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Inicio hoje um conjunto de pequenas crónicas onde pretendo trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.
Começo por Proença-a-Nova, localizada no distrito de Castelo Branco, com uma área de 395km² e 8849 habitantes em 2008.
Em 2005 teve início o Programa «PROGRIDE – Uma Comunidade, uma Família», tendo como entidade promotora a Câmara Municipal, entidade executora, a Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa e um conjunto alargado de 15 entidades parceiras: Município, Juntas de Freguesia, Centro Distrital da Segurança Social, Pinhal Maior – Associação de Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul, Centro Social Cultural Recreativo de Montes da Senhora, Centro de Dia de Peral, Santas Casas da Misericórdia de Proença-a-Nova e de Sobreira Formosa, CPCJ de Proença-a-Nova e REAPN (Rede Europeia Anti-Pobreza Nacional).
No âmbito deste Programa foram desenvolvidas diversas acções, das quais saliento:
– Criação e dinamização de uma Ludoteca – A Bibliomóvel percorre as localidades mais isoladas do Concelho permitindo à população requisitar livros, DVD’s, jornais, revistas e consultar a Internet, tendo como objectivo que as pessoas mais afastadas e com difícil mobilidade tenham acesso à cultura e ao entretenimento;
– Unidade Móvel de Saúde – Tem como objectivo principal tornar a saúde mais «acessível» a uma população marcadamente idosa e geograficamente isolada. Constituída por uma carrinha medicamente equipada, a Unidade percorre as localidades do concelho realizando rastreios de glicemia, colesterol, triglicerídeos, tensão arterial e peso. Para além disso pretende ser um centro de aconselhamento e esclarecimento de dúvidas;
– Recuperação de Habitações Degradadas – Destina-se a dar condições de habitabilidade a famílias vivendo em situações degradantes e sem posses económicas para proceder às obras necessárias;
Banco de voluntariado – Tem como objectivo principal ser um espaço de aproximação entre os interessados no trabalho voluntário e as organizações promotoras do mesmo;
– Linha de Apoio Social – É uma linha gratuita que se encontra disponível 24 horas por dia e que tem como objectivo proporcionar a grupos desfavorecidos e geograficamente isolados um maior apoio;
– Banco Solidário – Recolhe bens doados pela população para posteriormente os entregar a pessoas carenciadas. Bens como electrodomésticos, alimentos, brinquedos, vestuário, etc.;
– Apoio a Associações – Faz o levantamento das necessidades em termos de equipamentos do Movimento Solidário e Associativo do Concelho, e cria condições para ultrapassar essas necessidades sem encargos para as Associações;
– Animação sócio-cultural – Tem como objectivo incentivar a vida colectiva, possibilitar o acesso ao lazer, à cultura, ao desporto e ao entretenimento, da população idosa.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
António Ruas, presidente da Câmara Municipal de Pinhel, substituiu José Manuel Biscaia na presidência da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), na sequência da Assembleia Electiva realizada no dia 12 de Novembro.
António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, também integra o conselho directivo da AMCB, enquanto vogal. Para a presidência da Assembleia ficou eleito Domingos Torrão, presidente da Câmara Municipal de Penamacor.
Os 16 autarcas presentes, em representação dos Municípios que constituem a AMCB, escolheram unanimemente a única lista candidata. Curiosamente, o concelho directivo integra apenas uma câmara pertencente ao distrito de Castelo Branco e representativa da Cova da Beira propriamente dita, a do Fundão, representada pelo seu presidente, Manuel Frexes. Os restantes eleitos para a direcção são todos do distrito da Guarda (Pinhel, Guarda e Sabugal). Já na Assembleia, predominam os Municípios do distrito de Castelo Branco (Penamacor, e Belmonte), em detrimento do da Guarda que tem apenas um representante (Celorico da Beira).
A AMCB foi fundada em 1981, por decisão dos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fundão e Penamacor, com o objectivo de resolver o problema dos resíduos sólidos urbanos produzidos nos quatro concelhos. Posteriormente, aderiram à Associação os Municípios de Manteigas e Sabugal e oito municípios do distrito da Guarda: Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Meda, Pinhel e Trancoso.
Curiosamente a Covilhã, que fora um dos Municípios fundadores, abandonou posteriormente a AMCB por divergências insanáveis, protagonizadas pelo autarca Carlos Pinto.
José Manuel Biscaia, o presidente cessante, deixou a presidência após nove anos, depois de ter perdido a disputa eleitoral no seu concelho, Manteigas, em favor de Esmeraldo Carvalhinho. O ex-presidente da Câmara de Manteigas tinha sucedido a António Dias Rocha (presidente da Câmara de Belmonte). O primeiro líder da AMCB foi Jorge Pombo, enquanto presidente da Câmara da Covilhã.
plb
Há dias um sabugalense amigo que conheço das tertúlias fadistas, dizia-me que alguns concelhos do Interior tenderiam a acabar e era até vantajoso que assim acontecesse para boa gestão dos dinheiros públicos. Naturalmente, discordei daquela opinião, ou não fosse eu autarca e defensor acérrimo da autonomia local. Tentando por isso demonstrar o erro dessa hipotética, e na minha opinião, falsa medida de gestão racional, argumentei que ela nada de bom acrescentaria ao país, nem mesmo em termos económicos ou financeiros. Estou convencido que lá no fundo nem o meu amigo fadista concordava com o que afirmava.
Porventura, tratava-se de um costumeiro desabafo, tipicamente português, em que usamos dizer mal de nós próprios, da nossa terra e do nosso país – o eterno pessimismo lusitano. A conversa acabaria mesmo por resvalar para o habitual misto de preconceito e inveja em relação aos nuestros hermanos, que geralmente nos levam a condenar a atitude independentista de D. Afonso Henriques. Contrariando tais ideias, afirmei logo que se Portugal se tornasse uma província espanhola, eu seria um etarra! Gargalhada geral, mas os fados iriam começar, acabando com a conversa.
Entre um copo de tinto, um fado e uma rodela de chouriça assada, fiquei a matutar na ideia de alguns concelhos correrem mesmo o risco de fechar. Logo me vieram à memória os tiques economicistas dos últimos governos, de ambas as cores, que, face ao deficit das finanças públicas, desataram a fechar o Interior, desde as escolas aos tribunais, das maternidades às repartições de finanças, passando pelos CTT e pelos centros de saúde. Lembrei-me ainda dos hospitais, das esquadras de polícia, da Guarda-Fiscal e das companhias militares que já antes tinham desaparecido das vilas do interior, e pensei com os meus botões que o perigo era real: os concelhos estão a fechar aos poucos. E para mal geral, nem sequer tem valido o sacrifício, já que as finanças públicas vão sempre de mal a pior, o que me leva a crer que a culpa do deficit não é, nem foi nunca, do Interior. E se não é do interior, só pode ser da má gestão, dos elefantes brancos e dos buracos negros do país rico; das empresas públicas, dos grandes grupos económicos, dos bancos, da corrupção, dos TGVs, dos estádios de futebol, dos ordenados dos gestores, das corporações e lobbies etc.
Veio-me à memória que recentemente, já durante o governo de Sócrates, foi movida a maior campanha contra as autarquias, vinda de todos os sectores da sociedade, exacerbada sobretudo pela Comunicação Social. De repente, o poder local tornou-se o bode espiatório dos males do país, desde a corrupção ao deficit! Afinal, no que toca à corrupção, dos mais de trezentos presidentes de Câmara do país, somados aos milhares de vereadores e de membros de juntas de freguesia, tudo espremido, só dois ou três foram condenados por práticas criminosas. Haverá muitas classes com menos criminosos? Quanto ao deficit, feitas as contas, as cinco maiores empresas públicas do estado tinham mais deficit do que os trezentos e oito municípios. Mas a campanha surtiu efeito: cortou-se nas autarquias mais pequenas! Nas grandes, o governo não teve coragem para cortar. Resultados: para as contas públicas, nenhum; para o interior, onde abundam as autarquias pequenas, foi desastroso, deixando algumas com a corda na garganta e com reflexos nefastos no tecido económico local, já tão depauperado.
Mesmo assim, mais gente do que pensamos acha que o Interior deve fechar e que com isso se resolve o problema do país. Basta que falte dinheiro em Lisboa e logo alguém, assobiando para o lado, aponta a solução: corta-se no Interior! Afinal há sempre uma boa razão: não haver gente, e onde não há gente, não são precisos serviços nem dinheiro. E contra a razão não há nada a fazer!
Pensando melhor, talvez até se conseguisse ganhar uns trocos, além do que se poupava. Fechado o Interior, Lisboa pode vendê-lo então aos espanhóis por bom dinheiro, e assim se resolve o problema do deficit! Não se pense sequer que isto é uma brincadeira, parte do Interior já foi vendido, alguns latifúndios do Alentejo e da Beira Interior estão já nas mãos de espanhóis.
Não é nada fácil encontrar argumentos contra os arautos da gestão e do racionalismo económico, além de que a pequena economia não dá nas vistas e os pequenos eleitorados não têm voz.
Penso há muito que políticas correctas de planeamento e ordenamento poderão ajudar a inverter a situação das áreas menos povoadas. Continuo também a achar que o dinheiro gasto no Interior está a léguas do que seria necessário e justo. Necessário, porque onde se investe, logo surgem dinâmicas económicas e demográficas. Justo, pelos sacrifícios por que passou a população raiana na defesa das fronteiras e do solo pátrio, permanentemente cobiçado por outros povos e constantemente invadido. Foram muitos séculos de sacrifício, em que raramente se vivia em paz mais de cinquenta anos seguidos.
Durante um fado menos timbrado e já na presença da segunda garrafa, cogitava numa solução para o Interior quando me lembrei de dois exemplos de sinal contrário de políticas do passado: o das medidas povoadoras dos nossos primeiros reis, por um lado, e das reformas administrativas que fecharam concelhos, por outro. Nada melhor que olhar o passado para vislumbrar o futuro com mais nitidez.
