteiro, cor de cal, está «escondido» pelo arvoredo verdejante e fresco. Observado exteriormente apresenta-se com bom aspecto. Recuperado pela Junta de Freguesia serve actualmente como auditório, posto médico (dependendo da afluência de utentes) e como assembleia de freguesia.
Não muito longe crianças a brincar provocam um som cada vez mais raro nos tempos que correm. São os miúdos de Aldeia de Santo António, Sortelha e Bairro da Ponte que utilizam um moderno infantário construído de raiz na sequência de uma candidatura ao POCentro3.
«Tivemos a capacidade de ir buscar cerca de 20 milhões de euros ao QCA3-POCentro que incluía sub-programas e eixos comunitários para infra-estruturas de saneamento básico», esclareceu-nos, depois, o Presidente Manuel Rito Alves a propósito do Jardim de Infância.
E porque o Bairro da Ponte tem a sua identidade própria foi construído na estrada de acesso à Senhora da Graça um pavilhão cultural que serve para reuniões, para torneios de sueca e como secção de voto nas eleições.

A freguesia de Aldeia de Santo António tem muitos «bairros» e identidades. O Bairro da Ponte do Ti Zé Ricardo, o Bairro da Sacor do meu amigo Paulo Leitão, a estrada da Senhora da Graça, a estrada para Santo Estêvão ou a estrada para Sortelha. Todos diferentes e todos iguais até porque nos permitem avistar em inúmeras perspectivas (qual delas a melhor) o castelo que há só um em Portugal.
jcl

Malcata – A freguesia aparece sempre associada à sua Reserva Natural. Mas Malcata tem vida para além do orçamento, perdão… para além do lince. Do lince convertido em deus que muito poucos viram mas que todos adoram mesmo que fale espanhol ou tenha sotaque algarvio.

Malcata

O Capeia Arraiana tem vindo a percorrer o concelho do Sabugal sob a forma de reportagem analisando e dando a conhecer os investimentos e as intervenções que foram feitos desde 2001 nas freguesias sabugalenses. Malcata é o sétimo capítulo do roteiro intitulado «Equipamentos Sociais nas Freguesias do Sabugal».
O viajante que sair do Sabugal em direcção a Santo Estêvão pela estrada nacional 233 encontra um cruzamento à esquerda com a indicação «Malcata» e «Reserva Natural da Serra da Malcata». É a porta de entrada para uma paisagem que se transforma com efeitos únicos. Até o piso da estrada faz a diferença porque, agora, para chegar à freguesia deslizamos por um excelente tapete de alcatrão.
A barragem do Sabugal veio acrescentar beleza à beleza natural daquela região protegida. É agradável aos sentidos avistar ao longe para lá do pontão e do espelho de água o casario típico de uma aldeia raiana. Aconselhamos vivamente um passeio pela qualidade natural dos cerca de 22 quilómetros quadrados da freguesia.
Na área do Apoio Social foi recuperada a antiga escola primária bem lá no alto da freguesia. Remodelada e equipada com cozinha e salão de festas é agora utilizada pela associação cultural e desportiva local para festejos e convívios. Por debaixo do telheiro uma relíquia de um passado recente: um carro de vacas equipado com as sebes que protegiam o carrego.
No centro da freguesia as instalações da nova escola primária são vizinhas da sede da Junta de Freguesia. Com instalações bem cuidadas, moderno equipamento informático e mobiliário de qualidade tem disponível uma sala para as consultas que periodicamente os médicos ali dão às populações.
A recuperação e melhoramento destes equipamentos sociais, onde se inclui um forno comunitário com uma localização privilegiada no largo central, foram executados pela Junta de Freguesia da Malcata por delegação de competências, atribuição de verbas e comparticipação dos valores em falta pela Câmara Municipal do Sabugal.
Gostámos muito de ver o trabalho de recuperação do chafariz e respectivos pios de apoio junto ao campanário por parte da Junta local.
Inicie no largo central da Malcata uma visita pela paisagem única da Reserva Natural e refresque-se nas águas raianas da barragem do Sabugal que regista neste mês de Junho de 2008 a cota 790, sinónimo de limite máximo em pleno armazenamento das águas da albufeira.
Com ou sem lince… o futuro passa, obrigatoriamente, pelo aproveitamento para lazer e desportos náuticos das águas da barragem apoiados por um parque de campismo.

