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Cumprem-se três anos sobre o anúncio do empreendimento Ofélia Club, que prevê a construção em Malcata de um complexo de «Residências Turísticas Assistidas» e uma unidade hospitalar, através da empresa Existence SGPS SA, detida pelo tunisino Hamdi Benchaabane e o português António Reis. Sigamos este estupendo negócio que envolve dinheiros públicos.

Para cativar um alegado investimento de 45 milhões de euros o Município sabugalense protocolou ceder 40 hectares, correspondentes ao espaço de recreio e lazer e a parte do espaço de protecção complementar, previstos no Plano de Ordenamento da Albufeira do Sabugal (POAS). Acordou-se ainda isentar a Existance de taxas e licenças de construção, bem como de alvará de loteamento.
A Câmara tratou de adquirir os terrenos necessários, após negociação com os proprietários, e solicitou uma alteração ao POAS para que o projecto tenha espaço de implantação.
Chegados aqui, seguir-se-á a venda dos terrenos à Existance, a preço simbólico. Depois a empresa dividirá o espaço em lotes, onde instalará casas de madeira, prefabricadas, que venderá à sociedade financeira FUNDBOX SGFII SA, detentora e gestora de fundos de investimento imobiliário, prevendo-se também a venda a particulares. Para a exploração do empreendimento, a mesma Existance alugará os espaços aos ditos fundos imobiliários e aos particulares, passando a pagar-lhes uma renda. A Existance ficará a gerir o «aldeamento» instalando aí os clientes, mediante cobrança.
Escalpelizemos os termos do negócio, colocando valores supostos e exemplificativos: a Câmara compra os terrenos a 100 e vende-os por 1 à Existance, que por sua vez vende por 200 à sociedade financeira.
Estamos, é bom de ver, perante um negócio fantástico, que significa para Hamdi Benchaabane e António Reis o encaixe de uma choruda mais-valia imobiliária. O trato também é bom para o fundo imobiliário, que assim soma património que potenciará a venda de subscrições.
Dir-se-á que, mau grado o negócio particular subjacente, o concelho ganha um empreendimento turístico que criará emprego. Mas a questão é que não existe qualquer garantia de que o investimento venha ser realidade. A cláusula protocolada para o caso de incumprimento, da reversão dos imóveis e o recebimento de indemnização em dobro do preço de aquisição dos terrenos por parte do Município, de nada valerá, uma vez que os terrenos serão vendidos ao fundo imobiliário, deixando, portanto, de ser propriedade de quem se comprometeu com a edilidade.
A Existance lançou projectos similares por todo o território nacional, tentando cativar várias câmaras municipais: Portimão (585 camas), Lagos (800), Albufeira (620), Vila Franca de Xira (360), Palmela (3.468), Vila Real (240), Arganil (140), Figueira da Foz (110), Abrantes (1.045), Castelo Branco (2.040), Belmonte (720), Guarda (130), Sabugal (1.088). Sucessivamente, os municípios envolvidos vão dando conta dos reais termos do negócio, e não o aceitam. No Sabugal, porém, o projecto vai de vento em poupa e anuncia-se a sua concretização para breve
Se a construção do empreendimento e a sua exploração comercial interessam de facto à Existance, e se isso é bom para o concelho do Sabugal, então seja outro o compromisso da Câmara Municipal: conceda-se o usufruto dos terrenos por longo tempo, de graça ou por um aluguer simbólico, mas não se caia na «esparrela» de transferir a propriedade dos mesmos para a dita empresa, proporcionando o tal fabuloso negócio imobiliário à conta da ingenuidade (ou não) de quem gere os dinheiros públicos.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Nos anos 50 e 60, quando no Casteleiro ainda se cultivava qualquer «chãozinho» que a família tivesse, a água desempenhou um papel económico central. Era fonte de vida humana: directa (bebia-se) e indirectamente (com ela se alimentavam os animais domésticos e se regavam as produções agrícolas). Por causa da água se vivia e se morria (sem exageros).

Antes de mais, há que dizer que a água no Casteleiro sempre foi um bem muito escasso, excepção feita para a Ribeira e suas margens. Hoje ainda mais – mas há pelo menos dois factores que reduzem o impacto real desse facto sobre a vida das pessoas: primeiro porque há abastecimento público de água canalizada em todas as casas desde há muitos anos (os miúdos de hoje já nem imaginam o que seja ir de cântaro à fonte buscar água); e depois porque o cultivo de terrenos hoje é mínimo.
Dantes não era assim.
As fontes, os poços, as charcas, a ribeira, os regatos, as presas (represas)… fosse o que fosse, se tivesse água, era um filão.
Os modos de extrair a água da Natureza não são muito diversificados: vão apenas do cântaro ou qualquer outra vasilha quando se apanha directamente, até à «burra» (picota) ou à nora, esta puxada por burros ou por vacas.
Acho que a maior parte das pessoas – por não terem burro nem vaca – tirava a água da ribeira ou dos poços com a tal «burra», mas a maior parte da terra seria regada na base da água tirada com nora (porque, claro, cada proprietário de burro ou de vacas teria muito mais terra do que os outros).
Nas meias encostas, a presa era a safa: era só abrir e a água – se a havia – vinha por aí abaixo.
Toda a alimentação humana se baseia na água. Toda a higiene humana se faz à base de água.
Os animais domésticos dependiam da água, fossem os de companhia, fossem os de criação para matar e servirem de alimento.
Daí, a importância da água em todas as horas de todos os dias.
«Regar à adua» era quando os vizinhos de uma presa ou de um poço, em geral por razões de herança, tinham de partilhar entre si a água para regar as suas produções agrícolas.
Resumindo: a água esteve presente de forma bem vincada e sempre falada pelos adultos em toda a minha infância. Ou faltava ou era tão pouca que as culturas chegavam a ser regadas aos bocados, uma parcela em cada manhã ou em cada tarde. Isso constituiu sempre uma grande preocupação das pessoas que se referiam ao assunto com grande angústia, se bem interpreto hoje a coisa.
Ali por alturas de Junho-Julho, quando o calor começava a apertar e as culturas a secar desalmadamente, portanto quando a terra cultivada precisava mais da água – era exactamente quando a água começava a rarear nos poços e nos regos e se tornava preocupação constante e sem solução.
Assim era a vida angustiada de muita gente na minha aldeia nesses tempos duros e complicados – para não dizer desumanos.

Água radioactiva
Marginalmente, vou referir um aspecto que podia ter transformado para melhor toda a vida de muitas pessoas do Casteleiro – mas que deu em nada, ou por burla ou por desleixo.
Tem a ver com a história das Águas Radium.
Foi um caso que aconteceu antes de eu nascer.
Toda a zona do chamado «Marneto» (Marineto), que se localiza nas costas da Serra da Bica e que do nosso lado nós já chamamos impropriamente Serra da Vila, tem água com o mesmo tipo de composição química, mesmo que menos acentuada. Ou seja: trata-se da mesma serra que, do lado da Azenha e da Quarta-Feira, tem urânio em dose apreciável ao ponto de os ingleses ali terem aberto e gerido a célebre Mina da Bica (mais tarde fechada por razões de pouco interesse económico e, depois, por causa do perigo de contaminação). Desse lado, a composição química da água permitiu a abertura da exploração de águas radioactivas pelos espanhóis e depois pelos ingleses com a criação do grande Hotel cuja ruína ainda ali permanece a enfeitar a serrania, para nossa miragem saudosa.
Na mesma serra, do lado do Casteleiro, as águas têm urânio mas não em quantidades que as tornassem economicamente dignas de exploração. Para muita gente, prova disso é o número de pessoas que no Casteleiro tinham problemas de estômago, talvez mesmo o que hoje se chama cancro.
A composição química das águas é ligeiramente parecida à das da Serra da Pena.
Tanto é assim, que os ingleses terão chegado a estabelecer contratos de exploração com alguns proprietários para que os camiões ali viessem encher – os engarrafamentos eram sempre feitos na Serra da Pena. Esta água tinha nessa altura muita saída e a quantidade existente lá não chegava para as vendas em Castelo Branco e em toda a região.
Mas o negócio nunca deu em nada: por um lado, os ingleses eram de más contas e, por outro, o negócio das Águas Rádium foi abaixo muito cedo.
Uma oportunidade histórica perdida para muitas famílias do Casteleiro.

