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O PSD alcançou um resultado histórico no distrito da Guarda elegendo três dos quatro deputados e alterando o tradição equilíbrio (2 e 2) entre os PSD e o PS. O PSD venceu em todos os concelhos do distrito da Guarda tendo alcançado no concelho do Sabugal 3472 votos (48,20%) contra 2004 (27,82%) do PS.

No círculo eleitoral da Guarda o Partido Social Democrata elegeu três deputados – Manuel Meirinho, Carlos Peixoto e Ângela Guerra – e o Partido Socialista apenas um deputado – Paulo Campos – ficando de fora, como grande derrotado da noite, José Albano que se posicionava em segundo lugar. O distrito da Guarda elege quatro deputados e tradicionalmente têm sido divididos entre os sociais-democratas e os socialistas.
Manuel Meirinho em declarações à agência Lusa considerou que a candidatura do PSD alcançou «um resultado histórico». O Partido Social Democrata, liderado pelo politólogo independente, alcançou 46,32 por cento dos votos, elegendo três deputados. Já o PS conseguiu 28,31 por cento dos votos e elegeu apenas um deputado, o que já não ocorria desde 1995, altura em que os dois partidos passaram a eleger dois deputados cada.
«É um resultado histórico para o distrito, que expressa o esforço feito numa campanha de proximidade junto das pessoas, séria e serena, muito transparente e muito sóbria», afirmou à Lusa Manuel Meirinho, eleito deputado pelo distrito da Guarda, tal como Carlos Peixoto e Ângela Guerra. Segundo Manuel Meirinho, os eleitores do distrito «preferiram a seriedade a uma campanha feita de forma agressiva e com algum vazio do ponto de vista das ideias» e garantiu que o partido trabalhou para obter «uma grande vitória».
Quanto ao facto de a lista distrital ter sido liderada por um independente, disse que a «mistura» de militantes e de independentes «mostra aos eleitores que os partidos são estruturas abertas».

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS  –  5-6-2011
DISTRITO DA GUARDA

CONCELHO DO SABUGAL  –  FREGUESIA A FREGUESIA
Águas Belas Aldeia da Ponte Aldeia da Ribeira Aldeia S.António Aldeia do Bispo
Aldeia Velha Alfaiates Badamalos Baraçal Bendada
Bismula Casteleiro Cerdeira Fóios Forcalhos
Lageosa da Raia Lomba Malcata Moita Nave
Penalobo Pousafoles Quadrazais Quintas S. B. Rapoula do Côa
Rebolosa Rendo Ruivós Ruvina Sabugal
Santo Estêvão Seixo do Côa Sortelha Soito Vale das Éguas
Vale de Espinho Valongo do Côa Vila Boa Vila do Touro Vilar Maior

(Clique nas imagens para ampliar.)

jcl

O PSD-Partido Social Democrata venceu as eleições legislativas 2011. Pedro Passos Coelho é o novo primeiro-ministro de Portugal e abre-se um novo ciclo político em Portugal. No distrito da Guarda que elegeu (quase?) sempre dois deputados para o PSD e igual número para o PS aconteceu a grande surpresa. Pela primeira vez os sociais-democratas alcançam três deputados «roubando» o tradicional segundo eleito aos socialistas.

20.00 – O PSD esmagou o PS nestas eleições legislativas. As primeiras projecções das estações televisivas indicam cerca de 10% de diferença nas preferências dos portugueses. O partido encabeçado por Pedro Passos Coelho regista entre 38,3% a 42,5% dos votos, contra 25,5% e 29,7% do PS, ficando abaixo dos 30%, segundo a previsão da Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença às 20 horas.
O CDS-PP continua como a terceira força política, com 11,1% a 13,9% dos votos. O PCP conta com 6,8% a 9%, enquanto o BE fica com 4,5% e 6,7%.
A abstenção terá ficado entre os 39,3% e os 43,7%, batendo o recorde das última seleições legislativas.
21.13 - O secretário-geral do PS, José Sócrates, declara no Hotel Altis que se demite de líder socialista encerrando um ciclo político no Partido Socialista não pretendendo ocupar nenhum cargo político nos tempos mais próximos.
21.50 - Resultado histórico do PSD no distrito da Guarda. Pela primeira vez altera-se o equilíbrio nos deputados eleitos. O PSD elege três deputados e o PS apenas um.
23.07 – Pedro Passos Coelho dirige-se ao País. No púlpito onde discursa o lema de campanha «Está na hora de MUDAR» foi alterado para «PORTUGAL Unido e Forte». «Quero garantir a todos os portugueses que todos os sacrifícios que tivermos de enfrentar serão acompanhados da minha parte pela transparência total e o trabalho absoluto. Quero por isso dizer a todos os portugueses que vai ser difícil mas vai valer a pena», disse na sua intervenção o futuro primeiro-ministro de Portugal.
jcl

Antigamente as coisas tinham dignidade e ar solene. Requerimentos, reclamações ou petições dirigidos à administração pública tinham que ser redigidos em papel selado, usando-se uma linguagem formal, sem emendas e sem rasuras, e com a assinatura do requerente aposta sobre estampilhas fiscais.

