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A antiga deputada do PSD Ana Manso foi nomeada para presidir à Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, substituindo o médico Fernando Girão. O facto indignou o ex-presidente da Câmara de Manteigas, José Biscaia, que já tinha anunciado estar indigitado para ocupar o cargo.
Da nova equipa directiva da ULS faz também parte Miguel Martins administrador hospitalar natural do Sabugal que tem exercido funções no Centro Hospitalar do Oeste Norte, nas Caldas da Rainha. Miguel Martins já foi técnico superior na Câmara Municipal do Sabugal.
Do conselho de administração presidido por Ana Manso fazem ainda parte Fátima Cabral (directora clínica hospitalar), José Luís Barreiros (director clínico de cuidados primários) e Ester Vaz (enfermeira directora).
A nomeação de Ana Manso causou porém uma reacção de indignação por parte de José Biscaia, ex-presidente de Câmara e antigo gestor público, que esperava ser ele o escolhido para o lugar. Em declarações à Lusa considerou que o facto de não ser previamente informado da mudança de planos é «uma atitude eticamente indevida» e sem «um mínimo de educação».
José Biscaia, segundo contou à Lusa, chegou a ser indigitado pessoalmente pelo Ministro da Saúde, Paulo Macedo, a 21 de Outubro: «O ministro escolheu-me. Não aceito, venha de um ministro, venha de quem vier, o facto de me ter convidado pessoalmente e em contraponto não ter feito a mesma coisa» para informar que «a escolha era inconsequente».
Para José Biscaia, «se havia alguma incompatibilidade» que o impedisse de exercer o cargo, «devia receber essa informação. Não quero admitir que tenha havido manobras de corredor que tenham influenciado a decisão do ministro».
plb
A convite da Escola de Judo Ana Hormigo, a secção de Judo do Sporting Clube do Sabugal (SCS), deslocou-se no passado Sábado, 3 de Dezembro, com 13 dos seus mais jovens judocas (dos 5 aos 11 anos), ao IV Torneio de Natal, organizado pelo clube da atleta olímpica, albicastrense, estando presentes mais de cem pequenos judocas do distrito de Castelo Branco e zona limítrofe.

Todos os atletas do SCS competiram em grupos diferentes, permitindo assim novas vivencias, com atletas de outros clubes. Embora este tipo de torneio servir para ajudar os judocas de tenra idade na sua maturação competitiva, não correspondendo sempre os resultados ao que o atleta poderá vir a ser no futuro, a participação torna-se para cada um dos lutadores um desafio importante e motivador. Este tipo de torneios tem vindo a ser cada vez mais participativos pela necessidade de os pequenos atletas até aos 12 anos ganharem as competências necessárias para que os futuros competidores estejam devidamente enquadrados e preparados.
Esta última participação do Clube Raiano neste grupo de escalões etários, para 2011, foi bastante positiva, pelo facto dos atletas que atingiram os primeiros lugares do pódio, o terem feito de forma meritória, obtendo assim três primeiros lugares, três segundas posições como resultados a destacar. Todos os competidores estiveram ao nível do que lhes era exigido e mesmo os que obtiveram o bronze, se destacaram pela forma como defenderam as suas cores. Todos os participantes estão portanto de parabéns e aguardam de certeza a próxima prova.
Classificação dos judocas do SCS:
JOANA CARREIRA – 1ª
BEATRIZ PINHEIRA – 1ª
LUANA HILÁRIO – 3ª
ALEXANDRA NABAIS – 3ª
EDUARDO CASTILHO – 1º
MARCO ROCHA – 2º
JOÃO CALDEIRINHA – 2º
JOÃO NECA – 2º
DIOGO SILVA – 3º
DAVID BRANCO – 3º
CLÁUDIO PACHECO – 3º
MARCO BRANCO – 3º
BERNARDO PIRES – 3º
djmc
O Movimento Sim – pela criatividade em Portugal, anunciou que «O Maior Madeiro do País», de Penamacor, foi eleita a tradição de Natal mais criativa de Portugal, após uma votação através da Internet.

O Madeiro de Penamacor, que venceu de forma expressiva, dará agora o mote a uma curta-metragem da autoria do realizador Manuel Pureza, que já está em Penamacor para acompanhar os preparativos da tradição natalícia.
Manuel Pureza é um jovem cineasta que já trabalhou com vários realizadores portugueses e estrangeiros. Conta já com várias curtas-metragens e videoclips, dos quais se destacam os telediscos dos Macacos do Chinês. Lua Vermelha e Rosa Fogo são exemplos dos seus mais recentes trabalhos.
O Madeiro de Penamacor é a maior fogueira de Natal do país. Todos os anos, com o aproximar do Natal, os jovens em idade de cumprir o serviço militar unem-se para cortar e transportar os troncos que alimentarão a fogueira para aquecer o Menino Jesus. O grande monte de madeira, depositado no adro da igreja, é ateado ao cair da noite do dia 23 e mantém-se aceso durante vários dias.
Em Penamacor, a chegada do Madeiro tem data marcada, e o acto assume foros de festividade. A função inicia-se no dia 8 de Dezembro, quando a população acorre generosamente à rua para saudar o cortejo de tractores e reboques, em número que procura sempre bater o antecedente, onde os jovens atiram à rebatina os frutos do ramo de laranjeira que a praxe manda trazer, cantando acompanhados à concertina.
O Capeia Arraiana, que apoiou a candidatura do «maior madeiro do País» à tradição de Natal mais criativa de Portugal, congratula-se com o resultado da votação. Parabéns Penamacor!
plb
No dia 17 de Dezembro (sábado) vai ser apresentado o livro «acidente poético fatal», da autoria de Américo Rodrigues, escritor, actor e director do Teatro Municipal da Guarda (TMG). O acto acontecerá na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na cidade da Guarda, pelas 18 horas.
A apresentação do novo livro de poesia de Américo Rodrigues, editado pela Luzlinar e Bosqíman:os, estará a cargo de Pedro Dias de Almeida. Após a apresentação formal do livro, o autor lerá alguns poemas da obra, numa sessão agendada para as 23 horas do mesmo dia, no Café Concerto do TMG.
Américo Rodrigues nasceu em 1961 na Guarda. É licenciado em Língua e Cultura Portuguesa (ramo cientifico) pela Universidade da Beira Interior e Mestre em Ciências da Fala pela Universidade de Aveiro.
