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A editora Bizâncio acaba de lançar o livro «Lince-Ibérico», o qual aborda diferentes aspectos da biologia do felino mais ameaçado do mundo, ilustrados por fotos de animais em habitat natural onde a sua existência se encontra ameaçada.
A publicação é o resultado de uma colaboração do jornalista Paulo Caetano, autor dos textos, e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, responsável pelas fotos, enriquecida também por ilustrações de Jorge Mateus.
Numa altura em que o projecto nacional de reprodução do lince-ibérico dá um passo decisivo com o acolhimento de linces para o repovoamento do seu habitat tradicional em Portugal, chega aos escaparates um livro-álbum muito elucidativo.
Trata-se de uma publicação que apresenta o felino mais ameaçado do mundo nos vários aspectos da sua biologia, que vão desde os hábitos alimentares à reprodução, sempre ilustradas com fotos do esquivo carnívoro obtidas em meio natural em momentos nunca capturados da sua vida quotidiana.
Continuam a chegar linces ao centro nacional de reprodução, situado em Silves, no Algarve, num processo que deverá estar concluído até ao final deste mês, altura em que o centro de reprodução português deverá acolher os 16 animais previstos.
plb
António Cabanas, 48 anos, natural da Meimoa, concelho de Penamacor, é licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. Pertence aos quadros do ICN-Instituto de Conservação da Natureza e está «emprestado» à Câmara Municipal de Penamacor desde 2001 onde exerce o cargo de vice-presidente da equipa liderada por Domingos Torrão. No seu currículo destaca-se a publicação de obras sobre temáticas como o contrabando, o madeiro de Penamacor e a Meimoa.
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Quando terminou os estudos do liceu (antigo sétimo ano) foi trabalhar para o restaurante «Furnas Lagosteiras» perto de Cascais. Explorou um snack-bar no Shopping Cacém e sentiu o chamamento do espírito de aventura. Durante cerca de dois anos foi embarcadiço em navios de cruzeiro nas Caraíbas «onde ganhou algum dinheiro porque no barco não era possível gastar nada». Depois veio para a Malcata e terminou, finalmente, os estudos que não conseguiu acabar quando era jovem. «Os meus pais eram agricultores e tinham algumas dificuldades económicas próprias do mundo rural e entendi que não devia estar a sacrificá-los. Mas… prometi-lhes que terminaria os estudos nem que fosse até aos 80 anos», recorda António Cabanas.
Entre 1987e 2001 António Cabanas sentiu o bater do coração da Reserva Nacional da Serra da Malcata. Foi vigilante, técnico superior e finalmente director da Reserva durante dois anos. Em 2001 uma lista independente encabeçada por Domingos Torrão venceu as eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e António Cabanas «transferiu-se» para a autarquia assumindo o cargo de vice-presidente. Em 2005 e nas recentes eleições autárquicas de 2009 a equipa de Domingos Torrão e António Cabanas foi reconduzida à frente dos destinos do município de Penamacor. «Actualmente ainda pertenço aos quadros do Instituto de Conservação da Natureza e como isto de ser autarca não é eterno quando cessar as funções na Câmara Municipal de Penamacor, onde estou desde 2001, voltarei a trabalhar no ICN», esclarece o vice-presidente Cabanas.
– Esteve vários anos ligado à Reserva Natural da Serra da Malcata que muitos relacionam com o lince ibérico. Que projectos recorda?
– Recordo a candidatura do projecto da Senhora da Graça com um orçamento de 200 mil contos, falando em moeda antiga, e que teve alguma envergadura para a época. Este projecto pretendia ter, por um lado, a vertente florestal com plantas autóctones da região e como viveiro das árvores protegidas de todo o País, uma espécie de viveiro do ICN a nível nacional e por outro lado uma vertente de educação ambiental, interpretação da natureza e visitação. Infelizmente não tem havido meios para esta estrutura funcionar a cem por cento mas, de alguma forma, tem sido um baluarte da Reserva da Malcata. Outro projecto em que me empenhei como director foi o «Life» para o estudo do lince e dos seus ecossistemas. O lince é uma espécie que vive uma grave crise. Já fui muito céptico mas, actualmente, estou mais confiante e considero que há grandes possibilidades das populações de linces voltarem à Malcata e a outros territórios ibéricos. Em 1977 o doutor Luís Palma fez estudos na Malcata e registou cerca de 30 linces, em 1987 falava-se numa comunidade de 14 ou 15, em 1992 capturámos uma fêmea mas em 1995 já não conseguimos assinalar nenhum vestígio da sua presença. Em Portugal o lince está extinto mas nos próximos anos vão ser transferidos animais espanhóis para regiões portuguesas onde vão crescer em cativeiro. Apesar do entendimento político entre os dois governos ibéricos ainda não é seguro que a espécie se salve mas há uma nova esperança…
– …«Terras do Lince» é uma marca em que aposta a Câmara Municipal de Penamacor…
– É a bandeira de Penamacor. Há uns anos atrás os ambientalistas que apareciam por cá eram olhados com alguma desconfiança e, afinal, hoje somos todos ambientalistas. Para Penamacor, para o Sabugal, para o Alto Águeda e para a Sierra da Gata a existência do lince será certamente uma mais-valia. É uma marca que faz a diferença e nos pode trazer vantagens económicas. «Terras do Lince» é uma marca que está a ser divulgada através dos produtos regionais – azeite, mel, queijo e enchidos – e pode ser aproveitada para programas turísticos.
– O território da Malcata é partilhado por dois concelhos portugueses e duas comunidades espanholas. Facilita ou prejudica a actuação dos responsáveis?
– Há vantagens porque há diversidade. É um território de transição da fauna e da flora entre o Mediterrâneo e o Atlântico Continental e por isso esta diversidade a Sul com o azinhal, os medronheiros, sobreiros e a Norte com o carvalhal e os castanheiros. Infelizmente do lado espanhol não há um estatuto de conservação como existe no lado português. Os espanhóis são sensíveis à defesa da natureza mas preocupam-se muito mais com o turismo. A Reserva da Malcata tem um plano de ordenamento excessivamente restritivo que acaba por se tornar maléfico. Nos últimos anos a Malcata deixou de ser falada porque um território fechado afasta as pessoas e tem um efeito negativo. Quando há visitação há promoção e uma atenção redobrada sobre o território que facilita a pressão política para a atribuição de mais meios – técnicos e humanos – pelo poder central.
– Em Penamacor sente-se o espírito raiano?
O penamacorense não se considera raiano – com excepção, talvez, das freguesias de Salvador e Aranhas – mas eu considero-me raiano pelo Sabugal e pelos amigos que conheci quando estive na Malcata. Penamacor como praça-forte sempre esteve de costas voltadas para Espanha. Curiosamente iniciámos num processo de geminação com Valverde del Fresno a cerca de 30 quilómetros e com a qual apenas temos uma ligação por estrada há poucos anos. Há uma distância física muito diferente da relação que as aldeias raianas do Sabugal têm com as localidades espanholas de Albergaria ou Navasfrias.
– Como se define o político António Cabanas?
– A causa pública é algo que nasce dentro de nós. Desde miúdo que sinto a necessidade de estar activamente na sociedade. Integrei o grupo coral da igreja na Meimoa, associações, o clube de futebol… O autarca é um homem da causa pública. Nas eleições autárquicas é costume dizer-se que o que conta são as pessoas. As freguesias vivem dependentes das câmaras e estas do Governo e todos sabemos e sofremos na pele o ter ou não ter apoios. Quando somos da cor e estamos com o poder comemos e quando não somos… cheiramos. Por isso compreendo e não condeno os chamados «vira-casacas» porque eles traçam estratégias – incluindo o sucesso pessoal – para atingir os melhores objectivos para as suas autarquias. Em função das minhas competências académicas e do meu percurso profissional na Malcata o ambiente, o ordenamento do território, o turismo, a etnografia e a cultura local são as temáticas com que mais me identifico.