Ventura Reis - TornadoiroNos dias de hoje, em que a balbúrdia assentou arraiais, tudo serve e a regra é não haver regras para qualquer tipo de requerimento, o mesmo se passando em relação a qualquer documento oficial emitido pelo Estado. Folha de qualquer gramagem, papel vegetal, de embrulho ou almaço, tudo serve para se apresentar uma petição pública, não importando também a forma em que a mesma é redigida. Nos termos do Código Administrativo a Administração tem que considerar o requerimento e dar-lhe prosseguimento.
Isto que hoje acontece é muito grave, porque representa a falência do Estado enquanto órgão que administra a coisa pública e enquanto órgão detentivo do poder de regulação da vida social e económica da Nação. No meu tempo as coisas piavam fino e ai do que não cumprisse com escrúpulo o que estava definido nas normas publicadas sobre esta melindrosa matéria.
Cumpri parte do serviço militar em Viseu, onde fui por algum tempo amanuense na secretaria do comando. Aprendi ali algo que me serviu para toda a vida enquanto funcionário da Fazenda Pública que depois fui. Refiro-me à elaboração do expediente oficial, que continha regras precisas.
Tinha que se escrever em Português escorreito, sem erros e seguindo a rigor as regras gramaticais. Não podia haver rasuras no texto, nem emendas, nem borrões, nem entrelinhas, que não estivessem ressalvadas à margem. E como se ressalvava uma emenda: «Declaro ressalvada a emenda feita na linha ___, a folhas __, dos autos, que diz ___(escrevia as palavras que ficavam a valer)».
Não podiam ser usadas abreviaturas, devendo ainda escrever-se por extenso quaisquer números, quantias ou valores a que se fizesse referência. Os autos não podiam conter nenhum resto de linha em branco, pois tinha de traçar-se com uma linha contínua.
No final do documento o escrivão assinava e colocava a sua rubrica na margem direita superior das demais folhas. Cada folha apenas poderia conter vinte e cinco linhas e a margens esquerda e direita obedeciam a medidas obrigatórias.
A pouco e pouco essas regras caíram em desuso e foram até ridicularizadas. Hoje estamos no regabofe, com total ausência de normas, cada um fazendo como lhe aprovem, fruto de uma espécie de insanidade e do ódio declarado a tudo o que vem do tempo antigo.
Pois eu confesso que gostaria que o mundo, em termos organizativos, voltasse ao tempo do papel selado e da estampilha fiscal. Para além dos réditos fiscais que resultariam da reintrodução dessas práticas, voltaria a garantir-se a existência de normas rigorosas na elaboração do expediente, voltando a dignificar-se a organização pública.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

O Jorge Esteves e o Ismael Marcos, dois repórteres da RTP Guarda, estiveram nos Foios para levarem a efeito uma reportagem sobre o contrabando. Foi hoje, dia 4 de Junho.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaEste trabalho foi, previamente, combinado com a Junta de Freguesia pelo que houve tempo para preparar os carregos e toda a restante logística.
As duas dezenas de pessoas que participaram neste evento chegaram junto do nascente do rio Côa por volta do meio dia tendo-se, todas elas, envolvido na confecção do almoço convívio que foi servido, nas gigantescas mesas graníticas, a partir das 13 horas.
Por volta das 15 horas, enquanto os repórteres da RTP preparavam os equipamentos, também os contrabandistas e os guardas-fiscais se preparavam para que todas as cenas se aproximassem, o mais e melhor possível, da realidade.
Enquanto as mulheres colocavam os produtos nas respectivas cestas os homens preparavam e colocavam os carregos nas costas de modo a que a viagem pudesse decorrer da melhor maneira.
A viagem iniciou-se e tudo se passava dentro da normalidade até que surgiu, do meio das canaveiras – torgas – um guarda-fiscal que parecia esperar e espreitar os contrabandistas tal como também o lince espera e espreita a sua presa favorita. Os coelhos.
O guarda fiscal apareceu, tão surpreendentemente, que não deu hipótese dos contrabandistas se pudessem ter escapado.
O guarda fiscal procurou fazer o serviço que lhe competia e os contrabandistas procuraram sensibilizar o guarda para que não lhes apreendessem os artigos que transportavam ou então que lhes deixasse algumas coisinhas para a desgraça não ser tão sentida.
As cenas foram, na verdade, muito engraçadas e próximas da realidade, e todos os participantes ficaram com vontade de repetir.
Anexo uma série de fotografias que ilustram bem a realidade dos factos.
O repórter Jorge Esteves ficou de nos confirmar o dia e hora em que o programa irá para o ar. Disse que será, provavelmente, segunda-feira, dia 6.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

No dia 1 de Junho a Capeia Arraiana, enquanto tradição cultural imaterial, serviu de exemplo para a apresentação do Portal Web «MatrizPCI» criado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) para a difusão de boas práticas e valorização do Património Cultural Imaterial, que teve lugar em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga.