É autor de diversas publicações literárias, tais como «Na nuca» (1982), «Lá fora: o segredo» (1986), «A estreia de outro gesto» (1989), «Património de afectos» (1995), «Vir ao nascedoiro e outras histórias» (1996), «Instante exacto» (1997), «Despertar do funâmbulo» (2000), «O mundo dos outros» (2000), «Até o anjo é da Guarda» (2000), «Panfleto contra a Guarda» (2002), «Uma pedra na mão» (2002), «Obra completa – revista e aumentada» (2002), «O mal – a incrível estória do homem-macaco-português» (2003), «A tremenda importância do kazoo na evolução da consciência humana» (2003), «Escatologia» (2003), «Os nomes da terra» (2003), «A fábrica de sais de rádio do Barracão» (2005), «Aorta Tocante» (2005), «O céu da boca» (2008), «Escrevo-Risco» (2009) e «Cicatriz:ando» (2009).
Foi coordenador dos cadernos de poesia «Aquilo», do boletim/revista «Oppidana», co-director da revista «Boca de Incêndio», coordenador da revista cultural «Praça Velha» e da colecção de cadernos «O fio da memória».
Foi colunista de vários jornais. Foi-lhe atribuído o Prémio Gazeta de Jornalismo Regional e o Prémio Nacional de Jornalismo Regional.
Em 2010 recebeu a medalha de mérito cultural atribuída pelo Ministério da Cultura.
Director do Teatro Municipal da Guarda. Foi animador cultural na Casa de Cultura da Juventude da Guarda/FAOJ (desde 1979 até 1989) e na Câmara Municipal da Guarda (desde 1989), onde coordenou o Núcleo de Animação Cultural.
plb
O Comando territorial da Guarda, da GNR, informou que no passado dia 28 de Novembro deteve um homem de 30 anos idade, residente nos Forcalhos, concelho do Sabugal, pela prática do crime de posse ilegal de armas.
A ocorrência teve na sua origem o recebimento de uma denúncia de ameaça de morte, o que levou os militares do Posto do Soito a uma intervenção imediata, identificando o suspeito, altura em que verificaram que o mesmo tinha no interior do seu automóvel, em cima dos bancos, uma arma de caça indocumentada, a qual foi apreendida. O detido foi presente ao Tribunal Judicial do Sabugal, que validou a detenção e marcou o respectivo julgamento em processo sumário para o dia 9 de Dezembro.
No mesmo dia a GNR de Vilar Formoso identificou um homem de 40 anos, residente nessa localidade, pela prática do crime de furto em residência. A identificação do suspeito ocorreu após ter sido apresentada queixa, dando conta de que um indivíduo encapuzado e armado com um revólver, que mais tarde se veio apurar ser de plástico, havia furtado vários objectos em ouro do interior de uma residência em Vilar Formoso. A acção imediata dos militares da GNR permitiu a recuperação e apreensão dos objectos furtados. O suspeito possui antecedentes criminais e está referenciado pela prática de furto em residências, tendo os factos sido participados ao Tribunal Judicial de Almeida.
No dia 3 de Dezembro a GNR efectuou duas operações de fiscalização a veículos de transporte de mercadorias com particular incidência nos que se destinavam à feira de Vilar Formoso. Foram fiscalizados 12 veículos, o que resultou na elaboração de três autos por crime de contrafacção de mercadorias sujeitas a cumprirem com as formalidades legais relativas ao Código da Propriedade Industrial (CPI) e apreendidas 542 peças (vestuário, calçado, perfumes, relógios) de diversas marcas conceituadas no mercado, com o valor total e presumível de 43.400 euros. Em consequência, foram identificados três indivíduos, residentes nos concelhos do Porto, Viseu e Castelo Branco como sendo os proprietários das mercadorias apreendidas.
plb
«A Raia vista por…» é um projecto transfronteiriço que alia a visão de quatro realizadores, dois portugueses e dois espanhóis, sobre as histórias que compõem a ideia da «Raia» enquanto linha de fronteira que separa Portugal e Espanha, cujo filme tem lançamento marcado para a próxima Sexta-feira, dia 9 de Dezembro, às 21h30, no Pequeno Auditório do TMG, com entrada livre.
O Teatro Municipal da Guarda (TMG) e a Junta de Castilla y León desafiaram realizadores portugueses e espanhóis a filmar a Raia. O resultado pode ser visto agora em DVD com quatro curtas-metragens da autoria dos portugueses Pedro Sena Nunes e Jão Trabulo e dos espanhóis Isabel de Ocampo e a dupla Gabriel Velázquez / Chema de la Peña.
O documentário de Pedro Sena Nunes visa explorar em profundidade a história da construção de uma ponte ilegal na fronteira, que une Portugal a Espanha, assim como sucessivamente diversas histórias semi-ocultas de união e contrabando entre estes dois países. Trata-se de um documentário de sentidos – os sentidos produzidos por terras, que antes de terras são pessoas, face à proximidade humana e simultânea firme diferença cultural. Se pouco acrescenta este filme à conformação de cada uma, deixa uma fundamental nota de reflexão: que pontes construiu o tempo entre línguas, relações e comércios?
Pedro Sena Nunes foi o autor do documentário «Há Tourada na Aldeia» que retrata a capeia arraiana, tradição taurina das terras fronteiriças do concelho do Sabugal.
João Trabulo iniciou-se no cinema com o produtor Paulo Branco na Gemini (Paris) e Madragoa (Lisboa) colaborando em filmes de Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Robert Kramer e Pedro Costa.
Isabel de Ocampo é uma cineasta de Salamanca que recentemente ganhou o prémio Goya para a melhor curta-metragem.
plb
Fim do século XIX na aldeia. Esta é uma história violenta, de bolinha vermelha ao canto do ecrã. Depois de muitas perguntas, muitas dúvidas tiradas com os mais velhos, depois de muitas contas de geração em geração para trás, apurei datas, factos e algum imaginário do Casteleiro de há cento e tal anos. De certeza antes da República.
Como saberá, nos últimos vinte anos antes da implantação da República, houve muita convulsão social em Portugal.
O Casteleiro não escapou a essa situação. Eis um caso sério disso mesmo.
