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António Ruas, presidente da Câmara Municipal de Pinhel, substituiu José Manuel Biscaia na presidência da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), na sequência da Assembleia Electiva realizada no dia 12 de Novembro.

António RuasAntónio Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, também integra o conselho directivo da AMCB, enquanto vogal. Para a presidência da Assembleia ficou eleito Domingos Torrão, presidente da Câmara Municipal de Penamacor.
Os 16 autarcas presentes, em representação dos Municípios que constituem a AMCB, escolheram unanimemente a única lista candidata. Curiosamente, o concelho directivo integra apenas uma câmara pertencente ao distrito de Castelo Branco e representativa da Cova da Beira propriamente dita, a do Fundão, representada pelo seu presidente, Manuel Frexes. Os restantes eleitos para a direcção são todos do distrito da Guarda (Pinhel, Guarda e Sabugal). Já na Assembleia, predominam os Municípios do distrito de Castelo Branco (Penamacor, e Belmonte), em detrimento do da Guarda que tem apenas um representante (Celorico da Beira).
A AMCB foi fundada em 1981, por decisão dos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fundão e Penamacor, com o objectivo de resolver o problema dos resíduos sólidos urbanos produzidos nos quatro concelhos. Posteriormente, aderiram à Associação os Municípios de Manteigas e Sabugal e oito municípios do distrito da Guarda: Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Meda, Pinhel e Trancoso.
Curiosamente a Covilhã, que fora um dos Municípios fundadores, abandonou posteriormente a AMCB por divergências insanáveis, protagonizadas pelo autarca Carlos Pinto.
José Manuel Biscaia, o presidente cessante, deixou a presidência após nove anos, depois de ter perdido a disputa eleitoral no seu concelho, Manteigas, em favor de Esmeraldo Carvalhinho. O ex-presidente da Câmara de Manteigas tinha sucedido a António Dias Rocha (presidente da Câmara de Belmonte). O primeiro líder da AMCB foi Jorge Pombo, enquanto presidente da Câmara da Covilhã.
plb

Há dias um sabugalense amigo que conheço das tertúlias fadistas, dizia-me que alguns concelhos do Interior tenderiam a acabar e era até vantajoso que assim acontecesse para boa gestão dos dinheiros públicos. Naturalmente, discordei daquela opinião, ou não fosse eu autarca e defensor acérrimo da autonomia local. Tentando por isso demonstrar o erro dessa hipotética, e na minha opinião, falsa medida de gestão racional, argumentei que ela nada de bom acrescentaria ao país, nem mesmo em termos económicos ou financeiros. Estou convencido que lá no fundo nem o meu amigo fadista concordava com o que afirmava.

Casa Bebéu - Penamacor

António Cabanas - «Terras do Lince»Porventura, tratava-se de um costumeiro desabafo, tipicamente português, em que usamos dizer mal de nós próprios, da nossa terra e do nosso país – o eterno pessimismo lusitano. A conversa acabaria mesmo por resvalar para o habitual misto de preconceito e inveja em relação aos nuestros hermanos, que geralmente nos levam a condenar a atitude independentista de D. Afonso Henriques. Contrariando tais ideias, afirmei logo que se Portugal se tornasse uma província espanhola, eu seria um etarra! Gargalhada geral, mas os fados iriam começar, acabando com a conversa.
Entre um copo de tinto, um fado e uma rodela de chouriça assada, fiquei a matutar na ideia de alguns concelhos correrem mesmo o risco de fechar. Logo me vieram à memória os tiques economicistas dos últimos governos, de ambas as cores, que, face ao deficit das finanças públicas, desataram a fechar o Interior, desde as escolas aos tribunais, das maternidades às repartições de finanças, passando pelos CTT e pelos centros de saúde. Lembrei-me ainda dos hospitais, das esquadras de polícia, da Guarda-Fiscal e das companhias militares que já antes tinham desaparecido das vilas do interior, e pensei com os meus botões que o perigo era real: os concelhos estão a fechar aos poucos. E para mal geral, nem sequer tem valido o sacrifício, já que as finanças públicas vão sempre de mal a pior, o que me leva a crer que a culpa do deficit não é, nem foi nunca, do Interior. E se não é do interior, só pode ser da má gestão, dos elefantes brancos e dos buracos negros do país rico; das empresas públicas, dos grandes grupos económicos, dos bancos, da corrupção, dos TGVs, dos estádios de futebol, dos ordenados dos gestores, das corporações e lobbies etc.
Veio-me à memória que recentemente, já durante o governo de Sócrates, foi movida a maior campanha contra as autarquias, vinda de todos os sectores da sociedade, exacerbada sobretudo pela Comunicação Social. De repente, o poder local tornou-se o bode espiatório dos males do país, desde a corrupção ao deficit! Afinal, no que toca à corrupção, dos mais de trezentos presidentes de Câmara do país, somados aos milhares de vereadores e de membros de juntas de freguesia, tudo espremido, só dois ou três foram condenados por práticas criminosas. Haverá muitas classes com menos criminosos? Quanto ao deficit, feitas as contas, as cinco maiores empresas públicas do estado tinham mais deficit do que os trezentos e oito municípios. Mas a campanha surtiu efeito: cortou-se nas autarquias mais pequenas! Nas grandes, o governo não teve coragem para cortar. Resultados: para as contas públicas, nenhum; para o interior, onde abundam as autarquias pequenas, foi desastroso, deixando algumas com a corda na garganta e com reflexos nefastos no tecido económico local, já tão depauperado.
Mesmo assim, mais gente do que pensamos acha que o Interior deve fechar e que com isso se resolve o problema do país. Basta que falte dinheiro em Lisboa e logo alguém, assobiando para o lado, aponta a solução: corta-se no Interior! Afinal há sempre uma boa razão: não haver gente, e onde não há gente, não são precisos serviços nem dinheiro. E contra a razão não há nada a fazer!
Pensando melhor, talvez até se conseguisse ganhar uns trocos, além do que se poupava. Fechado o Interior, Lisboa pode vendê-lo então aos espanhóis por bom dinheiro, e assim se resolve o problema do deficit! Não se pense sequer que isto é uma brincadeira, parte do Interior já foi vendido, alguns latifúndios do Alentejo e da Beira Interior estão já nas mãos de espanhóis.
Não é nada fácil encontrar argumentos contra os arautos da gestão e do racionalismo económico, além de que a pequena economia não dá nas vistas e os pequenos eleitorados não têm voz.
Penso há muito que políticas correctas de planeamento e ordenamento poderão ajudar a inverter a situação das áreas menos povoadas. Continuo também a achar que o dinheiro gasto no Interior está a léguas do que seria necessário e justo. Necessário, porque onde se investe, logo surgem dinâmicas económicas e demográficas. Justo, pelos sacrifícios por que passou a população raiana na defesa das fronteiras e do solo pátrio, permanentemente cobiçado por outros povos e constantemente invadido. Foram muitos séculos de sacrifício, em que raramente se vivia em paz mais de cinquenta anos seguidos.
Durante um fado menos timbrado e já na presença da segunda garrafa, cogitava numa solução para o Interior quando me lembrei de dois exemplos de sinal contrário de políticas do passado: o das medidas povoadoras dos nossos primeiros reis, por um lado, e das reformas administrativas que fecharam concelhos, por outro. Nada melhor que olhar o passado para vislumbrar o futuro com mais nitidez.
No primeiro exemplo, os nossos primeiros reis, de forma inteligente, quiseram e conseguiram povoar o país. E não falamos de qualquer parte do país, falamos do interior! Como conseguiram eles povoar uma terra inóspita, de feras e matos, povoada de sarracenos? Como atraíram eles gente do litoral e das cidades para esses lugares ermos? Dando-lhes benesses, mercês e autonomia local, criando e organizando termos, comendas e comarcas. Dizem os especialistas que o verbo latino populare (povoar) era entendido como «organizar» administrativamente. Se os romanos foram sábios povoadores de territórios, os nossos primeiros reis seguiram a mesma cartilha.
Mas a História também nos dá exemplos de políticas despovoadoras. Durante o século XIX, por decisão de Lisboa, fechavam muitos concelhos do Interior. Também nessa altura o deficit era assustador. Fora um século catastrófico de convulsões políticas e guerras. Mais uma vez foram as terras raianas as que mais sofreram, designadamente, com as invasões francesas e com as guerrilhas carlo-miguelistas. Com o decreto de 1855, vários concelhos do interior foram feridos de morte e integrados em concelhos vizinhos mas a dívida pública aumentaria ainda mais. Passados 150 anos o resultado dessas racionais medidas está à vista, nem é preciso ir muito longe: os velhos municípios que deram origem ao Sabugal são disso testemunho. Salvo raríssimas excepções, são hoje aldeias fantasma, em escombros, cujo património foi vítima de desleixo e abandono e, na maior parte dos casos, irremediavelmente perdido. Dá pena ver velhas muralhas e castelos, domus e igrejas a esboroarem-se na erosão do tempo e da incúria. No que respeita à demografia, foi um autêntico terramoto. Nem as sedes desses antigos municípios escaparam à voragem do despovoamento. Todo um património sacrificado a troco de uns tostões necessários para as linhas férreas.
Tal como hoje a ideia daquela época era meritória: a racionalização dos recursos e a eficiência governativa; da junção de vários concelhos se faria uma administração forte e o desenvolvimento não tardaria! Puro engano! Não só, não se fizeram municípios fortes e desenvolvidos, como nenhuma eficiência se conseguiu no país por via desse sacrifício dos pequenos municípios.
Com as devidas distâncias, que se recuperem então as velhas medidas de povoamento e que se afaste de vez o espectro do encerramento, que pode hipotecar, inclusivamente a nossa soberania.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

A reforma da estrutura fundiária, nas zonas de minifúndio, terá obrigatoriamente que ser feita para o bom aproveitamento da agricultura e da floresta. Essa reforma terá forçosamente de incluir mudanças que tornem mais fácil o emparcelamento da propriedade rústica de pequena dimensão. O alcance de eventuais medidas de apoio ao emparcelamento seria bem maior do que a simples distribuição dos enganadores subsídios.

