You are currently browsing the monthly archive for Abril 2011.
O grande Mestre da Filosofia Portuguesa, Pinharanda Gomes, natural de Quadrazais, publicou um ensaio notável acerca das linhas mestras do pensamento de Agostinho da Silva, um dos maiores pensadores lusófonos e profeta do mundo a haver.
«Agostinho da Silva – História e Profecia» é o título do ensaio sobre o filósofo nascido no Porto em 1906 e falecido em Lisboa em 1994, que passou parte da infância em Barca d’Alva, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.
O ensaio fala das ligações de Agostinho da Silva à Escola Portuense, fundada por Leonardo Coimbra. Homem sonante do movimento da «Renascença» em Portugal, Agostinho da Silva levou para o Brasil a «Renascença Portuguesa», cujos valores transmitiu e fixou, especialmente através da chamada Escola de S. Paulo. Foi com o filósofo Agostinho que se renovou a «filosofia luso-brasileira».
Pinharanda Gomes relembra no seu ensaio que o grande legado de Agostinho da Silva foi «uma Filosofia da História, que entrança a finitude humana com a infinitude divina», segundo o mesmo ponto de vista de filósofos da Renascença, como Leonardo Coimbra, Teixeira Rêgo, Álvaro Ribeiro ou José Marinho.
O livro fala-nos também da «projecção do mundo novo, ou mundo a haver, a missão portuguesa», que Agostinho da Silva defendia. Um mundo centrado no Atlântico Sul, a «Lusitânia», onde o filósofo antevia como «o mundo a vir, sem lhe fixar datas aritméticas, pois esse mundo é um clima de vida e não uma época», numa espécie de messianismo português.
George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto em 1906, tendo-se nesse mesmo ano mudado para Barca d’Alva, onde viveu até aos seus 6 anos, regressando depois ao Porto. Dono de um percurso académico notável, cursou Filologia Clássica, tendo concluído a licenciatura com 20 valores. Com apenas 23 anos, defendeu a sua dissertação de doutoramento a que dá o nome de «O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas», doutorando-se «com louvor».
Foi para Paris, onde estudou como bolseiro na Sorbonne e no Collège de France. Regressou a Portugal e passou a leccionar numa escola secundária de Aveiro, até que, em 1935, foi demitido do ensino oficial por se recusar a declarar por escrito que não participava em organizações secretas e subversivas. Foi para Espanha, mas regressou com a eclosão da guerra civil.
Em 1943 foi preso pela polícia política e, no ano seguinte, saiu de Portugal no seguimento da sua oposição a Salazar, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina. Acabou por se instalar no Brasil, onde viveu até 1969. Deu aulas em diversas universidades brasileiras, ajudando à fundação de algumas delas e foi assessor do presidente Jânio Quadros.
Regressou a Portugal após a queda de Salazar e começou a leccionar em diversas universidades portuguesas.
A fase mais popular de Agostinho da Silva foi quando, em 1990, apareceu na televisão, numa série de treze entrevistas, denominadas Conversas Vadias.
Agostinho da Silva é tido como um dos principais intelectuais portugueses do século XX. Da sua ampla bibliografia, destaca-se o livro «Sete cartas a um jovem filósofo», publicado em 1945.
plb
Um dos grandes vícios do Estado é a imensidade de diplomas legais debatidos, aprovados, promulgados e publicados no diário oficial da República.
A confusão dos cidadãos com tantas leis e a variedade das suas interpretações, beneficia os juristas encartados, que produzem a peso de ouro os pareceres com que governo, empresas, sindicatos, e tudo o mais, se munem face à balbúrdia em que a imensidade das leis nos lançou.
Sucede contudo, que a maior parte da produção legislativa assume a forma de decretos-lei, decretos regulamentares, portarias, resoluções e despachos, provindos portanto dos titulares do poder executivo e não daqueles que foram eleitos pelo povo para legislar. Os deputados da nação, que de facto detêm o chamado poder legislativo, delegam no governo o poder de legislar, e, então, dá-se um jorro constante de diplomas legais, que todos os dias são publicados e que lançam a maior confusão em todos os sectores da vida.
O empenho doentio dos nossos governantes, dos vários partidos políticos, na sistemática produção de leis, tem conduzido ao nosso maior problema que é serem certas leis contraditórias com outras. Além disso sucede por vezes estarem cheias de erros e de lacunas e até carregadas de normas absurdas e atentatórias aos mais elementares princípios jurídicos. É isto que tenho ouvido a muitos professores de Direito que analisam com rigor as coisas e que, ao contrário de outros, não estão a beneficiar do regabofe.
Que bom era que houvesse ordem e responsabilidade por parte dos que têm o poder de regular a vida em sociedade. Mas, infelizmente, tenho concluído que a orgia das leis em barda é uma das maiores razões daquilo a que se chama irresponsabilidade do Estado, que às vezes caminha de braço dado com a corrupção e a putrefacção social.
O maior exemplo de desorientação é o das leis penais portuguesas. Noutra época, quando havia responsabilidade, o Código Penal reunia todas as normas punitivas que os tribunais podiam aplicar aos prevaricadores. Reformas das leis penais também as havia quando justificadas, agravando ou aliviando as penas, criando novos crimes, melhorando as suas definições. Mas o Código era uno, em nome dos bons princípios legislativos, do claro conhecimento da lei e da sua boa e coerente aplicação pelos tribunais. Porém, de há uns anos para cá, uma imensa panóplia de leis e decretos-lei avulsos contêm normas penais, que acrescentam às do próprio Código Penal, o que consiste numa imensa balbúrdia. Esse é um dos maiores problemas da nossa Justiça.
Há que dar um fim a esse prurido de vaidades que consiste na permanente disponibilidade para mais uma reformazinha. Sejam os nossos governantes gente capaz, empenhada em bem servir, fazendo com que as leis que existem se cumpram e que o país encarreire pelo caminho certo.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis
HISTÓRIA DA GASTRONOMIA – Como preâmbulo muito breve, quase a modo de intróito, podemos afirmar que o porco existe desde a Era Terciária, na África Central e na Era Quartenária em África e Europa divididos em duas famílias: a «sus scrofa» que dá origem ao javali e ao facoquero. (Continuação.)
O dia seguinte
No dia seguinte, manhã menina, o matador volta para desmanchar o porco. «Baixa» o animal, desprende-o dos ganchos, e coloca-o numa forte e comprida mesa, recorberta de linho da arca do bragal, e muito, mas muito loureiro, onde vai proceder ao «desmancho».
Outra mesa, também coberta por linhos, vai servir para colocar as peças do animal que cirurgicamente vão ser cortadas e desde logo separadas. A primeira grande peça a separar é a cabeça, que curiosamente será a última a ser preparada, os presuntos e as pás, as febras para comer nos próximos dias, a carne para os chouriços, as costelas, e as outras partes de carnes que são aproveitadas para os diferentes tipos de enchidos. E toca a encher a tripa, que é como quem diz, a fazer os chouriços, as morcelas, as farinheiras, etc., que no fim, estendidas no fumeiro, constituem como que um quadro perfeito, a musa inspiradora para um pintor ou para qualquer bom garfo português que, como se sabe, é também um artista, sobretudo na arte da gastronomia.
