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Lutero é um monge que se insurge, entre outras coisas, contra a riqueza da Igreja Católica. Ele predica um regresso à experiência espiritual e religiosa dos apóstolos de Cristo, que será procurada individualmente, como o faziam os anacoretas no Egipto, fugindo para o deserto, os monges anglo-saxónicos pensavam assim. Será que foi a partir deste pensamento, o regresso às fontes, que nasceu a Reforma? Muito provavelmente.

O leitor(a) já reparou que os países que mais influência tiveram e têm no Mundo, principalmente na Idade Moderna e Contemporânea, estão dominados pela ideologia protestante? Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. A eles, diga-se a verdade, a humanidade deve o desenvolvimento da técnica e da ciência, mas também o culto exacerbado do dinheiro, a lei da concorrência, a única forma, segundo eles da convivência entre países e seres humanos, um Darwinismo social, a lei do mais forte. Reduziram o homem somente à parte económica, fomentaram o egoísmo, o individualismo e a brutalidade nas relações humanas. Isto está na génese do protestantismo? Não! Muitos homens protestantes, tanto americanos como europeus estavam movidos pelo lucro nos seus negócios, mas este lucro não era um fim em si mesmo, era um meio para se chegar ao que eles chamavam «perfeição moral». Para eles, conseguir riqueza era inseparável de virtudes como a honradez, a sinceridade, a justiça e a humildade. Tinham como guias espirituais, o marginalizado social, Jesus Cristo, e Sócrates, que morreu pobre.
O que são neste momento os homens de negócios desses países protestantes? Uns predadores que só têm por fim o lucro exacerbado, uns usurários, que nos primórdios da Reforma a sua ideologia tanto criticou os cristãos e judeus por essa prática. Nós portugueses, estamos neste momento a saber o que é a usura brutal e desumana dessa gente.
Em todas as organizações onde estiverem os três países, ou dois, ou só um, ONU e UE, por exemplo, os restantes povos não têm direitos, porque eles possuem mais recursos em armamento, recursos técnicos e económicos. À cabeça estão os Estados Unidos, o árbitro das relações internacionais, pouco se importam da soberania dos outros povos, reprimem, invadem, agridem, torturam, humilham e matam a seu belo prazer. Mentem e desinformam através dos seus meios de comunicação social controlados, e ainda se deixam rir do que a opinião pública pensa e diz das suas filhas de putice.
Sem a nossa participação interior, qualquer credo religioso ou ideologia política, transforma-se em letra morta, ou numa simples rotina. Por isso eu faço muitas vezes esta pergunta:
O Corão apela ao Terrorismo?
Na Bíblia está a Inquisição?
Marx nos seus livros fala em Gulagues e Prisões?
À conclusão a que podemos chegar é esta, o homem é muito débil para construir paraísos terrenos. Neste momento histórico que nos está a tocar viver, só o move a ganância e o lucro.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
Na tarde do dia 7 de Maio, a GNR procedeu à detenção em Vilar Formoso de um cidadão espanhol suspeito de ter cometido o crime de homicídio no seu país, sendo conduzido ao tribunal da relação de Coimbra a fim de se iniciar o processo de extradição.
A detenção foi efectuada em cumprimento de um Mandado de Detenção Europeu, emitido por Espanha em nome do suspeito, que era um homem de 50 anos e residente em Espanha. O detido encontrava-se no mercado mensal daquela vila raiana, quando foi abordado pelos militares da GNR. O mesmo não possuía qualquer documento de identificação, pelo que foi conduzido ao Centro de Cooperação Policial e Aduaneira, onde lhe foram colhidas as impressões digitais, concluindo-se que se tratava do indivíduo procurado em Espanha e que fora alvo de mandado das autoridades daquele país.
Segundo comunicado do comando territorial da Guarda. na semana passada a GNR efectuou uma operação de fiscalização de trânsito, com particular incidência nos veículos de transporte de mercadorias, controlo da velocidade, condução sem habilitação legal e sob o efeito do álcool, bem como na abordagem de suspeitos da prática de crimes.
Na operação foram fiscalizados 184 veículos, tendo sido elaborados 40 autos de contra-ordenação. Foi ainda detido um condutor por falta de habilitação legal para o exercício da condução.
No âmbito da fiscalização de veículos de transporte de mercadorias, em circulação, sujeitas a cumprir com as formalidades de natureza fiscal e aduaneira, foram fiscalizados 78 veículos e condutores, sendo elaborados seis autos de contra-ordenação, apreendidos quatro veículos automóveis e mercadorias no valor de 1.337 euros. Foi ainda elaborado um auto por crime de contrafacção de mercadorias e apreendidas 263 peças de vestuário falsificado de marcas conceituadas, com um valor superior a oito mil euros.
entre os dias 5 e 8 de Maio, os destacamentos territoriais acompanharam e deram apoio a 700 peregrinos, que realizavam percursos com destino ao Santuário de Fátima. Não se registaram incidentes.
plb
A Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso foi oficialmente constituída em ambiente de festa e alegria que reuniu cerca de meia centena de confrades e confreiras no seu primeiro capítulo realizado no dia 7 de Maio de 2011 no Convento de São Francisco (Convento dos Frades) de Trancoso.
As principais ruas do Centro Histórico de Trancoso encheram-se de côr com o desfile das Confrarias durante o I Capítulo de Entronização da Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso que se encontraram na recepção e sessão de boas-vindas no Clube Trancosense numa prova de produtos regionais e sobretudo das Sardinhas Doces de Trancoso e outras doçarias tradicionais locais entre as quais a Bola de Folhas.
Foram entronizados no I Capítulo da Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso o Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco, o presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Júlio Sarmento, os Vereadores do Município de Trancoso, João Rodrigues, João Carvalho e José Veiga, o Secretário-Geral da AENEBEIRA- Associação Empresarial do Nordeste da Beira, Rogério Tenreiro, o coordenador da Raia Histórica/Castelos do Côa, Sales Gomes, o vogal do pólo de Turismo Serra da Estrela, Luís Pedro Cerveira, o escritor Santos Costa e, entre outros, empresários e fabricantes artesanais das Sardinhas de Trancoso.
O presidente do Município e agora Confrade, Júlio Sarmento, evidenciou na recepção realizada no Clube Trancosense, a importância que o Património tem no desenvolvimento desta cidade, salientando designadamente a Gastronomia como um dos vectores importantes neste domínio. O autarca e confrade aludiu à importância do comércio em Trancoso que possui uma das mais antigas e afamadas feiras/mercados e a maior Feira Franca do país que continuam a atrair gentes de várias regiões.
O governador civil da Guarda, Santinho Pacheco, destacou que «Trancoso foi sempre uma terra aberta! Tem um importante património em termos da antiga defesa militar. Agora acolhe muitas pessoas, umas desta cidade e outras de fora (numa alusão ao seu caso, oriundo do concelho de Gouveia) numa confraria das Sardinhas Doces, o único doce conventual que se encontra entre o Douro e a Serra da Estrela». E, sobre os ingredientes usados na receita tradicional das Sardinhas Doces de Trancoso, Santinho Pacheco justificou a utilização da amêndoa com a proximidade de terras como Longroiva, Meda ou Marialva onde essa cultura é abundante, o facto de Trancoso ter sido terra de cultivo de trigo e daí a sua farinha e a utilização dos avos na própria comunidade das religiosas de Santa Clara em cujo seio, como ainda agora acontece em conventos, são fabricadas as hóstias à base de claras e farinha e, como Trancoso possui um dos mais fortes mercados semanais e feiras que remontam à época dos Descobrimentos, naturalmente aqui afluiu o cacau que cobre as Sardinhas Doces.
Santinho Pacheco enalteceu a pretensão da Câmara Municipal de Trancoso em abrir na Plaza Mayor de Salamanca uma loja para a promoção dos produtos «sabendo-se que os espanhóis têm apetência na nossa gastronomia».
Madalena Carrito, presidente da Federação das Confrarias Gastronómicas de Portugal que envolve cerca de 70 Confrarias, associou-me a este primeiro evento da Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso. Na sessão de entronização no Convento dos Frades, justificou a sua presença dizendo que a Federação tem vindo a desenvolver um trabalho de apoio a todas as iniciativas que as novas Confrarias estão a levar a cabo e que «este é um momento marcante e extraordinariamente importante para aquilo que a Confraria vai seguir que é a divulgação e a preservação do movimento confrádico através de um produto de extrema importância para esta região e para este Município concretamente».
Entre as personalidades presentes destaque, também, para Jaime Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares (Coimbra) e confrade da Confraria da Chanfana.
Foram madrinhas a Confraria do Azeite (Cova da Beira-Fundão) e a Confraria da Castanha dos Soutos da Lapa (Sernancelhe).
Estiveram presentes: Confraria do Bucho Raiano (Sabugal), Confraria da Urtiga (Fornos de Algodres), Confraria da Chanfana (Vila Nova de Poiares), Confraria da Maçã Portuguesa (Moimenta da Beira), Confraria da Panela ao Lume (Guimarães) e Confraria do Queijo Serra da Estrela (Oliveira do Hospital).
jcl (com Gabinete de Comunicação e Imagem da C. M. Trancoso)
Não se tem falado noutra coisa nos últimos tempos. A Troika é motivo de assunto em todos os «mass media» e, até, nas conversas do dia-a-dia do cidadão comum. A Troika junta o FMI, o BCE e a UE no ataque aos mais elementares direitos dos portugueses. Direitos esses que tanto custaram a ser conquistados por sucessivas gerações de portugueses.
As receitas da Troika são as habituais: mais neoliberalismo, mais cortes nas prestações sociais, aumento dos impostos ou cortes nas deduções fiscais.
Em contrapartida a Banca portuguesa vai receber 13 mil milhões de euros da comparticipação decidida pela Troika.
Eu lembro-me bem de ouvir os banqueiros, ainda há um ano, dizerem que a Banca portuguesa era muito sólida, muito mais sólida do que a Banca de qualquer um dos países da zona euro. De repente, tudo mudou e são os banqueiros que insistem para que seja concedida ajuda externa a Portugal, para serem eles os beneficiários de uma parte dessa mesma ajuda
Já nem vale a pena falar de tudo o que aconteceu há uns anos atrás, quando rebentou a «bolha» imobiliária nos Estados Unidos. Parece que toda a gente foi acometida de uma verdadeira amnésia e já ninguém se lembra. Para os que apoiam a ajuda externa, que vai contra a soberania portuguesa, nada aconteceu antes.
Foi exactamente o rebentar do escândalo da «bolha» imobiliária que fez precipitar esta crise.