Penamacor

António Cabanas - «Terras do Lince»É comum dizer-se que um dos problemas da nossa agricultura é o minifúndio. Não será certamente o único, haverá, evidentemente, outros constrangimentos. Talvez o minifúndio não seja sequer um problema em si mesmo, porque, como se sabe, há culturas e regiões, nas quais se aproveita bem o minifúndio, tornando-o rentável, como acontece, por exemplo, com o vinho verde. O problema será antes a desadequada dimensão da estrutura fundiária para a agricultura que se pretende.
Na Beira Interior, grande ou pequena a propriedade agrícola produz muito pouco. Mais preocupante até, é verem-se áreas e mais áreas, pequenas e grandes, em alguns casos onde se investiu em regadio e acessos, ao abandono, ocupadas de matos, sem qualquer utilidade que não seja a caça, e nem mesmo essa, porque, frequentemente mal gerida, escasseiam espécimes e os complementos turísticos de apoio à actividade cinegética. Nem pretendo sequer falar dos fogos e das parcelas que ardem sem que ninguém as reclame, que isso seria matéria para outro artigo.
As zonas mais férteis e próximas dos povoados são naturalmente as mais pulverizadas, divididas até ao milímetro por gerações sucessivas de camponeses pobres e de famílias numerosas, num tempo em que qualquer palmo de terra era defendido com unhas e dentes. Assim se compreende que a principal motivação dos nossos primeiros emigrantes fosse ganhar dinheiro para compra de umas courelas.
Pagas a bom preço, essas mesmas courelas, depressa e por ironia do destino, se tornariam numa espécie de castigo para quem tem agora de as tratar, só para as não ver abandonadas. Muitos vão gastando nelas as suas reformas! Passadas duas ou três décadas, deparamo-nos com hortas e chãos de boa terra a encherem-se de giestas, soutos e olivais decrépitos que de vez em quando carregam mas que ninguém colhe, porque a população é escassa e idosa e já não tem forças nem saúde para as fainas agrícolas e os mais novos, como se sabe, preferem outras profissões, preferência, aliás, incentivada pelos progenitores.
Apesar de tudo, as áreas maiores são melhor aproveitadas, designadamente para o pastoreio extensivo, pelo menos enquanto as ajudas à pecuária se mantiverem.
As mais pequenas, como é bom de ver, necessitam urgentemente de ser emparceladas para que possam ser rentáveis. Não tendo o estado a iniciativa do seu emparcelamento, resta a via aquisitiva. No entanto, aqui levanta-se um problema complicado: a burocracia e custos da aquisição. Distribuídas por numerosos herdeiros, as parcelas, que por serem pequenas valem muito pouco, estão quase sempre por registar, para já não falar da inadmissível falta de cadastro em algumas regiões. Além disso são geralmente propriedade de pessoas que vivem em Paris, Lisboa e outras cidades, onde cada metro de terra parece valer ouro. Quando alguém lhes oferece uns trocos por uma pequena horta, logo torcem o nariz. Ao saber que também terão que fazer umas escrituras e uns registos e que nisso têm que se haver com irmãos, cunhados ou sobrinhos, então nem querem voltar a falar do assunto. Por vezes nem chegam a saber que, além disso, ainda poderiam arcar com exorbitantes mais valias.
Há dois anos, por 750 euros, adquiri a um emigrante, uma pequena parcela de pouco mais de 800 m² para, através dela, melhorar o acesso a outros terrenos. Passados uns meses, encontrei o vendedor que se queixou de, além dos gastos habituais que teve com o pré-registo, ter sido taxado em 20% de mais-valias sobre o lucro, apesar de tratar-se de uma herança. Ora, o lucro tinha sido de 740 euros por o valor patrimonial inicial ser de 10 euros! Dizendo que não voltaria a vender mais nada, lamentava-se do nosso país, parodiando: – Mais-valia estar quieto!
Apesar de tudo lá consegui acrescentar mais uns metros a uma pequena quinta, composta de dez antigos prédios, perfazendo agora um pouco mais de seis hectares, onde pastam churras do campo. Dois desses prédios são lotes de emparcelamento, feito pelo estado e que resultaram da reunião de outros 11, pelo que a minha quintinha de seis hectares era anteriormente um conjunto de 19 artigos! Os restantes fui adquirindo a outros tantos emigrantes ao longo de cerca de uma dúzia de anos tendo ainda alguns por legalizar pelos motivos que se imaginam.
Se não se fizer uma verdadeira reforma da aquisição da terra, a estrutura fundiária levará ainda algumas décadas – a juntar às décadas já perdidas – para se adequar às necessidades da agricultura moderna. Tempo demais para uma região que precisa urgentemente de modernizar-se e sem essa modernização quase mais-vale estar quieto.
Como não é possível voltar-se à enxada e ao arado puxado por vacas, penso que assim não será viável aproveitar o recurso mais abundante da região: a terra.
O ano passado coloquei estas questões a um deputado da Comissão de Agricultura e ao secretário de estado da mesma tutela. Pareceram sensibilizados mas a legislatura terminou pouco depois e a coragem para as grandes reformas já tinha murchado.
Nunca entendi a razão de ser mais difícil comprar um prédio rústico de 500 euros do que uma viatura de 10, 50 ou até 100 mil euros. Nunca percebi que razões haverá por detrás ou a que corporações interessará este sistema quase medieval de aquisição.
Entretanto continuam a verter-se verbas significativas numa agricultura e numa floresta que se sabe à partida que não terão futuro sem as tais reformas e pouco ou nada se investe na estruturação fundiária da propriedade. O alcance de eventuais medidas de apoio ao emparcelamento feito pelo estado ou feito de forma privada, seria bem maior do que a simples distribuição de enganadores subsídios.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Em Novembro a Câmara Municipal de Penamacor volta a editar o Ciclo de Música de Outono. O 1.º concerto com Francisco Ceia está agendado para domingo, dia 8, e será em Pedrógão. A música está de visita às terras de Penamacor.

Francisco Ceia - Pedrógão - PenamacorFrancisco Ceia é natural de Portalegre, cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros…
Em 1976 frequenta o curso de teatro e inicia a sua carreira artística como actor profissional no CENDREV (Évora) representando, entre outros, autores como Gil Vicente, Marivaux, José Régio, Moliére, Brecht e Peter Weiss. Permanece nesta Companhia até final de 1979 e, em Janeiro de 1980, funda em Portalegre uma Companhia de Teatro profissional, Teatro do Semeador, onde encena e representa várias peças. Nesse mesmo ano e como corolário da actividade de autor compositor e intérprete que vinha desenvolvendo em paralelo com o teatro, vê editado o primeiro disco, «Foi no monte é no monte» e dá voz à banda sonora original da série televisiva «As Aventuras de Tom Sawyer» (RTP) editando assim um novo trabalho discográfico.
A participação em vários programas de televisão, espectáculos ao vivo pelo país e estrangeiro (França, Holanda, Espanha, Rússia, Uzbequistão, Canadá e Bélgica ), torna cada vez mais difícil conciliar o teatro e as canções, tomando desde 1981 a opção por estas. É editado então o disco «Cava dor».
Entretanto vai fazendo música para algumas peças de teatro e participa como actor em peças para a RTP.
Em 1983 um novo disco «Alcatruz» e a continuação dos concertos.
Em 1985 novo disco «Voo andando» e em 1988 é editado o disco «Entre a cal e o sol».
Em 1990 o disco «Bicicleta cor de rosa» deixa antever uma certa vontade de voltar às raízes, ao Alentejo. Antes porém, a convite da RTP, é o pivot de uma série de 12 episódios «A casa do Mocho Sábio», onde conjuga o trabalho de actor, músico e autor das canções e genérico do programa.
Entre Dezembro de 1995 e Abril de 96, a convite da Companhia de teatro do Porto «Seiva Trupe», integra o seu elenco, no musical «Ópera do Malandro» de Chico Buarque. É editado, em Agosto de 1996, o CD denominado «Lendas e Romances», com textos da tradição oral, recolhidos no Alentejo, e música original de Francisco Ceia.
Em Maio de 1997 participa na cidade espanhola de Cáceres no Festival Internacional da World Music «WOMAD».
Participa no 36.º Festival RTP da Canção, em 1999 e em Outubro um novo trabalho discográfico de originais com o título «Fado Singelo».
O CD «Cadernos de Afectos» é editado em Maio de 2000, com poemas de José Régio e música original de Francisco Ceia.
Em 2002 – «Sandálias de Vento» – novo disco, desta vez com a poesia de Fernando Namora.
Em 2003 é editado o álbum «Nas Tardes» sendo António Sardinha o poeta escolhido para ser musicado e interpretado.
Em Maio de 2004 sai «Asa de Luz» com poesias de Maria Rosa Colaço.
Finalmente em 2005 é editado o álbum «Virado para a Serra» com textos de Vergílio Ferreira.
jcl (com Gabinete Informação da C. M. Penamacor)

No rescaldo do recente ciclo eleitoral vale a pena reflectir sobre a forma como as eleições traduzem o estado actual da democracia portuguesa. Considerado o menos imperfeito dos regimes políticos, a democracia revela-se em toda a sua imperfeição. Olhando, para o preocupante problema da abstenção, sintoma dessa imperfeição, não restam dúvidas que o interesse dos eleitores é inversamente proporcional à distância do poder em causa. Por outro lado o alheamento tende a aumentar sempre que aumenta a complexidade do juízo político. Tome-se como exemplo o referendo sobre o aborto, que introduziu na discussão política questões éticas e científicas, difíceis de entender pelo cidadão comum.

