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Sábado de trabalho que me impediu de participar no almoço promovido pela Confraria do Bucho e saborear a iguaria que, faz alguns anos, não como. Entre saliva e recordações dos cheiros e sabores, vou até àquelas frias manhãs de Inverno em que o porco criado e engordado com os produtos menores da horta e restos de comida – a vianda – faria parte da alimentação, em boa parte do ano da família, não sem que antes tivesse já parido uns bons bácoros que, vendidos, contribuíram para o amealhar de mais uns cobres.
Bem cedo, a azáfama é grande. Na cozinha, preparam-se os alguidares de barro que irão apanhar o sangue quente do marrano, que mãos de mulher irão mexer para não coalhar e, mais tarde, dar origem a morcelas – «despejem bastantes cominhos que é como eu gosto». A prova será feita deitando a massa na sertã, naquela mesma noite.
Lá fora, homens e garotada preparam o banco, qual altar de sacrifício, onde o animal será deitado e morto. Sem traumas, fazendo parte da realidade da nossa terra, os garotos ajudam naquilo que podem. Momentos mais tarde, brincarão com as unhas do porco, metendo-os nos bolsos uns dos outros.
Entre grunhidos de agonia, alquidar no regaço, molídea ao ombro, a mulher apanha o sangue.
Morto o animal, começa a amanhar-se. Chamusca-se com palha. Mais tarde, virão os maçaricos, raspa-se com facas e navalhas, lava-se com pedras de granito e água que vai gelando nas mãos duras e ásperas dos homens.
Lavado e bem tratado, deixou de ser porco, tomou o seu primeiro banho, diziam os garotos numa atitude de gozo perante o animal. Corta-se a «passarinha», que assada na brasa irá ser comida somente pelos homens.
Lá dentro, o chambaril espera que o porco nele seja dependurado. Será depois aberto e retiradas as tripas que caem sobre o tabuleiro a fumegar.
Tabuleiro à cabeça, equilibrado pela rodilha, as tripas serão depois lavadas no rio. Delas se espera serem suficientes para se transformarem em morcelas, bucheiras, chouriças e chouriças de osso, farinheiras e mioleiras.
No dia seguinte inicia-se a desmancha. A salgadeira, já cheia de sal, espera pela carne (a gorda) que irá curtir, conjuntamente com os presuntos e outras peças do porco. As febras, essas, serão cortadas, temperadas no barranhão de barro e, passados uns dias, com a ajuda de uma enchedeira, farão chouriças.
Do fumeiro noites mais tarde, se cortará algum enchido que a família à volta do lume assará na brasa.
Com esta pequena crónica, não pretendi produzir qualquer texto literário, mas somente evocar e trazer para os dias de hoje um conjunto de regionalismos, muito deles já em desuso, porque a realidade que eles representam deixou de existir.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
Gíria de Quadrazais. Um contrabandês falado mas nunca escrito. Calcantes, pesunhos e manápulas. Mais uma vaca púrpura esquecida por todos aqueles (irresponsáveis) que deixam (e deixaram) morrer aos poucos as nossas aldeias.
jcl
A «Associação Sabugal Século XXI», representada por Natália Bispo, da Casa do Castelo, abriu uma conta solidária na Caixa de Crédito Agrícola para ajudar os agricultores e criadores de gado atingidos pelos recentes incêndios no concelho do Sabugal.
A conta solidária aberta pela «Associação Sabugal Século XXI», será representada por Natália Bispo, da Casa do Castelo na gestão dos recursos, fazendo o possível por chegar a quem foi tão duramente atingido.
O dinheiro conseguido, reverterá na compra de rações para os animais e também se possível na participação da reflorestação da zona ardida.
Vamos então ajudar os nossos agricultores!
A conta solidária encontra-se já aberta na Caixa Crédito Agrícola.
NIB: 0045.4025.4023.1454.9251.5
IBAN: PT50 – 0045 4025 4023 1454 9251.5
SWIFT: CCMPTPL
Pela «Associação Sabugal Século XXI»
Natália Bispo
Na tarde de terça feira, dia 8 do corrente mês de Setembro, as equipas de sapadores do concelho do Sabugal não tiveram mãos a medir. Como se não bastassem os fogos criminosos também a mãe natureza foi madrasta. Em vez da chuva, bem caída, que tanta falta nos faz, surpreendeu-nos com fortes trovoadas e raios assustadores.
Foi uma trovoada, quase seca, que provocou, nada mais nada menos, que oito fogos só na zona da raia sabugalense.
Valeu a união existente entre todas as equipas bem como os meios de comunicação de que fazem uso.
Hoje desloquei-me com os elementos da equipa de Foios para tirar umas fotos a um carvalho que ficou completamente destruído, por um raio, seguindo-se, de imediato, o respectivo incêndio.
Os elementos da equipa de sapadores da ACRISABUGAL, que estavam a combater noutra frente, comunicaram que havia fogo na direcção de Aldeia do Bispo. A equipa dos Foios encontrava-se a tentar apagar um fogo na Lageosa e, depois da extinção deste, correram para ver onde tinha deflagrado o da zona de Aldeia do Bispo. Penetraram mato dentro e deparam com um incêndio junto da raia mas na área geográfica de Navasfrias. España.
Combateram as chamas, que dominaram, tendo chegado, entretanto, um helicóptero espanhol, que transportava sete profissionais. Estes já pouco mais fizeram que o rescaldo tendo, mais tarde, surgido um carro dos bombeiros para espalharem a água achada por conveniente com medo de um possível reacendimento.
Tanto quanto me foi dito as equipas de Aldeia Velha e a de Malcata encontravam-se a lutar em outras frentes.
Fiquei satisfeito porque, há poucos dias, escrevi um artigo a reconhecer o trabalho realizado pelos bombeiros espanhóis aquando do fogo entre Vale de Espinho e Soito, mais propriamente na quinta do Daniel Nabais.
Terminei dizendo que amor com amor se paga e se um dia os espanhóis necessitassem da nossa ajuda que compareceríamos tão breve quanto possível. Não tardou, na verdade, que lhe tivéssemos pago com a mesma moeda.
Ainda há, às vezes, alguns ignorantes e mal formados a dizer que as equipas de sapadores não fazem nada. Que os acompanhem no terreno e verão como se comportam.
Já tive oportunidade de dizer ao Sr. Ministro da Agricultura que, nos Foios – e nem só – já se verificou algum progresso e desenvolvimento, depois do 25 de Abril de 1974 mas que, para mim, as equipas de sapadores também constituem e representam um enorme progresso a nível do nosso Município.
Quando falo das equipas de sapadores é sem desprestígio para os admiráveis Bombeiros que, naturalmente, com outros meios e com outra organização, têm desempenhado, a nível nacional, um trabalho sério que é digno do nosso apreço e sincero reconhecimento.
Todos, de mãos dadas, vão procurando fazer o melhor pelo Município e pelo País.
Anexo algumas fotos onde se pode ver o estado em ficou o carvalho onde caiu o raio.
José Manuel Campos (Foios)
Autoria: Fredo Soito
Os DVD’s do Fredo do Soito podem encomendados:
pelo email: fredosoito@hotmail.fr, pelo telefone: +33 6 74 90 55 38,
ou pessoalmente na maioria das Capeias do mês de Agosto nas aldeias da raia sabugalense.
jcl
A União de Associações de Caça e Pesca do Sabugal (Côacaça), pretende recrutar um jovem para trabalhar na área do concelho do Sabugal.
