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Festa da castanha e da geropiga em Famalicão da Serra ao som das concertinas. Reportagem e edição da jornalista Sara Castro com imagem de José Loureiro da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

As obras avançam num passo impetuoso, apesar do mau tempo que tem assolado a região, sendo certo que mais de 50.000 euros já estão enterrados neste projeto honroso para a região. Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Não há melhor dita que ir à missa de domingo vestido de grave, em ares de janota, ouvir a palavra de Deus e a prática do nosso prior, e depois sair à rua de alma desenxovalhada, pronto a enfrentar as amarguras da vida.

Noutro tempo, quando a aldeia era aldeia, ao rabo da cerimónia juntavam-se os amigos no adro trocando larachas acerca do tempo e badalhocando na vida alheia. A bácora grande da ti Marzabel pariu uma dúzia de recos luzidios; ao Zé Birra embostaram-lhe o poço do horto; os Cabrais vão erguer choupana ao cimo do povo… Ali se laparchinava em descoberta das novidades.
Pela minha parte aproveitava para fazer a cobrança do que me era devido por alguns, aos quais fiara fazenda. Assim abordei de uma vez o Joaquim Tourais, questionando-o pela paga de um pano de chita que há muito lhe vendera.
- Não gosto de ser tinhoso, mas já é tempo de me pagares a mercadoria.
- Inda onte tive com os trinta mérreis na mão, de coisa feita em me botar a sua casa – disse-me ele de ar atarantado.
- Pois como lá não foste, aqui me tens pra receber a paga.
- O caso é que o damonho da minha Maria, que é de má laia, me rogara que lhe mercasse umas pitas pedreses, e tanto me azucrinou a cabeça que me cheguei ao ti Videira e lhe aprecei quatro das que tinha no poleiro.
Arreliei-me com aquela léria. O palonço de cada vez alanzoava sua laracha e não havia modo de me pagar a dívida.
- Primeiro cumpres a obrigação que tens para comigo, depois tratas das tramóias da tua… Agora toca de ir ao poleiro agasnatar as pitas, que as levarei de paga – disse-lhe já farto das suas escusas.
- Isso não ti Zé. Tenha dó! A minha desancava-me!
- Catano, e deixo que me ferres o cão? – berrei-lhe já arresinado, com os punhos cerrados, disposto a zurzir-lhe o pêlo.
- Não se aferrenhe, que o caso se remediará. Daqui a dias lhe pagarei, afianço-lho!
Virou costas e largou em passo estugado, temente que o maltratasse.
O Joaquim Tourais não era má peça. Seria até dos mais justos homens da Bismula. O mal era a bácora da mulher, que o abarcara já viúvo e lhe dera a volta ao tutano. Meteu-se-lhe de portas adentro a rogar homem maduro que lhe tirasse a cachondice, e toma, passados dias, o padre anunciava os proclames da atadura. Pôs-lhe a vida negra, o raio da cachopa. Fazia-o penar de patrão em patrão no ganho do jornal, que logo ela lhe surripiava do bolso quando chegava a casa estafado. Era ela quem marcava a ordenança, vivendo como reca cerrada em seu cortelho. O pobre Tourais, desorientado com a vida, tinha de pedir fiado para beber na taberna e mercar roupa com que se vestisse ao domingo e dias nomeados.
Que o rapaz era boa pessoa e aplicado trabalhador sabia-o de sobeja, que eu mesmo poria as mãos na lambra pela sua justeza, agora que me não pagasse a fazenda por mor das tinetas da mulher é que não podia permitir. O caso tinha de ser remediado, e dei por mim a malucar em como cobrar a dívida, pois o bagalhuço fazia-me falta para o andamento do negócio, e não me agradava que aquela zoupeira se estivesse a rir da trama. Sabia que a maldita tinha artes para a costura, e que houvera talhado e alinhavado uma chambra com a chita que ele me rogara. Eu mesmo já lha topara vestida num dia festivo. Ora, deixa ver, que o caso tem boa solução.
Num dia, ao fecho da tarde, dando fé de que o Tourais dava as ultimas cavadelas no chão onde ganhava a jorna, dispus-me a pôr fim ao caso. Chamei o meu Luís, catraio com ares de maltês, puxado à laia do pai, e dei-lhe instruções.
- Daqui a nada, quando te assobiar do fundo da rua, dás um salto à casa do ti Joaquim Tourais e dás recado à ti Maria para que corra à taberna que o homem se engolfou em vinho. Depois desandas para casa, como se de nada se tratasse. E nem chus nem mus, bico cerrado. Entendeste?
- Sim, meu pai!
- Então fica atento ao meu silvar.
E lá fui até ao cabo da ruela, onde soprei o assobio combinado. O rapaz arrancou que nem foguete a cumprir o que lhe ordenara. Olhei em redor para me certificar se alguém dera fé, mas não havia que ter cuidados, a populaça ainda labutava nos agros e o povo estava deserto. Saltei então para o acanhado curral do Tourais, onde me alapardei por detrás da moreia de lenha que estava a um canto. Num ai chegou o meu Luís, que berrou do meio da rua.
- Ó ti Maria! Ó ti Maria!
A calhandra assomou-se à porta da casa térrea, de pescoço vermelhão erguido, que nem perua no poleiro.
- Que queres, garoto?
- O ti Jaquim está lá abaixo na taberna emborrachado de todo. Nem se tem nas pernas. É melhor lá ir por ele.
- Ai o malvado, que o desanco!
E saiu a toda a pressa, atravessando o curral esbaforida. Tinha o caminho livre para fazer as minhas contas. A porta ficara escancarada, pelo que foi só entrar e correr à cata da arca da roupa, que encontrei na saleta, encostada ao tabuado. Abri-a e revolvi a farrapada até descobrir a chambra de chita rubra. Botei a mão ao que era meu, escondi-o debaixo da véstia e saí do casoto. Já em casa enfiei a gribalda no meio de outras fazendas, e segui com meus afazeres, satisfeito da vida.
No dia seguinte deu brado que a casa do Joaquim Tourais fora roubada. Já eu estava longe, no mercado de Alfaiates a vender fazendas, entre as quais uma vistosa blusa de chita encarnada.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

As lojas maçónicas do Continente Europeu, todas elas de raiz francesa, sempre se caracterizaram como revolucionárias, antimonárquicas e ferozmente inimigas da Igreja Católica, particularmente das suas Hierarquias.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaTudo isto tem uma explicação.
Da Inglaterra, as lojas maçónicas passaram aos outros países, com uma dupla missão — alargar o seu campo de influência e potenciar o expansionismo britânico.
Ora, a grande rival do Reino Unido, continuava a ser a França, ao tempo a competir com ela nos Cinco Continentes.
As teorias dos enciclopedistas facilitavam o caminho.
Assim, Montesquieu e o Marquês de Sade foram iniciados na mesma tarde — dia dezasseis de Maio de 1730 – e na mesma loja — TAVERNE DE HORN, em Westminster.
O movimento tocava profundamente até o alto clero e a mais histórica aristocracia, que, inconscientemente e por uma questão de modas, estavam a potenciar uma queda que já se divisava.
O monarca, que, ao tempo, era Luís XV, desconfiava desta nova forma de associação de raiz britânica. Achava bizarro que os sócios das lojas cultivassem o secretismo, ou mesmo o mistério. E tenta combatê-la, luta difícil dado o secretismo da instituição, que só os irmãos tidos como absolutamente seguros, dominavam.
E de sucesso em sucesso, o movimento cria o GRANDE ORIENTE, dominado por Voltaire. A ideia continua em expansão e chega às familias reais aderentes ao protestantismo que viam nela um poderoso instrumento de luta contra a Igreja Católica, cujos bens queriam confiscar.
Foi o caso do imperador sueco Gustavo Adolfo e de vários dos cerca de quinhentos príncipes alemães, que pretendiam reforçar os seus erários, naturalmente magros pela pequena dimensão dos seus estados com os patrimónios objecto de confisco.
Reexaminando o caso francês, veremos que a Revolução de 1789, a histórica Revolução Francesa, foi basicamente uma vitória do GRANDE ORIENTE e, em particular, da LOJA DOS SETE IRMÃOS.
O primeiro círculo republicano na França foi a loja LA BOUCHE DE FER.
Era contra o Rei e a Igreja que os maçons lutavam, esperando apenas o momento favorával para derrubar o trono e o altar.
E a sua implantação avançara tanto que nos ESTADOS GERAIS de 1789, dos seiscentos e cinco representantes do TERCEIRO ESTADO, dito POVO, quatrocentos e setenta e sete eram franco-maçons.
A Inglaterra parecia ter razões para estar contente.
Caída a Monarquia, a França iria cair em sucessivas convulsões e deixaria de poder apresentar-se como competidora no domínio do Mundo.
Mas com a irrupção do Bonapartismo irfa pagar caro a exportação do credo maçónico.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

«Pelo S. Martinho vai à Adega e prova o Vinho» – adágio popular.

Este é a sexta homilia que faço relacionada com este Santo, Padroeiro do Fundão, mas principalmente com o Vinho. Hesitei se o devia fazer nestes tempos de crises económicas, de valores, éticas, mas como não cobro honorários por este serviço, não serei atingido por qualquer imposto. Tenho só um receio é se aquele ministro de falas mansas, a lembrar um cordeirinho, vá a qualquer TV pública ou privada a anunciar mais um imposto a quem faz publicidade ao vinho. É possível que aquela calma sonora a aprendeu nos balidos dos rebanhos de Manteigas. Também havia lobos e ouvi-os muitas vezes naquelas zonas serranas. Nestes últimos tempos terá havido alguma transumância. Como alguém escreveu «ele é o GPS do Governo». Parece um daqueles actores alemães refugiados nos Estados Unidos que faziam sempre de espiões soviéticos, nos filmes da Guerra Fria. Mansinhos, mansinhos, mas com o veneno na ponta das botas.
Caros Irmãos, segundo investigações arqueológicas, há mais de cinco séculos que a China cultiva a vinha. Passou a estender-se por todo mundo conhecido da época, como hoje fazem os seus comerciantes, com lojas abertas isentas de horários e impostos por todas as esquinas como antigamente as nossas tabernas e agora as nossas universidades. Aqueles estão a atirar para o empobrecimento e a desgraça os nossos pequenos retalhistas e até já os ciganos, vendedores ambulantes se queixam, estão a fazer-lhe desleal concorrência.
Com a histórica vinícola da China, verificamos que a Humanidade há mais de cinco mil anos anda a apanhar bebedeiras. É obra…
Caros Irmãos, na Sagrada Escritura, no Livro do Génesis, Noé também cultivou a vinha e bebia bom vinho. Não está confirmado oficialmente, mas dizem as más línguas, que à socapa levou para a sua Arca, uma grande pipa de vinho.
Rezam as crónicas recolhidas da mitologia grega que Dionísio era o Deus do Vinho.
O Povo Romano também plantava e fazia o néctar dos deuses, escolhendo-lhe o nome de Baco. O simbolismo da Adega Cooperativa do Fundão é a imitação de uma estatueta romana encontrada em Castelo Novo, representando alguém com um cesto de uvas à cabeça.
Caros Irmãos, no Evangelho de S. João 2, 1-12, há a descrição do Primeiro Milagre de Jesus Cristo, como o sinal do Reino de Deus. Aconteceu nas Bodas de Caná, na Galileia, para as quais Ele, sua Mãe e os Discípulos foram convidados. Um caso insólito, faltou o vinho. Sua Mãe, apelou ao Seu Filho, para tentar resolver o problema. E o Senhor mandou encher as talhas com água e transformo-a em bom vinho, melhor que o primeiro servido. Em Portugal também muitos taberneiros imitam muito mal aquele milagre, deitando água no vinho.
Carlos Irmãos, não é por acaso que o vinho inspirou santos, poetas, artistas e fadistas.
S. Francisco Xavier, o Grande Missionário do Oriente, em 1514, ofertou ao Rei do Japão, garrafas de bom vinho da cepa portuguesa.
Eugénio de Andrade, grande poeta português escreveu, «…a embriaguez é o leite entornado das estrelas».
O meu conterrâneo e parente Manuel Leal Freire, grande poeta, escritor, etnógrafo, jornalista, escreve, «…mais vinho, que é sangue eterno, / Mais vinho, que faço eu. / Ai se o vinho leva ao Inferno, / Primeiro nos mostra o Céu.»
Caros Irmãos, há muitas qualidades de vinho. O da Sabedoria, que inspira poetas, artista e intelectuais. O do Amor, que dá cá um entusiasmo nas aventuras amorosas… O de todos os dias, que nos dá força e alento em todas as horas de trabalho, às vezes funcionando como um verdadeiro doping. E o Vinho da Morte, que se bebe em excesso, nos leva à cirrose, à morte na estrada, no trabalho, em casa arruinando o bem-estar da família, destruindo-a…
Caros Irmãos, tendes a liberdade democrática de vos embebedar, de beber até cair. Mas, Irmãos, cuidado com as consequências. Não espereis por milagres, assumi as vossas responsabilidades. Ao soprar no balão podeis ir para a prisão. Não vos queixais, porque multas pagais e sem carta de condução ficais.
Caros Irmãos, festejemos o S. Martinho com bom vinho que bebido com moderação, faz bem ao coração, principalmente o tinto da Adega Cooperativa do Fundão. É cá uma pomada…
Se não me ouviste Caros Irmãos, irei pregar para outra Paróquia. Que S. Martinho nos dê a suas bênções e bom vinho. Assim seja. Amém.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

«Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça.»; Jean de La Bruyère.