António Cabanas - «Terras do Lince»Compreende-se, por isso, o debate ocorrido em redor da conjugação das datas das recentes eleições legislativas e autárquicas, onde uns e outros se mostraram a favor ou contra a sua simultaneidade. É que nas autárquicas, ao contrário das legislativas, a abstenção desce para níveis mínimos, que chegam por vezes a reflectir apenas o absentismo. Seria ingenuidade pensar-se que, por detrás da posição dos partidos sobre a referida simultaneidade, estivesse a nobre preocupação pelo aperfeiçoamento democrático e pelo combate ao abstencionismo, e não o cálculo frio da vantagem dos votos.
Deixando as análises nacionais para melhores e mais abalizados comentadores, centremo-nos nas autárquicas e na região, escalpelizando um pouco formas, detalhes e resultados políticos. Desde logo, pense-se no efeito de arrastamento: a vitória do PS nas legislativas terá ou não beneficiado os candidatos do PS às autarquias? Embora em pequena escala, pensamos que sim, como pensamos que se as duas eleições tivessem ocorrido em simultâneo, o efeito teria sido maior. Enganaram-se, portanto, nas posições que previamente assumiram, os dois partidos do poder. Grato deverá estar o PSD a Cavaco Silva, que, embora desejoso em lhe fazer a vontade, fez o oposto para não ser acusado de parcialidade. O PS, pelo contrário, que só teria a ganhar com a conjugação e a rejeitou, pode queixar-se de si próprio, por se esquecer da volatilidade do fenómeno político.
Voltando ao dito arrastamento, parece óbvio que começa a ter cada vez menos efeitos. Veja-se a distinção que o eleitorado fez em muitas mesas de voto, nas autárquicas, votando de forma diversa para a Assembleia de Freguesia, Câmara e Assembleia Municipal, sintoma de maturidade democrática, mas também prova de que, mais que os partidos, cujo papel organizativo e de mobilização não se pode sonegar, são as pessoas que ganham as eleições. Registe-se ainda o caso da Covilhã, que deu ao PS uma larga maioria nas legislativas e deu a Carlos Pinto do PSD uma esmagadora vitória duas semanas depois.
Não se pense pois que o eleitorado não sabe o que quer. É verdade que ao nível local o jogo é outro, é mais terra a terra, mais porta-a-porta, mais voto a voto, pressiona-se, marca-se à zona. Por essa razão, ter bons pontas-de-lança, leia-se estrategas, personagens influentes e candidatos ganhadores às Juntas de Freguesia, é meio caminho andado para ganhar a Câmara. Quem não conhecer a cartilha é melhor que fique em casa. Algumas forças políticas apenas vêm à tona de quatro em quatro anos, o que é insuficiente para ganhar eleições. As sociedades não vivem só de política, há mais vida para além do poder. Ganha-se traquejo e notoriedade nas causas públicas, nas colectividades e noutras organizações de fins não lucrativos. Se alguns aparelhos partidários locais são bons exemplos de organização e dinamismo, promovendo debates temáticos, jornadas e outros eventos, outros apagam-se a seguir às eleições e nem sequer elegem as respectivas lideranças.
Câmara Municipal de PenamacorO suposto resquício do antigo regime de que os dinossauros se poderiam eternizar no poder sem que nada os fizesse apear, começa a cair por terra, como o demonstraram os eleitores da Mêda e de vários outros municípios do país. Paradigmático parece ter sido o caso de algumas autarquias comunistas em que já se confundia o partido com a Câmara e que também mudaram de mãos. Convém realçar que, às vantagens óbvias do exercício do poder, se opõem as desvantagens do desgaste, ainda que nos dois distritos beirões a balança pendesse para os «instalados», apenas com uma mudança a Sul e três a Norte.
Lição não menos importante a reter é que não basta escolher pessoas e equipas competentes. Para se chegar ao poder é preciso ganhar eleições, e, nesse capítulo, quantas vezes a popularidade de um candidato chega e sobeja para os melhores argumentos de adversários competentes. Não querendo referir exemplos, atente-se nos acusados e até condenados por crimes graves que continuam impávidos e serenos a merecer a confiança dos eleitores.
Os independentes, inovação das autárquicas de 2001, em que Penamacor escreveu uma página merecedora de análise sociológica, e os partidos da terra, muleta dos que não têm partido, vieram baralhar um pouco as contas. Em geral, uns e outros emergem das divisões fratricidas dos partidos, das facções não alinhadas. Por falta de apoios e de aparelhos, as suas possibilidades de êxito são reduzidas. Em alguns casos mais não fazem que «entregar o ouro ao bandido», leia-se, dar a vitória aos adversários de ideologia, como foi o caso de Oliveira do Hospital, nas recentes eleições.
O Sabugal teve também notas curiosas, com protagonistas de direita apoiando candidatos de esquerda e vice-versa, nada estranho a outros azimutes. Nem precisamos de ir mais longe, recorde-se Penamacor quatro anos antes, em que vários elementos do PS passaram para a coligação de direita, enquanto os independentes apoiados pelo PSD passaram para o PS. Uma simples troca de posições! Confrontado com o epíteto de vira-casacas, dizia-me há dias um amigo que a única camisola que tinha era a do Benfica e nem sabia explicar porquê!
Para finalizar esta brevíssima e despretensiosa análise sou de opinião que, nestas autárquicas, houve generalizadamente pouco arrojo dos partidos políticos. Face ao limite de mandatos, impunha-se já alguma coragem, não deixar todo o jogo para daqui a quatro anos, em que se prevê um verdadeiro terramoto.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

«Há mais vida para além do poder» e… há mais vida para lá da Malcata. As nossas boas-vindas a este espaço de livre opinião ao político e homem de cultura António Cabanas, vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor. Bem-haja pela disponibilidade e pela amizade.
jcl e plb

António Cabanas, 48 anos, natural da Meimoa, concelho de Penamacor, é licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. Pertence aos quadros do ICN-Instituto de Conservação da Natureza e está «emprestado» à Câmara Municipal de Penamacor desde 2001 onde exerce o cargo de vice-presidente da equipa liderada por Domingos Torrão. No seu currículo destaca-se a publicação de obras sobre temáticas como o contrabando, o madeiro de Penamacor e a Meimoa.

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Quando terminou os estudos do liceu (antigo sétimo ano) foi trabalhar para o restaurante «Furnas Lagosteiras» perto de Cascais. Explorou um snack-bar no Shopping Cacém e sentiu o chamamento do espírito de aventura. Durante cerca de dois anos foi embarcadiço em navios de cruzeiro nas Caraíbas «onde ganhou algum dinheiro porque no barco não era possível gastar nada». Depois veio para a Malcata e terminou, finalmente, os estudos que não conseguiu acabar quando era jovem. «Os meus pais eram agricultores e tinham algumas dificuldades económicas próprias do mundo rural e entendi que não devia estar a sacrificá-los. Mas… prometi-lhes que terminaria os estudos nem que fosse até aos 80 anos», recorda António Cabanas.
Entre 1987e 2001 António Cabanas sentiu o bater do coração da Reserva Nacional da Serra da Malcata. Foi vigilante, técnico superior e finalmente director da Reserva durante dois anos. Em 2001 uma lista independente encabeçada por Domingos Torrão venceu as eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e António Cabanas «transferiu-se» para a autarquia assumindo o cargo de vice-presidente. Em 2005 e nas recentes eleições autárquicas de 2009 a equipa de Domingos Torrão e António Cabanas foi reconduzida à frente dos destinos do município de Penamacor. «Actualmente ainda pertenço aos quadros do Instituto de Conservação da Natureza e como isto de ser autarca não é eterno quando cessar as funções na Câmara Municipal de Penamacor, onde estou desde 2001, voltarei a trabalhar no ICN», esclarece o vice-presidente Cabanas.
– Esteve vários anos ligado à Reserva Natural da Serra da Malcata que muitos relacionam com o lince ibérico. Que projectos recorda?
– Recordo a candidatura do projecto da Senhora da Graça com um orçamento de 200 mil contos, falando em moeda antiga, e que teve alguma envergadura para a época. Este projecto pretendia ter, por um lado, a vertente florestal com plantas autóctones da região e como viveiro das árvores protegidas de todo o País, uma espécie de viveiro do ICN a nível nacional e por outro lado uma vertente de educação ambiental, interpretação da natureza e visitação. Infelizmente não tem havido meios para esta estrutura funcionar a cem por cento mas, de alguma forma, tem sido um baluarte da Reserva da Malcata. Outro projecto em que me empenhei como director foi o «Life» para o estudo do lince e dos seus ecossistemas. O lince é uma espécie que vive uma grave crise. Já fui muito céptico mas, actualmente, estou mais confiante e considero que há grandes possibilidades das populações de linces voltarem à Malcata e a outros territórios ibéricos. Em 1977 o doutor Luís Palma fez estudos na Malcata e registou cerca de 30 linces, em 1987 falava-se numa comunidade de 14 ou 15, em 1992 capturámos uma fêmea mas em 1995 já não conseguimos assinalar nenhum vestígio da sua presença. Em Portugal o lince está extinto mas nos próximos anos vão ser transferidos animais espanhóis para regiões portuguesas onde vão crescer em cativeiro. Apesar do entendimento político entre os dois governos ibéricos ainda não é seguro que a espécie se salve mas há uma nova esperança…
– …«Terras do Lince» é uma marca em que aposta a Câmara Municipal de Penamacor…
– É a bandeira de Penamacor. Há uns anos atrás os ambientalistas que apareciam por cá eram olhados com alguma desconfiança e, afinal, hoje somos todos ambientalistas. Para Penamacor, para o Sabugal, para o Alto Águeda e para a Sierra da Gata a existência do lince será certamente uma mais-valia. É uma marca que faz a diferença e nos pode trazer vantagens económicas. «Terras do Lince» é uma marca que está a ser divulgada através dos produtos regionais – azeite, mel, queijo e enchidos – e pode ser aproveitada para programas turísticos.
– O território da Malcata é partilhado por dois concelhos portugueses e duas comunidades espanholas. Facilita ou prejudica a actuação dos responsáveis?
– Há vantagens porque há diversidade. É um território de transição da fauna e da flora entre o Mediterrâneo e o Atlântico Continental e por isso esta diversidade a Sul com o azinhal, os medronheiros, sobreiros e a Norte com o carvalhal e os castanheiros. Infelizmente do lado espanhol não há um estatuto de conservação como existe no lado português. Os espanhóis são sensíveis à defesa da natureza mas preocupam-se muito mais com o turismo. A Reserva da Malcata tem um plano de ordenamento excessivamente restritivo que acaba por se tornar maléfico. Nos últimos anos a Malcata deixou de ser falada porque um território fechado afasta as pessoas e tem um efeito negativo. Quando há visitação há promoção e uma atenção redobrada sobre o território que facilita a pressão política para a atribuição de mais meios – técnicos e humanos – pelo poder central.
– Em Penamacor sente-se o espírito raiano?
O penamacorense não se considera raiano – com excepção, talvez, das freguesias de Salvador e Aranhas – mas eu considero-me raiano pelo Sabugal e pelos amigos que conheci quando estive na Malcata. Penamacor como praça-forte sempre esteve de costas voltadas para Espanha. Curiosamente iniciámos num processo de geminação com Valverde del Fresno a cerca de 30 quilómetros e com a qual apenas temos uma ligação por estrada há poucos anos. Há uma distância física muito diferente da relação que as aldeias raianas do Sabugal têm com as localidades espanholas de Albergaria ou Navasfrias.
– Como se define o político António Cabanas?
– A causa pública é algo que nasce dentro de nós. Desde miúdo que sinto a necessidade de estar activamente na sociedade. Integrei o grupo coral da igreja na Meimoa, associações, o clube de futebol… O autarca é um homem da causa pública. Nas eleições autárquicas é costume dizer-se que o que conta são as pessoas. As freguesias vivem dependentes das câmaras e estas do Governo e todos sabemos e sofremos na pele o ter ou não ter apoios. Quando somos da cor e estamos com o poder comemos e quando não somos… cheiramos. Por isso compreendo e não condeno os chamados «vira-casacas» porque eles traçam estratégias – incluindo o sucesso pessoal – para atingir os melhores objectivos para as suas autarquias. Em função das minhas competências académicas e do meu percurso profissional na Malcata o ambiente, o ordenamento do território, o turismo, a etnografia e a cultura local são as temáticas com que mais me identifico.
– Há um homem de cultura para além da política…
– A matriz cultural da etnografia e da antropologia beirãs são excelentes elementos de estudo para qualquer sociólogo e o meu trabalho reflecte essas influências. Além disso sou um homem com origens no mundo rural. Os trabalhos no campo com os meus pais foram experiências muito enriquecedoras para a minha pessoa. Cada uma das minhas obras deve ser lida de forma distinta e entendido como uma forma de preservar testemunhos. O livro «Carregos» foi motivado pelo meu pai e pelos meus tios que foram contrabandistas e contavam estórias que eu ouvia com muita atenção. Os vigilantes da Reserva da Malcata tinham motorizadas para andar pelos caminhos pedregosos da serra. No meu primeiro dia de serviço na Malcata levava na ideia passar pela quinta do Major – também conhecida por quinta do Pinharanda ou quinta da dona Rita – onde os contrabandistas passavam com os carregos. O livro sobre a Meimoa tem uma motivação histórica com as nossas raízes, a nossa alma, os nossos antepassados. A Meimoa é uma comenda da Ordem de Aviz, a igreja da Meimoa fez parte da Ordem de Alcântara, a mãe de Pedro Álvares Cabral era a senhora dona da Meimoa e o rei D. Afonso V doou a Meimoa ao primeiro conde de Penamacor e assim através de uma pequena aldeia podemos contar um pouco da história de Portugal. São facetas que desconhecia e acabei por descobrir durante a investigação. O livro «Madeiro» retoma o fio à meada do contrabando porque voltamos ao património cultural das tradições. O Natal tem origem no solestício de Inverno muito anterior aos romanos. O monumental madeiro de Penamacor com 18 tractores de sobreiro é o maior de Portugal e considerei que merecia ser destacado.
– Há publicações na forja?
– Tenho dois projectos que quero levar a bom porto ainda para este ano. Vamos comemorar o primeiro centenário do nascimento de Mário Bento, patrono do Museu da Meimoa, com a publicação de um livro sobre a Comenda da Ordem de Aviz atribuída à Meimoa e em conjunto com a técnica da Câmara, Laurinda Mendes, estou a preparar um opúsculo com muita pesquisa na Torre do Tombo sobre a história cronológica de Penamacor.