O perfil da pessoa pretendida pela associação é o seguinte: homem ou mulher com idade inferior a 30 anos, que tenha como habilitações mínimas o 12.º ano de escolaridade, possua conhecimentos de Informática, carta de condução, tenha boa apresentação e seja uma personalidade ambiciosa, proactiva e dinâmica. O candidato terá ainda que revelar vocação na área comercial.
A Côacaça pediu ao Capeia Arraiana a divulgação desta oportunidade de emprego para um jovem no concelho, informando ainda que os interessados deverão enviar os seus curriculum vitae até 20 de Agosto para a seguinte morada:
Rua de Santa Catarina nº 2, 6320-271 Rebolosa.
Para qualquer esclarecimento adicional poderá contactar-se a associação pelo telefone: 969559935.
plb
O Sabugal foi o palco este sábado, 25 de Julho, do Fórum Autárquico «Falar Verdade» do PSD do distrito da Guarda. Marcaram presença nos trabalhos a deputada Ana Manso e a maioria dos candidatos laranjas aos 14 municípios guardenses. A líder do partido, Manuela Ferreira Leite, adoentada com uma gripe não se deslocou ao Sabugal tendo sido substituída pelo vice-presidente Paulo Mota Pinto. Álvaro Amaro aproveitou para deixar um recado à presidente do partido: «Na Guarda não aceitaremos nomes nacionais na lista de deputados.»

Respondendo ao repto lançado na quinta-feira na sessão de apresentação no RaiaHotel do candidato, António Robalo, cerca de 300 militantes e simpatizantes sabugalenses encheram o salão de festas da Junta de Freguesia do Sabugal. A presença da líder social-democrata e dos candidatos às 14 Câmaras Municipais do distrito da Guarda ajudaram a aumentar a curiosidade e a militância. Quase em cima da hora ficou a saber-se que Manuela Ferreira Leite não marcaria presença em virtude de estar adoentada com uma arreliadora gripe. Em seu lugar enviou o vice-presidente Paulo Mota Pinto que encerrou a sessão mas que, curiosamente, não era portador de nenhuma mensagem da líder ausente para os sabugalenses e guardenses presentes.
Os trabalhos do Fórum Autárquico «Falar Verdade» foram conduzidos pelo coordenador distrital, João Prata, que foi introduzindo os temas e apresentando os muitos oradores do dia com direito a cinco rigorosos minutos.
A sessão de abertura esteve a cargo do presidente da Comissão Política do Sabugal, Manuel Corte. Seguiram as intervenções de Tânia Cameira e António Agostinho Lucas da Silva, respectivamente, representantes dos candidatos a presidentes de Junta de Freguesia, Tânia Cameira, e dos candidatos às Assembleias Municipais.
Os candidatos aos municípios guardenses tiveram direito a cinco rigorosos minutos e discursaram sobre diferentes temas: António Batista Ribeiro (Almeida), «Cooperação transfronteiriça»; Vítor Martins Santos (Celorico da Beira), «Sustentabilidade e aproveitamento dos recursos naturais»; António Edmundo Ribeiro (Figueira Castelo Rodrigo), «Potenciar recursos endógenos»; José Miranda (Fornos de Algodres), «Potencialidades das novas acessibilidades»; Álvaro Amaro (Gouveia), «Um combate pelo Interior»; João Mourato (Mêda), «Incentivo à inovação»; António Luís Ruas (Pinhel), «Ordenar o território, vencer o despovoamento»; António Robalo (Sabugal), «Educação e Formação»; Luís Caetano (Seia), «A Serra da Estrela como pólo aglutinador»; Júlio Sarmento (Trancoso), «Saúde e Solidariedade Social» e Gustavo Duarte (Vila Nova de Foz Côa), «Aproveitamento turístico da Beira e do Douro».
O recandidato a Gouveia, Álvaro Amaro, considerou como grande desafio para as próximas gerações a cooperação transfronteiriça e defendeu a necessidade de empunhar a bandeira do Interior que «tem sido muito sacrificado pelo poder central com política imorais que têm levado ao despovoamento do território» tendo apontado como solução «uma nova rede do ensino superior em Portugal, com as universidades e os politécnicos a criarem pólos com cursos nos diferentes concelhos».
João Mourato, actual presidente da Mêda, lembrou que «os autarcas do PSD têm sido discriminados pelo Governo» e António Ruas (Pinhel) pediu que o poder central «assuma de uma vez por todas a aposta no investimento no Interior, nos parques eólicos e nas fontes hídricas como factor de desenvolvimento local». Júlio Sarmento (Trancoso) animou a plateia com alguns sorrisos quando iniciou o discurso olhando para João Prata dizendo que sabia «da tolerância mas não sou dos que me calo com facilidade» para logo de seguida acrescentar: «Não temos gente. Porque não temos aquilo que nos falta vai continuar a faltar-nos aquilo que não temos.» De seguida atacou o Serviço Nacional de Saúde e o processo do Hospital da Guarda: «É uma telenovela. Temos assistido na Guada a revoada de ministros que vêm lançar mais uma pedra no novo hospital. O último vai ser o ministro da Justiça quando vier explicar a providência cautelar. A Segurança Social é uma autêntica quinta rodeada de um muro de compadrio.» A terminar o actual presidente de Trancoso deixou ainda um pensamento: «É mais importante morrer na luta do que morrer na hesitação.»
Encerrou a participação autárquica o candidatos Gustavo Duarte (Vila Nova de Foz Côa) lembrando que os extremos do distrito, Sabugal e Foz Côa, tocam-se pela afinidade de um rio que une. «A arrogância do primeiro-ministro reproduziu-se nas nossas terras. Muitos socratezinhos foram crescendo pelo País e Foz Côa parou. Temos muito a recuperar especialmente no turismo até porque seis das aldeias históricas estão na nossa região.»
Da intervenção de António Robalo subordinada ao tema «Educação e Formação» (disponível para consulta e cópia no final deste artigo) destacamos os compromissos de desenvolver no Centro Social João Paulo II um Centro de Ciência e Actividades Criativas e a abertura no Sabugal de uma Universidade Sénior.
Os autarcas presentes fizeram questão de iniciar os discursos agradecendo ao actual presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Manuel Rito, toda a disponibilidade e cooperação ao longo dos últimos anos e felicitando-o na hora da despedida.
Na sessão de encerramento usaram da palavra Álvaro Amaro, presidente da Comissão Política Distrital da Guarda e Paulo Mota Pinto, vice-presidente da Comissão Política Nacional em representação da presidente Manuela Ferreira Leite.
Álvaro Amaro, sem limites de tempo, utilizando um tom inflamado próprio de um comício, começou por informar que apesar de ter tentado falar telefonicamente com a presidente do partido tal ainda não tinha sido possível pedindo por isso a Paulo Mota Pinto que servisse de mensageiro para o desejo de melhoras de todos os guardenses. «Fomos o primeiro distrito a fechar as listas de candidatos. Os autarcas do PSD são o colchão do partido nos bons e maus momentos porque tal como disse Zeca Afonso – a Académica não é um clube, é uma causa – e também nós somos uma causa», disse Álvaro Amaro perante uma atenta plateia. Depois deixou alguns recados para dentro do partido. «Todos nós sentimos a causa do Interior. Nenhum Governo do PSD deixará de contar com vozes muito críticas se não perceber. Esteja onde estiver jamais – jamais não porque pareço o outro – nunca, nunca calarei a minha voz sobre os novos valores da política. É inaceitável que 10 autarcas PSD do distrito da Guarda tenham estado um ano à espera que um secretário de Estado do Turismo os recebesse. A política do carneirismo não tem mais espaço e não podemos viver num país a duas velocidades no litoral e no interior». A finalizar pediu novamente a Paulo Mota Pinto que fosse portador de um aviso dos sociais-democratas do distrito da Guarda. «Soube hoje de manhã que o cabeça-de-lista socialista pela Guarda é Fernando Assis. Como social-democrata sinto-me ofendido. É esta a política velha de quando nos diziam – não têm aí pessoas válidas por isso lá vai mais um – mas nós queremos dizer aqui à presidente do Partido Social Democrata que não aceitamos que nos imponham nenhum nome de fora da Guarda. Não rasgarei o cartão mas saberei tirar conclusões políticas.»