Malcata preenche todos os requisitos para integrar, em conjunto com Sortelha, Termas do Cró, Vilar Maior e Nascente do Côa, um circuito pentagonal de cinco pontos de turismo de muita qualidade no concelho do Sabugal.
jcl

Vilar Maior – Não é… mas tem todos os atributos necessários para ser considerada uma genuína aldeia histórica. Processos burocráticos impedem que se concretize a justíssima candidatura. A Câmara Municipal do Sabugal delegou na Junta de Freguesia de Vilar Maior autonomia total na execução da renovação das infra-estruturas do espaço público. A verba disponibilizada para a freguesia atinge o invulgar valor de um milhão e quatrocentos mil euros.

Vilar Maior

As obras são sempre chatas. Especialmente quando são levantados pisos dos arruamentos com as inevitáveis poeiras e lamas. O objectivo é enterrar todos os cabos e fios e acabar com os postes de transporte de energia e telecomunicações. As ruas ficam… medievais e recolocam a povoação nos roteiros do turismo histórico e cultural. Mas a aposta na valorização do património obriga a alguns incómodos para quem reside na aldeia histórica de Vilar Maior. O título ainda não está oficializado por motivos burocráticos mas consideramos que a aldeia acastelada já respeita todas as exigências da sua atribuição.
E, claro, postal ilustrado de aldeia histórica que se preze tem um castelo. O castelo de Vilar Maior, datado do século XIII, parece tomar conta da vila que ostenta a data de 1280 na cerca que a defende. A origem do povoado está referenciado, através de vestígios arqueológicos na Idade do Bronze.
Incorporada no território de Ribacôa conquistado ao reino de Leão por D. Dinis teve direito a foral em 17 de Novembro de 1296. A posse definitiva só se concretizou em 1297 com o Tratado de Alcanices que consolidou as fronteiras da região raiana. O contrato obrigou à reedificação dos castelos de Vilar Maior, Sabugal, Alfaiates, Almeida, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo e Pinhel.
Entre 1296 e 1855 foi vila e sede de concelho constitituído pelas freguesias da Malhada Sorda, Nave de Haver, Aldeia da Ribeira, Badamalos, Bismula, Vilar Maior e Poço Velho. Já no século XIX a reforma administrativa acrescentou-lhe Aldeia da Ponte, Forcalhos, Alfaiates, Rebolosa, Seixo do Côa, Vale das Éguas, Ruivós e Valongo.

As estradas da Bismula e de Aldeia da Ribeira encontram-se num entroncamento à entrada da povoação obrigando o viajante a reduzir a velocidade. Um olhar mais atento permite perceber movimentações de máquinas no campo de futebol e o contorno de um edifício de apoio à infra-estrutura. As nossas freguesias vão investindo em bons equipamentos sociais e desportivos. Infelizmente vão faltando as crianças e os jovens que os utilizem.
A estrada segue encosta abaixo rodeada de casas até ao largo central da freguesia incrustada num vale entre a ribeira de Alfaiates e o rio Cesarão que desliza orgulhoso da sua ponte romana. O casario medieval da encosta do Castelo sorri para a fotografia enquanto sente correr por perto o rio Côa.
A visita a Vilar Maior só fica completa com uma conversa com a professora Delfina. Mulher de cultura (e de armas) é uma figura emblemática da freguesia e do concelho a quem ninguém consegue ficar indiferente.
Mas… o nosso objectivo era perceber os melhoramentos e os investimentos em equipamentos sociais na freguesia. A Junta de Freguesia recebeu luz verde da Câmara Municipal do Sabugal para seleccionar as intervenções.
Orçadas em um milhão e quatrocentos mil euros estão em curso grandes obras de melhoramento do visual da aldeia escondendo fios, canos, tubos por debaixo do chão devolvendo uma beleza medieval ao local.
Através da verba de capital foi recuperada a sede da Junta de Freguesia, a Associação local, a escola primária e o espaço Internet.
Por impossibilidade de falar com o presidente da Junta de Freguesia de Vilar Maior, António Bárbara Cunha, ficou por explicar o abandono a que foram votadas, depois de recuperadas, duas casas térreas que já pretenderam ser um museu.