Na Irlanda, por exemplo (um dos países que também teve que recorrer à ajuda externa) o Estado teve que investir milhares de milhões de euros na Banca para esta ser capitalizada. Quando essa mesma Banca estava a ter lucros fabulosos com a especulação imobiliária, não quis saber de nada. Por isso, muitos irlandeses dizem, e com razão: »Porque é que eu tenho que ajudar a Banca?»
Por cá também se passou algo de semelhante com o BPN. Foi só um pequeno desvio de cinco mil milhões de euros que teve que ser assumido pela Caixa Geral de Depósitos, o Banco do Estado. E toda a gente sai impune desse verdadeiro escândalo, como se nada se tivesse passado.
As parcerias público/privadas, um verdadeiro negócio da China que estão a arruinar o país começaram no consulado de Cavaco Silva como primeiro-ministro. Não pode, por isso, o actual Presidente da República, andar a apelar aos portugueses para que façam sacrifícios, quando parte da culpa por aquilo que aconteceu deve ser-lhe imputado.
Aliás, como é natural e toda a gente tinha obrigação de saber, quem nos tem (des)governado nos últimos 35 anos é responsável por esta crise. Isto não aconteceu, de repente, por qualquer cataclismo com origem divina. Vem de trás.
Está mais que provado que as receitas que foram aplicadas ao longo destes últimos 35 anos conduziram a este resultado. E, tome-se em atenção que já houve duas anteriores intervenções do FMI no país (em 1977 e em 1983).
O que causa mais admiração é o facto de, apesar de tudo o que se sabe, os portugueses continuarem a apostar nas mesmas políticas que nos conduziram a este estado. Basta ver as sondagens, que colocam os apoiantes da ajuda externa (melhor dizendo da ingerência estrangeira num país soberano) com valores próximos dos 80% de votantes. Será que os portugueses são masoquistas?
Nunca houve tanta informação disponível e, mesmo assim, os portugueses continuam a achar que as receitas da Troika e dos apoiantes portugueses da ingerência estrangeira são as melhores para o nosso país. Passado pouco tempo está quase tudo arrependido das suas opções de voto nas eleições.
Não será tempo de os portugueses dizerem «Basta!» a estas políticas que só nos têm conduzido ao desastre?
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte
(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com
As águas termais do Cró, que se revelam sobretudo apropriadas para o tratamento de doenças reumáticas, musculo-esqueléticas e do aparelho respiratório, beneficiam de um novíssimo balneário termal, o qual está equipado para tratamento dos utentes com o recurso a variadas técnicas.
A área de excelência do balneário é aquela em que se prestarão aos utentes os tratamentos termais, tendo por base as prescrições médicas e recorrendo às técnicas mais apropriadas para cada situação. Outra área do complexo destina-se à prestação de serviços complementares, que são uma extensão dos tratamentos fundamentais para situações em que isso se revele necessário. Num espaço diferente serão ainda prestados os chamados serviços colaterais, onde se desenvolvem actividades de bem-estar, ministrados com ou sem recurso à água termal. Num espaço independente de todos os outros estarão os serviços clínicos, que é onde existem os consultórios médicos, preparados para receber os utentes para as necessárias consultas de hidrologia, a partir das quais se decidem os tratamentos a ministrar.
Os tratamentos fundamentais beneficiam dos bons e modernos equipamentos instalados na infra-estrutura. Para o tratamento de doenças reumáticas ou músculo-esqueléticas, tais como artroses (mãos e pés), espodilodiscartrose vertebral, gomartroses, coxartroses, nevralgias e sequelas de traumatismos e de cirurgias ortopédicas, poder-se-á recorrer ao tratamento em piscina, onde serão aplicadas técnicas de recuperação, dentre as quais a da hidromassagem. Também se poderá optar por imersão em banheira com bolha de ar ou com hidromassagem. Outra técnica possível é a do vapor para tratamento de braços, mãos, pernas, pés e coluna vertebral. Os duches podem ser subaquáticos, com jacto, cachão ou massagem. Também há um corredor de marcha e a possibilidade do recurso à hidropressorapia.
Já quanto às doenças do aparelho respiratório, tais como sinusites, rinites, laringites, traquítes, faringites, amigdalites recidivantes, asma brônquica, bronquite crónica, enfisema e bronquiectasias, as técnicas que o equipamento balnear permite são as do aerossol, pulverização, inalação e irrigação nasal.
Quem pretenda aceder aos tratamentos termais terá de se sujeitar a consulta médica hidrológica, a fim de se diagnosticarem os problemas de saúde, as contra-indicações e se prescreverem os tipos de terapias e o número de sessões a efectuar. As técnicas são aplicadas em função da patologia. Indicando-se o número de banhos, massagens, duches, e outros tratamentos, em função do estado de cada utente.
As termas fornecerão aos utentes roupão e chinelos, indumentária obrigatória para quem frequenta as áreas de tratamento.
As termas têm ainda uma piscina lúdica à qual os utentes poderão aceder, desde que cumpram com o devido rigor as normas afixadas. Essas normas especificam um conjunto de proibições, que vão desde a interdição da entrada de cães, a utilização de vestuário diferente daquele que as termas fornecem, fumar, comer ou utilizar câmaras de filmar e de fotografar.
O director clínico das termas do Cró é o médico hidrologista António Jorge dos Santos Silva, coadjuvado pelo médico António José santos Silva, ambos com larga experiência em tratamentos termais e docentes da Universidade da Beira Interior, na Covilhã.
plb
Muito se clama contra a morosidade da Justiça, que actualmente está pela hora da morte, sendo esse um dos grandes problemas de Portugal. Longe vão os tempos em que a Justiça funcionava, regulando a vida social e contribuindo activamente para o progresso nacional.
Um dos grandes problemas com a morosidade da Justiça é a delonga das diligências processuais, de que são exemplo as notificações para informação ou para chamamento a juízo. Tudo serve para dilatar o tempo e demorar a justiça, porque as manobras nesse sentido estão à mão de semear e são usadas continuamente por advogados e réus (eu não gosto de dizer arguidos) que querem fugir à aplicação das penas.
Para se citarem as pessoas deveria regressar-se às normas antigas, que eram claras e não davam azo a manobras evasivas. As notificações podiam ser feitas pessoalmente, por funcionários judiciais, pela polícia a pedido dos tribunais, podendo ainda ser remetidas por via postal. No âmbito do processo penal, se o destinatário da notificação não estivesse em casa e o distribuidor fosse informado pela vizinhança que voltava no próprio dia ou no imediato, entregava o aviso a qualquer pessoa idónea, cobrando recibo. A esse caberia entregar a notificação ao destinatário, sob pena de incorrer em sanção pecuniária, com igual sanção incorrendo o destinatário que recusasse receber o aviso. Verificando-se que as informações da vizinhança eram maliciosas e mentirosas, as pessoas que as dessem incorriam no crime de falsas declarações.
Por outro lado, o aviso produzia todos os efeitos legais, mesmo que o destinatário se recusasse a recebê-lo, sendo disso advertido.
Os processos também não paravam por tempo indeterminado, como hoje muitas vezes sucede. Havia prazos rigorosos a cumprir, a que se encontravam obrigados os magistrados e os oficiais de justiça. Qualquer mandado que fosse entregue a um oficial de diligências teria de ser cumprido em cinco dias, apenas prorrogados em casos devidamente justificados. O incumprimento do mandado no prazo legal implicava o pagamento de uma multa por parte do funcionário faltoso, salvas ainda as aplicáveis sanções disciplinares.
Para se evitarem demoras no curso do processo, o Estatuto Judiciário, impedia literalmente os advogados de promoverem diligências dilatórias ou reconhecidamente inúteis para o descobrimento da verdade.
Estes são alguns exemplos do que era a boa Justiça que tínhamos e que deitámos a perder com o excesso de garantismo em que a modernidade nos deixou cair.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis
Está disponível na Internet uma petição para a redução das tarifas da água no distrito da Guarda, cujo primeiro subscritor é Paulo Jorge de Oliveira Ribeiro de Campos, cabeça de lista do PS ás eleições legislativas de 5 de Junho.
Os peticionários insurgem-se contra o facto dos cidadãos do distrito pagarem mais pela água do que os habitantes dos grandes centros urbanos do litoral.
«Este é o tempo de mudar e concluir o trabalho de universalidade, de tratar os portugueses por igual no fornecimento de serviços essenciais, uniformizando o que falta: o preço da água», diz o texto da petição.
«Os abaixo assinados pretendem contribuir para que esta ambição se torne realidade, e desejam que assim o queiram também o Governo e as forças políticas representadas na Assembleia da República, de modo a que exista uma harmonização das tarifas aplicadas em termos nacionais, no que diz respeito à distribuição de água canalizada e ao tratamento de águas residuais.»
O objectivo da tomada de posição é requerer a adopção das medidas legislativas regulamentares necessárias à reorganização dos sistemas de cobrança da factura da água, de forma a eliminar os desfasamentos existentes entre as populações dos vários distritos e regiões de Portugal.
O acesso à petição Aqui.
plb
As Conferências do Estoril editaram um vídeo para levantar a moral dos portugueses e para explicar aos finlandeses as epopeias dos lusitanos.
Os finlandeses não perderam tempo a responder ao vídeo português. Entretanto uma fonte governamental finlandesa adiantou esta segunda-feira à AFP que «a Finlândia vai aprovar o plano de ajuda financeira a Portugal nas próximas 48 horas, apesar da oposição do partido nacionalista dos Verdadeiros Finlandeses.
jcl
Atravessámos o período de silêncio interior da Quaresma e a alegria da Ressurreição. Apreciámos tudo o que cada um oferece, no seu ponto de vista, na avaliação que vai fazendo dos sinais dos tempos que atravessamos. Foi um período de pensamento «interior». Aliás, todo o tempo deve ter esta característica, mas este, de um modo especial, em que cada um de nós deve ser confrontado com questões que nos responsabilizem e nos façam repensar comportamentos e relações com os outros, na sociedade hodierna.
Posto isto e porque me entreguei na defesa de valores de «pedra», considero importante retomar a «Ruta de los Castillos», agora com Vilar Maior, outro guardião do Côa e suas gentes, merecedor dos olhares interessados e atentos de quem descobre e sente o que as pedras falam.
Pilares erguidos ao Céu, em maior ou menor esplendor, em menor altivez ou maior simplicidade, os castelos são marca forte da vida e cultura de épocas remotas, dignos de registo, pelo quanto defendiam e cercavam num abraço – qual mãe extremosa – as regiões, seus habitantes e seus haveres. O respeito que eles inspiram, a grandeza que sugerem, torna-os merecedores de um carinho especial e de uma homenagem calorosa.