Encerrou o Fórum Autárquico, o vice-presidente Paulo Mota Pinto que esteve no Sabugal em substituição de Manuela Ferreira Leite retida em Lisboa a muitos quilómetros de distância com gripe. O dirigente discursou sobre os grandes desafios nacionais que se colocam ao partido em ano de três eleições. Sobre José Sócrates considerou: «Foram quatro anos de grandes erros. O Governo desistiu de governar. O Governo está esgotado.» Para o Interior não apontou soluções porque «os problemas do Interior não se resolvem do pé para a mão».
No final os participantes foram convidados a dirigirem-se, a pé, até aos jardins do Auditório Municipal onde decorreu um lanche.
Curiosamente Paulo Mota Pinto não foi portador de nenhuma mensagem da presidente laranja para os simpatizantes e militantes presentes no Salão de Festas da Junta de Freguesia do Sabugal.
António Robalo – Discurso de apresentação da candidatura. Aqui.
António Robalo – Discurso no Fórum Autárquico. Aqui.
jcl
«Com a Raia a seus pés!» O ganadeiro «Zé Nói» é orgulho para toda a raia sabugalense. José A. Bárbara Basílio é natural da freguesia de Forcalhos no concelho do Sabugal. Vive numa casa de campo com a sua esposa Henriqueta e com o filho João. É uma família simpática e todos amigos do gado bravo.
O Zé Nói começou do nada e hoje é um ganadeiro de sucesso, de quem todos os arraianos muito nos orgulhamos.
É de inteira justiça que os mordomos das capeias raianas o contactem, e lhe dêem prioridade, aquando do ajuste dos toiros. É natural que não procuremos fora aquilo que temos perto de nós.
Há muita gente da raia que sente um agradável prazer ao dar uma voltinha, de fim de tarde, pela quinta do Zé Nói. Ele não gosta muito que as pessoas lhe perturbem o gado pelo que é aconselhável falar com ele e evitar males maiores. O Zé Nói é uma pessoa afável e simpática mas não gosta nem permite abusos relativamente aos toiros. Tem razão ao não permitir que ninguém visite a herdade, sem a sua presença, porque o gado fica perturbado, podendo fugir e extraviar-se. Poderá ainda acontecer uma colhida sobretudo àqueles que se consideram mais afoitos e mais valentões.
Há poucos dias tive a oportunidade de visitar a quinta e fiquei assombrado com a quantidade e qualidade de toiros aí existentes. Fiquei satisfeito quando vi um lote de toiros que dias antes também havia visto tourear na praça de toiros do Campo Pequeno. O Zé Nói comprou o lote que transportou, nessa mesma noite, para a sua quinta.
É já mesmo a sério, meus senhores! O Zé Nói está de parabéns e nós orgulhosos por se desenvolver uma actividade, desta natureza, na nossa bonita zona raiana. Nem quase fazia sentido que sendo a maioria da população, das nossas freguesias, apaixonada pelos toiros que não houvesse uma boa ganadaria na zona.
Para finalizar digo ainda que o Zé Nói exerce também a actividade de empreiteiro da construção civil, actividade que desempenha igualmente com sucesso. E às vezes ainda há quem tenha inveja e diga que a vida a alguns corre melhor que a outros! Vem tudo do trabalho e da dedicação. O Zé Nói é disso um bom exemplo.
Julgando interpretar fielmente o sentimento de todos os arraianos desejo os maiores sucessos e as maiores felicidades ao Zé Nói e respectiva família.
Boas Capeias.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)
jmncampos@gmail.com
Cinco mortos e oito feridos ligeiros é o balanço de 24 acidentes de viação na região da Guarda no período compreendido entre 13 e 19 de Julho. A GNR da Guarda informa, também, em comunicado que deteve 13 indivíduos por ilícitos vários.
O Comando Territorial da Guarda da GNR, chefiado pelo coronel José Manuel Monteiro Antunes, registou 70 ocorrências de natureza criminal no período compreendido entre 13 e 19 de Julho.
As forças militares da GNR da Guarda detiveram 13 indivíduos. Por mandado judicial (três) e em flagrante delito, pelas práticas de condução sob o efeito do álcool (sete), por condução sem habilitação legal (um) e por furto em residência (dois).
No dia 15 de Julho, o Departamento Territorial de Pinhel levou a efeito uma operação destinada à fiscalização geral de trânsito e abordagem a indivíduos suspeitos da prática de ilícitos criminais tendo resultado a elaboração de 18 autos de contra-ordenação.
Foram, ainda, elaborados 276 autos por infracções à legislação rodoviária (242), à legislação da natureza e ambiente (24) e à legislação policial (10).
Os furtos registaram 23 ocorrências: de veículos (um), em veículos (um), em estabelecimentos comerciais (três), em edifícios públicos (dois), em residências (dois) e vários (14).
No âmbito da Fitossanidade Florestal foram realizadas seis operações na zona da fronteira com Espanha direccionadas para a fiscalização do Nemátodo do Pinheiro, tendo sido fiscalizados 372 veículos e elaborados 10 autos de contra-ordenação.
A região foi palco de 24 acidentes de viação dos quais resultaram cinco mortos e oito feridos ligeiros em 13 colisões, cinco atropelamentos e seis despistes.
O Núcleo Escola Segura (NES) de Gouveia efectuou uma acção de sensibilização para cerca de 40 crianças promovida pela Casa do Povo de Vila Nova nas instalações do recinto da feira e inseridas no programa «Ocupação de tempos livres».
Nos dias 13 e 14 de Julho o Destacamento Territorial de Pinhel em conjunto com o Posto Territorial de Freixo de Numão realizou duas acções de sensibilização sobre burlas no âmbito do programa «Idosos 65» nos Centros de Dia de Mós do Douro e Cedovim. Nas acções estiveram presentes 59 idosos e um psicólogo.
jcl
A Associação de Municípios do Vale do Côa a que o Sabugal pertence apresentou recentemente o Plano estratégico de promoção turística do vale do Côa.
Tenho vindo a afirmar, e mantenho esta minha opinião, que a ligação Côa-Douro é uma ligação a manter, mas nunca será através dela que o Concelho do Sabugal se afirmará como um destino turístico a nível nacional e internacional.
Tal não significa, antes pelo contrário, que não se tire proveito de tudo aquilo que possa contribuir para o desenvolvimento das nossas terras, e por isso, a apresentação deste Plano pode ser vista como uma boa notícia.
Não podendo fazer uma análise muito detalhada do Documento apresentado pela Associação, limito-me a uma breve análise das propostas apresentadas em forma de Projectos Estruturantes.
Naturalmente, e reflectindo aquilo que tenho a vindo a dizer, uma parte significativa destes Projectos, pouco ou nada têm a ver com o Sabugal, antes se centrando nos Concelhos mais a jusante, onde se localiza o Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Museu do Côa.