Vilar Maior tem todas as condições para ser uma Aldeia Histórica. A classificação oficial tarda mas a voz do povo tem mais força. Vale a pena (re)visitar a Aldeia Histórica de Vilar Maior.
jcl

Aldeia da Ponte – Se dúvidas houvesse sobre a natureza raiana dos de Aldeia da Ponte elas ficam desfeitas quando se avista um estranha parede em pedra granítica que dá forma à Praça de Touros.

Aldeia da Ponte

Quem entra em Portugal pela fronteira de Vilar Formoso e escolhe a direcção do Sabugal, passa pela estação da CP onde a história está contada em azulejos e cruza com a velha locomotiva BA101 da linha da Beira Alta. Silenciosa e imponente descansa agora, resguardada de vandalismos, recordando-nos outros tempos e a importância que o caminho-de-ferro teve no desenvolvimento da nossa região.
Avançando pela estrada nacional 332 com os marcos fronteiriços por companheiros de janela avistamos alguns quilómetros à frente ao desfazer uma curva rápida uma estranha parede granítica no cimo de uma elevação. Alta e circular com portões de dimensões generosas destaca-se do casario e da longa planície que se estende a perder de vista até terras espanholas. Estamos em Aldeia da Ponte cujo nome deriva de uma ponte romana sobre o rio Cesarão classificada de interesse público pelo Instituto de Património Cultural. Terra raiana de encerros e de capeias que se orgulha de possuir uma singular praça de touros. Obra do querer e da vontade das suas gentes incentivadas por António Chorão, reconhecido aficionado da festa brava.
Mas o nosso destino é o equipamento social junto ao longo lameiro onde as peripécias do aviador Raul da Casaca Azul foram descritas de forma superior pelo Esteves Carreirinha nosso companheiro de lides aqui no Capeia Arraiana.
Junto aos ringues de futsal na sede da Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte tinhamos à nossa espera o jovem presidente da Junta de Freguesia José Francisco Martins Nabais.
Afável no trato guiou-nos, orgulhoso, pela obra feita e falou-nos das infra-estruturas que os habitantes de Aldeia da Ponte têm ao seu dispor em toda a aldeia.
O complexo desportivo arrancou com uma candidatura da Associação e do Governo Civil da Guarda através da DRAOT-Direcção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território e apoiada pela Câmara Municipal do Sabugal.
No final de 2001 a primeira fase do complexo desportivo foi ampliada para o dobro do espaço e passou a incluir os ringues de futebol e os balneários e a sede com bar e salão polivalente.
Em 2004 foi remodelado o piso sintético do ringue de futebol para evitar mazelas e lesões nos craques futebolistas. Encostados à parede da sede entram em jogo na terceira parte os assadores e o balcão de finos e refrigerantes.
«Para concretizar estes objectivos tivemos todo o apoio da autarquia. Aproveitámos a delegação de competências, a transferência das verbas que nos foram destinadas e o acompanhamento burocrático por parte dos serviços camarários. Estas instalações são frequentadas todos os dias e em especial ao fim-de-semana. Temos um professor que vem dar aulas de ginástica duas vezes por semana. Tem alunos de todas as idades e o ambiente é espectacular», diz-nos com satisfação José Francisco Nabais.
«O Bar é explorado pelos mordomos das Festas de Santo António que promovem aqui festas na passagem de ano, baptizados e os bailaricos da festa do Santo Cristo a 13 de Maio», acrescenta o autarca pontense recordando a famosa discoteca improvisada do mês de Agosto onde foram batidos os records de venda de minis no concelho.
Aldeia da Ponte dispõe de um moderno espaço associativo, cultural, desportivo e social muito acolhedor e funcional rodeado pela natureza e a poucos metros da mítica raia.
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Na minha meninice, eu e os meus primos, vinhamos pelos caminhos de terra batida até estes lameiros de Aldeia da Ponte. Atávamos os burros junto à raia e iamos a pé até Albergaria onde comprávamos pão e outros produtos que escasseavam em Portugal. O regresso era mais penoso porque os burros iam carregados com os alforges cheios e nós tinhamos que voltar pelo nosso pé. Um dia de aventuras «adrenalinado» com a sombra dos fantasmas dos guardas-fiscais e dos carabineiros.
jcl