Nota final
Ironicamente, quando o sistema de rega da Cova da Beira chega, com o canal que atravessa hoje uma parte do Casteleiro… já não há ninguém para cultivar e precisar do canal para regar…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Olá Côa! Olho para ti e para tudo que te rodeia e vem-me à memória aquela lenda Hindu, que adoro e muito recordo junto de ti…

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Carlos Marques - Paixão pelo Côa (fotografia)Uma velha lenda Hindu conta que houve um tempo em que todos os homens eram deuses. Como abusaram desse poder, Brama, o mestre dos deuses, decidiu retirar-lho e escondê-lo num lugar onde lhes seria impossível encontrá-lo. Sim, mas onde? Brama convocou em conselho os deuses menores para resolver o problema.
– Enterremos a divindade do homem, propuseram eles.
Mas Brama respondeu:
– Isso não chega, porque o homem vai cavar e encontrar.
Os deuses replicaram:
– Nesse caso, escondamo-la no fundo dos oceanos.
Mas Brama respondeu:
– Não, que mais tarde ou mais cedo o homem vai explorar as profundezas do oceano. Acabará por a encontrar e vai trazê-la para a superfície.
Então os deuses disseram:
– Não sabemos onde a esconder, porque parece não existir sobre a terra ou debaixo do mar um lugar onde o homem não possa chegar um dia.
Mas Brama respondeu:
– Eis o que faremos da divindade do homem: vamos escondê-la no mais profundo dele mesmo, porque é o único lugar onde ele nunca pensará em procurar.
E depois desse tempo todo, conclui a lenda, o homem explora, escala, mergulha e escava, á procura de qualquer coisa que se encontra dentro de si.
in «Loucos pela Índia» (Regis Airault).
«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques

carlos3arabia@yahoo.com

Realizou-se no sábado, 8 de Outubro, no pavilhão das piscinas Municipais do Sabugal, o VIII Torneio de Judo da Cidade do Sabugal.

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A logística esteve a cargo da secção de Judo do Sporting Clube do Sabugal que contou para além da ajuda dos técnicos dos clubes convidados, para a arbitragem, com o apoio dos seus atletas dos escalões mais velhos, que estiveram a altura das suas tarefas. Participaram no evento uma centena de crianças, vindas dos distritos de Aveiro, Viseu, Castelo Branco e estando presentes do distrito da Guarda o clube organizador e o clube de judo dos Bombeiros voluntários de Gouveia com menos de um ano de existência e que conta já com alguma dinâmica.
A competição decorreu dentro daquilo que estava previsto, sabendo à partida que haveria menos participantes que no ano anterior, tendo em conta algumas dificuldades que as instituições de mais longe tiveram para a obtenção de transporte.
O Sporting Clube do Sabugal participou com nove judocas, obtendo dois primeiros lugares, quatro segundos lugares e três terceiros lugares. Tendo reiniciado os treinos há três semanas alguns atletas ainda não se encontravam devidamente desenferrujados notando-se a diferença para os que tiveram o cuidado de reiniciar a sua preparação.
A organização não deixa de querer agradecer aos judocas mais velhos da secção de Judo do Sporting do Sabugal e a todos os que directamente ou indirectamente fizeram com que o torneio fosse um sucesso, incluindo os participantes e respectivos acompanhantes que encheram as bancadas. Agradecendo ao enfermeiro que esteve voluntariamente de prevenção durante a prova e aos funcionários da Empresa Municipal Sabugal+, pela gentileza como sempre têm recebido e colaborado neste evento.
Todos os judocas vão continuar a sua preparação, tendo em vista algumas provas de preparação até ao final do ano, esperando que os espetadores presentes conhecedores ou não desta modalidade olímpica se apresentem no Dojo (sala de treino) para experimentar a pratica do judo que se adapta a todos os escalões etários.
djmc

Nos dias de hoje a generalidade das pessoas não lidam habitualmente com animais, tirando as que, de capricho, detêm em casa cães e gatos, que cuidam como se de seres humanos se tratassem, atentando contra os seus direitos.

Ventura ReisVem daqui que a maior parte dos jovens de agora nada sabe sobre animais. E digo isto porque há tempos, ao assistir à transmissão televisiva de uma tourada à portuguesa, em que uma pobre vaca de cabresto caiu extenuada, vi um moço de forcados esforçar-se por ajudar o animal a levantar-se puxando-lhe pelo colar e erguendo-lhe a cabeça. O rapaz, ao ser moço forcado deveria perceber algo mais sobre animais, mas sucede que nada entendia porque estará afastado da vida do campo. É forcado por mero gosto pelos actos de valentia, sendo ao mesmo tempo um ignorante acerca da vida dos animais que enfrenta corajosamente.
Pois no meu tempo de garoto recebi na instrução escolar, como os demais condiscípulos, os ensinamentos básicos para lidar com os animais, em complemento portanto ao que se aprendia nos livros escolares. E esses ensinamentos foram-nos muito úteis, pois na maior parte éramos filhos de lavradores.
Rezava assim a cartilha do professor Frederico, de Vila Boa, que ainda hoje guardo numa gaveta entre outros papéis antigos:
«Animais caídos na via pública – instruções.
Quando qualquer animal caia na via pública e se não levante imediatamente por cansaço deve dar-se algum tempo para que descanse e recobre as forças. Se mesmo assim não se conseguir erguer, deverá ser auxiliado.
Tratando-se de animal bovino, tenha-se em atenção que para se levantar o mesmo eleva primeiro a parte detrás do corpo e membros posteriores e, só depois, os membros anteriores e a parte de diante, de modo que, por esse facto, o auxílio a prestar para o levantar consiste unicamente em segurar a cauda e elevá-la ao mesmo tempo que a garupa.
Tratando-se de animal solípede (cavalo, burro ou muar), tenha-se em atenção que quando se levanta eleva primeiramente a cabeça e o pescoço, para estender para a frente os membros anteriores e levar a parte de diante do corpo, depois do que eleva a parte de trás e endireita os membros posteriores. Assim sendo, o auxilio a prestar a um solípede para se empinar deve ser levantar-lhe a cabeça e o pescoço e estender-lhe, se caso for, os membros anteriores para diante, animando-o com a voz a fazer o movimento. Caso o animal continue a não conseguir levantar-se, então passa-se por debaixo do cilhadouro um pano ou uma tábua e, ao mesmo tempo que se levanta a cabeça, ergue-se suavemente o peito do animal.»
Nas nossas aldeias do interior já pouco se vêem os animais de tiro, que antigamente existiam para ajudar as pessoas nos trabalhos agrícolas, nos transportes de mercadorias e noutras tarefas. A modernidade afastou as pessoas do campo e atirou-as para a cidade, fazendo com que as gerações posteriores nada percebam da vida do campo e do modo como se devem tratar dos animais.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

Nos tempos que se seguiram ao final da Guerra de Espanha, surgiu uma nova mercancia para atravessar a raia, o minério, a que os mais sabidos chamavam volfrâmio. Catavam-no do fundo da terra, fossando dentro de largas e fundas poças, como porcos em lapacheiro.