O pedido de inventariação da Capeia Arraiana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial deu formalmente entrada no dia 27 de Maio de 2011, no Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). É o primeiro processo de inventariação de cultura imaterial a nível nacional, entregue em suporte digital, e elaborado nos termos do Decreto-Lei N.º 139/2009, de 15 de Junho e da portaria N.º 196/2010 de 9 de Abril.
Segundo uma nota à imprensa da Câmara Municipal do Sabugal, o ICM foi oficiado em Abril de 2009, no sentido de proceder à inventariação da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial. Foram posteriormente desenvolvidas várias diligências, no sentido de estudar, preservar, valorizar e divulgar esta manifestação cultural do concelho do Sabugal, que é única no mundo.
Em 31 de Janeiro de 2011, o Processo de Inventário da Capeia Arraiana foi apresentado no Colóquio «Património Imaterial em Portugal, dos enquadramentos globais às actuações no terreno», realizado no Museu Nacional de Etnologia. A par do pastel de Tentúgal (defendido pela respectiva Confraria Gastronómica), a Câmara Municipal do Sabugal apresentou um filme sobre a capeia, contando ainda com as intervenções de Adérito Tavares (autor do livro «Capeia Arraiana») e Norberto Manso (responsável da Câmara pelo processo).
Em 6 de Abril de 2011, o mesmo Processo de Inventário foi apresentado em Coimbra, no Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, no âmbito do Fórum «Olhares sobre o Imaterial».
O processo de inventariação (a parte que é disponibilizada on-line, no portal MatrizPCI) pode ser consultado Aqui.
No dia 12 de Junho vai ser apresentado no Auditório Municipal do Sabugal o livro «Forcão», de António Cabanas e Joaquim Tomé, que constitui mais um importante contributo para a obtenção da cassificação da Capeia Arraiana como património imaterial da humanidade.
plb

Na sequência da candidatura da Câmara Municipal do Sabugal ao Programa Rampa, para melhoria da acessibilidade no Município, vai proceder-se à elaboração do Plano Municipal de Soluções Integradas de Promoção da Acessibilidade, o qual garantirá uma melhor integração no espaço público por parte das pessoas portadoras de deficiência.

Capeia Arraiana soube que a análise da necessidade de elaboração do Plano fez parte da ordem de trabalhos da última reunião de Câmara, realizada no dia 25 de Maio. O presidente, António Robalo, propôs o lançamento de concurso público para a preparação do projecto, por entender não ser conveniente o recurso aos serviços da autarquia, dada a especialidade da matéria. Porém os vereadores da oposição defenderam que a Câmara Municipal possui no seu quadro de pessoal técnicos com conhecimento e com capacidade para elaborarem o projecto, pelo que deveria ser essa a forma escolhida, evitando-se um gasto que, recorrendo a uma entidade externa, poderá rondar os 25 mil euros.
Face à discussão, e a continuada persistência do presidente em defender que o trabalho não deveria assumir a natureza de trabalho subordinado, sendo conveniente o lançamento de um concurso para a sua execução, a proposta foi aprovada com os votos dos eleitos pelo PSD e a abstenção dos demais vereadores.
O Programa Rampa permite a candidatura a fundos europeus para o financiamento de Planos de Promoção da Acessibilidade que confiram às cidades de Portugal capacidade de usufruto para todos, sem a discriminação de ninguém, nomeadamente de pessoas portadoras de deficiência. Trata-se de garantir a acessibilidade física e arquitectónica no espaço público, melhorando os padrões de mobilidade dos deficientes, que assim melhor se integração na cidade.
Desde que o Programa Rampa foi implementado, foram aprovados 165 projectos municipais, envolvendo um valor que ronda os 21 milhões de euros.
plb

A troika (FMI, BCE, UE) vai controlar o rigor das contas dos municípios portugueses, com especial atenção para os gastos, de modo a prevenir derrapagens orçamentais

O Diário de Notícias citava na edição de ontem um comunicado do Fundo Monetário Internacional (FMI), que indica que os gastos das autarquias portuguesas vão ser controlados com mão de ferro, ficando as Câmaras Municipais obrigadas a prestar contas todos os meses.
«A ideia é também conseguir apurar o valor do défice público global numa base mensal, algo inédito no País, mas considerado crucial para controlar eventuais derrapagens orçamentais no futuro», refere a notícia do DN.
Para já serão apenas as câmaras das cidades mais populosas, oito por cento do total, a apresentar à troika as contas mensais, mas a medida alargar-se-á em breve a todos os Municípios.
Uma das reformas que constam no memorando de entendimento assinado entre o governo português e a troika é a redução do número de Câmaras Municipais e freguesias, actualmente de 308 e 4.259 respectivamente. A medida terá efeito a partir de Julho de 2012.
O corte no número de autarquias é uma das soluções-padrão da troika, que foi também adoptada na Grécia. O primeiro país a ser alvo de ajuda externa viu as câmaras municipais diminuírem de mil para trezentas.
plb

O escritor António Cabanas, vice-presidente da Câmara Municipal de Penamacor, apresenta no dia 12 de Junho, às 16 horas, no Auditório Municipal do Sabugal a sua mais recente obra sobre a mais forte tradição raiana – a tourada com forcão – a que todos aprendemos a chamar Capeia Arraiana. A obra surpreende pela investigação e qualidade da escrita de António Cabanas e pelas fortíssimas fotografias do sabugalense Kim Tomé.