A cabeça no final é preparada para ser guardada. Corta-se o focinho, as orelheiras, abre-se a cabeça longitudinalmente limpa-se e arrecada-se.
Antes e para receber todas as peças do animal estão já preparadas as salgadeiras, anteriormente muito bem lavadas e bem lastradas de sal.
No fundo assentam-se os presuntos e as pás, tendo-se o cuidado de elas ficarem afastadas, pelo menos um ou dois dedos entre si e das paredes da salgadeira, nos intervalos e nas camadas superiores os ossos da cabeça, do rabo e da espinha. Depois as costelas e os untos. Em seguida, as barrigas e o toucinho e promete-se a Santo António se as carnes curarem bem, uma queixada, uma orelheira ou uma barriga, que depois será vendida em leilão, no final da missa, sendo o dinheiro entregue ao Santo.
Aí ficam quatro a cinco semanas tanto quanto é necessário para as carnes se tomarem bem de sal.
Levanta-se, então a salgadeira toda, e procede-se à preparação dos presuntos para irem para o fumeiro, também durante uma mês ou mês e pico.
Um mês de sal. Um mês de fumo. Após estes dois meses, aproximadamente as peças são barradas com colorau, muito bem esfregado e espalhado, com especial cuidado nas reentrâncias para precaver a criação de pequenos bichos característicos.
O resto das carnes voltam para a salgadeira, tendo em atenção os cuidados tidos anteriormente.
Estórias da minha «República» em Coimbra
Como remate, nada melhor do que contar uma história verdadeira passada com um grupo de estudantes, que numa noite, resolveram fazer uma «caçada ao porco» na eterna Coimbra, onde tudo podia e devia acontecer.
Desse grupo de cinco, um infelizmente já desapareceu, mas todos os outros estão vivos e prontos a confirmar esta história que ficará com uma das mais bizarras que aconteceram nos cinco anos que tive o privilégio de viver na cidade do Mondego.
A «caça» passa-se em 1966. O dinheiro na «República» (1) tinha terminado. Era necessário procurar alimentos. O alvo costumeiro eram as galinhas. Os assaltos eram feitos por dois ou três estudantes que recolhiam três ou quatro galinhas nos galinheiros mais aprovisionados. Mas desta vez recaiu a escolha num porco, habitante de um lar feminino de estudantes universitárias.
Como um dos «repúblicos» (2) tinha conhecimento com a Madre Superiora do Lar, sabia que existia um porco relativamente grande, óptimo para ser comido numa grande festa.
A operação foi montada e, por sugestão de um aluno de Medicina, havia que anestesiar o animal para não fazer barulho no momento do roubo. Assim foi preparada uma mistura de álcool e éter, e colocada junto do focinho do porco. Passados alguns breves minutos o porco já não dava acordo de si.
O rapto foi feito rapidamente. Chegados à «República» o facalhão foi espetado no «bicho». Nem ponta de sangue, nem sinal de vida. Várias facadas, várias tentativas, mas nada.
Como o bicho não dava acordo foi levado para um restaurante do centro da Cidade para ser «morto definitivamente». O dono do restaurante recebeu-nos com espanto, mas logo começou a rir apercebendo-se do acto que tínhamos praticado.
– Não sabem que qualquer animal anestesiado não deita sangue?
O riso foi total e depois de «negociações» para que nos desmanchasse o animal e mantivesse o segredo do roubo, lá viemos a comer no restaurante receptor, uns três a quatro dias um saboroso porco que tinha sido roubado.
Que fique para a história!
:: Bom apetite! ::
:: ::
(1) «República» – residência de estudantes universitários, auto-gerida, com normas muito específicas e onde a camaradagem e irmandade são pontos fundamentais.
(2) «Republico» – estudante universitário que habita numa República.
:: ::
Bibliografia
– Ortiz, António Gazquez – «Porcus, puerco, cerdo. El cerdo en la gastronomía española», Alianza Editorial, Madrid, 2000.
– Sampaio, Francisco – «A matança e o sarrabulho na freguesia de Perre», Viana do Castelo, Actas do II Congresso Nacional de Gastronomia, Santarém, 1996.
– Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura.
:: ::
«Emoções Gastronómicas», crónica de Paulo Sá Machado
(Ensaísta, Historiador)
paulosamachado@netcabo.pt
O Sabugal é terceiro concelho do distrito da Guarda onde a GNR encontrou mais idosos a viver sozinhos ou isolados, no âmbito da operação «Censos Sénior», realizada por essa força de segurança.
Em todo o distrito da Guarda são 389 os idosos (pessoas com mais de 65 anos) que vivem em situação de isolamento, segundo os dados recolhidos pela GNR no âmbito de uma recolha de informação que teve como objectivo a identificação dos habitantes mais velhos que vivem sós ou isolados nos diferentes concelhos do País.
No que se refere aos números apurados no distrito da Guarda, Seia é o concelho onde a GNR encontrou mais idosos a viverem afastados dos aglomerados populacionais, num total de 100. Em segundo surge a Guarda com 72 idosos, seguindo-se o Sabugal com 69. Os restantes concelhos estão longe destes números: Celorico da Beira (34), Almeida (33), Pinhel (24), Trancoso (21), Figueira de Castelo Rodrigo (17), Fornos de Algodres (7), Meda (7), Gouveia (4), Aguiar da Beira (1). Em Manteigas e Vila Nova de Foz Côa não foi verificado qualquer caso.
Capeia Arraiana falou com o tenente-coronel Cunha Rasteiro, do comando territorial da GNR da Guarda, que esclareceu o principal objectivo desta recolha de dados: «A ideia principal é a de ajudar esses idosos que vivem fora das povoações, em locais isolados, prestando-lhes um melhor apoio em termos de segurança. Para além da recolha dos números e da sinalização dos locais onde esses idosos estão, pretendemos também saber como vive cada idoso isolado, quais as suas fragilidades e garantir uma confiança mútua para que saibam que a GNR está sempre disponível para os ajudar em caso de necessidade».
A GNR pretende aprofundar este trabalho, procurando saber, com o maior detalhe, as condições em que cada idoso isolado vive, nomeadamente a sua situação económica, as condições de salubridade e a situação familiar.
Cunha Rasteiro informou que não se verifica um aumento da criminalidade praticada sobre idosos isolados no distrito, porém a sua fragilidade é uma preocupação constante para a GNR, que pretende direccionar os patrulhamentos e as acções de apoio para esta população esquecida, que vive em condições de grande debilidade.
Os dados recolhidos pela GNR nesta primeira fase, vão agora ser trabalhados tendo em vista perceber melhor o fenómeno e tomar medidas adequadas à prestação de um maior apoio à população idosa do distrito.
plb
Sabugal. Agora conheço-o melhor mas sempre o admirei pela imponente singeleza do seu castelo que, sendo duro mas simples, altivo mas singelo, continua a ser um forte marco de vidas heróicas, retalhos da história e da lenda, símbolo da emigração e luta das gentes do interior em que a alegria do convívio recorda (mas pretendo que reforce e eternize) as noites frias à lareira ou o cheiro fresco a terra regada, dos fins de tarde Estivais.