– Há um homem de cultura para além da política…
– A matriz cultural da etnografia e da antropologia beirãs são excelentes elementos de estudo para qualquer sociólogo e o meu trabalho reflecte essas influências. Além disso sou um homem com origens no mundo rural. Os trabalhos no campo com os meus pais foram experiências muito enriquecedoras para a minha pessoa. Cada uma das minhas obras deve ser lida de forma distinta e entendido como uma forma de preservar testemunhos. O livro «Carregos» foi motivado pelo meu pai e pelos meus tios que foram contrabandistas e contavam estórias que eu ouvia com muita atenção. Os vigilantes da Reserva da Malcata tinham motorizadas para andar pelos caminhos pedregosos da serra. No meu primeiro dia de serviço na Malcata levava na ideia passar pela quinta do Major – também conhecida por quinta do Pinharanda ou quinta da dona Rita – onde os contrabandistas passavam com os carregos. O livro sobre a Meimoa tem uma motivação histórica com as nossas raízes, a nossa alma, os nossos antepassados. A Meimoa é uma comenda da Ordem de Aviz, a igreja da Meimoa fez parte da Ordem de Alcântara, a mãe de Pedro Álvares Cabral era a senhora dona da Meimoa e o rei D. Afonso V doou a Meimoa ao primeiro conde de Penamacor e assim através de uma pequena aldeia podemos contar um pouco da história de Portugal. São facetas que desconhecia e acabei por descobrir durante a investigação. O livro «Madeiro» retoma o fio à meada do contrabando porque voltamos ao património cultural das tradições. O Natal tem origem no solestício de Inverno muito anterior aos romanos. O monumental madeiro de Penamacor com 18 tractores de sobreiro é o maior de Portugal e considerei que merecia ser destacado.
– Há publicações na forja?
– Tenho dois projectos que quero levar a bom porto ainda para este ano. Vamos comemorar o primeiro centenário do nascimento de Mário Bento, patrono do Museu da Meimoa, com a publicação de um livro sobre a Comenda da Ordem de Aviz atribuída à Meimoa e em conjunto com a técnica da Câmara, Laurinda Mendes, estou a preparar um opúsculo com muita pesquisa na Torre do Tombo sobre a história cronológica de Penamacor.
No dia 11 de Outubro a lista de Domingos Torrão foi a jogo nas eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e venceu com 53,64 por cento dos votos. Os nossos parabéns a António Cabanas pela recondução como vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor e as boas-vindas como «opinador» residente no Capeia Arraiana onde passará a assinar a coluna «Terras do Lince».
jcl
E.F.VPTLC.MV é o nome de código do «exercício militar» que vai levar até terras raianas de Penamacor, Sabugal e Almeida altas patentes da Força Aérea. O encontro de convívio entre ex-directores do Centro de Treino e Sobrevivência, instrutores dos cursos de Fuga e Evasão e familiares está marcado para este sábado, 12 de Setembro. A Ordem de Operações está a cargo do sargento-chefe José Reis, natural da Freineda mas «com muitos amigos no concelho do Sabugal» como fez questão de nos dizer durante uma cordial conversa na Base Aérea do Montijo.
«Tenho 48 anos feitos no dia 27 de Agosto. Sou natural da terra do melhor vinho do Mundo: Fernão Pó. O meu pai era funcionário da CP e eu nasci lá como que por acaso mas fui registado e baptizado na freguesia da Freineda, concelho de Almeida, terra de onde são naturais os meus pais», começou por nos dizer em jeito de apresentação o Sargento-Chefe da Força Aérea, José Reis.
E lançando uma pequena provocação para a conversa acrescentou: «Comecei a trabalhar aos cinco anos!» Apercebendo-se da nossa expressão de surpresa lançou-se nas explicações desvendando que «os pais tinham um pequeno comércio na Freineda» e como era pequeno «colocava uma grade de bebidas por detrás do balcão para servir os meio-quartilhos aos clientes». «Cheguei a ser castigado pelo professor porque pensava que eu estava a brincar em vez de ir à escola mas, de facto, estava na tasca do senhor Januário que era o meu pai», recordou entre sorrisos.
Depois da primária ingressou no Colégio São José, conhecido pelo Rocha, na Guarda onde foi considerado um dos melhores alunos até ao 9.º ano. Os fins-de-semana eram passados na Freineda. «Quando os outros estavam em festa eu estava a trabalhar a ajudar os meus pais», acrescenta com a boa disposição que parece acompanhá-lo sempre.
Passou para o Liceu da Guarda, durante três anos, onde fez parte da Associação de Estudantes e da Comissão de Finalistas.
Aos 19 anos («por sorte» como faz questão de frisar) foi chamado para o serviço obrigatório na Força Aérea. «Na antiga BA3, Tancos, fiz a recruta e fui para a Ota onde me graduaram como cabo da Polícia Aérea. Pouco tempo depois surgiu a possibilidade de integrar um exercício de fuga e evasão em Penamacor mas não cheguei a ir», recapitula José Reis.
No final do serviço militar obrigatório frequentou o curso de sargentos que terminou em 1986. Já como furriel foi convidado para a equipa de instrutores dos cursos de fuga e evasão que eram feitos na zona de Penamacor, Sabugal e Almeida e em especial a zona da Malcata. «Na altura era solteiro e como natural da região agradava-me a ideia de ser instrutor do pessoal tripulante. Embora os cursos tivessem a duração de 12 a 14 dias chegávamos a estar 28 dias destacados na zona».
Mas as surpresas com as recordações de José Reis não param. «Tive o privilégio de ter visto linces na Reserva da Malcata em 1987. Nessa altura havia linces na Malcata. Eu vi. Eu e vários camaradas desse curso.»
– Como eram as relações com as populações?
– As relações sempre foram as melhores. A Força Aérea deve está grata às populações de Penamacor, Sabugal e Almeida porque os nossos militares sentem-se como em casa. Os instruendos tinham como missão não ser vistos por ninguém mas, por vezes, surgiam «ajudas» dos residentes na zona porque achavam que os militares andavam com fome. Mas não diziam nada aos nossos agentes infiltrados. Só no exercício seguinte é que nos contavam os pormenores para que os alunos não fossem prejudicados.
– Os exercícios decorriam em «território amigo» do instrutor Reis?
– Os exercícios começavam em Setembro, por causa da Academia, e depois iam de Outubro até Março para ter a dificuldade acrescida do frio. Fiz e mantenho muitas amizades com pessoal da raia, nomeadamente, o senhor Manuel Zé, do Soito, que nos recebe sempre de forma extraordinária na sua quinta. Mas tenho mais amigos que gostava de destacar: o presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia do Soito, José Mendes Matias, o presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, e o presidente da Junta de Penamacor, o senhor Orlando, e o senhor Américo, entre outros.
– E na Freineda?
– Nos tempos da taberna do senhor Januário a Freineda era uma aldeia com muita vida. Tinha uma fábrica de moagem, uma estação de comboios, uma estação de Correios, tinha tudo o que era necessário para o desenvolvimento de um aldeia. Depois começou a emigração e… acabou o contrabando. E a Freineda apesar de não ter perdido a hospitalidade perdeu vitalidade.