VILAR MAIOR
Se é no topo de um outeiro
Que ele nos surge erguido,
Como outro guardião fiel
Que por nós não foi esquecido,
Se nos lembra Fernando Magno
Ou Afonso IX de Leão,
E se já em 1280
Era importante na região,
Mais uma vez Alcanizes
E D. Dinis fazem história
Este rei lhe deu foral
Seu brasão nos faz memória.
(Também com construções sacras
Mostravam os reis, seu poder
Das conquistas ou domínios
Ou para a Deus agradecer).
Se em tempos de D. Manuel
Recebeu um Foral Novo
Sendo uma mais-valia
Que el-rei concedia ao povo,
E se para atrair moradores
Foi também reedificado
E no Livro das Fortalezas
Ali ficou registado,
Se domina a paisagem
Mas bastante arruinado
O queixoso será ele
Por ter sido maltratado.
E louvo quem se dedica*
Em descobrir, investigar
Os marcos de pedras, vivos
A sua região demarcar.
E para que as novas gerações
Conheçam seu passado
Valorizam esta fronteira
Deixando tudo registado.
Na defesa de valores,
O seu fim é «resgatar
Do grande esquecimento»
Quem tanto teve para dar.
(A Vila e o castelo
Incendiados pelas invasões)
É Móvel de Interesse Público
Apesar das provações.
E se seus vestígios, mais abaixo
Nessa «cerca defensiva»
São sinal que defendeu
Suas gentes, sua vida,
Em seus valores adormecidos
Podemos então reforçar
Que Vilar Maior tem também
Um Castelo a homenagear**.
A minha admiração e carinho para Vilar Maior.
* Referência ao projecto AECT-Observatório para a Promoção Cultural do Eixo Duero-Douro, do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Douro-Duero, onde Jose Luis Pascual, alcaide de Trabanca e presidente do agrupamento, explicou que se quer resgatar do esquecimento de uma parte muito rica do património, numa das fronteiras mais antigas da Europa.
** Para a minha homenagem – «Ruta de los Castillos» – sirvo-me das informações e registos da Wikipédia, folhetos das aldeias históricas e desdobráveis e livros gentilmente cedidos pelo Museu Municipal do Sabugal. Aliás, foi através desses documentos que me surgiu a ideia deste trabalho que penso, segundo a opinião de um amigo, levar mais por diante…
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Reinava D. José I, era Primeiro-Ministro o Marquês de Pombal: Secretário dos Negócios do Reino – era esse o cargo. Foi distribuído por todo o País um conjunto de perguntas para que os párocos respondessem. O Padre Manuel Pires Leal era o cura do Casteleiro e respondeu às perguntas vindas de Lisboa.
No fundo, trata-se de um levantamento da situação de cada terra, uma espécie de censos ao País todo e em grande pormenor – eram os «curas» quem tinha de responder.
As perguntas eram muito simples.
Exemplo:
- «Quantos vizinhos tem?» (Ou seja: moradores.)
Resposta do cura Pires Leal sobre o Castelleyro:
- «Tem cento e cinquenta e dois fogos, pessoas de confissão e comunhão trezentas e quarenta e oito; só de confissão setenta e quatro, crianças que ainda não se confessam cento e três, pessoas ao todo quinhentas e vinte cinco».
Chamo a atenção para a assinatura:
«Castelleyro, 25 de Abril de 1758 / Manuel Pires Leal / Cura deste dito lugar».
E agora alguns conteúdos.
1 – O Casteleiro tinha bastante actividade virada à indústria da época: 7 moinhos (sete, note: é muito); 3 lagares de azeite; uma tinturaria («tinte», à moda espanhola); dois pisões (espécie de fabriqueta em que os panos já tecidos eram bem calcados para ficarem mais compactos, mais tapados – digamos).
2 – No Casteleiro, uma parte da própria agricultura estava nessa altura virada para alimentar estas indústrias (a cultura do linho que o Padre Leal refere, por exemplo) – actividades que acredito fossem mais de sobrevivência, ou seja, para abastecer as pessoas da terra do que para fazer comércio para fora da terra com os produtos. Isso digo eu, mas não tenho nenhum fundamento – só o conhecimento da vida na minha terra há 60 anos e o que ouvia os meus avós contar – ou seja, o meu horizonte testemunhal já atinge os anos 20 (1920). E não acredito que as coisas fossem muito diferentes 100 anos antes.
3 – A importância central da Ribeira. E (que maravilha!) o facto de sobre ela já haver naquele tempo duas pontes que ainda há: uma ao pé do cemitério (o local das «relvas» que o Padre refere também: quando eu era miúdo era ali que lavavam e estendiam a roupa a corar e a secar ao sol…) e a outra ponte, na Estrada Nacional. As duas pontes de 1758 (sei lá se não vêm já do tempo dos romanos…) ainda se mantêm – apenas lhes foi acrescentada mais uma: exactamente aquela que dá para Gralhais – um destino que muito fascinava o Padre Leal que está sempre a repetir: «Gralhais».
4 – Finalmente, uma nota mais virada à organização territorial.
O pároco que responde aos serviços do Marquês parece estar mais preocupado com a organização religiosa do que com a organização do poder civil.
Mas lá refere a «Comarca de Castelo Branco», o que é importante. Diz ele:
«Está na província da Beira, Bispado da Guarda» – ou seja, do ponto de vista da organização religiosa pertence à Guarda. Mas a organização civil-judicial não é essa: o Casteleiro, nessa data (1758) pertence à «Comarca de Castelo Branco».
Mais adiante diz o Padre Leal: «Freguesia do Salvador, anexa de Santa Maria do Castelo da Vila de Sortelha e termo da mesma Vila». Coisa que o pároco de então repete na resposta seguinte: «É anexa da igreja de Santa Maria da dita vila de Sortelha».
Não se esqueça que o Casteleiro pertenceu ao Distrito de Castelo Branco e ao então Concelho de Sortelha até á reforma administrativa de 1855.
Uma frase importante do Relatório: «Pertençe a El Rei». Suponho que significa que aqui não havia nenhum senhor feudal a dominar e que o Casteleiro dependia directamente da Coroa – o que na época é bom em termos de autonomia dos 525 residentes que ele refere.
Faço notar que em boa hora o actual Presidente da Junta de Freguesia do Casteleiro, António Marques, publicou as perguntas e as respostas no blogue «Viver Casteleiro». Aqui.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes
A Direcção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) publicou recentemente a lista do Prazo Médio de Pagamento (PMP) a fornecedores registado em 303 dos 308 municípios portugueses a 31 de Dezembro de 2010. A Câmara Municipal do Sabugal posicionou-se em 33.º lugar com um prazo médio de 23 dias na resolução das facturas recebidas.
O relatório da Direcção-Geral das Autarquias Locais (DGAL) mostra que no último ano o prazo para pagamentos a fornecedores passou para os 112 dias. Em 2009, cada autarquia levava, em média, 86 dias a pagar.
A Câmara Municipal de Porto Santo lidera a lista das autarquias pior pagadoras a nível nacional com 1.228 dias, ou seja, cerca de três anos e quatro meses enquanto em 2009 levava apenas 151 dias a liquidar as suas dívidas aos fornecedores. Muito perto do município madeirense estão Borba (903 dias), Vila Franca do Campo (754 dias), Celorico da Beira (717) e Castanheira de Pêra (797).
No lado oposto do relatório, ou seja, entre os melhores exemplos, estão Alcoutim e Terras do Bouro, que demoram apenas três dias a efectuar pagamentos, Portel e Pampilhosa da Serra (quatro dias), Vila do Porto, Anadia e Arronches (cinco dias).
A Câmara Municipal do Sabugal aparece (bem) colocada em 33.º lugar com um prazo médio de 23 dias nos registo a 31 de Dezembro de 2010. No entanto, em 2009, precisou «apenas» de 16 dias para cumprir as suas obrigações. No distrito da Guarda apenas Aguiar da Beira e Fornos de Algodres ficaram melhor colocadas que a autarquia raiana.
A comparação entre as duas maiores cidades do país, sedes de áreas metropolitanas, indica que Lisboa demora 88 dias a pagar aos fornecedores, enquanto o Porto está entre os melhores, com apenas 31 dias de prazo de dívida.
O secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, alertou para o facto de grande parte dos municípios não estar a cumprir a lei das autarquias, que até 31 de Agosto de 2010 previa 90 dias para pagar a fornecedores, e a partir de 1 de Setembro passou a exigir, em contratos públicos, ao Estado – incluindo autarquias, regiões autónomas, institutos ou empresas públicas – que em 30 dias liquidassem a dívida ou o fizessem num prazo de 60 dias. A partir deste prazo, quem não cumprir é obrigado a pagar juros de mora, mesmo que isso não tenha sido estabelecido em contrato assinado.
Lista da DGAL com o Prazo Médio de Pagamento. Aqui.
Fonte: Dados reportados pelas autarquias locais através dos sistemas SIAL e SIPOCAL (até 2009) e SIIAL (2010), extraidos a 27-04-2011. Informação do DGAL é provisória porque aguarda os dados de encerramento de contas.
jcl (com agência Lusa)
A Junta e a Assembleia de Freguesia do Casteleiro reuniram e manifestaram firme e total oposição ao projecto de plantação de eucaliptos, acerca do qual a Câmara Municipal do Sabugal aceitou a realização de um «ensaio» tendo em vista a criação de um eucaliptal em 30 hectares na Quinta de Valverdinho. Transcrevemos, na íntegra, o texto da deliberação.
«No passado dia 30 de Março, a Câmara Municipal do Sabugal deliberou autorizar a realização de um ensaio de plantação de eucalipto na Quinta de Valverdinho, na sequência de um projecto apresentado pela empresa Sociedade Civil e Herdeiros de Manuel Macário Castro que contempla uma área de 30 hectares.