SABUGAL
Do Sabugal, escrevi um dia…
Ali perto, o castelo
Viveram encanto belo
(Já para lá vão os tempos)
D. Dinis ou outros reis
Se não lerdes, não sabereis
Como tudo se passou.
E agora continuo…
Terás começado em castro
Que aí deixou seu lastro
A pré-história recordar
Os Romanos militares
Daí lançavam olhares
Para o Côa vigiar.
És um famoso castelo
Desde imponente e belo
Tudo tens a teu favor
E segundo reza a história
Um nome escrito na memória
D. Dinis foi teu Senhor
Deste nos conta a lenda
Isabel leva merenda
Mata fome a qualquer pobre
Apanhada de surpresa
Mostra a sua realeza
Com rosas, seu gesto nobre.
O foral de (12) 96
A esse rei o deveis
E Castelos a marcar fileiras
Mas para serdes mais felizes
Precisaste de Alcanizes
P´ra marcar tuas fronteiras.
Pois foi então o dito rei
(Como sempre li e sei)
Que fez construção tão altiva
D. Manuel renovou foral
Deixando no Sabugal
Esta marca sempre viva.
É sobre a porta da entrada
A obra de D. Manuel lembrada
Pelo seu digno brasão
Registadas suas proezas
No Livro das Fortalezas
Segundo regista o guião.
Soberano, marcaste o tempo
Que em (18) 11 foi momento
De duras, vivas emoções
Páginas de escrita dourada
Ali, no Gravato, marcada
Dando fim às Invasões.
Em cemitério albergaste
Homens da vila honraste
Até (19) e vinte e sete
Ergues-te com novo vigor
Sempre bem dominador
Como se disse e repete.
Castelo das Cinco Quinas
Nossa caminhada animas
Mas descobrimos ainda mais
Tu com Torre de Menagem
Mereceste digna homenagem
Pela DGM Nacionais.
O meu abraço ao Sabugal.
A minha pena por não ter podido assistir, como desejava, às dignas comemorações dos 200 anos da batalha do Gravato.
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
A «idade dos porquês» não deve ter idade. Apesar de ter crescido a achar que se os adultos estão a dizer que é assim é porque é assim que deve de ser, isso nunca me castrou o pensamento critico, a vontade de questionar e de ter respostas. Se possível, lógicas.
Assim, a «idade dos porquês» é uma eterna forma de estar na vida, se não questionarmos, se não quisermos procurar respostas, limitamo-nos a permanecer adormecidos numa ignorância alegremente insatisfatória. Um dia uma criança, com pouco menos de cinco anos, perguntou-me porque é que as árvores não andavam – pois se eram seres vivos deveriam andar, tal como ele andava! Que resposta lhe daria senão a mais «lógica»? Claro que não andam porque não têm pernas, nem pés que as levem, têm raízes que as prendem à terra, mas crescem para cima, para os lados também. Do mesmo modo porque nós humanos não voamos, porque não temos asas. Anos mais tarde, percebi o quanto estava errada. Sim. Mas essa foi a única resposta lógica que me ocorreu, na época. Se hoje fosse confrontada com a mesma pergunta, lhe diria que sim, que as árvores andam e que os Homens voam. Porque no «nosso» mundo tudo é possível. Existem «n» de probabilidades para um facto, existem «n» caminhos para seguir. Vivemos, quer queiramos quer não queiramos, num mundo de ilusão. Nesse mundo de ilusão construímos, com «n» ferramentas, a nossa realidade e que de facto é só nossa e vimos as coisas com as lentes que escolhemos. Assim, as árvores podem andar, os homens podem voar… as asas, as pernas são as respostas mais lógicas que a nossa realidade ilusória nos tem para dar. Mas, para isso é preciso questionar. Não há «idade para os porquês».
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo
carlanovo4@hotmail.com
O Interior do país «nunca esteve tão bem em termos de atenção e de investimentos concretos, como está agora», disse ontem no Sabugal, o Secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, no decurso de uma visita a este concelho do Interior de Portugal.
O secretário de estado visitou no dia 6 de Abril as instalações da Câmara Municipal do Sabugal, onde cumprimentou jovens que ali estagiam ao abrigo do programa de estágios de jovens licenciados na administração local.
José Junqueiro reconheceu que a autarquia sabugalense é um bom exemplo para o país, por ter aderido a este programa. São cinco os jovens estagiários, sendo apenas um do Sabugal, sendo os outros quatro de Trancoso, Aveiro, Covilhã e São João da Madeira.
«É este o espírito do programa», salientou o governante à agência Lusa, referindo que a intenção é justamente permitir que «todos os jovens de Portugal pudessem concorrer para todo o lado», com a colaboração das autarquias locais. Referiu ainda que muitos jovens «já estão colocados mas encontramos algumas resistências em alguns Municípios, exactamente porque aqueles candidatos que foram seleccionados não pertenciam à área do Município».
Na deslocação ao Sabugal, José Junqueiro também visitou o Balcão Único da Câmara Municipal e assistiu à apresentação de propostas de reestruturação de Serviços Municipais e de regeneração urbana.
Segundo o Secretário de Estado da Administração Local, o mais significativo é que «os investimentos, os maiores, os mais qualificados, na educação, na segurança social, ou na saúde, são os maiores dos últimos 100 anos».
José Junqueiro aproveitou para enaltecer a governação de José Sócrates no referente às políticas voltadas para o Interior do País: «Não há memória em Portugal, não há comparação possível, quer em matéria dos investimentos, quer em matéria do conceito».
Para justificar a afirmação deu o exemplo dos apoios disponibilizados para as 27 instituições particulares de solidariedade social do concelho do Sabugal, que atingem os 4,4 milhões de euros anuais.
Em relação ao Balcão Único, declarou à Lusa que «é um exemplo da modernização administrativa promovida pelo Governo em colaboração com as autarquias locais» e representa «uma oferta de simplificação» de serviços para o público, ao qual as Câmaras Municipais estão a aderir, como aconteceu em relação às Lojas do Cidadão.
plb (com Lusa)
O Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações anunciou ter anulado a introdução de portagens nas SCUT, prevista para o dia 15 de Abril, dentre as quais se incluíam as auto-estradas A23 e A25, que servem a Guarda.
O governo explicou que a introdução de portagens por um governo de gestão seria inconstitucional, conforme um parecer do Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, sendo esta a razão da suspensão.
«Nos termos da Constituição, um Governo de gestão só pode praticar os actos estritamente necessários à gestão dos negócios públicos», pelo que «a aprovação de um decreto-lei para introduzir novas portagens nas SCUT e definir o respectivo regime de isenções e descontos, alterando consequentemente os termos das concessões em vigor, ultrapassaria esse limite constitucional», refere o comunicado do ministério, para fundamentar a medida.
Porém os movimentos de contestação às portagens não receberam a decisão de forma efusiva, embora o movimento contra portagens na Beira Interior acredite na revogação do pagamento.
«A suspensão das novas portagens permite reavaliar todo o processo, tendo em atenção a falta de recursos e alternativas no interior», declarou à RTP Luís Veiga, porta-voz do movimento que reúne empresários dos distritos de Viseu, Guarda e Castelo Branco, que acredita que a reavaliação vai conduzir à revogação da lei.