– Bem perto a aldeia de São Sebastião é já considerada modelo…
– Sim. A aldeia de São Sebastião, com cerca de 70 habitantes, é uma anexa de Castelo Bom mas é de invejar o dinamismo da associação local e do seu presidente Joaquim Fernandes a quem aproveito para agradecer e dar o meu apoio pelo seu dinamismo e pela sua capacidade de lutar pela aldeia com alma e coração. No Lar, recentemente inaugurado, que mais parece um hotel os utentes têm todas as condições com muita qualidade de vida. Já este ano fizemos aqui na Base do Montijo um baptismo de voo para cerca de 90 crianças carenciadas organizado pela associação com o apoio do senhor general COFA.
– Actualmente é um dos responsável pela messe da Base do Montijo?
– Depois de ter passado 20 anos como instrutor do treino de evasão e sobrevivência tive um problema físico durante uma demonstração de helicóptero e foi convidado pelo comando a fazer parte da gerência da messe. A unidade tem mais de 800 militares e servimos, diariamente, cerca de 700 refeições.
– A gastronomia raiana é apreciada?
– Faço questão de divulgar a gastronomia raiana. Sempre que tenho um presente para oferecer trago um frasquinho de mel produzida pelo Amílcar Morgado da Freineda. É um dos mais conceituados produtores apícolas nacionais e faço questão de divulgar o seu «Mel da Freineda». Além disso sou um amante do bucho raiano. Há uma casa em Nave de Haver que faz uns buchos espectaculares e aproveito para os trazer para confeccionar almoços para grupos especiais. Na Freineda temos bons pratos como, por exemplo, o borrego. Agora inventaram mais um – o toston – um leitãozinho frito com alho.
– Como surge este «exercício» de antigos operacionais do Curso de Fuga e Evasão?
– Eu fiz parte do pessoal instrutor do curso de evasão e este ano por iniciativa do director do curso foi decidido juntar os antigos directores, subdirectores, agentes e neste momento estou com 72 inscrições. Não é um almoço. É um exercício especial que vai decorrer pela região raiana. A concentração está marcada para as 10 horas da manhã de sábado, dia 12 de Setembro, na Câmara Municipal de Penamacor de onde seguimos para as instalações da carreira de tiro da Meimoa. No castelo do Sabugal vamos aproveitar para tirar uma fotografia de grupo e vamos ser recebidos por representantes do Município e, de seguida, na «Casa do Castelo» e no CyberCafé «O Bardo» para um «exercício de Porto de Honra». Vamos passar pela vila do Soito, do amigo Matias, para uma prova com um aperitivo e a prova de sobrevivência está marcada para o TrutalCôa com truta frita e enchidos regionais. Cumprindo militarmente o roteiro vamos visitar o Centro Cívico dos Fóios para mais um «exercício» que servirá para dar início à «evasão» até Aldeia de São Sebastião. Para as 17:30 horas está marcada uma foto de grupo no monumento ao general Wellinton na Freineda.
– Este «exercício» demonstra que o José Reis sente a Raia?
– Sou um raiano convicto e tudo faço para divulgar a nossa região. Ainda não nos preocupam muito os problemas das cidades e por isso continuamos a ter muita qualidade de vida. Como costuma dizer o nosso conterrâneo professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, «nós somos de uma zona que quando se bate à porta primeiro mandam-nos entrar e depois perguntam-nos quem somos». Este «exercício» serve para divulgar a Força Aérea que tenho muito gosto em servir e para que as populações falem bem dos militares e os militares falem bem da nossa região.
A terminar aqui deixamos mais um curioso episódio da vida deste militar raiano. «Por alturas do São Martinho o José Mendes Matias, presidente da Junta de Freguesia do Soito, fez-me chegar uma encomenda com castanhas. Aproveitei para as enviar para os militares portugueses que estão no Afeganistão com um galhardete da Junta. Os elementos do contingente devolveram-no assinado por todos. Agora guardo-o, com muito orgulho, no meu gabinete.»
Aproveitámos para convidar José Reis a estar presente no dia 7 de Novembro, no próximo almoço em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano e a inscrever-se como confrade. O convite foi aceite.
jcl
O ministro do Ambiente, Nunes Correia e a sua homóloga espanhola, Elena Espinosa Mangana, assinaram em Penamacor esta terça-feira, 28 de Julho, Dia Nacional da Conservação da Natureza, um protocolo para a cedência de 20 linces nascidos em cativeiro em Espanha.
O presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, foi o anfitrião da cerimónia de assinatura do protocolo para a introdução na Serra da Malcata de linces nascidos em Espanha. O Fado, o Eucalipto, a Espiga e a Erika são alguns dos 20 linces (14 machos e seis fêmeas) integrados no Plano de Acção para a Criação em Cativeiro do Lince Ibérico que prevê a implementação em Portugal, no prazo máximo de três anos, de um programa detalhado para a reintrodução dos animais nas zonas de habitat histórico da espécie.
O ministro Nunes Correia afirmou que «a Serra da Malcata é uma zona de eleição e será uma das primeiras regiões a receber o lince». O governante e a sua homóloga espanhola sublinharam a importância do esforço conjunto dos dois países para a recuperação da emblemática espécie ibérica.
O presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão manifestou na sessão de assinatura do protocolo a vontade de receber linces. «O que queremos é o lince, porque o lince é de cá», acrescentando para reforçar o desejo que o município já registou a marca «Terras do Lince».
A Reserva Natural da Malcata, criada em 1981, está a tentar aumentar a densidade média de coelho-bravo (que representa 80 por cento da alimentação do lince). Em algumas zonas conseguiu passar de um coelho por hectare para cinco, no período de 1997 a 2006. Para isso promoveu o refúgio ao abrir clareiras e plantar centeio, construiu 180 abrigos e, em 1994 e de 1997 a 2003, repovoou a zona com 1200 coelhos.
Actualmente, Espanha tem 77 linces nos seus centros de reprodução em cativeiro. Os 20 animais que foram cedidos a Portugal virão de El Acebuche (em Doñana), La Olivilla (Raen) e de Jerez de la Frontera.
Os registos indicam 1992 para o último lince avistado em liberdade na Serra da Malcata «penamacorense».
jcl
Elaborar um programa de acção não devia ser demasiada metafísica para qualquer candidato; mas falta em pragmatismo o que sobra em teoria aos programas dos candidatos à Câmara do Sabugal.
Eu, leitor amigo, habituado por formação à liberdade e por dever de ofício a dizer o que penso com clareza, vou direitinho ao assunto:
O concelho só teve peso reivindicativo junto do poder central quando fez lobby na histórica «Irmandade de Riba-Côa», com os restantes concelhos da região. Isoladamente nunca teve voz. Por isso tem que concertar estratégias com os concelhos limítrofes na resolução dos problemas comuns.
E os seus problemas, já toda a gente sabe, são a baixa qualidade de vida, falta de oportunidades de emprego, que levam à emigração e consequente desertificação e envelhecimento da população.
A fixação da população obtém-se pela qualidade de vida. A qualidade de vida surge com mais rendimento disponível. O rendimento com mais emprego e negócios. As oportunidades de empregos e negócios com mais necessidades de consumo.
A população residente tem um baixo rendimento e portanto nenhuma capacidade de consumo, o que torna a actividade empresarial incipiente e de pouca importância. E não existindo actividade empresarial também não há empregos e criação de riqueza. E sem riqueza não há qualidade de vida. É um ciclo vicioso!
Não havendo consumo interno que dinamize a economia do concelho, tem de se captar consumo externo. É uma verdade de la Palisse!