No dia 11 de Outubro a lista de Domingos Torrão foi a jogo nas eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e venceu com 53,64 por cento dos votos. Os nossos parabéns a António Cabanas pela recondução como vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor e as boas-vindas como «opinador» residente no Capeia Arraiana onde passará a assinar a coluna «Terras do Lince».
jcl

Os mapas interactivos do Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal e dos outros 12 concelhos da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) podem ser consultados através da Internet.

SIG - AMCBEm declarações à agência Lusa, Jorge Antunes, responsável pelo departamento de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) da AMCB explicou que «qualquer municípe poderá, por exemplo, editar on-line a delimitação de uma parcela de terreno, calcular distâncias e áreas ou imprimir uma planta de localização».
Estão disponíveis os planos directores do Sabugal, Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Penamacor e Trancoso. Cada município tem uma hiperligação na sua página que redirecciona o utilizador para o portal da AMCB onde está a informação.
A disponibilização dos PDM na Internet responde a uma imposição legal (Lei n.º 56/2007) e, de acordo, com informações fornecidas pela o projecto global está orçado em meio milhão de euros e é co-financiado pelo Programa Operacional da Região Centro – MaisCentro.
A solução implementada permitirá aos municipes dos 13 concelhos fazer uma consulta prévia a um PDM, tendo como ponto de partida um determinado ponto ou localização no território. Após a identificação da localização da pretensão é possível cruzar esta informação com as classes de espaço, com o regulamento e limitações do PDM e imprimir a informação para o processo de viabilidade de transformação do terreno rústico.
No futuro o sistema irá permitir fazer pesquisas, visualizar e consultar os processos de obras das Câmaras Municipais.

Página da AMCB com o SIG. Aqui.
Página da Câmara Municipal do Sabugal com o PDM on-line. Aqui.
jcl

E.F.VPTLC.MV é o nome de código do «exercício militar» que vai levar até terras raianas de Penamacor, Sabugal e Almeida altas patentes da Força Aérea. O encontro de convívio entre ex-directores do Centro de Treino e Sobrevivência, instrutores dos cursos de Fuga e Evasão e familiares está marcado para este sábado, 12 de Setembro. A Ordem de Operações está a cargo do sargento-chefe José Reis, natural da Freineda mas «com muitos amigos no concelho do Sabugal» como fez questão de nos dizer durante uma cordial conversa na Base Aérea do Montijo.

À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar

«Tenho 48 anos feitos no dia 27 de Agosto. Sou natural da terra do melhor vinho do Mundo: Fernão Pó. O meu pai era funcionário da CP e eu nasci lá como que por acaso mas fui registado e baptizado na freguesia da Freineda, concelho de Almeida, terra de onde são naturais os meus pais», começou por nos dizer em jeito de apresentação o Sargento-Chefe da Força Aérea, José Reis.
E lançando uma pequena provocação para a conversa acrescentou: «Comecei a trabalhar aos cinco anos!» Apercebendo-se da nossa expressão de surpresa lançou-se nas explicações desvendando que «os pais tinham um pequeno comércio na Freineda» e como era pequeno «colocava uma grade de bebidas por detrás do balcão para servir os meio-quartilhos aos clientes». «Cheguei a ser castigado pelo professor porque pensava que eu estava a brincar em vez de ir à escola mas, de facto, estava na tasca do senhor Januário que era o meu pai», recordou entre sorrisos.
Depois da primária ingressou no Colégio São José, conhecido pelo Rocha, na Guarda onde foi considerado um dos melhores alunos até ao 9.º ano. Os fins-de-semana eram passados na Freineda. «Quando os outros estavam em festa eu estava a trabalhar a ajudar os meus pais», acrescenta com a boa disposição que parece acompanhá-lo sempre.
Passou para o Liceu da Guarda, durante três anos, onde fez parte da Associação de Estudantes e da Comissão de Finalistas.
Aos 19 anos («por sorte» como faz questão de frisar) foi chamado para o serviço obrigatório na Força Aérea. «Na antiga BA3, Tancos, fiz a recruta e fui para a Ota onde me graduaram como cabo da Polícia Aérea. Pouco tempo depois surgiu a possibilidade de integrar um exercício de fuga e evasão em Penamacor mas não cheguei a ir», recapitula José Reis.
No final do serviço militar obrigatório frequentou o curso de sargentos que terminou em 1986. Já como furriel foi convidado para a equipa de instrutores dos cursos de fuga e evasão que eram feitos na zona de Penamacor, Sabugal e Almeida e em especial a zona da Malcata. «Na altura era solteiro e como natural da região agradava-me a ideia de ser instrutor do pessoal tripulante. Embora os cursos tivessem a duração de 12 a 14 dias chegávamos a estar 28 dias destacados na zona».
Mas as surpresas com as recordações de José Reis não param. «Tive o privilégio de ter visto linces na Reserva da Malcata em 1987. Nessa altura havia linces na Malcata. Eu vi. Eu e vários camaradas desse curso.»
– Como eram as relações com as populações?
– As relações sempre foram as melhores. A Força Aérea deve está grata às populações de Penamacor, Sabugal e Almeida porque os nossos militares sentem-se como em casa. Os instruendos tinham como missão não ser vistos por ninguém mas, por vezes, surgiam «ajudas» dos residentes na zona porque achavam que os militares andavam com fome. Mas não diziam nada aos nossos agentes infiltrados. Só no exercício seguinte é que nos contavam os pormenores para que os alunos não fossem prejudicados.
– Os exercícios decorriam em «território amigo» do instrutor Reis?
– Os exercícios começavam em Setembro, por causa da Academia, e depois iam de Outubro até Março para ter a dificuldade acrescida do frio. Fiz e mantenho muitas amizades com pessoal da raia, nomeadamente, o senhor Manuel Zé, do Soito, que nos recebe sempre de forma extraordinária na sua quinta. Mas tenho mais amigos que gostava de destacar: o presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia do Soito, José Mendes Matias, o presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, e o presidente da Junta de Penamacor, o senhor Orlando, e o senhor Américo, entre outros.
– E na Freineda?
– Nos tempos da taberna do senhor Januário a Freineda era uma aldeia com muita vida. Tinha uma fábrica de moagem, uma estação de comboios, uma estação de Correios, tinha tudo o que era necessário para o desenvolvimento de um aldeia. Depois começou a emigração e… acabou o contrabando. E a Freineda apesar de não ter perdido a hospitalidade perdeu vitalidade.
– Bem perto a aldeia de São Sebastião é já considerada modelo…
– Sim. A aldeia de São Sebastião, com cerca de 70 habitantes, é uma anexa de Castelo Bom mas é de invejar o dinamismo da associação local e do seu presidente Joaquim Fernandes a quem aproveito para agradecer e dar o meu apoio pelo seu dinamismo e pela sua capacidade de lutar pela aldeia com alma e coração. No Lar, recentemente inaugurado, que mais parece um hotel os utentes têm todas as condições com muita qualidade de vida. Já este ano fizemos aqui na Base do Montijo um baptismo de voo para cerca de 90 crianças carenciadas organizado pela associação com o apoio do senhor general COFA.
– Actualmente é um dos responsável pela messe da Base do Montijo?
– Depois de ter passado 20 anos como instrutor do treino de evasão e sobrevivência tive um problema físico durante uma demonstração de helicóptero e foi convidado pelo comando a fazer parte da gerência da messe. A unidade tem mais de 800 militares e servimos, diariamente, cerca de 700 refeições.
– A gastronomia raiana é apreciada?
– Faço questão de divulgar a gastronomia raiana. Sempre que tenho um presente para oferecer trago um frasquinho de mel produzida pelo Amílcar Morgado da Freineda. É um dos mais conceituados produtores apícolas nacionais e faço questão de divulgar o seu «Mel da Freineda». Além disso sou um amante do bucho raiano. Há uma casa em Nave de Haver que faz uns buchos espectaculares e aproveito para os trazer para confeccionar almoços para grupos especiais. Na Freineda temos bons pratos como, por exemplo, o borrego. Agora inventaram mais um – o toston – um leitãozinho frito com alho.
– Como surge este «exercício» de antigos operacionais do Curso de Fuga e Evasão?
– Eu fiz parte do pessoal instrutor do curso de evasão e este ano por iniciativa do director do curso foi decidido juntar os antigos directores, subdirectores, agentes e neste momento estou com 72 inscrições. Não é um almoço. É um exercício especial que vai decorrer pela região raiana. A concentração está marcada para as 10 horas da manhã de sábado, dia 12 de Setembro, na Câmara Municipal de Penamacor de onde seguimos para as instalações da carreira de tiro da Meimoa. No castelo do Sabugal vamos aproveitar para tirar uma fotografia de grupo e vamos ser recebidos por representantes do Município e, de seguida, na «Casa do Castelo» e no CyberCafé «O Bardo» para um «exercício de Porto de Honra». Vamos passar pela vila do Soito, do amigo Matias, para uma prova com um aperitivo e a prova de sobrevivência está marcada para o TrutalCôa com truta frita e enchidos regionais. Cumprindo militarmente o roteiro vamos visitar o Centro Cívico dos Fóios para mais um «exercício» que servirá para dar início à «evasão» até Aldeia de São Sebastião. Para as 17:30 horas está marcada uma foto de grupo no monumento ao general Wellinton na Freineda.
– Este «exercício» demonstra que o José Reis sente a Raia?
– Sou um raiano convicto e tudo faço para divulgar a nossa região. Ainda não nos preocupam muito os problemas das cidades e por isso continuamos a ter muita qualidade de vida. Como costuma dizer o nosso conterrâneo professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, «nós somos de uma zona que quando se bate à porta primeiro mandam-nos entrar e depois perguntam-nos quem somos». Este «exercício» serve para divulgar a Força Aérea que tenho muito gosto em servir e para que as populações falem bem dos militares e os militares falem bem da nossa região.
A terminar aqui deixamos mais um curioso episódio da vida deste militar raiano. «Por alturas do São Martinho o José Mendes Matias, presidente da Junta de Freguesia do Soito, fez-me chegar uma encomenda com castanhas. Aproveitei para as enviar para os militares portugueses que estão no Afeganistão com um galhardete da Junta. Os elementos do contingente devolveram-no assinado por todos. Agora guardo-o, com muito orgulho, no meu gabinete.»