«Independentemente de se poder legislar, deve considerar-se que não é constitucional que os condutores paguem numa via, não tendo uma estrada alternativa gratuita, como acontece nas auto-estradas do interior», sustentou ainda o empresário.
Já José Rui Ferreira, porta-voz das comissões de utentes da A28, considera, em declarações à Lusa, que o adiamento na introdução de portagens nas auto-estradas SCUT do Algarve, Beira Interior, Beiras Litoral e Alta e Interior é «uma espécie de filme em reposição». Em defesa desta tese, lembrou que as portagens na Costa da Prata, Grande Porto e Norte Litoral também «foram adiadas três vezes», até serem implementadas, em Outubro de 2010. O líder do movimento, que integra também elementos da A41, A42 e A29, sublinhou que a suspensão das portagens que estava marcada para o próximo dia 15 se deve ao facto de existir «tanta contestação em torno desta questão».
É evidente que «as circunstâncias políticas também condicionaram esta decisão», mas «as portagens só vão travar, ainda mais, o crescimento económico nas regiões onde foram introduzidas», defendeu.
Embora ciente que a luta continuará em breve, José Rui Ferreira considera que «As portagens nas SCUT são uma realidade, mas não um facto consumado.
plb
«Fantasia Lusitana» é um excelente retrato de Portugal. E vê-lo nesta altura, em que somos iludidos por todos, sejam os governantes ou os mercados (sejam eles quem forem), foi o mais indicado.
O documentário é de 2010, mas tive oportunidade de o ver este fim-de-semana no âmbito do Festival Panorama, dedicado ao cinema documental feito em Portugal, onde o destaque foi dado a um punhado de filmes realizados no pós-25 de Abril. Pegando sempre em imagens de arquivo, o realizador João Canijo conseguiu em «Fantasia Lusitana» mostrar dois países diferentes: um visto pelos olhos da propaganda da ditadura liderada por Salazar e outro visto pelo olhar de três estrangeiros que passaram por Lisboa durante a época retratada no filme.
O período em causa é o da II Guerra Mundial, conflito em que Portugal se manteve ‘neutro’. Esta neutralidade foi aproveitada até ao expoente máximo pelo regime para mostrar o papel que Salazar teve para nos deixar fora do conflito que estava a destruir a Europa. Quase como o actual primeiro-ministro tentou fazer para nos afastar do FMI, ou da ajuda externa, como gostam de lhe chamar.
Sem narração actual, ou seja, Canijo aproveitou apenas o som dos filmes de época recolhidos, este é quase um país das maravilhas, onde as contas públicas estão em ordem, e que mesmo em tempos difíceis é capaz de organizar uma Exposição do Mundo Português que demonstra que Portugal está acima de qualquer guerra. Mas a cena do lançamento da nau Portugal, que afunda assim que é lançada às águas, já é um prenúncio que nem tudo estava bem.
O outro país é narrado por três refugiados que passaram por cá durante a II Guerra Mundial, quando Lisboa servia de plataforma de entrada e saída para melhores destinos. E a imagem que estes três estrangeiros – Antoine de Saint-Exupéry, o escritor de «O Principezinho», Alfred Döblin, o autor de «Berlin Alexanderplatz», e Erika Mann, filha de Thomas Mann, – aproxima-se mais da dura realidade. Um país pobre, com uma população pouco escolarizada e onde os refugiados se vêem presos e têm de enfrentar duras condições.
Numa altura em que voltamos a sofrer na pele uma crise bastante complicada, «Fantasia Lusitana» quase que pode ser visto como um grito de alerta para o que se está a passar, quando muitos nos tentam convencer que as coisas não estão tão difíceis como parecem e nos iludem com falsas mensagens de que tudo está bem. E poucas vezes um filme centrado num passado mais ou menos longínquo conseguiu ser tão actual.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
Já são conhecidos os 70 pré-finalistas do concurso «7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa». Nesta fase do concurso foram apurados os 10 pratos mais votados por categoria. A maior iguaria do Mundo – o Bucho Raiano – ficou de fora na categoria «Carnes». Não sabem o que perdem.
ENTRADAS
ALHEIRA DE MIRANDELA – Trás-os-Montes e Alto Douro
BÔLA DE LAMEGO – Trás-os-Montes e Alto Douro
BOLO DE CACO – Madeira
ESPARGOS COM OVOS – Beira Interior
LAPAS DA MADEIRA – Madeira
MUXAMA DE ATUM – ALGARVE
PASTEL DE BACALHAU – Lisboa e Setúbal
PEZINHO DE COENTRADA – Alentejo
PRESUNTO DE BARRANCOS (DOP) – Alentejo
QUEIJO SERRA DA ESTRELA (DOP) – Beira Litoral
SOPAS
AÇORDA À ALENTEJANA – Alentejo
CALDO DE CASCAS – Trás-os-Montes e Alto Douro
CALDO VERDE – Entre Douro e Minho
CANJA DE BORREGO – Beira Interior
GASPACHO COM CARAPAUS FRITOS – Alentejo
SOPA DE PEDRA – Estremadura e Ribatejo
SOPA DE CAÇÃO – Alentejo
SOPA DE CASTANHAS – Madeira
SOPA DE PEIXE DA FIGUEIRA – Beira Litoral
SOPAS DO ESPÍRITO SANTO – Açores
MARISCO
AMEIJOAS À BULHÃO PATO – Lisboa e Setúbal
ARROZ DE MARISCO – Estremadura e Ribatejo
CAMARÃO DA COSTA DA FIGUEIRA – Beira Litoral
CAVACO COZIDO COM MOLHO VERDE – Açores
CRACAS COZIDAS – Açores
LAPAS GRELHADAS DOS AÇORES – Açores
MARISCADA DE SESIMBRA – Lisboa e Setúbal
OSTRAS DO SADO – Lisboa e Setúbal
PERCEBES DE ALJEZUR – Algarve
XARÉM COM CONQUILHAS – Algarve
PEIXE
AÇORDA DE BACALHAU – Alentejo
AÇORDA DE SÁVEL – Lisboa e Setúbal
ARROZ DE LAMPREIA – Entre Douro e Minho
ARROZ DE LINGUEIRÃO – Algarve
BACALHAU À BRAZ – Lisboa e Setúbal
BACALHAU À GOMES DE SÁ – Entre Douro e Minho
BACALHAU À ZÉ DO PIPO – Entre Douro e Minho
BIFE DE ATUM À MADEIRENSE – Madeira
POLVO ASSADO NO FORNO – Açores
SARDINHA ASSADA – Lisboa e Setúbal
CARNE
ALCATRA DA ILHA TERCEIRA – Açores
ALHEIRA DE MIRANDELA C/ GRELOS SALTEADOS – Trás-os-Montes e Alto Douro
CHANFANA – Beira Litoral
COZIDO À PORTUGUESA – Lisboa e Setúbal
COZIDO DAS FURNAS – Açores
ESPETADA DE CARNE DE VACA EM ESPETO DE PAULO DE LOURO – Madeira
LEITÃO DA BAIRRADA – Beira Litoral
MIGAS ALENTEJANAS – Alentejo
POSTA MIRANDESA – Trás-os-Montes e Alto Douro
TRIPAS À MODA DO PORTO – Entre Douro e Minho
CAÇA
ARROZ DE POMBO BRAVO COM HORTELÃ – Alentejo
COELHO À CAÇADOR – Beira Litoral
COELHO DO PORTO SANTO À CAÇADOR – Madeira
EMPADA DE COELHO BRAVO COM ARROZ DE PINHÃO E PASSAS – Alentejo
FEIJOADA DE JAVALI – Trás-os-Montes e Alto Douro
JAVALI NO POTE COM CASTANHAS – Trás-os-Montes e Alto Douro
PERDIZ À ALGARVIA – Algarve
PERDIZ À CAÇADOR – Madeira
PERDIZ DE ESCABECHE DE ALPEDRINHA – Beira Interior
TORDOS FRITOS OU FRITADA DOS PASSARINHOS – Trás-os-Montes e Alto Douro
DOCES
ANANÁS DOS AÇORES (DOP) – Açores
BOLO DE MEL – Madeira
DOM RODRIGO – Algarve
ENCHARCADA DO CONVENTO DE SANTA CLARA – Alentejo
OVOS MOLES DE AVEIRO (IGP) – Beira Litoral
PÃO DE RALA – Alentejo
PASTÉS DE TENTÚGAL (IG) – Beira Litoral
PASTEL DE BELÉM – Lisboa e Setúbal
PUDIM ABADE DE PRISCOS – Entre Douro e Minho
SERICAIA /CERICAIA / SERICÁ – Alentejo
O património gastronómico português é riquíssimo e todas as nomeações concursais são discutíveis mas na lista dos 70 pré-seleccionados as regiões não estão representadas em pé de igualdade. A região de Trás-os-Montes e Alto Douro surpreende pela capacidade demonstrada em colocar vários pratos em diferentes categorias. Como curiosidade regista-se a Alheira de Mirandela em duas categorias: «Entradas» e «Carnes». Salta igualmente à vista a ausência na lista de muitos pratos tradicionais: caldeiradas de peixe e à fragateiro, ensopado de enguias, francesinhas, arroz de cabidela, cataplanas, carne de porco à alentejana, arroz doce e… o Bucho Raiano.