Havia duas facções na aldeia, como em todo o País, pelos vistos: monárquicos de um lado, republicanos do outro. Essa era a regra da cartilha. Mas na minha aldeia, com honestidade, depois de muita conversa com os mais idosos e de muita comparação de dados, não posso afirmar que assim tenha sido. Acho que eram todos monárquicos, como demonstro adiante, embora rivais por outras razões que não essas do alinhamento político em que estamos treinados por toda a escola.
Os chefes de facção (de partido?) eram o Calheiros e o Guerra: de um lado, o sr. Calheiros (julgo que este é que era o Conde Calheiros, título verdadeiro ou não, de que ouvia falar em criança) e o seu filho é que chefiavam o seu partido; do outro, o sr. Manuel José e o ti’ Jaquim Cameira.
Todos monárquicos, julgo. Mas aqui, peço a ajuda do leitor informado. É que, pelo que sei, a família Guerra era monárquica. E como é que o Conde (?) Calheiros ia ser outra coisa? Mas vá lá: admitamos que uns eram republicanos e outros monárquicos… Só que isto não vai lá por manuais: ultrapassa os manuais e os estereótipos…
E já agora repare no tal valor das palavras no linguajar do Povo – deixo aí de propósito o tratamento popular: um, o mais rico, é «senhor» Fulano, o outro, o menos rico, é ti’ (= tio) Beltrano.
A família Calheiros desapareceu toda de repente: a tuberculose não deixou ninguém.
A casa onde a família habitava fora construída no século XVIII: uma boa e ampla construção de granito, muito próxima da igreja.
A família do sr. Manuel José Guerra vivia «em frente», mas pelas traseiras dessa Casa, no edifício mais hoje designado como o «Centro». Mais tarde mudaram-se para a «Quinta». O filho, o Dr. Guerra e a nora, D. Maria do Céu, não tiveram filhos. A fortuna foi sempre gerida pelo Sr. João Rosa.
A campanha foi violenta
Voltando à história da campanha partidária forte: decorria a campanha eleitoral para os deputados da Nação. Conto como ouvi. Tradição oral, portanto. Estaremos no final da década de 1890 ou mesmo nos primeiros anos de 1900. Esta foi uma campanha violenta.
Parece que o episódio que aqui trago foi sempre só meio cochichado, dadas as consequências trágicas que teve.
O filho do sr. Calheiros queria meter os adversários em casa e dominar a rua.
Para tanto, usava apenas isto: uma barra de ferro pesada. O alvo: as cabeças dos adversários políticos.
Uma noite, numa ruela que é mais um beco estreito, a Rua dos Cardadores, altas horas, o ti’ Jaquim Cameira foi agredido com a barra de ferro pelo Calheiros jovem. Mas as coisas correram mal para o lado do Calheiros: o ti’ Jaquim Cameira era possante (como, aliás, o filho, o ti’ António Joaquim Cameira, que, quando se passeava na aldeia imponente no seu cavalo alto, metia todo o respeito do mundo: a miudagem ficava mesmo embasbacada com a cena).
Com a mesma barra de ferro, que lhe tirou das mãos – os dois absolutamente sozinhos na noite escura como breu numa aldeia que dormia dos trabalhos do campo e se preparava para novo dia de labuta muito dura – «deu-lhe umas cacetadas valentes», como se contava na família com orgulho. Mas o resultado foi fatídico: o jovem Calheiros esteve uns meses doente, de cama até, e acabaria por morrer disso. A sorte do ti’ Jaquim Cameira é que não havia viv’alma na rua, não houve testemunhas e tudo não passou de um susto na família…
Hoje, mesmo sem sabermos desta e de outras histórias, nós somos os herdeiros deste Casteleiro de sempre – certo?
Note que daí por 70 ou 75 anos, nas campanhas de 1975 e 76, houve na minha terra muito debate e muita garra – mas nunca nada que se pareça com agressões físicas e menos ainda com mortes… Felizmente!
Nota pessoal
O acima referido ti’ Jaquim Cameira (pai do ti’ António Joaquim Cameira), era tio-avô da minha mãe (meu tio-bisavô, portanto). Mas já não o conheci: só ao filho, um homem imponente, de facto, sempre montado no seu cavalo.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes
Vou deixar para traz tanta parvoíce acerca de democracias, crises, povos, hipocrisias, valores, imagens ilusórias, mercados e outras merdas, troikas e trocas, pseudo políticos, capitalistas, vigaristas e oportunistas, futilidades de poderes e materialistas.
A tudo isto, Côa, renego, e quando estou junto de ti, grande momento, sublime indiferença: nada disto vejo!
Então, compreendo e sinto todo o instinto bom e natural que me despertas: A verdadeira natureza da humanidade é a Felicidade!
Quando regresso, vejo como eles são tão pobres…
Mais uma vez e sempre Côa: Obrigado!
«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques
carlos3arabia@yahoo.com
A chamada Auto-estrada da Beira Interior, a A23, que liga a Guarda a Torres Novas e à A1, vai custar ao utilizador 9 cêntimos por quilómetro, a partir de 8 de Dezembro, o que leva a concluir que será uma das auto-estradas mais caras do país.

Entre a Guarda e Torres Novas: a viagem, de pouco mais de 214 quilómetros, vai importar em 19,30 euros em portagens para veículos classe 1, o que corresponde a 9 cêntimos por quilómetro. O valor é maior do que o praticado na A1, que liga Lisboa e Porto, onde se pagam 7 cêntimos por quilómetro.
O valor a pagar por cada quilómetro percorrido na A23, para quem faça todo o seu percurso em veículo ligeiro, é portanto superior aos «0,082 euros» por quilómetro fixados no diploma legal que introduziu as portagens, publicado segunda-feira, dia 28 de Novembro em Diário da República.
A mais conhecida pela Via do Infante, a A22, no Algarve, passará a custar 11,60 euros, para um veículo classe 1 que faça o percurso completo (123 quilómetros), ou seja, igualmente 9 cêntimos por quilómetro.
A Norte do país, na A24, fazer o percurso de pouco mais de 130 quilómetros, entre Chaves e Vilar do Monte, passa a custar 14 euros a partir do próximo feriado. São quase 11 cêntimos por quilómetro percorrido.