Trago hoje a esta página um tema delicado – a Justiça. Faço-o com a convicção de que sou um leigo na matéria, mas sou cidadão deste, ainda, país, onde a justiça tem andado pelas ruas da amargura.
Todos os dias, nos jornais, na televisão, na rádio, ouvimos notícias impressionantes sobre o estado da justiça em Portugal e de decisões tomadas pelos tribunais que nos deixam pasmados.
Seria um exercício longo e delicado fazer uma análise exaustiva das decisões da justiça portuguesa. Deixo esse trabalho para os historiadores destas coisas!
Importa-me, essencialmente, fazer algumas referências ao assunto e reflectir sobre um tema estruturante de uma nação e de uma democracia. Os compêndios ensinam-nos que os poderes são três: o poder legislativo – aquele que faz as leis; o poder executivo – aquele que executa as leis, governa; e o poder judicial – aquele que julga quem não cumpre a lei, exercido pelos tribunais. Desta forma, podemos entender que os poderes devem estar separados, para que não se caia num regime absoluto. Contudo, vimos assistindo, a um desfiar de acontecimentos em que o poder judicial se tem prostituído, entregando-se ao dinheiro e ao poder político.
As razões são, com certeza, várias.
Primeiro, as leis são feitas no parlamento. E este é, na sua maioria, composto por deputados que são advogados ou juristas. Obviamente que as elaboram, não a pensar no cidadão comum, mas num determinado segmento de cidadãos: aqueles que podem pagar! Os senhores advogados apressam-se a engendrar mecanismos que lhes possam permitir dar a volta a essa mesma lei, seja na interpretação da lei, seja nos mecanismos para atrasar a aplicação da mesma lei. E escusa de vir o senhor Bastonário da Ordem dos Advogados armar-se em paladino da justiça, acusando ministros e juízes. Pois são todos farinha do mesmo saco! Em Portugal uma grande parte dos processos prescreve. Artimanhas do legislador! E, desta forma, os advogados (diria os escritórios de advogados) fazem um papelão na comunicação social expondo a sua sabedoria acerca dos casos de que são parte interessada ou como meros comentadores. O interessante, é que nunca, mas nunca, expressam a sua preocupação com a justiça! Limitam-se a apresentar recurso atrás de recurso atrasando decisões ad infinitum. Mais, a justiça usa uma linguagem que ninguém entende, permitindo-lhe «falar» só entre ela. Apetece dizer que «quem não sabe latim fica assim»!
Segundo, é impressionante o tempo que qualquer tribunal leva a tomar uma decisão! Para além dos já falados mecanismos inventados precisamente para atrasar tal decisão, os juízes, parece, fazerem questão de demorar e adiar a tomada de decisões.
Terceiro, os tribunais estão cheios de processos. Sim, é verdade. São os próprios agentes da justiça que o afirmam. Mas, o que têm feito para melhorar tal serviço? Nada.
Os juízes são dos mais bem pagos profissionais deste país. Funcionam num sistema de corporativismo, protegendo-se uns aos outros. Cheios de regalias e benesses.
No final, o que vemos é serem condenados os que não têm posses para pagar aos tais advogados e serem inocentados os poderosos e, aqui, incluo os políticos. Não deixo de lembrar o caso Freeport, as escutas telefónicas mandadas destruir pelo então Procurador-geral, o caso Portucale, o caso Isaltino Morais… e tantos outros! Agora é caso Face Oculta que vai ficar, mais uma vez, em «águas de bacalhau». E, reparem, não se fala em inocência, mas em erros processuais. A tal esperteza do legislador…
Um país que se diz de estado de direito, com uma justiça destas, coloca o direito em maus lençóis e deteriora a democracia. A justiça deveria ser a salvaguarda dos direitos dos cidadãos, de todos os cidadãos!, mas em Portugal ,com estes legisladores, a justiça aplica-se aos mais fracos e iliba os mais fortes.
Costuma-se dizer que a justiça é cega, mas, em Portugal ela vê! E vê muito bem!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O escritor Manuel António Pina, vencedor do Prémio Camões 2011, disse hoje no Sabugal que sente «uma honra muito particular» por ter recebido a medalha de mérito cultural do Município da terra de onde é natural.

A distinção autárquica foi hoje entregue ao escritor e poeta, no decorrer da sessão solene comemorativa do Dia do Município, no mesmo dia em que foi anunciado o lançamento da nova obra do escritor, «Como se desenha uma casa».
Manuel António Pina, de 67 anos, poeta e autor de livros para crianças, é natural do Sabugal, onde viveu até aos seis anos. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi jornalista durante muitos anos e actualmente é tradutor, professor e cronista.
Em declarações à agência Lusa, o homenageado mostrou-se honrado com a medalha e destaca-a, entre as várias distinções que já recebeu.
«Entre todas as homenagens que tenho recebido, esta toca-me muito particularmente, porque se trata de uma distinção que me foi feita pela terra onde eu nasci», disse.
O escritor lembrou que deixou o Sabugal muito cedo e, por isso, ter regressado para receber a medalha de mérito cultural municipal, constitui um momento «muito importante e muito significativo».
Manuel António Pina disse que a memória mais antiga que tem da cidade é a de uma fonte, situada em frente da casa onde nasceu, no largo da actual Câmara Municipal, que «tinha a ideia que era um lago muito grande, mas que, afinal, era pequena».
Na lembrança tem um certo dia em que «alguém atirou para lá [para a fonte]» o seu chapéu e recusou «ir buscá-lo».
Actualmente, da casa onde nasceu, continua a receber, de quando em vez, no Porto, onde reside, pão-de-ló com um «um sabor especial», confeccionado pela actual proprietária do imóvel que carinhosamente chama de «avó Lulu», contou.
Durante a sessão de entrega da medalha de mérito cultural ao vencedor do Prémio Camões 2011, o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, disse que, com este gesto, realizado pela primeira vez, a autarquia pretendeu reconhecer «a importância» do escritor e da sua obra.
Reconheceu tratar-se de «um acto de justiça e de reconhecimento» em relação à vida e à obra de Manuel António Pina «que tem amor à terra que o viu nascer».
O homenageado assegurou que é «alguém que tem estado fora do Sabugal» mas «tem o Sabugal no coração».
Além de Manuel António Pina, a medalha de mérito cultural do Sabugal foi igualmente entregue à Sociedade Filarmónica Bendadense, pelos seus 141 anos de existência.
A câmara também homenageou as Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários do Sabugal e do Soito com medalhas de mérito cívico e condecorou trabalhadores com 15, 25 e 35 anos de serviço.
O Dia do Município do Sabugal assinala os 715 anos da atribuição do foral pelo rei D. Dinis.
plb (com Lusa)

Foi com satisfação e orgulho que soube da participação do Restaurante «Casa da Esquila», sito em Casteleiro – Sabugal, no «VIII Festival do Caldo / Festa da Sopa», promovido pela Confraria de Saberes e Sabores da Beira «Grão Vasco», em Viseu, no dia 15 de Outubro findo.

Sabendo-se que a sopa, com reconhecidas virtudes terapêuticas, é, para além da «tranca da porta», um meio de preparar o estômago para receber os outros alimentos, quando vitaminada e bem confeccionada, mesmo assim, com estes ingredientes, nem sempre é pedida e comida.
Não foi, porém, assim, aqui em Viseu. Havendo só sopas, das cerca duas mil pessoas presentes que as provaram, soube que, dos muitos apreciadores que degustaram a sopa «chuchu», apresentada pela «Casa da Esquila», gostaram e manifestaram ser uma das mais apreciadas.
Mas, alto lá, para os bons garfos, o Restaurante «Casa da Esquila» não tem só boas sopas, tem, em especial, óptimos pratos e deliciosas sobremesas, onde poderão apreciar e confirmar.
Sendo assim, para a «Casa da Esquila», na pessoa do seu dinâmico e competente proprietário, Rui Cerveira, vão os nossos sinceros parabéns e votos do melhor sucesso no múnus da sua vida profissional e pessoal.
Daniel Machado

Tendo identificando as três chagas, não posso deixar de falar das sete antichagas que, quanto a mim, contribuem, ao seu nível, para me fazer acreditar que o Concelho do Sabugal tem futuro.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1. A primeira antichaga são os milhares e milhares de sabugalenses que, desde o 25 de Abril de 1974, mantêm vivo o poder local. Terá havido muitos que padeciam e padecem também das chagas da ignorância e da incompetência. Mas não tenho dúvidas em afirmar que o Concelho seria muito pior se não tivesse havido este punhado de sabugalenses que, em vez de «salvarem milagrosamente o Concelho» nos cafés, nos largos, nos blogues ou no Facebook, deram a cara e parte da sua vida em prol do bem comum.
2. A segunda antichaga são as centenas de sabugalenses que criaram, criam e mantêm um movimento social e associativo forte e dinâmico. Falo dos dirigentes das IPSS, das Associações e Clubes desportivos, culturais e recreativos e de todas as Associações que lutam pela melhoria das suas terras. São outros tantos sabugalenses que também diariamente dão a cara e parte da sua vida em prol do bem comum.
3. A terceira antichaga são os empresários que, num ambiente difícil, mantêm e desenvolvem as suas empresas, muitas vezes sem o reconhecimento da própria sociedade local. Talvez lhes fosse mais favorável deslocarem a sua empresa para o litoral ou para a Guarda, Covilhã e Castelo Branco. Mas aqui continuam a lutar, dia a dia, gerando riqueza e dando trabalho a muita gente.
4. A quarta antichaga são os sabugalenses que apostam na agricultura, na agropecuária ou na floresta. Um olhar mais atento para o Concelho permite ver que a realidade rural do Sabugal está lentamente a mudar. Falta quase tudo, incluindo uma postura diferente da Câmara Municipal. Mas as novas plantações florestais, as explorações de gado, etc., permitem-me acreditar que este setor ainda vai voltar a ter o papel fundamental que já desempenhou em séculos passados.
5. A quinta antichaga é constituída pelos nossos emigrantes, seja em terras estrangeiras, seja no próprio País. O seu amor à terra, à qual voltam sempre que podem, torna-os um esteio essencial da construção de um Concelho melhor. Assim haja capacidade de encontrar localmente as formas de os fazer participar no desenvolvimento das suas terras.
6. À sexta antichaga pertencem todos os que desenvolvem a sua atividade no setor da educação e da formação. Falo naturalmente dos profissionais da educação e formação, a todos os níveis, desde as creches ao ensino secundário. Há, ainda, muito a fazer, mas este conjunto de mulheres e homens tudo faz para que as nossas crianças e os nossos jovens partam das suas mãos preparados para a vida e para a continuidade da sua formação.
7. Sétima e última antichaga, o dinamismo que os blogues e as redes sociais vêm tendo, unindo os sabugalenses, informando-os sobre a realidade concelhia e transformando-se em tribunas de discussão livre da qual só poderá resultar uma maior ligação à terra onde nascemos, mas, sobretudo, um maior empenhamento no contributo a dar para a construção de um concelho melhor. Todos percebem, porém, que, para mim, não chega participar em blogues e em redes sociais, se tal não se transformar no compromisso de participar, de facto, nessa construção.

PS1: A todos os que comentaram publicamente ou em privado a anterior crónica, o meu agradecimento.
PS2: Quanto à questão da corrupção ser ou não uma chaga.
Não conheço, nem sei de nenhuma situação de corrupção no Concelho do Sabugal. Se soubesse, a primeira coisa que faria era ir às autoridades denunciar essa situação.
Se há sabugalenses que sabem, deveriam fazer o mesmo. A corrupção é um crime, não uma chaga.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

«Um Garoto de Vila do Touro Imigrante na América Conta sua História» é um livro comovente e perturbador, que não deixa o leitor indiferente. A emoção das descrições da vida antiga, a referência à miséria sentida, a recordação nostálgica do ambiente aldeão e da simplicidade das gentes de Vila do Touro, tudo concorre para a comoção advinda dos textos.