No primeiro exemplo, os nossos primeiros reis, de forma inteligente, quiseram e conseguiram povoar o país. E não falamos de qualquer parte do país, falamos do interior! Como conseguiram eles povoar uma terra inóspita, de feras e matos, povoada de sarracenos? Como atraíram eles gente do litoral e das cidades para esses lugares ermos? Dando-lhes benesses, mercês e autonomia local, criando e organizando termos, comendas e comarcas. Dizem os especialistas que o verbo latino populare (povoar) era entendido como «organizar» administrativamente. Se os romanos foram sábios povoadores de territórios, os nossos primeiros reis seguiram a mesma cartilha.
Mas a História também nos dá exemplos de políticas despovoadoras. Durante o século XIX, por decisão de Lisboa, fechavam muitos concelhos do Interior. Também nessa altura o deficit era assustador. Fora um século catastrófico de convulsões políticas e guerras. Mais uma vez foram as terras raianas as que mais sofreram, designadamente, com as invasões francesas e com as guerrilhas carlo-miguelistas. Com o decreto de 1855, vários concelhos do interior foram feridos de morte e integrados em concelhos vizinhos mas a dívida pública aumentaria ainda mais. Passados 150 anos o resultado dessas racionais medidas está à vista, nem é preciso ir muito longe: os velhos municípios que deram origem ao Sabugal são disso testemunho. Salvo raríssimas excepções, são hoje aldeias fantasma, em escombros, cujo património foi vítima de desleixo e abandono e, na maior parte dos casos, irremediavelmente perdido. Dá pena ver velhas muralhas e castelos, domus e igrejas a esboroarem-se na erosão do tempo e da incúria. No que respeita à demografia, foi um autêntico terramoto. Nem as sedes desses antigos municípios escaparam à voragem do despovoamento. Todo um património sacrificado a troco de uns tostões necessários para as linhas férreas.
Tal como hoje a ideia daquela época era meritória: a racionalização dos recursos e a eficiência governativa; da junção de vários concelhos se faria uma administração forte e o desenvolvimento não tardaria! Puro engano! Não só, não se fizeram municípios fortes e desenvolvidos, como nenhuma eficiência se conseguiu no país por via desse sacrifício dos pequenos municípios.
Com as devidas distâncias, que se recuperem então as velhas medidas de povoamento e que se afaste de vez o espectro do encerramento, que pode hipotecar, inclusivamente a nossa soberania.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
A reforma da estrutura fundiária, nas zonas de minifúndio, terá obrigatoriamente que ser feita para o bom aproveitamento da agricultura e da floresta. Essa reforma terá forçosamente de incluir mudanças que tornem mais fácil o emparcelamento da propriedade rústica de pequena dimensão. O alcance de eventuais medidas de apoio ao emparcelamento seria bem maior do que a simples distribuição dos enganadores subsídios.
É comum dizer-se que um dos problemas da nossa agricultura é o minifúndio. Não será certamente o único, haverá, evidentemente, outros constrangimentos. Talvez o minifúndio não seja sequer um problema em si mesmo, porque, como se sabe, há culturas e regiões, nas quais se aproveita bem o minifúndio, tornando-o rentável, como acontece, por exemplo, com o vinho verde. O problema será antes a desadequada dimensão da estrutura fundiária para a agricultura que se pretende.
Na Beira Interior, grande ou pequena a propriedade agrícola produz muito pouco. Mais preocupante até, é verem-se áreas e mais áreas, pequenas e grandes, em alguns casos onde se investiu em regadio e acessos, ao abandono, ocupadas de matos, sem qualquer utilidade que não seja a caça, e nem mesmo essa, porque, frequentemente mal gerida, escasseiam espécimes e os complementos turísticos de apoio à actividade cinegética. Nem pretendo sequer falar dos fogos e das parcelas que ardem sem que ninguém as reclame, que isso seria matéria para outro artigo.
As zonas mais férteis e próximas dos povoados são naturalmente as mais pulverizadas, divididas até ao milímetro por gerações sucessivas de camponeses pobres e de famílias numerosas, num tempo em que qualquer palmo de terra era defendido com unhas e dentes. Assim se compreende que a principal motivação dos nossos primeiros emigrantes fosse ganhar dinheiro para compra de umas courelas.
Pagas a bom preço, essas mesmas courelas, depressa e por ironia do destino, se tornariam numa espécie de castigo para quem tem agora de as tratar, só para as não ver abandonadas. Muitos vão gastando nelas as suas reformas! Passadas duas ou três décadas, deparamo-nos com hortas e chãos de boa terra a encherem-se de giestas, soutos e olivais decrépitos que de vez em quando carregam mas que ninguém colhe, porque a população é escassa e idosa e já não tem forças nem saúde para as fainas agrícolas e os mais novos, como se sabe, preferem outras profissões, preferência, aliás, incentivada pelos progenitores.
Apesar de tudo, as áreas maiores são melhor aproveitadas, designadamente para o pastoreio extensivo, pelo menos enquanto as ajudas à pecuária se mantiverem.
As mais pequenas, como é bom de ver, necessitam urgentemente de ser emparceladas para que possam ser rentáveis. Não tendo o estado a iniciativa do seu emparcelamento, resta a via aquisitiva. No entanto, aqui levanta-se um problema complicado: a burocracia e custos da aquisição. Distribuídas por numerosos herdeiros, as parcelas, que por serem pequenas valem muito pouco, estão quase sempre por registar, para já não falar da inadmissível falta de cadastro em algumas regiões. Além disso são geralmente propriedade de pessoas que vivem em Paris, Lisboa e outras cidades, onde cada metro de terra parece valer ouro. Quando alguém lhes oferece uns trocos por uma pequena horta, logo torcem o nariz. Ao saber que também terão que fazer umas escrituras e uns registos e que nisso têm que se haver com irmãos, cunhados ou sobrinhos, então nem querem voltar a falar do assunto. Por vezes nem chegam a saber que, além disso, ainda poderiam arcar com exorbitantes mais valias.
Há dois anos, por 750 euros, adquiri a um emigrante, uma pequena parcela de pouco mais de 800 m² para, através dela, melhorar o acesso a outros terrenos. Passados uns meses, encontrei o vendedor que se queixou de, além dos gastos habituais que teve com o pré-registo, ter sido taxado em 20% de mais-valias sobre o lucro, apesar de tratar-se de uma herança. Ora, o lucro tinha sido de 740 euros por o valor patrimonial inicial ser de 10 euros! Dizendo que não voltaria a vender mais nada, lamentava-se do nosso país, parodiando: – Mais-valia estar quieto!
Apesar de tudo lá consegui acrescentar mais uns metros a uma pequena quinta, composta de dez antigos prédios, perfazendo agora um pouco mais de seis hectares, onde pastam churras do campo. Dois desses prédios são lotes de emparcelamento, feito pelo estado e que resultaram da reunião de outros 11, pelo que a minha quintinha de seis hectares era anteriormente um conjunto de 19 artigos! Os restantes fui adquirindo a outros tantos emigrantes ao longo de cerca de uma dúzia de anos tendo ainda alguns por legalizar pelos motivos que se imaginam.
Se não se fizer uma verdadeira reforma da aquisição da terra, a estrutura fundiária levará ainda algumas décadas – a juntar às décadas já perdidas – para se adequar às necessidades da agricultura moderna. Tempo demais para uma região que precisa urgentemente de modernizar-se e sem essa modernização quase mais-vale estar quieto.
Como não é possível voltar-se à enxada e ao arado puxado por vacas, penso que assim não será viável aproveitar o recurso mais abundante da região: a terra.
O ano passado coloquei estas questões a um deputado da Comissão de Agricultura e ao secretário de estado da mesma tutela. Pareceram sensibilizados mas a legislatura terminou pouco depois e a coragem para as grandes reformas já tinha murchado.
Nunca entendi a razão de ser mais difícil comprar um prédio rústico de 500 euros do que uma viatura de 10, 50 ou até 100 mil euros. Nunca percebi que razões haverá por detrás ou a que corporações interessará este sistema quase medieval de aquisição.
Entretanto continuam a verter-se verbas significativas numa agricultura e numa floresta que se sabe à partida que não terão futuro sem as tais reformas e pouco ou nada se investe na estruturação fundiária da propriedade. O alcance de eventuais medidas de apoio ao emparcelamento feito pelo estado ou feito de forma privada, seria bem maior do que a simples distribuição de enganadores subsídios.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
Em Novembro a Câmara Municipal de Penamacor volta a editar o Ciclo de Música de Outono. O 1.º concerto com Francisco Ceia está agendado para domingo, dia 8, e será em Pedrógão. A música está de visita às terras de Penamacor.
Francisco Ceia é natural de Portalegre, cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros…
Em 1976 frequenta o curso de teatro e inicia a sua carreira artística como actor profissional no CENDREV (Évora) representando, entre outros, autores como Gil Vicente, Marivaux, José Régio, Moliére, Brecht e Peter Weiss. Permanece nesta Companhia até final de 1979 e, em Janeiro de 1980, funda em Portalegre uma Companhia de Teatro profissional, Teatro do Semeador, onde encena e representa várias peças. Nesse mesmo ano e como corolário da actividade de autor compositor e intérprete que vinha desenvolvendo em paralelo com o teatro, vê editado o primeiro disco, «Foi no monte é no monte» e dá voz à banda sonora original da série televisiva «As Aventuras de Tom Sawyer» (RTP) editando assim um novo trabalho discográfico.
A participação em vários programas de televisão, espectáculos ao vivo pelo país e estrangeiro (França, Holanda, Espanha, Rússia, Uzbequistão, Canadá e Bélgica ), torna cada vez mais difícil conciliar o teatro e as canções, tomando desde 1981 a opção por estas. É editado então o disco «Cava dor».
Entretanto vai fazendo música para algumas peças de teatro e participa como actor em peças para a RTP.
Em 1983 um novo disco «Alcatruz» e a continuação dos concertos.
Em 1985 novo disco «Voo andando» e em 1988 é editado o disco «Entre a cal e o sol».
Em 1990 o disco «Bicicleta cor de rosa» deixa antever uma certa vontade de voltar às raízes, ao Alentejo. Antes porém, a convite da RTP, é o pivot de uma série de 12 episódios «A casa do Mocho Sábio», onde conjuga o trabalho de actor, músico e autor das canções e genérico do programa.