Forcão - Capeia Arraiana - António Cabanas

Apesar da absorvente actividade autárquica a que se tem dedicado nos últimos anos, António Cabanas vem publicando com regularidade o resultado do seu labor de investigador.
Licenciado em sociologia pela Universidade da Beira Interior, tem dedicado parte do seu tempo livre a estudar a problemática do mundo rural, com o qual se identifica. As vissicitudes de um interior em profunda transformação têm-no motivado para o estudo daquilo que mais duradouro tem a ruralidade, a sua cultura. Natural do concelho de Penamacor, nunca escondeu o seu entusiasmo pelos temas de Riba Coa, interesse a que não é alheio o tempo em que exerceu funções na Reserva da Malcata, primeiro como vigilante da natureza, mais tarde como técnico superior e director.
Tal como prometera, aí está o seu testemunho sobre a capeia arraiana. Um livro fascinante, magistralmente ilustrado por Joaquim Tomé, um estudo sério, bem escrito sobre a tradição raiana, documento que vem engardecer o património cultural sabugalense: uma bela prenda, para fruição dos amantes da capeia.

António Cabanas
«Duas décadas depois de andanças e contradanças por outras latitudes, voltei ao aconchego destas terras agrestes (raia) quando ingressei na Reserva da Malcata, com outros companheiros vigilantes do Lince, de Vale de Espinho, dos Fóios, de Malcata e do Meimão. O contrabando, a Espanha e os touros eram quase sempre os temas de conversa na hora da merenda. Daí à primeira Capeia Arraiana foi um salto: o convite do colega Armando, fojeiro, que pegava ao forcão, era irrecusável. Foi desde então que passei a considerar-me raiano, coisa que nem é muito habitual nas gentes da minha terra.
Há quem diga que a capeia arraiana decorre a três tempos, uma espécie de tércios da corrida espanhola: a espera, a lide ao forcão e a corrida do touro. Para nós é muito mais do que isso, e não pode nem deve resumir-se a cânones que a assemelhem a outras formas tauromáquicas. Ela é única, é sui generis. Motivo de catarse colectiva dos residentes, mas sobretudo dos que vivem em diáspora, são muitos os momentos da tauromaquia raiana: o encerro, o touro da prova, o desfile dos jovens, o pedido da praça, a lide ao forcão, a corrida dos cortadores, a bezerra das crianças, o desencerro… Mais do que um espectáculo de 3 ou 4 horas, a festa brava raiana ocupa um dia inteiro, a começar bem cedo ao nascer do sol. Além disso, a comunidade participa na sua organização, na montagem e desmontagem da praça, no corte e construção do forcão, na colocação das cancelas, na condução dos touros e até na sua lide. É muito mais do que um espectáculo para o qual se adquire o direito a assistir comodamente sentado na bancada.»

Kim Tomé (Tutatux)
«Na cidade aprendi a arte e as técnicas da imagem. A publicidade, a moda, o turismo, em suma, o cosmopolitismo, que no trabalho diário enchiam a objectiva, ganhavam força e renovada expressão perante uma parede de granito, uma truta saída do turbilhão do açude, a mansidão de um campo de giestas em flor, ou uma tradição. Não pude resistir ao fascínio dos touros, ampliado em cada encerro ou em cada Capeia Arraiana. Com entusiasmo, pus mão à obra. Calcorreei caminhos pedregosos e poeirentos atrás de cavaleiros altivos. Corri à frente dos touros, que por vezes ameaçavam investir no fotógrafo. A adrenalina deu-me a agilidade para galgar muros e ribeiros, não sem alguns trambolhões pelo meio. Tudo por mais um registo fotográfico que contivesse a emoção do acontecimento.»

António Robalo
«O presente contributo de António Cabanas, para além de contextualizar a lide do touro bravo no espaço e no tempo, sistematiza ideias sobre o forcão e a Capeia Arraiana tornando a presente investigação mais num porto de partida do que um porto de chegada. Assim, haja gente que queira estudar e investigar esta peculiar manifestação cultural, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pelo António Cabanas, ilustrado de forma excelente por Joaquim Tomé».