Viva o Bucho Raiano da Beira Alta!
jcl
No dia 3 deste mês comemorou-se o bicentenário da Batalha do Gravato ocorrida durante a 3ª Invasão Francesa.

Durante três dias, e digo três dias porque na sexta-feira, dia 1, o Professor Adérito Tavares proporcionou a largas dezenas de alunos das nossas escolas um contacto com a história sabugalense, numa iniciativa a todos os títulos louvável.
A larga adesão dos sabugalenses nas iniciativas de sábado mostra que existe uma grande vontade de conhecer a história do nosso Concelho.
Merece realce nessa tarde a qualidade dos dois livros apresentados, um, «A Batalha do Gravato» da autoria de Manuel Morgado (embora nascido em França, sabugalense de adopção e de querer), e Marques Osório, arqueólogo do Município do Sabugal; e o segundo, «Sabugal e as Invasões francesas», da autoria dos conterrâneos Paulo Leitão Batista e Joaquim Tenreira Martins, a que se associou o historiador militar Manuel Francisco Mourão.
Igualmente realce para as intervenções seguintes que prenderam os assistentes, muitos deles, como eu, sem um conhecimento profundo do que se havia passado há 200 anos.
Mas se esta parte, diga-se mais cultural, foi importante, igual ou maior importância teve a ida ao local da batalha no domingo e, sobretudo, a inauguração de uma peça escultórica de arte pública, da autoria do escultor Augusto Tomás, natural de Santo Estêvão. Vale a pena a próxima vez que forem ao Sabugal irem à rotunda de saída do Sabugal para a Guarda e admirarem a escultura, pois a mesma é de grande qualidade.
Foram momentos significativos e, estou certo que todos os que assistiram sentiram orgulho em serem descendentes das mulheres e homens que, duzentos anos antes, souberam reagir ao invasor e, sobretudo, souberam encontrar os caminhos para recuperar da destruição e miséria em que ficaram após a derrota e expulsão dos franceses.
É esta a fibra de que somos feitos e por isso continuo a acreditar que saberemos encontrar os caminhos para sairmos da situação difícil em que o Concelho do Sabugal se encontra hoje.
Que o exemplo dos nossos avoengos nos sirva de motivação para construirmos, todos, um Sabugal melhor!
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com
A Urtiga é, no âmbito das plantas silvestres, uma planta das mil virtudes. Conhecida por vezes como «erva menor» por criar comichões quando tocada, a Urtiga (cientificamente conhecida por Urtica Dióica) tem imensas aplicações e, tradicionalmente, aquela que era mais vulgar, a utilização na parte alimentar, sobretudo em épocas de maior fome, em que se recorria à Urtiga para suplantar eventuais carências alimentares e falhas da produção agrícola.
«Há alguns anos, um grupo de amigos começou a preocupar-se com a perda significativa dos saberes e das vivências ligadas ao campo, às plantas e criaram-se as Jornadas de Etnobotânica com almoços temáticos. Foram feitas várias incursões por outros ramos, por outras plantas, mas tivemos finalmente de render-nos à questão da Urtiga, pelas vantagens e todas as qualidades em termos alimentares que a planta apresenta e pela versatilidade que ela tem em termos de potencialidade gastronómica”, recorda Manuel Paraíso, grão-mestre da Confraria da Urtiga que tem sede em Fornos de Algodres.
Com a Urtiga pode fazer-se tudo, é uma planta versátil, muito simples em sabor, de fácil abordagem numa entrada, numa sopa, num prato de bacalhau e eventualmente uma sobremesa.
Manuel Paraíso refere, como exemplo, a Sopa de Urtigas à Moda da Confraria baseada na sopa ou caldo tradicional da Urtiga que se fez evoluir um pouco e foi candidato ao Festival das Sopas de São Paio, organizadas pela ADRUSE – Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela, onde obteve o prémio da melhor sopa do festival.
Manuel Paraíso chama a atenção para o facto de a Urtiga já antes ter sido preparada e consumida, nesta como noutras regiões do país, onde se conhecem o «esparregado de urtigas», o «caldo dos pobres» e o «caldo de urtigas».
A Confraria esta apostada em levar a Urtiga de Fornos de Algodres além-fronteiras, pelo que se esteve já presente por duas vezes no Festival da Urtiga em França e onde, este ano, vão ser apresentados pela Confraria alguns produtos confeccionados com urtiga e promover também o concelho de Fornos de Algodres, pelo que será levado Queijo Serra da Estrela, um dos ex-libris do concelho e da região.
Em 9 de Abril a Confraria da Urtiga estará presente no Festival Gastronómico de Verin (Galiza-Espanha) a que concorre com o prato «Bacalhau com migas e pasta de urtigas».
aps (com Gabinete de Imprensa da C. M. Fornos de Algodres)
«A queda de duas estrelas», e o nome da peça de teatro que vai estar em palco no dia 9 de Abril, sábado, pelas 21h30, na aldeia de Quarta-Feira, no concelho do Sabugal, interpretada pelo grupo «Guardiões da Lua». Texto, encenação e cenografia são da autoria de João Reis.