Já para ir, por exemplo, de Albergaria-a-Velha até Vilara Formoso, pela A25, a portagem a pagar, para que faça o percurso na íntegra, será de 15,65 euros.
plb
O blogue «31 da Armada» realizou um documentário sobre José Pacheco Pereira. «O Jacaré – vida e obra de Pacheco Pereira» está dividido em três partes (a juventude, a carreira e o partido) e apresenta imagens que marcaram a carreira do professor e comentador político. Uma outra visão, um outro lado desta polémica figura política que acumula o título de pai da blogosfera portuguesa.
jcl
O ministro Miguel Relvas foi hoje recebido com vaias no congresso da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE), que decorreu em Portimão, sendo ainda interrompido quando discursava por assobios e palavras de ordem. A contestação à reforma autárquica anunciada pelo governo começara na manhã de hoje com uma forte vaia a João Prata, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel (Guarda), que tomara a palavra para defender a reforma.

O ministro da Presidência afirmou que a reforma proposta pelo governo no Documento Verde «será feita com os autarcas e não contra os autarcas» e que a redução de freguesias não significará o fim da tradição municipalista.
«Vamos ser claros. Esta reforma da Administração Local é uma exigência geracional e o Governo está determinado na sua concretização», disse.
Assegurou ainda que o Governo prosseguirá a reforma, reduzindo o número de freguesias, o que lhe valeu uma forte contestação por parte dos delegados ao XIII Congresso Nacional das Freguesias, que terminou em Portimão.
Reagindo à forma como foi recebido, Miguel Relvas afirmou aos jornalistas que o clima de contestação foi gerado e estimulado, mas escusou-se a apontar culpados. «Todos estes climas são gerados e são estimulados e este clima foi estimulado. Estavam aqui vários autarcas», disse o ministro. Miguel Relvas escusou-se ainda a concretizar os mentores da contestação: «Não me compete a mim, não sou comentador político».
Durante o decurso dos trabalho do congresso, a maior vaia fora recebida por João Prata, presidente da Junta de Freguesia de São Miguel da Guarda, eleito pelo PSD, quando defendia a aglomeração de freguesias, preconizada no Documento Verde.
João Prata, de 47 anos, foi especialmente vaiado quando disse que não gostou «do tom do congresso» e recordou que nos últimos 15 anos «sempre se discutiu a reorganização do território» pretendida pelos vários governos.
«Essa reorganização é importante, tal como é fundamental a coesão social e demográfica e se isso significar que as freguesias devam ser juntas e os concelhos reorganizados, devemos encarar isso com a máxima abertura e não ficarmos enquistados e bloqueados, explicou o autarca à agência Lusa no final da intervenção.
Assumindo que apenas votará favoravelmente uma das 17 moções apresentadas, subscrita por jovens autarcas, o presidente da freguesia urbana do concelho e distrito da Guarda afirmou que as freguesias devem-se «unir e reivindicar mais competências e diferenciação».
Sobre a sua região, afirmou que se devem manter as freguesias rurais e aglutinar as urbanas, mas salientou que não o move qualquer ambição pessoal nas posições que toma, uma vez que, como autarca eleito desde 2001 cumpre o último ano de mandato.
João Prata sublinhou ainda não ter ficado ofendido com os apupos de que foi alvo e afirmou que as vaias entre congressistas são normais, mas pediu para não vaiarem o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, que encerraria o congresso ao princípio da tarde.
Pelos vistos o apelo de João Prata não foi seguido por uma boa parte dos autarcas presentes no congresso, que receberam o ministro com apupos. Alguns abandonaram a sala quando o ministro tomou a palavra e outros interromperam-no e vaiaram-no durante a sua intervenção, mau grado os apelos da mesa para a tolerância democrática dos congressistas.
plb
Nunca fui como a cepa e o carvalho, que se pegam à terra, pois sentia o gosto façanhudo de correr o mundo à cata de aventura. Ao invés de cavar leiras ou guardar pastorias, como os mais pacatos, preferia lançar-me de fardo no costado a caminho de Espanha ou sair com o macho carregado de fazenda à cata de negócio por feiras e romarias.
Por vezes armavam-se desacatos. Um que puxa outro que deixa, e logo alguém sacava da naifa, zunia o cajado ou apelazava um calhau. Quanto a mim, meus amigos, se me soasse zoeira ou me fairasse pancadaria era certo estar lá batido, disposto a tudo. Chalaças não eram comigo, e ai daquele que me lançasse desafio.
As gentes sabiam-me justo, honrado, pacato e até simplório, mas o dianho era se houvesse escarcéu onde a minha honra, ou a de algum justo, fosse atirada à lama. Por mor de tal feitio fiz amigos e inimigos mas, há que dizê-lo, os primeiros foram mais em barda.
Até dentro de portas me metia em alhadas e aqui nem sempre as coisas corriam pelo melhor, que santos da casa, como soi dizer-se, nunca fizeram milagres.
Uma noite, em final de Verão, dormia a sono solto, estirado na enxerga e arredado da mulher, por mor do calor, quando acordei assarapantado com alta vozearia.
- Que soa, home? – perguntou-me a Belmira, também ela atordoada.
- Alguém corre as ruas do povo a armar escarcéu – disse-lhe.
Gritos, assobios, bater de tamancos, acompanhavam o roncar desatinado de um armónio. Parecia o tropear de um pelotão de desordeiros, desafiando as pobres almas da aldeia.
Pelo zoar percebi que eram os rapazes da Nave, em regresso de Vilar Maior, da festa do Senhor dos Aflitos, já bem tomados do briol.
«Esperai que já as tomais, gabirus!», pensei, ao mesmo tempo que me ergui de um impo.
- Vê lá ao que vais, cabo dos trabalhos… – disse-me a mulher, que me conhecia o génio.
Desci ao curral, onde lancei mão a um tanganho, e segui colado às paredes, tocadas pela sombra do luar.
A rapaziada assentara arraiais no adro, onde continuava cantando e bailando com estardalhaço. Na rua não topei vivalma. Seria de crer que a gente da terra se acobardava com a presença daquela súcia de pelintras? Entrei, pé ante pé, no curral do Zé Marra, à procurar reforço. Havia que incitar o povo a reagir à afronta, cair-lhes em riba e corrê-los a toque de caixa. Subi a escaleira do balcão e bati de leve na porta de castanho. De dentro tudo permaneceu mudo e quedo. Insisti:
- Ó Marra! Sou eu, o Tosca. Temos de correr com a canzoada que nos tomou o povo!