Adérito Tavares
Conheci António Cabanas em 2006, no Sabugal, durante as I Jornadas do Contrabando. Ambos participávamos neste importante evento cultural, promovido pela Sabugal+, sobre uma temática marcante do percurso colectivo das gentes sabugalenses, sobretudo raianas. Foi, aliás, pouco tempo antes destas Jornadas que foi lançado um outro livro de António Cabanas, “Carregos”. Desde então, ficou-lhe (ou acentuou-se) o gosto pelo estudo dos temas dominantes da história e da antropologia ribacudense e passámos a cruzar-nos com regularidade noutras manifestações culturais, das “Jornadas da Emigração” à “Homenagem a Joaquim Manuel Correia”, das celebrações republicanas à recente evocação da Batalha do Gravato, passando por uma tribuna que nos é comum, o blogue “Capeia Arraiana”.
Foi por isso sem surpresa que recebi a notícia de que se encontrava no prelo mais um estudo de António Cabanas, desta vez abarcando um tema que me é caro: as práticas da tauromaquia popular na raia do Sabugal. E foi com agrado que aceitei o convite para prefaciar esta obra.
O livro de António Cabanas, com fotografia de Joaquim Tomé, é uma excelente síntese que recoloca e actualiza o tema das capeias. Todavia, embora as capeias com forcão constituam o cerne deste trabalho, ele vai mais longe, contextualizando as práticas taurinas no espaço e no tempo, lançando um amplo olhar sobre as sociedades taurológicas. É uma obra destinada ao grande público, mas suficientemente rigorosa para interessar também o investigador e o estudante de Etnologia ou de Antropologia. E possui vários méritos: porque soube fugir ao tradicionalismo sem cair nos clichés habituais; porque, em “tempos de servidão”, soube tratar com honestidade um tema que facilmente conduz a exageros panegíricos ou a excessos bairristas; e, finalmente, porque a ilustração ultrapassou em muito o habitual, constituindo um trabalho de reportagem aprofundado, completo, de grande qualidade, que valoriza sobremaneira este livro.»

«Forcão – Capeia Arraiana» simboliza a alma raiana. O pensamento escrito de António Cabanas e a transposição fotográfica do real para o eterno de Kim Tomé junta-se, assim, na galeria de excelência da literatura raiana ao «Capeia Arraiana» de Adérito Tavares. Parabéns.
jcl

A Agro-Raia, feira da agricultura, vai ter lugar no Santuário da Sacaparte localizado entre Alfaiates e Aldeia da Ponte. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

O Sabugal e as Invasões Francesas anda agora de terra em terra. Depois de ter estado no Auditório Municipal do Sabugal, a quando das comemorações da Batalha do Sabugal, no dia 2 de Abril, passou pela Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, no dia 19 Maio, onde estiveram os três autores e, no dia 31 de Maio, foi apresentado na Livraria Orfeu, em Bruxelas.