Estarão em palco onze actores do grupo de teatro local «Guardiões da Lua», que representarão a história de uma estrela nova e curiosa, que não apaga a sua luz com a chegada da madrugada para poder observar o que se passa na terra. Ao longo do tempo vai descobrindo um sentimento dos humanos que a fascina: o amor.
Seduzida por esse sentimento deixa-se cair na terra para o poder viver; no entanto quando chega descobre que ele já não existe ou quase já não existe. E o que vê por todo o lado são discórdias, guerras, ódios.
Mas para alterar tudo isso ela tem uma solução; é o seu pó da luz de estrela que guarda num saquinho, ela sabe que se o espalhar haverá luz outra vez no coração dos humanos. Só que ela deixará de brilhar e nunca mais voltará a ser estrela; mesmo assim não hesita em faze-lo e o amor volta de novo á terra.
Só que ela não sabe que a sua amiga estrela Aurora a observa e juntamente com a mão das estrelas, a estrela da manhã e a estrela do pastor vêm resgata-la a um mundo que só um cego as consegue ver.
plb
Realizou-se o domingo, dia 3 de Abril, a fase regional centro-norte de apuramento para o Campeonato Nacional Federativo dos escalões Infantis, Iniciados e Juvenis.
A AEKS esteve presente com 9 atletas, conseguindo um total de 4 medalhas. Fabrícia Martins ficou em 2º Kata e 3º Kumite -55Kg, enquanto que Inês Ramos conseguiu o 3º Kata e 3º Kumite +55Kg. Diogo Escaleira disputou a medalha de bronze a qual perdeu ficando desta forma em 5º lugar. David Gonçalves, Dinis Carola, Guilherme Carola, Rafael Fernandes, Rodrigo Makoviychuk e Iara Silva também estiveram presentes e passaram algumas eliminatórias, não tendo conseguindo atingir as medalhas.
Rafael Cruz do NKSPinhel ganhou todas as eliminatórias, perdendo apenas na final da sua poule, o que ainda assim numa prova com mais de 50 atletas não lhe permitiu entrar na repescagem.
Fabrícia Martins e Inês Ramos conseguiram desta forma o apuramento para o Campeonato Nacional FNKP que será realizado no final deste mês. Parabéns a todos os que participaram.
Rui Jerónimo
«Saída Pé n’A Terra» é o nome da iniciativa da Transcudânia e da Quercus para evocar o Dia da Terra, pela qual promovem uma ida à Serra da Malcata.
A 23 de Abril, sábado, pelas 14 horas, os interessados reúnem-se na Casa do Castelo, no Sabugal, e partem seguidamente para a serra, tomando um percurso de duas horas, em busca da biodiversidade.
Os organizadores, da Associação Transcudânia, do Sabugal, e do Núcleo da Quercus da Guarda, consideram que o percurso do Espírito Santo, na serra, servirá para «registar toda a biodiversidade existente».
«Traga a máquina fotográfica e guias, vamos aprender uns com os outros e descobrir a biodiversidade da serra», apelam os promotores da incitativa, no sentido de cativarem as inscrições, que, embora gratuitas, serão obrigatórias.
Os interessados podem contactar a organização do evento pelo telemóvel 917906406, ou pelo endereço electrónico transcudania@gmail.com.
Os amantes da Natureza e os que querem dar um contributo para a defesa da Terra, têm nesta iniciativa uma boa e imperdível oportunidade de se envolverem nessa causa.
plb
A minha formação académica começou na filosofia e teologia, passou pelo direito e, só depois, chegou à economia. Por isso, a visão que tenho da economia é heterodoxa, mais próxima da escola personalista Austríaca de Hayks, que da escola tradicional, keynesiana, assente em modelos matemáticos.
Assim, ao homo economicus da corrente ortodoxa e clássica, das relações económicas de troca e de pura justiça comutatitva, contraponho o homo viator, um homem em permanente interrogação da sua origem, do seu papel e do seu futuro na sociedade, no seio da qual procura a sua realização na sua dupla dimensão material e espiritual. Em consequência, a economia não é tanto uma ciência de obtenção e afectação de recursos, mas um instrumento para eliminação da pobreza, porque só com acesso a um conjunto mínimo de bens o homem tem garantia de um minimo conforto material, que lhe permita também desenvolver o seu lado espiritual e cultural; a sua dupla dimensão interior e exterior (pneuma/sarx).
Posto isto, a minha abordagem das questões económicas, designadamente da actual crise económica, é também heterodoxa, feita portanto, do ponto de vista filosófico, moral, ético e político, como o leitor, se tiver paciência em acompanhar-me, poderá constatar:
Karl Marx no seu Das Kapital já previra que «todos os povos do mundo se vêm cada vez mais intricados na rede do mercado mundial» e que o carácter internacional do capitalismo se haveria cada vez mais de tornar evidente (in Kapital, p.18) e no manifesto do Partido comunista em 1848, que as indústrias tradicionais, especialmente as de recorte local e produtos locais, haveriam de ser gradualmente ser substituídas por outras de nível internacional e novos produtos, dependendo de matérias primas provenientes de zonas remotas do mundo, e cujos produtos não serão mais de consumo trans-regional. (Karl Marx e Federich Engels; in Manifesto do Partido Comunista, Londres, 1848).
Esta previsão de Marx aconteceu pela globalização dos mercados. A consequência é que, ganhando dimensão internacional e global, a economia e o capital já não podem ser fiscalizados, como no liberalismo económico, pelo poder político de cada estado, exigindo antes, uma concertação e regulamentação inter-regional e mundial.
A livre iniciativa económica, que fazia sentido em mercados locais ou nacionais, que os respectivos estados podiam fiscalizar e regulamentar, também já não é aceitável, sob pena de conduzir a graves distorções de mercado.
A globalização da economia teve também outras consequências, que Bento XVI explica na sua encíclica Caritas in Veritate: «O mercado, à medida que se foi tornando global, estimulou antes de mais nada, por parte dos países ricos, a busca de áreas para onde deslocar as actividades produtivas a baixo custo a fim de reduzir os preços de muito bens, aumentar o poder de compra e deste modo acelerar o índice de desenvolvimento centrado sobre um maior consumo pelo próprio mercado interno. Consequentemente, o mercado motivou as novas formas de competição entre estados procurando atraír centros produtivos de empresas estrangeiras através de variados instrumentos, tais como impostos favoráveis e a desregulamentação do mundo do trabalho. Estes processos implicaram a redução das redes de segurança social em troca de maiores vantagens competitivas no mercado global, acarretando grave perigo para os direitos dos trabalhadores, os direitos fundamentais do homem e a solidariedade actuada nas formas tradicionais do Estado social.» (Caritas in Veritate, nr. 25, pp. 36-37).
É isto a que hoje assistimos; a destruição, em consequência da cada vez maior globalizaçao da economia, do estado-benificiente inventado por Bismark para subornar o proletariado com benefícios sociais, e evitar a revolução socialista.
A consequência é o retorno gradual, que já se faz sentir noutros países europeus a partir da segunda metade do século XX, enquanto em Portugal e Espanha só aconteceu na viragem do séc. XX para o XXI, ao modelo de estado liberal do século XIX e a perca das regalias sociais garantidas pelo moderno estado providência.