Soaram passadas. Dentro da casa soltaram a tranca e o Marra assomou-se pela fresta da porta entreaberta:
- Isto são horas de vir a casa de um cristão tirá-lo de seus cuidados?
- Ora essa, estapor! Mais cagaceira fazem os da Nave, que romperam pelas ruas a fazer escárnio da gente. Temos que os enxotar!
- Ora, deixa-os palrar. Vêm do Senhor dos Aflitos já toldados do vinho. Não os descuides que depressa seguem. Têm mais de uma légua a palmilhar.
- Conho! – exclamei, irado com a calma do meu patrício – É por estas e outras que ninguém nos guarda respeito. Home! Eles que toquem a gaita na Nave, que aqui ainda há quem mande.
Mas o desaconsuado cerrou-me a porta!
A honra obrigava-me a não desistir de espantar a corja e maluquei um plano para ensandecer a aldeia contra os atrevidos. Encostado novamente às paredes, e com cautelas redobradas, aproximei-me do adro. Tombei-me junto a uma quina, e mirei a malta que continuava a divertir-se cantando e cambaleando pelo largo ao ritmo do armónio. Só tinha de alcançar a igreja e trepar ao campanário para tocar o sino a rebate, de modo a que todo o povoado se pusesse de alevanto. O raio era chegar lá, que o maldito do tocador se sentara ao fundo da escaleira. Mas não tardou que botassem as trouxas às costas e arremetessem para mais uma ronda. Ergui-me, atravessei o largo numa carreira, e trepei a toda a brida ao alto da torre sineira. Lá chegado mandei o gadanho à corda do sino e puxei com força, disposto a bater fortes sinadas. Mas, para minha surpresa, não soaram mais que baques surdos!
Cheguei-me ao sino… Filhos da mãe! Tinham substituído o badalo por um nabo. Fiquei preado, quase disposto a romper eu só, de cajado ao alto, contra os malditos.
Do alto mirei as silhuetas da rapaziada dando a volta ao povo e depois tomando o caminho da Nave. Ainda mal refeito, regressei a casa e à enxerga, carregando a vergonha de ter sido herói de espavento.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»
leitaobatista@gmail.com
Quem ouvir perorar um prócere da chamada democracia representativa, de que são Eminencias os nossos actuais políticos não pode deixar de ficar impressionado com o número de vezes que é invocada a pureza do ideal, número só igualado no labéu execrado sobre os rivais, cultores da demagogia, ou pelo neófito populismo, a caracterizar tudo o que eles não querem dar ao povo…

De modo que pela sucessão de repetições, o primeiro conceito se esvazia, esvaziando também os outros dois.
Mais, a democracia assim pregada acaba por confundir-se com a demagogia.
E os projectos de realizações em que se empenham acabam por redundar em culto ao populismo.
Acentua-se, por essa via, o caracter céptico da democracia representativa, que tem já o pecado original de ter nascido num tempo céptico, que fazia gala da sua falta de fé e que tudo relativizava.
Tal democracia ignora a verdade cuja procura confia a uma lei do número, que nem o é.
Por, logo à partida se cercearem as possibilidades de escolha – vício de que padecem todas as versões de democracia, ultimamente propiciadas.
Que na democracia popular é cerceada por um dogmatismo, que se não pode questionar e se traduz na deificação do chefe e que nas democracias capitalistas se consubstancia no confisco do poder pelo Capitalismo vagabundo e anónimo, que não consente mais do que um simulacro de escolha.
E sem o rei com o seu conselho e o povo sem os seus estados, dificil será enfrentar esta nova feudalidade que tira todo o sentido à verdadeira democracia.
Com efeito, esta que agora se vive em Portugal resume-se à possibilidade de votar nuns tantos caixeiriotes do Capital ou nuns sobreviventes da teoria marxista.
Esta democracia é igual à que os governos afro-asiáticos, logo a seguir à troca forçada de colonizadores, concederam aos seus povos.
Que os líbios irão ter agora, cheios de saudades de Kadafi.
Que os iraquianos vêm sofrendo depois de libertados de Sadam.
Conceder direito de voto – condicionado às escolhas não se sabe de quem – é fácil.
Estabelecer uma DEMOCRACIA PLENA é muito mais complicado, e não está nos planos dos nossos próceres, por mais que tentem convencer-nos da pureza de suas intenções. É que invocam uma legitimade que perderam no momento em que renegaram os programas com base nos quais foram eleitos.
A eleição é um contrato sintagmático. Se uma das partes falha, o contrato cessou.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire
O branco tule da neblina envolvia a Rebolosa enquanto o sino tocava alegremente em homenagem à Santa Catarina. Também os foguetes nos lembravam que era dia de festa. Fomos amavelmente recebidos pelo Sr. Presidente da Junta sorrindo, como sempre, e sondámos o seu pulsar. Não há dúvida que o coração da terra palpitava no seu olhar, ao falar-nos do orgulho que sente por estar à frente dos destinos desta Aldeia lutadora.
REBOLOSA
A meio da manhã
O Sol adoça a aldeia em festa
Aquecendo os feirantes
Tal como os acompanhantes
Turistas…e possíveis conquistas.
Então não era nas feiras
Nas festas e romarias
Que se descobriam amores
Não era dali que os Senhores
Davam sua permissão?
A Permissão na Rebolosa
Segundo reza a história
É a tal carta passada
Pelo Alcalde certificada
Para o porquinho matar.
Porquinho criado ali
Com farinhas, cereais
Que carne! Que maravilha
A assar na brasa, quentinha
Francamente a nos chamar!
Pãozinho daquele bom
Gentes sãs que acarinham
Carnes de todos os pores
Comidas de tantos sabores
O convívio a aumentar.
E dou comigo a pensar
Nesta terra, a Rebolosa.
Parece distante do Centro
E tanto que tem lá dentro
Como Rei se fez explicar.
Pois é ele, desta vez
O Presidente actual
Que nos recebeu de mão cheia
Pois há ali pé-de-meia
Numa terra abençoada.
Habitantes, mais de duzentos
Mas de tudo ali encontro
Uma Aldeia a lutar
A produzir, a criar
P´ra sua terra crescer.