O livro, da autoria de António Maria das Neves, é do mesmo realismo cru que caracteriza outros dois memorialistas: José Manuel Lousa Gomes, do Soito, no livro «Memórias da Minha Terra» e António dos Santos Vicente, de Fajão (Pampilhosa da Serra), na obra «Vida e Tradições nas Aldeias Serranas da Beira». É nestas obras de memória viva e sentida que se encontram descritas, em páginas de sangue, as reminiscências dos povos de outrora das aldeias portuguesas.
A vida de António Maria das Neves foi, desde logo, uma epopeia. Nasceu em Vila do Touro, em 1938, sendo o décimo segundo filho de uma mãe heróica que pariu 17 vezes, vindo a constituir a família mais numerosa da aldeia. Em 1957, com 19 anos feitos, rumou para o Brasil com os pais e os irmãos, à procura de uma vida nova, fugindo à miséria aldeana. Com o dinheiro obtido na venda dos parcos terrenos, da modesta casa, dos animais domésticos e dos singelos móveis e utensílios da lavoura, o pai mandou comprar as passagens para a América. No dia aprazado a família seguiu, em carros de aluguer, para a estação do Barracão, onde apanhou o comboio para Lisboa. Aqui apresentou-se à Junta da Emigração, e ficou a aguardar o veredicto oficial, ocupando a casa de uns primos. Passado um mês toda a família embarcou no navio «Conte Grande», que cruzou o Atlântico durante 12 longos dias. Atingida a terra prometida houve que procurar casa, arranjar emprego e tratar da subsistência. Só com muito trabalho e abundantes privações António Maria conseguiu estabilizar a vida, estudando e trabalhando, constituindo família e tornando-se num português respeitado e prestigiado em S. Paulo.
Falando de Vila do Touro, a obra aborda a dureza da vida de antigamente, onde imperava a rispidez nas atitudes e nos sentimentos. Era necessário sobreviver, que é o mesmo que dizer, arranjar pão para as muitas bocas que habitavam a casa. A mãe, andava sempre numa fona, trabalhando sem parar, sem ter vida própria, vivendo apenas para os outros. Os irmãos mais velhos tratavam dos mais novos, trabalhavam em casa e no campo, executando os trabalhos pesados e sujos do trato dos animais e da terra de cultivo. O pai, severo, e de saúde frágil, tomava conta de uma pobre taberna, anexa à casa de habitação. Tempos difíceis e de enormes provações para um povo que sabia que «todos os recursos eram de extrema importância, úteis e necessários».
A vida era duríssima, logo desde os verdes anos pois, como dizia o adágio, «o trabalho do menino é pouco, mas quem o perde é louco». Mas também havia mimos e momentos inolvidáveis na vida de um «garoto» na aldeia. A sopa de grão-de-bico da tia Cândida, a aprendizagem na escola, a corrida do galo, o tocar da matraca na Quaresma, a festa de Nossa Senhora do Mercado.
Mas o principal era dificuldades. A vida na aldeia era uma luta diária pela sobrevivência. Havia os campos para trabalhar, pois era daí que provinha a alimentação. No Verão a falta de água fazia com que se percorressem grandes distâncias para a transportar para casa. No frio invernal era preciso proteger o corpo com roupa quente, que escasseava. As canseiras nos trabalhos do campo deixavam as suas marcas num tempo em que a higiene e o adorno ainda não tinham o seu lugar. «Rostos cansados, pés descalços, cabelos desalinhados, não há beleza, formosura, nem elegância nas mulheres, nas raparigas e nas adolescentes», escreveu António Maria das Neves falando na condição feminina em Vila do Touro.
Na hora da partida, já no navio e olhando o horizonte, uma frase profunda e comovente face ao trágico destino de um povo que partia: «Adeus Portugal. Ficas sem uma numerosa família pobre a menos, que também pagava impostos».
O livro foi escrito e editado no Brasil, em 2007.
Paulo Leitão Batista

O ministro da Saúde admitiu o encerramento e fusão das maternidades do país onde se registam menos de 1.500 partos por ano, situação que abarca a Unidade Local de Saúde da Guarda, que se encontra muito aquém desse número.

Para Paulo Macedo «As maternidades que tiverem menos de 1.500 partos por ano, de acordo com os indicadores da organização Mundial de Saúde, não deveriam estar a funcionar», o que o levou a admitir que essas unidades terão de encerrar e fundir-se com outras que lhe confiram dimensão.
Face à situação, a agência Lusa colheu ontem, dia 9 de Novembro, na Guarda, alguns testemunhos de grávidas, que se mostraram muito preocupadas com a possibilidade da maternidade local, que funciona no Hospital Sousa Martins (HSM), encerrar.
As grávidas que estão a ser acompanhadas no serviço de obstetrícia do HSM disseram que encaram esse cenário com muita apreensão.
Os mais recentes dados da Direcção Geral da Saúde (DGS), referentes a 2009, indicam que a maternidade do HSM registou 690 partos, facto que a coloca na rota do encerramento.
As grávidas abordadas pela Lusa temem que venham a necessitar de se deslocar «para bastante longe» para terem os filhos. O facto do HSM estar a receber obras de ampliação e de modernização, aliado ao facto de dispor de «bons médicos e de bons profissionais de saúde», levantam estranheza na intenção ministerial.
«Espero que o senhor ministro tenha o bom senso de não nos retirar mais este serviço que funciona em pleno», disse à Lusa a grávida Manuela Chagas, de 38 anos, que está a ser seguida no HSM.
«Se já tanta gente foge da Guarda, porque não temos grandes coisas, se fecha a maternidade, acho que também vai ser prejudicial para a Guarda», disse por sua vez Ana Marques, de 34 anos, outra grávida da cidade.
plb

Recentemente vi, em registo audiovisual, a intervenção do deputado da Assembleia da República eleito pela circulo eleitoral da Guarda, Luís Manuel Meirinho Martins, intrepelando o secretário de Estado da Cultura, José Viegas, acerca do património judaico e para a necessidade de distinguir o «verdadeiro» património do «falso», para que se não «confunda gato por lebre».

Bairro Medieval do Sabugal

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaEsta intervenção de Manuel Meirinho estaria correcta, se não tivesse subjacente, como parece, a sua conviccão da inexistência desses vestígios judaicos no Sabugal. Penso que foi este, não outro, o verdadeiro motivo da sua intervenção, porque já tinha ouvido alguns rumores, de alguns defensores da tese da inexistência ou irrelevância dos vestígios judaicos, acerca desta iniciativa.
As referência históricas à comunidade judaica do Sabugal são antigas, qualquer curioso de história sabe, remontam a D. Dinis, ao século XIV e XV, aos censos de D. Manuel e aos processos da inquisição nos seculos XVI, XVII e XVIII. Contra facta non rimenda!Não há vestígio de qualquer sinagoga no Sabugal, como de resto não há noutras povoações em que há a certeza de terem existido famosas judiarias. Mas daí inferir-se, como muitos pretendem, que no Sabugal não houve judiaria, ou sequer judeus e vestígios judaicos, é estúpido. O mesmo raciocínio levaria à conclusão absurda de que só houve judiarias em Castelo de Vide e Tomar…
Mas se alguma dúvida subsistisse acerca da presença judaica no Sabugal, ela está perfeitamente comprovada nas características arquitectónicas e marcas do casario do seu bairro seiscentista.
A este propósito, seguiremos resumidamente um excelente estudo de Emílio Fonseca Moretón, que pode ser consultado no Anuario Brigantino 2004, nº 27 , com o título «Viviendas de Judíos Y Conversos En Galicia Y El Norte de Portugal», pág. 431 e seguintes.
Diz o autor que a tipologia e morfologia das casas habitadas por judeus e cristãos na idade média era semelhante, porque a vida de um judeu e de um cristão eram semelhantes, salvo nas precrições alimentícias, usos religiosos, festas e descanso semanal.
Fig. 1 - Casa de AlbuquerqueO que caracterizava as casas judias era o mezuzá: uma pequena caixa que guardava o rolo de pergaminho com os versículos do Deuteronomio, que era colocada aproximadamente a altura do hombro de uma pessoa adulta, no plano interior da porta, con preferencia do lado direito, da porta de entrada da casa. (fig.1 – Casa de Albuquerque.)
Quando isto acontece, estamos sem dúvida em presença de uma casa judia. Nos casos em que não exista esta cavidade para a mezuzá, nada nos indica que tenha sido casa de um judeu ou de um cristão.
No entanto existem uma série de características, que podem ser indicios claros de uma casa que foi habitada por judeus:
Na idade média, a casa mais comuns ns burgos e pequenas cidades era de jum ou dois pisos, quase sempre de madeira ou adobe e raramente em pedra, salvo nos locais em que esta abundava.
Desde meados do século XV generaliza-se um tipo de casa, que embora não eclusiva dos judeus, é características destes pelas profissões liberais e ofícios artesanais que estes exerciam.
É uma casa de dois andares: a baixa destinada a oficina, comercio aberto ao público, enquanto no piso superior vivia a família.
O piso térreo tem normalmente duas portas, uma que cortuma ser mis larga qjue dá acesso à oficina ou comércio; e a outra, mais estreita, de acesso a uma escadaria que conduz ao piso superior, onde se abrem na fachada uma ou duas pequenas janelas, quase sempre na verical das portas. Nalgumas os moradores costumavam usar um pequeno banco exterior adosssado numa lateral da fachada que servia para expôr as mercadorias ou banca de trabalho. (fig. 2 – conjunto de casas de Penamacor, séc. XIV-XV.)
Fig. 2 – conjunto de casas de Penamacor, séc. XIV-XVMuitas destas casas ainda se conservam nos dias de hoje, graças ao facto de se situarem em locais que não registaram muito desenvolvmento urbanístico posterior ou porque se enontram em centros históricos protegidos que evitaram a sua demolição.
Apesar destas casas serem normalmente simples e funcionais, muitas costumam ter algum elemeto estilístico, que varia segundo o grau de pretensão dos moradores.
É frequente que tenham as arestas exteriores dos ombrais das portas e janelas biselados. Outras vezes vezes acresecentou-se-lhes um grau maior de estilo e se decoraram os lintéis das portas e janelas com um falso arco conopial (manuelino) que perdurou muito para além da época manuelina.
Outra das características de uma casa de judeus convertidos é, segundo opinião hoje aceite, as cruzes gravadas na fachada. Frequentemente encontram-se junto à porta de entrada, muitas vezes gravadas no local exacto em que devia estar a mezuzá.
Quando nos encontramos ante uma casa dos séculos XIV, XV, XVI e incluso posteriores com estas características, muito provavelmente estamos em presença de uma casa de conversos ou famílias de cristãos novos.
Os conversos ou seus descendentes uma vez baptizados, podiam ser julgados pela inquisição por suspeita de judaizar (heresia). Ante a perseguição posterior ao seu baptismo, o lógico é quepara protegerem-se proclamassem externamente perante os vizinhos, que conheciam a sua ascendência judaica, e os familiares do santo ofício a sua nova fé, gravando na fachada das casas no lugar antes ocupado pela mezuzá, uma cruz: «a cruz do converso» e que muitas vezes era suprimida e substituída por um pequeno desgaste no lugar do mezuzá e que resultam do afiar ritual e propiciatório dos instrumentos de trabalho.
Guarda casa com algumas cruzesEsta cruz que proclama externamente a fé crista não teria nenhum sentido na fachada da casa de um cristão velho, cuja fé é manifesta e fora de dúvida para os seus vizinhos. Ela só faz sentido em casa de conversos ou seus descendentes.
Porque durante as perseguições da inquisição os cristãos novos eram suspeitos de judaizar ocultamente (marranos), estas cruzes gravadas nas imediações da porta, além de protecção, eram um comprovativo da sua falta de limpeza de sangue. Por tal motivo, estas cruzes só aprecem onde houve judeus, estando por isso documentadas no norte de Portugal: na Guarda, Sabugal, Castelo Rodrigo, Almendra, Pinhel, Caminha, Valença, Monção, Vila Nova da Cerveira, Chaves, Ponte do Lima, Montalegre. Na Galiza: en Allariz, Videferre, A Mezquita, Tui, Santiago.
A cruz algumas vezes consistia em dois traços cruzados, mas em muitas apresentava-se esquematicamente assente sobre um suporte assente sobre um suporte que unas vezes é um triângulo, semelhante à cruz do santo ofício, e outras sobre um traço curvo, estilizando um candelabro invertido, chamadas «cruzes de converso» ou «cruzes de sobremesa».
Para um judeu o símbolo religioso fundamental é o candelabro de sete braços, a menorá, e é representado de forma esquemática como uma linha vertical assente sobre um triângulo ou sobre um traço curvo e cruzada por três linhas curvas apontadas para cima. Ao fazer-se cristão, substitui automática este símbolo apagando quatro braços endireitando os restantes transversais, transformando-a em cruz que assenta sobre uma base como a menorá. Uma espécie de candelabro de três braços.
(Continua.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Ninguém nos retirará, neste Interior raiano, os montes, e os vales, a beleza austera dos rochedos, a verdura dos campos, o porte frondoso dos carvalhos, a altura esguia dos pinheiros, os amarelos das maias primaveris, os tons torrados dos tojos e dos prados no verão nem a alvura da geada e da neve no inverno. Ninguém nos roubará os lugares onde as flores nunca perderão o sentido nem nunca recusarão o seu perfume.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Ninguém mutilará, a este Interior, o seu carisma fronteiriço.
Ninguém suspenderá ás suas gentes o seu carácter. Sempre a sua vontade será tão sólida quanto a dureza granítica. A gente do Interior será sempre de feitio volátil e de macieza no tratamento.
Persistirá, portanto, o Interior, como objecto de recordações e inspirador de novos sonhos. Ninguém lhe mudará a alma!
Ainda assim hão-de concretizar-lhe a desertificação!!!
Duvido que o tempo ou o assunto se prestem a metáforas ou trocadilhos e desconheço quais as ponderosas razões que nos têm empurrado, para um profundo esquecimento. Quiçá as mesmas razões que nos mergulharão nas amarguras do (já) certíssimo esvaziamento.
O que na realidade consta é que, sem explicação que verdadeiramente eu entenda, a lei ditará que as freguesias com menos de quinhentos habitantes sejam varridas do mapa. Sobre elas atem-se, portanto, a cor vermelha do lápis que as quer abater com uma cruz desertificadora, ao abrigo de duvidosas razões de poupança.
Apesar disso nunca findaram (nem se sabe se findarão) amáveis tiradas em dialécticas proferidas por políticos que, ao invés de outros tempos e de outras vontades (dos reis povoadores, por exemplo) pactuam com a implementação deste pavoroso despovoamento.
Sobressai, portanto, o rigor dos números e a pretensa exactidão das réguas e dos esquadros. Nada que impeça o desequilíbrio baseado em critérios que conduzirão a um novíssimo rosário marcado pelo crescer da desertificação.
Por outro lado, presume-se que, num futuro próximo, quarenta por cento da população portuguesa se fixe na região da Grande Lisboa. Restará, depois, um país desequilibrado, desigual, vergado a razões economicistas (justificadas?) Surgirão áreas nacionais desertificadas, sem deserto. Mas apesar da ausência triste das pessoas nunca o nosso Interior será deserto!
Por aqui, persistirá beleza, embora ríspida e muito própria. Ficarão potencialidades por explorar por falta de imaginação de quem prometeu tê-la, por facilitismo, por omissão, por resignação. Mas não… não haverá lápis que consiga banir o Interior. Apenas se lhe escurecerá a alma, apenas se lhe subtrairá gente, apenas se lhe aumentará o abandono!
Resta-nos a esperança de que um dia mude o punho e mude o lápis. Esperemos, então, que surjam outras vontades, outros desenhos, outros desenhadores e lápis de outras cores. Entretanto o Interior por cá ficará eternamente.
E, juro, nunca faltará quem acredite no impossível!!
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