Entre Dezembro de 1995 e Abril de 96, a convite da Companhia de teatro do Porto «Seiva Trupe», integra o seu elenco, no musical «Ópera do Malandro» de Chico Buarque. É editado, em Agosto de 1996, o CD denominado «Lendas e Romances», com textos da tradição oral, recolhidos no Alentejo, e música original de Francisco Ceia.
Em Maio de 1997 participa na cidade espanhola de Cáceres no Festival Internacional da World Music «WOMAD».
Participa no 36.º Festival RTP da Canção, em 1999 e em Outubro um novo trabalho discográfico de originais com o título «Fado Singelo».
O CD «Cadernos de Afectos» é editado em Maio de 2000, com poemas de José Régio e música original de Francisco Ceia.
Em 2002 – «Sandálias de Vento» – novo disco, desta vez com a poesia de Fernando Namora.
Em 2003 é editado o álbum «Nas Tardes» sendo António Sardinha o poeta escolhido para ser musicado e interpretado.
Em Maio de 2004 sai «Asa de Luz» com poesias de Maria Rosa Colaço.
Finalmente em 2005 é editado o álbum «Virado para a Serra» com textos de Vergílio Ferreira.
jcl (com Gabinete Informação da C. M. Penamacor)
No rescaldo do recente ciclo eleitoral vale a pena reflectir sobre a forma como as eleições traduzem o estado actual da democracia portuguesa. Considerado o menos imperfeito dos regimes políticos, a democracia revela-se em toda a sua imperfeição. Olhando, para o preocupante problema da abstenção, sintoma dessa imperfeição, não restam dúvidas que o interesse dos eleitores é inversamente proporcional à distância do poder em causa. Por outro lado o alheamento tende a aumentar sempre que aumenta a complexidade do juízo político. Tome-se como exemplo o referendo sobre o aborto, que introduziu na discussão política questões éticas e científicas, difíceis de entender pelo cidadão comum.
Compreende-se, por isso, o debate ocorrido em redor da conjugação das datas das recentes eleições legislativas e autárquicas, onde uns e outros se mostraram a favor ou contra a sua simultaneidade. É que nas autárquicas, ao contrário das legislativas, a abstenção desce para níveis mínimos, que chegam por vezes a reflectir apenas o absentismo. Seria ingenuidade pensar-se que, por detrás da posição dos partidos sobre a referida simultaneidade, estivesse a nobre preocupação pelo aperfeiçoamento democrático e pelo combate ao abstencionismo, e não o cálculo frio da vantagem dos votos.
Deixando as análises nacionais para melhores e mais abalizados comentadores, centremo-nos nas autárquicas e na região, escalpelizando um pouco formas, detalhes e resultados políticos. Desde logo, pense-se no efeito de arrastamento: a vitória do PS nas legislativas terá ou não beneficiado os candidatos do PS às autarquias? Embora em pequena escala, pensamos que sim, como pensamos que se as duas eleições tivessem ocorrido em simultâneo, o efeito teria sido maior. Enganaram-se, portanto, nas posições que previamente assumiram, os dois partidos do poder. Grato deverá estar o PSD a Cavaco Silva, que, embora desejoso em lhe fazer a vontade, fez o oposto para não ser acusado de parcialidade. O PS, pelo contrário, que só teria a ganhar com a conjugação e a rejeitou, pode queixar-se de si próprio, por se esquecer da volatilidade do fenómeno político.
Voltando ao dito arrastamento, parece óbvio que começa a ter cada vez menos efeitos. Veja-se a distinção que o eleitorado fez em muitas mesas de voto, nas autárquicas, votando de forma diversa para a Assembleia de Freguesia, Câmara e Assembleia Municipal, sintoma de maturidade democrática, mas também prova de que, mais que os partidos, cujo papel organizativo e de mobilização não se pode sonegar, são as pessoas que ganham as eleições. Registe-se ainda o caso da Covilhã, que deu ao PS uma larga maioria nas legislativas e deu a Carlos Pinto do PSD uma esmagadora vitória duas semanas depois.
Não se pense pois que o eleitorado não sabe o que quer. É verdade que ao nível local o jogo é outro, é mais terra a terra, mais porta-a-porta, mais voto a voto, pressiona-se, marca-se à zona. Por essa razão, ter bons pontas-de-lança, leia-se estrategas, personagens influentes e candidatos ganhadores às Juntas de Freguesia, é meio caminho andado para ganhar a Câmara. Quem não conhecer a cartilha é melhor que fique em casa. Algumas forças políticas apenas vêm à tona de quatro em quatro anos, o que é insuficiente para ganhar eleições. As sociedades não vivem só de política, há mais vida para além do poder. Ganha-se traquejo e notoriedade nas causas públicas, nas colectividades e noutras organizações de fins não lucrativos. Se alguns aparelhos partidários locais são bons exemplos de organização e dinamismo, promovendo debates temáticos, jornadas e outros eventos, outros apagam-se a seguir às eleições e nem sequer elegem as respectivas lideranças.
O suposto resquício do antigo regime de que os dinossauros se poderiam eternizar no poder sem que nada os fizesse apear, começa a cair por terra, como o demonstraram os eleitores da Mêda e de vários outros municípios do país. Paradigmático parece ter sido o caso de algumas autarquias comunistas em que já se confundia o partido com a Câmara e que também mudaram de mãos. Convém realçar que, às vantagens óbvias do exercício do poder, se opõem as desvantagens do desgaste, ainda que nos dois distritos beirões a balança pendesse para os «instalados», apenas com uma mudança a Sul e três a Norte.
Lição não menos importante a reter é que não basta escolher pessoas e equipas competentes. Para se chegar ao poder é preciso ganhar eleições, e, nesse capítulo, quantas vezes a popularidade de um candidato chega e sobeja para os melhores argumentos de adversários competentes. Não querendo referir exemplos, atente-se nos acusados e até condenados por crimes graves que continuam impávidos e serenos a merecer a confiança dos eleitores.
Os independentes, inovação das autárquicas de 2001, em que Penamacor escreveu uma página merecedora de análise sociológica, e os partidos da terra, muleta dos que não têm partido, vieram baralhar um pouco as contas. Em geral, uns e outros emergem das divisões fratricidas dos partidos, das facções não alinhadas. Por falta de apoios e de aparelhos, as suas possibilidades de êxito são reduzidas. Em alguns casos mais não fazem que «entregar o ouro ao bandido», leia-se, dar a vitória aos adversários de ideologia, como foi o caso de Oliveira do Hospital, nas recentes eleições.
O Sabugal teve também notas curiosas, com protagonistas de direita apoiando candidatos de esquerda e vice-versa, nada estranho a outros azimutes. Nem precisamos de ir mais longe, recorde-se Penamacor quatro anos antes, em que vários elementos do PS passaram para a coligação de direita, enquanto os independentes apoiados pelo PSD passaram para o PS. Uma simples troca de posições! Confrontado com o epíteto de vira-casacas, dizia-me há dias um amigo que a única camisola que tinha era a do Benfica e nem sabia explicar porquê!
Para finalizar esta brevíssima e despretensiosa análise sou de opinião que, nestas autárquicas, houve generalizadamente pouco arrojo dos partidos políticos. Face ao limite de mandatos, impunha-se já alguma coragem, não deixar todo o jogo para daqui a quatro anos, em que se prevê um verdadeiro terramoto.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
«Há mais vida para além do poder» e… há mais vida para lá da Malcata. As nossas boas-vindas a este espaço de livre opinião ao político e homem de cultura António Cabanas, vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor. Bem-haja pela disponibilidade e pela amizade.
jcl e plb
António Cabanas, 48 anos, natural da Meimoa, concelho de Penamacor, é licenciado em Sociologia pela Universidade da Beira Interior. Pertence aos quadros do ICN-Instituto de Conservação da Natureza e está «emprestado» à Câmara Municipal de Penamacor desde 2001 onde exerce o cargo de vice-presidente da equipa liderada por Domingos Torrão. No seu currículo destaca-se a publicação de obras sobre temáticas como o contrabando, o madeiro de Penamacor e a Meimoa.
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Quando terminou os estudos do liceu (antigo sétimo ano) foi trabalhar para o restaurante «Furnas Lagosteiras» perto de Cascais. Explorou um snack-bar no Shopping Cacém e sentiu o chamamento do espírito de aventura. Durante cerca de dois anos foi embarcadiço em navios de cruzeiro nas Caraíbas «onde ganhou algum dinheiro porque no barco não era possível gastar nada». Depois veio para a Malcata e terminou, finalmente, os estudos que não conseguiu acabar quando era jovem. «Os meus pais eram agricultores e tinham algumas dificuldades económicas próprias do mundo rural e entendi que não devia estar a sacrificá-los. Mas… prometi-lhes que terminaria os estudos nem que fosse até aos 80 anos», recorda António Cabanas.
Entre 1987e 2001 António Cabanas sentiu o bater do coração da Reserva Nacional da Serra da Malcata. Foi vigilante, técnico superior e finalmente director da Reserva durante dois anos. Em 2001 uma lista independente encabeçada por Domingos Torrão venceu as eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e António Cabanas «transferiu-se» para a autarquia assumindo o cargo de vice-presidente. Em 2005 e nas recentes eleições autárquicas de 2009 a equipa de Domingos Torrão e António Cabanas foi reconduzida à frente dos destinos do município de Penamacor. «Actualmente ainda pertenço aos quadros do Instituto de Conservação da Natureza e como isto de ser autarca não é eterno quando cessar as funções na Câmara Municipal de Penamacor, onde estou desde 2001, voltarei a trabalhar no ICN», esclarece o vice-presidente Cabanas.
– Esteve vários anos ligado à Reserva Natural da Serra da Malcata que muitos relacionam com o lince ibérico. Que projectos recorda?