Face a esta decisão, a Assembleia e a Junta de Freguesia de Casteleiro,
- Considerando que o Plano Regional de Ordenamento Florestal da Beira Interior Norte refere que a área é excelente para castanheiro e carvalho-negral e que em relação ao eucalipto “esta região é francamente inapta”;
- Considerando que o referido PROFBIN aponta como meta a diminuição de espaços florestais arborizados com eucalipto em 4% até 2025;
- Considerando a informação do Gabinete Técnico Florestal da Câmara do Sabugal que salienta “o eucalipto é problemático para o ecossistema na medida em que contribui para a erosão dos solos” e que a área do projecto apresentado se caracteriza por ser um solo pobre o que “com uma plantação intensiva poderá contribuir para agravar a situação”;
- Considerando ainda a mesma informação ao referir que “uma plantação de eucaliptos afecta negativamente a paisagem e a biodiversidade, degradando os recursos hídricos subterrâneos” e que “a esta espécie está associado sobretudo interesses económicos”;
- Considerando que, por outro lado, o Gabinete Técnico Florestal da Câmara do Sabugal alerta para o facto de que “o eucalipto é produtor de óleos essenciais, produtos altamente inflamáveis, tornando-se os incêndios florestais não só frequentes, como também incontroláveis”;
- Considerando que, no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Concelho do Sabugal, se encontram definidas as Faixas de Gestão de Combustível correspondente à Rede Primária e que a área proposta para arborização é atravessada pela rede primária;
Nos termos da alínea r), do nº 1, do Artigo 17º da Lei nº 5-A/2002, delibera:
1- Manifestar a sua total oposição à aprovação de qualquer projecto de arborização, ou ensaio pontual, com eucalipto, na área da Freguesia de Casteleiro.
2- Não compreender que, muito embora toda a legislação que a informação do Gabinete Técnico Florestal da Câmara evidencia, aponte para a não aprovação do projecto, a Câmara opte pela aprovação de um “ensaio”, tendo ainda em conta que, em 19 de Janeiro, recusou projecto idêntico para a Freguesia de Santo Estevão.
3- Dar conhecimento do teor desta deliberação a todos os órgãos que, directa ou indirectamente, tutelem a área.
A Assembleia e Junta de Freguesia de Casteleiro»
O início da cobrança de portagens nas auto-estradas da Beira Interior (A23), Beira Litoral e Alta (A25) e Algarve (A22) ficou adiada, cabendo ao Governo que sair das eleições de 5 de Junho a aprovação do Decreto-Lei que define as normas para as SCUT e o respectivo regime de isenções e descontos a aplicar. Entretanto na A23 já estão definidos os 16 locais onde vão ser feitas «cobranças virtuais» aos utilizadores.
O Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) anunciou no passado dia 6 de Abril o adiamento da introdução de portagens na A23, A25 e A22, prevista para o dia 15 do mesmo mês, tendo em consideração um parecer do Centro de Estudos Jurídicos do Minho (CEJUR) que defendia que a aprovação de tal medida por um Governo de gestão seria «inconstitucional».
Segundo o comunicado do MOPTC, o CEJUR considerou que a aprovação pelo actual Governo de uma iniciativa legislativa para introduzir novas portagens seria «inconstitucional» já que um «Governo de gestão só pode praticar os actos estritamente necessário à gestão dos negócios públicos» e esse limite constitucional seria ultrapassado ao definir o regime de isenções e descontos e consequente alteração dos termos das concessões em vigor.
Apesar da suspensão temporária da introdução de portagens nestas SCUT a montagem dos pórticos de cobrança electrónica continua apesar dos protestos das comissão de utentes.
Localização dos 16 pórticos na A23
A A23 vai ter 16 «locais de pagamento automático» mas vão ficar isentos os troços em que a auto-estrada se sobrepõe ao Itinerário Principal 2 em Rodão e no túnel da Gardunha. A circulação sem pagamento vai ainda ser possível entre os concelhos de Mouriscas e Abrantes, Alcains e Castelo Branco e entre a Covilhã e Belmonte.
Assim a cobrança de portagens vai ser efectuada nos sublanços:
– Zibreira – Torres Novas;
– Entroncamento – Atalaia;
– Constância Centro – Montalvo – Abrantes;
– Abrantes Oeste – Abrantes Este;
– Mouriscas – Mação;
– Gavião – Envendos;
– Fratel – Perdigão;
– Alvaiade – Sarnadas – Retaxo;
– Sarnadas – Retaxo – Castelo Branco Sul;
– Hospital – Castelo Branco Norte;
– Alcains – Lardosa;
– Soalheira – Castelo Novo;
– Alcaria – Covilhã Sul;
– Belmonte Sul – Belmonte Norte;
– Belmonte Norte – Benespera;
– Benespera– Guarda.
jcl
No final dos anos 1920, antes da chegada do cinema sonoro, o período mudo deixou-nos grandes obras, com cenários grandiosos, sendo um dos mais conhecidos o fabuloso «Metropolis», de Fritz Lang. Mas apesar de ser mais conhecido, este não foi caso único na altura.
Um outro filme que se pode encaixar no mesmo estilo é «O Dinheiro», de Marcel L’Herbier. Apesar de não ser um filme de ficção científica, como o anterior, é um filme gigante (3 horas e 20 minutos, demasiado para um filme mudo) e utiliza muito bem os cenários e as centenas de figurantes. No caso dos cenários, o grande destaque são as cenas filmadas in loco na Bolsa de Paris, que dão uma sensação de confusão que são estes sítios.
«O Dinheiro», filme baseado numa obra de Emile Zola, é uma crítica ao capitalismo. E quão actual continua a ser nos dias que correm. No centro do argumento está o banqueiro Nicolas Saccard, dono do Banco Universal e um especulador nato, que só vive para fazer dinheiro, sem olhar a meios para atingir os seus fins. No início do filme vemos os seus planos cair por terra, quando um accionista maioritário vota contra um aumento de capital no banco. Mais tarde sabemos que este accionista anónimo era um testa de ferro para um rival de Saccard, Alphonse Gundermann, dono de uma petrolífera que pretende desmascarar Saccard.
O banqueiro resolve então voltar à carga e decide apoiar um projecto de Jacques Hamelin, para valorizar as acções do Banco Universal. Mas o plano de Saccard quer ir mais longe, pois outro dos objectivos é conquistar a esposa do piloto, Line Hamelin. Esta mais tarde apercebe-se do esquema do banqueiro e acaba por levá-lo a tribunal, acusando-o de fraude.
A história de «O Dinheiro» é um excelente conto moral sobre o poder e a influência do dinheiro. Mas vai muito para além de uma simples história. O filme de Marcel L’Herbier, um dos mais caros da altura, tem excelentes cenas e está muito bem filmado. Para a história ficam as sequências filmadas na própria Bolsa de Paris, como referido atrás. Uma das mais espantosas consiste numa montagem em paralelo onde a partida de Jacques Hamelin acontece ao mesmo tempo em que decorre uma sessão na Bolsa e à medida que o avião levanta voo, também a câmara faz a mesma trajectória, atravessando a sala da mesma forma, dando um efeito fantástico. Uma grande lição de cinema, até para muitos dos cineastas actuais.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
O Centro de Saúde do Sabugal, em parceria com a empresa municipal Sabugal +, promove no dia 21 de Maio, sábado, a actividade «Sabugal tem Saúde», com vista a promover a prevenção da saúde.

Seguindo este espírito «o mês de Maio é o mês do coração», o Centro de Saúde lançou-se numa iniciativa que visa sensibilizar toda a população do concelho para a importância da adopção de estilos de vida saudáveis e a promoção de informação sobre a doença cardiovascular e seus factores de risco.
O dia inicia-se com uma caminhada aberta à população, havendo ainda lugar à realização de diversos rastreios: medição de Glicemia, medição da Tensão Arterial, medição de Colesterol e avaliação de Índice de Massa Corporal e o incentivo à prática de actividade física.
As inscrições encontram-se abertas no Centro de Saúde do Sabugal, na Sabugal+ e na Associação de Pais e Encarregados de Educação do Sabugal.
Para esclarecimento de qualquer dúvida, os interessados devem contactar o Centro de Saúde do Sabugal.
plb
O presidente da Câmara Municipal de Trancoso e da Assembleia Distrital da Guarda, Júlio Sarmento, considera que as autarquias podem vir a ter uma vida mais difícil e ser prejudicadas pelas medidas restritivas determinadas no âmbito do acordo entre a Troika – Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão das Comunidades (CE) – e o Governo português para o apoio financeiro a Portugal.
«As medidas vão ser restritivas no respeitante ao aumento da despesa pública, o que quer dizer que há muitos projectos que no Estado e nas Autarquias Locais vão ter que ficar suspensos e não vão ter o financiamento assegurado e isto quer dizer que o Estado e as Autarquias têm que ser muito selectivas nos investimentos e, no caso concreto das Autarquias Locais, com medidas restritivas ou sem medidas restritivas, hoje praticamente tem que se ser muito selectivo , investir quando houver financiamento externo que ajude ao financiamento das obras e dos investimentos, mas sabe-se que as medidas restritivas vão sobretudo penalizar a despesa, quer reduzindo a capacidade de investimento, quer a capacidade de gerar despesa por parte das Câmaras, do Estado e dos Serviços Públicos, quer impondo tectos à contratação no que diz respeito às despesas correntes», afirma o presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Júlio Sarmento.
O autarca considera que «nesse contexto, evidentemente que a vida do País, do Estado e das Autarquias Locais vai, em termos proporcionais, ser mais difícil porque vai haver menos dinheiro para investir em despesa pública quer corrente, quer de capital e de investimento e, evidentemente que o País tem que compreender que não pode investir , investir, investir, sem saber se há dinheiro para pagar o investimento».
«Portanto, nós só podemos investir o dinheiro que tivermos para poder concretizar esses investimentos e aí vai haver também, em Portugal, uma nova mentalidade, porque isto de se pensar que o Estado nunca vai a falência ou que as Câmaras Municipais nunca vão a falência e toca a gastar, gastar, gastar, é uma politica que tem os seus dias contados e, portanto, há que poupar, há que travar o investimento e ser selectivo no investimento, mas isto é uma medida saudável. Não creio que seja um ataque, mas não coíbe as Autarquias de desempenhar o seu papel dinamizador do investimento”, sublinhou o presidente do Município de Trancoso.
O Presidente da Câmara Municipal de Trancoso (e também Presidente da Assembleia Distrital da Guarda que envolve os 14 Municípios do distrito) entende que «o Estado tem que reduzir muito o seu peso. Diz-se e os números apontam que o Estado tenha, no geral, que emagrecer cerca de 15 por cento. Ora tem que conseguir chegar-se a esse número, primeiro em termos de organismos intermédios que duplicam funções e que são muito absorventes o que representa um desperdício em termos de recursos públicos, o que quer dizer que nas centenas largas de organismos e empresas publicas tem que haver necessariamente fusões, reformulações, reestruturação, tem que haver uma poupança muito grande nesta economia intermédia e depois o próprio Estado e a própria economia».