Marx também previu que a acumulação crescente de lucros e a concentração monopolísta do capital, com os grandes capitalistas a «comerem» os mais pequenos, levaria a tal situação de desigualdade na distribuição de riqueza, que fomentaria a revolução das massas e o fim do capitalismo.
Marx tem razão nesta análise; de facto, o maior perigo para a estabilidade política é a desigualdade social. Não chega a liberdade e a garantia formal de direitos que o sitema capitalista e burguês proporciona a todos os cidadãos, se a criação de riqueza não for acompanhada da satisfação das necessidades elementares de cada indivíduo, da erradicação da pobreza, e a igualdade de direitos estiver longe dos factos.
E também acertou, além da sua previsão da globalização dos mercados, na concentração do capital e na gritante e desigual distribuição de riqueza do sistema capitalista, potenciadora de instabilidade política e social.
De facto, a realidade mundial actual é de 40% da riqueza mundial estar na mão de 2% dos indivíduos; um bilião e meio de pessoas viverem com menos de 1€; cerca de três biliões viverem com menos de 2€, sendo que esta fatia da população dispõe apenas 1% da riqueza mundial.
A revolução das massas desfavorecidas é uma realidade histórica. Os acontecimentos das civilizações passadas e da europeia, e os do actual Magreb, demonstram-no.
Como dizia Horst kohler, antigo director do FMI e presidente da República Federal da Alemanha, não há maior ameaça para a estabilidade política e económica no mundo do que qualquer forma extrema de desigualdade na distribuição do bem-estar (citado por Reinhard Marx, arcebispo de Munique, in Das Kapital, Munchen, 2008, pág.23)
O modelo económico que conduziu a estes resultados, está por isso errado. A economia não devia, numa linha de pensamento económico moderno que vem já desde a Teoria dos Sentimentos Morais de Adam Smith, (antes do economista na célebre obra da «Riqueza Das Nações», excelente professor de filosofia moral), ser mais a economia convencional, anacrónica, alheia aos problemas de desenvolvimento, mais preocupada com a criação de riqueza das nações e orientada para o crescimento indeferenciado e consumismo, com nenhum efeito na erradicação dos níveis de pobreza.
Esta economia convencional fracassou porque, além dos resultados que são conhecidos, se desligou do fundo ético da antiga economia política, cuja preocupação é a justiça distributiva e não apenas a justiça comutativa da economia convencional.
Os programas de microcréditos de Mohamed Yunus (prémio Nóbel da Paz, quando o devia antes ter sido da economia) e Ela Bahatt, são insuficientes, mas bons exemplos de iniciativas de uma nova economia ética, preocupada mais com a pobreza, do que com a riqueza.
A globalização dos mercados exige um novo movimento internacional, como defende Jeffrey Saches no seu livro El fim de la pobreza, de cooperação entre países e regiões, em que os países ricos ajudem financeiramente os países pobres que não podem gerar a poupança por si próprios.
As empresas não deviam ter apenas como fim o lucro fácil e especulativo para satisfazer os accionistas e remunerar princepescamente os gestores.
A empresa, como elemento da sociedade, que aloca recursos sociais à sua actividade, vive da sociedade e na sociedade. Por isso a sua actividade não afecta só os que investiram nela o seu capital e trabalho.
Existe, à semelhança das relações humanas, que se pretendem de respeito mútuo, um contrato moral em que a empresa se obriga a agir com responsabilidade social, não defraudando as expectativas da sociedade num comportamento prudente e justo; isto é de boas decisões.
A moral e a ética não é só uma questão individual e pessoal. As organizações, como as empresas, são grupos humanos que também se orientam por valores, além de normas.
Como o homem virtuoso se orienta com prudência, no sentido clássico de adequar a sua acção em cada caso entre o excesso e o defeito (Aristóteles in Ética a Nicómaco, Livro VI, cap. 5), também uma empresa que se preocupa com o bem-estar social é uma empresa ética, preocupada com as boas decisões; um bem público, um daqueles bens que não só beneficiam as pessoas que investiram o seu esforço em produzi-lo, mas também quantos são afectados pela sua actividade, mesmo que não tenham contribuído para cria-lo (Amartya Sen in Desenvolvimento e Liberdade, Barcelona, 2000, pp 39-54).
E a riqueza do bem criado por uma empresa ética, responsável socialmente, é o clima de confiança, a boa sociedade, que tem valor económico incalculável, porque não contabilizável.
Resumindo:
A globalização dos mercados, a visão convencional da economia, a cultura empresarial institucional, levaram à destruição do estado social, concentração da riqueza, à não resolução dos problemas de pobreza, às desigualdades sociais, à actividade económica visando apenas a produção de riqueza e lucro.
Consequência disto, é a multidão de excluídos do bem-estar social, que clamam por uma maior justiça distributiva e acesso aos bens essenciais, a que só uma minoria da população mundial tem acesso.
A terra é a casa de todos nós, e os seus recursos naturais, independentemente da sua forma de apropriação, devem aproveitar, como defende, desde Leão XIII, a doutrina social da Igreja, a toda a humanidade, e não a um pequeno grupo.
Para isso temos de mudar o paradigma de desenvolvimento através de uma nova economia hermeneutica-filosófica que analise os fenómenos de exclusão e encontre soluções para a erradicação da pobreza.
É urgente uma cultura empresarial baseada na ética e na responsabilidade social, como ferramenta de gestão e de justiça social; uma economia do desenvolvimento.
Em suma, uma civilização ética, focada na inclusão social e na dignificação da pessoa humana; uma civilização da pessoa e para as pessoas.
Só que todos os governos, independentemente dos regimes, são oligárquicos e não cedem os privilégios de poder pacificamente; e quando caem pela força, outra oligarquia sucede á anterior. Por isso, nunca acontecerá esta mudança de paradigma económico!
Por mais mudanças e revoluções que haja, o egoísmo e a ganância humanas nunca desaparecerão. O individualismo, a que alguns filósofos da economia chamam liberdade-igualitária, prevalecerá sempre sobre o personalismo.
Para que isso não sucedesse, teriamos que ter uma sociedade, já não digo de homens nobres, interiores, que refere a doutrina paulina na carta aos Gálatas, mas pelo menos de homens honrados e bons cidadãos de que falava Benjamim Franklin, no seu pequeno opúsculo sobre os deveres de um cidadão. Uma sociedade constituída por indivíduos conscientes da sua liberdade responsável e de que a realização do bem comum é o melhor caminho para a realização e bem-estar de cada um.
Se assim não for, como dizia C. J. H. Hayes, a propósito da revolução francesa, «Plus ça change, plus c’est la même chose» (in estudos sociais, 1936, pág. 79).
Sem uma nova economia politica, filosófica e ética, e cultura de cidadania, não iremos a lado nenhum!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
Este é o 100º artigo de João Valente no «Capeia Arraiana». Parabéns ao autor da coluna «Arroz com Todos», que intervém sempre pleno de oportunidade e imbuído de saber e de espírito crítico
Administração do Capeia Arraiana
Hoje há menos pinheiros mansos. Mas quando eu era jovem, havia uma razoável extensão de pinhal manso no Casteleiro, à saída para Caria.