Voltou-se à forma de contrabandear de outros tempos, alombando cada cargueiro duas arrobas de minério e rompendo afoito pela linha fronteiriça. Todas as noites se formavam carreiras com dezenas de rapazes, carregados que nem bestas, que seguiam pelos campos de Portugal e de Espanha, a arfar, procurando furtar-se à vigilância das autoridades. Se o carrego chegasse ao destino, cada um receberia a justa recompensa.
Eu era listo e finório que nem uma zorra naquelas andanças, pois desde galfarro me embrenhara na lide. Conhecia as planuras e os cerros cobertos de mato de toda a raia como as ruelas do meu povo. Era vergalhudo e tinha corrida forte, pelo que fui contratado.
Dez escudos pagavam, ao tempo, por transportar e entregar no destino uma carga, que ia numa sacola de lona com a boca lacrada, que se atava ao corpo com baraços. Logo me incumbiram de secultosa missão: seguir em primeiro nas carreiras para levantar os guardas, caso se alapardassem à espera dos contrabandistas, como era seu uso. Pagavam-me vinte escudos pela temeridade, desde que chegasse ao destino com a minha carga.
Pois agora lhes conto uma parte acontecida nesse saudoso tempo. Numa noite de luar, caminhava diante de duas dúzias de companheiros, escolhendo caminho, já muito chegado à linha da raia. A carreira de contrabandistas era como uma verdugueira que se arrastava contornando barrocos e matagais. Aqui cosidos com um cômoro, ali gatinhando por entre a ferrém, mais além passando uma várzea em corrida. E eu sempre á frente, afoito, confiante, pleno conhecedor do terreno. Mas, por trás de um silvado, onde nunca o sonharia, saltou de chofre um guarda, de braços estendidos para me abarcar.
- Eh, ladrão! Larga a carga!
Apre! senti-lhe o calor do bafo. Mas agachei-me num repente e livrei-me da pesada manápula que me ia agasnatar. E como não andava a descuido nesta labuta de candongueiro, meti lesto a mão ao bolso da jaqueta e apertei uma mancheia de pimento queimoso, desse colorau vermelhão, que se traz de Espanha. «Espera que já tomas!» e, ao erguer-me para lhe escapulir, mandei o pó à cara do sacana.
- Ai, que me cegaram! – berrou aflito.
E dei forte arrancada para me ver livre de outro fiscal, que me vinha no encalço.
- Fugir, que vêm fuscos! – gritei a avisar a malta.
A carreira desfez-se num repente e o grupo desbaratou-se como bando de perdizes pelo meio do mato. Da minha parte, tratava de me ver livre do guarda que me perseguia. Queria safar a pele e o fardo, para não dar a noite por perdida. Mas o outro estava mais fresco e, livrando-se do capote, depressa me alcançou, mesmo quando estava chegado ao fim da clareira e me ia meter num giestal. Enganchou a mão ao saco de lona e toca de puxar. Bem me custou, mas tive que dizer adeus ao carrego. Deixei sair dos ombros as guitas que seguravam o fardo e, gatinhando, embrenhei-me por entre as giestas, deixando o guarda agarrado ao saco de minério.
Extenuado, deixei-me depois ficar de borco, a arfar e de orelha fita, atento às vozes que os fuscos trocavam entre si. Nenhum dos meus companheiros fora arrestado mas, pelo que escutava, deixaram cargas no terreno. Retomando a ousadia, resolvi contornar o local do encontro e ir mirar da outra banda o que os fiscais tramavam. Chegado ao lado oposto, arrumei-me a uma moita, dali seguindo com o olhar o movimento dos guardas. O luar só me deixava notar um dos homens, à distância de uma barrocada, que se sentara ao redor de meia dúzia de fardos amontoados. Depressa conjecturei que o outro, no certo o dos olhos apimentados, fora ao posto buscar reforços para o transporte da mercadoria apreendida. O fusco parecia nervoso e ora reparava no monte de sacos, ora espraiava o olhar pelo giestal para onde se escapulira a malta.
Hesitei, mas decidi-me tentar à sorte. Agarrei um rebolo, ergui-me, balancei o braço e enviei-o pelo ar com força bem puxada. A pedra salvou a planura e foi cair, em grande espalhafato, nas giestas da outra banda. O guarda levantou-se e olhou atento, puxando da espingarda, que aperrou. Nova barrocada, e outra vez se perturbou o silêncio da noite. O homem, desesperado, decidiu-se a ir de encontro ao perigo. Saltei então do meu refúgio e, em passo rápido e cauteloso fui-me aprochegando da mercadoria enquanto ele se afastava em passo lento e hesitante. Junto dos sacos ripei de dois, que segurei pelos nagalhos pendentes, e ala, fogo nos pés. O guarda percebeu o truque e berrou desalmado:
- Alto lá ladrão, que te arrumo um tiro!
Pois que fogueasse. Eu parar? Nunca!
Soaram dois estampidos. Alcancei a malhada e embrenhei-me à desfilada por entre os carvalhos. Só parei ao fundo de um vale, por trás de um muro. Apalpei-me – estava vivo!
Já amanhecia quando cheguei ao Seixo Branco, ponto de reunião marcado para o caso de maus encontros. Lá estavam todos os contrabandistas.
- Pensávamos que te tinham deitado a manápula – disse-me o Chico Rófia.
- Qual quê? Estive a apanhar cargas, rapazes! – disse-lhes ufano.
Foi noite cansativa, mas em que ganhei o dobro do meu soldo: quarenta escudos de recompensa, por duas cargas, a minha, e outra de desagravo.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

O negócio é o contrário do ócio, ou seja a negação de intervalos para repouso. O verdadeiro homem de negócios, até trafica quando dorme.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaRepare-se que a palavra traficar começou por ter um sentido honrado e honroso, pois literalmente queria dizer – mudar uma coisa de que se tem abundância e não se necessita ou quer para uma comunidade ou uma simples pessoa que dela carece.
O negociante não tem intervalos em que suspenda a sua actividade e a mesa, da mais desprovida tasca de mercado rural ao mais requintado hotel da mais cosmopolita metropole é o seu terreno ideal.
E não se desperdiçam oportunidades, pelo que não causa admiração que a instalação de Balduino no trono de Jerusalém tenha dado lugar à primeira plutocracia de âmbito intercontinental e supra-racial.
Em matéria de negócios não se distinguiam raças ou civilizações.
Nao importava que a contraparte fosse um turco, um grego, um pagão.
E um mercador de Veneza entendia-se melhor vg com um egiípcio de que com um genovês ou pisano.
Chegou a acontecer que os comerciantes italianos de Antioquia continuassem a abastecer Tiro e Sidoniam, rompendo o cerco feito a estas duas cidades por tropas cruzadas que também integravam pisanos, genoveses, venezianos.
O que os trouxera á Palestina, foram meramente as perspectivas de lucro, não lhes passando pela ideia considerar sua nova pátria o Reino Latino ou arriscar bens em defesa do Santo Sepulcro.
Isso era para os que se haviam deslocado por motivos religiosos, para os barões e populares que haviam sentido o apelo das cruzadas, pessoas para eles mais estrangeiras e incompreensíveis que os comerciantes muçulmanos.
No que, aliás, não se diferenciavam dos plutocratas de hoje, os oligopolistas apátridas que com eles também hipotecam o futuro ao dia de hoje.
Então como agora as dissensões entre cristãos foram nefastos para todos.
O conflito de influências entre o OCIDENTE LATINO e BIZANCIO que culminou no desaparecimendo do IMPERIO ROMANO DO ORIENTE, com reflexos terrivelmente dramáticos para a civilização ocidental.
Mas os príncipes cristãos haviam preferido sacrilegamente UM MONARCA DE TURBANTE Á MITRA CONSTANTINIANA.
O Ocidente Latino ,em nome de um incompreensivel realismo político, deixava ao Islão o domínio do Mediterrâneo Oriental, depois de ter ajudado a destruir a única potência cristã realmente interessada em deter o avanço turco.
Depois, a História repetir-se-ia.
No fim da Primeira Guerra Mundial, os vencedores expulsam a Alemanha de África, o que se repete com a Itália em 1945…
Finalmente, serão todos os paises europeus – França, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, Portugal, que, minados no seu próprio interior, abandonam os impérios que pelos séculos haviam construído.
E tudo, como quinhentos anos antes, pelas querelas de uns e a insaciável sede de lucros de outros.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Recebemos, com pedido de publicação, a convocatória da Assembleia Geral da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Sabugal (APEES), que transcrevemos na integra.

APEES

«Convocatória
De acordo com o n.º 5 do artigo n.º 10 dos estatutos da APEES, tenho a honra de comunicar a V. Exa., que irá realizar-se uma Sessão Ordinária da Assembleia Geral, no próximo dia 18 de Outubro de 2011, pelas 18 horas, no SALÃO DO AUDITÓRIO MUNICIPAL e com a seguinte Ordem de Trabalhos:
Ordem do Dia:
1. Assuntos apresentados à Assembleia pela Direcção para votação e aprovação;
2. Apresentação de contas;
3. Votação da alteraçãos dos estatutos;
4. Eleição de novos Órgão Sociais.

NOTA: todos os sócios poderão consultar a documentação que acharem por conveniente, devendo para o efeito:
- Dirigir-se à sede da Associação nos dias 13 e 14 de Outubro, entre as 18h30m e as 19h30m;
- Pedir por escrito ou pelos telemóveis n.ºs 914001401 e 966870347, para o envio dos ficheiros por e-mail;
- No próprio dia, antes do início da Assembleia.

A Presidente da Assembleia Geral
Liliana Cristina Candeias Nunes»

O ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, afirmou ontem no Parlamento que as portagens em todas as Scut vão avançar ainda este mês de Outubro. A garantia foi prestada na discussão do plano estratégico dos Transportes, documento que será aprovado no próximo conselho de ministros da próxima quinta-feira.