– Recordo a candidatura do projecto da Senhora da Graça com um orçamento de 200 mil contos, falando em moeda antiga, e que teve alguma envergadura para a época. Este projecto pretendia ter, por um lado, a vertente florestal com plantas autóctones da região e como viveiro das árvores protegidas de todo o País, uma espécie de viveiro do ICN a nível nacional e por outro lado uma vertente de educação ambiental, interpretação da natureza e visitação. Infelizmente não tem havido meios para esta estrutura funcionar a cem por cento mas, de alguma forma, tem sido um baluarte da Reserva da Malcata. Outro projecto em que me empenhei como director foi o «Life» para o estudo do lince e dos seus ecossistemas. O lince é uma espécie que vive uma grave crise. Já fui muito céptico mas, actualmente, estou mais confiante e considero que há grandes possibilidades das populações de linces voltarem à Malcata e a outros territórios ibéricos. Em 1977 o doutor Luís Palma fez estudos na Malcata e registou cerca de 30 linces, em 1987 falava-se numa comunidade de 14 ou 15, em 1992 capturámos uma fêmea mas em 1995 já não conseguimos assinalar nenhum vestígio da sua presença. Em Portugal o lince está extinto mas nos próximos anos vão ser transferidos animais espanhóis para regiões portuguesas onde vão crescer em cativeiro. Apesar do entendimento político entre os dois governos ibéricos ainda não é seguro que a espécie se salve mas há uma nova esperança…
– …«Terras do Lince» é uma marca em que aposta a Câmara Municipal de Penamacor…
– É a bandeira de Penamacor. Há uns anos atrás os ambientalistas que apareciam por cá eram olhados com alguma desconfiança e, afinal, hoje somos todos ambientalistas. Para Penamacor, para o Sabugal, para o Alto Águeda e para a Sierra da Gata a existência do lince será certamente uma mais-valia. É uma marca que faz a diferença e nos pode trazer vantagens económicas. «Terras do Lince» é uma marca que está a ser divulgada através dos produtos regionais – azeite, mel, queijo e enchidos – e pode ser aproveitada para programas turísticos.
– O território da Malcata é partilhado por dois concelhos portugueses e duas comunidades espanholas. Facilita ou prejudica a actuação dos responsáveis?
– Há vantagens porque há diversidade. É um território de transição da fauna e da flora entre o Mediterrâneo e o Atlântico Continental e por isso esta diversidade a Sul com o azinhal, os medronheiros, sobreiros e a Norte com o carvalhal e os castanheiros. Infelizmente do lado espanhol não há um estatuto de conservação como existe no lado português. Os espanhóis são sensíveis à defesa da natureza mas preocupam-se muito mais com o turismo. A Reserva da Malcata tem um plano de ordenamento excessivamente restritivo que acaba por se tornar maléfico. Nos últimos anos a Malcata deixou de ser falada porque um território fechado afasta as pessoas e tem um efeito negativo. Quando há visitação há promoção e uma atenção redobrada sobre o território que facilita a pressão política para a atribuição de mais meios – técnicos e humanos – pelo poder central.
– Em Penamacor sente-se o espírito raiano?
O penamacorense não se considera raiano – com excepção, talvez, das freguesias de Salvador e Aranhas – mas eu considero-me raiano pelo Sabugal e pelos amigos que conheci quando estive na Malcata. Penamacor como praça-forte sempre esteve de costas voltadas para Espanha. Curiosamente iniciámos num processo de geminação com Valverde del Fresno a cerca de 30 quilómetros e com a qual apenas temos uma ligação por estrada há poucos anos. Há uma distância física muito diferente da relação que as aldeias raianas do Sabugal têm com as localidades espanholas de Albergaria ou Navasfrias.
– Como se define o político António Cabanas?
– A causa pública é algo que nasce dentro de nós. Desde miúdo que sinto a necessidade de estar activamente na sociedade. Integrei o grupo coral da igreja na Meimoa, associações, o clube de futebol… O autarca é um homem da causa pública. Nas eleições autárquicas é costume dizer-se que o que conta são as pessoas. As freguesias vivem dependentes das câmaras e estas do Governo e todos sabemos e sofremos na pele o ter ou não ter apoios. Quando somos da cor e estamos com o poder comemos e quando não somos… cheiramos. Por isso compreendo e não condeno os chamados «vira-casacas» porque eles traçam estratégias – incluindo o sucesso pessoal – para atingir os melhores objectivos para as suas autarquias. Em função das minhas competências académicas e do meu percurso profissional na Malcata o ambiente, o ordenamento do território, o turismo, a etnografia e a cultura local são as temáticas com que mais me identifico.
– Há um homem de cultura para além da política…
– A matriz cultural da etnografia e da antropologia beirãs são excelentes elementos de estudo para qualquer sociólogo e o meu trabalho reflecte essas influências. Além disso sou um homem com origens no mundo rural. Os trabalhos no campo com os meus pais foram experiências muito enriquecedoras para a minha pessoa. Cada uma das minhas obras deve ser lida de forma distinta e entendido como uma forma de preservar testemunhos. O livro «Carregos» foi motivado pelo meu pai e pelos meus tios que foram contrabandistas e contavam estórias que eu ouvia com muita atenção. Os vigilantes da Reserva da Malcata tinham motorizadas para andar pelos caminhos pedregosos da serra. No meu primeiro dia de serviço na Malcata levava na ideia passar pela quinta do Major – também conhecida por quinta do Pinharanda ou quinta da dona Rita – onde os contrabandistas passavam com os carregos. O livro sobre a Meimoa tem uma motivação histórica com as nossas raízes, a nossa alma, os nossos antepassados. A Meimoa é uma comenda da Ordem de Aviz, a igreja da Meimoa fez parte da Ordem de Alcântara, a mãe de Pedro Álvares Cabral era a senhora dona da Meimoa e o rei D. Afonso V doou a Meimoa ao primeiro conde de Penamacor e assim através de uma pequena aldeia podemos contar um pouco da história de Portugal. São facetas que desconhecia e acabei por descobrir durante a investigação. O livro «Madeiro» retoma o fio à meada do contrabando porque voltamos ao património cultural das tradições. O Natal tem origem no solestício de Inverno muito anterior aos romanos. O monumental madeiro de Penamacor com 18 tractores de sobreiro é o maior de Portugal e considerei que merecia ser destacado.
– Há publicações na forja?
– Tenho dois projectos que quero levar a bom porto ainda para este ano. Vamos comemorar o primeiro centenário do nascimento de Mário Bento, patrono do Museu da Meimoa, com a publicação de um livro sobre a Comenda da Ordem de Aviz atribuída à Meimoa e em conjunto com a técnica da Câmara, Laurinda Mendes, estou a preparar um opúsculo com muita pesquisa na Torre do Tombo sobre a história cronológica de Penamacor.
No dia 11 de Outubro a lista de Domingos Torrão foi a jogo nas eleições para a Câmara Municipal de Penamacor e venceu com 53,64 por cento dos votos. Os nossos parabéns a António Cabanas pela recondução como vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor e as boas-vindas como «opinador» residente no Capeia Arraiana onde passará a assinar a coluna «Terras do Lince».
jcl
«Estelas e Estátuas-menir da Pré à Proto-História» é o tema das quartas Jornadas Raianas que vão decorrer nos dias 23 e 24 de Outubro no Auditório e Museu do Sabugal organizadas pela empresa municipal «Sabugal+».
As quartas Jornadas Raianas abordam este ano as «Estelas e Estátuas da Pré à Proto-História» resultando a respectiva organização da colaboração entre o Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e do Porto, a Câmara Municipal e do Sabugal e a empresa municipal «Sabugal+».
As comunicações científicas serão apresentadas por reconhecidos especialistas portugueses e espanhóis. No sábado os participantes visitam a exposição temporária no Museu do Sabugal com as novas estelas e ao final do dia deslocam-se ao Fundão para visitar o Museu Arqueológico Municipal José Monteiro encerrando as jornadas do primeiro dia com um jantar oferecido pelo Município do Fundão.
Programa das Jornadas que vão decorrer nos dias 23 e 24 de Outubro no Auditório e Museu do Sabugal:
Sexta-feira, 23 – 9.30 horas, recepção e entrega da documentação aos participantes; 10.00, sessão de abertura; 10.30, Primitiva Bueno Ramírez; Rosa Barroso; Rodrigo Balbín — Identidades y estelas en el Calcolítico peninsular; 11.00, Marta Díaz-Guardamino — Iconografia, lugares e relações sociais: Reflexões em torno das estelas e estátuas-menir atribuídas a Idade do Bronze na Península Ibérica; 11.30, Pausa para Café; 12.00, André Tomás Santos; Raquel Vilaça; João Nuno Marques — A propósito de duas novas peças insculturadas pré-históricas da região do Sabugal (Beira Interior, Portugal); 12.30, Visita à exposição temporária com as novas estelas e à exposição permanente do Museu do Sabugal; 13.30, pausa para almoço; 15.00, João Luís Cardoso; João Carlos Caninas; Francisco Henriques; Mário Chambino — A estela antropomórfica dos Zebros 2 (Zebreira, Idanha-a-Nova); 15.30, Domingos Jesus da Cruz; Santos; André Tomás Santos — As Estátuas-menir da Serra da Nave (Moimenta da Beira, Viseu); 16.00, Maria de Jesus Sanches — As estelas de Picote – Miranda do Douro no conjunto das estelas da Pré-história em Trás-os-Montes; 16.30, pausa para café; 17.00, Mário Varela Gomes — Estátuas-menir da Região de Évora. Novos testemunhos, novas problemáticas; 17.30, debate sobre a notícia do achado da estátua-menir de Corgas (Donas, Fundão); 19.00, visita ao Museu Arqueológico Municipal José Monteiro e jantar oferecido pelo Município do Fundão.
Sábado, 24 – 9.30, Eduardo Galán — Nuevos hallazgos sobre viejas ideas. Tipologia, distribución y elementos atípicos en las estelas del Suroeste; 10.00, Sebastián Celestino Pérez; José Ángel Salgado Carmona — Nuevas metodologías para la distribución espacial de las estelas del Suroeste. Nuevos símbolos para su interpretación; 10.30, Lara Bacelar Alves; Mário Reis — Memoriais de pedra, símbolos de Identidade. As estelas decoradas de Cervos (Montalegre); 11.00, Pastor Fábrega Alvarez; João Fonte; Francisco Javier González Garcia — Guerreiros na paisagem: análise dos factores de localização espacial das estátuas-menir; 11.30, pausa para café; 12.00, Primitivo Sanabria Marcos — La estela decorada del Puerto de Honduras (Cabezuela del Valle, Cáceres); 12.30, Raquel Vilaça; André Tomás Santos; Sofia de Melo Gomes — As estelas de “Pedra da Atalaia” (Celorico da Beira, Guarda); e 13.00, debate e encerramento dos trabalhos.
jcl (com «Sabugal+»)
Os mapas interactivos do Plano Director Municipal (PDM) do Sabugal e dos outros 12 concelhos da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) podem ser consultados através da Internet.