Temos para vender a vizinhança com Espanha, o património cultural (capeia, romaria dos «encoratos» a Sacaparte, etc), gastronómico (bucho, enchidos, castanhas, ciclo do linho, do azeite, do pão), Histórico (os cinco castelos, sítios arqueológicos de Carya Tallaya e Sabugal Velho, aldeias históricas de Sortelha, Vila Touro, Alfaiates, Vilar Maior), natural (rio côa, Cesarão, barragem do Sabugal, trilhos de contrabando).
Os programas dos candidatos falam em combate à desertificação, melhorar a qualidade de vida da população, ajudar as empresas. Isso também propuseram os candidatos e os presidentes anteriores e foi o que se viu. Parra, muita; uva nenhuma! Fogo bonito; no fim, canas…
Pois meus amigos, eu cá se fosse candidato, definiria umas quantas medidas concretas, baseadas nas potencialidades que temos para oferecer, para atrair consumo, gerar oportunidades de emprego e indirectamente aumentar o rendimento disponível da população e por conseguinte a estabilidade demográfica.
Apenas alguns exemplos, de iniciativas que, enquadradas numa estratégia global, poderiam atrair consumo e criar oportunidades de emprego:
– Museu do linho em Aldeia Velha;
– Trajecto eco-turístico em Vilar Maior descendo as fragas do castelo ao rio;
– Oficinas de artes tradicionais em Alfaiates conjugadas com a feira mensal;
– Museu do Azeite em Santo Estêvão;
– Fluviário no Sabugal e praia artificial ou piscinas naturais. Provas de canoagem;
– Dinamização dos pólos arqueológicos de Caria Talaya e Sabugal Velho;
– Uso dos poderes administrativos para recuperar os núcleos urbanos históricos;
– Feira agrícola no Soito conjugada com certame de Capeias divulgado a nível nacional e internacional;
– Prova desportiva de BTT e de hipismo a nível nacional da rota dos cinco castelos;
– Comemorações anuais da batalha do Graveto;
– Feira medieval em Sortelha e feira de gastronomia associada à «Aldeia das sopas»;
– Definição, demarcação e sinalização de alguns trilhos pedestres e para ciclo turismo aproveitando as veredas de contrabando, leitos dos rios e belezas paisagísticas;
– Feira de Gastronomia no Sabugal associada ao bucho raiano;
– Bienal de artes e certame de teatro no Sabugal;
– Revista mensal de qualidade divulgando a cultura e tradições da região;
– Criação e divulgação da marca «Transcudânia» em todos os produtos e actividades ligadas à região;
– Formação de uma equipa multidisciplinar para criação, coordenação e divulgação de projectos turísticos, culturais e desportivos;
– Coordenação de políticas com os restantes concelhos limítrofes, reeditando a antiga irmandade dos concelhos de Riba-Côa, definindo um espaço geográfico próprio no contexto regional, nacional e internacional;
– Campanha agressiva de marketing divulgando todas estas iniciativas e projectos, feita por uma equipa de profissionais.
Isto é, amigos leitores, a diferença entre a teoria e o pragmatismo: Reconhecer que não há recursos e tempo para acudir a tudo; estimular a economia do concelho com iniciativas pontuais e bem orientadas ao consumo externo. A iniciativa privada indo ao encontro às necessidades de consumo, criará o emprego e a riqueza de que precisamos.
Se assim não acontecer… Ramo de oliveira, caldeirinha e água benta, aos pés!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O ministro do Ambiente, Nunes Correia, admitiu em declarações ao jornal «Reconquista» que a Reserva Natural da Serra da Malcata poderá vir a acolher alguns linces ibéricos nascidos em cativeiro provenientes de Espanha. Mas… tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho naquela zona protegida.
O Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, inaugurado em Silves (Algarve) em Maio, está pronto para receber em breve os primeiros felinos.
Nunes Correia, ministro do Ambiente, em declarações ao jornal «Reconquista» admite que a serra da Malcata também poderá vir a acolher alguns linces mas tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho, principal alimento do lince, na serra situada entre os concelhos do Sabugal e de Penamacor.
Recorde-se que a instalação do Centro de Reprodução do Lince Ibérico no Algarve foi contestada pelas autarquias do Sabugal e de Penamacor, que partilham o território da Reserva Natural da Serra da Malcata, criada em 1981 no âmbito de uma campanha pela preservação do lince.
O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), Tito Rosa, confirma que «há dificuldades na reintrodução da população de coelhos nesta área protegida. Actualmente quase não há coelhos na serra da Malcata, devido à caça e à prevalência de doenças que, nos últimos anos, dizimaram a presa. Por isso, a reintrodução do lince na Serra da Malcata ainda é uma incógnita, apesar de nos próximos meses estar prevista a chegada a Portugal de alguns destes animais, provenientes do parque de Doñana, em Espanha».
jcl (com jornal «Reconquista»)
Três linces machos ibéricos nasceram no dia 18 de Março no Centro de Conservação de El Acebuche, situado no Parque Natural de Doñana, em Madrid, segundo anunciou a agência Reuters citando o organismo ambiental Ex-situ.
O Programa de Conservação Ex-situ informou que nasceram três linces ibéricos em cativeiro e que um outro parto está previsto para os próximos dias. Os filhotes são crias da lince Saliega, que havia dado à luz outros dez exemplares em quatro partos anteriores. O pai é o lince Almoradux, único macho do parque dentro do grupo de reprodutores do programa conservacional.
«Das 16 fêmeas que copularam este ano, sabemos que dez passaram no teste de gestação que detecta a presença do hormônio relaxina, uma foi reprovada e cinco ainda serão diagnosticadas», esclarece em comunicado o organismo espanhol.
O objetivo do programa de reprodução em cativeiro é proporcionar o número suficiente de animais para ajudar a restaurar a espécie no habitat natural, criando novas populações para pôr em prática planos de reintrodução.
O lince ibérico (lynx pardinus) é considerado o carnívoro mais ameaçado do planeta. Os especialistas acreditam que Andalucía e Castilla-La Mancha sejam as únicas regiões na Espanha que ainda tenham populações da espécie com boas condições para viver.
aps
«O batimento de asas de uma borboleta no Brasil pode provocar um tornado no Texas?»
Esta é a célebre metáfora (Efeito Borboleta) tornada emblemática pela Teoria do Caos, fenómeno de sensibilidade às condições iniciais, com o seu conceito de «determinismo relativo». De facto, a pergunta que a metáfora coloca não é cientificamente aceitável, devido ao efeito de dissipação da pequena quantidade de energia emitida. Por vezes a Ordem que emerge do Caos, é exactamente oposta ao chamado Efeito Borboleta. E talvez possamos considerar também, que se o seu efeito pode criar um tornado, também o pode anular.
Na verdade, o que podemos retirar da observação da complexidade, é o de ela conduzir à simplicidade, assim como o caótico à estabilidade ou a guerra à paz.
Para o observador que sabe distanciar-se do palco, da sua acção, movimentos e tempo, não é muito difícil cheirar a transformação das coisas nas suas transições pendulares. Mas para aquele que em permanência está na acção, mergulhado nos conceitos, valores e condicionalismos resultantes desses apegos, o olhar visionário não é possível, embora seja ciclicamente indispensável no virar de página dos grandes problemas.
Muitas coisas têm de ser alteradas nesta presente sociedade tribal. Não nos iludamos, os mecanismos de obtenção e consolidação do poder que regulam o mundo, continuam a ser os mesmos dos tempos da barbárie. A espada é hoje a pena, a palavra ditatorial e sem apelo armada por doce lei orgânica, ou norma comunitária, para melhor engolirmos. Os lobbies vistos com normalidade democrática, cercam leis que se perpetuam ao serviço do mais forte, porque o homem continua a ser o mesmo, apenas mudou a forma, não o conteúdo.