«O interior do Interior tem por cá muito boa gente e também somos portugueses!» Assim escrevia em 14 de Julho de 2007 na sua primeira crónica no Capeia Arraiana o prof. José Manuel Campos. O dinossauro dos autarcas raianas defende como ninguém as suas terras e as suas gentes revigorado pela cristalina água da nascente do Côa. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Às vezes até parece que no concelho do Sabugal são 1+39. O nosso reconhecimento e apreço pelo presidente da capital da Raia sabugalense. Parabéns Prof. José Manuel Campos.
jcl

Nos últimos dias foram afixados, junto aos pórticos de portagem na auto-estrada A23 (Torre Novas – Guarda), os valores a cobrar, porém a empresa concessionária informou a Lusa de que os preços «não são definitivos, nem está a ser cobrado qualquer valor a quem passa».

Desde a última semana que a Scutvias tem vindo a colocar preços por troço, progressivamente, nos respectivos painéis, ao lado dos pórticos de portagem electrónica, mesmo antes de serem conhecidos esses valores.
Apesar de estarem tapados com redes, algumas destas protecções já voaram e os números que continuam cobertos tornam-se visíveis à noite por estarem pintados com tinta reflectora.
A situação tem motivado dúvidas dos condutores que têm contactado a Scutvias «através do número de apoio», sublinhou a mesma fonte.
Segundo fonte da empresa, os preços estão colocados «com um sistema amovível e os números podem ser alterados a qualquer momento».
Foram afixados para que a empresa não fosse apanhada de surpresa caso fosse necessário «iniciar a cobrança de portagens num curto espaço de tempo».
Para o efeito, os preços por troço foram calculados «partindo do pressuposto que será aplicado o valor médio de oito cêntimos por quilómetros», tal como nas outras vias ex-SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador). Não há porém qualquer indicação de que assim seja, pois logo que os preços sejam oficialmente fixados, serão feitas as alterações necessárias nos painéis.
A Comissão contra as portagens divulgou o valor provável a cobrar nos vários troços das SCUT, nomeadamente na A23 (Guarda – Torres Novas) e A25 (Vilar Formoso – Aveiro). Com base nesses valores, uma deslocação da Guarda a Torres Novas, em veículo ligeiro da classe 1, ficará em 16,70 euros. Quem pretenda vir a Lisboa e siga pela A1, pagará ainda 5,65 euros, o que leva a que o percurso até à capital importe em 22,35 euros. Assim, uma ida e volta a Lisboa custará a um guardense 44,70 euros.
plb

Na tarde e noite de 12 de Novembro, no Largo do Castelo do Sabugal, a Associação Transcudânia realiza o tradicional mega magusto de São Martinho, onde para além das castanhas assadas haverá vinho novo, jeropiga, músicas e cantares.

Trata-se de evocar uma velha tradição sabugalense, designada por Ronda de São Martinho, em que grupos de convivas percorriam as ruas da antiga vila entrando nas adegas para provarem o vinho novo. O toque constante de uma campainha anunciava o cortejo e, sempre que alguém abria porta, era-lhe declamado um verso, pressupondo que no final convidaria a comitiva a entrar e a provar o vinho novo que ainda fermentava nos tonéis.
«As Rondas de São Martinho são uma tradição nossa que queremos reconquistar e valorizar ao longo dos tempos», diz agora a Transcudânia, associação que tem procurado reavivar algumas tradições populares que os novos tempos fizeram cair em desuso.
O apelo da organização é para que todos a ajudem no reviver das Rondas de São Martinho, juntando-se no Largo do Castelo para participarem activamente na iniciativa.
Ao início da tarde, far-se-á, em soutos e pinhais fronteiros à cidade, a apanha das castanhas e da caruma, de modo a realizar-se um verdadeiro magusto comunitário.
De volta ao Largo do Castelo, «vamos assar as Castanhas, enfarruscarmo-nos, bebermos jeropiga e passarmos um belo serão», referem os responsáveis pela organização, que pretendem realizar um evento aberto a toda a comunidade, proporcionando momentos de verdadeiro convívio e confraternização entre a população.
Para animar a Ronda de São Martinho de 2011 actuará o grupo de música tradicional «Manta de Ourelos», que animará o cortejo que, à noite, percorrerá as ruas do Sabugal.
plb

No Sábado, dia 5 de Novembro, apesar de haver poucos cogumelos, as 62 pessoas que se inscreveram e participaram na jornada dos cogumelos não deram, certamente, o tempo por mal empregue. Tanto espanhóis como portugueses foram unânimes em afirmar que foi um excelente dia de convívio.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaA grande maioria das pessoas chegaram ao Centro Cívico um pouco antes das 10 horas e foi-lhes servida uma jeropiga acompanhada de uns bolos e de um paté de cogumelos que o amigo Florêncio Ramos empresário, de Navasfrias, nos havia oferecido.
Quando se chegou ao campo, 10h30, o Sr. Eng.º Gravito, Técnico do Ministério da Agricultura, proferiu uma pequena palestra para, de seguida, todas as pessoas entrarem na mata e procurarem os cogumelos como se de ouro se tratasse.
Os cogumelos, não comestíveis, amanita muscaria, abundavam em maior número mas, mesmo assim ainda se encontraram alguns boletos e alguns macrolepiotas, vulgarmente conhecidos por cogumelos do anel, que permitiram que o Sr. Eng.º Gravito pudesse ter dado as explicações convenientes.
Por volta do meio-dia o grupo regressou ao Centro Cívico em cujo auditório o Eng.º Gravito deu a grande lição.
As pessoas, comodamente instaladas, assistiram à projecção de fotografias, dos mais variados fungos, que iam sendo comentados pelo Técnico.
No final da palestra e mesmo em frente do edifício, fizeram-se algumas fotos de grupo para, de seguida, todas as pessoas se dirigiram para o restaurante Eldorado onde foi servida uma refeição a fazer inveja a algumas bodas.
O meu amigo Marcelo, alcalde de Hoyos, que chefiava uma delegação dessa simpática localidade e outros amigos de Valverde del Fresno, reconheceram e elogiaram toda a acção e disseram que jamais poderão esquecer o excelente cabrito e o excelente queijo de Foios.
Já quase ao cair da noite ainda houve tempo para algumas pessoas do grupo se terem dirigido até à central de camionagem do Sabugal onde a Câmara e a Empresa Sabugal+ haviam promovido um magusto no âmbito das actividades que durante esse dia decorreram na cidade do Sabugal. Prova de atletismo e exposição e venda dos produtos locais e regionais.
Gostaria ainda de dizer que o empresário de Navasfrias, comprador e transformador de cogumelos e de outros produtos silvestres, teve patente uma exposição tendo alguns dos participantes adquirido alguns produtos.
Foi também com prazer que recebi e cumprimentei a Sr.ª Dr.ª Ana Charters, actualmente a trabalhar com o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, que também se dignou participar na jornada micológica acompanhada do marido e de um outro casal.
Termino como por cá se costuma dizer: «Se Deus nos der sorte e saúde p`ró ano há mais».

«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Durante o corrente ano de 2011 a Confraria do Bucho Raiano levou o nome do Sabugal e da sua gastronomia de norte a sul do País, garantindo a representação em feiras, encontros e capítulos confrádicos. Inserindo-se nessa dinâmica de afirmação da nossa tradição gastronómica, um novo encontro de confrades e amigos da Raia está marcado para o dia 12 de Novembro, para o almoço de bucho que se realiza em Lisboa, na Churrasqueira do Campo Grande.