Em declarações à agência Lusa, Jorge Antunes, responsável pelo departamento de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) da AMCB explicou que «qualquer municípe poderá, por exemplo, editar on-line a delimitação de uma parcela de terreno, calcular distâncias e áreas ou imprimir uma planta de localização».
Estão disponíveis os planos directores do Sabugal, Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Penamacor e Trancoso. Cada município tem uma hiperligação na sua página que redirecciona o utilizador para o portal da AMCB onde está a informação.
A disponibilização dos PDM na Internet responde a uma imposição legal (Lei n.º 56/2007) e, de acordo, com informações fornecidas pela o projecto global está orçado em meio milhão de euros e é co-financiado pelo Programa Operacional da Região Centro – MaisCentro.
A solução implementada permitirá aos municipes dos 13 concelhos fazer uma consulta prévia a um PDM, tendo como ponto de partida um determinado ponto ou localização no território. Após a identificação da localização da pretensão é possível cruzar esta informação com as classes de espaço, com o regulamento e limitações do PDM e imprimir a informação para o processo de viabilidade de transformação do terreno rústico.
No futuro o sistema irá permitir fazer pesquisas, visualizar e consultar os processos de obras das Câmaras Municipais.
Página da AMCB com o SIG. Aqui.
Página da Câmara Municipal do Sabugal com o PDM on-line. Aqui.
jcl
E.F.VPTLC.MV é o nome de código do «exercício militar» que vai levar até terras raianas de Penamacor, Sabugal e Almeida altas patentes da Força Aérea. O encontro de convívio entre ex-directores do Centro de Treino e Sobrevivência, instrutores dos cursos de Fuga e Evasão e familiares está marcado para este sábado, 12 de Setembro. A Ordem de Operações está a cargo do sargento-chefe José Reis, natural da Freineda mas «com muitos amigos no concelho do Sabugal» como fez questão de nos dizer durante uma cordial conversa na Base Aérea do Montijo.
«Tenho 48 anos feitos no dia 27 de Agosto. Sou natural da terra do melhor vinho do Mundo: Fernão Pó. O meu pai era funcionário da CP e eu nasci lá como que por acaso mas fui registado e baptizado na freguesia da Freineda, concelho de Almeida, terra de onde são naturais os meus pais», começou por nos dizer em jeito de apresentação o Sargento-Chefe da Força Aérea, José Reis.
E lançando uma pequena provocação para a conversa acrescentou: «Comecei a trabalhar aos cinco anos!» Apercebendo-se da nossa expressão de surpresa lançou-se nas explicações desvendando que «os pais tinham um pequeno comércio na Freineda» e como era pequeno «colocava uma grade de bebidas por detrás do balcão para servir os meio-quartilhos aos clientes». «Cheguei a ser castigado pelo professor porque pensava que eu estava a brincar em vez de ir à escola mas, de facto, estava na tasca do senhor Januário que era o meu pai», recordou entre sorrisos.
Depois da primária ingressou no Colégio São José, conhecido pelo Rocha, na Guarda onde foi considerado um dos melhores alunos até ao 9.º ano. Os fins-de-semana eram passados na Freineda. «Quando os outros estavam em festa eu estava a trabalhar a ajudar os meus pais», acrescenta com a boa disposição que parece acompanhá-lo sempre.
Passou para o Liceu da Guarda, durante três anos, onde fez parte da Associação de Estudantes e da Comissão de Finalistas.
Aos 19 anos («por sorte» como faz questão de frisar) foi chamado para o serviço obrigatório na Força Aérea. «Na antiga BA3, Tancos, fiz a recruta e fui para a Ota onde me graduaram como cabo da Polícia Aérea. Pouco tempo depois surgiu a possibilidade de integrar um exercício de fuga e evasão em Penamacor mas não cheguei a ir», recapitula José Reis.
No final do serviço militar obrigatório frequentou o curso de sargentos que terminou em 1986. Já como furriel foi convidado para a equipa de instrutores dos cursos de fuga e evasão que eram feitos na zona de Penamacor, Sabugal e Almeida e em especial a zona da Malcata. «Na altura era solteiro e como natural da região agradava-me a ideia de ser instrutor do pessoal tripulante. Embora os cursos tivessem a duração de 12 a 14 dias chegávamos a estar 28 dias destacados na zona».
Mas as surpresas com as recordações de José Reis não param. «Tive o privilégio de ter visto linces na Reserva da Malcata em 1987. Nessa altura havia linces na Malcata. Eu vi. Eu e vários camaradas desse curso.»
– Como eram as relações com as populações?
– As relações sempre foram as melhores. A Força Aérea deve está grata às populações de Penamacor, Sabugal e Almeida porque os nossos militares sentem-se como em casa. Os instruendos tinham como missão não ser vistos por ninguém mas, por vezes, surgiam «ajudas» dos residentes na zona porque achavam que os militares andavam com fome. Mas não diziam nada aos nossos agentes infiltrados. Só no exercício seguinte é que nos contavam os pormenores para que os alunos não fossem prejudicados.
– Os exercícios decorriam em «território amigo» do instrutor Reis?
– Os exercícios começavam em Setembro, por causa da Academia, e depois iam de Outubro até Março para ter a dificuldade acrescida do frio. Fiz e mantenho muitas amizades com pessoal da raia, nomeadamente, o senhor Manuel Zé, do Soito, que nos recebe sempre de forma extraordinária na sua quinta. Mas tenho mais amigos que gostava de destacar: o presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia do Soito, José Mendes Matias, o presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, e o presidente da Junta de Penamacor, o senhor Orlando, e o senhor Américo, entre outros.
– E na Freineda?
– Nos tempos da taberna do senhor Januário a Freineda era uma aldeia com muita vida. Tinha uma fábrica de moagem, uma estação de comboios, uma estação de Correios, tinha tudo o que era necessário para o desenvolvimento de um aldeia. Depois começou a emigração e… acabou o contrabando. E a Freineda apesar de não ter perdido a hospitalidade perdeu vitalidade.
– Bem perto a aldeia de São Sebastião é já considerada modelo…
– Sim. A aldeia de São Sebastião, com cerca de 70 habitantes, é uma anexa de Castelo Bom mas é de invejar o dinamismo da associação local e do seu presidente Joaquim Fernandes a quem aproveito para agradecer e dar o meu apoio pelo seu dinamismo e pela sua capacidade de lutar pela aldeia com alma e coração. No Lar, recentemente inaugurado, que mais parece um hotel os utentes têm todas as condições com muita qualidade de vida. Já este ano fizemos aqui na Base do Montijo um baptismo de voo para cerca de 90 crianças carenciadas organizado pela associação com o apoio do senhor general COFA.
– Actualmente é um dos responsável pela messe da Base do Montijo?
– Depois de ter passado 20 anos como instrutor do treino de evasão e sobrevivência tive um problema físico durante uma demonstração de helicóptero e foi convidado pelo comando a fazer parte da gerência da messe. A unidade tem mais de 800 militares e servimos, diariamente, cerca de 700 refeições.
– A gastronomia raiana é apreciada?
– Faço questão de divulgar a gastronomia raiana. Sempre que tenho um presente para oferecer trago um frasquinho de mel produzida pelo Amílcar Morgado da Freineda. É um dos mais conceituados produtores apícolas nacionais e faço questão de divulgar o seu «Mel da Freineda». Além disso sou um amante do bucho raiano. Há uma casa em Nave de Haver que faz uns buchos espectaculares e aproveito para os trazer para confeccionar almoços para grupos especiais. Na Freineda temos bons pratos como, por exemplo, o borrego. Agora inventaram mais um – o toston – um leitãozinho frito com alho.
– Como surge este «exercício» de antigos operacionais do Curso de Fuga e Evasão?
– Eu fiz parte do pessoal instrutor do curso de evasão e este ano por iniciativa do director do curso foi decidido juntar os antigos directores, subdirectores, agentes e neste momento estou com 72 inscrições. Não é um almoço. É um exercício especial que vai decorrer pela região raiana. A concentração está marcada para as 10 horas da manhã de sábado, dia 12 de Setembro, na Câmara Municipal de Penamacor de onde seguimos para as instalações da carreira de tiro da Meimoa. No castelo do Sabugal vamos aproveitar para tirar uma fotografia de grupo e vamos ser recebidos por representantes do Município e, de seguida, na «Casa do Castelo» e no CyberCafé «O Bardo» para um «exercício de Porto de Honra». Vamos passar pela vila do Soito, do amigo Matias, para uma prova com um aperitivo e a prova de sobrevivência está marcada para o TrutalCôa com truta frita e enchidos regionais. Cumprindo militarmente o roteiro vamos visitar o Centro Cívico dos Fóios para mais um «exercício» que servirá para dar início à «evasão» até Aldeia de São Sebastião. Para as 17:30 horas está marcada uma foto de grupo no monumento ao general Wellinton na Freineda.
– Este «exercício» demonstra que o José Reis sente a Raia?
– Sou um raiano convicto e tudo faço para divulgar a nossa região. Ainda não nos preocupam muito os problemas das cidades e por isso continuamos a ter muita qualidade de vida. Como costuma dizer o nosso conterrâneo professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, «nós somos de uma zona que quando se bate à porta primeiro mandam-nos entrar e depois perguntam-nos quem somos». Este «exercício» serve para divulgar a Força Aérea que tenho muito gosto em servir e para que as populações falem bem dos militares e os militares falem bem da nossa região.
A terminar aqui deixamos mais um curioso episódio da vida deste militar raiano. «Por alturas do São Martinho o José Mendes Matias, presidente da Junta de Freguesia do Soito, fez-me chegar uma encomenda com castanhas. Aproveitei para as enviar para os militares portugueses que estão no Afeganistão com um galhardete da Junta. Os elementos do contingente devolveram-no assinado por todos. Agora guardo-o, com muito orgulho, no meu gabinete.»