O ministro não se coibiu de apresentar medidas nada consensuais e até «impopulares», o que justificou perante a situação difícil que o país atravessa. Uma dessas medidas é que, ainda em Outubro, deixará de haver auto-estradas gratuitas em Portugal.
«Em relação às Scut, haverá um decreto-lei que será aprovado em conselho de ministros na próxima semana», revelou o ministro na audição na Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas.
O governante garantiu porém que mesmo com a introdução de portagens em todas as Scut, e com a actualização pela inflação do Contributo de Serviço Rodoviário, o endividamento da Estradas de Portugal em 2030 será de 21 mil milhões de euros.
Para além da universalidade de utilizador-pagador, o Governo vai avançar com a renegociação de contratos assinados com as concessionarias, de modo a acomodar também o cancelamento e suspensão de vários troços, para gerar poupanças estimadas na ordem dos mil milhões de euros. O ministro anunciou ainda a intenção de criar uma rede de postos de abastecimento de combustível low-cost bem como a autorização de estacionamento de veículos GPL em parques cobertos.
«Espero que não restem dúvidas do nosso interesse para continuar a prestar um serviço público. O que é insustentável não tem futuro. Não vejo esta reforma como uma imposição da troika mas como um dever patriótico», afirmou Álvaro Santos Pereira perante os deputados.
Quem não se conforma é a Comissão de Utentes Contra as Portagens na A23, A24 e A25, que promete «uma resposta a esta afronta», tal como afirmou Francisco Almeida, da dita comissão.
plb

Publicamos seguidamente, na íntegra, um comunicado emitido pela Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, que tem por tema o debate político gerado na última Assembleia Municipal do Sabugal, realizada no dia 23 de Setembro de 2011.

PSO Senhor Presidente da Câmara Municipal do Sabugal deu a entender na última Assembleia Municipal que o PS fazia discursos derrotistas, negativos e críticos a troco de nada.
Queremos afirmar e provar que essa conclusão não podia estar mais errada.
O tom do discurso do PS chegou onde chegou por desespero, pois qualquer pedido de esclarecimento da nossa parte, resulta sempre numa trapalhada e em meias-verdades escandalosas.
E para que o concelho saiba disso, vamos pegar em factos, relativos à questão formulada, sobre as chefias que tinha nomeado na Câmara.
O Sr. Presidente disse na Assembleia que estas novas chefias serviriam para repartir responsabilidades de avaliação dos trabalhadores, então como explica o facto de nomear gente para avaliar 1, 2, 5 trabalhadores e outros avaliarem mais de 70 trabalhadores? (in Ordem de Serviço do Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública Ano 2011).
O Sr. Presidente disse na Assembleia que relativamente aos ordenados, «havia gente que até tinha ficado a ganhar menos», esqueceu-se de mencionar que era apenas 1 dos casos (e apenas relativamente ao salário base, pois todos ganham despesas de representação), os restantes 6, não lhe interessou mencionar (1 ganha aproximadamente mais 1000€, 3 aproximadamente 450 € e 2 aproximadamente 400€).
Queremos deixar claro que em todas estas situações salvaguardamos a posição dos funcionários afectados, pois eles não são os decisores.
Para nós, para muitos esta é a prova, que o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Sabugal apenas nos esclarece no que lhe convém. Avaliando este exemplo, verificamos que apenas diz o que lhe interessa nos assuntos em debate, escondendo do partido da oposição e até da Assembleia Municipal dados que poderiam fazer toda a diferença, levando alguns casos a ter desfechos bem diferentes.
Terminamos dizendo que contra factos, não há argumentos.
PS Sabugal

Hoje trago a esta crónica dois assuntos que, parecem-me, são pertinentes para reflexão. Não serão completamente novos, pois outros – e notáveis bloguistas! – têm trazido de forma brilhante a esta página!

Primeiro ponto – A reflexão ocorreu-me no decurso dos falados cem dias de governação! Mas sobretudo, no decorrer da profissão que exerço. Nos manuais de História e Geografia de Portugal, 6º ano do 2º Ciclo, ensina-se que, António Salazar (que tinha chegado ao governo por convite do general Óscar Carmona, para a pasta das finanças) resolveu os problemas financeiros de Portugal da seguinte forma: aumento de impostos, cortes na saúde, cortes na educação, cortes na acção social. E… o que me vem à memória é que nestes cem dias a única coisa que ouvi foi aumento de impostos! Cortes na saúde! Cortes na educação! Cortes na acção social! Será coincidência?! Ou, como alguns apontam, que a história é cíclica e, portanto, repete-se!?
O que me deixa perplexo!
Quando se anunciou a vinda de gente tão qualificada, mestres e doutorados em economia, em gestão, em finanças… gente que dominava tais matérias e que, seguramente, trariam novas ideias, novos modelos, outros paradigmas! Não esperava é que tudo se resumisse a copiar o velho ditador… E nem tudo se justifica à pressão da «troika»!
Segundo ponto – Tenho estado atento a esta proposta do governo no que concerne à alteração da lei do poder local. É um assunto que merece ser reflectido e debatido. É que, não devemos olhar para o documento e renunciar ao todo! Muito menos olhar para ele somente no prisma do corte das freguesias!
Não me arrepia o princípio. Principalmente, da redução das freguesias urbanas. Até porque, muitas vezes as funções dessas juntas se sobrepôe às da câmara municipal e vice-versa. Quanto às outras, devemos analisar se os parâmetros estão adequados ou não.
Também, não me arranha o princípio de câmaras monocolores (de um só partido), desde que, e aqui é fundamental, que os poderes da assembleia municipal sejam reforçados e efectivos! De outra forma corremos o risco de «jardinzinarmos» o poder local!
O assunto é sério, é importante. Assim saibamos nós – a sociedade – intervir, discutir, debater e tirar conclusões. Apetece-me dizer que o assunto é demasiado sério para ser deixado aos profissionais da política. Qualquer decisão sobre este assunto, acreditem, vai tocar nas nossas vidas! Por isso, não lhe viremos as costas!
Participemos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A Confraria do Cão da Serra da Estrela realiza a cerimónia de entronização da confraria e dos seus confrades no dia 23 de Outubro, na aldeia histórica de Sortelha, local onde a agremiação tem a respectiva sede.

O acto de entronização, onde prestam juramento os dirigentes da associação e os respectivos confrades, terá início pelas 11 horas, com a actuação musical do Coro Intermezzo da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.
O discurso de boas vindas estará a cargo do presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, a que se seguirá a oração de sapiência, proferida por João Silvino Venâncio Costa.
A entronização da confraria e dos confrades terá como confrarias madrinhas a Confraria do Queijo Serra da estrela, sedeada em Oliveira do Hospital, e a Confraria do Bucho Raiano, com sede no Sabugal, cujos maiorais farão no final uma intervenção.
A cerimónia de entronização terminará com o discurso do Grão-Mestre da Confraria do Cão da Serra da Estrela, António Nogueira Lourenço.
Pelas 12h30 terá lugar o desfile das confrarias convidadas, que seguirá pelas ruas de Sortelha rumo à sede da Confraria, onde se inaugurará uma exposição de fotografia, intitulada «Cãostelação», da autoria de Carlos Pimentel.
Após a foto de família, a comitiva seguirá para o Casteleiro, onde será servido o almoço, no restaurante Casa da Esquila.
A Confraria do Cão Serra da Estrela do Cão da Serra da Estrela, foi constituída em 2010 e teve uma primeira reunião em 20 de Junho desse ano, em Sortelha, altura em que se juntaram criadores, amigos e admiradores do Cão da Serra, vindos de vários pontos do País, com o objectivo comum de divulgar, fomentar e valorizar a raça.
A Confraria, no âmbito da sua actividade, deverá apoiar e colaborar com todas as associações e clubes da raça espalhadas pelo mundo e, muito concretamente em Portugal, a Associação Portuguesa do Cão da Serra da Estrela (APCSE) e a Liga dos Criadores e Amigos do Cão Da Serra da Estrela (LICRASE).
Para a prossecução dos seus fins, a Confraria irá colaborar com os clubes da raça na organização de congressos, conferências, seminários ou outras iniciativas de carácter científico, pedagógico, cultural e lúdico que, de algum modo, possam concorrer para um melhor conhecimento, protecção, divulgação ou aproveitamento do Cão da Serra da Estrela.
plb

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Duero–Douro, tem em curso a realização de Sessões Informativas sobre o Projecto Self-Prevention em diversas localidades.