Sobreviver ao silêncio
Aos lutos da interioridade
Para que a vida não se esfume
E ali a fogueira, o lume
Mostrarem que vale a pena.
E o Presidente continua
Que saneamento já tem
Ruas limpas, calcetadas
E vemos Peñas animadas
Com músicas em chamamento.
Chamamento para os jovens
Outro sonho a descobrir
Na Luta está a Autarquia
Que tudo deseja, tudo cria
Para que os jovens não emigrem.
E a Capeia Arraiana
O ex-líbris da zona
É pensada também para aqui
Tal como eu percebi
Pois que espaço já não falta.
Então a festa será valente
Mais ainda do que é
Lugar de melhor encontro
Tal como vi e vos conto
Para animar Rebolosa.
Rebolosa terra viva
Em luta pelo futuro
Não quer morrer de solidão
Pensa estruturas para o Verão
Para todos se banharem.
Sim, praia fluvial é sonho
Espaços verdes, água fresca
Que se quer realidade
Trazer trabalho de verdade
Para todos abranger.
Tocadores de realejo
Acordeonistas de garra
Anseiam pelo Encontro
E por isso aqui aponto
Pelo que vale lutar.
E a Câmara também ali esteve
O Presidente Robalo
Em seu apoio de Autarca
E isto também nos marca
Que a Autarquia acompanha.
Acompanha e apoia
Como fica bom de ver
E motiva Vereadores
Dr. Marques, outros Senhores
Que marcaram sua presença.
É isso que alicia
Vir à Raia, gente querida
E a Localvisão está sempre
Com Paula Pinto à frente
Da Câmara a comentar.
E fomos de volta à Peña»
Onde o Paulo nos recebeu
E a jeropiga provámos
E também quase dançámos
Na animação do encontro.
Então o cafezinho quente
Reúne gentes amigas
E a lareira acolhedora
Recebe os de cá ou de fora
A aquecer o coração.
«Eu morro à sede
Não há por aí uma pinga?»
Registei na brincadeira
Gosto de escrever à maneira
Para a todos agradar.
E que mais posso dizer?
Que na Rebolosa há vida
Por isso gostámos de estar
Conviver e petiscar
Como em nossa casa estando.
Parabéns Rebolosa
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Grandes notícias na aldeia: a junta tem instalações novas, os chafarizes e outro património foram valorizados, as instituições locais fazem as suas assembleias gerais de fim de ano, uma eleitoral e a outra para aprovação do plano e orçamento para o próximo ano.

É fim do ano e, naturalmente, as assembleias gerais são momentos importantes desta época por todo o País e no Casteleiro também.
No caso do Lar São Salvador, a assembleia é eleitoral. Realiza-se no dia 11, domingo, das 10 às 18 horas.
No Centro de Animação Cultural, onde houve eleições há ano e meio, a assembleia vai realizar-se a 10, às 20 horas, tendo como ponto central da ordem de trabalhos a apresentação, discussão e votação do Orçamento e Plano de Actividades para o ano de 2012.
Registo com especial carinho o facto de a Junta ter decidido valorizar o nosso património, iluminando as fontes e uma das capelas que estava mais às escuras: «Com o objectivo de valorização do património edificado da aldeia, a Junta de Freguesia procedeu à instalação de um sistema de iluminação em todas as fontes e ainda na Capela do Reduto».
Quanto à vitória recente da Junta de Freguesia, resumo-a numa frase:
- Parabéns, Tó Zé (António José Marques) e restante equipa: cumpriram o sonho de muitos de nós desde tempos imemoriais.
Ou seja: a JF adquiriu as suas próprias instalações, deixando de ser hóspede seja do Centro, seja da antiga escola masculina seja de terceiros.
No Largo de São Francisco, bem no centro da terra, na antiga casa dos Mourinha, vai ser a nova sede da Junta, depois de obras necessárias de reabilitação.
Mas vai ser uma sede digna e bem central.
Toda a gente fica satisfeita com esta aquisição, certamente.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes
«A consciência da nossa identidade como povo obriga ao conhecimento da nossa – Cultura Rústica – não apenas das suas manifestações vivas, mas também das suas formas periclitantes ou que vivem tão-somente na memória dos mais velhos»; Michel Giacometti.

Nasceu em Janeiro de 1929 em Ajaccio – Córsega. Criado por um tio a desempenhar funções coloniais, partilha o seu universo infantil com crianças de origem espanhola e árabe.
Nos anos de 1947-1952 realiza em Paris estudos de música e arte dramática. Fundou e dirigiu revistas culturais e de poesia. Cria uma Companhia de Teatro e participa em vários estágios de arte dramática.
Viajou pelo Norte da Europa e participou em cursos de etnografia. Em todas as Ilhas da Zona Mediterrânica investiga as tradições populares.
Em boa data de 1959 veio para Portugal onde iniciou um trabalho impar e militante de investigação cultural e popular dos portugueses. Faz uma recolha musical e etnográfica e não dispõem de apoios. Mune-se de microfone e gravador com uma velha carrinha percorre este País agrícola e com muitos tradicionalismos na recolha de valores musicais populares.
Inicia a primeira campanha em 1970 no Baixo Alentejo e Algarve, percorrendo diversas aldeias.
No mesmo ano faz uma digressão pelo Alto Alentejo e visita Malpica do Tejo na Beira Baixa.
Em 1971 inicia a terceira digressão à Idanha-a-Nova – Beira Baixa. Os contactos com Fernando Paulouro, jornalista, actual Director do Jornal do Fundão e seus apoios, passam a dedicar aqui uma maior atenção. Capta a imagem e a voz de Catarina a «Chita» de Alcongosta. Regista os sons e o despique dos Bombos de Lavacolhos com os do Souto da Casa.
Em Aldeia de Joanes faz um documentário das ceifas e das sachas do milho, além de Cânticos da Quaresma nas traseiras da Casa do Cruz. Participam nestas gravações as gentes de Aldeia de Joanes cujos nomes vou registar para ficarem para memória futura. Cantaram e participaram nos trabalhos rurais: Esperança Veríssimo, Filomena Ramos, João Mendes, António Manuel Ramos, Maria da Conceição Lambelho, Francisco Marques da Cruz, Jerónimo Bernardo Lambelho, Maria do Carmo Lambelho, Ana Gonçalves de Oliveira, Etelvina Monteiro, Esperança Lambelho, José Oliveira Marques, Albino Simão Ramos, Ana Almeida e Glória Roxo Campos.