Aproveitámos para convidar José Reis a estar presente no dia 7 de Novembro, no próximo almoço em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano e a inscrever-se como confrade. O convite foi aceite.
jcl
O ministro do Ambiente, Nunes Correia e a sua homóloga espanhola, Elena Espinosa Mangana, assinaram em Penamacor esta terça-feira, 28 de Julho, Dia Nacional da Conservação da Natureza, um protocolo para a cedência de 20 linces nascidos em cativeiro em Espanha.
O presidente da Câmara Municipal de Penamacor, Domingos Torrão, foi o anfitrião da cerimónia de assinatura do protocolo para a introdução na Serra da Malcata de linces nascidos em Espanha. O Fado, o Eucalipto, a Espiga e a Erika são alguns dos 20 linces (14 machos e seis fêmeas) integrados no Plano de Acção para a Criação em Cativeiro do Lince Ibérico que prevê a implementação em Portugal, no prazo máximo de três anos, de um programa detalhado para a reintrodução dos animais nas zonas de habitat histórico da espécie.
O ministro Nunes Correia afirmou que «a Serra da Malcata é uma zona de eleição e será uma das primeiras regiões a receber o lince». O governante e a sua homóloga espanhola sublinharam a importância do esforço conjunto dos dois países para a recuperação da emblemática espécie ibérica.
O presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão manifestou na sessão de assinatura do protocolo a vontade de receber linces. «O que queremos é o lince, porque o lince é de cá», acrescentando para reforçar o desejo que o município já registou a marca «Terras do Lince».
A Reserva Natural da Malcata, criada em 1981, está a tentar aumentar a densidade média de coelho-bravo (que representa 80 por cento da alimentação do lince). Em algumas zonas conseguiu passar de um coelho por hectare para cinco, no período de 1997 a 2006. Para isso promoveu o refúgio ao abrir clareiras e plantar centeio, construiu 180 abrigos e, em 1994 e de 1997 a 2003, repovoou a zona com 1200 coelhos.
Actualmente, Espanha tem 77 linces nos seus centros de reprodução em cativeiro. Os 20 animais que foram cedidos a Portugal virão de El Acebuche (em Doñana), La Olivilla (Raen) e de Jerez de la Frontera.
Os registos indicam 1992 para o último lince avistado em liberdade na Serra da Malcata «penamacorense».
jcl
A Casa do Benfica em Belmonte já estreou os equipamentos oficiais da época de cicloturismo 2009. A cerimónia aconteceu de uma forma muito adequada a situação. Uma ida à Serra da Estrela, neste domingo 19 de Julho, com muito suor para testar os equipamentos.
O tom vermelho como pano de fundo, e sobre o equipamento as marcas e logótipos dos patrocinadores, que a secção agradece o grande apoio.
A caminho da Serra e do alto para o regresso a Belmonte, um dos locais que mereceu grande atenção aconteceu na zona do Pelourinho na cidade da Covilhã. Depois da grande descida, restavam cerca de 20 quilómetros até ao alto de Santo Antão, onde estava prometida uma participação nas Festas da Freguesia de Belmonte.
Mas no percurso, este domingo ninguém prestou atenção às bicicletas, as atenções estavam viradas para a vestimenta.
De azul tivemos uma boa companhia este domingo. Um dia antes de viajar de novo para o seu país de acolhimento, para a Suíça, este nosso amigo, que desde já peço desculpa por não ter perguntado o nome, sabemos que é de Famalicão da Serra e que diga o David, foi uma boa companhia para puxar pernas. Felicidades e até para o ano.
E foi assim, o dia de estreia dos equipamento da recém criada Secção de Cicloturismo da Casa do Benfica em Belmonte. Agradecer também a óptima recepção da Junta de Freguesia de Belmonte, no dia em que se festejou a data dedicada à freguesia belmontense.
Sérgio Gomes
O presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, anunciou que o Ministro do Ambiente virá a Penamacor no 28 de Julho para assinar um protocolo que visa a instalação de um centro de aclimatação do lince ibérico na Reserva Natural da Serra da Malcata.
Segundo a edição on-line do jornal Reconquista, de Castelo Branco, a novidade foi avançada pelo presidente da Câmara na inauguração da Feira das Actividades Económicas de Penamacor, que decorre até domingo.
Nunes Correia corresponde assim a um compromisso assumido aquando da decisão de instalar em Silves, no Algarve, o Centro de Reprodução do Lince Ibérico, facto que na altura motivou fortes criticas dos autarcas de Penamacor e do Sabugal.
Reagindo aos protestos, o ministro do Ambiente prometeu que Malcata receberia linces do Centro de Reprodução algarvio, sendo o agora anunciado centro de aclimatação o primeiro passo nesse sentido.
O protocolo será assinado com Espanha, país que cedeu animais ao centro de reprodução, assim garantindo que o Lince Ibérico voltará a viver no território português.
Tenha-se em conta que a Serra da Malcata, cujo território é repartido pelos Municípios do Sabugal e de Penamacor, foi o último habitat do lince em Portugal.
A escolha do Algarve para instalação do centro de reprodução foi porém justificada pelo governo com o facto de a mesma ter sido suportada pela empresa Águas do Algarve, como medida de compensação pela construção de uma barragem.
Domingos Torrão sente ter valido a pena protestar: «Nós não queremos que o lince nos fuja, nós queremos que o lince seja uma mais-valia para Penamacor», disse o autarca, citado pelo Reconquista.
plb
O escritor José Saramago vai iniciar esta quinta-feira, 18 de Junho, a partir de Lisboa o percurso de Salomão, no seu mais recente livro «Viagem do Elefante», rumo à fronteira luso-espanhola. O convite partiu da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo que viu o nome da localidade destacado na obra do Prémio Nobel. O trajecto do elefante Salomão incluiu, também, Sortelha e Sabugal na sua longa viagem até à corte austríaca.
A leitura atenta do livro «A viagem do elefante», onde Figueira de Castelo Rodrigo ocupava lugar de destaque, levou a Câmara Municipal local a convidar o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, para uma visita à aldeia histórica.
De acordo com informações do município de Castelo Rodrigo à Agência Lusa, José Saramago aceitou o repto e deverá chegar a Castelo Rodrigo, ruínas do Palácio Cristóvão de Moura, cerca das 17.30 horas desta quinta-feira, para aí pernoitar. No dia seguinte o escritor seguirá a rota da «A Viagem do Elefante» com destino a Valladolid.
Segundo a Fundação José Saramago, o autor elaborou um itinerário pela «rota portuguesa de Salomão», que parte de Lisboa (Belém) no dia 18 de Junho, e passa por Constância, Castelo Novo, Fundão, Sortelha, Sabugal, Cidadelhe e Figueira de Castelo Rodrigo.
A ideia para o romance, ou conto como lhe prefere chamar o autor, surgiu de um acaso. Quando estava num restaurante em Salzburgo, chamado «O Elefante», José Saramago reparou numa pequena escultura em madeira da Torre de Belém e é informado que tal se deve ao registo de um itinerário feito por um elefante, que em 1551 foi de Lisboa a Viena como oferta do rei D. João III ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V. O animal vindo da Índia estava há dois anos em Lisboa, mais propriamente em Belém, e era desconhecido da maior parte dos europeus.
E é com base nesses escassos elementos e na sua poderosa imaginação que José Saramago desenvolve a sua mais recente obra «A Viagem do Elefante», escrita em condições de saúde muito precárias.
«[Contei esta história] em primeiro lugar, porque me apeteceu, e em segundo lugar, porque, no fundo (se quisermos entendê-la assim, e é assim que a entendo) é uma metáfora da vida humana», disse Saramago à agência Lusa. «Este elefante que tem de andar milhares de quilómetros para chegar de Lisboa a Viena morreu um ano depois da chegada e, além de o terem esfolado, cortaram-lhe as patas dianteiras e com elas fizeram uns recipientes para pôr os guarda-chuvas, as bengalas, essas coisas», referiu.
Em epígrafe, Saramago escreve: «Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.» Esse sítio é a morte, explicaria mais tarde.
jcl
As motas participantes na 11.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés entraram por Vilar Maior, mas Alfaiates foi o único ponto de paragem obrigatória no concelho do Sabugal. Junto ao castelo medieval elementos da associação local e da Junta de Freguesia distribuíram sandes, águas e refrigerantes aos participantes.
| GALERIA DE IMAGENS – 12-6-2009 |
| Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar |
No último fim-de-semana de Junho o Festival da Comenda na praia fluvial da Meimoa, no concelho de Penamacor, é o lugar certo para aliviar do stress. Um arraial popular, festival de folclore, danças e canções tradicionais, percursos pedestres e provas de btt vão animar a Princesa da Cova da Beira.
O Festival da Comenda na Meimoa, concelho de Penamacor, está marcado para o último fim-de-semana de Junho. Nos dias 27 e 28 a praia fluvial da Meimoa é o lugar certo para aliviar do stress do dia-a-dia
A Meimoa, princesa da Cova da Beira, é um lugar paradisíaco no Verão e o mais fresco da Beira Baixa e já há quem lhe chame a Cascais da Beira Baixa.
No sábado à noite, a partir das 21 horas, deliciem-se a ver e ouvir as danças e canções tradicionais no Festival de Folclore com as participações dos Narcisos de Manteigas, do Rancho Folclórico de Cebolais, Orquestra de Harmónicas de Ponte de Sôr e os Grupo de Cantares do Meimão e da Meimoa.
No domingo comece a manhã a pedalar (ou a caminhar) e ganhe uma bicicleta, um capacete, uma t-shirt e o almoço por 70 euros. Pode inscrever-se já comodamente na Internet.
Entretanto satisfazendo o pedido de muitas pessoas haverá um percurso pedestre ao longo das margens do rio para os que não sabem andar de bicicleta com direito a almoçar por apenas 10 euros. Em alternativa os participantes podem almoçar nos dois excelentes restaurantes da Meimoa.