Aproveitámos para convidar José Reis a estar presente no dia 7 de Novembro, no próximo almoço em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano e a inscrever-se como confrade. O convite foi aceite.
jcl

O ministro do Ambiente, Nunes Correia e a sua homóloga espanhola, Elena Espinosa Mangana, assinaram em Penamacor esta terça-feira, 28 de Julho, Dia Nacional da Conservação da Natureza, um protocolo para a cedência de 20 linces nascidos em cativeiro em Espanha.

Reserva Natural da Serra da Malcata - Foto jusnmarO presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, foi o anfitrião da cerimónia de assinatura do protocolo para a introdução na Serra da Malcata de linces nascidos em Espanha. O Fado, o Eucalipto, a Espiga e a Erika são alguns dos 20 linces (14 machos e seis fêmeas) integrados no Plano de Acção para a Criação em Cativeiro do Lince Ibérico que prevê a implementação em Portugal, no prazo máximo de três anos, de um programa detalhado para a reintrodução dos animais nas zonas de habitat histórico da espécie.
O ministro Nunes Correia afirmou que «a Serra da Malcata é uma zona de eleição e será uma das primeiras regiões a receber o lince». O governante e a sua homóloga espanhola sublinharam a importância do esforço conjunto dos dois países para a recuperação da emblemática espécie ibérica.
O presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão manifestou na sessão de assinatura do protocolo a vontade de receber linces. «O que queremos é o lince, porque o lince é de cá», acrescentando para reforçar o desejo que o município já registou a marca «Terras do Lince».
A Reserva Natural da Malcata, criada em 1981, está a tentar aumentar a densidade média de coelho-bravo (que representa 80 por cento da alimentação do lince). Em algumas zonas conseguiu passar de um coelho por hectare para cinco, no período de 1997 a 2006. Para isso promoveu o refúgio ao abrir clareiras e plantar centeio, construiu 180 abrigos e, em 1994 e de 1997 a 2003, repovoou a zona com 1200 coelhos.
Actualmente, Espanha tem 77 linces nos seus centros de reprodução em cativeiro. Os 20 animais que foram cedidos a Portugal virão de El Acebuche (em Doñana), La Olivilla (Raen) e de Jerez de la Frontera.

Os registos indicam 1992 para o último lince avistado em liberdade na Serra da Malcata «penamacorense».
jcl

O presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, anunciou que o Ministro do Ambiente virá a Penamacor no 28 de Julho para assinar um protocolo que visa a instalação de um centro de aclimatação do lince ibérico na Reserva Natural da Serra da Malcata.

Nunes CorreiaSegundo a edição on-line do jornal Reconquista, de Castelo Branco, a novidade foi avançada pelo presidente da Câmara na inauguração da Feira das Actividades Económicas de Penamacor, que decorre até domingo.
Nunes Correia corresponde assim a um compromisso assumido aquando da decisão de instalar em Silves, no Algarve, o Centro de Reprodução do Lince Ibérico, facto que na altura motivou fortes criticas dos autarcas de Penamacor e do Sabugal.
Reagindo aos protestos, o ministro do Ambiente prometeu que Malcata receberia linces do Centro de Reprodução algarvio, sendo o agora anunciado centro de aclimatação o primeiro passo nesse sentido.
O protocolo será assinado com Espanha, país que cedeu animais ao centro de reprodução, assim garantindo que o Lince Ibérico voltará a viver no território português.
Tenha-se em conta que a Serra da Malcata, cujo território é repartido pelos Municípios do Sabugal e de Penamacor, foi o último habitat do lince em Portugal.
A escolha do Algarve para instalação do centro de reprodução foi porém justificada pelo governo com o facto de a mesma ter sido suportada pela empresa Águas do Algarve, como medida de compensação pela construção de uma barragem.
Domingos Torrão sente ter valido a pena protestar: «Nós não queremos que o lince nos fuja, nós queremos que o lince seja uma mais-valia para Penamacor», disse o autarca, citado pelo Reconquista.
plb

No último fim-de-semana de Junho o Festival da Comenda na praia fluvial da Meimoa, no concelho de Penamacor, é o lugar certo para aliviar do stress. Um arraial popular, festival de folclore, danças e canções tradicionais, percursos pedestres e provas de btt vão animar a Princesa da Cova da Beira.

Festival da Comenda - Meimoa - PenamacorO Festival da Comenda na Meimoa, concelho de Penamacor, está marcado para o último fim-de-semana de Junho. Nos dias 27 e 28 a praia fluvial da Meimoa é o lugar certo para aliviar do stress do dia-a-dia
A Meimoa, princesa da Cova da Beira, é um lugar paradisíaco no Verão e o mais fresco da Beira Baixa e já há quem lhe chame a Cascais da Beira Baixa.
No sábado à noite, a partir das 21 horas, deliciem-se a ver e ouvir as danças e canções tradicionais no Festival de Folclore com as participações dos Narcisos de Manteigas, do Rancho Folclórico de Cebolais, Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sôr e os Grupo de Cantares do Meimão e da Meimoa.
No domingo comece a manhã a pedalar (ou a caminhar) e ganhe uma bicicleta, um capacete, uma t-shirt e o almoço por 70 euros. Pode inscrever-se já comodamente na Internet.
Entretanto satisfazendo o pedido de muitas pessoas haverá um percurso pedestre ao longo das margens do rio para os que não sabem andar de bicicleta com direito a almoçar por apenas 10 euros. Em alternativa os participantes podem almoçar nos dois excelentes restaurantes da Meimoa.
Ao fim da tarde estão todos convidados para ser divertirem no arraial dos Santos Populares da Praia Fluvial.
Juntam-se neste evento uma série de circunstâncias que o tornam muito atractivo: Meimoa foi Comenda da Ordem de Avis durante mais de 400 anos e sobre ela se prepara um livro para este ano, razão mais do quesuficiente para a designação do evento; durante a tarde, quem for amante da náutica poderá ir até à Barragem da Ribeira da Meimoa e aí passar a tarde a refrescar-se; à noite haverá arraial dos santos populares com as tradicionais sardinhadas e fogueira popular; na noite do dia anterior (27 de Junho) haverá na aldeia, um vistoso e alegre festival de folclore, com cinco grupos de dança e cantares; poderá ainda saborear a gastronomia local, feijoada, ensopado de borrego e outras iguarias servidas na praia ou nos dois restaurantes da aldeia. Tudo isto no espaço encantador e repousante da praia fluvial da Meimoa. A organização está a cargo da Associação Cultural, Desportiva e Recreativa Amigos da Meimoa, da Junta de Freguesia da Meimoa, do Centro de Dia São Domingos da Meimoa e do Grupo de Cantares da Meimoa e o apoio da Câmara Municipal de Penamacor.
Não há, portanto, qualquer desculpa para se ficar em casa a matutar na crise! Venha à Meimoa e divirta-se!

Atenção que já faltam poucos dias para encerrar as inscrições do «Bike da Comenda».
Para mais informações consulte a página do Festival.
Aqui.
António Cabanas

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, admitiu em declarações ao jornal «Reconquista» que a Reserva Natural da Serra da Malcata poderá vir a acolher alguns linces ibéricos nascidos em cativeiro provenientes de Espanha. Mas… tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho naquela zona protegida.

Reserva da Malcata - Sabugal - PenamacorO Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, inaugurado em Silves (Algarve) em Maio, está pronto para receber em breve os primeiros felinos.
Nunes Correia, ministro do Ambiente, em declarações ao jornal «Reconquista» admite que a serra da Malcata também poderá vir a acolher alguns linces mas tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho, principal alimento do lince, na serra situada entre os concelhos do Sabugal e de Penamacor.
Recorde-se que a instalação do Centro de Reprodução do Lince Ibérico no Algarve foi contestada pelas autarquias do Sabugal e de Penamacor, que partilham o território da Reserva Natural da Serra da Malcata, criada em 1981 no âmbito de uma campanha pela preservação do lince.
O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), Tito Rosa, confirma que «há dificuldades na reintrodução da população de coelhos nesta área protegida. Actualmente quase não há coelhos na serra da Malcata, devido à caça e à prevalência de doenças que, nos últimos anos, dizimaram a presa. Por isso, a reintrodução do lince na Serra da Malcata ainda é uma incógnita, apesar de nos próximos meses estar prevista a chegada a Portugal de alguns destes animais, provenientes do parque de Doñana, em Espanha».
jcl (com jornal «Reconquista»)

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu um computador e ouviu funcionários da Câmara de Penamacor na sequência de denúncias contra a autarquia, segundo informou ontem o presidente do município, Domingos Torrão (PS), no decurso de uma reunião pública do executivo, em resposta a questões dos vereadores da oposição.