Júlio Sarmento afirmou ainda que «vamos ter que ter leis que flexibilizem os investimentos para que haja possibilidade de as empresas serem mais competitivas e o próprio Estado e as Instituições porque, na verdade, as excessiva protecção e dificuldade dos despedimentos pode proteger quem lá está mas é inibidor de as empresas contratarem mais gente, porque sabem que, depois, em tempos de menor e de mais restrição do mercado, tem dificuldade em colocá-los fora. Portanto se as leis forem mais flexíveis do ponto de vista de contratação e de despedimento, é mais fácil a economia gerar emprego porque as empresas sabem que nalguma emergência e dificuldade também tem mecanismos mais fáceis e menos pesados para poder despedir».
Júlio Sarmento diz também que «é verdade que, se as empresas não tiverem um ambiente flexível nos impostos, nos acessos aos mercados bancários e flexíveis no ponto de vista de contratação, aí é que nunca saímos da cepa torta, o quer dizer que não há estímulo à economia nem a nossa economia é competitiva para atrair capitais estrangeiros, nem as nossas empresas aumentam grandemente a capacidade de contratação porque sabem, depois, que em tempos de maior restrição do mercado e menos encomendas, tem muito mais dificuldade em despedir. Acredito que estas leis que limitam e são demasiadamente proteccionistas do emprego acabam por serem inibidoras do aumento do mercado de trabalho», disse a concluir.
jcl (com Gabinete de Comunicação e Imagem da C. M. Trancoso)
O Centrro de Alcoólicos Recuperados da Guarda (CARG) apoia alguns residentes do concelho do Sabugal em situação de dependência do álcool, tendo em vista abandonarem o vício e refazerem as suas vidas.
Capeia Arraiana soube que nos últimos quatro anos o CARG ajudou 18 alcoólicos do Sabugal na luta contra a dependência. Nos primeiros três meses deste ano de 2011, foram sinalizados cinco novos casos de alcoolismo neste concelho raiano, que o Centro passou a acompanhar.
O Centro de Alcoólicos Recuperados da Guarda é uma associação, constituída como Instituição Particular de Solidariedades Social (IPSS), fundada em 1983, que promove e desenvolve a prevenção e o tratamento dos alcoólicos do distrito da Guarda, em colaboração com outras entidades, como sejam as autarquias, segurança social e associações. Do apoio que presta, salienta-se a realização de acções de acompanhamento em parceria com instituições e associações locais. O CARG tem atendimento ao público nas suas instalações na Guarda, analisa as situações de que tem conhecimento e intervém com a devida reserva e confidencialidade. Os casos onde a desintoxicação é a via adequada e escolhida para a intervenção, são encaminhados para a Unidade de Alcoologia de Coimbra, onde são sujeitos a tratamento de desintoxicação.
A crise económica e social reflecte-se no agravamento das situações de dependência de drogas e de álcool, estando a crescer o número destas situações em todo o país. A região da Guarda não é excepção, valendo, no caso do alcoolismo, a permanente atenção do CARG, que intervém tentando resolver, ou pelo menos controlar, o problema.
plb
Liderança política, eis o primeiro desafio com que se defronta hoje o Concelho do Sabugal.
Correndo o risco de repetir coisas que já disse e escrevi em outras alturas, inicio hoje um conjunto de crónicas em que recoloco, partilhando com todos os que me lêem as reflexões que venho fazendo sobre os grandes desafios que, no meu entender, se colocam ao Concelho do Sabugal e às suas gentes.
Terra de grandes tradições e uma história rica e milenar, o nosso Concelho tem no início do século XXI, um terço da população que possuía cem anos antes, pouco mais de 12.500 residentes.
Em busca de trabalho e de melhores condições de vida, uns partem para França e Alemanha (sobretudo a partir da década de 50 do século XX), outros para as grandes aglomerações urbanas do litoral.
Um pouco mais tarde, são os jovens que partem para estudar nas Universidades e que raramente voltam.
Uma comunidade de pequena dimensão e com uma elevada percentagem de população idosa, longe dos grandes centros de decisão e que assistiu a cinquenta anos de contínua hemorragia dos seus jovens e adultos em idade activa, defronta-se obrigatoriamente com uma escassez de mulheres e homens que se assumam como verdadeiros líderes a todos os níveis da vida local e, naturalmente, também de líderes políticos.
E, pior ainda, quando os que, em princípio, melhor preparados estariam, e falo das largas centenas de residentes no Concelho que possuem habilitações de nível superior – professores, médicos, advogados, engenheiros, etc. etc. – parecem muitas das vezes abdicar do, diria, dever de colocar as suas capacidades ao serviço da causa pública sabugalense.
E, pior ainda, quando posições provincianas e de pura má-língua, características habituais em pequenas comunidades, afastam ou inibem o aparecimento de verdadeiros líderes, a que se associam escolhas baseadas na fidelidade partidária ou na necessidade de «pagamento» de promessas e favores.
Participei de forma activa na última campanha eleitoral e honro-me de o ter feito ao lado de alguém que tinha todas as condições para se tornar num verdadeiro líder, o António Dionísio, que apresentou um programa de governo local verdadeiramente adequado à situação do Concelho.
Mas o desenrolar da campanha demonstrou-me que as armas com que se jogava aquela campanha pouco tinham a ver com a capacidade dos candidatos, nem com a valia dos seus programas. Os resultados já começam a estar à vista…
Defendo que a solução tem de ser encontrada no seio da comunidade sabugalense residente ou trabalhando no Concelho, pois, por muito bons que sejam os que partiram, os seus percursos de vida familiar e profissional não se compadecem com o que será exigido a uma liderança local.
Acredito que existem homens e mulheres na comunidade local e hoje parece-me claro que se torna urgente que entre esses sabugalenses sobressaia quem melhor garantias dê de conseguir construir um Sabugal melhor.
E, porque sou um defensor intransigente do regime democrático, penso que compete às estruturas locais dos partidos políticos terem a capacidade para, de entre os seus (filiados ou não), encontrar os verdadeiros líderes da mudança necessária.
Mas compete também às lideranças partidárias compreender que o que está em jogo não é mais uma Junta ou mais uma oportunidade de ter o poder.
Está em jogo o futuro do Concelho do Sabugal!
Ps: Admirado, ainda pensei que na noite de sexta para sábado, um tsunami tivesse trazido o mar até ao Sabugal… Pelo menos uma viatura identificada da Polícia Marítima já estava parada em frente ao Girassol…
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com
Uma ausência de vontade, uma incapacidade de ver as possibilidades, e mais, uma negação das próprias possibilidades, que explicam como Riba-Côa parou no tempo da sua própria alma e é incapaz de agir sobre o seu próprio futuro.
Por ocasião do aniversário, Jacinto – da «Cidade E As Serras» – tomado de um grande tédio, apeteceu-lhe ler.
Percorrendo a sua vasta e diversificada biblioteca, não encontrou um único livro que lhe satisfizesse o desejo de leitura, acabando por subir ao quarto, com o jornal debaixo do braço.
O tédio é, como vemos pelo exemplo, uma falta de vontade. E mais que uma falta de vontade, uma incapacidade de ver as possibilidades que satisfaçam a vontade.
Jacinto não tinha vontade de fazer nada. Apeteceu-lhe ler um livro, mas no vasto mundo de possibilidades que lhe oferecia a sua biblioteca, não conseguiu eleger uma única dessas possibilidades.
Segundo Kierkgaard em Ou/Ou, o homem tem a natural tendência para a realização do seu fim, que é a aproximação do Ser infinito, pela vida ética. Esta consciência gera uma angústia, um sentimento positivo provocado pela necessidade de suplantar o estado estético, a sua matéria, finitude, e alcançar o estado ético, mais próximo do seu fim espiritual e da infinitude, que o impele a procurar permanentemente as possibilidades de realização, numa acção sobre o seu destino e o tempo futuro.
O tédio é, como vimos pelo exemplo acima, um sentimento negativo, pelo qual o homem, perante as possibilidades envolventes que lhe permitem a realização do seu fim, nem se apercebe dessas possibilidades. È uma total ausência de vontade, uma incapacidade de ver as possibilidades que lhe permitem superar o estado estético. Uma estagnação no tempo do não ser, uma incapacidade de futuro.
O tédio, como sentimento negativo da alma, anda associado à melancolia, pois esta, mais não é que o sentimento que, perante as possibilidades, as vê, mas se recusa a aceita-las.
O tédio, melancolia e angústia, são, portanto sentimentos muito próximos da alma. Aqueles primeiros, negativos; este, positivo.
O silêncio dos sinos das nossas aldeias, que referi aqui há semanas, no texto sobre a Alma Ribacudana, como caracterizando hoje essa alma, é, para mim, o mesmo que este sentimento de melancolia e de tédio de que falava Kierkegaard.
Uma ausência de vontade, uma incapacidade de ver as possibilidades, e mais, uma negação das próprias possibilidades, que explicam como Riba-Côa parou no tempo da sua própria alma, e é incapaz de agir sobre o seu próprio futuro.
Neste sentido, não concordo com o meu bom amigo Tenreira, quando diz que a minha poesia é igual à de Leal Freire.
A poesia de Leal Freire ainda fala dos tempos em que os sinos tocavam em Riba-Côa; do tempo da angústia existencial, em que o homem ribacudano agia sobre o tempo futuro.
A minha, muito mais modesta, fala do tempo presente; do tempo melancólico, em que os sinos se calaram; do tempo sem futuro; da suspensão existencial do homem ribacudano.
Estamos pois, confessados e conversados!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
A Resiestrela inaugurou o sistema de produção de electricidade a partir do biogás obtido através do tratamento dos resíduos sólidos de vários concelhos da Beira Interior, entre os quais o do Sabugal.
Segundo informa a agência Lusa, a transformação do biogás em electricidade far-se-á com recurso a um sistema de produção que exigiu um investimento de 900 mil euros por parte da empresa que gere os resíduos sólidos em 14 municípios da Beira Interior.
O sistema permite captar, encaminhar e queimar o biogás criado pelas camadas de resíduos sólidos da região da Cova da Beira que até ao início da década de 1990 foram acumuladas na lixeira do Souto Alto, no Fundão.
A lixeira foi substituída em 2001 por novos aterros e pela Central de Compostagem da Quinta das Areias, também no concelho do Fundão.
O investimento permite gerar receitas «que contribuirão para a sustentabilidade económica e financeira do sistema intermunicipal», explica Carlos Pais, administrador-delegado da Resiestrela.
A queima do biogás vai colocar em funcionamento um gerador com 800 kilowatt para produção de energia eléctrica, a ser exportada integralmente para o sistema eléctrico de abastecimento público.
O investimento faz parte do plano de acção do sistema multimunicipal de gestão de resíduos sólidos para «cumprimento de exigências nacionais e comunitárias para o sector e para sustentabilidade do sistema e da concessão nas suas vertentes ambiental, social e económico-financeira», destaca a empresa.