O poder do povo, chegou à encruzilhada da legitimidade que advém do voto, sem ter forçosamente razão. A razão tem que ver com qualidade e não com quantidade. O princípio da democracia baseia-se num pressuposto primário que atribui o poder ao mais forte (a união faz a força), o seu funcionamento gerou-se na noite dos tempos, ele cria blocos de oposição assimétrica, tal como no mundo natural, presas e predadores.
Onde está o homem?
Descobriu-se ao acaso, num filme passado a grande velocidade numa sala de montagem, que os búfalos africanos vão a votos quando decidem mudar de pastagens. Deitados enquanto ruminam, a votação realiza-se lentamente, e consiste em levantarem-se individualmente, apontando o focinho numa determinada direcção e deitar-se de novo. Um após outro de forma contínua, até finalmente toda a manada se erguer e seguir o rumo médio de todas as direcções apontadas. Uma notável proeza de consenso democrático.
Onde está o animal?
Por vezes, frequências inaudíveis à maioria das mentes, podem transformar alguns raros pelo seu toque. Outros apenas ouvem, dogmatizam e enquadram nas suas próprias culturas, transformando, mesmo que parcialmente (por ignorância ou excesso de conhecimento), veiculam ainda assim ensinamentos que transcendem as suas próprias limitações, crenças, moral e demais ferramentas de apoio à normalidade vivida.
Mensagens sem tempo nem lugar concreto, surgem naquilo que não oferece resistência nem contem, porque só o vazio pode realmente conter.
Retiremos das mensagens aquilo que de acessório o animal coloca, e veremos a mesma origem e universalidade, o mesmo tronco comum. Apenas a nossa mente caótica impede esse olhar visionário. Essa torre de Babel.
Na babilónia, Babil significava «Porta de Deus», no hebraico antigo significa «Confusão». Confusão às Portas de Deus, nada de mais natural.
A mensagem de uma borboleta vale mais pela transformação que se opera no seu interior, do que pela mudança que provoca no exterior. Ela vive rastejando até à morte que lhe dá vida, para uma simbiose com as flores.
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura
mouramel@sapo.pt
O vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, foi eleito presidente do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata.
O artigo 8.º do Decreto-Lei nº 136/2007, de 27 de Abril que procedeu à reestruturação do antigo Instituto da Conservação da Natureza em Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), criou a figura de Conselho Estratégico das Áreas Protegidas de interesse nacional, de modo a potenciar o relacionamento com todos os actores que interagem nas áreas protegidas, tendo em conta a transversalidade que se exige da gestão activa da conservação da natureza e da biodiversidade, os quais serão compostos nos termos aí previstos.
Tais conselhos assumem no âmbito da nova orgânica, a dignidade de órgãos do ICNB, I.P., isto é, não são já apenas instrumentos locais de consulta, mas sim agentes do próprio órgão da administração indirecta do Estado.
Em particular, a participação das autarquias locais é reforçada pelo posicionamento institucional dos conselhos estratégicos, estando deste modo ligadas de forma mais profunda e influente à estratégia de gestão da conservação da natureza e da biodiversidade no universo que representam.
Nestes termos, ao Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata foi proposta a seguinte composição representativa das entidades:
– ICNB, I.P., Instituto das Florestas, Direcção-Geral de Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, Câmara Municipal de Penamacor, Câmara Municipal do Sabugal, Juntas de freguesia da Malcata, Meimão, Meimoa, Penamacor, Quadrazais, Vale de Espinho, Organizações não governamentais de ambiente de âmbito regional ou de âmbito nacional com intervenção na área da Reserva Natural, exercendo mandato único em sistema rotativo anual, associações representativas dos sectores económicos consideradas em conjunto em sistema rotativo, pelo período de um ano.
– A primeira reunião do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata, decorreu neste passado dia 19 de Março, onde se entendeu proceder a alguns afinamentos posteriores, relativamente à constituição de elementos que passarão ou não a integrar definitivamente o Conselho. Nomeou-se um presidente – Dr. António Cabanas – para os dois próximos anos, em sistema rotativo entre as duas Câmaras. A aprovação do regulamento ficou ainda agendada para posterior reunião.
António Moura
É de grande importância o impacto que a imagem pode gerar a jusante ao utilizar o visitante como embaixador.
As imagens quaisquer que elas sejam, urbanas, rurais, de paisagens mais ou menos humanizadas, constituem uma poderosa influência do nosso comportamento. Num novo espaço em aproximação a primeira mensagem é sempre visual, é a mais importante, é aquela em que mais acreditamos porque é gerada na distância onde o não compromisso é possível, e por isso lhe atribuímos mais verdade ou pureza. À medida que nos aproximamos da imagem, ela desaparece, para dar lugar ao objecto real com o qual temos de estabelecer compromissos. O objecto real, por contaminação passa assim a fazer parte da nossa realidade ou da percepção que temos dela, e que projectamos também nos outros. Tal como no amor, apaixonamo-nos por imagens pintadas dentro de nós, porque o mecanismo de aproximação física assim o exige.
O que buscam as pessoas nos seus momentos de turismo e lazer, e no contacto com lugares novos, é a percepção de imagens e sabores numa liberdade que a distância de uma acção transitória permite.
No entanto, a imagem que temos de nós próprios e que no quotidiano projectamos à nossa volta, em todas as nossas acções, é a imagem que realmente influencia os outros, porque é a imagem real, não a imagem turística.
Na nossa comunidade, muitas são as aldeias cuja imagem pode ser englobada na categoria de cacofonia paisagística. Numa panóplia de cores, materiais e formas anárquicas, que apenas podem revelar interesse para algum estudioso em ciências humanas.
Nem as igrejas escapam à lapidação do «espírito do avô», onde se misturam granitos polidos de texturas e origens diversas, com o nosso tosco antigo. Onde as suas torres, outrora ornamentadas com ninhos de cegonha e apetrechos (galos) indicadores do sentido do vento, dão agora lugar à manifestação de endinheirados egos, na forma de enormes cruzes luminosas medonhamente descaracterizadoras.
As edificações religiosas nas aldeias do nosso Concelho, capelas e igrejas, deveriam constituir espaços privilegiados de projecção de imagem. Espaços geridos por entidades ou comissões de vocação multidisciplinar coordenadas pelo próprio I.P.P.A.R., e não deixadas entregues a comissões de festas, ou mordomos preocupados antes de mais em mostrar a grandeza de si próprios através de «notáveis obras de restauro e acrescentos sem nexo» ou de festas e romarias. Como se a fé pudesse ser mostrada a alguém.
A morte do avô, é a destruição de tudo aquilo que representa a imagem de um passado cuja proximidade compromete e priva de apreciarmos em liberdade.
«Caminho sem Percurso», opinião de António Moura
mouramel@sapo.pt
Em tempos, julgava que o Meimão era uma das quarenta freguesias do Sabugal. Fica mais próxima deste concelho, que de Penamacor de que dista 30 quilómetros a norte; a Secção da GNR pertencia ao Posto da GNR do Sabugal e anda hoje à diocese da Guarda.
No entanto esta freguesia, pertence e sempre pertenceu ao concelho de Penamacor, sendo uma das suas 12 freguesias. Actualmente não deve ter mais de 500 habitantes.