A bolsa de emprego para trabalhar no projecto Self Prevention continua aberta, esperando o AECT pelo recebimento das respectivas candidaturas, que poderão ser apresentadas no portal www.self-prevention.com, na secção «bolsa de emprego». Ou, em alternativa, os interessados podem contactar as respectivas Juntas de Freguesia, que lhes facultarão os contactos da equipa técnica do AECT Duero-Douro.
Ainda durante o presente mês do Outubro, em articulação com o centro de formação profissional da Guarda e o centro de formação profissional de Bragança, o Self-Prevention vai iniciar a formação especializada para os futuros trabalhadores.
Segundo o Director Geral do AECT Duero-Douro, Jose Luis Pascual Criado, «de entre todos os perfis profissionais necessários para a implementação do projecto, os primeiros a ser incorporados na fase inicial serão os de funcionários de explorações de caprinos e Funcionários de Empresa Láctea/ Queijarias».
O Self-Prevention é um projecto transfronteiriço da AECT que conta com o apoio dos governos português e espanhol e que aposta na utilização de cabras para prevenção de incêndios florestais em territórios transfronteiriços. O AECT Duero-Douro agrupa 63 localidades fronteiriças portuguesas e espanholas num total de 187 entidades.
plb

A Comunidade Intermunicipal de Dão-Lafões quer colocar esta sub-região do Centro no mapa!

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Constituída por 14 Municípios – Aguiar da Beira, Carregal do Sal, Castro Daire, Mangualde, Nelas, Oliveira de Frades, Penalva do Castelo, Santa Comba Dão, S. Pedro do Sul, Satão, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela –, a Comunidade tem optado por entender esta parte da Região Centro como um todo, em vez de cada Município continuar a agir e a falar como se esta Associação não existisse, tal não significando a perda de identidade ou autonomia de cada uma das partes.
Esta atitude conduz a que Dão-Lafões, a quem foi atribuída uma verba de 73 milhões de euros no âmbito do QREN, seja a Comunidade que apresenta a maior taxa de execução a nível nacional, 31,4%, contra uma média nacional de 20,7%.
Projetos transversais como a transformação de 50km de via férrea desativada numa ecopista, envolvendo os Municípios de Santa Comba Dão, Tondela e Viseu; racionalização dos consumos de energia, envolvendo todos os Concelhos; desenvolvimento concertado de criação de incubadoras de empresas, envolvendo 6 Municípios: Santa Comba Dão (empreendedorismo social), Nelas (vitivinicultura), Mangualde (setor automóvel), Viseu (cultura), São edro do Sul (termalismo) e Tondela (saúde e tecnologia).
Eis um exemplo de como é possível e proveitoso que Municípios vizinhos entendam que, em vez de se limitarem a puxar a «brasa à sua sardinha», saibam encontrar os pontos em comum para, deste modo, usarem de forma mais eficiente os recursos financeiros disponibilizados.
Infelizmente, não vemos tal atitude na COMURBEIRAS a que o nosso Município pertence…

Ps: A urgência em analisar o Documento Verde da Reforma Administrativa impediu-me na semana passada de referir dois acontecimentos importantes que se realizaram no fim de semana de 22/24 de Setembro.
O primeiro, pese embora algumas opiniões em contrário, foi a realização da sessão de setembro da Assembleia Municipal. O debate vivo, as questões colocadas pelos deputados e as respostas do Presidente da Câmara, bem como a participação dos cidadãos presentes, mostram que a Democracia está viva e que ali é o local por excelência de debate de ideias.
Situações, por vezes menos agradáveis, àpartes quase sempre sem sentido e algum mau gosto, não inviabilizam o que de importante ali se passou.
O segundo acontecimento registou-se em Sortelha com a iniciativa «Muralhas com História». Só quem ali não foi pode reduzir o que lá se passou a uma simples e rotineira Feira Medieval. Também lá comprei um queijo da Quarta-Feira e um pão centeio de Sortelha. Também lá havia alguns feirantes. Mas toda a recreação histórica que ali se verificou foi muito mais importante que isso.
Claro que uma andorinha não faz a primavera, e não é apenas uma iniciativa como esta que modifica a realidade atual de Sortelha ou inverte o declínio do Concelho.
Mas foi uma boa iniciativa e não me ficaria bem não o realçar aqui.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A Colónia Agrícola do Martim-Rei é um diamante por delapidar no concelho do Sabugal. Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de João Loureiro da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Os objectivos sonhados pelos políticos para a Colónia Agrícola Martim-Rei passam pelos jovens. Pelos filhos da terra que optarem por não abandonarem a terra que os viu nascer. Fico sempre surpreendido quando se fala dos filhos da terra, das oportunidades perdidas e da incompreensão por aqueles que não ficam. Nem todos os pais podem dizer o mesmo dos seus filhos porque palavras leva-os o vento que arranca as folhas do castanheiro. Até porque não há escoamento dos produtos… Não será um problema político? Bem prega São Tomás…
jcl

A Associação Solidariedade Sem Fronteiras, em colaboração com o Município de Penamacor, vai inaugurar no próximo dia 12 de Outubro, às 17 horas, no Mercado Municipal, uma Loja Social, cujo objectivo é recolher e disponibilizar bens novos ou usados provenientes de donativos.

Os donativos podem ser em dinheiro ou espécie, provindos de particulares ou empresas, e serão um importante contributo para suprir as necessidades de pessoas ou agregados familiares carenciados.
Os termos desta colaboração vêm dispostos num protocolo assinado pelas duas instituições. Segundo o acordo, a Câmara Municipal de Penamacor disponibiliza instalações, mobiliário e logística de transportes, enquanto à Associação compete a organização da loja, designadamente no que respeita a angariação de donativos e gestão de stock, sempre em articulação constante com o Gabinete Social da Câmara Municipal de Penamacor e com a Rede Social do Concelho.
Ainda em Penamacor, vai estar patente, na galeria da Casa do Castelo, de 6 a 30 de Outubro, uma exposição e venda de pinturas de José Santos Aguilar, que poderá ser apreciada de Segunda a Sexta-Feira, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30.
José Santos Aguilar nasceu a 7 de Abril de 1948 na freguesia de Dominguiso – Covilhã. Começou a pintar como autodidacta em 1975, frequentando mais tarde cursos de pintura, desenho e história da arte no IATA. e no ArCo.
plb (com CMP)

A Fundação Cidade de Guimarães anunciou que o escritor, galardoado com o Prémio Camões, Manuel António Pina, está entre as «personalidades da cultura» cooptadas pelo conselho geral da instituição.

Em reunião de 28 de Setembro o conselho geral da Fundação, presidido pelo ex-presidente da república Jorge Sampaio, aprovou a entrada de nomes prestigiados da cultura portuguesa, como Miguel von Hafe Pérez, diretor do Centro Galego de Arte Contemporânea de Santiago de Compostela, Manuel António Pina, escritor e jornalista, Francisco Seixas da Costa, embaixador em Paris, e António Mega Ferreira, escritor e presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém.
A Fundação Cidade de Guimarães e a entidade responsável pela programação cultural da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012.
No ano 2012 a cidade de Guimarães acolhe um grande encontro de criadores e criações, como música, cinema, fotografia, artes plásticas, arquitectura, literatura, pensamento, teatro, dança, artes de rua. A iniciativa proporciona o cruzamento de produtos artísticos imaginados e gerados pelos seus residentes com os que de toda a Europa afluirão à cidade. Ao longo de todo o ano, a cidade será promotora da diversidade cultural que caracteriza a Europa, dando a conhecer as suas manifestações culturais e acolhendo as de outros países.
Trata-se de um projecto catalisador do desenvolvimento da cidade e da região envolvente, que visa aumentar a qualidade de vida, contribuindo para a regeneração urbana, social e económica, promovendo transversalmente o acesso à cultura e valorizando o território e o património colectivo.
A presença do escritor sabugalense Manuel António Pina no conselho geral da Fundação, advém do prestígio que esta presença pode proporcionar a uma iniciativa que se concretiza num vasto e ambicioso programa cultural.
plb

A Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, com a colaboração da Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Soito, irá por à prova os seus clientes e colaboradoras através de uma acção de formação sobre Situações de Incêndios: da prevenção à prática.