A última representação da confraria do Bucho Raiano aconteceu no passado sábado, dia 5 de Novembro, na Covilhã, no primeiro Capítulo da Confraria da Pastinaca e do Pastel de Molho. O confrade Joaquim Reis, garantiu a presença oficial da confraria sabugalense nesse evento, dando continuidade a uma série de deslocações onde o bucho se afirmou como uma iguaria que pretende estar a par com outros sabores de excelência da tradição gastronómica portuguesa.
Do dia 29 de Outubro tínhamos ido até Manteigas, onde se realizou o capítulo anual da Confraria da Feijoca, em cujo acto o Grão-Mestre Joaquim Silva Leal se encarregou de representar o Sabugal e a gastronomia raiana.
No dia 23 de Outubro a Confraria do Bucho foi Madrinha da novel Confraria do Cão da Serra da Estrela, também com sede no concelho do Sabugal, em Sortelha, à sombra de cujas muralhas se realizou o Capítulo de Entronização.
Nos dias 7 e 8 de Outubro a chancelaria da Confraria foi até à Figueira da Foz, em cujo Casino se realizou o IV Congresso Nacional das Confrarias Gastronómicas. No jantar de gala, realizado no dia 8, a Confraria do Bucho esteve entre as nomeadas para o prémio «Confraria do Ano», o mesmo sucedendo com o blogue Capeia Arraiana, igualmente nomeado para o prémio «Comunicação Social», tendo em conta o seu papel na divulgação da gastronomia portuguesa.
A 24 e 25 de Setembro a Confraria esteve na Feira Medieval realizada em Sortelha, com uma banca de exposição de enchidos raianos, no âmbito da iniciativa da Câmara Municipal designada «Muralhas com História». A presença da associação deu um reconhecido contributo para a divulgação do bucho e demais enchidos como produtos gastronómicos de qualidade do concelho do Sabugal.
No dia 12 de Setembro o bucho raiano foi até Vila Nova de Poiares, participando no X Capítulo da Confraria da Chanfana, onde estabeleceu relações muito profícuas com as dezenas de outras confrarias aí presentes (mais de 80) e assinou um protocolo com a confraria local no sentido de dar as mãos na divulgação por todo o país do bucho e da chanfana enquanto pratos representativos da boa gastronomia nacional.
No Sabugal, no dia 12 de Agosto, a Confraria do Bucho esteve presente, por proposta da Câmara Municipal, no programa Verão Total, transmitido em directo pela RTP a partir do Sabugal, por ocasião da realização da etapa Sabugal-Guarda da Volta a Portugal em Bicicleta. Para além das intervenções do Grão-Mestre, do Chanceler e do Almoxarife, a confraria exibiu perante as câmaras de televisão um bucho confeccionado e pronto a servir, assim como um conjunto de outros enchidos produzidos no concelho do Sabugal, nomeadamente na cidade sede de concelho e na Rebolosa, por produtores locais que defendem e respeitam as tradições.
A Mostra de Sabores Tradicionais, realizada em Coimbra, nos dias 2 e 3 de Julho, contou também com a presença da Confraria do Bucho. Pese embora não tenha montando banca para servir petiscos e refeições, dadas algumas dificuldades logísticas inultrapassáveis, a Confraria esteve no evento com as demais 34 confrarias de todo o país que ali se deslocaram a pedido da Federação Nacional que reúne estas agremiações que se esforçam por divulgar os nossos sabores tradicionais.
Na tarde quente do dia 25 de Junho, a Confraria do Bucho foi até Avintes, no norte de Portugal, participando no XV Capítulo da Confraria da Broa de Avintes, uma das mais antigas do movimento confrádico nacional. Proporcionou-se o encontro com o amigo do Sabugal e grande divulgador da gastronomia nacional, Paulo Sá Machado, que para além de grande dinamizador e promotor da broa de Avintes é também confrade da Confraria sabugalense.
Em Maio o confrade Tenreira Martins levou o bucho do Sabugal até Bruxelas, na Bélgica, onde o deu a degustar a dois portugueses ilustres aí temporariamente residentes, o Professor Carvalho Rodrigues e o General Pina Monteiro, que tendo-o apreciado, passarão a ser «embaixadores» do bucho raiano, assim contribuindo para a sua afirmação e divulgação.
No dia 15 de Maio, a Confraria do Bucho Raiano marcou presença no VI Capítulo da prestigiada Confraria Gastronómica de Almeirim, com a qual há muito se estabeleceram laços de amizade e de cooperação. A representação raiana esteve a cargo de quatro confrades, dois pertencentes à Chancelaria (José Marques e Horácio Pereira) e dois que têm colaborado nas diversas iniciativas (José Caçador e Cristiano Martins).
Ainda em Maio, no dia 7, a Confraria do Bucho foi até Trancoso, participar activamente no I Capítulo de Entronização da Confraria das Sardinhas Doces, juntando-se a outras agremiações gastronómicas vindas de vários pontos do país: Confraria da Urtiga (Fornos de Algodres), Confraria da Chanfana (Vila Nova de Poiares), Confraria da Maçã Portuguesa (Moimenta da Beira), Confraria da Panela ao Lume (Guimarães) e Confraria do Queijo Serra da Estrela (Oliveira do Hospital).
A Confraria do Bucho Raiano, participou, no dia 17 de Abril, num encontro de confrarias gastronómicas, promovido pela Confraria da Chanfana, de Vila Nova de Poiares, que é uma das mais dinâmicas do movimento confrádico português e é uma das confrarias madrinhas da Confraria do Bucho. O encontro serviu para analisar as diferentes formas de se garantir uma boa cooperação entre as associações confrádicas e como divulgar os produtos gastronómicos que cada uma representa.
No dia 16 de Abril, a Confraria do Bucho Raiano esteve representada no VIII Grande Capítulo Gastronómico da Real Confraria da Cabra Velha, em Miranda do Corvo, local onde igualmente se juntaram várias dezenas de confrarias representativas dos nossos sabores tradicionais.
Em Março a Confraria, em conjunto com a Câmara Municipal do Sabugal, apresentou a candidatura do bucho às Sete Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, concorrendo com várias dezenas de pratos típicos na categoria prato de carne.
O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano decorreu no dia 5 de Março, sábado de Carnaval. A primeira parte teve lugar no Auditório Municipal do Sabugal com a cerimónia de entronização e a segunda parte no Soito com recepção na Junta de Freguesia e almoço no Restaurante «O Martins». Confrarias de todo o país vieram até ao Sabugal participar no evento, onde o confrade João Inês Vaz proferiu a oração de sapiência e onde foram entronizados 21 novos confrades e condecorados com a Ordem de Cavaleiro o Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco, o escritor Manuel Leal Freire e o empresário Manuel Joaquim Rito, sendo ainda distinguidos com Diplomas de Honra a Casa do Concelho do Sabugal e a redacção da Guarda da LocalVisãoTv.
Nos dias 23 e 27 de Fevereiro o concelho do Sabugal promoveu-se como destino turístico na Bolsa de Turismo de Lisboa 2011, integrado no espaço da «Turismo Serra da Estrela», com a participação da Confraria do Bucho, que para além de marcar presença possibilitou uma prova de bucho raiano.
No dia 12 de Fevereiro os confrades rumaram a Sul, à cidade de Évora, para o segundo almoço da Confraria do Bucho Raiano na Taberna Típica Quarta-Feira, propriedade do sabugalense José Dias, que nos recebeu de braços abertos e com mesa farta como é seu apanágio.
No começo do ano 2011, a 15 de Janeiro, uma vintena de confrades foram a Elvas, ao Restaurante Brasa, propriedade do confrade Daniel Salgueira, de Alfaiates, juntando-se a gente do Alentejo que degustou e apreciou a nossa iguaria gastronómica. O encontro incluiu uma visita à Adega Mayor, propriedade do comendador Rui Nabeiro.
Podemos concluir que no que já decorreu do ano de 2011, a Confraria do Bucho desenvolveu uma actividade intensíssima de divulgação do bucho e do concelho do Sabugal, cujo frenesim apenas foi possível dado o altruísmo e o interesse de alguns dos confrades que compõem a instituição sabugalense que actualmente é, sem margens para dúvidas, a grande embaixadora do concelho.
Paulo Leitão Batista (Chanceler da Confraria do Bucho Raiano)

A história mostra-nos que a humanidade teve momentos politicamente instáveis, revolucionários e pré-revolucionários. A ordem estabelecida era ameaçada pelo povo, pelas classes mais humildes e exploradas. No actual momento histórico, essa ameaça, que não é mais nem menos do que a destruição da Democracia, vem dos próprios detentores do poder.

António EmidioTerras alugadas pela empresa coreana Daewoo em Madagáscar: um milhão de hectares. Período de arrendamentos: 99 anos.
Essas terras irão dar alimentos, obtendo a empresa lucros extraordinários exorbitantes, especulando com o seu preço. É o que acontece quando a agricultura está nas mãos de empresas e de multinacionais, não nas mãos de camponeses e de agricultores.

Camponeses sem terra no Mundo. 500 milhões.

O quarto país importador de armas no Mundo é a Grécia! A juntar a isto temos os salários e as prebendas das cúpulas militares, que são exorbitantes. Tendo então «brinquedos» para brincar e dinheiro para gastar, estão entretidos e não ameaçam. Será mesmo assim? Houve mexidas nas chefias do exército grego nos últimos dias…

Tudo leva a crer que a polícia anti-motins da U.E. já está a actuar na Grécia. A U.E. tem uma polícia anti-motins para operar em qualquer país europeu. Está sediada em Itália, composta por 3.000 homens, chama-se Gendarmeria Europeia (Eurogendfor), é financiada por vários países, entre eles Portugal. Qualquer dia, quando estivermos como a Grécia, não há-de faltar muito, a polícia estrangeira vem «malhar-nos». Ainda lhe pagamos para isso!

Quantidade mínima que o banco mundial calcula que esteja depositada em contas, nos paraísos fiscais: 8.000.000.000.000!!!! (8 biliões de euros).

Famílias mais ricas do Mundo que provavelmente terão «algum dinheiro» em paraísos fiscais. Darei o nome das famílias e, dos países onde estão:
Família Rothschild (Londres, Berlim e Israel)
Família Rockefeller (U.S.A. e Israel)
Família Morgan (Inglaterra)
Família Warburg (Alemanha)
Família Lazard (França)
Família Moisés Israel Seif (Itália e Israel)
Família Kuhn, Loeb (Alemanha e U.S.A.)
Família Lehman Brothers (U.S.A.)
Família Goldman Sachs (U.S.A.)

Para terminar, uma estória passada na então Vila do Sabugal, provavelmente nos anos trinta do século passado, na altura da grande depressão económica. Um humilde trabalhador do campo soube que um riquíssimo senhor da Vila, que vivia em Lisboa, tinha perdido muito dinheiro com a convulsão económica. Vindo esse senhor um dia ao Sabugal, o humilde trabalhador do campo, que o conhecia a ele e a toda a sua família, foi cumprimentá-lo e disse-lhe que lastimava o que lhe tinha acontecido, a perca de tanto dinheiro. A resposta do senhor foi mais ou menos esta: «Não lastime a minha riqueza, lastime a sua pobreza».
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Na sexta, dia 11 de Novembro, actuam no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG) os Monges Tibetanos do Mosteiro de Tashi Lhunpo, um espectáculo belíssimo e imperdível que está marcado para as 21h30.

O mundo sagrado do Tibete é carregado de cantos budistas e mantras, de sons de campainhas, trompetes e tambores. Os Monges do Mosteiro de Tashi Lhunpo apresentam neste espectáculo a música e a dança tradicionais tibetanas. Música extremamente subtil e complexa, indissociável das tradições antigas. No seu essencial, a música está destinada à vida espiritual; instrumental ou vocal, requer um conhecimento perfeito dos textos, transmitidos por tradição oral, que os monges interpretam com grande virtuosismo.
O Mosteiro de Tashi Lhunpo é uma das seis grandes Universidades monásticas tibetanas e é a sede do Panchen Lama, o segundo líder espiritual tibetano, logo depois do Dalai Lama. Fundado no século XV pelo primeiro Dalai Lama, este Mosteiro continua a ser o maior representante da tradição Gelugpa dentro do Budismo tântrico tibetano. Desde 1972 que o Mosteiro se restabeleceu no sul da Índia, data em que os monges se vêem obrigados a fugir do Tibete devido à Revolução Cultural Chinesa. Actualmente, são 250 os monges que estudam filosofia budista e tradição Tashi Lhunpo de artes e música sagrada no Mosteiro sediado na Índia. Os espectáculos ao vivo que os Monges do Mosteiro de Tashi Lhunpo têm apresentado por toda a Europa (Reino Unido, Suíça, Itália, Espanha, Portugal e Holanda) nos últimos anos incluem também a exibição de Mandalas, complexos e simbólicos diagramas desenhados com pó de mármore em cores vivas.
plb (com TMG)

A Casa da Esquila, que tem estabelecimentos de restauração no Casteleiro e no Sabugal vai lançar «5 Quinas com sabor», uma nova ementa tendo por base os melhores sabores da região.

No próximo dia 10 de Novembro, anunciado como o Dia do Concelho do Sabugal, o restaurante Lei, da Casa da Esquila, vai promover uma pequena homenagem ao concelho, lançando em «exclusivo mundial» uma tentadora proposta gastronómica inspirada no que há de melhor nas nossas terras.
«Procurámos criar algo que nos fizesse lembrar automaticamente as nossas raízes, quer pela sua forma única, quer pelo sabor onde está presente o que de melhor se faz na nossa terra», declarou Rui Pedro Cerveira, o proprietário da Casa da esquila, que assim justifica a iniciativa.
Após o lançamento, a iguaria irá ser incluída na carta de jantares do restaurante, para além de ficar disponível para grupos.
O projecto da Casa da Esquila trouxe para o Sabugal, no seu novo restaurante do Casteleiro, o conceito de Gourmet Rural, pelo qual apresenta pratos de excelência baseados nos sabores que tradicionalmente a terra dá, procurando descobrir a gastronomia que importa explorar e valorizar.
plb

Que há ouro na nossa zona, não duvidem. Não dará para exploração rentável, mas que o há, há. Trago-lhes aqui hoje uma história documentada de burla, ouro e bruxaria que meteu Inquisição e tudo…