A quarta digressão é passada em Trás-os- Montes, Minho e Douro Litoral. Fez uma profunda investigação em mais de sessenta campanhas, percorreu mais de seiscentas e cinquenta povoações e recolheu mais de duas mil espécimes musicais.
A sua passagem por Aldeia de Joanes ainda está bem viva e ainda há tempos foi recordado com a exibição do documentário gravado e filmado com as suas gentes.
A Assembleia de Freguesia de Aldeia de Joanes, por unanimidade, atribui-lhe o nome de uma rua em homenagem e prova de reconhecimento por ter dado a conhecer ao mundo as canções musicais através do programa da RTP, «O POVO QUE CANTA».
Giacometti foi um génio da etnografia e da musicologia do Povo de Portugal. «O POVO QUE CANTA», nunca o esquecerá e está vivo na sua memória.
Ainda não está tudo descoberto da sua obra. Foi um romântico, um pesquisador que palmilhou os caminhos do nosso universo sonoro, à procura de tesouros, com um calendário agrícola e cristão.
No dia 24 de Novembro de 1990 faleceu em Faro. Por sua vontade está a descansar em Paz na Freguesia de Peroguarda no Alentejo.
Bem hajas caro Michel Giacometti.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes
«O homem vendido por outro pode não ser escravo; o que se vendeu a si mesmo, esse é o escravo absoluto.» Ruskin, John.

Comemora-se hoje o dia internacional para abolição da escravatura. A história da escravatura perde-se na bruma dos tempos. Mas, podemos situá-la desde o surgimento do homem! Em todas as partes do mundo, desde sempre, os vencidos eram feitos escravos pelos vencedores. Referências a este fenómeno temo-las em muitos e variados testemunhos escritos desde a antiguidade.
Portugal foi um dos primeiros povos europeus a traficar escravos de África para a América do Sul (Brasil), seguindo-se os espanhóis, franceses, ingleses… Os descobrimentos, a necessidade de mão de obra, o lucro… levou a que, milhões de africanos negros, fossem traficados para as Américas. Transportados pelos célebres Barcos Tumbeiros (de tumba), já que grande parte deles acabava por morrer nos dois meses que durava a travessia do Atlântico, por falta de higiene, fraca nutrição e variadas doenças…
Em Portugal, o Marquês de Pombal, através do Alvará de 12 de Fevereiro de 1761, abolia a escravatura no reino continental. Era a primeira lei contra a escravatura. E dava seguimento às ideias difundidas pelo iluminismo do séc. XVIII. Contudo, as leis do abolicionismo aparecerão no séc. XIX. Em 1807, a 25 de Março, o Slave Trade Act, declarava ilegal todo o tráfico de escravos. Mas é com o Marquês de Sá da Bandeira que, por decreto, «abolia totalmente, em toda a monarquia portuguesa o tráfico de escravos». Abolir o tráfico não significava acabar com a escravatura. Contudo, eram os ventos nascidos com a revolução francesa que sopravam. E os princípios de Igualdade e Liberdade não se adequavam com a condição da escravatura.
Em 25 de Julho de 1849, no tratado luso-britânico declarava ser pirataria o tráfico de escravos.
Em Portugal, a 25 de Fevereiro de 1869 declarava-se abolição total.
Costumamos olhar para este assunto com uma espécie de afastamento no tempo. Recordamos uma série de filmes e telenovelas brasileiras, e ficamos convictos que isso foi no tempo da outra senhora! Trago, hoje, este assunto, porque ele não é de outrora. A escravatura está hoje bem viva e presente nos nossos dias!
A escravatura, já não se cinge aos homens e mulheres de cor negra levados para as Américas. Ela é, hoje, a escravatura de mulheres com destino ao comércio do sexo. De crianças, para trabalhar em minas… De trabalhadores escravizados em explorações agrícolas… Basta abrir o jornal, para nos apercebermos de que a escravatura está viva!
Mas trago este assunto, hoje, também, porque novas formas de escravatura vão aparecendo. Caminhamos para uma sociedade perigosa. Em que o capital volta a ditar regras, disfarçadas de democráticas e que nos vão empurrando para uma sociedade cada vez mais controlada e asfixiada de liberdade. Os povos passam a ser dominados por governos sem rosto, impondo obrigações que se tornarão ditames escravizantes.
A escravatura moderna não precisa de capatazes, nem de capitães do mato. A escravatura moderna embala-nos em ilusões de empregos, de saúde e educação para todos, de justiça e igualdade! Quem nos escraviza não é o branco, nem o negro, nem o amarelo. Quem nos escraviza não tem rosto nem cor. Quem nos escraviza não nos comprou, limitámo-nos a vendermo-nos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes
fernandolopus@gmail.com
Depois da primeira edição em Salamanca, em 2010, a feira de cooperação transfronteiriça Ecoraya vem este ano até Trancoso, nos dias 10 e 11 de Dezembro.

A segunda edição da feira espera juntar cerca de 120 expositores e receber mais de 50 mil visitantes no Pavilhão Multiusos de Trancoso
O certame junta produtores da Beira Interior Norte e da província de Salamanca, em Espanha, e centra-se em três ideias chave: valorizar, Inovar e potenciar.
A edição de 2012 voltará a realizar-se em Salamanca e em 2013 a Ecoraia ocorrerá na cidade de Pinhel.
A Câmara Municipal do Sabugal está entre as entidades que promovem, através da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), esta feira internacional, que que se realiza com a parceria da Diputación de Salamanca.
O grande objectivo da Ecoraya é dinamizar o tecido produtivo e a coesão territorial, através da promoção de produtos regionais das regiões transfronteiriças. Entre os produtos a promover contam-se vinhos e licores, produtos lácteos, azeites e vinagres, enchidos, frutos secos, farinhas e derivados, mel, geleias e marmeladas.
Para além da exposição dos produtos da terra, haverá diversas iniciativas de animação e seminários temáticos.