Para a apresentação deste livro, a Orfeu, na pessoa do seu director, Dr. Joaquim Pinto da Silva, escolheu duas altas personalidades que vivem em Bruxelas: o General Artur Pina Monteiro e o cientista, bem conhecido do povo português, o Professor Fernando Carvalho Rodrigues.
Tanto um como o outro se entusiasmaram pela leitura deste livro, reconhecendo o seu valor no domínio da história militar e sobretudo afirmando que vem preencher uma lacuna nestas disciplinas, tanto mais que os três autores apresentam três sensibilidades da mesma realidade, o que é raro e altamente enriquecedor.
Esteve presente apenas um dos co-autores – o Joaquim Tenreira Martins – que vive em Bruxelas, o qual se sentiu deveras honrado com as palavras elogiosas (reencaminha-as também para os outros escritores) que foram ditas a propósito desta obra escrita a três mãos.
Caso quase inédito no lançamento de um livro foi o facto de ter sido apresentado por duas eminentes personalidades que conhecem muito bem o Sabugal, o tema das invasões francesas e a importância estratégica que representava nessa altura o rio Côa.
Após a apresentação, Joaquim Tenreira Martins quis transmitir ao público aquilo que normalmente não se sabe quando se lê um livro, isto é, a história do seu nascimento ou aquilo que motivou a sua feitura.
«Se me permitem, gostaria de vos dar algumas informações sobre as razões desta aventura e sobretudo acerca da maneira como é que três pessoas, três autores, sem se conhecerem, e podem acreditar que foi mesmo assim, sem se conhecerem, e ainda por cima, longe uns dos outros, como é que puderam escrever este livro?
Através das várias leituras sobre este período das invasões francesas, um dia descobri que a batalha do Sabugal, Sabugal’s Battle, como dizem os ingleses, tinha sido a última batalha travada em território português. Foi com esta batalha que os portugueses e os ingleses enxotaram de uma vez para sempre os franceses do nosso país.
E eu comecei a escrever sobre este tempo nos jornais da região – o Cinco Quinas, A Guarda e outros.
À medida que ia lendo e escrevendo começava a ter ideia que as terras de Ribacoa tinham sido palco de batalhas, combates, escaramuças e de encontros guerreiros, de que ainda quase ninguém tinha falado. Sobre Almeida, Buçaco, Torres Vedras já muito se tinha escrito, mas sobre o Sabugal, quase nada.
Lembro-me que esta preocupação era partilhada também por um dos autores do Livro – o Paulo Leitao Batista – que nessa altura ainda não conhecia – e ia lendo também os seus artigos que inseria no blogue Capeia Arraiana. Aquele que mais me alertou foi o que escreveu há uns três anos, intitulado: falta comemorar a batalha do Sabugal, indignando-se por nem sequer haver um monumento a assinalar a última batalha que ali se tinha travado havia quase 200 anos.
Para mim foi quase um apelo. Já tinha muita coisa escrita sobre as batalhas travadas naquela região e um dia ao dar uma conferência nos Fóios, que tinha por título as batalhas de Ribacoa na 3ª invasão francesa, os meus colegas e amigos escritores do concelho de Sabugal abriram os olhos, ou como diria o autor do prefácio deste livro – o J. Pinharanda Gomes – ficaram arrelampados, ao tomarem conhecimento destes acontecimentos ocorridos tão perto de nós, realidade desconhecida ou esquecida durante várias gerações.
Pesava-me na consciência ver aproximar-se a data do bicentenário e não celebrar a memória deste tão importante acontecimento. Contactada a Câmara parecia não haver vontade de nada, apesar de se saber que o exército tinha verbas para este género de acontecimentos.
A certa altura já não havia tempo a perder. E aquela ideia que deve ser sempre o estado, as câmaras a fazerem tudo, poderia também ser substituída por uma iniciativa cívica de cidadãos que, venha o que vier, poderiam contribuir com aquilo que têm e de que são capazes, a fim de celebrarem tão importantes acontecimentos.
Lembro-me que acordei um dia, precisamente no dia 17 de Janeiro de 2011 e tive vontade de enviar um mail ao Coronel Manuel Mourão, também co-autor, que conhecia apenas através das leituras que fazia dos seus bons artigos na Wikipédia, e a quem enviava de vez em quando também os meus escritos para corrigir, dada a minha deficiência em organização militar. Nesse mail convidava-o a escrevermos um livro, que era possível que tivesse de ser pago por nós, sobre a Batalha do Sabugal. Ele tinha precisamente um artigo na Wikipédia sobre a Batalha do Sabugal, e remodelando-o e aprofundando-o um pouco, poderia trazer ao livro a descrição da parte técnica da batalha. Respondeu-me logo a dizer que sim, mas que não queria gastar dinheiro. Já tinha o seu acordo, já não estava mal. Telefonei no dia seguinte ao Paulo Leitão Batista encorajando-o para a mesma tarefa, pois com aquilo que já tinha escrito sobre as invasões francesas no blogue Capeia Arraiana, poderia dar um bom contributo para o livro. Sobre os custos veríamos depois. Na posse das duas confirmações, convidei o editor Joaquim Pinto da Silva que se entusiasmou ainda mais do que eu com a ideia e devo dizê-lo sem rodeios que nos prestou, desde a primeira hora, todo o seu apoio, dedicação e saber, tendo custeado a edição que tem a chancela da Orfeu.
De fins de Janeiro a 3 de Abril o livro tinha de estar pronto. Os textos mais acabados eram os do Paulo Leitão Bastista, pois já os tinha publicado no blogue de que ele é director. Era necessário dar-lhe uma unidade e um título aglutinador e sugestivo. O Coronel Manuel Mourão tinha de trabalhar o seu texto do Wikipédia, consultar a bibliografia e refazer os croquis. E eu tinha de trabalhar os meus escritos que tinham sido redigidos numa outra óptica, a pensar num livro que se pretendia designar as batalhas de Ribacoa na 3ª. invasão francesa.
O tempo que restava do mês de Janeiro e de Fevereiro foi trabalhar de dia e de noite com os nossos textos, com o editor, com o grafista, com as correcções de cada um. Foi um mês de árduo labor. Mails, telefonemas todos os dias. Tudo devia ser visto ao pormenor. Foi uma autêntica epopeia.
Devo dizer que um livro de batalhas sem um militar, não poderia ser um livro sério. Foi precisamente através do contributo do nosso amigo coronel Manuel Mourão que este livro poderá ser considerado uma referência nesta importante batalha. Com ele adquirimos mais confiança. Ele confortou a nossa visão inicial. Proveniente das altas escolas militares de Portugal, continua ainda a dar o seu contributo no domínio histórico militar, escrevendo para a Wikipédia (e foi por aqui que eu o encontrei). É também no seu blogue (A Guerra Peninsular para além das Invasões Francesas) bem documentado e cheio de referências que nos continua a transmitir o seu saber sobre este tão importante tema.
Por fim, devo ainda referir o primeiro encontro com os autores, que ocorreu apenas no próprio dia das comemorações da Batalha do Sabugal, precisamente em frente da Casa do Castelo (Sabugal), no dia 2 de Abril. Nunca nos tínhamos visto. Foi deveras emocionante o nosso primeiro encontro real. O livro já estava feito, tinha acabado de chegar do Porto, que o tinha trazido o editor Joaquim Pinto da Silva. Ainda estava quentinho. O abraço que nos demos foi um abraço de amizade, depois de um intenso trabalho, na preocupação de fazer um livro dedicado a uma batalha que estava esquecida na rota das invasões francesas, mas que foi a última a ser travada em território português. Só depois da Batalha do Sabugal é que Portugal começou a ser um país livre, fora da alçada do jugo dos militares franceses que tanto dano causaram ao nosso país.»
Joaquim Tenreira Martins