Aldeia Velha – Uma das mais emblemáticas terras do forcão aproveita as festas de São João Baptista, entre 22 e 26 de Agosto, para fechar o calendário das capeias do mês de Agosto. Fomos ao encontro do presidente da Junta de Freguesia, Manuel Rodrigues Gomes, na carismática praça central da aldeia onde encerro e a capeia acontecem ano após ano a 25 de Agosto. Um dos montes das redondezas esconde as ruínas do Sabugal Velho que foi arrasada, segundo conta a lenda, por ali se ter escondido um dos carrascos de D. Inês de Castro.

Aldeia Velha

O presidente da Junta de Freguesia, Manuel Rodrigues Gomes, eleito como independente, inspeccionava o largo central de Aldeia Velha que está a sofrer obras de melhoramentos e requalificação para que tudo esteja mais bonito e arranjado quando chegar o Verão.
«Adquirimos os lameiros e recuperámos o açude», lembra o autarca com satisfação enquanto caminhávamos em direcção à última obra da Junta de Freguesia.
«Aqui funcionava a antiga ordenhadeira. Foi recuperada pela Junta em parceria com a Câmara e agora está pronta a funcionar como um bar-café. Vamos colocá-lo a concurso para ser arrendado e damos prioridade aos da terra», esclareceu o membro da Junta de Freguesia de Aldeia Velha. A conversa era informal e aproveitámos para observar a decisão – Mas se arrendarem o espaço a alguém de fora estão a contribuir para ter mais pessoas na aldeia…
A «casinha» junto à estrada, cheira a nova, está bem localizada, rodeada de lameiros verdejantes e será, decerto, um ponto de encontro privilegiado no próximo mês de Agosto.
Ali perto, encostados ao muro, como que envergonhados estão os velhos forcões de Aldeia Velha. Os momentos de glória destes heróis escoltados por 30 rapazes já lá vão. Agora estão transformados em monumentos de madeira escurecida pelo sol e pela chuva testemunhando a paixão raiana pelas capeias.
No café central estivemos à conversa com uma artesã que aproveitou para esclarecer e deixar alguns lamentos ao presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito Alves, que ouviu e aproveitou para esclarecer, sem mais delongas, as dúvidas. Há posturas de proximidade e diálogo com as populações que ajudam a ter uma percepção mais real das dificuldades e dos problemas municipais e permitem desmistificar alguns falsas questões.
Um projecto de 2004 apoiado pela ADES permitiu à freguesia a aquisição de diverso equipamento administrativo tendo a percentagem não subsidiada sido coberta pela Câmara Municipal do Sabugal com uma verba a 100 por cento.
Ao abrigo de acordos entre a Junta e o Município de delegação de competências, transferência de verbas de capital e apoios directos têm sido feitos investimentos e recuperações interessantes em Aldeia Velha. Para quem passa na estrada destaca-se a escola primária bem conservada e com um funcional parque infantil com equipamentos para a pequenada.
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«Aldeia Velha situa-se num extenso e verdejante vale, na margem direita duma ribeira que tem começo na Fonte das Ferrarias, nas faldas duma serra, juntando-se-lhe depois muitos regatos que passam perto do Sabugal Velho. Do meio da povoação domina-se um horizonte limitado. Mas do alto da mesma e de pequena distância do povoado desenrola-se à vista grande extensão de território espanhol, sobressaindo a serra de Xalma, nas faldas da qual estão situadas as povoações espanholas de S. Martinho, Jujas e Valverde», Joaquim Manuel Correia in «Memórias sobre o concelho do Sabugal».
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«O urbanismo medieval do Sabugal Velho é ainda mais nítido na observação por fotografia aérea, nomeadamente do vôo de 1954, onde se observa que as estruturas do povoado se conservam ainda bem conservadas e organizadas segundo um plano ortogonal, distribuindo-se o casario ao longo de uma rua central, para a qual desembocam pequenas e estreitas artérias transversais. Os edifícios do período medieval eram construídos basicamente em xisto, apresentam exclusivamente planta rectangular e definem-se ao longo dos eixos da povoação. Tratam-se de edifícios de habitação e de funções agrícolas e artesanais. Estes edifícios caracterizam-se por não apresentar vestígios da cobertura, baseada apenas em materiais vegetais e perecíveis – colmo ou giestas. Os muros são tortuosos e de aparelho a seco, sem argamassa. Em algumas situações aparentam ter um revestimento interior de barro. Não apresentam quaisquer indícios de pavimento no interior dos edifícios, nem tijoleira, lousas, lajes de granito ou argamassa, mas apenas níveis de terra batida. Foram exumadas algumas lareiras no interior dos espaços que considerámos como habitações e foram identificados edifícios interpretados como celeiros, padaria e uma ferraria, pela presença de uma grande forno de xisto, associado a abundantes vestígios de escória, e a alguns fragmentos de ferraduras dispersas por todo o compartimento», Marcos Daniel Osório da Silva, arqueólogo da Câmara Municipal do Sabugal.
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Sinto Aldeia Velha de forma especial. Foi num já distante 25 de Agosto que o meu saudoso pai me acompanhou pela última vez ao encerro e à capeia arraiana.
jcl