No entanto, a importância para o Concelho de muitos dos Projectos propostos, depende, somente da capacidade que o Município tiver de se afirmar regionalmente e de impor a defesa dos seus interesses no seio da Associação.
Estão neste caso, por exemplo:
– a construção de um aeródromo na confluência da A25 e da A23 apontada para o eixo Almeida-Guarda (e porque não, Guarda-Sabugal?), onde o Concelho deveria ter uma palavra a dizer e que deveria levar a pensar nas ligações rodoviárias de aproximação àquela infraestrutura aeronáutica;
– a realização de eventos de âmbito internacional, referenciados apenas «em sede do Museu do Côa», porquê? Não é possível realizar este tipo de eventos também no Sabugal?
– a revitalização dos centros históricos e requalificação dos castelos medievais, restando saber quais os centros históricos e os castelos medievais do Concelho que serão objecto deste Projecto;
– o reforço das infra-estruturas e equipamentos de visitação – quais os pontos de visitação que serão considerados no Sabugal?
– a definição de uma carta gastronómica da região só com 3 ou 4 pratos – haverá algum tradicionalmente associado ao Concelho?
– a criação da Agência de Desenvolvimento e Marketing Territorial do Vale do Côa – que papel está o Município do Sabugal disposto a desempenhar neste Órgão? (e naturalmente, não me refiro aos actuais eleitos municipais, pois o seu mandato está a terminar…).
Como se percebe para mim o importante não é o melhor ou pior conteúdo deste Plano, pois já vi planos extraordinários darem em nada, e já vi acontecer coisas extraordinárias com maus Planos.
Importante, volto a repetir, é saber o que vai o Concelho do Sabugal fazer com este Plano.
E aqui não posso ficar de bem comigo mesmo se não colocar uma questão: o Documento agora divulgado é um Documento para discussão dos Municípios e dos cidadãos interessados, ou ele já foi aprovado?
É que este assunto, repito o que venho dizendo, é demasiado sério e importante para que a sua aprovação seja um mero acto de expediente, pensando, pelo contrário, que o mesmo merece ser amplamente discutido por todos os interessados.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Elaborar um programa de acção não devia ser demasiada metafísica para qualquer candidato; mas falta em pragmatismo o que sobra em teoria aos programas dos candidatos à Câmara do Sabugal.
Eu, leitor amigo, habituado por formação à liberdade e por dever de ofício a dizer o que penso com clareza, vou direitinho ao assunto:
O concelho só teve peso reivindicativo junto do poder central quando fez lobby na histórica «Irmandade de Riba-Côa», com os restantes concelhos da região. Isoladamente nunca teve voz. Por isso tem que concertar estratégias com os concelhos limítrofes na resolução dos problemas comuns.
E os seus problemas, já toda a gente sabe, são a baixa qualidade de vida, falta de oportunidades de emprego, que levam à emigração e consequente desertificação e envelhecimento da população.
A fixação da população obtém-se pela qualidade de vida. A qualidade de vida surge com mais rendimento disponível. O rendimento com mais emprego e negócios. As oportunidades de empregos e negócios com mais necessidades de consumo.
A população residente tem um baixo rendimento e portanto nenhuma capacidade de consumo, o que torna a actividade empresarial incipiente e de pouca importância. E não existindo actividade empresarial também não há empregos e criação de riqueza. E sem riqueza não há qualidade de vida. É um ciclo vicioso!
Não havendo consumo interno que dinamize a economia do concelho, tem de se captar consumo externo. É uma verdade de la Palisse!
Temos para vender a vizinhança com Espanha, o património cultural (capeia, romaria dos «encoratos» a Sacaparte, etc), gastronómico (bucho, enchidos, castanhas, ciclo do linho, do azeite, do pão), Histórico (os cinco castelos, sítios arqueológicos de Carya Tallaya e Sabugal Velho, aldeias históricas de Sortelha, Vila Touro, Alfaiates, Vilar Maior), natural (rio côa, Cesarão, barragem do Sabugal, trilhos de contrabando).
Os programas dos candidatos falam em combate à desertificação, melhorar a qualidade de vida da população, ajudar as empresas. Isso também propuseram os candidatos e os presidentes anteriores e foi o que se viu. Parra, muita; uva nenhuma! Fogo bonito; no fim, canas…
Pois meus amigos, eu cá se fosse candidato, definiria umas quantas medidas concretas, baseadas nas potencialidades que temos para oferecer, para atrair consumo, gerar oportunidades de emprego e indirectamente aumentar o rendimento disponível da população e por conseguinte a estabilidade demográfica.
Apenas alguns exemplos, de iniciativas que, enquadradas numa estratégia global, poderiam atrair consumo e criar oportunidades de emprego:
– Museu do linho em Aldeia Velha;
– Trajecto eco-turístico em Vilar Maior descendo as fragas do castelo ao rio;
– Oficinas de artes tradicionais em Alfaiates conjugadas com a feira mensal;
– Museu do Azeite em Santo Estêvão;
– Fluviário no Sabugal e praia artificial ou piscinas naturais. Provas de canoagem;
– Dinamização dos pólos arqueológicos de Caria Talaya e Sabugal Velho;
– Uso dos poderes administrativos para recuperar os núcleos urbanos históricos;
– Feira agrícola no Soito conjugada com certame de Capeias divulgado a nível nacional e internacional;
– Prova desportiva de BTT e de hipismo a nível nacional da rota dos cinco castelos;
– Comemorações anuais da batalha do Graveto;
– Feira medieval em Sortelha e feira de gastronomia associada à «Aldeia das sopas»;
– Definição, demarcação e sinalização de alguns trilhos pedestres e para ciclo turismo aproveitando as veredas de contrabando, leitos dos rios e belezas paisagísticas;
– Feira de Gastronomia no Sabugal associada ao bucho raiano;
– Bienal de artes e certame de teatro no Sabugal;
– Revista mensal de qualidade divulgando a cultura e tradições da região;
– Criação e divulgação da marca «Transcudânia» em todos os produtos e actividades ligadas à região;
– Formação de uma equipa multidisciplinar para criação, coordenação e divulgação de projectos turísticos, culturais e desportivos;
– Coordenação de políticas com os restantes concelhos limítrofes, reeditando a antiga irmandade dos concelhos de Riba-Côa, definindo um espaço geográfico próprio no contexto regional, nacional e internacional;
– Campanha agressiva de marketing divulgando todas estas iniciativas e projectos, feita por uma equipa de profissionais.
Isto é, amigos leitores, a diferença entre a teoria e o pragmatismo: Reconhecer que não há recursos e tempo para acudir a tudo; estimular a economia do concelho com iniciativas pontuais e bem orientadas ao consumo externo. A iniciativa privada indo ao encontro às necessidades de consumo, criará o emprego e a riqueza de que precisamos.
Se assim não acontecer… Ramo de oliveira, caldeirinha e água benta, aos pés!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O candidato independente nas listas do MPT-Partido da Terra, Joaquim Ricardo, visitou a 1.ª Mostra Solidária e da Juventude do concelho do Sabugal que decorreu entre 1 e de 5 de Julho. O candidato à presidência da Câmara Municipal do Sabugal aproveitou para se inteirar dos problemas da acção social no concelho raiano.
A organização da 1.ª Mostra Solidária e da Juventude do concelho do Sabugal pretendeu «fomentar a participação no desenvolvimento local, envolvendo idosos, juventude e população em geral na concretização de uma manifestação social solidária com impacto e escala a nível do território». As acções dos organizadores dividiram-se em «despertar o interesse dos privados para a apresentação de candidaturas de carácter económico, que venham ao encontro das necessidades da IPSS, na lógica da prestação de serviços de proximidade de natureza social» e no «reforço da economia social solidária, dando a conhecer oportunidades de criação de investimento e postos de trabalho».