Hoje, ao abrir o jornal «Público» e ao ver na página 8 o mapa de Portugal onde estão indicadas as zonas em que há minérios e quais, eis que dou com uma confirmação: aqui na nossa região, mesmo sem valor económico hoje, há mesmo alguns minérios. Designadamente: urânio, estanho e volfrâmio, pelo menos.
Nada de novo, apenas a confirmação.
No Casteleiro, isso sabe-se desde os anos 40 do século XX, como já escrevi.
Mas essa recordação que o jornal nos trouxe hoje, levou-me, há meia hora atrás, neste domingo de algum sol e muito frio, a uma pesquisa no Google para as palavras «Casteleiro / urânio / ouro».
E eis que dou de frente com um documento antigo que lhe mostro hoje aqui e em que se conta uma história mirabolante que mete fraude contra todo um povo, promessas de «El Dorados», ouro, Inquisição e rezas e curas marginais naquele «dito lugar de Casteleiro, termo de Sortelha», de há quase 300 anos.
É um documento espantoso. Conta uma história à moda do século XVIII. O documento é de 1723 e tem a designação de «Denúncia dos habitantes do lugar de Casteleiro, termo de Sortelha, contra José Bernardo» (clique aqui para ver o documento), do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
A estória, conto-a em poucas linhas:
- José Bernardo é o acusado.
- Os acusadores são alguns habitantes do Casteleiro.
- O relatório é, presumo, de um funcionário da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco que terá sido enviado para investigar a denúncia.
- A acusação consiste em dois crimes. Um que ainda se mantém hoje como crime e que se traduzia numa fraude: esse tal José Bernardo andou durante três ou quatro meses a prometer mundos e fundos ao povo deste «dito lugar» para que procurasse ouro por estas serranias. Uma miragem, pelos vistos. Cavaram, escavaram, «derribaram» penedos por todo o lado e do ouro, nada. Até que o denunciaram. Provavelmente nem ouro nem pagamento do trabalho escravo que fizeram.
- A outra acusação é mais à moda da época. Claro que uma personagem destas tinha de ser também meio bruxo. E acusavam-no de duas coisas basicamente: de, com palavras tentar curar os doentes (bruxaria, portanto); e de, com ferros em brasa, fazer experiências (suponho que em seres humanos).
Resta dizer que esta acusação era dirigida à Inquisição – ou, de forma mais doce: ao Tribunal do Santo Ofício.
Tudo, em 1723. Hoje, no Casteleiro, não há nem ouro nem bruxas – que eu saiba. Mas naquele tempo, sendo ali mesmo perto o Terreiro das Bruxas (se é que já existia), sei lá.
Mas continuo convencido de que esse tal José Bernardo não era dali. Algum arrivista. Mais um. É que o autor do documento não diz se o acusado também era do «dito lugar de Casteleiro, termo de Sortelha, comarca de Castelo Branco».
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

O tenente-coronel António Manuel Lourenço Lopes, natural da Sertã, distrito de Castelo Branco, é o novo comandante do Comando Territorial da Guarda da GNR, substituindo o coronel Monteiro Antunes, que passou à reserva.

O Novo Comandante nasceu a 29 de Outubro de 1961,e iniciou a vida militar como oficial com a frequência do Curso de Oficiais Milicianos, em 1983, na Escola Prática de Infantaria.
Ainda no Exército, prestou serviço como oficial subalterno na Primeira Brigada Mista Independente, entre 1983 e 1986, ano em que ingressou no Curso de Formação de Oficiais da Guarda Nacional Republicana que concluiu em 1989.
Como oficial subalterno prestou serviço no então Regimento de Infantaria da GNR, entre 1989 e 1991. depois, de 1992 a 1994 desempenhou várias funções de Estado Maior, no Comando da então Brigada Territorial n.º 2.
Em 1994 frequentou o Curso de Promoção a Capitão, após o que Comandou o Destacamento Territorial de Pombal, de 1995 a 2000, ano em que transitou para o comando do Destacamento de Leiria, onde se manteve até 2003.
Ainda em 2003 frequentou o Curso de Promoção a Oficial Superior, passando depois a desempenhar as funções de Adjunto do Comandante de Grupo Territorial de Leiria e Chefe da Secção de Investigação Criminal. Já Major, foi nomeado em 2004, segundo comandante do Grupo Territorial de Leiria, passando a comandante do Grupo em 2009.
Após a reestruturação orgânica da GNR continuou interinamente à frente do Comando Territorial de Leiria, até 2011, após o que passou a ser segundo comandante daquela Unidade, até 2 de Novembro de 2011, data em que assumiu a chefia do Comando Territorial da Guarda.
O tenente-coronel António Lopes possui dez louvores, três dos quais atribuídos pelo General Comandante Geral da GNR. Possui também as medalhas de Mérito Militar (grau prata), Comportamento Exemplar (grau prata) e Assiduidade de Segurança Pública (2 estrelas).
A tomada de posse do novo comandante realizou-se no dia 2 de Novembro, pelas 11 horas com uma cerimónia protocolar.
plb

A judoca do Sporting Clube do Sabugal (SCS), Ana Sofia Figueiredo, foi a vencedora na categoria de -57 Kg, no Open de Judo do Porto «Memorial Manuel Reis», escalão Júnior, competição do calendário nacional realizada no sábado, dia 5 de Novembro.

O objectivo da atleta sabugalense era alcançar alguns pontos para o ranking, conseguindo no entanto ganhar a categoria de -57 kg, em resultado da calma com que controlou os confrontos, demonstrando melhorias no aspecto técnico-táctico.
A excelente prestação de Ana Sofia Figueiredo da Secção de Judo do SCS, aconteceu no pavilhão da Faculdade de Desporto da Cidade do Porto, onde o clube participou com dois atletas, com o objectivo de lhes dar a oportunidade de começarem a angariar pontos para o Ranking Nacional de acesso ao Campeonato de 2012.
Para além de Ana Sofia Figueiredo, o SCS esteve representado nos masculinos por Gabriel Almeida em -81kg, que viria a lesionar-se no combate de abertura daquela categoria de peso. Embora não sendo uma lesão grave, a mesma não lhe permitiu continuar em prova.
A maioria dos competidores presentes no Open do Porto era da zona norte, vindo no entanto cinco clubes de Lisboa para que os seus judocas pudessem acabar 2011 com um pé no nacional de 2012. Até ao final do ano há ainda a possibilidade de pontuarem no Open de Coimbra, que se realizará em Dezembro.
O técnico do Sporting Clube do Sabugal mostrou-se satisfeito pela prestação da sua pupila, que certamente reforçará o empenho dos judocas tanto nos treinos como nas suas participações competitivas.
djmc

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

As obras a cargo da Empresa António José Saraiva, com escritórios no Soito, no Centro de Negócios e Transfronteiriço, arrancaram em grande força com as terraplanagens e maquinaria de grande porte. Quem pretender ajudar esta obra com um donativo pode fazê-lo transferindo a verba para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

O título da crónica com que hoje retomo o convívio dos leitores pedi-o emprestado a um admirável filme de Elia Kazan, que nos mostra a odisseia dos emigrantes europeus a caminho dos Estados Unidos, a nova «Terra Prometida», onde «corria o leite e o mel». Essa América da abundância e das grandes oportunidades, que, entre 1800 e 1990 acolheu mais de 80 milhões de imigrantes vindos de todo o mundo, incluindo muitos dos nossos antepassados raianos. Toda esta gente, somada aos que já lá se encontravam (os índios, quando os deixaram sobreviver) e aos que para lá foram levados à força (os escravos africanos), fizeram dos Estados Unidos da América o «melting pot» de que falam alguns sociólogos. Ou seja, um país onde convivem (nem sempre pacificamente) muitas e desvairadas gentes, de todas as etnias, de todos os credos e de todas as proveniências.

Vista aérea da Baía de San Francisco. Em primeiro plano, a Golden Gate Bridge; ao longe, os arranha-céus de Downtown; à esquerda, a famosa ilha de Alcatraz, assim chamada pelos espanhóis por nela haver muitos alcatraces (pelicanos)
As famosas casas vitorianas de São Francisco Vista aérea e nocturna de Las Vegas Vista do Grand Canyon, num meandro do rio Colorado

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Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaFoi este país cheio de contrastes e de contradições que eu visitei aqui há tempos. No artigo de hoje e no próximo tentarei transmitir aos leitores algumas das minhas impressões desta viagem.
Estive na Califórnia (San Diego, Los Angeles, incluindo Hollywood, San Francisco, etc.); e também em Las Vegas e em Nova Iorque. Deixemos a «Big Apple» para a próxima crónica. Merece-a bem. Falemos hoje dessa terra de sol e de progresso que é a Califórnia, e também de Las Vegas, cidade protótipo da megalomania kitsch americana.
O primeiro europeu a explorar a costa da Califórnia foi o navegador português João Rodrigues Cabrilho, ao serviço da Espanha. Cabrilho era natural de uma perdida aldeia dos confins transmontanos, cujo nome hoje nos está nos ouvidos devido à construção de uma barragem que recebeu o seu nome: Cabril. As voltas e reviravoltas da História acabaram por levar Cabrilho bem longe! E a casa onde se diz ter nascido recebe anualmente muitos visitantes californianos.
Em Setembro de 1542, João Rodrigues Cabrilho explorou a baía de San Diego, cidade que o homenageou com uma boa estátua da autoria de Álvaro de Bré. Cabrilho prosseguiu a sua viagem para Norte, em busca do mítico El Dorado, terra de ouro e de pedraria, autêntico paraíso terrestre. Já no começo do século XVII, outro português, Sebastião Biscainho, percorreu também a costa californiana, tendo descoberto a baía de Monterey, onde, mais tarde, viria a nascer a cidade que foi a primeira capital da Califórnia mexicana. No entanto, a colonização espanhola da região apenas seria efectuada de modo sistemático durante o século XVIII, com a fundação de inúmeras missões e povoados. Pouco a pouco vão surgindo cidades cujos nomes actuais não deixam dúvidas quanto à fundação hispânica: San Diego, Los Angeles, Sacramento (hoje capital do Estado), San Francisco, San Fernando, etc.
Mas como é que toda esta riquíssima região foi integrada nos Estados Unidos? Vejamos um pouco de História.
Quando os Estados Unidos da América se tornaram independentes eram constituídos por apenas 13 Estados (as Treze Colónias inglesas que se sublevaram e proclamaram a Declaração da Independência, no 3.º Congresso de Filadélfia, em 4 de Julho de 1776). A bandeira adoptada tinha 13 riscas alternadamente brancas e vermelhas (que ainda conserva) e treze estrelas. As estrelas, todavia, aumentaram muito à medida que o País dilatava a sua fronteira para Oeste (hoje são 50). Toda a extensa região situada entre os montes Apalaches e o rio Mississipi foi cedida em 1783 pela Inglaterra, na ocasião da assinatura do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Guerra da Independência. Em 1803, seria a vez da anexação de outro vastíssimo território, a Louisiana, na margem direita do Mississipi, comprado à França. A Florida foi também comprada à Espanha, em 1819, e, três anos depois, o Alasca seria adquirido à Rússia (por dez mil dólares!). A jovem nação americana, como vemos, mostrou-se desde cedo expedita a fazer verdadeiros negócios da China.
Em 1846, pela celebração de acordos com a Grã-Bretanha, é fixada a fronteira com o Canadá, de que resultou a anexação do Oregon. Quanto à fronteira com o México (independente desde 1821), a questão foi mais complicada. Um vasto espaço que compreendia todo o Texas («o Gigante») e parte do Novo México e do Colorado foi anexado pelos Estados Unidos em 1845, o que desencadeou uma guerra entre os dois países. Os Mexicanos foram vencidos (apesar de vitórias esporádicas, como a do Forte Álamo) e a derrota custou-lhes uma fatia impressionante do seu próprio país: em 1848, os EUA forçaram o México a «vender-lhes» o imenso e riquíssimo território que hoje é formado pelos Estados do Arizona, do Utah, do Nevada e da Califórnia! Assim se fez a nação mais rica da Terra e assim se fez uma das mais pobres. Em História não há «ses», há factos. Mas pensemos no que seria hoje o México, «se» tivesse conservado todos esses vastíssimos territórios! Não os conservou e tornou-se o vizinho pobre, fornecedor de mão-de-obra barata para os trabalhos mais humildes, gente a quem os americanos pejorativamente chamam «chicanos».
Deixemos, porém, o passado. Das grandes cidades californianas que visitei, aquela de que mais gostei foi San Francisco. Com a sua lindíssima baía, as suas ruas ondulando pelas colinas percorridas por carros eléctricos (os «cable cars») e a sua famosa Golden Gate Bridge (muito parecida com a nossa Ponte 25 de Abril), San Francisco faz-nos lembrar Lisboa. É, além disso, uma cidade cosmopolita, onde existe uma convivência interétnica mais fácil do que noutras metrópoles americanas. Basta lembrarmo-nos do movimento hippy que, no final da década de 60, para aí fez confluir dezenas de milhares de jovens adeptos do «flower power».
No meio da recortada baía destaca-se a mítica ilha de Alcatraz («The Rock»), onde funcionou, entre 1934 e 1963, uma prisão federal de alta segurança. Ali estiveram “hospedados” criminosos célebres como Al Capone e o «Birdman of Alcatraz». Em toda a sua história, apenas se registou uma única fuga com sucesso, justamente um ano antes do seu encerramento. Hoje, Alcatraz é apenas um lugar de turismo, onde eu próprio me fiz fotografar «atrás das grades».
Mas de tudo quanto existe nesta belíssima cidade, o que mais me cativou foram as preciosas casas vitorianas de San Francisco. Trata-se de pequenas moradias da segunda metade do século XIX, feitas de madeira, hoje recuperadas, requintadamente pintadas e luxuosamente mobiladas. São caríssimas: não se encontra uma por menos de 2 ou 3 milhões de dólares! Mas são uma beleza! Um livro ilustrado que comprei, exclusivamente dedicado a estas casas, chama-lhes «the painted ladies».
Em contrapartida, Los Angeles e Hollywood constituíram uma desilusão. A Cidade dos Anjos é uma diabólica megalópole: ruas tão compridas como a distância de Lisboa a Santarém; bairros mais perigosos que os piores de Nova Iorque; poluição mais mortífera que a de Atenas (sobretudo quando há «smog», uma fatal mistura de nevoeiro e fumo); auto-estradas que são autênticos formigueiros, com 5 ou 6 faixas em cada sentido (onde, apesar de tudo, se conduz mais civilizadamente que na nossa A1, devo confessar); gente mais indiferente que outra qualquer. Claro que Beverly Hills é deslumbrante pelo luxuoso requinte das mansões das «estrelas», ou pelas caríssimas lojas de Rodeo Drive, a rua onde se podem encontrar mais Rolls Royces ou Ferraris por metro quadrado. Mas já Hollywood Boulevard, com os seus famosos «passeios das estrelas», ou o chão em frente do Chinese Theater coberto de assinaturas e marcas das mãos e dos pés dos grandes mitos do cinema me deixou indiferente, com um certo sabor a “pirosas americanices”.
E por falar em “americanices”: Las Vegas é o supra-sumo de tudo isso. Uma cidade construída no deserto, num local onde os fundadores espanhóis encontraram umas escassas «veigas», uns lameiros primaveris irrigados por ténues fios de água (que é o que significa “vegas”). Uma cidade que cresceu, a partir da 2.ª Guerra Mundial, sobretudo graças ao jogo e à energia produzida pela grande barragem Hoover, no rio Colorado. Energia indispensável para alimentar a prodigiosa festa de néon que explode ao anoitecer. As luzes de néon, ao longo da grande avenida central de Las Vegas (The Strip), onde se situam os principais hotéis-casinos, constituíram para mim um dos mais delirantes espectáculos a que assisti. Depois, o resto foi a comédia humana: gente obcecada pelo jogo, nos luxuosos halls tilintantes dos casinos, gente quase sempre gorda, imensamente gorda, mastodonticamente gorda, comendo toneladas de pizzas e de hambúrgueres nos discricionários buffets, assistindo a espectáculos de strip-tease de silicone, percorrendo os intermináveis labirintos dos mega-hotéis de cinco estrelas com cinco mil quartos. Quase todos os hotéis de Las Vegas são temáticos: o Luxor é uma pirâmide egípcia onde não podia faltar, no interior, uma esfinge em tamanho natural e a reconstituição do túmulo de Tutankhamon; o Excalibur parece um castelo de fadas; o New York New York pretende reproduzir Manhattan, com arranha-céus e estátua da Liberdade; o Ceasar’s Palace é isso mesmo, um palácio dos césares romanos, prodigiosamente grande e absurdamente luxuoso; o Treasure Island é a hollywoodesca ilha dos piratas, uma espécie de disneylândia à beira do passeio, com combates e navios a afundarem-se; o Mirage, com as suas palmeiras e as suas cascatas monumentais, é uma verdadeira miragem paradisíaca; o Circus Circus tem lá dentro uma gigantesca montanha russa e uma verdadeira cúpula de circo, onde nem faltam trapezistas em acção; etc., etc. «The american dream» ao vivo. A mim, Las Vegas lembra-me a «welwitschia mirabilis», a planta carnívora do deserto de Moçâmedes: com o seu odor atrai os incautos, que acabam por ser devorados em vida. É que nos casinos só há um vencedor: o Casino.
No entanto, foi a partir de Las Vegas que fiz uma excursão que me lavou a alma: nada mais nada menos que a visita ao Grand Canyon, o fabuloso vale rochoso cavado pelo rio Colorado, um dos mais deslumbrantes e esmagadores panoramas naturais existentes à face da Terra. Ali sim, perante aquele incrível rendilhado geológico, com centenas de milhões de anos de existência, apetece-nos dizer: que mesquinha e pretensiosa é esta nossa breve existência de 80 ou 90 anos!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Contraluz, s.m. Luz que dá num quadro, em sentido oposto àquele segundo o qual foi pintado. (Grande Dicionário da Língua Portuguesa).