O que me levou a debruçar sobre o Meimão, prende-se com as seguintes razões:
– É a freguesia, deste concelho, no coração da Reserva da Malcata, que fica mais a norte da Beira Interior Sul, na zona de transição entre a também chamada Terra Fria e as regiões do Sul. Confina com as Terras do Riba Côa e portanto a ultima freguesia a Nordeste do distrito de Castelo Branco. Os seus limites dividem águas, umas a caminho do Rio Douro, outras para Sul, a desaguar no Rio Zêzere que as leva para o Rio Tejo. É aqui também (à semelhança de Quarta-Feira) que a zona de montanha se separa da depressão da Cova da Beira. O clima é igualmente de transição, com Verões demasiado quentes e Invernos frios, mas cujos nevões não atingem a intensidade dos do Sabugal. Abunda o castanheiro, o carvalho e o medronheiro que coabitam com a oliveira, alguns sobreiros e azinheiras;
– É a freguesia das redondezas (até prova em contrário) onde se encontram mais rapazes solteiros (42) contra uma única solteira que ainda por cima namora rapaz de «fora» (vidé: Reportagem da SIC);
– Ser demasiado redundante falar unicamente nesta rubrica «Terras entre Côa e Raia» quando os nossos vizinhos têm tantas afinidades connosco;
– Porque qualquer povoado por mais pequeno que seja, tem a sua história, costumes, hábitos e tradições, em muito semelhantes às freguesias circundantes mas com algumas particularidades e evolução social e económica que merecem divulgação.
Segundo Joaquim Tomás, com raízes em Meimão, «a história de Meimão é caracterizada por duas fases bem distintas, um longo período de isolamento e obscurantismo até meados do Sec.XX. Outra, nas últimas décadas, em que se transformou num das aldeias modelo do concelho, com acontecimentos ligados à presença do Padre José Miguel Pereira (natural do Soito) e à construção da barragem».
Geograficamente, o Meimão, situa-se num vale profundo, num dos contrafortes da Serra da Malcata, zona também raiana, é atravessado pela Ribeira do Arrebentão, afluente da Ribeira do Alízio (mais conhecida por ribeira da Meimoa).
Está situado entre quatro montes com altitudes superiores a 800 metros, escondendo a povoação (visto de cima, Meimão parece estar no fundo de um alguidar conforme descrição do Pe. António Marques).
Para lá chegar, vindo do Sul, em Penamacor segue-se para Norte no sentido Sabugal e corta-se à direita pela estrada da Carreira de Tiro. Vindo do Sabugal apanha-se a EN233 em direcção a Penamacor e ao 5,5 km vira-se à esquerda para Meimão (Guia Turístico de Manuel da Silva Ramos). Assim, só se entrava e só se saia do Meimão, por itinerários acidentados e íngremes, mas é esta particularidade, que lhe confere características próprias.
Mas actualmente para quem não tem viatura TT, para chegar lá, o acesso é fácil a partir da EN322, passando junto ao paredão da barragem, pela margem direita da Ribeira do Alízio.
Demasiado afastada dos centros urbanos e das redes de comunicação, Meimão tem sofrido, ao longo dos anos as consequências da interioridade e do isolamento (M. Lopes Marcelo, 1993) O isolamento era de tal ordem que constituía uma fatalidade. Ninguém se referia a ela, quando por ela passava. A descrição mais representativa, com que termino, é de Alexandre Herculano, que por volta de 1853, refere nos seus apontamentos de viagem pelo país o seguinte:
«…paramos para almoçar do farnel na aldeia da Orgueira (…) Saindo da vila [Sabugal] em direcção a Penamacor, caminhamos por entre matas cerradas de carvalhos (…) entra-se na serra das Aguça doiras [local próximo, onde actualmente se encontra o depósito para abastecimento da água a Meimão], terreno inóspito, matos rasteiros, com raras excepções, tudo parece inculto, verdadeira imagem do deserto.Descida para um vale extenso [Ponte da Pedra] onde aqui e acolá no meio dos matos se vê raro olivedo ou campo cultivado: meia légua pelo vale abaixo, a pequena aldeia da Meimoa. Aí comemos queijo e peras numa taberna.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
Um exemplo concreto, que não só os turistas, mas nos também deveríamos apreciar.
O conceito de «jardim natural autóctone» deve estar presente sempre que se idealizar um novo espaço, dando preferência a espécies autóctones em detrimento das exóticas que podem ser encontradas em qualquer lado. Isso dará especificidade e carácter próprio. Temos de adquirir um novo olhar para aquilo que sempre esteve à nossa frente. Será que muita gente sabe que neste momento os amieiros estão com a candeia em flor (parte masculina equivalente à candeia dos castanheiros), ou que o Mostageiro, belíssima arvore endémica na nossa região nunca foi aproveitada para efeitos ornamentais e de sombreamento, o próprio medronheiro com a sua folha persistente, encaixa muito bem neste conceito de jardim natural autóctone. As vantagens são inúmeras, melhor adaptação ao nosso clima e solo, menor utilização de mão de obra e de água na manutenção dos espaços.
Os extensos relvados, são o exemplo acabado daquilo que não serve,nem para o nosso clima nem para a nossa economia. As várias Urzes existentes no concelho, poderiam com grande vantagem substituir os relvados, fornecendo florações ao longo de todo o ano.
Floração da Torga, (Erica Austrális), Março e Abril.
Floração da Queiró, (Erica Umbellata), Abril a Junho.
Floração da Caluna, (Calluna Vulgaris), Agosto a Outubro.
Floração da Urze Branca, (Erica Arborea), Março/Julho.
Floração da Esteva, (Cistus Ladanifer), Abril/Maio.
Floração do Rosmaninho, (Lavandula Stoechas), Abril/Maio.
Floração do Medronheiro, (Arbutus unedo), Outubro/Novembro.
Sem querer tornar fastidiosa a leitura finalizo com um endemismo ibérico conhecido por Rosa Albardeira (Paeonia broteroi), que floresce na Primavera.
Criar jardins com estas espécies seria um acto cultural e um excelente cartão de visita.
António Moura
O Centro Nacional de Recuperação do Lince Ibérico (CNRLI), no concelho de Silves, Algarve, procura tratadores para acompanhar e criar o Lince Ibérico.
O Centro Nacional de Recuperação do Lince Ibérico faz parte do Programa de Conservação ex situ para o Lince Ibérico e pretende constituir uma equipa multidisciplinar e de orientação científica. Os tratadores funcionarão como primeira linha para assegurar o bem-estar dos linces do programa de reprodução em cativeiro, pelo que devem conhecer, profundamente, cada um dos linces do centro e trabalhar individualmente com eles, para assegurar o seu bem-estar em cativeiro e uma resposta adequada ao maneio necessário.
A equipa de tratadores terá a seu cargo algumas tarefas específicas como sejam a alimentação e cuidado diário dos felinos, o registo informatizado diário, a aplicação das diferentes técnicas de maneio de exemplares que se praticam no programa como, por exemplo, as uniões entre exemplares, prevenção e separação de lutas e maneio de crias.
Faz parte da proposta de trabalho a exigência da aplicação de medidas de biossegurança adequadas em todas as instalações e zelar pelo seu cumprimento por parte de todo o pessoal da equipa do centro ou colaboradores e levar a cabo as acções de enriquecimento ambiental nas instalações.
Outras das actividades dos futuros tratadores prendem-se em manter as instalações limpas e organizadas, tanto as instalações para animais como as de armazenamento e preparação de alimentos (limpeza e manutenção de jaulas para coelhos vivos) e manutenção das instalações (limpeza de câmaras, gestão da cobertura vegetal, verificação de vedações) e elaboração de novos elementos.