A acção formativa decorrerá no dia 12 de Outubro (quarta-feira), com uma sessão teórica para por à prova os conhecimentos das colaboradoras. No dia 15 de Outubro, durante toda a tarde, realizar-se-á uma acção prática, com simulações de pequenos incêndios e incidentes. Mais tarde, em data secreta, irá ser realizado um simulacro.
Tanto a Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, como os Bombeiros Voluntários do Soito, consideram estas iniciativas de elevada importância para se avaliarem questões de segurança; elucidar os participantes para situações de perigo e risco; preparar as colaboradoras e clientes para um perigo que poderá acontecer; minimizar medos e inseguranças em situações reais; e testar as capacidades de reacção dos clientes e colaboradoras.
Marina Crespo (Directora Técnica da SCM de Alfaiates)

A Fundação INATEL lança na Guarda a formação de teatro «Laboratório: dos materiais à construção do espectáculo», nos dias 29-30 de Outubro e 5-6 de Novembro, no Paço da Cultura, com Rui Sena e Sílvia Ferreira.

Trata-se de uma boa oportunidade para ganhar ou cimentar conhecimentos tanto na área da concepção do espectáculo como na formação de actores. Vale a pena. E é muito acessível.
O laboratório pretende que os participantes trabalhem o tempo e o espaço da experimentação artística. Partindo da exploração de diferentes materiais impulsionadores da construção do espectáculo (textos, imagens, objectos, música, exercícios de corpo…), pretende-se criar uma teia de relações que culmina no exercício de apresentação final.
Entre os objectivos gerais da iniciativa contam-se o estímulo à criatividade e à expressividade, a exploração da sensibilidade e do sentido estético, a descoberta e o desenvolvimento de novas formas de expressão artística, a ampliação do interesse em relação às actividades artísticas.
Os interessados em frequentar o Laboratório de Teatro podem inscrever-se até 19 de Outubro na Agência da Fundação INATEL na Guarda.
plb (com Agência INATEL da Guarda)

Não sou daqueles que identificam o que é velho com o que é mau, e o que é novo com o que é bom. Sei que há valores eternos que nada têm a ver com a modernidade ideológica nem com outras coisas como a moda, mas também sei que o avanço da humanidade em todos os aspectos, desde o cultural, social, político, económico e tecnológico, trouxe coisas maravilhosas.

António EmidioAprecio e aceito toda a mudança que contribua para melhorar as condições de vida da humanidade, mas infelizmente na época histórica que atravessamos, o moderno transformou-se numa espécie de beatice levada ao extremo, estando a destruir num ritmo alucinante os valores humanos, aqueles valores que sempre orientaram a humanidade.
O que é a modernidade neste Neoliberalismo vigente? Produzir, vender e consumir, isto acompanhado de um relativismo moral e ético, em nome da Democracia, da Liberdade, da Sociedade Aberta, do Estado de Direito e da igualdade de oportunidades, nomes sonantes e cativantes, mas que por detrás têm a mão desumana da Oligarquia poderosa e reinante, é uma espécie de ditadura invisível, ditadura da vulgaridade, da mediocridade e da ignorância.
Na minha opinião, o que deveria ser a modernidade? Entre outras coisas, as seguintes:
A mais alta tecnologia, controlada, ao serviço do homem, desde o seu trabalho, passando pela saúde, pelo ensino e pela diversão, nunca uma forma incontrolada de gastar dinheiro, nem uma idolatria da técnica, o que acontece presentemente.
A modernidade exige respeito pelo meio ambiente, não deve contribuir para a sua destruição, nem os povos mais bárbaros e atrasados da história antiga, fizeram o que a modernidade está a fazer com o meio ambiente.
A modernidade exige uma educação digna desse nome, ou seja, inseparável da ética, uma formação do carácter do jovem, não submetê-lo aos interesses da economia, se assim não for, como o não é presentemente, assistimos cada vez mais ao abandono dos estudos, à hostilidade em relação aos professores e aos pais, fazendo da violência uma forma de estar em sociedade.
A modernidade exige também uma verdadeira Democracia, não uma antidemocrática como a actual, e para demonstrar que é antidemocrática, aí está a desigualdade económica cada vez mais acentuada.
Querido leitor(a), têm de ser também os valores humanos, morais e espirituais que dão sentido à vida, como a justiça social, a paz, o amor e a amizade, um dos principais pilares da modernidade.
O homem moderno exige coisas tão velhas como estas: trabalho, salário e justiça, direitos que a modernidade lhe está a tirar.
Hoje, mais do que nunca, vemos que a história é feita de avanços e retrocessos, ao principiar o século XXI a humanidade está em retrocesso, nunca houve uma época com tantas injustiças e de tanto sofrimento humano, não tanto pela sua intensidade, mas sim pela sua extensão geográfica, como actualmente.

Meios de comunicação social: o que é a noticia nos meios de comunicação modernos, nos meios de comunicação da massas? Uma simples mercadoria para venda, não a verdade. Presentemente quem domina a informação tem o poder e, quem a domina é a oligarquia.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Um grupo de amigos de variadas localidades do concelho do Sabugal, que estudam na sede do concelho, lembrou-se de organizar uma tourada seguida de baile, que acontecerá no próximo Sábado, dia 8 de Outubro, no Soito.

Há iniciativas que nascem assim, da espontaneidade. Alguém se lembrou de que, passado o mês dos toiros, Agosto, e o mês de descanso da generalidade dos sabugalenses, Setembro, era oportuno aproveitar o bom tempo com que os dias de Outubro têm sido brindados. E, vai daí, lançou-se a ideia de realizar uma tourada e um baile. A proposta teve eco num grupo de amigos, que decidiram juntar as mãos para realizar essa festa raiana, escolhendo o Soito para palco.
Do dia 8, às 14 horas, abre o bar da Praça de Touros do Soito, assim se dando início ao convívio, que aposta sobretudo da presença dos jovens.
Pelas 16 horas terá início a tourada, que se prolongará pela tarde dentro.
Depois do jantar, pelas 22h30, é a vez de se dar início ao baile com o grupo Trio Musical, no salão da Associação Cultural e Desportiva do Soito. A festa continuará pela noite e entrará na madrugada, culminando com a actuação, às 3 horas, do Rik DJ e DJ.
Os jovens do concelho do Sabugal têm uma festa de Outono à sua espera.
plb

No dia 27 de Setembro, o Núcleo de Investigação Criminal de Vilar Formoso, da GNR, efectuou uma busca domiciliária na Miuzela, concelho de Almeida, no âmbito de um inquérito por crime de violência doméstica, tendo apreendido uma arma de fogo ilegal.

Guarda Nacional RepublicanaA arma apreendida era uma caçadeira de calibre 12 mm, e junto com a mesma foram apreendidos 56 cartuchos do mesmo calibre.
Em consequência da busca, foi detido um indivíduo de 61 anos, residente naquela morada, por ter na sua posse a arma ilegal.
No mesmo dia 27 de Setembro, militares do Posto de Gouveia, detiveram um indivíduo de 81 anos, residente em Momenta da Serra (Gouveia), por crime de posse de arma proibida. Esta detenção ocorreu no âmbito de um inquérito por crime de ameaças, e na sequência de uma busca domiciliária, onde foi encontrada uma pistola de alarme de calibre 8 mm e 14 munições de calibre 6,35 mm.
O Núcleo de Investigação Criminal de Gouveia identificou ainda, no dia 28 de Setembro, um indivíduo de 29 anos, residente em Loriga (Seia), por suspeita da prática de vários crimes em estabelecimentos comerciais. O homem já estava a ser investigado há algum tempo e foram-lhe apreendidos diversos objectos furtados, designadamente seis relógios antigos, um fio de prata, 890 moedas antigas de colecção e ainda um «pé de cabra» que utilizava para práticar os crimes.
O comunicado informa ainda que no dia 2 de Outubro a GNR efectuou uma abrangente acção de fiscalização, tendo em vista verificar a legalidade do exercício da caça, com especial incidência no eventual recurso a meios e métodos contrários aos legalmente definidos.
Foram fiscalizados 21 veículos e 171 caçadores, o que resultou na elaboração de três autos de contra-ordenação por diversas infracções verificadas.
plb

Na semana passada escrevi sobre a produção de batata no Casteleiro. Hoje, sobre o azeite. Mas nada que se compare: enquanto quase todas as famílias cultivavam as suas batatas, poucas eram as que supriam as suas necessidades em azeite.