Joaquim Ricardo, candidato independente nas listas do MPT-Partido da Terra à Câmara Municipal do Sabugal, aproveitou para visitar os stands da 1.ª Mostra Solidária e da Juventude e para dar conta ao Capeia Arraiana do seu grande interesse e empenhamento na defesa das causas solidárias.
«É um tema que me diz muito e no qual estou empenhado há muitos anos», começou por nos dizer Joaquim Ricardo. «Conversei com os responsáveis pelas diversas instituições de solidariedade social e inteirei-me dos seus problemas que, de alguma forma, também eu reconheço nas dificuldades que sentimos no Lar de Aldeia de Santo António», disse-nos não perdendo a oportunidade de acrescentar, em tempo de campanha eleitoral, que prometeu apoiar este importante sector estratégico do concelho sabugalense.
Recorde-se que no concelho do Sabugal o sector de actividade relacionado com o apoio aos mais idosos emprega directamente cerca de 800 pessoas repartidas pelas cerca de três dezenas de instituições espalhadas pelas freguesias raianas.
«É um sector que apoiarei a 100 por cento. Temos excelentes condições naturais e tudo farei para o divulgar no exterior com o intuito de atrair para estas instituições mais idosos vindos de outras partes do País. A aposta na formação de jovens para trabalharem no sector solidário terá todo o meu apoio», concluiu.~
A 1.ª Mostra Solidária e da Juventude do concelho do Sabugal, decorreu entre 1 e 5 de Julho, nos jardins do Auditório Municipal do Sabugal promovendo produtos e serviços de âmbito social, incluindo serviços de proximidade, o intercâmbio de boas práticas entre as IPSS e os actores sociais locais e teve como destinatários os promotores do PRODER, as IPSS, as Juntas de Freguesia, as Associações e a população em geral.
jcl
O meu caro amigo e conterrâneo Kim Tomé vem defendendo de forma veemente a classificação da Capeia Arraiana enquanto Património Cultural Imaterial, posição com a qual estou de acordo e que agora pode e deve avançar.
Na verdade foi publicado no Diário da República, de 15 de Junho, o Decreto-Lei n.º 139/2009 que estabelece o regime jurídico de salvaguarda do património cultural, de harmonia com a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada na 32.ª Conferência Geral da UNESCO, em Paris em 17 de Outubro de 2003.
Lendo o conteúdo deste decreto, percebe-se de imediato que a Capeia Arraiana pode vir a ser integrada no conceito de Património Cultural Imaterial, pois de acordo com o Artigo 1.º são consideradas como candidatáveis, entre outras, as práticas sociais, rituais e eventos festivos, classificação que, claramente, engloba a Capeia.
O processo de inventariação é naturalmente complexo e muito exigente, podendo ser apresentado pelo estado, pelas Autarquias Locais ou por qualquer comunidade, grupo ou indivíduo ou organização não governamental de interessados.
Está assim aberta a janela legal que permitirá classificar a Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial, com as vantagens em termos de preservação e sobrevivência desta forma de cultura popular das nossas terras, mas igualmente como um contributo importante para o desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
Ao Kim Tomé a aos meus conterrâneos arraianos só posso dizer que podem contar comigo para integrar qualquer Grupo que queiram constituir para a preparação da Candidatura, colocando desde já ao vosso dispor, naturalmente de forma gratuita, a minha experiência profissional nestas áreas.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Um ourives da Guarda foi roubado por dois homens que partiram o vidro do carro e fugiram com uma mala contendo ouro avaliado em 160 mil euros.
O caso deu-se na tarde de sábado, dia 20 de Junho, quando o comerciante chegou a casa vindo do mercado de Pínzio, onde montara uma banca para a venda de ouro e jóias. O ourives estacionou a viatura em frente à sua casa e transportou uma mala e uma pasta para a habitação, momento que os ladrões aproveitaram lhe roubarem uma outra mala que tinha ficado na viatura.
O ourives Delfim Moreira é proprietário de três ourivesarias na cidade da Guarda e também se desloca a feiras no exercício da sua profissão. Em declarações à Lusa, disse que «foi tudo muito rápido»: quando, com a ajuda de um empregado, transportava alguma mercadoria para casa «partiram o vidro da bagageira da carrinha e retiraram uma mala com artigos em ouro». «Fechei a carrinha e fomos para casa. Passados dois minutos, quando regressei para levar a outra mala, uma vizinha disse-me que me tinham partido o vidro da carrinha e que tinham roubado a mala», disse.
Ainda segundo o comerciante, terão sido dois indivíduos a perpetrar o roubo, fugindo de seguida «num carro azul». A mala roubada continha «anéis, fios e artigos mais leves, avaliados em cerca de 160 mil euros».
Com o receios aos assaltos, de que os ourives são cada vez mais vítimas, Delfim Moreira disse ainda à Lusa que ultimamente apenas se desloca aos mercados de Pínzio e Fundão «fazendo todo o percurso por auto-estrada». «Nunca pensei que me pudesse acontecer uma coisa destas e logo à porta de casa”, desabafou o ourives que exerce a profissão há 36 anos.
A PSP da Guarda tomou conta da ocorrência, estando em curso as investigações para tentar localizar os suspeitos da prática do furto.
plb
No próximo dia 28 de Junho a aldeia histórica de Alfaiates recebe cavaleiros e cavalos, que se concentrarão para realizarem um passeio pelo campo, seguido de um almoço de convívio entre os participantes.
A organização, que conta com a colaboração da Associação Hípica «Amigos do Cavalo», espera juntar algumas dezenas de cavaleiros no recinto do santuário da Senhora da Sacaparte. A concentração será logo pela manhã, às 9 horas, do último domingo do presente mês. Depois seguir-se-á o passeio a cavalo.
Na Barragem de Alfaiates, logo às 10h30, a comitiva fará uma primeira paragem para os participantes tomarem o pequeno-almoço proporcionado pela organização. Tomada a bucha, o passeio prossegue pelos caminhos campestres próximos da antiga vila medieval.
Ao meio-dia a caravana entrará em Alfaiates, onde os participantes percorrerão as ruas da aldeia e onde serão presenteados com uma bebida que servirá de aperitivo. Depois seguirão de volta ao ponto de partida, a Sacaparte, onde então terão direito ao almoço.
Os cavaleiros alfaiatenses Zé Daniel (telefone 963559514) e Beto (telefone 962454470) estão à frente desta organização, podendo ser contactados para efeitos de inscrição.
Os passeios a cavalo estão a tornar-se numa das actividades mais populares realizadas no concelho do Sabugal, muito por fruto do papel que a Associação Hípica «Amigos do Cavalo» tem tido, ao cativar cada vez mais pessoas para a criação de cavalos e apara a prática do hipismo.
plb
A Capeia Arraiana é uma corrida de Touros, tradição única no Mundo, da raia do Concelho de Sabugal, manifestação de um ritual viril da juventude arraiana, onde a destreza, seja ao Forcão, seja na lide do touro, enfrentando-o, origina serpenteados elegantes na praça de cada povoação, transformada em arena improvisada, culminando as festas anuais de cada Aldeia.