PenamacorSegundo uma notícia entretanto divulgada pela agência Lusa, Domingos Torrão não revelou contudo pormenores sobre as diligências da PJ, nem sobre as matérias em causa.
Domingos Torrão informou que a Judiciária está a averiguar assuntos anteriores a Janeiro de 2002, o que abrange a época em que foi vice-presidente da autarquia, antes dos dois mandatos que viria a liderar.
Questionado pela agência Lusa, o autarca recusou-se a adiantar mais pormenores.
«Não fui ouvido, nem ninguém do executivo», referiu. «Perguntaram-me apenas se queria colaborar, respondi que estamos de portas abertas», sublinhou, referindo que na quinta-feira houve funcionários da autarquia ouvidos pela PJ no posto da GNR.
Entre as diligências efectuadas, os quatro elementos da Judiciária apreenderam «um computador». «Não sei o que lá estava», referiu o presidente do município.
Durante a reunião do executivo, Domingos Torrão referiu que a acção da PJ teve por base «exactamente o mesmo que se tem passado nos últimos anos: denúncias anónimas».
Domingos Torrão aludiu a correspondência «para a Inspecção-Geral de Administração Local (IGAL), Procuradoria e Polícia Judiciária feita ao longo dos anos» e que também já levou a IGAL à autarquia.
«Ainda bem que a IGAL já esteve, fez um relatório, exercemos o contraditório e aguardamos agora o relatório final», referiu.
«Continuamos disponíveis para colaborar com todas as entidades, sejam elas quais forem». «Aguardamos serenamente que tudo isto chegue ao fim», concluiu o autarca.
plb

O Clube Automóvel 6 Kinas nasceu no ano de 2002 quando seis amigos decidiram comprar um terreno e definir um traçado competitivo para provas automobilistas em terra batida. O circuito recebeu o nome de «Pista da Galgueira» e situa-se muito perto da estrada que liga Aldeia de Santo António a Sortelha. A primeira prova de 2009 integrada no 5.º Troféu Inter-Regional de Autocross, Kartcross e Moto4 dos concelhos do Sabugal, Penamacor, Belmonte e Mação, tem lugar no domingo, 24 de Maio.

Pista da GalgueiraO Clube Automóvel 6 Kinas, nasceu no ano de 2002, quando seis amigos, depois da compra de um terreno decidiram começar a fazer corridas de automóveis em terra batida. Nesse tempo era um desporto completamente subdesenvolvido, ou mesmo inexistente, no concelho do Sabugal.
Os seis amigos, que deram o nome ao clube, razão dos seis kinas e não cinco quinas, como seria mais lógico, tinham como grande impulsionador na ideia, João Rabaço, já experiente neste tipo de desporto. Os restantes elementos do grupo eram Nélson Borges, Carlos Borges (Calucha), Daniel Vinhas, Daniel Pereirinha e Miguel Batista.
Nos dois primeiros anos foram ocupados na realização do traçado da pista, considerada por muitos uma das melhores a nível nacional, no que diz respeito à visibilidade do publico, à criação da associação, o que viria a acontecer em 2004 e à realização de algumas corridas, para testar a capacidade dos seus organizadores.
No ano de 2005 o «Clube Automóvel 6 Kinas», juntamente com a «ADEP» de Penamacor, criou um troféu Inter-Regional de Autocross, que cumpre em 2009, com uma difusão e organização considerável, a sua 5.ª edição.
Os troféus tiveram a participação de pilotos do Sabugal, Penamacor e Caria (2005); Sabugal, Penamacor e Castelo Branco (2006); Sabugal, Penamacor, Castelo Branco e Mação (2007); e Sabugal, Penamacor, Belmonte e Mação nas edições de 2008 e 2009.
O «Clube Autómovel 6 Kinas» é, actualmente, presidido por António Morgado, tendo já sofrido algumas alterações a nível dos seus criadores e corpos gerentes.
É objectivo da colectividade homologar a pista da Galgueira, em Aldeia de Santo António, no concelho do Sabugal, visando num futuro não muito longínquo, a possibilidade de integração da mencionada pista, no Nacional de Autocross.
Existe igualmente por parte do clube a intenção de desenvolver outras actividades no mencionado espaço, sempre com a intenção de dinamizar o gosto pelo desporto automóvel e por consequência o Concelho do Sabugal.
No sentido de melhorar as condições da pista da Galgueira, tanto a nível técnico para uma posterior homologação federativa, como para beneficiar as condições de funcionamento e bem-estar do público, este clube conta com a ajuda da Câmara Municipal do Sabugal e com o esforço dos criadores e sócios desta associação. Os dirigentes do clube, com espírito de sacrifício e iniciativa, tentam acrescentar outros focos de interesse ao nosso concelho, podendo no caso de ser bem sustentado e apoiado criar benefícios para o mesmo, nomeadamente ao nível de animação, visibilidade e turismo.
Daniel Vinhas

No dia 1 de Maio os Bombeiros Voluntários de Penamacor vão realizar o I Convívio de Futebol 11 D. Sancho I no Estádio Municipal de Penamacor.

Convívio dos Bombeiros de PenamacorAs condições de participação no convivo é ser Bombeiro na Associação de Penamacor, independentemente se o é no Corpo Activo, Quadro de Honra ou Reserva, também se aceitam inscrições de elementos que tenham abandonado a Associação por motivos profissionais ou pessoais, os inscritos devem possuir equipamento adequado à pratica desportiva sendo obrigatório levar duas camisolas uma branca e uma azul.
No final do jogo será realizado um almoço convívio com o contributo de todos os participantes.
As inscrições devem ser feitas pelo telefone 277 394 122, na Central de Rádios da Associação, através do email lfbdcruz@sapo.pt e no endereço http://bvpenamacor.hi5.com.
lfbdcruz

A decisão dos deputados da Assembleia da República de deixarem de chamar autistas aos seus pares foi a primeira a ser tomada no Parlamento português em consequência de uma observação suscitada por uma cidadã no Twitter. O deputado socialista de Penamacor, Jorge Seguro, reencaminhou o «desafio» para outros deputados que também usam o Twitter e seria Luís Carloto Marques (MPT-Partido da Terra) a formalizar a proposta ao presidente da Assembleia da Republica, Jaime Gama, que a levaria à conferência de líderes parlamentares onde seria aprovada por unanimidade.

Luís Carloto Marques, Jorge Seguro, José Carlos Lages, José Morgado e Luís AntunesAna Martins, de 45 anos, autora de livros e textos vários sobre autismo, utilizou o Twitter para perguntar ao deputado socialista Jorge Seguro se «quando os senhores deputados se estão a mimosear entre pares seria possível não se denominarem autistas». A questão foi colocada, no dia 25 de Março, pela mãe de um autista numa conversa através daquela chamada «ferramenta» social – onde se pode escrever 140 caracteres de cada vez que ficam imediatamente disponíveis – com o deputado Jorge Seguro a 25 de Março.
Luís Carloto Marques, deputado do Movimento Partido da Terra eleito nas listas do PSD, revelou à agência Lusa que há alguns meses vinha recolhendo exemplos de utilização no Parlamento de termos depreciativos e concluiu que nos últimos quatro anos as palavras «autista» e «autismo» constavam em 157 páginas de 123 edições do Diário da Assembleia da República. O facto do «desafio» ter sido feito próximo do dia 2 de Abril, Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, veio acelerar a iniciativa que Carloto Marques disse ter previsto.
Jorge Seguro, que diz ter sido o primeiro deputado a aderir ao designado micro-blogging, há apenas três meses, considerou que este caso inédito em Portugal é um «bom exemplo de como as novas tecnologias podem funcionar ao serviço da cidadania» e Carloto Marques acrescentou que «se trata de mais uma forma de aproximação entre os cidadãos e os deputados que os representam». O deputado do MPT-Partido da Terra defendeu, ainda, que o Twitter é o «método mais rápido que existe para, entre outras situações, os cidadãos poderem fazer chegar propostas, ideias, críticas ou só acompanhar as iniciativas dos deputados aderentes que no Parlamento português» diz «serem, actualmente, cerca de 60 dos 240 eleitos».
Apesar deste exemplo da «utilidade social» do Twitter, o jornalista Paulo Querido lamentou que «só alguns deputados e raros políticos, principalmente de pequenos partidos e movimentos, o utilizem para chegar junto dos cidadãos» acrescentando que «num ano em que vão realizar-se três eleições (europeias, legislativas e autárquicas) no País, a campanha dos políticos ainda não chegou ao Twitter».

Na foto os deputados Luís Carloto Marques e Jorge Seguro durante uma visita à Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa.
jcl

Há 17 anos, na Primavera de 1992 fiz a rodagem do meu carro até ao Sabugal e daí encetei uma viagem, por estradas secundárias pela Sierra de Francia até Miranda del Castañar e Peña de Francia, tendo como acompanhantes um casal de sabugalenses e um dos meus filhos que filmou grande parte da viagem.