Haverá ainda oliveiras centenárias no Casteleiro. Mas com o tratamento que hoje levam, se ainda as há, não vão durar muito. Isso é pena.
Esta impressionante árvore dá um fruto, a azeitona, de que sai um óleo especialmente apreciado na economia local: o azeite.
Este fruto bem mediterrânico, a azeitona, vem dessa bela árvore chamada oliveira, trazida do Médio Oriente sabe-se lá quando e como e por quem. Mas seguramente há muitos séculos. Podem e devem ter sido os romanos, mas também os árabes e os judeus: há muitas em todas as suas terras (Roma, mas, antes de mais Egipto oriental e, sobretudo, Palestina, incluindo o local onde hoje fica Israel – a Bíblia não me deixa inventar nada: está tudo pejado das respeitadas oliveiras).
Ter oliveiras, ter azeite – são marcas de estirpe elevada: mais elevada ou menos, consoante a produção final e o modo de colheita, ou seja, contam para essa classificação: o número de oliveiras, a sua localização, se eram colhidas pelos próprios com ou sem ajuda de familiares e amigos, ou se a colheita era simplesmente efectuada como trabalho assalariado…
Era também por esses limites que se sabia se essa família era remediada, abastada ou mesmo rica – ponto final.
Só hoje, a grande distância, vejo que era assim. Na época (anos 50, é deles que falo), tudo me parecia natural e normal. E, se calhar, assim era…
Ou seja: se calhar, Deus e a Pátria queriam isso assim mesmo e assim é que estava certinho.

Azeite: fundamental na economia
Ironias à parte: o azeite é fundamental. É uma gordura que acompanha toda a vida da pessoa:
- com azeite se tempera a comida,
- com azeite se conservam os enchidos,
- é o azeite que serve para fritar as batatinhas que assim ficam tão saborosas,
- a própria azeitona, como fruto, é um bom condimento – apeguilha mesmo bem…
- etc. etc..
Famílias menos beneficiadas esperavam sempre azeite sobrante dos fritos ou da conserva dos enchidos para suprirem as suas próprias necessidades.
Mas o azeite foi importante não só na alimentação:
- com as borras do azeite e potassa, fazia-se sabão para lavar aquelas grandes quantidades de roupa na ribeira e deixá-la lá a tarde toda a corar;
- e com azeite se untavam as fechaduras das portas para não rangerem tanto – fazia de óleo à época.
Sabemos que em épocas mais recuadas se alumiavam as casas com azeite (eu já só apanho isso em meia dúzia de casas: o petróleo já tinha entrado nas vidas locais).
Mas lembro-me muito bem de as pessoas terem a tarefa de pôr azeite nas luminárias dos altares na igreja ao santinho da sua devoção: aqui o azeite é um elemento do ritual.
Da importância da colheita da azeitona e do fabrico de azeite falam antes de mais os três lagares que chegou a haver no Casteleiro. Lagares de azeite que, já no século XVIII, eram três. Portanto, a coisa vem de longe…
E constou sempre na minha meninice que o nosso azeite era do melhor da região toda.

Qualidade de vida
O azeite é, pois, sinal de mais qualidade de vida.
Sem azeite, a vida era mais triste, menos saborosa.
Muitas famílias, por não terem oliveiras suas, arrendavam terrenos de oliveiras. Por baixo das oliveiras semeavam batatas e legumes. Mas lembro-me de que, da sua colheita de azeite, tinham de dar uma parte ao dono do terreno como forma de pagamento de rendas.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Olá Côa! Hoje vim direto ter contigo. Após os 230 quilómetros da praxe não parei em casa. Aqui estou junto de ti, meditando naquilo que durante a viagem mais me bem dispôs interiormente: «A Paz que ultrapassa toda a compreensão Humana.»

(Clique nas imagens para ampliar.)

Sei que isto deveria ser sentido em qualquer lugar, e sempre. Mas de facto não consigo, pelo menos por agora.
Só junto de ti, Côa, isto é bem possível, este sentimento inexplicável, de quietude, paz e alegria interior.
Confesso-te que os meus olhos já se molharam, com tal Sentimento. Obrigado Côa do Universo e de todos nós!
«Paixão pelo Côa – fotografia», crónica de Carlos Marques

carlos3arabia@yahoo.com

Os instrutores da Academia Egitaniense de Karate Shotokan (AEKS) Rui Jerónimo, Carla Jerónimo, José Jerónimo, Eduardo Rafael e Dídia Gonçalves, estão a frequentar o 5º Curso de Qualificações de Treinadores/Árbitros/Examinadores da Japan Karate Association – Portugal.

O Curso iniciou-se no dia 24 de Setembro, em Alverca do Ribatejo, e terá a duração de três anos lectivos. Para os formadores idos da Guarda, «este é não só um investimento a longo prazo, que permitirá no futuro uma ascensão na carreira enquanto treinadores, árbitros e examinadores a nível internacional, mas serve também para que desde já todos os praticantes de Karate adquiriram bases e conhecimentos sólidos que os acompanharam no seu treino», afirmou Rui Jerónimo num comunicado dirigido à imprensa regional.
Outra novidade do Karate da Guarda, foi a presença de Rita Morgado, da AEKS, no dia 25 de Setembro, em Vila do Conde, em mais um Treino Nacional de Selecção. Rita foi novamente convocada para integrar os trabalhos de selecção nacional, com vista à preparação dos atletas para as provas internacionais que se avizinham. Carla Jerónimo, treinadora da AEKS acompanhou a jovem atleta.
Entretanto, surgiu no distrito da Guarda a Portugal Kyokai Karate-Do Shotokan (PKKS), recente associação formada por vários clubes do distrito, como entidade sem fins lucrativos, cujo objecto principal é o ensino do Karate.
A nova associação de Karate de carácter nacional é uma velha aspiração da região, na medida em que ligará os vários clubes directamente à Federação Nacional de Karate, sem a necessidade de passarem por outras associações com sede em grandes Cidades como Lisboa ou Porto.
«Todos os praticantes filiados na PKKS passarão a partir deste momento a ser contabilizados pelo Instituto Desporto Portugal como desportistas da região da Guarda», afirmou Rui Jerónimo, que foi eleito para presidente da direcção.
Fazem parte da nova associação nacional os seguintes clubes: Academia Egitaniense de Karate Shotokan (Sequeira, Piscinas e Liceu), Núcleo de Karate Shotokan de Pinhel e Karate Shotokan Trancoso. Todos os membros dos Órgãos Sociais são do Distrito, tendo sido.
O presidente associação descreve os objectivos da nova estrutura: «melhorar toda a organização estrutural e regulamentação dos quadros de formação e competição do Karate a nível do Distrito, para que os praticantes possam usufruir de todos os benefícios deste Desporto, e ao mesmo tempo seja feita uma correcta promoção do Karate como Desporto de Formação e Competição».
plb

Havia antanho muita sensibilidade para com os animais nossos amigos, que eram verdadeiramente bem tratados e protegidos dos perigos a que estavam sujeitos, ao avesso do que hoje sucede, em que maltratam os animais sem dó nem piedade.

Ventura ReisO maior maldade que fazem aos animais acontece com os cães e gatos que muita gente aprisiona em casa, em apartamentos fechados, tratando-os caprichosamente, como se de pessoas se tratassem.
Será também bom que cada um imagine o sofrimento dos frangos nos aviários industriais, habitando em autênticas estufas onde comem rações hormonais para crescerem rapidamente, sem direito a um fio de luz natural. Logo que estejam devidamente insuflados são abatidos por choque eléctrico ou por degolação. O mesmo se passa com o gado porcino, ovino e vacum, que igualmente nasce e cresce em armazéns, onde a humanidade dos tratadores não existe.
Pois meus caros, isso não se passava antigamente, no tempo em que o lavrador vivia com os animais que criava, pois tratava-os com a devida humanidade. E ai de quem o não fizesse, porque as leis vigentes eram duras e a actuação das autoridades implacável para com os prevaricadores.
Vejamos o que rezava o decreto nº 5.864, de 12 de Junho de 1919, que se manteve em vigor até à década de 1970. Aquele saudoso diploma legal proibia de forma expressa as situações de violência ou de outros maus-tratos para com os animais.
«Hei por bem decretar que, entre outros, se devam considerar como violentos os seguintes actos, cuja punição deve ser promovida pelos agentes do Ministério Público». E enumerava esses actos criminosos: espancar animais, oprimi-los com trabalhos excessivos, obrigar ao trabalho animais doentes, pretender obrigar a levantá-los à custa de pancada, amarrar aos cães e gatos objectos que os assustem, apedrejar animais, assulá-los uns contra os outros, abandonar animais velhos, doentes ou recém-nascidos, cegar aves para cantarem.
Dez anos depois, por um decreto de 1929, o nº 16.637, de 16 de Março, estabeleceram-se medidas máximas para os ferrões, ou aguilhões, das varas dos lavradores, para que não ferissem os animais. «O bico do aguilhão terá forma cónica e o seu cumprimento não deverá exceder 0,004 m e a sua espessura, na base, não poderá ser superior a 0,002 m; o topo da vara deverá ser plano e terá o diâmetro mínimo de 0,01 m», dizia aquele diploma legal, que passou a ser o terror dos lavradores, porque muitos pensavam que podiam aguilhoar ferozmente os animais de tiro. A multa importava em 100 escudos e, na reincidência, ia para o dobro.
O meu pai, que Deus tenha à mão direita, porque era um santo homem, gostava, como os mais lavradores, de ter bons ferrões, ainda que raramente castigasse com eles as duas vacas de trabalho que possuía. Mas os guardas-republicanos daquele tempo atendiam a tudo e era um perigo passar por eles com aguilhões que excedessem as medidas legais. Sempre que apareciam praticávamos o «truque» que o nosso pai nos ensinara, batendo com a ponta da aguilhada na calçada ou numa pedra para que o ferrão ficasse mais curto.
Aqui se prova como as autoridades andavam atentas aos direitos dos animais, o que hoje não sucede, pois são imensos os cães e gatos que estão aprisionados e torturados em casa de gente caprichosa.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

De madrugada, ainda lusco-fusco, ergui-me da enxerga e fui à corte desamarrar o macho, que depois aparelhei e carreguei com uma boa carga de fazenda.