O Forcão é um instrumento triangular constituído por troncos de carvalho, que é utilizado em todas as Aldeias, nas Capeias, servindo para «esperar» o touro, mostrando a valentia dos rapazes, desenhando-se belos movimentos na Praça, numa luta constante, consistindo num medir de forças, tendo do outro lado, um touro ostentando corpulência de meter respeito.
Como meio de subsistência, sendo as antigas comunidades numerosas, utilizavam, entre outras, a caça a animais de grande porte, levando-os a construir um instrumento semelhante ao Forcão, surgindo em forma de «forca», que terá dado origem ao nome, permitindo-lhes «encurralar ou forcar» grandes animais, como o touro, contra algo onde não pudessem escapar, conseguindo-se assim, depois do animal imobilizado, o seu abate, sem correr riscos desnecessários e perigosos, como ter de enfrentá-lo em campo aberto, face aos utensílios de caça rudimentares, existentes na época.
Festival «Ó Forcão Rapazes»
Na sequência das Capeias da Raia, remonta ao ano de 1986, a criação do concurso «Ó Forcão Rapazes», mais tarde denominado Festival, entre as Aldeias da raia do Concelho de Sabugal, onde a arte de bem «esperar» os touros ao Forcão, vem dando origem a espectaculares Capeias, numa demonstração de valentia e saber dos rapazes da Raia.
A Capeia Arraiana em Lisboa
Decorria o ano de 1978, quando teve lugar a primeira Capeia em Lisboa, na Praça de Touros do Campo Pequeno. Nunca antes se tinha feito algo no género, isto é, transportar a Capeia para fora das terras de Riba Côa.
Há mais de três décadas que a Capeia tem vindo a ser realizada nesta grande região, sendo integrada, durante alguns anos, nas Festas de Lisboa.
XXXI Capeia Casa Concelho Sabugal, Sábado, 6 de Junho de 2009, às 17 horas.
A.J.P. organiza Variedades Taurinas
A nossa Associação jovem de Aldeia da Ponte acaba de divulgar a efectivação das primeiras Variedades Taurinas na Praça de Touros, no dia 19 de Julho de 2009.
Será um desafio importante para a juventude da nossa Aldeia, nesta sua grande realização, contando com um cartel, também ele jovem, com destaque para as duas jovens toureiras, que darão outro colorido, estamos seguros, a esta festa da juventude, aguardando-se uma boa presença de arraianos e outros aficionados destas lides, contribuindo para os objectivos da Direcção, que passam por consolidar a AJP, fundada em 2004, tentando angariar fundos para a remodelação da sua sede, disponibilizada pela Junta de Freguesia, a necessitar de obras de restauro.
Está de parabéns a Associação Juventude Pontense, pela dinâmica empreendedora que tem revelado ao longo destes poucos anos, com todas as suas realizações, contribuindo para dar algum movimento à nossa Aldeia e à região, que é sempre bem-vindo.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha
estevescarreirinha@gmail.com
A margem direita do Côa só foi «de jure» encorporada em Portugal após o tratado de Alcanizes.
Esta faixa de território foi sempre região de fronteira; primeiro da nação lusitana, depois do reino suevo, depois do condado Portucalense, reino de Leão e de Portugal. Daí que tenha sofrido várias influências e conservado várias particularidades nos costumes e língua.
A Língua falada foi um misto entre o leonês e galaico, que vários filólogos (Lindley Cintra, Leite de Vasconcelos, etc.) estudaram e que, sendo falado para além da fronteira, ainda tem remeniscências no malaguenho do Vale do Elges e no falar característico de Almedilha e da Bouça, que são mais parecido com o português do que com o castelhano.
No entanto, a linguagem tabeliónica do território, pelo menos dos documentos que se conhecem, sempre foi o Galaico, pela razão de que o leonês raramente era utilizado na escrita (o próprio Afonso X escreveu as «Cantigas de Santa Maria» em Galaico) e assim continuou depois da reunião de Leão com Castela a partir de 1230.
Existem alguns documentos do período de dominação leonina, como os forais e cartas de povoação e doações dos quais os mais conhecidas são as do cartório do convento de Santa Maria de Aguiar, que exerceu durante muito tempo grande influência cultural no território de Riba-Côa, e se encontram actualmente na Torre do Tombo.
Um desses documentos em galaico é interessante porque é anterior ao tratado de Alcanizes e refere muitos locais da actual Riba-Côa (como Caria Talaia na Ruvina, Alfaites, Vila Bôa, Vilar Maior, Castelo Bom, Caria, Vila Bôa, Freineda, Sabugal e Castelo Rodrigo) atestando o seu florescente e antiquíssimo povoamento, porque se refere a uma mesma família com bens em todo o território de Riba-Côa e revelando que a influência portuguesa em Riba-Côa é anterior ao tratado de Alcanizes; trata-se da partilha da meação de Maria Gonçalves com seus filhos (1266), que, resumidamente, transcrevo:
«Conoçuda cousa a todolos que esta Carta ujrē Como eu maria Gonçaluez fiz tal particiõ com meos filos e com esteuā suarez meo gĕro A meo pagamēto e a seu deles. Recebj por mja mejade nas herdades que aujia… meeo marido dō Mēedo. Coujē A saber quanto aujamos em Sabugal e en seu termjno. Saluo de Caria Talaya. E quanto aujamos en Alfayates e em seu termjno e a torre com seu termino. Esto sobredito receby eu Maria gonçalues por mya meyade. E por esto quito a meus filos. E recebē na outra sa meyade quanto al eu auya com meo marido dō Mēedo en Caria talaya e en termjno de ujlar mayor e de Castello bóó e as fresnedas com todo seu termjno e com quanto a ellas pertence e quanto aujamos en Castell rodrigo e en seu termjno e com todalas outras cosas que aujamos en Portugal e quanto aujamos desde vilar Major ata nas aguas de doyro en Regno de Leō…» […] Esta partila e esta cōnposiciō sobredita foy feyta.iiij feyra.iiij.dias andados de Mayo nos palacios de vila bōa a pagamento danbalas partes. Perdante Martin Domingez de Sabugal e perdante Pasqual perez canonigo de badaloz e perante Pedro esteuanez dalfayates que forō ties desta partició e desta conposiciō e desta Auenencia asi como sobredito e per mandado dos alcaldes de Sabugal. Ts…», Mosteiro de Santa Maria de Aguiar, Maço X, n.º 18.
Um pormenor delicioso nesta escritura, atesta a fertilidade e disseminação das famílias entre o território de Riba-Côa e de Portugal:
«… e eu Maria Gonçalves outorgo sou pēa de .C. mareuedis pólos meos filos que nō son de edade e por Maria mēedez meã fila que os faça outorgar esta particiō quando forē de edade. E eu esteuā suarez me obligo e outorgo so pea destes .C. mareuedis sobreditos que eu faça outorgar a mīa moler Chamoa mēedez esta particiō ata dia de San Martino primeiro que uē per ella ó per carta aberta Seelada do selo de Celorico e depoys que chegar Chamoa mēedez a otorgar esta particiō seer quite desta pea destes .C. mareuedis e darē me mya cart […]E en outro dia .v. feyra .v.dias andados de Mayo Eu Meen Gonçalves com meo filo fernā mēedez e por meos filos aqueles nō son edade e com Esteuā suarez meo gēro uēmos a Sabugal e nas mias cajsas outorgamos esta particō…»
Da escritura depreende-se que a família se encontrava espalhada por Riba-Côa e Portugal, pelo que se reuniu no Sabugal, onde Maria Gonçalves tinha casas, para acordarem na partilha.