A Resiestrela é responsável pela concessão do sistema multimunicipal de triagem, recolha selectiva, valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos dos municípios de Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, Covilhã, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Guarda, Manteigas, Penamacor, Pinhel, Sabugal e Trancoso.
A empresa serve actualmente uma população de 221.195 habitantes.
plb
Venho daqui… da base do meu Monte (do Jarmelo) e venho por impulso. Trago o meu Monte comigo e, com ele, trago-me e ao meu mundo.
Porque venho? Julgo que por cumplicidade.
Da base do meu Monte gosto de lançar olhares a terras de Espanha. E vejo. Vejo longínquas serranias a terminar longas distâncias cinzentas. Adivinho, então, outros montes. Lá longe, lá onde se esbatem as serras espanholas haverá, certamente, montes diferentes.
Mas sei. Sempre soube que a menos de meio caminho fica a Raia a tal Raia de enigmas, a raia dos Raianos, das heroicidades diárias, dos contrabandos e contrabandistas. A Raia dos dialectos e também das capeias.
Bem mais próximo esvai-se em águas o Rio Côa, o Rio enorme, o Rio imenso da minha meninice. Um Rio que foi minguando, minguando enquanto eu crescia até que chegou ao tamanho real.
Aqui e lá, a dureza da vida, a dureza das gentes, a dureza mais dura da profundeza beirã.
Aqui há mais monte do que rio. Lá há mais rio do que monte.
Daqui são as vacas mansas e os bois pacatos da procriação. O trabalho não os isenta de belezas concursantes. Sim porque aqui o ónus do amanho das terras pertencia-lhes, por inteiro, até há bem pouco tempo. Mas, todas as primaveras há um dia em que o trabalho cessa para que o cume do Monte do Jarmelo se engalane com o concurso do gado jarmelista.
Lá são os touros bravos, nobres e irreverentes mas não menos belos. Tão belos como é bela a agreste beleza selvagem. Lá, se não há concursos, há capeias.
Cá e lá o povo vive e goza estas festas até ao mais íntimo, até ao âmago.
A bravura de lá já se juntou à valentia de cá e o meu Monte já tem uma praça de touros sóbria e granítica (como forçosamente teria de ser) onde o forcão raiano já lida consolidando uma vez mais, em cada vez, a experiência nova de uma capeia arraiana.
Então, de lá e de cá a mesma paixão!
E claro, a fronteira. De lá muito próxima. De cá mais afastada. Lá e cá carismática e determinante.
Depois as amizades, as coincidências e as diferenças (que também unem). Também as vivências enraizadas, as convivências e outras coisas mais.
Quase tudo cumplicidades!
Talvez por isso aqui esteja eu (e sinto-me bem) vindo da base do meu Monte até ao blogue da Capeia Arraiana.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo
Capeia Arraiana saúda Fernando Capelo, natural das terras vizinhas ao Monte do Jarmelo e grande amigo das gentes da Raia, que aceitou o desafio de colaborar regularmente neste espaço de opinião livre e responsável, trazendo-nos novas perspectivas, que certamente contribuirão para o debate que regularmente aqui acontece.
plb e jcl
A Câmara Municipal do Sabugal elaborou e aprovou o Regulamento que estabelece a organização e o funcionamento das Termas do Cró, cuja gestão operacional caberá à empresa municipal Sabugal+.
As termas serão mais uma «unidade orgânica» da empresa municipal que já tem sob a sua gerência directa o essencial dos espaços de cultura e de lazer do município.
A gestão operacional e administrativa será da responsabilidade do director termal, designado pelo conselho de administração, a quem caberá executar as normas relativas ao funcionamento das termas, gerir o pessoal e supervisionar o funcionamento da estância termal.
Os tratamentos termais a ministrar serão por sua vez da responsabilidade do director clínico, que terá de ser um médico inscrito na respectiva ordem profissional.
A estrutura organizativa das termas prevê a existência de serviços administrativos, de recursos humanos, de compras e património e de contabilidade. A estância terá ainda serviços de gestão da qualidade e ambiente, de informática, de animação termal, marketing e comunicação, de apoio ao utente e relações públicas e de manutenção, limpeza e conservação. A estrutura definida tem em vista a boa gestão do complexo termal, garantindo a exploração das termas e de outras actividades ligadas ao termalismo que venham a ser definas pelo Município do Sabugal, no âmbito da concessão de que é titular.
O «Regulamento de Normas e Condutas» contém ainda os deveres dos trabalhadores das termas e os deveres das termas para com eles, o horário de trabalho, o regime disciplinar, a avaliação de desempenho e os abonos a que os trabalhadores têm direito.
A Câmara Municipal elaborou também o «Regulamento Interno do Estabelecimento Termal».
A entrega da gestão das Termas do Cró à empresa municipal Sabugal+ foi decidida na reunião de câmara de 29 de Abril, com os votos favoráveis dos vereadores do PSD, votando contra os vereadores do PS e abstendo-se o vereador eleito pelo MPT. Face ao empate valeu o voto de qualidade do presidente da Câmara para fazer aprovar a proposta.
plb
No dia 18 de Maio, pelas 15 horas, a Casa de Portugal em São Paulo, recebe os naturais de Vila do Touro, para o lançamento de um livro escrito por um conterrâneo radicado naquela cidade brasileira.
«Memórias de um Garoto de Vila do Touro em Terras Brasileiras», é o sugestivo título do livro de António Maria das Neves, um natural da antiga vila e sede de concelho, agora freguesia do concelho do Sabugal. O livro, editado há dois anos no Brasil, relata as vivências de uma criança no seio da aldeia onde nasceu, revelando a prodigiosa memória do autor, que foi para o Brasil com a família ainda muito novo.
António Maria das Neves tem 17 irmãos, todos eles radicados em São Paulo, assim como outros naturais da sua aldeia beiroa, que no dia 18 de Abril estarão na Casa de Portugal, para assistirem e participarem na apresentação do livro. Após a apresentação da obra terá lugar uma reflexão e um debate acerca da importância do livro para uma comunidade que emigrou para terras longínquas e teima em manter vivo o sentimento da saudade e da portugalidade, nunca deixando de ter as terras de origem na memória.
Para além do autor do livro, também usará da palavra o dr. Carlos Manuel Luís, ex-deputado à Assembleia da República e actual secretário-geral da Fundação INATEL, que aí se reunirá aos seus conterrâneos emigrantes no Brasil. Carlos Luís fará uma comunicação intitulada «O imaginário colectivo na identidade de um povo».
plb
Um fanático é um obcecado que adere cegamente a um partido político, a uma religião ou a uma pessoa. Não se expressa comedidamente, cai na provocação baixa e soez.
- O pensamento do fanático é um pensamento apodrecido.
- Um fanático é um intolerante.
- Um fanático é um carcereiro de homens, de ideias e de valores.
- Um fanático não tem sentimentos.
- Um fanático não debate ideias, ataca pessoas.
- Um fanático mata em nome da mentira.
- Um fanático é um ser cruel e violento.
- Por mais absurdo que pareça, podemos confiar num fanático! Porque nunca muda, mesmo que mude de partido ou religião, a intolerância mantém-se.
Os tempos que correm são propícios ao aparecimento de fanáticos e fanatismos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
A Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso nasce no dia 7 de Maio, em Trancoso, por iniciativa de um grupo de pessoas que pretende, desta forma, valorizar um produto secular que constitui parte integrante do Património da cidade. A «Sardinhas Doces de Trancoso» vai ter como madrinhas a Confraria dos Soutos da Lapa (Castanha) e a Confraria do Azeite (Cova da Beira).
As Sardinhas Doces de Trancoso terão tido origem no Convento de Freiras de Santa Clara (extinto em 1864), no Século XVII e são hoje um dos ex-ibris da gastronomia trancosense e elemento de identidade da cidade de Bandarra.
As Sardinhas Doces de Trancoso encerram em si os sabores de antanho, continuados através de gerações, por entre tradições e saberes que as tornaram num exemplo vivo de cultura e memória das religiosas que no recolhimento do seu convento as criaram e transmitiram as gentes de todas as classes como «tributo à sardinha muito rara na região naqueles tempos».
Em Trancoso nem todas as pessoas sabem confeccionar as «Sardinhas Doces» de acordo com a receita original porque o «segredo» está nos ingredientes com que esta é feita. A sua confecção baseia-se num recheio feito à base de gemas de ovo, açúcar e amêndoa, envolto numa espécie de massa tenra que depois é frita e coberta com chocolate. Têm a configuração de uma sardinha – o seu formato é rectangular com uma das extremidades pontiaguda e a outra em forma de rabo de peixe – com 10 a 15 cms de comprimento, 4 a 5 cms. de largura, uma altura de 2 a 3 cms. e entre 50 a 80 gramas de peso.
Para além de muito apreciadas localmente, as sardinhas doces de Trancoso já foram fonte de inspiração para o poeta Anselmo dos Santos Ferreira:
As sardinhas de Trancoso,
São melhores que as do mar,
Seu recheio é saboroso,
São doces ao paladar!
Cerimónia de Entronização da Confraria das Sardinhas Doces de Trancoso
7 de Maio de 2011
10.00 – Recepção dos convidados com Sardinha Doce de Honra no Clube Trancosense.
11.00 – Palavras de boas-vindas do Presidente da Câmara, Júlio Sarmento e presença do Governador Civil, Santinho Pacheco.
12.00 – Cerimónia de Entronização com aposição de Insígnia, entrega do Diploma e Juramento no Convento de São Francisco, Teatro Municipal.
13.30 – Almoço no Hotel de Turismo.
15.30 – Tarde cultural.
Confrarias Madrinhas: Confraria dos Soutos da Lapa (Castanha) e Confraria do Azeite (Cova da Beira).
O processo para certificação da «Sardinha Doce de Trancoso» é liderado pela AENEBEIRA – Associação Empresarial do Nordeste da Beira, com sede em Trancoso e deu entrada na Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior (DRABI), em Castelo Branco, no dia 21 de Julho de 2006. Actualmente o processo está no IDRHa – Instituto de Desenvolvimento Rural e Hidráulica, responsável pela decisão final de certificação.
jcl (com Gabinete de Comunicação e Imagem da C.M. Trancoso)
Comer Bucho Raiano fora do tempo, fora de Portugal, e com colegas e amigos fora da região onde o bucho nasceu, poderá ser uma ousadia gastronómica um tanto ou quanto aventureira.