Lageosa da Raia – O nosso roteiro incluiu a visita à terra natal de D. José Alves, arcebispo de Évora. À medida que nos aproximamos avista-se um enorme casario tipicamente raiano. A estrada e as ruas estavam desertas de pessoas e animais mas algumas chaminés fumegantes denunciavam a presença dos seus proprietários.

Lageosa da Raia

À entrada da Lageosa da Raia (uma das aldeias do forcão) está em fase de acabamentos um imponente e moderno pavilhão polivalente inserido num espaço de lazer e de desporto ao ar livre.
O projecto para este equipamento público é da responsabilidade da Junta de Freguesia liderada por Francisco João Sanches Pires (Independente) e resultou de uma candidatura à DRABI (Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior). Os custos da obra foram apoiados pela Câmara Municipal do Sabugal, por delegação de competências e através do subsídio de 25 por cento do valor total correspondente à parte não financiada.
A Associação de Caçadores local aproveitando uma oferta-donativo de um benemérito da terra e o apoio do município sabugalense recuperou uma casa tradicional em pedra e fez dela a sua sede social. Camuflada por alto muro para chegar ao bar interior passa-se por um pátio descoberto que fará certamente as delícias dos seus sócios nos meses quentes de Verão. Foi criado um posto de trabalho para um colaborador que regressou recentemente à aldeia e concilia a actividade na associação com a criação de porcos com «marca de qualidade».
As ruas estão em excelente estado de conservação calcetadas com pedra em granito. Fica sempre bem nas nossas terras mesmo que o orçamento para o alcatrão fique menos dispendioso.
A freguesia da Lageosa da Raia, uma das aldeias do forcão, fica junto à fronteira e dista cerca de 32 quilómetros do Sabugal. O nome da freguesia pode ter surgido pela existência de grandes lajes graníticas que por ali abundam. É banhada por uma pequena ribeira com o mesmo nome da povoação, é acolhedora e bem conservada. Mas apesar dos seus cerca de 400 habitantes sofre e sente-se a gravíssima moléstia de todo o Interior. A desertificação.
Em Agosto, mês de festas e capeias, o dia 5 é dedicado a Nossa Senhora das Neves, padroeira da aldeia e o dia seguinte, 6 de Agosto, à Capeia. Os dois mordomos da Capeia fazem a sua aparição no fim da procissão ao som de tambores, acompanhados pelos rapazes da aldeia em duas filas paralelas. As festividades são, como não podia deixar de ser, «decoradas» com espectáculos musicais, bailes e muita animação.
jcl

Vale de Espinho – Após Quadrazais a reportagem sobre equipamentos sociais nas freguesias do Sabugal continuou na freguesia de Vale de Espinho. O calendário marcava 25 de Abril, dia da Liberdade. O relógio confirmava que a hora de almoço ainda vinha longe…