Nas primeiras quatro edições da feira, já acordadas, a participação de expositores e a entrada de visitantes é gratuita.
plb
Não me cansarei de falar do que interessa ao meu Concelho…

1. A reforma da organização autárquica.
Como disse há mais de um mês, se o já célebre documento verde fosse aplicado, 50% das Freguesias do Concelho desapareceriam, tal como hoje as conhecemos. Não emiti na altura qualquer opinião própria, não porque não a tenha, pois desde o primeiro momento defini de forma clara que, enquanto cidadão, enquanto sabugalense, e enquanto Presidente da Assembleia Municipal, não estaria disposto a aceitar fosse que reestruturação fosse que não passasse pela decisão dos órgãos autárquicos democraticamente eleitos, nomeadamente as Assembleias Municipal e de Freguesia.
Mas desde o primeiro momento me pareceu que aquilo era apenas fogo de vista.
E aí estão as últimas notícias para me dar razão. Ou me engano muito, ou no fim do processo, o Concelho do Sabugal terá 40 freguesias como tem hoje!
O Governo prepara legislação em que, segundo o Diário de Notícias de 29 de novembro, «Freguesias rurais (serão) aliviadas. Aperto maior nas urbanas». Para bom entendedor, meia palavra basta…
Mas se for assim, para que é que levantaram uma lebre para a qual não tinham nem cão, nem espingarda?
2. As portagens na A23 e na A25.
Mais dia menos dia, tinha de acontecer, pois as decisões estavam tomadas desde o Governo anterior.
Para o Concelho é uma má notícia e torna as coisas mais difíceis.
Mas não posso deixar de reafirmar aquilo que venho a dizer há muitos anos. As grandes vias de comunicação são importantes, mas, por si só, nada fazem pelo desenvolvimento de uma Região. Dizendo de forma mais clara. O que é mudou no nosso Concelho com a A23 e a A25 sem portagens?
Faltou uma política de desenvolvimento do interior rural português, mas faltou, sobretudo, a capacidade de no Sabugal se definirem as estratégias que permitiriam tirar o máximo proveito das novas acessibilidades.
E não vale a pena continuar a bater no tema da ligação à A23. Tivessem sido tomadas as opções corretas, e, talvez hoje já tivéssemos ligações de maior qualidade à A23 e à A25.
Mas para mim, as situações adversas não são motivo de desânimo.
Prefiro pensar na introdução das portagens como uma oportunidade de, uma vez por todas, definir um rumo para o Concelho.
Deixemo-nos de lamúrias, passemos à ação!
Ps: Não posso deixar de dizer isto. Estou farto de ser governado por “queixinhas”. Este ano fomos a eleições e a maioria dos eleitores deu o seu voto ao PSD e ao CDS para estes governarem o País. E deu-lhe o voto, quanto a mim, por duas razões principais: Porque não queria continuar a ser governados pelo PS e por José Sócrates e porque acreditavam que o PSD e Passos Coelho conseguiriam governar melhor.
Todos sabiam das dificuldades financeiras do País e todos ouvimos Passos Coelho dizer e repetir mil vezes que com ele tudo seria diferente.
Não aceito assim que se continue a desculpar com a “herança”. O PSD e o seu líder sempre disseram que a situação era muito difícil, mas que tinham soluções para, no imediato, deixarem de nos ir ao bolso e reduzir de forma significativa a despesa pública.
Seis meses depois, o “ir ao bolso” passou a ser descarado e ignóbil, e a redução da despesa faz-se sobretudo pela via de deixar de pagar metade do subsídio de Natal à maior parte dos trabalhadores por conta de outrem e dos reformados e pensionistas e para o ano os subsídios de férias e de Natal a mais de 90% dos funcionários públicos e a uma parte significativa dos reformados e pensionistas.
Quanto ao aumento da eficiência da máquina do Estado, essa sim, geradora de menor despesa, alguém a viu?
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Para o dia 27 de Novembro findo, a partir das 14 horas, a Direcção do Centro de Animação Cultural do Casteleiro convidou todos os seus sócios, simpatizantes e a população em geral a comparecerem no Largo de S. Francisco para participarem no tradicional magusto de S. Martinho.

Chegado o dia e a hora, com a fogueira a arder, as pessoas gradualmente a comparecerem no local do magusto e as castanhas a serem mexidas no assador para melhor se assarem e a não se queimarem, de quando em vez, quando uma ou outra castanha estoirava, alguém dizia: “até parece que foram roubadas”, mas não, foram compradas.
Com os olhos postos no assador e aguardando-se a primeira «leva» de castanhas assadas para as mesas, pessoas já havia, ansiosas para as descascarem e comerem e, sem demoras, lá vieram quentinhas e boas para agrado de quem as comia e saboreava.
A este assador de castanhas, outros e muitos mais houve. Para tal, lá estava o amigo Manuel Leal, sempre disposto para as assar, tantas quantas vezes fosse e até que as pessoas presentes mais não quisessem e assim foi.
Entretanto, para que ninguém se empapasse com as castanhas, ao lado, no bar, bebidas eram servidas, com destaque para a genuína jeropiga, própria da época e que bem liga com as castanhas assadas ou com as nozes que, por fim, o amigo Zé Nabais trouxe para quem as quisesse partir e comer.
Com o Sol a desaparecer e o frio da noite a aparecer, uma vez mais a tradição do magusto se cumpriu, graças à boa vontade e empenho da Direcção do Centro Cultural, proporcionando assim, a quem quis associar-se, um alegre e são convívio.
Daniel Machado


Essa viragem começa nos anos 80 do século passado, com o Partido Socialista Francês, com o Partido Social Democrata Alemão e com o Partido Trabalhista Inglês. Este último, debaixo da liderança de Tony Blair, mentor da chamada Terceira Via, que não é mais nem menos do que a Teoria do Fim das Ideologias, um pensamento próprio da direita, mas que teve uma grande influência nas mudanças e na deriva ideológica do Socialismo Democrático Europeu. Como exemplo, talvez o mais flagrante, tenha sido a substituição das intervenções públicas, prestações sociais, que tinham e têm por finalidade desenvolver direitos sociais para todos os cidadãos, por políticas assistenciais, combate à pobreza e à exclusão social. Esta política origina grandes desigualdades na sociedade e a concentração da riqueza em poucas mãos. Foi o que aconteceu nos países europeus governados por partidos socialistas, que chegaram a ser a maioria na Europa.



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