Os interessados deverão enviar curriculum vitae ou contactar Rodrigo Serra para o e-mail rserra@netcabo.pt ou pelo telemóvel 918942439.
O sucesso da reprodução do lince em Silves, poderá traduzir-se a médio prazo numa reintrodução controlada na Serra da Malcata, espero que tanto Penamacor como o Sabugal, não deixem de reclamar ao nível político, a reintrodução preferencial nesta área protegida. Seria até finalmente, muito boa justificação para a existência da própria Área Protegida que relembremos, foi criada exclusivamente para proteger o lince.
António Moura
Cientistas portugueses e espanhóis propõem a recuperação da diversidade genética do coelho como estratégia para salvar da extinção o lince ibérico da Serra da Malcata.
A proposta foi apresentada por cientistas das universidades de Évora, Málaga e da Estação Biológica de Doñana num estudo a publicar no início de 2009 na revista científica internacional «Diversity and Distribution», especializada em biogeografia da conservação.
O lince ibérico, o felino mais ameaçado de extinção em todo o mundo alimentava-se até ao século passado de duas linhagens genéticas de coelho com habitat em duas zonas distintas da Península Ibérica, uma situada no nordeste e outra no sudoeste.
Os dois animais surgiram aproximadamente ao mesmo tempo na península e evoluíram em conjunto ao longo do último milhão de anos, período durante o qual estabeleceram inter-relações complexas cuja preservação é agora defendida pelos cientistas.
A população de coelhos do nordeste sofreu nos anos 1980 uma redução drástica que foi acompanhada por uma diminuição de linces, tendo estes passado a ficar confinados ao sudoeste, numa área que abrange Espanha e Portugal e inclui a Serra da Malcata.As duas zonas geográficas estão separadas por uma diagonal situada entre Vigo e Múrcia, sendo que o lince foi ficando relegado à parte esquerda desta diagonal e, mais recentemente, ao sul desta área.
A equipa de investigadores universitários procurou saber se o declínio do lince seria apenas um problema de falta de coelhos ou também, como suspeitavam, de falta de diversidade desta presa.
Para testar esta possibilidade desenvolveram dois modelos matemáticos, um para cada espécie, em que relacionaram conjuntos de factores ambientais, como o clima e o estado dos solos, com a abundância da população.Os modelos foram depois usados para testar se a razão principal do declínio do lince eram variações ambientais ou variações nas populações de coelhos, tendo a conclusão apontado fortemente para a última hipótese.
A equipa constatou também uma associação negativa entre a linhagem de coelhos do sudoeste, a única actualmente ao dispor do lince, e as condições óptimas de vida do coelho, sugerindo que esta subespécie não está a prosperar, contrariamente à do nordeste, o que compromete ainda mais a situação do lince.
jcl com agência Lusa
A Zona Controlada das doenças das abelhas, era desde há muito desejada pelos apicultores mais conscientes dos problemas sanitários que a livre circulação de abelhas vinha fomentando.
A contaminação de apiários por deslocação de enxames infectados, nomeadamente de Espanha, onde a elevada concentração de colmeias propicia a que qualquer surto seja potencialmente explosivo, constitui um dos maiores problemas das abelhas na nossa região. Neste momento uma grave ameaça constituída por uma nova forma de Nosemose multirresistente circula em Espanha.
O controlo do movimento dos enxames, tal como era feito através do simples preenchimento de formulário Mod. 488/DGV, não vinha por si só resolver o problema das doenças das abelhas.
Os novos recursos humanos disponibilizados pela Meimoacoop e onde a DGV (por não os ter) delegou competências, vem trazer uma nova logística às relações entre os apicultores e a Direcção-Geral de Veterinária, uma maior proximidade e flexibilidade conduzirá a uma melhor e mais rápida resolução dos problemas, nomeadamente em termos de análises laboratoriais e consequentes procedimentos.
Os maiores êxitos para a Meimoacoop nos seus projectos apícolas.
Há muito tempo que a nossa apicultura necessitava de um organismo credível com uma vertente comercial.
Saúdo também a iniciativa dos produtos «Terras do Lince».
António Moura
(apicultor da Serra da Malcata)
Leia a excelente crónica de José Robalo sobre o apicultor António Moura aqui.
jcl
Foi apresentado pelos presidentes da Meimoacoop, Domingos Bento, e dos Municípios do Sabugal, Manuel Rito, e de Penamacor, Domingos Torrão, o projecto de construção de uma central meleira na freguesia do Vale da Senhora da Póvoa, no concelho de Penamacor. A cerimónia decorreu no sábado, 13 de Dezembro, nas instalações da cooperativa e o momento foi aproveitado para divulgar a homologação por parte da Direcção-Geral de Veterinária, da zona apícola controlada que envolve os concelhos de Penamacor, Belmonte e Sabugal.
A Meimoacoop – Cooperativa Agrícola do Bloco do Regadio da Meimoa foi designada, pela Direcção-Geral de Veterinária (DGV), gestora da Zona Controlada para as doenças das abelhas que integra a área geográfica dos concelhos de Belmonte, Penamacor e Sabugal, sendo responsável pela implementação e execução das medidas enunciada sem prejuízo das competências e sob a orientação da DGV.
Todos os apicultores com apiários implantados na zona controlada devem ser detentores de boletim de apiário Mod. 507/DGV, para inscrição de acções sanitárias e estão sujeitos a análises anatomo-patológicas anuais, acções sanitárias e de tratamento conforme determinado pela DGV, medidas de controlo de foco de doença de referência e inquérito epidemiológico sistemático e medidas de desinfecção e higiene sistemática.
A partir de agora a introdução na zona controlada pela Meimoacoop de abelhas, enxames, colónias ou colmeias e seus produtos bem como substâncias ou materiais destinados ao uso em apicultura carece de prévia autorização da Direcção de Serviços Veterinários da Região do Centro (Mod. 488/DGV – Comunicação de deslocação em apiários).
Com a definição das seis novas zonas controladas elevam-se a 11 as áreas de produção de mel existentes em Portugal.
O momento foi ainda aproveitado para apresentar o projecto de uma central meleira a construir na freguesia do Vale da Senhora da Póvoa, no concelho de Penamacor, onde técnicos especializados irão realizar análises, receitar medicamentos e receber o mel da zona controlada.
O presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, trazia na bagagem os primeiros produtos «Terras do Lince», uma marca registada pelo seu município para promover os produtos regionais como o queijo, o azeite e, claro, o mel.
jcl
Uma campanha da CP e da Liga para a Protecção da Natureza, designada «Percursos – Comboio e Natureza», está a promover a realização de percursos de comboio seguidos de passeios na serra algarvia, sendo o lince uma das imagens de marca apresentadas.
«A Serra do Caldeirão é um local de ocorrência histórica do lince-ibérico, o felino em maior risco de extinção a nível mundial», diz o folheto de divulgação da campanha, que sugere uma viagem de comboio até Loulé, seguida de uma pedalada de bicicleta até à aldeia da Feiteira, a partir de onde se propõem diferentes percursos pedestres.
Fala-se nas paisagens, na geologia , na flora e nas tradições da região, mas também se refere a fauna como um dos aspectos curiosos da serra. Para além do papa-figos, da águia, da raposa e do saca-rabos, a Serra do Caldeirão terá em breve uma população de linces, que bem poderão ser um dos seus principais atractivos.
«Considerado um habitat prioritário para esta espécie, a Serra mantém características adequadas para a sua presença ou susceptíveis de serem optimizadas, de forma a promover a sua recuperação ou reintrodução», refere ainda a brochura.