Da escritura depreende-se ainda, que Maria Gonçalves e o marido D. Mendo, tinham património disseminado por toda a Riba-Côa e vários filhos menores e três maiores; Maria Mendes, que ficou por fiadora dos menores, Fernando Mendes e Chamoa Mendes, casada com Estevão Soares e a residir em Celorico da Beira.
Mas sobretudo o que se depreende desta escritura, é que a fronteira entre Portugal e Riba-Côa era apenas uma linha imaginária, tal como o passou a ser depois a fronteira entre esta e Espanha.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
O conhecimento da realidade de um território é a base essencial para a definição de uma estratégia de desenvolvimento do mesmo. Dou início, com esta crónica, a uma série de contributos para a caracterização do concelho do Sabugal.
Inicio hoje um olhar sobre a realidade recente do Concelho, tendo como base os dados estatísticos mais recentes (2006 e 2007), conforme constam do Anuário Estatístico da Região Centro – 2007, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística em Janeiro de 2009.
1 – Ponto de situação demográfica – valores absolutos
O Concelho do Sabugal tinha em Dezembro de 2007, 13.533 habitantes, o que significava um evolução negativa face a 2001 de -9%, perdendo em sete anos, 1.339 pessoas.
Por outro lado, e no que diz respeito à repartição etária da população, verificava-se que em 2007, os habitantes com mais de 65 anos, representavam mais de 35% do total (4.809), enquanto o total das crianças e jovens com idades inferiores a 25 anos era de 2.527 (18,7%), isto é havia praticamente 2 idosos por cada criança/jovem.
Uma análise regionalizada dos dados em consulta permite entretanto concluir que:
a) O Concelho continua a ser o segundo mais populoso da Beira Interior Norte (BIN), com 12,29% do total;
b) Entre 2001 e 2007 só o Concelho da Guarda viu a sua população crescer (+1%), o que contribuiu para que neste Concelho se concentrasse mais de 40% da população, contra 32,7% em 2001;
c) Nesta Sub-Região só o Concelho de Almeida registou uma evolução negativa superior à do Sabugal (-14%);
d) Embora não pertencendo à BIN, salienta-se o comportamento diverso de Penamacor (-12,9% entre 2001 e 2007) e o de Belmonte (+1,9% no mesmo período).
2 – Ponto de situação demográfica – índices demográficos
A situação verificada assume ainda aspectos mais preocupantes quando se analisa um conjunto de índices demográficos que dão uma ideia mais pormenorizada da situação.
2.1 Densidade de população – a distribuição da população pelo Concelho é muito dispersa, conduzindo a uma densidade de apenas 16,5 hab/km², muito inferior aos 27,1 verificados no conjunto dos Concelhos da BIN. Esta densidade só é menor em Almeida (13,9) e em Figueira de Castelo Rodrigo (13,1).
2.2 Taxa de crescimento efectivo – O Concelho possuía uma taxa negativa de -1,7%, quase o dobro da verificada a nível da BIN (- 0,9%), e só ultrapassada por Almeida (-2,6%). Embora a Guarda registasse igualmente uma taxa negativa de -0,2%, este é o Concelho com melhor desempenho no conjunto destes 9 Concelhos.
2.3 Índice de envelhecimento – O Concelho apresente um valor muito elevado de 423 (o que quer dizer que o nº de pessoas com mais de 65 anos é 4,23 vezes maior que o número de crianças com menos de 15 anos), valor que é o dobro do verificado no âmbito da BIN (214,3). Este é, aliás o valor mais elevado de todos os Concelhos, onde o valor mais aproximado se verificou em Almeida com 316,6.
2.4 Taxa bruta de natalidade – Não admira, assim, que este índice seja igualmente muito gravoso para o Concelho, com um valor de apenas 3,3 nados-vivos por 1000 habitantes, contra os 6,3 da BIN e os 4,5 de Almeida e da Mêda.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
A Câmara Municipal do Sabugal atribuiu um Louvor de Incentivo à Confraria do Bucho Raiano pelo trabalho desenvolvido na divulgação do concelho e do património gastronómico.
Na reunião de 6 de Março de 2009 o executivo da Câmara Municipal do Sabugal constituído por Manuel Rito Alves (presidente), Manuel Fonseca Corte (vice-presidente), António dos Santos Robalo (vereador a tempo inteiro), Ernesto Cunha (vereador a tempo inteiro), Luís Manuel Nunes Sanches (vereador), José Santo Freire (vereador) e Rui Manuel Monteiro Nunes (vereador), deliberou, por unanimidade, atribuir um «Louvor de Incentivo à Confraria do Bucho Raiano», pelo trabalho desenvolvido na divulgação do concelho e do património gastronómico.
O bucho confeccionado à moda da raia sabugalense é uma das peças gastronómicas mais genuínas do concelho do Sabugal. A sua confecção, com mais ou menos osso e com mais ou menos colorau espanhol, obedece a uma receita que começou por ser familiar e é reconhecida por uma tradição de décadas.
Um grupo de sabugalenses, onde se destaca Paulo Leitão Batista como grande mentor da ideia, decidiu organizar um primeiro almoço que reuniu cerca de 80 participantes na Casa do Concelho do Sabugal em Novembro de 2007. À volta de um prato composto por batatas, grelos e bucho, os convivas conversaram e discutiram ideias para dar início e materializar a constituição de uma Confraria que legitimasse, dignificasse e promovesse o Bucho Raiano.
Ficou, assim, decidido que seria constituída legalmente a Confraria do Bucho Raiano, com estatutos próprios que defendessem e preservassem o bucho raiano.
Para manter viva a tradição os confrades decidiram, igualmente, a realização de dois almoços anuais: um na região de Lisboa no mês de Novembro e um no domingo gordo (Carnaval) no concelho do Sabugal.
Após quatro almoços – dois em Lisboa (Casa do Concelho do Sabugal) e dois no Sabugal (Aldeia do Bispo e Sabugal) – foi feita a escritura pública em notário no dia 6 de Maio de 2009 da Confraria do Bucho Raiano tal como noticiamos hoje.
O louvor público da Câmara Municipal do Sabugal é, de facto, um gesto de grande incentivo aos confrades da comissão instaladora e a todos os que têm participado e colaborado na concretização deste sonho.
A Confraria do Bucho Raiano agradece e regista o gesto de apoio e boa-vontade demonstrado pelo executivo municipal sabugalense.
Não resisto a perguntar a todos os responsáveis pelos restaurantes do concelho do Sabugal do porquê da reduzida ou quase nula aposta na oferta de Bucho Raiano na ementa. Gostaria de deixar aqui alguns elementos de reflexão. Todos sabemos que o período ideal para degustar o bucho vai de meados de Setembro a meados de Abril porque o calor não é bom companheiro dos enchidos. Todos sabemos que cozinhar um bucho em lume brando demora, pelo menos, três ou quatro horas. Todos sabemos que cada vez mais deverá haver um controlo sanitário que privilegie os produtores e os produtos certificados garantindo a sua genuinidade e qualidade. Portanto, dirão alguns, apenas é possível ter bucho à mesa de um restaurante por encomenda. Considero, contudo, que um restaurante que promova uma vez por semana como prato do dia, durante a época aconselhada, o bucho raiano, permitirá que os potenciais interessados saibam e digam «vamos a tal sítio porque hoje é dia de bucho». Tal como acontece nos restaurantes de Lisboa com o dia do cozido ou no Soito com a canja de cornos. E, assim sendo, como efectivamente é, estaria encontrada a fórmula para divulgar no Sabugal e além-fronteiras do concelho que «tal dia, em tal restaurante, é dia de bucho raiano». Não custa nada experimentar.