Não é que eu tenha algum receio de servir bucho a qualquer altura do ano. Não. É mais por respeito pelo Senhor Bucho, pois nunca se sabe como é que este poderá reagir. Não pensem que não dá conta que, de um momento para o outro, não se encontra no seu meio natural. Ele é deveras inteligente! Mesmo que não se observem as suas reações, percebe bem as reações dos seus comensais. Observa mesmo quem o aprecia ou não. Claro que quem não o conhece, olha para aquela peça enorme, arredondada, fumegante e de cor acastanhada com muita curiosidade e apreensão. E quando o confrade o começa a esventrar, meu deus, que cheiro se espalha pelos ares! Os olhos dos convivas centram-se no Senhor Bucho. Mas, todo vaidoso, não lhe apetece dizer nada. Observa e regala-se todo, ao sentir que é o centro de todas as atenções. Ele é o Senhor Bucho! E, quando já esventrado, começa a pingar de untuosidade, então começa a olhar mais compenetradamente para os seus comensais. Constata que as narinas já estão repletas do delicioso cheiro bem característico que exala do seu corpo, e que os lábios não param de mexer de ansiedade, e que a saliva não tem mais paciência para se privar do famoso dito cujo, não cessando de engolir em seco.
Claro que o anfitrião e confrade, quando pega no bucho para o começar a cortar, não perde a oportunidade para dar algumas informações acerca do Senhor Bucho, sobretudo de o situar no contexto da tradição do calendário litúrgico e aldeão das nossas terras raianas beirãs; de dizer como era fabricado; em que altura se comia; o que normalmente contem, sem se privar de fazer uma pequena aula de anatomia porcina que acaba sempre, sem se dar por isso, por ferir as susceptibilidades das pessoas mais sensíveis
– Já chega de comentários, já chega de observações e de discursos sobre a especialidade raiana, meu caro anfitrião. Deixe-se de vaidosices. É o Senhor Bucho que nos vai convencer e não o senhor do bucho.
As minhas mãos caíram de pasmo. O garfo não entrou logo à primeira, e notei que a faca não encontrava o melhor sítio para começar a dividir o bucho, ou talvez este mesmo tenha hesitado, por um momento, em se dar a comer. Tive de me concentrar, não fosse o bucho apresentar um protesto por ter perdido a necessária atenção que lhe é devida. Olhei para ele mais uma vez. Não, não tinha vontade de protestar. Sentia um feliz ambiente, sereno, com vontade de se entregar, rendido à curiosidade de ser provado pela primeira vez.
O bucho deixou de se ouvir e ficou silencioso. Já estava nos pratos, ao lado das batatas belgas e dos grelos italianos, e olhava em contre-plongée para a cara de cada um dos comensais. Iam-no levando à boca, mastigavam-no e saboreavam-no com espanto e admiração, quase religiosamente. Mas, curioso, este mesmo bucho quis logo interromper o silencio e não resistiu à pergunta:
– E então? Que tal? Gostam, meus citadinos europeus?
E começaram logo todos a desembuchar.
– Que excelente iguaria! Que delicioso sabor!
E a curiosidade levou-os a escarafunchar com o garfo e a faca, à procura de descobertas anatomias do porco. Ouvem-se comentários: há focinho, há ossinhos, há pimentão e colorau, há poucos coiros e poucas gorduras.
E o bucho ouvia com satisfação, sobretudo o comentário daquelas senhoras que se preocupam em manter a linha.
– Afinal não é tão gordo como a gente pensava!
Também o bucho estava satisfeito. Depois de lhe terem extirpado a barriga já não podia colocar a mão em cima da mesma, para a acariciar e a rodear, em sinal de satisfação. Agora começava uma outra viagem na barriga dos outros. Sentia-os repletos e alegres com o delicioso manjar de bucho que pouco a pouco ia desaparecendo.
Todos estavam satisfeitos: o bucho, o anfitrião e os convivas.
Mas não sei se o Chanceler da Confraria teria ficaria satisfeito ao ver um confrade apenas com as insígnias e sem a farda apropriada numa cerimónia fora de muros e com um certo alcance mediático.
Promovido a confrade neste recente segundo capitulo, o autor destas linhas, ao organizar um jantar em sua casa, neste fim de mês de Abril, com os seus colegas da Embaixada, constatou que o Senhor Bucho, primeiro discreto e observador, depois satisfeito e efusivo, convenceu e não deixou de ouvir constantes elogios às suas qualidades: bom paladar, excelente cheiro, iguaria com sabor impar!
No dia seguinte, todos partilhavam de um momento inédito e ninguém se queixou de efeitos secundários. Apenas o anfitrião, se apresentou com as suas olheiras um pouco mais salientes que o habitual, mas desta vez com o motivo de ter passado a noite a lavar a louça, porque com o Senhor Bucho é sempre uma festa, antes, no próprio momento e depois de ser servido.
Joaquim Tenreira Martins
Na qualidade de membro da Assembleia Municipal do Sabugal integrei um grupo de pessoas que no dia 29, do passado mês de Abril, visitámos as Termas do Cró. Já havia realizado uma outra visita no ano de 2009 e já tinha ficado bastante impressionado com as obras que decorriam nessa altura. Talvez, por essa razão, estivesse agora ainda mais expectante.

Aguardavam os visitantes técnicos e personalidades que acompanharam os trabalhos desde o início. Confesso que nos fizeram uma visita guiada muito interessante. E confesso, igualmente, que todos os visitantes ficámos altamente surpreendidos com tão importante melhoramento. Prático, bonito e luxuoso.
Pena é que o projectado e necessário hotel ainda não esteja construído. Mas tenhamos fé e esperança. Há alguns anos atrás também poucos acreditariam na obra que hoje já está implantada.
Não me compete a mim definir ou apontar o melhor modelo de gestão para aquilo que já existe mas acredito que quem tiver que decidir o faça de forma acertada de modo a que todos possamos usufruir desses importantes equipamentos.
Nesse dia trouxe alguns panfletos de divulgação para os Foios e no dia seguinte fiz questão de os distribuir pelas duas dezenas de pessoas, ligadas à Cáritas da Guarda e de Salamanca que reuniram e trabalharam no Centro Cívico de Foios durante o dia de sábado.
Esse importante melhoramento tem que ser devidamente divulgado porque os equipamentos aí existentes, aliados às famosas e reconhecidas propriedades das águas, terão que ser absolutamente rentabilizados.
Saibamos ser dignos merecedores daquilo que temos.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
A Confraria da Urtiga, em parceria com a Câmara Municipal de Fornos de Algodres, organiza o Concurso «As melhores receitas à base de urtiga» inserido nas VI Jornadas de Etnobotânica de Fornos de Algodres que decorrem de 13 a 15 de Maio.
«Em homenagem à planta das mil virtudes» como o Grão Mestre da Confraria da Urtiga, Manuel Paraíso, classifica aquela espécie herbácea que nasce espontânea nos campos e que entrou de novo no vocabulário das gentes de Fornos de Algodres (e não só) que dela fazem já uma referência.
Conhecida por vezes como «erva menor» por criar comichões quando tocada, a Urtiga (cientificamente conhecida por Urtica Dióica) tem imensas aplicações e, tradicionalmente, aquela que era mais vulgar, a utilização na parte alimentar, sobretudo em épocas de maior fome, em que se recorria à Urtiga para suplantar eventuais carências alimentares e falhas da produção agrícola.
Mas tem também aplicações farmacêuticas, fitossanitárias, no ramo da tinturaria, do fabrico do têxtil, utilizada para fins medicinais, entre outras.
Regulamento do Concurso
1 – Organização – O Concurso gastronómico subordinado ao tema «As melhores receitas à base de Urtiga» é organizado pela Confraria da Urtiga e está integrado nas VI Jornadas de Etnobotânica de Fornos de Algodres que decorrem entre os dias 13, 14 e 15 de Maio de 2011.
2 – Objectivo – O concurso tem por objectivo incentivar a comercialização e consumo dos produtos endógenos, em particular, da Urtiga, através da criação de receitas originais que obrigatoriamente, incluam na sua constituição, este produto, honrando sabores e tradições remotas.
3 – Condições de Participação – a) O concurso é aberto a todos os interessados que queiram participar individualmente ou em grupo, apresentando uma ou mais iguarias gastronómicas; b) Os concorrentes deverão apresentar uma criação original, de uma receita de doces, salgados, bebidas ou outros, confeccionada com produtos endógenos, tendo por base a Urtiga; c) As iguarias gastronómicas apresentadas a concurso deverão ainda ter subjacente a eventual possibilidade de uma futura produção em série (ex: «Farinheira da Confraria da Urtiga»), razão pela qual os concorrentes terão de ceder à Confraria da Urtiga os direitos de autor sobre as mesmas; d) As iguarias gastronómicas a concurso deverão ser entregues no dia 16 de Abril de 2010, na sede da Confraria da Urtiga juntamente com a respectiva receita e a ficha de inscrição do concorrente; e) Todos os trabalhos serão expostos no Centro Cultural de Fornos de Algodres (atrás da Câmara) durante os dias 17 e 18 de Abril, integrando a «Mostra de Produtos Confeccionados à base de Urtiga»; f) A inscrição no concurso é inteiramente gratuita.
4 – Critérios de Avaliação – a) Na avaliação dos produtos confeccionados será dado particular ênfase aos seguintes critérios: Originalidade/Criatividade; Paladar; Tipo de ingredientes utilizados (os que mais respeitem a tradição); Apresentação; Possibilidade de produção em série; Outro que o Júri considere relevante.
5 – Júri – a) O júri será constituído por 3 elementos de reconhecida idoneidade; b) O júri reserva o direito de não atribuir prémios, caso as receitas a concurso não cumprirem os critérios definidos no presente regulamento; c) Os casos omissos no presente regulamento serão decididos pelo júri.
6 – Prémios – a) Serão atribuídos prémios aos três primeiros classificados e Diplomas de Participação a todos os concorrentes; b) Os prémios a atribuir serão os seguintes: 1.º – Troféu de cristal e cabaz de produtos endógenos; 2.º – Cabaz de produtos endógenos; 3.º – Publicações do Município de Fornos de Algodres. c) As decisões proferidas pelo Júri não serão susceptíveis de recurso.
A cerimónia de entrega de prémios realizar-se-á no dia 14 de Maio de 2011, na «Festa do Pão», no Jardim Municipal.
O III Capítulo da Confraria da Urtiga, sedeada em Fornos de Algodres, realiza-se no dia 15 de Maio.
jcl (com Gabinete de Imprensa da C.M. Fornos de Algodres)
Ajudar as terras raianas da diocese da Guarda a saírem do esquecimento e da desertificação é o objectivo da Caritas, que pretende implementar o projecto «100 muralhas», o qual envolverá dezenas de jovens, a que chama «embaixadores da Raia».