Ao fim da tarde estão todos convidados para ser divertirem no arraial dos Santos Populares da Praia Fluvial.
Juntam-se neste evento uma série de circunstâncias que o tornam muito atractivo: Meimoa foi Comenda da Ordem de Avis durante mais de 400 anos e sobre ela se prepara um livro para este ano, razão mais do quesuficiente para a designação do evento; durante a tarde, quem for amante da náutica poderá ir até à Barragem da Ribeira da Meimoa e aí passar a tarde a refrescar-se; à noite haverá arraial dos santos populares com as tradicionais sardinhadas e fogueira popular; na noite do dia anterior (27 de Junho) haverá na aldeia, um vistoso e alegre festival de folclore, com cinco grupos de dança e cantares; poderá ainda saborear a gastronomia local, feijoada, ensopado de borrego e outras iguarias servidas na praia ou nos dois restaurantes da aldeia. Tudo isto no espaço encantador e repousante da praia fluvial da Meimoa. A organização está a cargo da Associação Cultural, Desportiva e Recreativa Amigos da Meimoa, da Junta de Freguesia da Meimoa, do Centro de Dia São Domingos da Meimoa e do Grupo de Cantares da Meimoa e o apoio da Câmara Municipal de Penamacor.
Não há, portanto, qualquer desculpa para se ficar em casa a matutar na crise! Venha à Meimoa e divirta-se!
Atenção que já faltam poucos dias para encerrar as inscrições do «Bike da Comenda».
Para mais informações consulte a página do Festival. Aqui.
António Cabanas
As motas entraram por Vilar Maior, mas Alfaiates foi o único ponto de paragem obrigatória no concelho do Sabugal. Junto ao castelo medieval elementos da associação local e da Junta de Freguesia distribuíram sandes, águas e refrigerantes aos participantes.
Esta foi a 11.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés, iniciativa que junta motards de todo o país e do estrangeiro, para fazerem o percurso de Norte a Sul de Portugal. As motas saíram ontem, dia 12 de Junho, de Boticas, perto de Chaves, tendo como destino final Olhão, no Algarve, onde chegarão amanhã.
O almoço dos participantes foi em Mêda, no distrito da Guarda. Depois as motas seguiram para sul, tendo cruzado o concelho do Sabugal. Passaram pela aldeia histórica de Vilar Maior e dirigiram-se a Alfaiates, local onde tinham um ponto de abastecimento de víveres e de bebidas frescas. Chegaram aos grupos de cerca de dez motociclistas e, após breve paragem, seguiram o seu rumo.
De Alfaiates as cerca de 900 motas foram por Aldeia Velha, Aldeia do Bispo, Fóios, Vale de Espinho, Quadrazais, Sabugal, Aldeia de Santo António e Sortelha, entrando depois na Beira Baixa, em direcção a Castelo Branco, cidade onde a organização garantiu o jantar e a pernoita.
Alfaiates foi a única paragem durante a tarde, e ali os motards foram bem recebidos pelos elementos da Junta de Freguesia, da Câmara e do Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates, que lhes ofereceram o esperado apoio. Incasável o presidente da Junta de Freguesia, Francisco Baltazar, garantia que tudo correria pelo melhor. «Este foi o único ponto de paragem no concelho, porque no resto das terras é apenas ver e andar», disse o presidente visivelmente satisfeito pelo papel preponderante de Alfaiates. «O apoio foi garantido pela Câmara Municipal, com a colaboração da Junta de Freguesia e da nossa Associação» disse ainda o autarca.
Muitos populares vieram até ao largo do castelo observar as máquinas que iam chegando sucessivamente em pequenos grupos. Entre os motards reinava a boa disposição. Havia motas de todas as marcas e feitios, desde a mítica Harley até à não menos mítica vespa.
plb
Defendi e defendo que as estratégias de desenvolvimento do Concelho do Sabugal e da Sub-Região onde se insere, devem apostar na cooperação transfronteiriça englobando os eixos urbanos Guarda-Covilhã-Fundão-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.
Por isso, as páginas centrais do Diário de Notícias do passado dia 2 de Junho, subordinadas ao título «Cidades da Raia Ibérica querem falar a uma só voz» não podem deixar de ser lidas como um sinal de alerta e de profunda preocupação.
Na verdade, do texto escrito pela jornalista Paula Sanchez, retiram-se conclusões muito gravosas para o nosso Concelho. Assim, percebe-se que:
– Se pretende criar, a norte, uma ligação privilegiada em torno da reactivação da linha férrea entre o Pocinho e Barca d’Alva, com ligação a Salamanca;
– Se pretende aprofundar a ligação Castelo Branco – Portalegre – Cáceres – Plasência, que há dez anos constituíram o Triângulo Urbano Ibérico-Raiano (TRIURBIR).
Como claramente se percebe, o Sabugal e a Guarda ficam entalados entre estas duas formas de cooperação transfronteiriça, das quais não retiram, antes pelo contrário, quaisquer benefícios.
Assim, o reforço da ligação ferroviária e das relações económicas entre Salamanca e o Norte de Portugal, retirarão a importância que hoje assume a linha da Beira Alta, perspectivando um eixo de desenvolvimento transfronteiriço que «esqueça» a ligação à Guarda.
Por outro lado, a aposta de Castelo Branco num eixo virado a sul (Portalegre), retira claramente importância ao eixo Guarda-Castelo Branco.
Estes novos dados não podem ser ignorados pois eles condicionarão de forma muito intensa o futuro do nosso Concelho.
Questões como:
(i) o reforço do papel do porto de Aveiro, enquanto lugar natural de saída/entrada de mercadorias do Centro de Portugal e do Centro de Espanha;
(ii) a modernização da Linha da Beira Alta e da sua ligação àquele porto, numa perspectiva de transporte de mercadorias;
(iii) a consolidação e afirmação transfronteiriça da Plataforma Logística da Guarda (PLIE);
(iv) o reforço das relações do Centro do País com o Centro de Espanha;
(v) a procura de pontos de encontro/colaboração entre a Guarda, a Covilhã, o Fundão (no seio da Comurbeiras), mas sempre tentando chamar a este grupo Castelo Branco, eis um conjunto de questões a que o Sabugal não pode ficar indiferente.
O futuro do Concelho não é viável se nos considerarmos uma ilha isolada. Somos parte de uma realidade mais alargada e, se formos actores activos e inteligentes, poderemos ter um papel fundamental no desenvolvimento desta Região.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
O segundo aniversário do Porsche Fans Portugal está marcado para os dias 27 e 28 de Junho na Serra da Estrela. As míticas máquinas vão passear-se pelas belas paisagens naturais de Belmonte, Fundão e Torre depois de se terem concentrado, em Maio, na região de Mafra para visitar a colecção de carros clássicos do engenheiro José Mira. Entretanto o presidente do clube, José Jacob, já mostrou interesse em voltar a organizar uma concentração no Sabugal em 2010…

As iniciativas do Porsche Fans Portugal – a próxima denomina-se «IX Encontro Porsche Fans -II Aniversário – 27, 28 Junho» – são momentos marcantes para os participantes, para os espectadores e para os organizadores e apoiantes.
O Capeia Arraiana dá a palavra a palavra José Jacob, porschista convicto, e presidente do Porsche Fans Portugal que lembra como tudo começou: «Vamos celebrar o nosso segundo aniversário. Comecei a trabalhar neste projecto no dia 5 de Julho de 2007. Sexta-feira, 6 de Julho, pelas 00.31 horas, o Porsche Fans Portugal nascia, e a aventura começava. O primeiro aniversário foi celebrado na Serra da Estrela nos dias 4, 5 e 6 de Julho de 2008. A concentração foi em Sortelha e depois partimos para Seia. Tivemos 18 carros.»
«Para este ano voltamos à Serra da Estrela, um local emblemático, que nos traz gratas recordações», revela o presidente do Clube Porsche Fans.
A concentração está marcada para o dia 27 de Junho no Hotel Varanda dos Carquejais. Após as boas-vindas será dada a saída para um passeio pela Serra da Estrela com almoço na Pousada Histórica de Belmonte. O passeio da parte da tarde inclui uma visita com lanche à Adega Quinta dos Termos e regresso ao hotel ao final do dia para jantar. O segundo dia o GPS indicará a direcção do Fundão onde terá lugar um slalom em espaço vedado com almoço no Restaurante Regional «O Mário».
O VIII Encontro Porsche Fans e Clássicos, no passado mês de Maio, levou os aficcionados até à zona de Mafra para visitarem o Museu de Carros Clássicos do engenheiro José Mira que marcou presença no Sabugal com dois Porsches e um Ford A.
Para José Jacob o encontro na zona de Mafra superou todas as expectativas. «Sabemos que fazer algo perfeito não é possível contudo por vezes sentimos que dificilmente poderemos melhorar algo. Neste grande encontro juntámos cerca de 100 automóveis, Porsches e Clássicos em geral, num evento nunca antes tentado em Portugal, e que resultou muito bem, numa simbiose perfeita entre máquinas e pessoas. Seria possível fazer melhor, ou termos mais sucesso? Não sei mas penso que dificilmente, tal o grau de satisfação que sentimos, neste evento, em que tudo funcionou, ainda melhor do que previsto. Ainda por cima todas as receitas recolhidas reverteram a favor das obras de restauro da Igreja da Azueira. Fez-me lembrar o Sabugal em Novembro de 2008, mas agora ainda numa escala maior, já que se no Sabugal tivemos cerca de 35 carros, aqui foram 100, e se no Sabugal não havia mais do que três clássicos, aqui passaram os 60, com os Porsches a atingirem a marca histórica de 37», concluiu José Jacob.
Entretanto o calendário provisório das actividades para 2010 do Porsche Fans Portugal inclui a II Concentração Ibérica Porsche Fans no concelho do Sabugal. Vamos tentar concretizar este desejo mútuo.
Ver reportagem do 1.º Aniversário do Porsche Fans Portugal Aqui.
Ver reportagem da visita ao Museu dos Clássicos de José Mira Aqui.