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«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques
carlos3arabia@yahoo.com

O objectivo deste texto é lembrar às gerações bismulenses mais novas que tiveram e têm pessoas da sua terra, que em missões humanitárias, sem recompensas monetárias, prestaram serviços importantes, numa entrega total a Deus e aos homens.

Sabemos por experiência própria como alguns responsáveis por instituições públicas e políticas são alérgicas, insensíveis e deixam cair no esquecimento os seus filhos e até afirmam que já ninguém os conhece na sua terra natal. No entanto, muitos tiveram participação social activa no seu meio e estenderam-no pelo mundo em trabalho notável e valioso. Nesta linha está alguém que gastou uma longa vida a curar e a suavizar as dores físicas e psicológicas de muitos doentes.
Há muito que era minha intenção escrever sobre a minha conterrânea, a Irmã Religiosa Célia, com quem falei uma ou duas vezes, nas suas raras visitas à Bismula. Avivei a memória e com alguns apontamentos recolhidos vou debruçar-me um pouco com a sua história.
Nasceu a 4 de Agosto de 1907 na Bismula, nos finais da Monarquia agonizante. Eram seus Pais Luísa Martins e Joaquim Valente. Pertencia à geração do meu Pai – José Maria Fernandes, que me falava muitas vezes desses tempos. Foi registada civilmente com o nome de Maria Rosa Martins. Tinha duas irmãs, Francisca Martins, casada com o meu tio António Fernandes, cedo faleceu de parto, deixando quatros filhos menores órfãos. O recém-nascido Francisco ficou aos cuidados da sua irmã Rita Martins, mas passados alguns meses também morreu. Esta irmã teve uma numerosa família, nove filhos e foi a mãe do Padre Manuel Joaquim Martins.
Aqui tenho de citar Mário Tiago Bernardo Fernandes, no preâmbulo do Livro Pater Famílias de Ezequiel Alves Fernandes, «era o tempo em que as crianças ficavam às escuras na Bismula, olhando as luzes das cidades que emergiam no horizonte, catapultando sonhos impossíveis, o tempo das rixas nas tabernas; as crianças mortas embrulhadas num lençol; o tempo dos gritos da injustiça das mães que viam partir os seus rebentos por falta de assistência médica.» E as mães também partiam… Partiam todos sem cuidados médicos, porque não existiam.
A Maria Rosa Martins frequentou a Escola Primária da Bismula. Nas horas vagas apascenta um pequeno rebanho com a ajuda da sua amiga Leonilde Polónia, no sítio dos Arroios.
Naqueles tempos havia na Bismula alguns casais onde se praticava a violência doméstica, maridos que maltratavam as suas esposas e filhos. A Maria Rosa apesar de adolescente já tinha uma certa consciência destas agressões familiares, assim como a sua companheira. Decidem nunca casar para não passar por aqueles vexames, que passavam as mulheres da sua terra, e decidiram um dia abraçar a vida religiosa. Estava muito viva e presente nas gentes bismulenses a mensagem deixada pelos responsáveis da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com sede em Idanha – Belas – Lisboa, a primeira Casa Religiosa fundada em Portugal em 1894.
A Congregação é fundada por S. Bento Menni em Maio de 1881, em Ciempozuelos nos arredores de Madrid, com o objectivo da criação de asilos, hospitais gerais e hospitais psiquiátricos, na promoção, tratamento e reabilitação das pessoas, no âmbito da saúde mental, orientada em critérios da centralidade da pessoa doente, na continuidade apostólica dos Irmãos de S. João de Deus, agora com uma componente feminina.
Aos treze anos aquela menina já sabia quais os caminhos a percorrer. Já tinha mentalidade adulta e decide voluntariamente ingressar naquela Congregação desloca-se com os seus Pais, à Freguesia da Parada, do Concelho de Almeida, onde uma Irmã Religiosa a recebe, e seguem para Lisboa, via-férrea, tomando o comboio na Cerdeira do Côa. Mais tarde a sua amiga Leonilde Polónia vai juntar-se a ela.
Ali faz votos de apostolando e é lhe atribuído o nome de Célia. Parte para Espanha e faz o noviciado na Casa Mãe em Ciempozuelos, junto de Madrid. Aí vive intensamente a Guerra Civil Espanhola e por milagre não é fuzilada, como aconteceu a tantos outros religiosos e religiosas. A grande dedicação e serviço aos pobres, mendigos e doentes, são a senha para serem poupadas ao martírio. Segue para Paris e aí desenvolve imenso trabalho hospitalar. Com a ocupação nazi da cidade surge-lhe mais uma tormenta. Diversas vezes têm as instalações ameaçadas por armas pesadas dos nazis, apontadas para disparar. São forçadas a dar assistência médica e alimentação às forças invasoras. É de tal forma o stress que algumas Religiosas pagaram com a morte estas afrontas militares dos nazis. A Irmã Célia com estas vivências de guerra, num território ocupado pelas forças nazis, ficou de tal forma afectada na sua saúde, uma espécie de virose traumática, que nunca conseguiu debelar.
Regressa a Portugal e em trabalho de missão e de angariação de fundos, faz diversos peditórios pelo Concelho do Sabugal, recebendo fundamentalmente produtos agrícolas que o seu cunhado Manuel Salgueira, conduz para a estação de caminho de ferro da Cerdeira do Côa, a fim de seguirem para Idanha.
Através daquela sua acção, jovens bismulenses e de muitas Freguesias do Concelho do Sabugal, como por exemplo da Nave, Ozendo, Vale de Espinho, Aldeia da Dona, Pousafoles do Bispo, Aldeia da Ponte, entraram naquela Congregação. Estão neste número Maria da Piedade Alves Lavajo, Irmã Hortense, Maria da Nazaré, Irmã América, Maria de Jesus Martinho, Isabel Dias, Adelaide Serrote e tantas outras.
A Irmã Célia faleceu no dia 23/2/2006, em Idanha – Belas, e ali está sepultada, onde tinha entrada em 1920. Trabalhou em Portugal, Espanha e França na área da saúde mental, durante oitenta e seis anos, repito oitenta e seis anos. Os números aqui falam melhor que as palavras.
Ontem como hoje os caminhos vocacionais e do testemunho da Fé tem de ser percorridos, com os métodos que os tempos modernos exigem.
Vem aí uma semana dos Seminários, cujo tema é «FORMAR PASTORES CONSAGRADOS TOTALMENTE A DEUS» e a Igreja vai proclamar um ano consagrado ao estudo e aprofundamento da Fé com inicio a 11 de Outubro de 2012 e o encerramento a 24 de Novembro de 2013, na solenidade da Festa de Cristo Rei.
Na questão vocacional hoje levantam-se muitas questões, que não vou abordar. Sabemos e dizem-nos que a Igreja e o mundo precisa de vocações sacerdotais, seduzidos pelo de Jesus Cristo. Para as despertar precisam-se de famílias e comunidades que sejam campo fértil onde possam germinar. Apela-se aos catequistas e educadores para que se empenhem nas vocações sacerdotais, mas sabemos que em algumas paróquias os seus responsáveis esquecem e ignoram os jovens.
Nesta Nova Evangelização à semelhança desta Irmã Religiosa, devemos concretizar as palavras de Jesus Cristo: «Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo. Brilhem as vossas obras diante dos homens para que eles vendo-as glorifiquem o Pai que está nos Céus.»
Bem-haja Irmã Célia – Maria Célia Martins, minha conterrânea, Religiosa das humanidades, que deu testemunho de Jesus Cristo na sua simplicidade, no seu silêncio, na sua longa missão.
Deus já a recompensou, porque cumpriu a Parábola do Samaritano e as Bem-aventuranças.
São estes membros da Igreja Viva que tem de ser nossas referências cristãs.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

Em Penalobo o Centro Recreativo e Cultural com a ajuda da Junta de Freguesia modernizaram o polidesportivo da aldeia. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

O Presidente da República, Cavaco Silva, pediu esclarecimentos ao Governo sobre o diploma que visa a introdução de portagens nas SCUT, facto que atrasou o início da cobrança.