Seguia agora pela tapada da Relha, com a besta de rédea. O animal andava com dificuldade, batendo os cascos no códão formado durante a noite. As encostas em redor branqueavam do sincilro pousado nas giestas e carvalhos. Era Janeiro, tempo em que o vento cieiro e as geadas faziam tremelicar toda a Beira. Mas eu era homem do frio. A vida de contrabandista e azemel não permitia sentar-me por muito tempo à roda do borralho. A azáfama era muita e não havia na redondeza feira ou mercado a que faltasse.
Meti pelo vale Carvalhão, em direituras de Vilar Maior. Quando entrei na antiga vila, já o Sol raiava derretendo a geada, pondo os campos a fumegar. Povoado adentro enfiei pela quelha onde tinha poiso o Tonho Varão, velho companheiro de ofício e de largas caminhadas, que me esperava para seguirmos de carava para o mercado da Malhada. À entrada do curral prendi a besta à argola de ferro chumbada na parede, abri a portaleira e ia a dar passo para dentro quando, para meu espanto, me caiu nos braços a mulher do Tonho, esbaforida e a berrar que nem uma vaca acabada de parir.
- Acode-me! Acode-me, ó Zé, c’o mê home me quer derrear!
Sem saber o que fazer com aquela massa de gordura agarrada ao cachaço, surgiu-me o marido com a cilha da burra na mão.
- Anda, meu grande estojo, que te faço a pele em tiras!
Avancei então dois passos, colocando o monte de banha atrás de mim, disposto a enfrentar a fera.
- Alto lá, Tonho! Se sou teu amigo, bem te aconselho: ao borracho mete-se-lhe a mão por baixo. Tens aqui um pedaço de mulher e passas o tempo a sová-la? Fêmea tão bela e valente não há outra na Raia!
- O quê? É uma desalmada! Só quer ressonar… O sol de alevanto e ela encafuada no ninho, tendo a vianda dos bácoros pra fazer. Anda cá, colandrona, que te faço as contas!
- Deixa, homem, se bem dorme melhor se conserva. Lembra-te que esta mulhar já te pariu três ganhões, que bem alimentou e educou. Deixa-os crescer e verás que valentões se vão fazer. Pensa lá Tonho, na sorte que Deus te deu…
Transtornado pelo que ouvia, o homem ficou quedo, dando mostras de não saber que fazer. E eu continuei a atacar-lhe, agora de falinhas mansas.
- Toma fé na tua vida. Isto é mulher de bom ventre, não a desmanches. Já apanhou porrada cabonde, e ainda te vai dar à luz mais uns catraios. E tu bem os precisas, para teu descanso!
De pouco em pouco, o Tonho Varão foi-se ficando.
Consegui convencê-lo de que aquele pedaço de unto era a melhor fêmea de toda a Raia.
Paulo Leitão Batista, «Aventuras de um velho contrabandista»

leitaobatista@gmail.com

A concepção teocrática do poder é naturalmente a mais antiga e também a mais lógica.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaPara a Igreja Católica, o monarca, simples criatura de Deus, como qualquer outro homem, exerce legitimamente o poder enquanto servidor da mesma Igreja.
A soberania seria delegada por Deus na Igreja que, por seu turno, a delegava, numa casa reinante.
Assim se entendeu por toda a Europa Medieval, sendo indiscutivel que o Papa fora colocado por Deus acima dos reis e dos povos.
O conflito estalou quando Filipe-o-Belo, rei de França, declara que recebera o reino e o trono directamente de Deus, pelo que não reconhecia qualquer dependência face a Roma.
Bento VIII, que ao tempo se sentava no solio pontifício, lembrou-lhe que os reis só através da Igreja legitimam o poder, que só delegadamente exercem.
Esta divergência de concepções que se agitou nos anos de transição entre os séculos doze e treze da nossa era, passou a marcar, perturbando-o, o clima de relações entre as duas autoridades.
E sem vantagens para qualquer delas.
Mas, concitando a atenção de santos e sábios, São Tomás de Aquino ensina que se deve distinguir entre a essência do poder e o uso que dele se faça.
A essência é divina, o uso é do homem, que o pode exercitar bem ou mal, sendo certo, acrescenta o santo doutor, que só obriga a obediência o poder exercido com vista ao bem comum – em prol do comum, passou a consignar-se nos textos.
E, porque o pecado original nos tornou naturalmente maus e tendentes à desobediência ou mesmo à anarquia, torna-se necessário erigir um poder que assegure a ordem e proteja o fraco contra o forte.
Daí a necessidade dum governo.
Que governo?
A MONARQUIA
Dirão uns, porque:
I – é o regime mais natural – o mundo começou por ser governado por monarcas;
II – é o mais duradouro – as repúblicas só muito tarde se conseguiram afirmar e habitualmente por períodos curtos;
III – é o mais estável – durando toda a vida do soberano;
IV – é o mais barato, dispensando eleições e o pagamento de reformas, que têm de ser dignas da condição de ex-chefe de estado e portanto vultosas;
V – o que melhor e coaduna com o poder espiritual da Igreja Católica, praticamente a única com implantação em Portugal;
VI – os monarcas, educados catolicamente, têm uma mais perfeita noção do bem comum.
Poderá fazer-se a abordagem do problema por outras vias.
Um governo de sábios, preconizado pela Maçonaria, que abriu a porta, numa primeira fase á democracia igualitária de Rousseau, depois ao sectarismo jacobino, depois às varias utopias, a mais terrível de todas foi o marxismo-leninismo.
O problema de base é sempre o mesmo – a melhor concatenação do poder com a natureza humana – não o homem inocente, de Voltaire, nem o homem lobo de Hobbes.
Ora, a História mostra-nos que, no tocante a formas e métodos de governo se oscila indefinidamente entre a necessidade de reforçar o Estado para submeter o indivíduo ao interesse geral, e uma necessidade, igualmente imperiosa, de proteger o indivíduo dos abusos de autoridade, cometidos por outros indivíduos, alçapremados ao poder.
O perigo, o grande perigo, é a prevalência duma força, não controlada por razões morais, vício de que não podem sofrer as monarquias católicas.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O piloto de quad João Dias, natural dos Fóios e residente no Sabugal, encontra-se neste momento na terceira posição do campeonato nacional de Todo o Terreno (TT), tanto na classificação geral como na sua classe denominada de «open».

João Dias, que participa com uma Kawasaki KFX450R, encontrava-se na quarta posição e a subida de posto aconteceu depois de este ter feito um segundo lugar na geral e na classe na «baja» de Idanha-a-Nova, no passado fim de semana, nos dias 23, 24 e 25 de Setembro.
Na prova disputada na Idanha-a-Nova, o piloto Roberto Borrego desistiu por avaria no seu quad. Quem aproveitou foi Humberto Pinto, que conseguiu a vitória absoluta, com 6m53s de vantagem sobre o piloto raiano João Dias. Na luta pelo terceiro lugar, David Jacinto levou a melhor sobre Rafael Acúrcio, António Moreira, Nuno Rodrigues, Vítor Santos e João Brissos, este o melhor da classe «stock».
O campeonato Nacional de Todo-o-Terreno tem ainda duas provas por disputar. A próxima será o Raide de Góis, nos dias 8 e 9 de Outubro.
plb

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