José MorgadoResumidamente o trajecto foi o seguinte: Sabugal, Meimão, Penamacor, Valverde del Fresno, Hoyos, Vilasbuenas da Gata, Herman-Perez, Vilaneuva de la Sierra, Pinofranquiado, Caminomorisco, So(i)toserrano, Cepeda e Miranda del Castañar (que visitamos) e finalmente subimos a Peña de Francia (Penha de França).
A Sierra de Francia é um atractivo turístico por excelência e veste-se de verde principalmente na Primavera. A sua complexa geografia com altos cumes, vales profundos, declives e encostas, beneficia quer do clima atlântico quer do mediterrânico.
Nas suas terras encontra-se a mais variada vegetação em que convivem a natural e a introduzida pelo Homem numa panóplia de espécies que transformam o solo num apreciado jardim que os salamantinos chamam «un paraíso cercano».
Senhora da Peña de FranciaMiranda del Castañar (em português-Miranda do Soito de Castanheiros) é uma vila, de rara beleza, construída no cimo de uma colina, a partir da qual se pode avistar grande parte da Serra. Possui um castelo do Séc. XIV e á frente do castelo encontra-se a mais antiga praça de toiros de Espanha. A povoação é amuralhada e de ruas compridas e estreitas.
A Peña de Francia é uma montanha com 1783m2 e um lugar de culto há muitos séculos, onde veneram a imagem da Virgem Negra que se encontra no Santuário ou Mosteiro existente no cume da montanha. Para chegar lá, foi preciso um pouco de coragem porque o acesso é muito íngreme, tortuoso e estreito. Ainda havia bastante neve o que dificultou a subida de carro e por desconhecimento abordamos o pior caminho.
Peña de FranciaChegados lá, só encontrámos dois ou três visitantes. Foi-nos dito pelo monge dominicano, responsável pelo Santuário que no Verão é que aportam muitos peregrinos. Contou-nos as origens da devoção a esta imagem que remontam há Idade Média e as peripécias por que passou e caminhos que percorreu um jovem até encontrar a referida imagem.
De regresso apanhamos a melhor descida no sentido das povoações de El Cabaco, El Mailo, Moras Verdes, Tenebron, Ciudad Rodrigo, Fuentes e Vilar Formoso.
Para quem quiser visitar este santuário (espero, que passados 17 anos os itinerários estejam melhorados) o mais rápido deve ser de Ciudad Rodrigo, seguir no sentido de Béjar, passar por Moras Verdes, El Mailo e no próximo cruzamentos seguir á direita conforme indicação da placa «Peña Francia». Boa Viagem.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

O vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, foi eleito presidente do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata.

Serra da MalcataO artigo 8.º do Decreto-Lei nº 136/2007, de 27 de Abril que procedeu à reestruturação do antigo Instituto da Conservação da Natureza em Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), criou a figura de Conselho Estratégico das Áreas Protegidas de interesse nacional, de modo a potenciar o relacionamento com todos os actores que interagem nas áreas protegidas, tendo em conta a transversalidade que se exige da gestão activa da conservação da natureza e da biodiversidade, os quais serão compostos nos termos aí previstos.
Tais conselhos assumem no âmbito da nova orgânica, a dignidade de órgãos do ICNB, I.P., isto é, não são já apenas instrumentos locais de consulta, mas sim agentes do próprio órgão da administração indirecta do Estado.
Em particular, a participação das autarquias locais é reforçada pelo posicionamento institucional dos conselhos estratégicos, estando deste modo ligadas de forma mais profunda e influente à estratégia de gestão da conservação da natureza e da biodiversidade no universo que representam.
Nestes termos, ao Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata foi proposta a seguinte composição representativa das entidades:
– ICNB, I.P., Instituto das Florestas, Direcção-Geral de Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, Câmara Municipal de Penamacor, Câmara Municipal do Sabugal, Juntas de freguesia da Malcata, Meimão, Meimoa, Penamacor, Quadrazais, Vale de Espinho, Organizações não governamentais de ambiente de âmbito regional ou de âmbito nacional com intervenção na área da Reserva Natural, exercendo mandato único em sistema rotativo anual, associações representativas dos sectores económicos consideradas em conjunto em sistema rotativo, pelo período de um ano.
– A primeira reunião do Conselho Estratégico da Reserva Natural da Serra da Malcata, decorreu neste passado dia 19 de Março, onde se entendeu proceder a alguns afinamentos posteriores, relativamente à constituição de elementos que passarão ou não a integrar definitivamente o Conselho. Nomeou-se um presidente – Dr. António Cabanas – para os dois próximos anos, em sistema rotativo entre as duas Câmaras. A aprovação do regulamento ficou ainda agendada para posterior reunião.
António Moura

Em tempos, julgava que o Meimão era uma das quarenta freguesias do Sabugal. Fica mais próxima deste concelho, que de Penamacor de que dista 30 quilómetros a norte; a Secção da GNR pertencia ao Posto da GNR do Sabugal e anda hoje à diocese da Guarda.

José MorgadoNo entanto esta freguesia, pertence e sempre pertenceu ao concelho de Penamacor, sendo uma das suas 12 freguesias. Actualmente não deve ter mais de 500 habitantes.
O que me levou a debruçar sobre o Meimão, prende-se com as seguintes razões:
– É a freguesia, deste concelho, no coração da Reserva da Malcata, que fica mais a norte da Beira Interior Sul, na zona de transição entre a também chamada Terra Fria e as regiões do Sul. Confina com as Terras do Riba Côa e portanto a ultima freguesia a Nordeste do distrito de Castelo Branco. Os seus limites dividem águas, umas a caminho do Rio Douro, outras para Sul, a desaguar no Rio Zêzere que as leva para o Rio Tejo. É aqui também (à semelhança de Quarta-Feira) que a zona de montanha se separa da depressão da Cova da Beira. O clima é igualmente de transição, com Verões demasiado quentes e Invernos frios, mas cujos nevões não atingem a intensidade dos do Sabugal. Abunda o castanheiro, o carvalho e o medronheiro que coabitam com a oliveira, alguns sobreiros e azinheiras;
– É a freguesia das redondezas (até prova em contrário) onde se encontram mais rapazes solteiros (42) contra uma única solteira que ainda por cima namora rapaz de «fora» (vidé: Reportagem da SIC);
– Ser demasiado redundante falar unicamente nesta rubrica «Terras entre Côa e Raia» quando os nossos vizinhos têm tantas afinidades connosco;
– Porque qualquer povoado por mais pequeno que seja, tem a sua história, costumes, hábitos e tradições, em muito semelhantes às freguesias circundantes mas com algumas particularidades e evolução social e económica que merecem divulgação.
Segundo Joaquim Tomás, com raízes em Meimão, «a história de Meimão é caracterizada por duas fases bem distintas, um longo período de isolamento e obscurantismo até meados do Sec.XX. Outra, nas últimas décadas, em que se transformou num das aldeias modelo do concelho, com acontecimentos ligados à presença do Padre José Miguel Pereira (natural do Soito) e à construção da barragem».
MeimãoGeograficamente, o Meimão, situa-se num vale profundo, num dos contrafortes da Serra da Malcata, zona também raiana, é atravessado pela Ribeira do Arrebentão, afluente da Ribeira do Alízio (mais conhecida por ribeira da Meimoa).
Está situado entre quatro montes com altitudes superiores a 800 metros, escondendo a povoação (visto de cima, Meimão parece estar no fundo de um alguidar conforme descrição do Pe. António Marques).
Para lá chegar, vindo do Sul, em Penamacor segue-se para Norte no sentido Sabugal e corta-se à direita pela estrada da Carreira de Tiro. Vindo do Sabugal apanha-se a EN233 em direcção a Penamacor e ao 5,5 km vira-se à esquerda para Meimão (Guia Turístico de Manuel da Silva Ramos). Assim, só se entrava e só se saia do Meimão, por itinerários acidentados e íngremes, mas é esta particularidade, que lhe confere características próprias.
Mas actualmente para quem não tem viatura TT, para chegar lá, o acesso é fácil a partir da EN322, passando junto ao paredão da barragem, pela margem direita da Ribeira do Alízio.
Demasiado afastada dos centros urbanos e das redes de comunicação, Meimão tem sofrido, ao longo dos anos as consequências da interioridade e do isolamento (M. Lopes Marcelo, 1993) O isolamento era de tal ordem que constituía uma fatalidade. Ninguém se referia a ela, quando por ela passava. A descrição mais representativa, com que termino, é de Alexandre Herculano, que por volta de 1853, refere nos seus apontamentos de viagem pelo país o seguinte:
«…paramos para almoçar do farnel na aldeia da Orgueira (…) Saindo da vila [Sabugal] em direcção a Penamacor, caminhamos por entre matas cerradas de carvalhos (…) entra-se na serra das Aguça doiras [local próximo, onde actualmente se encontra o depósito para abastecimento da água a Meimão], terreno inóspito, matos rasteiros, com raras excepções, tudo parece inculto, verdadeira imagem do deserto.Descida para um vale extenso [Ponte da Pedra] onde aqui e acolá no meio dos matos se vê raro olivedo ou campo cultivado: meia légua pelo vale abaixo, a pequena aldeia da Meimoa. Aí comemos queijo e peras numa taberna.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

António Cabanas, vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, escritor nos tempos livres, lançou mais uma obra sobre o concelho de Penamacor a que chamou «Eh! Madeiro! – Símbolos e Tradições de Natal». Depois de «Carregos» e de «Meimoa de Ontem e Hoje» deu, agora, à estampa uma pesquisa sobre os significados e tradições das festas do Natal nas aldeias raianas das nossas Beiras.

«Eh! Madeiro!» de António CabanasO vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, António Cabanas, publicou mais um livro sobre as terras raianas do seu concelho. «Eh! Madeiro! – Símbolos e Tradições de Natal» surge depois de «Carregos – um estudo sociológico sobre o contrabando na Raia Central» e de «Meimoa de Ontem e de Hoje», uma monografia sobre a sua terra natal.
Do prefácio assinado pelo ilustre jornalista Fernando Paulouro Neves destacamos a seguinte passagem:
«António Cabanas vai ao fundo das coisas, na decifração histórica e cultural, na configuração identitária das vivências, no cruzamento da realidade próxima com o contexto universal que porventura as explica.
António Cabanas é um investigador que tem dado particular atenção a temáticas da região, seja o contrabando, com as suas fantásticas histórias afluentes, seja a história local, como o seu livro monográfico sobre a Meimoa.
Uma sensibilidade muito própria para as questões da memória, no plano documental ou oral, retirando da opacidade e do silêncio rostos, acontecimentos, nomes, construindo uma narrativa que se projecta sobre o futuro.
Em certo sentido, Eh! Madeiro! – Símbolos e Tradições de Natal é o retomar dessa aventura, desta vez percorrendo territórios em que o simbólico, com a  complexidade dos vários tempos que carrega, joga um papel fundamental. Mas, do mesmo passo, o investigador não esquece as particularidades dos lugares, o fio condutor das tradições que, mesmo em tempo de aceleração da história, resistem ou se adaptam lentamente às mutações sociais.
Eh! Madeiro! – Símbolos e Tradições de Natal combina subtilmente a dimensão antropológica com a simplicidade de escrita, sempre valorizando a memória das palavras (a poesia, os cantares) e dos gestos colectivos (Eh! Madeiro!), numa belíssima viagem aos territórios fantásticos da infância e à geografia sentimental dos lugares que guardamos como intocáveis reservas de memória.
“O Natal é tempo da luz”, diz o autor. E talvez aí resida, também, o fascínio de uma viagem que não tem começo nem fim, como o livro de areia de que falava Borges.»
A tradição é fundamental para preservar e cimentar a coesão e a identidade dos povos. Ela representa para uma comunidade o que a linhagem e a memória representam para o indivíduo. Porém, ao contrário do que pensam alguns, a tradição e o conjunto de rituais que geralmente lhe estão associados, não são imutáveis nem ficam petrificados no tempo. Antes, evoluem e modernizam-se com novos elementos. Não há tradição sem modernização e vice-versa. O progresso é um processo hereditário e evolutivo que depende da tradição: progride-se acumulando, capitalizando, enriquecendo com novos conhecimentos e novas práticas o legado das gerações precedentes.
A tradição natalícia está, como nenhuma outra, profundamente enraizada na matriz cultural dos povos cristãos e tem cada vez maior influência em povos de outras origens religiosas. Ela exprime uma multiplicidade de valores sociais e humanos como os da solidariedade, da família, da felicidade e da paz.
Socorrendo-se de uma abordagem antropológica e etnográfica, António Cabanas ajuda-nos, com esta obra, a entender a complexa arquitectura simbólica do Natal, quer na sua perspectiva histórica, quer diacrónica.
A edição (excelente presente de Natal) da Artemágica Produções, tem fotos de autores da Beira Interior e está à venda nas Livrarias Bertrand, Bulhosa e Fnac. E também no Quiosque do Sabugal e, claro, na Casa do Castelo de Natália Bispo.