A questão judaica no Sabugal é o exemplo acabado do que não se deve fazer.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Não conheço, e penso que poucos ou nenhuns conhecerão a importância que a comunidade judaica terá tido no nosso Concelho.
Entretanto o trabalho mais que meritório da Talinha e do Romeu, colocando em evidência o «altar» judaico da casa do Castelo, bem como o trabalho dedicado de um sabugalense de adopção, o Prof. Jorge Martins, levaram muita gente a começar a falar deste tema.
Em pequeno, costumava ouvir e dizer a frase «quem dá e tira vai prá quelha da Atafona», claramente um termo judaico, o que me leva a crer que a comunidade judaica do Sabugal tinha a importância suficiente para deixar marcas tantos séculos depois.
Por isso nunca percebi a resistência que o poder político vinha demonstrando face a esta questão, pois me custa a acreditar que tal só acontecesse por «birra» ou «ciúmes» de alguns…
Mas se ainda não sabemos de toda a dimensão da comunidade judaica no Concelho, sabemos, sem dúvida, da importância que a questão judaica tem, hoje em dia, e de que são exemplos flagrantes, Belmonte, Castelo de Vide e Trancoso.
A comunidade internacional judaica está ávida de conhecer a sua história o que, associado ao seu poder de compra, constitui um fenómeno turístico de grande valia.
Felizmente, parece que o bom senso voltou e a aceitação por parte do Executivo Municipal do convite para aderir à Rede de judiarias de Portugal é uma boa notícia.
Mas aderir não chega! Precisamos que nos deixemos de «judiarias» internas e entendamos que esta é mais uma oportunidade de afirmação da nossa terra, logo, de desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
Comecemos por fazer o levantamento do que a comunidade judaica representou para o Concelho; façamos o inventário do património material e imaterial judaico; e criemos as condições para a sua preservação e divulgação.
Integrar a Rede foi bom, mas não chega!

Ps: No sábado passado realizou-se mais um encontro dos antigos alunos do Colégio do Sabugal. Infelizmente com menos gente que nos anos anteriores.
Claro que cada um é livre de aderir a estes encontros ou não, mas não posso deixar de lamentar a ausência de muitos antigos colegas e, sobretudo, dos que ainda moram no Concelho, o que levou a que a próxima Comissão Organizadora não tenha um único elemento residente no Sabugal!
Talvez o facto de se estar a realizar todos os anos contribua para alguma desmobilização. Por isso aqui deixo a sugestão de tornar os encontros bienais…

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Os antigos alunos do Colégio do Sabugal reuniram-se para mais um convívio. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

Começaram na segunda-feira, dia 2 de Maio, as obras de conservação e restauro da Igreja de Badamalos. A empresa belmontense «Construções Pais dos Santos» começou a montar o estaleiro e os andaimes exteriores e interiores na manhã do feriado municipal do Sabugal.

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No sábado anterior, dia 30 de Abril, cerca de duas dezenas de paroquianos juntamente com o pároco, retiraram tudo da igreja paroquial, sacristia e arrumos, guardando o que material que não era necessário, e as imagens dos santos nas casas de diversos badamalenses e fez-se do amplo salão da Junta de Freguesia o novo espaço litúrgico da paróquia.
No Domingo, 1 de Maio, a Eucaristia Dominical foi celebrada pela primeira vez nas novas instalações, e todos verificaram que eram muito acolhedoras e amplas.
Neste momento, cerca de quatro semanas depois do início das obras, já se procederam aos seguintes trabalhos: destelhou-se a igreja, retirou-se toda a estrutura de suporte do telhado, descascaram-se as paredes exteriores, fizeram-se novas juntas nas colunas e cantaria, fez-se novo reboco, reforçaram-se as paredes na parte superior, fixaram-se as sancas de pedra com arame de aço, instalou-se toda a nova estrutura de aço de suporte do telhado e colocou-se já o painel «sandwich» que fará o isolamento termo/acústico de todo o telhado e começam a colocar-se as novas telhas. Também a empresa de restauro de arte sacra esteve uma semana em Badamalos onde procedeu à limpeza e tratamento da madeira do tardoz, isto é, a parte de cima dos painéis hagiográficos da capela-mor.
Já procedemos ao pagamento de cerca de 40,000.00 euros, e temos de pagar nos próximos dias mais 30 por cento do trabalho ao empreiteiro. Todos os que amam Badamalos têm sido bastante generosos, mas o dinheiro começa a escassear e o dinheiro do protocolo celebrado com o Estado Português tarda em chegar. Agradecemos a todos os que já contribuíram para esta causa e pedimos que mais pessoas partilhem connosco a sua oferta para as obras.

As três fotografias que ilustram esta informação mostram o avanço das obras da nossa Igreja.
Pe. Hélder Lopes

A Câmara Municipal do Sabugal decidiu lançar novo concurso público para a concessão da exploração comercial e turística do balneário termal do Cró, com vista a encontrar uma entidade que assuma o encargo que actualmente se encontra adstrito à empresa municipal Sabugal+.