Mobilizar os jovens da Diocese que vivem na Raia para a luta contra a pobreza, o envelhecimento e a desertificação é o objectivo do projecto, que conta levar informação às pessoas e às instituições, como câmaras e juntas de freguesia, para que se desenvolvam acções que atraiam mais residentes à região.
Paulo Neves, da Caritas da Guarda, disse à Agência Ecclesia, que o título de «embaixador da Raia», dará o direito a um cartão oficial, a atribuir a cerca de 100 alunos do 12º ano dos agrupamentos de escolas de Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida, Sabugal e Penamacor, que ao longo deste ano lectivo têm participado no projecto «100 muralhas».
Trata-se de uma acção organizada pela Caritas da Guarda, em conjunto com professores e diversas entidades públicas e religiosas, que visa a defesa e valorização dos recursos humanos, naturais e artísticos. «Sabemos que estes alunos vão sair desta região, em busca de oportunidades ao nível do ensino superior que não existem aqui, e o que pretendemos é que continue a haver uma ligação ao território de onde eles são originários», explicou Paulo Neves.
Os alunos envolvidos têm dedicado três horas semanais, no âmbito da disciplina «Área de Projecto», à elaboração de propostas para as suas localidades. Costumes e tradições, tendências sociais emergentes, o futuro da vida humana, desenvolvimento sustentável de recursos, foram alguns dos trabalhos elaborados.
A investidura dos jovens «embaixadores da Raia» vai ter lugar no próximo dia 28 de Maio, numa cerimónia formal que acontecerá no pavilhão multiusos de Vilar Formoso, que contará com a presença do bispo da Guarda, D. Manuel Felício.
A presidente da Caritas, Emília Andrade, disse entretanto à Agência Lusa que são cerca de 170 as famílias da diocese da Guarda que recebem ajuda social e económica da instituição, o que significa um aumento de 35 por cento face a igual período do ano passado.
«São pessoas que pedem, fundamentalmente, coisas de subsistência imediata, como alimentos, medicamentos e roupa», disse Emília Andrade, que classifica a situação como «aflitiva».
plb
As cerca de 1300 vacas leiteiras do empresário do Soito, Manuel Joaquim Rito, têm estado em destaque nas rádios nacionais. O jornal «Correio da Manhã» publicou esta segunda-feira, 2 de Maio, uma reportagem na vacaria do empresário em Idanha-a-Nova dando conta dos luxos cinco estrelas com que são tratadas os animais. Alimentação personalizada, pedicure, massagens e chão almofadado são algumas das mordomias…
O «Correio da Manhã» (CM) publica na edição desta segunda-feira, 2 de Maio, uma curiosa reportagem na quinta de que é proprietário o empresário sabugalense Manuel Joaquim Rito em sociedade com o veterinário Álvaro Lopes. Em Ladoeiro, Idanha-a-Nova, «residem» 500 vacas de ordenha e 800 vitelas que são tratadas com todos os luxos próprios de uma vacaria cinco estrelas.
O projecto inovador maximiza a produção de leite com aplicações informáticas que, através de implantes de chips «personalizados», detectam qualquer problema de saúde e disponibilizam as doses de ração adequadas a cada animal.
Segundo o CM «os mimos vão desde a alimentação ao chão almofadado para que as vacas possam deitar-se confortavelmente, ventiladores com uma espécie de chuveiro para as refrescar nos meses de Verão e manjedouras de aço inoxidável para a comida manter melhor qualidade durante mais tempo». «Há ainda serviço de pedicure – em que as vacas passam as patas por uma solução destinada a desinfectar e endurecer os cascos – e de massagens feitas por escovas automáticas que rodam quando os animais se encostam», acrescenta ainda o jornal.
O empresário Manuel Joaquim Rito explicou ainda que o objectivo é «produzir leite da melhor qualidade porque antigamente apenas havia a preocupação de alimentar os animais mas hoje em dia exige-se mais deles e, por isso, temos de dar mais qualquer coisa em troca».
Para as estatísticas ficam os cerca de 31 litros que cada vaca produz, em média, por dia num total de cerca de 15 mil litros diários que são todos escoados para a fábrica da Danone.
Só falta mesmo dar-lhes música…
jcl
Aproximando-se as celebrações do 94.º aniversário das Aparições de Fátima, a Guarda Nacional Republicana realiza uma operação, entre 29 de Abril e 13 de Maio, com o objectivo de garantir a segurança na deslocação dos os peregrinos e nas celebrações religiosas.
Anualmente acorrem a este evento centenas de peregrinos pedestres que, muitas vezes, circulam em vias sem bermas ou com bermas deficientes e ainda com más condições de iluminação, aumentando assim os riscos de atropelamentos.
Neste sentido, o Comando Territorial da Guarda da GNR informou, em nota à comunicação social, que reforçará o dispositivo nas principais vias de circulação utilizadas pelos peregrinos, tendo especial atenção à EN 17, entre Celorico da Beira e São Romão (Seia).
A GNR deixa alguns conselhos aos peregrinos:
– Caminhar em fila indiana e não em grupo;
– Caminhar pelo lado esquerdo da via
– Sinalizar o inicio e fim dos grupos;
– Não caminhar na estrada, mas na berma;
– Não usar os IP nem nos IC na caminhada para Fátima
– Usar sempre coletes reflectores, mesmo durante o dia;
– Se for preciso reunir o grupo, fazê-lo sempre fora da estrada;
– Não usar auscultadores de rádio nem o telemóvel enquanto caminha na estrada;
– Não caminhar mais de 30 quilómetros por dia, e fazê-lo em passo moderado;
– Fazer pausas de uma hora na caminhada da manhã e duas horas no fim do almoço;
– Ter atenção permanente aos carros mesmo quando reza ou canta;
– Não andar sozinho de noite.
Em caso de necessidade os peregrinos não deverão hesitar em contactar Posto Territorial da GNR mais próximo.
plb
No passado dia 29 de Abril, a Câmara Municipal do Sabugal aprovou a transferência da tutela e a exploração do equipamento termal do Cró, da Câmara do Sabugal para a Empresa Sabugal+.
Considero que as Termas do Cró são um equipamento de excelência e, enquanto balneário público, deve ser potenciado como destino de saúde e bem-estar de referência na Beira Interior e na Península. Aceito que se deve proceder à sua abertura e que, devidamente enquadrado no desenvolvimento de um Plano integrado turístico do Concelho, poderá vir a representar um elemento decisivo na inclusão do Sabugal como destino termal.
O modelo proposto e que viria a ser aprovado, com o meu voto contra, é mais um acto de esvaziamento de competências da Câmara que irá contribuir para o agravamento da situação económica do Município. E este é, nos dias que correm, um factor decisivo a ter conta quando temos que tomar decisões. Mais uma vez, a Câmara não assumiu que a situação económica e financeira em que se encontra está muito perto do abismo, como é notório da análise das Contas de 2010, muito embora o esforço público de iludir tal facto.
A tentativa, correcta, de entregar a concessão das Termas por concurso público falhou. Porque não se está já a trabalhar na promoção de novo concurso? Assumir a gestão e entregá-la à Sabugal+ é um grave erro político e de gestão, com consequências imprevisíveis a nível financeiro. Importa referir que o modelo adoptado implica desde já recrutar um quadro de pessoal de 19 elementos e um previsível custo de funcionamento global de mais de 300 mil euros até final do ano.
Não seria mais correcto abrir as Termas, sob gestão da Câmara, mantendo o modelo até aqui adoptado, de exploração do termalismo clássico com o Centro Social da Rapoula ou outra IPSS, estudando o eventual recurso a concessões, nomeadamente na área da fisioterapia?
Não seria mais correcto elaborar um plano integrado de desenvolvimento centrado no equipamento do Cró, explorando novas valências a ele associadas?
A questão base e transversal entre estes dois modelos é, tão só, a decisão de sustentabilidade económica e financeira, entre vir a ter saldo positivo ou caminhar para um despesismo que pode ser fatal para as Contas da Câmara do Sabugal.
«As Rosas e os Espinhos», opinião de Sandra Fortuna
sandrafortuna1@gmail.com
Monopólio vem de «monos» (um só) e de «polein» (vender), e significa ter o privilégio, ou a exclusividade, de um certo negócio.
Os monopólios, podemos dizê-lo, são detestáveis, porque a sociedade fica tributária de certos indivíduos, que em benefício dos seus exclusivos interesses prejudicam as restantes pessoas, nomeadamente os consumidores, com a carestia do seu género. Com o monopólio toda a concorrência queda excluída, impondo-se então os preços que o monopolizador entende praticar.
As empresas monopolizadoras tornam-se verdadeiros potentados, atraindo a si o serviço de todos os influentes: políticos, jornalistas, sindicalistas, militares, polícias, etc. É a tirania pelo vexame, ao serviço de interesses particulares, em pleno arrepio dos interesses do povo.
Os monopólios, que medram e se tornam dominadores, fazem-no servindo a ganância dos ricos e sugando o sangue dos pobres. Atacam pela calada, às ocultas, tomando posição exclusiva em certas áreas de negócio, a que se agarram como lapas. Depois conduzem esse comércio a seu belo prazer, sem enfrentarem a concorrência.
Porém pode haver exclusividades que não constituam monopólio, desde que o Estado lhes preste o devido controlo. Falo dos tabacos, que sendo negócio nocivo, não deviam estar em concorrência. O mesmo digo dos serviços postais, das lotarias, da segurança pública ou dos bancos. Sim, leram bem esta última defesa do monopólio social: o negócio dos bancos. Só ao Estado deveria ser permitido ser banqueiro, com o dever de exercer o serviço a bem do país e da sua economia, tendo ainda uma afinada preocupação social.
Um banco privado é o mais nocivo dos negócios. Se a falência de um banco é algo incomportável para a economia, que obriga a uma imediata intervenção do erário público, injectando dinheiro para salvar esse negócio e evitar grandes males na economia, então como é possível permitir que esse banco seja propriedade de particulares?
Na luta contra os monopólios, que atrofiam e desvirtuam a economia, o Estado tem de agir, controlando algumas actividades económicas, estando a da banca na primeira linha.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis









Com o cunho dos prados verdes do Norte, dos lameiros e pastos naturais, marcada pelo milho e pelo azevém semeados pelos produtores, esta raça nobre produz uma carne de excelência. Esta carne conseguida quando os animais pastem ao ar livre, nos célebres lameiros de Boticas e mais genericamente na região do Barroso.
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