Parabéns ao autarca-escritor (ou será escritor-autarca) que vai eternizando para os vindouros as histórias das «nossas» tradições raianas.
jcl

A marca «Terras do Lince» está já em alguns produtos tradicionais de Penamacor, como mel, queijo e azeite, podendo em breve alargar-se também a produtos genuínos do concelho do Sabugal.

QueijoSegundo notícia do semanário «Reconquista», de Castelo Branco, a Câmara Municipal de Penamacor aproveitou a marca «Terras do Lince» para rotular alguns dos produtos originários do concelho. A estrear são três os produtos que já ostentam o novo rótulo: queijo, mel e azeite.
Duas empresas instaladas no concelho de Penamacor, Meimoacoop e Penazeites, beneficiaram de uma parceria firmada com o Município, que em breve poderá alargar-se a mais empresas e a outros produtos de origem local. Os enchidos poderão ser o próximo produto a usufruir da denominação, que aproveita a referência à imagem do lince, que até há pouco tempo povoou a Serra da Malcata, e onde está previsto ser re-instalado.
Segundo o semanário albicastrense o presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, diz que «a única forma de fixarmos gente é ter alguma coisa para produzir (…) nós não podemos pensar em grandes unidades fabris mas nas pequenas coisas todas somadas».
Também o presidente da Câmara do Sabugal, Manuel Rito, falou com o jornal «Reconquista», considerando a hipótese do seu concelho dar em breve o mesmo passo, considerando que a comercialização de produtos associados ao lince «pode trazer mais-valias a todos os produtores que por aqui resistem».
Em declarações ao Capeia Arraiana o presidente do Município do Sabugal declarou que «Terras do Lince é uma marca-chapéu conjunta dos dois territórios e que os produtores regionais e artesanais de produtos rurais vão poder usar o nome que passará a estar certificado com garantias de qualidade».
plb

A Tecneira é uma empresa do Grupo ProCME que desenvolve a sua actividade na área das energias renováveis. Tem em fase de conclusão um parque eólico (25 MW) no Sabugal e iniciou a construção de um parque fotovoltaico com a potência de 10 MW em Ferreira do Alentejo.

EólicasO Grupo ProCME é constituído por um conjunto de empresas que desenvolvem a sua actividade na área da engenharia de serviços com alta incorporação tecnológica. Tem presença física em vários países, nomeadamente Brasil, França, Moçambique e África do Sul, contando actualmente com cerca de 1600 trabalhadores.
A Tecneira faz parte do universo do ProCME e aposta forte nas energias renováveis com investimentos na energia solar e na eólica.
A empresa tem em construção um parque fotovoltaico em Ferreira do Alentejo com uma potência de 10 MW, envolvendo um investimento de 45 milhões de euros e deverá iniciar a exploração em Setembro de 2009.
Para o final do ano de 2009 está prevista a entrada em funcionamento do parque solar fotovoltaico (5 MW) de Villanueva de Córdoba em Espanha no valor de 23,5 milhões de euros.
Na energia eólica a Tecneira tem actualmente em exploração 95 MW no concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, 3,34 MW em Alrota no concelho do Loures e está em fase de conclusão (prevista para Dezembro) a instalação de 25 MW no concelho do Sabugal.
jcl

O Secretário de Estado das Obras Públicas esteve ontem, dia 20 de Outubro, na vila raiana de Penamacor, onde laçou o concurso de requalificação da Estrada Nacional nº. 346, através da qual terá uma ligação melhorada à Auto-estrada da Beira Interior.

A obra, que custará 35 milhões de euros, será concluída no ano 2010 e prevê uma substancial melhoria nos cerca de 20 quilómetros de estrada, que separam Penamacor da A23. Para além das obras na EN 346, o projecto contempla ainda a construção de uma variante entre a Capinha e a A23, de forma a tornar mais rápida a ligação rodoviária.
Paulo Campos destacou a importância da obra no contexto regional, pois a mesma é fundamental, não apenas para aproximar Penamacor da auto-estrada, mas também para permitir às pessoas uma rápida ligação a Espanha. Quem circula na A23 poderá chegar rapidamente a Espanha, via Penamacor, de onde seguirá para Valverde del Fresno.
O presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, considerou que a obra é de primordial importância para o concelho. Os penamacorenses ficarão menos isolados e Penamacor ganhará capacidade de captação de visitantes.
A obra faz parte do Plano Rodoviário Nacional.

Este exemplo de Penamacor deve inspirar os autarcas do Sabugal, que igualmente podem apostar numa ligação à A23 custeada pelo Governo, ao invés de ser o orçamento do Município a arcar com uma obra cuja execução parece ficar para as calendas gregas.
plb

A 26.ª edição do Raid Transportugal Accenture vai percorrer os tesouros naturais da Beira Alta e da Beira Baixa nos dias 20 e 21 de Setembro. A Serra da Malcata, o Sabugal e a aldeia histórica de Sortelha, com paragem para almoço, fazem parte do itinerário deste ano.

26 TransportugalAs paisagens raianas vão servir de cenário à passagem dos participantes na 26.ª edição do Transportugal Accenture que decorre no sábado e domingo, 20 e 21 de Setembro, organizado pela Megre Motorsport e pelo Clube Aventura.
A edição de 2008 apresenta um percurso mais curto dividido em duas etapas de 200 quilómetros com três exercícios de regularidade e um de navegação e inclui a passagem por dois troços todo-o-terreno (um rápido e outro trialeiro de montanha) que têm sido utilizados no Rali Transibérico. Transposição de obstáculos e diversos obstáculos de campo farão também parte da ementa desta expedição.
No sábado o almoço será em Sortelha depois de 100 quilómetros de pistas com partida de Monfortinho e passagem por Aranhas, Penamacor, Meimoa, Meimão, Malcata, Sabugal e Sortelha. Na parte da tarde os concorrentes passam por Proença-a-Velha, Idanha-a-Velha e chegada a Monfortinho.
No domingo, segundo dia da competição, o percurso está marcado entre Monfortinho, Penha Garcia, Salvador, Penamacor e aldeia de Águas com paragem para almoço. Antes do regresso a Monfortinho por Medelim e Monsanto os participantes terão oportunidade de visitar em Águas a Feira do Coleccionismo e do Veículo Antigo da Beira Baixa e a exposição de viaturas clássicas, miniaturas, brinquedos e vários outros objectos coleccionados por José Megre.
jcl

O Secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, deslocou-se ontem, 2 de Maio, a Penamacor, onde anunciou o Plano de Acção para a Conservação do Lince-Ibérico, afirmando que a serra da Malcata tem as melhores condições para receber novas espécies.

Humberto Rosa«Os Municípios de Penamacor e Sabugal querem receber o lince ibérico e esperamos que nos apoie», disse o presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, ao secretário de estado, querendo que assim se reponha a injustiça da instalação do centro de reprodução do lince em Silves em detrimento da Malcata, terra histórica da espécie em Portugal.
O Plano de recuperação do lince foi recentemente aprovado por despacho conjunto do Secretário de Estado do Ambiente e do Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Florestas. Humberto Rosa veio agora apresentar na região esse plano, para assim potenciar a ligação da Serra da Malcata aos objectivos do Plano.
Humberto Rosa anunciou na cerimónia que a zona da Serra da Malcata «tem as condições apropriadas» para receber um centro de reintrodução experimental do lince ibérico. Em declarações à Lusa afirmou ainda, em relação à recuperação do lince, que «Não basta criá-lo em cativeiro, depois são necessárias medidas para o devolver à natureza. É por isso que este plano faz toda a diferença».
O plano inclui a instalação de um centro de reprodução em cativeiro, em Silves, tal como o Ministro do Ambiente, já havia anunciado. Este centro irá receber já em 2009 linces de Doñana, colónia de lince existente na Andaluzia, Espanha.
«Em 2012, esperamos poder ter os primeiros exemplares prontos para serem introduzidos no habitat natural», referiu Humberto Rosa. Neste ponto, apesar de remeter uma decisão oficial para «estudos posteriores», admitiu que o cercado vigiado onde os linces criados em cativeiro vão ter o primeiro contacto com a natureza venha a ser instalado na Reserva Natural da Serra da Malcata. «Esta zona tem as condições apropriadas para esse fim», referiu ainda à Lusa.
A zona da Malcata faz parte das áreas prioritárias de intervenção do Plano de Acção, onde se incluem Nisa/Lage da Prata, São Mamede, Moura/Barrancos, Guadiana, Monchique, Barrocal e Caldeirão.
Humberto Rosa prometeu estudar outros projectos apresentados pelo presidente da Câmara de Penamacor, como um parque temático na zona da Malcata.
Domingos Torrão anunciou que o município já registou a marca «Terras do Lince», com vista ao aproveitamento da história da região ligada à espécie para promoção dos produtos locais e turismo.
«No último Verão, quase que marcávamos grande penalidade, com a canelada que nos deram e que ainda hoje dói», ironizou Domingos Torrão, queixando-se da instalação do centro de reprodução em Silves. Hoje porém o autarca disse compreender as razões que centraram a reprodução em cativeiro no Algarve, como compensação pela construção da Barragem de Odelouca, mas afirmkou esperar que Penamacor e Sabugal querem não fiquem fora das acções previstas no plano.
plb

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