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, anunciou que a cobrança das portagens seria concretizada até ao final de Outubro, o que contudo não se concretizou dada o facto do presidente da República não ter promulgado o diploma legal a tempo de entrar em vigor dentro dos prazos previstos pelo governo.
«O projecto de diploma em causa deu entrada na Presidência da República no dia 20 de Outubro. A Casa Civil procedeu, de imediato, à sua análise jurídica e económica. No dia 2 de Novembro, foram solicitados ao Governo esclarecimentos sobre o diploma, aguardando-se a resposta. Nos termos constitucionais, o Presidente da República dispõe de 40 dias para a decisão de promulgação», lê-se num comunicado divulgado pela Presidência da República na sua página oficial na Internet.
O comunicado não especifica contudo quais as dúvidas que o presidente tem face ao diploma do Governo que pretende introduzir de portagens nas SCUT (auto-estradas sem custos para o utilizador) do Algarve, da Beira Interior, do Interior Norte e da Beira Litoral/Beira Alta.
Na vigência do anterior Governo o início da cobrança das portagens na A22, A23, A24 e A25 chegou a estar previsto para 15 de Abril, mas a medida ficou suspensa, com base num parecer jurídico que considerou ser inconstitucional um Executivo de gestão aprovar um decreto-lei para introduzir novas portagens e definir o respectivo regime de isenções e descontos.
De acordo com a Constituição o chefe de Estado terá até ao final de Novembro para decidir sobre a promulgação ou não do diploma que pretende introduzir portagens nas SCUT.
A empresa Estradas de Portugal informou entretanto que perde cerca de nove milhões de euros por cada mês de atraso na introdução das portagens.
plb

Foi inaugurado no início do presente ano lectivo 2011/12 o Centro Escolar de Penamacor para alunos do pré-escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico. Reportagem e edição da jornalista Andreia Marques com imagem de Ricardo Henriques da Redacção da LocalVisãoTv (Castelo Branco).

jcl

Todos os anos botava pé na romaria da Senhora da Póvoa, a de longe, em Vale de Lobo, onde para além da festa religiosa se armava uma feira de truz. Pois foi lá que uma vez tive mau encontro com o Três Pêlos, esse trangolas de focinho de rato, que mugia a todo o tempo: «cheguem-se à roda, a ver quem atina na vermelhinha!».

Postava-se por detrás de uma bancada, com o tronco de esguelha, pois era manco. Sobre o pano de linho que cobria o mesente estavam deborcados três canecos de latão. Trocava-os de posição com uma incrível rapidez, levantando de vez em quando um deles, a deixar topar um botão vermelho.
A populaça que serigaitava pela feira ia quedando em torno do Três Pêlos, matando a curiosidade.
- Atão, quem aposta? É só atinar! – desafiava o manco.
Alguns afoitaram-se e entraram na jogatana, perdendo e ganhando, enquanto engrossava o cordão de gente que envolvia a banca.
Pela minha parte, enxergava as mãozinhas do Três Pêlos a fazer bailar os copos em riba da banca, a ver se lhe apanhava o manejo. Não era parvo, o homem. Começava por apostar fraco, para cativar, e dava duas reviravoltas aos canecos pedindo depois ao apostador que indicasse qual deles escondia a marca. Adivinhava e, enredado, continuava o jogo, até que o Três Pêlos lhes dava quatro volteios, trocando os olhos ao freguês. Agora atinar era uma sorte.
Fui-lhe tomando o maneirar e matutando se valeria a pena entrar no engrimanço. Mas o patarreco, ao topar a minha prolongada presença, dirigiu-se-me em voz altaneira:
- E vomecê, tio?… Não entra na brinca?
Apanhado de surpresa e sentindo-me olhado pela turba, tive que me afoitar.
- Atão pois!… Só esperava vez.
- Quanto aposta?
- Cinco tostões, pra começar…
Saquei do sartum uma moeda que atirei para cima da banca.
O malabarista soergueu um dos copos, para me mostrar a posição do botão. Depois pousou as mãos sobre dois e fez-lhes uma rotação para a canha, seguida de novo movimento para a dextra. Pareceu-me fácil.
- Veja lá o do meio.
O homem ergueu-o e lá estava a vermelhinha, a sorrir.
Enfiou o gadanho numa gamela com o fundo coberto de moedas, donde sacou uma que mandou para riba da mesa.
- Aposta agora os dez? – desafiou-me.
- Botamos adiante.
Nova rabiosca e mais um palpite.
- Erga o da sua canha.
Novo ganho e outra aposta a dobrar. Voltei a atinar, para desespero do Três Pêlos, que não me conseguia ludibriar. Já ia a jogo contrariado, de face rubra, a bufar que nem um gato assanhado. E eu a apostar mais forte, senhor de mim, confiante que lhe descobrira a destreia no voltear das latas. E a choldra fazia roda embasbacada.
- Catrino! Não há modo de o enganar! – disse alguém em voz alta.
- Não me diga que desiste? – desafiava eu agora.
- Nunca! Não arreceio ir a jogo, isto é a minha vida!
- Então aposto tudo o que guardo no bolso contra o que o amigo tem na gamela.
O homem aceitou, e no poviléu levantaram-se sussurros de surpresa pela minha temeridade.
Feita a aposta o Três Pêlos curvou-se sobre o mesente, pousou as mãos no topo dos dois copos das bandas, e deu-lhe simplesmente dois volteios rápidos.
Arrelampei-me com tamanha facilidade. Mesmo assim demorei-me um gorcho no adivinhar, para criar ânsia. Apontei-lhe serenamente o copo da minha esquerda. Ele colocou-lhe a mão em riba e hesitou também um instante.
- Vá lá, home! Erga o caneco!
Levantou-o. Por debaixo estava apenas o pano de linho que cobria a mesa. Fiquei pregado ao chão, com um enorme peso no bucho. Nalguma me enganara, o bufarinheiro.
- Passe cá a bolsa do dinheiro – disse-me com ar triunfante e de escancarado riso no focinho.
Estavanado, mandei uma lambada nos outros dois copos. Os canecos rolaram e caíram no chão poeirento – o pano estava limpo, a vermelhinha desaparecera.
- Ah, futriqueiro! Pra onde sumiste o botão?
Chalaças não eram comigo, que me tinha por honrado. Fui-me a ele e assentei-lhe duas lostras na tromba que o achicaram em terra.
Dois moços de lavoura botaram-me as mãos e tolheram-me os movimentos, encostando-me a um carro de vacas. Protestei, maldizendo o malabarista, que agora se erguia ajudado por outros homens.
Em breve chegou o regedor da locanda, a tomar parte do caso. Aprumou-se à minha frente, deu ordem aos moços para me soltarem, e perguntou-me calmamente:
- Diga lá que enxêco lhe fez o manco.
- A gente que diga!… O marrano estava de mão na portinhola a fazer uma ribeira, de frente para mulheres e catraios.
O regedor, mandou um reparar de desprezo ao laburdo do Três Pêlos que, agarrado à banca, protestou.
- É mentira! É tudo aldra!… A gente que diga.
Mas a assistência ficou queda e caluda, ao que o regedor decidiu:
- Pode ir à vida, homem!… Quanto a ti, Três Pêlos, andor daqui para fora antes que te arreste e te entregue à Guarda.
Estava safo, e tinha que me esgueirar dali a toda a brida. Apalpei o bolso, à cata da saqueta do dinheiro e, em rápido voltear por entre as tendas, pus-me ao fresco, tomando a firme decisão de não voltar a jogar à vermelhinha.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

O terceiro número da revista Sabucale, editada pelo Museu do Sabugal, revela que nos últimos anos foram encontradas gravuras rupestres de carácter geométrico e esquemático no concelho do Sabugal, na bacia superior do rio Côa, portanto muito a montante do Parque Arqueológico do Vale do Côa.

O arqueólogo da Câmara Municipal do Sabugal, Marcos Osório, disse à Lusa que entre 2004 e 2010, foram localizados quatro painéis de gravuras em três locais distintos do concelho onde nasce o Côa, que são agora divulgados na revista «Sabucale», editada pelo Museu do Sabugal.
«As gravuras do Côa vão desde o período do Paleolítico até a épocas históricas mais recentes, e estas estão apenas circunscritas a uma cronologia restrita, em torno da Idade do Bronze Médio ou do Bronze Final, no II milénio antes de Cristo», revelou o arqueólogo à Lusa.
«As representações não são figurativas, com animais, como as mais famosas e antigas do Parque Arqueológico do Vale do Côa, mas são de carácter geométrico e esquemático: espirais, meandros, círculos, reticulados», explicou ainda.
O responsável considera que os achados são importantes para o concelho e para a região, pois não se conheciam representações de arte rupestre dentro dos limites do município, que fica a 65 quilómetros do sítio da Faia (Cidadelhe, Pinhel), «onde se encontra o núcleo meridional das gravuras do Vale do Côa».
Dois dos achados foram localizados em Vilar Maior, um na Bendada e outro em Pousafoles do Bispo.
O novo número (o terceiro) da revista Sabucale, é em grande parte dedicada à arte rupestre descoberta no concelho, contendo ainda artigos referentes ao bicentenário da Batalha do Sabugal, e o centenário da implantação da República. Na vertente etnográfica é publicado o texto da «oração de sapiência» proferida no II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano, da autoria de João Luís Inês Vaz, além de um outro artigo acerca das alminhas.
plb

Constituída, a loja maçónica elegeu um grão-mestre, tendo a escolha recaído num tal ANTHONY SAYER, que os historiógrafos classificam de pequeno burguês de mediocre inteligência e baixo índice cultural.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaSobressaíu, por isso, um simples irmão, pastor protestante francês, exilado em Londres, que deu à instituição o carácter de sociedade de PENSAMENTO LIVRE.
Este, de nome DESAGUILIERS, estabeleceu um código — AS REGRAS E PRECEITOS — que, exactamente pela nova estrutura da sociedade, basicamente de especulação sócio-filosófica, rompia com os antigos manuais da MAÇONARIA ESPECULATIVA, de base católica, consequentemente, à velha fórmula, «irmãos e respeitados e amados amigos, eu vos conjuro para honrar deus, a santíssima trindade e todos os santos, anjos, arcanjos, principados e potestades, na sua Santa Igreja sem jamais nos deixarmos aliar a qualquer heresia, cisma ou erro», contrapunha-se agora o princípio de não vincular os filiados a seguir qualquer religião, revelada ou não, pois visava-se criar uma verdadeira fraternidade de caracter universal.
Eivada das teorias do ainda recém aparecido PROTESTANTISMO, esta proclamada liberdade de pensamento dissimulava um ataque à IGREJA DE ROMA, CATÓLICA E APOSTOLICA,
No Reino Unido, o ambiente era-lhe cada vez mais propício até pela adesão da Casa Reinante ao LUTERANISMO.
A política dos HANOVERS coincidia, ponto por ponto, com o espírito que animava a GRANDE LOJA, na sua luta contra os BOURBONS, aliados do CATOLICISMO.
É assim fácil compreender que o trono e a maçonaria se prestam reciprocamente serviços.
Que a alta fidalguia se torna maçónica e que os GRÃO-MESTRES passam a ser Membros da FAMÍLIA REAL ou mesmo os próprios soberanos.
Relacionada com o poder, vem a ser também a Maçonaria Estadunidense, fundada pelos futuros presidentes Washington e Franklin, e cujas lojas se manifestaram sempre contra a Igreja Católica, tentando mesmo impedir o estabelecimento de relações diplomáticas com o Vaticano.
Enfim, na Comunidade Britânica, é perene a aliança TRONO-LOJAS, cantando-se nesta o DEUS SALVE O REI ou A RAINHA, consoante quem se senta no régio sólio.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O queijo «Quinta da Cabreira», produzido pela Lactibar – Lacticínios do Sabugal, com a sede em Rendo, foi distinguindo como o «Melhor Queijo 2011» na categoria «Queijo de Cabra (cura prolongada)» no concurso promovido pela Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL) em cooperação com o Parque de Exposições de Aveiro (AveiroExpo).

LactibarO «Quinta da Cabreira» foi rei na Feira Nacional do Leite e do Bovino (FRILAC), que se realizou em Aveiro, de 27 a 30 de Outubro. O prémio foi entregue no decurso da FRILAC, onde a MeimoaCoop também recebeu uma menção honrosa pelo queijo «Serra da Malcata», na mesma categoria.
Apresentaram-se a concurso 142 queijos provenientes de todo o país, muitos deles da região das Beiras.
O júri do concurso foi composto por 20 provadores, de entre técnicos, especialistas e simples consumidores, que fizeram uma «prova cega» a todos os queijos apresentados a concurso. Após a prova era elaborada uma grelha com diferentes critérios a assinalar, como o sabor, a textura, o aroma e o odor, o que permitiu uma apreciação independente, o que valoriza ainda mais os prémios que foram atribuídos.
A Lactibar, que produz o «Quinta da Cabreira», é uma empresa de lacticínios, que utiliza matéria-prima de qualidade vinda da região onde se insere. Produz queijos muito apreciados em todo o país e no estrangeiro, mormente nos mercados espanhol e francês.
plb

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FESTA DE SÃO PAULO
25 de Janeiro de 2012

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III CAPÍTULO E ENTRONIZAÇÃO
18 de Fevereiro de 2012

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