Um primeiro concurso, aberto em 25 de Novembro de 2010, ficou deserto, por falta de interessados, tendo a Câmara Municipal assumido ela mesma, através da empresa municipal Sabugal+, a gestão do novo balneário termal, construído pela Somague.
Na reunião de Câmara de 29 de Abril, os vereadores da oposição (eleitos pelo PS e pelo MPT) manifestaram recusar a proposta do presidente de transferir a exploração das termas para a Sabugal+, atendendo aos elevados encargos financeiros que tal comporta para uma empresa que já está a enfrentar sérios problemas de gestão. Porém o facto do presidente, em Outubro de 2010, ter candidatado a exploração das termas a fundos comunitários, assumindo que a sua gestão seria delegada na Sabugal+, ditou a abstenção dos vereadores, assim a viabilizando a proposta.
O Partido Socialista apresentou na reunião, pela voz da vereadora Sandra Fortuna, uma proposta alternativa, que passava pela elaboração de uma plano integrado de desenvolvimento para as termas do Cró, mantendo por enquanto a tutela directa da Câmara, dando continuidade à parceria com o Centro Social da Rapoula e avançando ao mesmo tempo com um novo procedimento concursal para se encontrar um interessado no desenvolvimento da exploração.
Já o vereador do MPT, Joaquim Ricardo, alertou para o custo da exploração para a Sabugal+, que poderá atingir em sete meses os 58 mil euros, o que transformará a concessão num pesado encargo.
Contudo o facto de estar assumida, em sede de candidatura a fundos europeus, uma parceria estratégica com a Sabugal+, os vereadores da oposição decidiram viabilizar a proposta do presidente de passar desde logo a gestão para empresa municipal, abstendo-se na votação. A condição exigida para essa viabilização foi a de se proceder a uma abertura imediata de novo concurso, corrigindo algumas das cláusulas menos atractivas para os potenciais interessados, que constavam no aviso de abertura do primeiro concurso.
Na mesma reunião os vereadores aprovaram, por unanimidade, a nomeação como presidente do Júri do próprio presidente da Câmara, António Robalo, integrando ainda no dito júri os vereadores Joaquim Ricardo, Luís Sanches e Delfina Leal.
plb

O Monte de Santa Bárbara eleva-se ligeiramente a sul do Monte do Jarmelo, plenamente integrado na zona jarmelista. Ambos nascem da mesma base: O do Jarmelo mais alto, o de Santa Bárbara, mais baixo e mais a norte. Ambos se observam mútua e irmãmente.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Em tempos idos, por imperativos de defesa, ambos foram povoados. Na base estendem-se-lhe planuras pouco longas, é verdade, mas densamente ponteadas por pequenas povoações, dispersas, que, receberam, há muito, os habitantes das alturas. Presentemente, estas aldeias vêm-se, elas próprias, cada vez mais desertificadas. No sopé do Monte de Santa Bárbara situam-se, equidistantes do cimo, quatro pequenas localidades: Cheiras, Abadia, Trocheiros e Miragaia. Pínzio, sede da freguesia, afasta-se um pouco, a leste.
A capelinha de Santa Bárbara encima o Monte do mesmo nome e, ali, subsiste desde os primórdios da nacionalidade. É herdeira de um antigo castro lusitano que, em tempos imemoriais, defendeu monte e falda.
O pequeno templo tem constituído e constitui epicentro de devoções e romarias tendo sofrido várias alterações ao longo dos tempos. Aclarado de branco, lá no alto, detém forte carisma religioso influenciador das terras circunvizinhas.
Os cursos de água só na base se atrevem. A leste desliza, estreita e limosa, a Ribeira das Cheiras, cuja nascente se situa a escassas centenas de metros. É uma pequena Ribeira que, a pouco mais de três quilómetros, se abraça à Ribeira das Cabras. A poente a Ribeira da Pêga, mais pedregosa e corpulenta, corre uma dezena de quilómetros antes de contornar Pinhel, sede do concelho. Pouco depois da cidade, também a Pêga, já adulta, encontra a Ribeira das Cabras prosseguindo, ambas numa só, a caminho do Douro.
São terras antigas, estas. Antigas e históricas. Mas, tais características de pouco lhes têm valido, na prática. São parcas em recursos e, por vias disso, têm deixado fugir a maioria dos seus filhos. Cada vez mais vivem tempos de solidão. Esperam, hoje, que volte quem partiu e que se junte aos que ficaram. O mínimo que se pode desejar é que todos consigam ocasos de vidas felizes. Aliás, não apenas os residentes como também os que, ora, regressam marcarão a longevidade destes sítios que resistirão habitados, convenço-me, enquanto uns e outros subsistirem. Depois, Deus dirá…
Foi por aqui, mais concretamente nas Cheiras, que vim ao mundo. Por aqui, criei raízes de infância que nunca quebraram, antes endureceram com a idade. Pisei vezes sem conta este chão. Os meus pés de criança, receberam dele uma marca inevitável e impossível de apagar. Estes montes, estas aflorações graníticas, este permanente contraste entre terras altas e curtas terras chãs, moldaram-me a alma e a personalidade. Eis a razão porque, para onde parto, levo comigo estas terras e, lá, onde eu chegar sempre farei questão de as contar.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

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