Viva a Confraria do Bucho Raiano!
jcl
O mês de Maio é decorado com as cores da Primavera que pinta as giestas raianas com flores amarelas. A «Caminhada das Maias» é, por isso, um excelente rótulo para mais uma caminhada pelo interior raiano, um evento organizado mensalmente pela Câmara Municipal do Sabugal.
A 23.ª Caminhada pelo Interior (Raiano) da Câmara Municipal do Sabugal está marcada para domingo, 17 de Maio de 2009, às nove horas da manhã, na freguesia de Ruivós.
Os participantes serão recebidos junto à sede da Associação Amigos de Ruivós estando o início da caminhada marcado para as 9.30 horas. O pequeno-almoço será servido na antiga escola da Bismula (10.30) e no regresso ao ponto de partida será servido, por volta da uma da tarde, um retemperador almoço a todos os participantes.
A inscrição na caminhada é gratuita e pode ser feita no local da partida.
Organização: Câmara Municipal do Sabugal.
Apoios: Juntas de Freguesia de Ruivós e da Bismula.
Equipa de apoio: Associação Amigos de Ruivós.
jcl
Neste pequeno artigo, gostaria de versar muito superficialmente, porque a característica de um post não dá para mais, a simbologia da capeia e do forcão, deixando algumas pistas para decifrar o seu sentido mais profundo, que, na minha opinião, é religioso e ligado à gnose iniciática.
Esta tradição, que nos nossos dias está já bastante simplificada, consiste na selecção de uma árvore da floresta, seu abate, descasque e secagem. Nesta tarefa os jovens solteiros embrenham-se na mata acompanhados de uma pessoa mais experiente que os orienta na escolha. Posteriormente constrói-se uma estrutura em madeira de forma de triângulo regular (forcão) em que o eixo é formado pelo tronco da referida árvore. A estrutura é posteriormente manuseada numa prova de destreza colectiva.
«Este ritual é em tudo idêntico aos rituais da puberdade destinados a fazer a passagem de uma classe de idade para outra com a iniciação dos neófitos na cosmogonia dos Tempos Primordiais. Há vários estudiosos deste assunto, entre os quais Heinrich Schurtz in Altersklassem Männerbünde e Hutton Webester in Primitive Secret Societies»?
Estes rituais consistiam basicamente no isolamento do grupo na floresta ou no interior de uma cabana e na morte simbólica através do silêncio, abstinência alimentar, exercícios físicos ou tortura, provas de destreza e a ressurreição e regeneração espiritual como homem gnóstico, que faziam parte dos Männerbünde pré-cristãos e se prolongaram nas organizações mais ou menos militares da juventude, com os seus símbolos, tradições secretas, ritos de entrada e danças.
Muitos ritos de iniciação xamânica, desenvolviam-se também em torno do mito da árvore cósmica. A árvore era o centro do mundo (imago mundi), ligando como um eixo as três zonas cósmicas – a terra o ar e o mundo subterrâneo – e contendo por tal motivo, simbolicamente o universo inteiro. A árvore cósmica era nos ritos de iniciação um meio de acesso ao centro do mundo, ou seja, ao coração da realidade, da vida e da sacralidade.
Um exemplo (Citado por Mircea Elíade in Ritos de Iniciação e sociedades secreta) destes rituais iniciáticos em que encontramos aqueles dois aspectos, só para o leitor fazer uma ideia do que falamos, encontramo-lo ainda entre os Bâd, uma tribo Australiana, em que os velhos preparam a iniciação dos jovens retirando para a floresta e procuram uma árvore ganbor «sob a qual Djamar» – o Ser supremo – «descansou nos tempos antigos». Um mágico caminha à frente, com a missão de descobrir a árvore. Assim que a encontram, os homens rodeiam-na a cantar e cortam-na com as suas facas de sílex. Por este ritual, a árvore mítica do Tempo original, aquando da criação do mundo, é tornada presente e através dela os homens participam na plenitude desse tempo sagrado, primordial, regenerando toda a vida religiosa da comunidade.
É curioso como o ritual das capeias começa com este costume de afastamento para a floresta e da escolha de uma árvore, e uma prova de destreza que mantém toda a estrutura de um rito iniciático. Interessante é ver como essa árvore serve de eixo a uma armação triangular, com tantos lados quantos os elementos do universo cósmico.
O Triunfo do cristianismo pôs fim a estes mistérios e às gnoses iniciáticas, mas adaptando-os bem como à filosofia grega à explicação dos novos sacramentos e atribuindo-lhe novos significados cristológicos. Foi esta adaptação da linguagem universalmente inteligível dos símbolos e da filosofia platónica, que permitiu que o cristianismo primitivo, interdependente de uma história local (a salvação do povo de Israel), se tornasse uma história santa e universal (de salvação de toda a humanidade). Damos só três exemplos desta linguagem adaptada: A liturgia síria explica o rito do baptismo recorrendo àquela concepção pré-cristã do universo: «Assim, oh Pai, Jesus viveu ainda pela Tua vontade e a vontade do Espírito Santo nas três moradas terrestres: na matriz da carne, na matriz da água baptismal e nas cavernas sombrias do mundo subterrâneo» (citando Jacób da Sarug in Consécration de l’eau baptismale); O símbolo da Árvore Cósmica e do centro do mundo são , por sua vez, integrados pelos pais da Igreja no símbolo da Cruz, que é descrita como «árvore que sobe da terra aos céus» ou a árvore que «saindo das profundezas da Terra, se ergueu para o Céu santificada, até aos confins do universo» (Mircea Elíade in images et symbole). Por último, Clemente de Alexandria, padre da Igreja, dirigindo-se aos pagãos, adoptando os motivos iniciáticos do neoplatonismo, dizia: «Oh mistérios verdadeiramente santos! Oh luz sem mistura! As tochas iluminam-me para contemplar o céu de Deus, torno-me santo pela iniciação.» (in Protrepticus, XII, 119, 3; 120 1)
Mas alguns motivos iniciáticos, os mais conhecidos dos quais são cerimónias da puberdade, sobreviveram até à idade moderna, conservando razoavelmente a sua estrutura iniciática, apesar da forte pressão eclesiástica em ordem à sua cristianização.
Este exemplo da capeia e do seu forcão ilustra, na minha opinião, uma das modalidades de sobrevivência destes ritos iniciáticos no Portugal cristão. Pela sua dessacralização e simplificação já não pode ser considerado como um rito, porque embora implicando provas e uma instrução especial (escolha da arvore, abate, construção do forcão e manuseamento numa prova de destreza) já não contempla o segredo.
É contudo, seguramente um costume popular de aspecto misterioso que deriva de cenários iniciáticos pré-cristãos, cuja significação original se perdeu no tempo, tal como as mascaradas e as dramáticas que acompanham as festas cristãs de Inverno e que decorrem entre o Natal e o Carnaval.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

O anúncio de concurso público com o procedimento n.º 3882/2009, da REFER, tem como objectivo a reabilitação e reforço do túnel do Sabugal, na Linha da Beira Baixa, entre os Pk 205,971 e 206,369 no concelho do Sabugal.















































Em períodos de crise as empresas como as famílias tem necessidade de reduzir custos. Um dos aspectos onde é possível poupar verbas é, na utilização de computadores. Esta ferramenta tornou-se um imperativo para empresas e famílias que actualmente são impelidas a gastar centenas senão milhares de euros em licenças.
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