Porsches no Sabugal em 2010? É possível! Mas… sem neve e com muito sol!
jcl
O ministro do Ambiente, Nunes Correia, admitiu em declarações ao jornal «Reconquista» que a Reserva Natural da Serra da Malcata poderá vir a acolher alguns linces ibéricos nascidos em cativeiro provenientes de Espanha. Mas… tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho naquela zona protegida.
O Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, inaugurado em Silves (Algarve) em Maio, está pronto para receber em breve os primeiros felinos.
Nunes Correia, ministro do Ambiente, em declarações ao jornal «Reconquista» admite que a serra da Malcata também poderá vir a acolher alguns linces mas tudo depende do sucesso da reintrodução do coelho, principal alimento do lince, na serra situada entre os concelhos do Sabugal e de Penamacor.
Recorde-se que a instalação do Centro de Reprodução do Lince Ibérico no Algarve foi contestada pelas autarquias do Sabugal e de Penamacor, que partilham o território da Reserva Natural da Serra da Malcata, criada em 1981 no âmbito de uma campanha pela preservação do lince.
O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), Tito Rosa, confirma que «há dificuldades na reintrodução da população de coelhos nesta área protegida. Actualmente quase não há coelhos na serra da Malcata, devido à caça e à prevalência de doenças que, nos últimos anos, dizimaram a presa. Por isso, a reintrodução do lince na Serra da Malcata ainda é uma incógnita, apesar de nos próximos meses estar prevista a chegada a Portugal de alguns destes animais, provenientes do parque de Doñana, em Espanha».
jcl (com jornal «Reconquista»)
Entre os dias 30 e 31 de Maio o Banco Alimentar contra a Fome da Cova da Beira vai levar a efeito mais uma campanha de recolha de alimentos. Nas 15 regiões aderentes a este projecto vão estar mais de 23.000 mil voluntários devidamente identificados estarão à porta dos estabelecimentos comerciais.
Nas Beiras Raianas a campanha mobilizará aproximadamente 500 voluntários, que recolherão as contribuições efectuadas em 25 estabelecimentos comerciais. Estas serão mais tarde enviadas para os armazéns do Banco Alimentar.
O produto da campanha, ainda com recurso ao voluntariado, será distribuído localmente a partir da próxima semana, através de 40 Instituições de Solidariedade Social previamente seleccionadas, a cerca de 3.000 pessoas com carências alimentares comprovadas.
O Banco Alimentar Contra a Fome de Cova da Beira apela por isso mais uma vez à solidariedade. No ano passado a instituição distribuiu em total de 168,8 toneladas de alimentos (equivalentes a um valor global estimado de 246,6 mil euros), ou seja, um movimento diário médio de 680 kgs.
Está na nossa mão ajudar quem necessita.
Noutros tempos nas aldeias do Sabugal quando, em Dezembro, as famílias matavam o marrano era habitual deixar um quinhão de lado para esmolar as casas mais pobres ajudando a confortar a noite da Consoada. Os tempos são outros. Ou talvez não…
aps
A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu um computador e ouviu funcionários da Câmara de Penamacor na sequência de denúncias contra a autarquia, segundo informou ontem o presidente do município, Domingos Torrão (PS), no decurso de uma reunião pública do executivo, em resposta a questões dos vereadores da oposição.
Segundo uma notícia entretanto divulgada pela agência Lusa, Domingos Torrão não revelou contudo pormenores sobre as diligências da PJ, nem sobre as matérias em causa.
Domingos Torrão informou que a Judiciária está a averiguar assuntos anteriores a Janeiro de 2002, o que abrange a época em que foi vice-presidente da autarquia, antes dos dois mandatos que viria a liderar.
Questionado pela agência Lusa, o autarca recusou-se a adiantar mais pormenores.
«Não fui ouvido, nem ninguém do executivo», referiu. «Perguntaram-me apenas se queria colaborar, respondi que estamos de portas abertas», sublinhou, referindo que na quinta-feira houve funcionários da autarquia ouvidos pela PJ no posto da GNR.
Entre as diligências efectuadas, os quatro elementos da Judiciária apreenderam «um computador». «Não sei o que lá estava», referiu o presidente do município.
Durante a reunião do executivo, Domingos Torrão referiu que a acção da PJ teve por base «exactamente o mesmo que se tem passado nos últimos anos: denúncias anónimas».
Domingos Torrão aludiu a correspondência «para a Inspecção-Geral de Administração Local (IGAL), Procuradoria e Polícia Judiciária feita ao longo dos anos» e que também já levou a IGAL à autarquia.
«Ainda bem que a IGAL já esteve, fez um relatório, exercemos o contraditório e aguardamos agora o relatório final», referiu.
«Continuamos disponíveis para colaborar com todas as entidades, sejam elas quais forem». «Aguardamos serenamente que tudo isto chegue ao fim», concluiu o autarca.
plb
O Clube Automóvel 6 Kinas nasceu no ano de 2002 quando seis amigos decidiram comprar um terreno e definir um traçado competitivo para provas automobilistas em terra batida. O circuito recebeu o nome de «Pista da Galgueira» e situa-se muito perto da estrada que liga Aldeia de Santo António a Sortelha. A primeira prova de 2009 integrada no 5.º Troféu Inter-Regional de Autocross, Kartcross e Moto4 dos concelhos do Sabugal, Penamacor, Belmonte e Mação, tem lugar no domingo, 24 de Maio.
O Clube Automóvel 6 Kinas, nasceu no ano de 2002, quando seis amigos, depois da compra de um terreno decidiram começar a fazer corridas de automóveis em terra batida. Nesse tempo era um desporto completamente subdesenvolvido, ou mesmo inexistente, no concelho do Sabugal.
Os seis amigos, que deram o nome ao clube, razão dos seis kinas e não cinco quinas, como seria mais lógico, tinham como grande impulsionador na ideia, João Rabaço, já experiente neste tipo de desporto. Os restantes elementos do grupo eram Nélson Borges, Carlos Borges (Calucha), Daniel Vinhas, Daniel Pereirinha e Miguel Batista.
Nos dois primeiros anos foram ocupados na realização do traçado da pista, considerada por muitos uma das melhores a nível nacional, no que diz respeito à visibilidade do publico, à criação da associação, o que viria a acontecer em 2004 e à realização de algumas corridas, para testar a capacidade dos seus organizadores.
No ano de 2005 o «Clube Automóvel 6 Kinas», juntamente com a «ADEP» de Penamacor, criou um troféu Inter-Regional de Autocross, que cumpre em 2009, com uma difusão e organização considerável, a sua 5.ª edição.
Os troféus tiveram a participação de pilotos do Sabugal, Penamacor e Caria (2005); Sabugal, Penamacor e Castelo Branco (2006); Sabugal, Penamacor, Castelo Branco e Mação (2007); e Sabugal, Penamacor, Belmonte e Mação nas edições de 2008 e 2009.
O «Clube Autómovel 6 Kinas» é, actualmente, presidido por António Morgado, tendo já sofrido algumas alterações a nível dos seus criadores e corpos gerentes.
É objectivo da colectividade homologar a pista da Galgueira, em Aldeia de Santo António, no concelho do Sabugal, visando num futuro não muito longínquo, a possibilidade de integração da mencionada pista, no Nacional de Autocross.
Existe igualmente por parte do clube a intenção de desenvolver outras actividades no mencionado espaço, sempre com a intenção de dinamizar o gosto pelo desporto automóvel e por consequência o Concelho do Sabugal.
No sentido de melhorar as condições da pista da Galgueira, tanto a nível técnico para uma posterior homologação federativa, como para beneficiar as condições de funcionamento e bem-estar do público, este clube conta com a ajuda da Câmara Municipal do Sabugal e com o esforço dos criadores e sócios desta associação. Os dirigentes do clube, com espírito de sacrifício e iniciativa, tentam acrescentar outros focos de interesse ao nosso concelho, podendo no caso de ser bem sustentado e apoiado criar benefícios para o mesmo, nomeadamente ao nível de animação, visibilidade e turismo.
Daniel Vinhas
A comissão organizadora da «Bienal do Azeite ’09 – II Feira Nacional» apresenta esta quarta-feira, 13 de Maio, na Assembleia da República um conjunto de necessidades e perspectivas para o sector do azeite em Portugal.
Após o debate quinzenal terá lugar uma prova comentada de degustação de azeite e produtos tradicionais, com a presença do chef Chakall, que tem como objectivo degustar azeites de várias regiões, ensinando a distinguir as suas particularidades e diferenças e, simultaneamente, apresentar o projecto Bienal do Azeite ’09 – II Feira Nacional.
Representantes da Câmara Municipal de Castelo Branco, da Confraria do Azeite, da Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior (APABI) e da Casa do Azeite, reúnem-se com a Sub-Comissão de Agricultura, presidida pelo deputado Miguel Ginestal, para discutirem o desenvolvimento sustentável do sector. Ao final da tarde, no restaurante da nova ala da Assembleia da República, a comitiva da Bienal do Azeite ‘09, proporciona aos deputados um momento de descontracção gastronómica através de uma prova comentada de degustação de azeite de várias regiões do País.
Subdividido por regiões de produção reconhecidas como Denominação de Origem Protegida (DOP) – sendo as regiões do Alentejo e Trás-os-Montes as mais representativas, seguidas pela Beira Interior e Ribatejo – o mercado do azeite em Portugal atravessa uma fase de fortes oportunidades a nível nacional e internacional. A discussão de estratégias futuras e debate sobre as principais questões que actualmente preocupam o sector constitui o mote para este encontro que contará, de igual modo, com representantes de todas as regiões produtoras de Portugal.
Os países produtores da União Europeia, entre os quais se encontra Portugal, são responsáveis por 76 por cento da produção a nível mundial, segundo os dados do sector da Casa do Azeite, o que aumenta a responsabilidade de todos os envolvidos na produção nacional deste produto, em apostar no aumento do consumo e em criar campanhas, também levadas a cabo pela União Europeia, que comuniquem os benefícios do azeite para a saúde.
aps






















A partir deste sábado, 16 de Maio, o semanário «Expresso» distribuído na Beira Interior traz também o jornal «O Interior». Assim, os leitores habituais da publicação de Pinto Balsemão na Beira Interior Norte e Sul passam a levar para casa no mesmo saco dois semanários.
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