Vale de Espinho

Mesmo arriscando a possibilidade de alguma falta de rigor na terminologia técnico-camarária voltamos a focar a nossa reportagem nos equipamentos públicos nas freguesias efectuados pelas Juntas por delegação de competências, transferência de verbas e apoios do executivo camarário.
À chegada a Vale de Espinho o Sol aquecia a manhã hospitaleira e sem vento. No amplo espaço central junto ao Centro Social e Paroquial de São José sente-se, nos olhos dos idosos que estão no passeio, uma curiosidade própria das aldeias raianas. A calma matinal estava irremediavelmente alterada pela presença da máquina fotográfica.

Foram intervencionados pela Junta de Freguesia de Vale de Espinho presidida por Carlos Augusto Lopes Valente (eleito como independente) dois espaços distintos e feito o enquadramento urbanístico e paisagístico do enorme e desafogado largo.
Destaca-se na encosta ajardinada o altar com a imagem granítica de Senhora de Fátima que tem a 13 de Maio honras de festa na aldeia.
Com obras de melhoramentos na sua maior parte datadas de 2005 são visíveis o polidesportivo, os palcos para festas e bailaricos, os balneários, os sanitários públicos, a paragem do autocarro e o espaço polivalente da sede da Junta de freguesia com os seus mastros vigilantes.
Espaços recuperados com preocupação evidente pelo enquadramento paisagístico e com as paredes cor de neve dos edifícios sociais a transmitirem paz e tranquilidade ao visitante.
A Vale de Espinho chega-se pela Estrada Municipal n.º 538 que liga a freguesia a Quadrazais e os Fóios. Em tempos que já lá vão a aldeia contava com mais de três mil habitantes mas o censo de 2001 apenas registou 512 habitantes num limite com 38,15 quilómetros de área.
jcl

O Capeia Arraiana visitou algumas freguesias do concelho do Sabugal na companhia de Manuel Rito Alves, presidente do Município. Iniciamos hoje a publicação dessa caminhada que incidiu sobre projectos e melhoramentos nos equipamentos públicos nas freguesias efectuados pelas Juntas por delegação de competências, transferência de verbas e apoios do executivo camarário.

Manuel Rito AlvesPraticamente no início do Capeia Arraiana (recordamos que existimos desde 6 de Dezembro de 2006) estivemos presentes na reunião da Mesa das Juntas de Freguesia do concelho do Sabugal que se realizou em Sortelha a 31 de Março de 2007. Apresentámos as nossas ideias e tentámos sensibilizar os autarcas presentes para o interesse colectivo em promover e divulgar o concelho do Sabugal através da Internet um suporte comunicacional pouco utilizado nesse tempo.
Agora é tempo de conhecer alguns dos projectos e dos melhoramentos efectuados nas freguesias sabugalenses durante o presente mandato legitimado pelas eleições autárquicas de 9 de Outubro de 2005. Recorde-se que estão cumpridos cerca de dois terços do actual mandato que termina em finais de 2009. Alguns dos equipamentos sociais que visitámos na companhia do presidente Manuel Rito Alves estendem-se no tempo e tiveram início em 2000/2001.
Este périplo (onde se incluem as várias reportagens já publicadas sobre a Cerdeira) vai ser publicado diariamente durante as próximas duas semanas e será retomado em breve quando for possível completar a visita às restantes freguesias do concelho do Sabugal.

Quadrazais

«Vunhir»* a Quadrazais
Partindo da sede do concelho e percorrendo a estrada municipal em bom estado de conservação que passa pela Colónia Agrícola de Martim-Rei chegamos, cerca de 10 quilómetros depois, a Quadrazais, situada a 811 metros acima do nível do mar. Raul Fernandes Bicho, eleito na lista do Partido Socialista, é o actual Presidente da Junta de Freguesia que inclui ainda a anexa Ozendo.
Obras iniciadas em 2000 – Espaço polivalente (nas imagens) que inclui a sede da Junta de Freguesia, o Centro Cívico, o posto médico, a Associação Cultural e Recreativa dos Amigos de Quadrazais e salas para formação.
* Vunhir = Vir em dialecto quadrazenho.
(continua)
jcl

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