Esta promoção é já o resultado na decisão governativa de instalar o Centro de Reprodução do Lince Ibérico em Silves, no Algarve, bem como a ideia de que a Serra do Caldeirão será o primeiro habitat a reintroduzir a espécie.
Tudo isto surge em detrimento da Serra da Malcata, cuja reserva natural foi criada para proteger o lince, que apenas ali existia. O logótipo da reserva é mesmo a imagem dum lince, numa simbologia elucidativa da importância da espécie para a serra, que abarca os concelhos do Sabugal e de Penamacor. São agora claros os sinais de que a Malcata ficou de facto a perder, restando-lhe aceitar um papel secundário ou desaparecer de cena.
plb
Segundo estudo realizado nos Estados Unidos, o mel é mais eficaz no tratamento da tosse em crianças do que os xaropes de venda livre nas farmácias.
O estudo, realizado por investigadores da Universidade da Pensilvânia e publicado na revista «Pediatrics and Adolescent Medicine», aponta para a eficácia demonstrada de uma colher de mel tomada pelas crianças antes de se deitarem.
Para além de ser eficaz no tratamento da tosse o mel tem um efeito positivo na qualidade do sono das crianças, facto que o torna mais aconselhável do que muitos xaropes não sujeitos a receita médica.
O estudo incidiu sobre 105 crianças com tosse, experimentando-se nelas os efeitos da administração de xarope e de mel na redução da gravidade, frequência e intensidade da tosse nocturna, originada pela infecção das vias respiratórias superiores.
O mel, produto usado durante séculos, para o tratamento da infecção das vias respiratórias e da tosse, foi progressivamente substituído pelos xaropes fabricados pela indústria farmacêutica. Porém o resultado deste estudo aponta para um regresso às terapias tradicionais, fazendo valer o rifão popular: De Deus vem o bem e das abelhas o mel. Ou este outro, que aponta para as devidas porções do precioso remédio: Mel se o achaste come o que baste.
plb
A decisão governamental de instalar o Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro do Lince Ibérico em Silves provocou uma forte reacção de indignação por parte do Município de Penamacor. Porém da Câmara Municipal do Sabugal não há sinais de reacção, imperando o silêncio.
O jornal Reconquista dá conta, na edição de ontem, da indignação da Câmara Municipal de Penamacor. Embora não considere a decisão uma surpresa, o vice-presidente do Município, António Cabanas, afirmou irónico: «Que eu saiba o lince não vai a banhos. Esta decisão já era falada, mas esperava que não se concretizasse.»
Considera que tanto Penamacor como o Sabugal fizeram muitos sacrifícios para cumprirem as regras da Reserva da Malcata, tudo para que se mantivesse a esperança de ver o lince regressar à serra. O vice-presidente da Câmara de Penamacor foi director da Reserva e conhece bem esses sacrifícios a que os municípios se sujeitaram. Chegaram mesmo a ser adquiridos terrenos para o centro de reprodução e apostou-se na repovoação da serra com coelhos, com os quais o lince se alimenta.
Concretizando melhor o que foram os sacrifícios António Cabanas lembra as restrições impostas aos municípios, para a preservação do habitat do lince. Calcula que só o concelho de Penamacor está a perder cerca de um milhão de euros por ano devido à energia eólica que não pode explorar dentro da Reserva.
No referente ao Município do Sabugal há porém silêncio, pois não se conhece qualquer posição pública face à matéria. «Reconquista tentou ainda chegar à fala com o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, o concelho que partilha com Penamacor o território da Reserva Natural da Serra da Malcata. Uma reacção que não foi possível de obter a tempo desta edição, por Manuel Rito Alves se encontrar incontactável», lê-se na edição do semanário albicastrense.
Da parte do Ministério do Ambiente a justificação da ida do centro de reprodução para Silves assenta nas medidas de compensação ambiental que era necessário conceder a Silves face à construção da barragem de Odelouca.
plb
Domingos Torrão, presidente da Câmara de Penamacor, está disposto a fazer o que for necessário para que o felino dado por extinto volte à reserva da Malcata e tem já um plano para que tal aconteça.
Segundo notícia do Diário XXI o autarca de Penamacor defende que a reprodução do lince seja feita em cativeiro para depois os animais serem devolvidos ao seu habitat natural. Domingos Torrão justificou ao jornal a sua luta em favor do retorno do animal à serra: «Penamacor continua a ser o território [português] que mais garantias dá para a criação e procriação do Lince. Por isso, queremos reintroduzi-lo». Sublinhou mesmo que já existe entendimento com o novo director das Áreas Protegidas, Armando Carvalho.
Salientou o óptimo relacionamento que mantém com a nova equipa directiva da Reserva, o que oferece desde logo garantias de um bom acolhimento da ideia. Explicou mesmo que estão já a ser estabelecidos contactos com reservas espanholas da Extremadura e da Andaluzia, nomeadamente com centro de El Acebuche, no Parque de Doñana, onde a reprodução do Lince Ibérico em cativeiro está em curso com sucesso.
O deficiente relacionamento com o anterior director da Reserva, Pedro Sarmento, é já passado surgindo agora com o novo responsável uma ligação muito forte que se espera vir a dar bons frutos.
O autarca falou com o Diário XXI na sexta-feira, dia 13 de Julho, à margem da inauguração da Feira Agrícola Comercial de Penamacor (FACEP) e a notícia vem publicada na última edição do jornal.
plb
A Associação Transcudânia, em parceria com o programa «Ciência Viva» e com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal, convida os amantes da natureza a participarem nas actividades do «Biologia no Verão».
As propostas da Transcudânia passam por um conjunto de actividades de descoberta da biodiversidade da Serra das Mesas e da Serra da Malcata, inseridas na iniciativa Biologia no Verão, promovida pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.
Os conteúdos da iniciativa e os itinerários dos circuitos foram inventariados pelo roteiro do património natural e cultural do Vale do Côa, cujos principais autores foram, António dos Santos Queirós, Jorge Rodrigues Paiva, Ana Berliner, António Sá Coixão, Adriano Vasco Rodrigues, Gastão Branco Antunes, Jorge António Saraiva, Manuel Sabino Perestrelo e Maria Luísa Ribeiro. Contaram ainda com a colaboração da Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Freixo de Numão, da Associação de Desenvolvimento Local Rural e Cultural de Cidadelhe e do Parque Arqueológico do Vale do Côa.
O trabalho de campo que possibilitou a iniciativa foi realizado pelos sabugalenses Carlos Alexandre e Vítor Clamote, a quem se deve a realização da iniciativa no concelho do Sabugal.
Os objectivos fundamentais são a divulgação e compreensão dos valores presentes nas serras da Malcata e das Mesas, pretendendo-se também alertar as pessoas para os impactes da acção do Homem na Natureza, tendo como pano de fundo o estado de preservação do lince.
As acções realizam-se em Julho (dias 15, 18, 21, 26 e 31), Agosto (dias 6, 9, 10, 11, 15, 17, 18, 19, 25 e 29) e em Setembro (dias 1, 9, 10 e 15).
Os interessados deverão proceder obrigatoriamente a uma inscrição prévia, a qual é gratuita. A mesma pode ser feita pela Internet, através do sítio www.cienciaviva.pt.
A associação cultural Transcudânia tem por objectivos proteger e divulgar o Património Histórico e Natural do Concelho do Sabugal, no âmbito do turismo ambiental e numa dimensão regional e transfronteiriça. O nome Transcudânia surge inspirado na possível tribo que habitava esta zona de Riba Côa na proto-história, os lanciences transcudani.
plb












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