Esses interessantes espécimes, raríssimos na zona, espalhados por uns bons 20 hectares nesse tempo, pertenciam todos a uma só família: os donos da Quinta, propriedade extensa e variada praticamente dentro da povoação, mas dela bem separada por razões económicas e sociais de todos conhecidas e por todos bem sentidas…
Não tenho conhecimento de tamanha concentração de pinheiros mansos que existam ou existissem nesse tempo em qualquer outra freguesia do Concelho.
Para si, leitor mais distraído: não confunda o pinheiro manso com o pinheiro bravo. Desse, há imensidões no Concelho.
Todos os Verões são notícia, infelizmente.
Mas o pinheiro manso na nossa zona é bastante raro.
Mas no Casteleiro havia muitos. Uma árvore arredondada, de «saia» rodada, baixota, simpática.
Já disse: hoje há menos.
Porque muitas das casas construídas naquela área desde finais dos anos 70 o foram no espaço do citado pinhal manso – e à custa das árvores, sacrificadas ao deus construção civil.
Aqui, como em todo o País, como se sabe.
Volto ao facto de o pinheiro manso ser raro na nossa zona.
Tal não admira.
Porque o pinheiro manso é uma espécie originária do Médio Oriente (Turquia, Iraque, Jordânia e, o mais próximo de nós, do Egipto) e, claro, daí espalhou-se por toda a área do Mediterrâneo.
Portanto, climas moderados. E para mim é impossível não pensar que o facto de o pinheiro manso se ter dado bem no Casteleiro se poderá dever ao facto de o clima ali, apesar dos apesares, ser bem mais ameno do que nas terras mais a Norte do Concelho.
Pelas mesmas razões pelas quais se diz que a Cova da Beira começa no Casteleiro, e vai para Sul.
Já agora.
Quem trouxe o pinheiro manso para Portugal? Fenícios? Talvez. Romanos, depois da conquista e romanização de boa parte desse Médio Oriente? Talvez.
Mas esses povos, quando vieram para Portugal, fixaram-se e permaneceram sobretudo no litoral.
Tenho uma hipótese (mera hipótese): o pinheiro manso pode ter sido trazido do litoral para a nossa zona por alguns dos homiziados (condenados) vindos do Sul e que aqui encontraram a estabilidade (e a liberdade) em troca de por cá se fixarem e servirem de tampão contra as incursões castelhanas, na Baixa Idade Média (séculos XIV e XV).
Mas, quem sabe?
Certo, certo, é que a pinha do pinheiro manso é um óptimo combustível – nesse tempo não havia gás, meus senhores, acordem… o pinhão (manso) é saboroso, e é utilizado em doçaria que até dói a alma de tão saborosa.
Mas julgam que naqueles dias dos anos 50 íamos lá buscar pinhão à vontade?
Não. Muitas vezes lá apodreciam aqueles frutinhos e nós, nada.
Coisas da vida de antanho…
Hoje, os poucos pinheiros mansos que restam lá estão ao abandono, praticamente sem dono.
Coisas dos dias que vivemos…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes
El 19 de marzo de 2011 ha tenido lugar en Oliveira do Hospital (Portugal) el XXII Gran Capítulo de la Confraria Queijo Serra da Estrela. Los días 19 y 20 de marzo de 2011 Oliveira do Hospital (Portugal) ha celebrado su XX Festa do Queijo Serra da Estrela e outros produtos locais de qualidade.
XXII Gran Capítulo de la Cofradía Queijo Serra da Estrela. El 19 de marzo de 2011 ha tenido lugar en Oliveira do Hospital (Portugal) el XXII Gran Capítulo de la Confraria Queijo Serra da Estrela.
El segundo y tercer fin de semana de marzo los tengo siempre marcados en el calendario, en uno de ellos la Cofradía del Queijo de la Serra da Estrela celebra su Gran Capítulo, y a él acudimos sino surge algún contratiempo que lo impida. Es el Capítulo de la Cofradía con la que los Amigos de los Quesos del Principado de Asturias estamos hermanados.
En este 2011 las fechas elegidas para su celebración han sido las del 18 y 19 de marzo, justo a las puertas de la primavera, que sin duda bien que entró ya que hemos disfrutado de unos días con un tiempo excelente.
En cada viaje procuramos llegar a Oliveira por diferentes rutas, y en esta ocasión el viaje lo realizamos entrando por la fronteriza ciudad de Chaves, a unos 360 kilómetros de Oviedo, para continuar -ya sin estar pendientes de no pasar de los 110 Km. y de los radares con los que nos premia nuestro Gobierno para salir de la crisis- hasta Lamego, ubicada unos 100 kilómetros más adelantes, que es nuestro primer destino y en el que el objetivo es visitar 3-4 de sus monumentos más importantes.
Lamego está ubicada en el margen izquierdo del río Duero y comparte con Peso da Regua la capitalidad del Alto Douro Vinhateiro. Data del tiempo de los romanos, y cuenta con numerosos monumentos religiosos y civiles, lo que la hace acreedora de realizarle una visita tranquila.
Entre los primeros destaca el Santuario de Nuestra Señora de los Remedios ubicada en el monte de San Esteban, a la que se accede a través de 700 escalones desde el centro de la villa, de mediados del siglo XVIII esta considerado el más bello Santuario del barroco portugués. La Sé Catedral de la segunda mitad del siglo XII y la iglesia de Santa María Mayor de Almacave, igualmente románica de segunda mitad del siglo XII.
En cuanto a los monumentos civiles destaca el Castillo de Lamego, también de la segunda mitad del siglo XII y el antiguo Palacio de los Obispos del siglo XVIII que alberga el Museo Nacional, uno de los más importantes de Portugal.
Lamego gastronómicamente es famosa por su presunto (jamón), enchidos (embutidos) y su vino del Douro, así que una vez visitada la ciudad, dimos cuenta de los mismos, así como de una sabrosa ternera con guarnición de frutas en uno de los “Fumeiros de Lamego” la céntrica Taberna do Porfirio, aunque a decir verdad, los embutidos portugueses (a mi entender) no poseen la calidad de los españoles.
Repuestas las fuerzas tocaba volver a la carretera y recorrer los apenas 80 kilómetros que distan a Tondela, nuestra próxima parada. Esta pertenece al igual que la anterior al distrito de Viseu, pero ya a la región Däo-Laföes, dónde nos estaba esperando Pedro Adáo -concejal de su Ayuntamiento- con el que había coincidido en octubre pasado en un Congreso de Autónomos en Gijón, para enseñarnos su casi recién estrenado Museo Terras de Besteiros, inaugurado el 16-09-2010.
Al pie de la esbelta torre de su iglesia, el museo es una auténtico compendio de la historia del municipio, y de los besteiros (soldados especializados en la ballesta) que merece la pena visitar, sorprendiéndonos especialmente las muchas similitudes que tienen con nuestro Principado de Asturias, como por ejemplo la fabricación de cerámica negra o en el uso de los pisäos (batanes). Pedro es miembro de la Cofradía do Cabritu de Serra da Caramulo, que celebra su Gran Capítulo a mediados de diciembre, y con la promesa de acudir al mismo continuamos el viaje a Oliveira do Hospital, de la que nos separan unos 40 kilómetros, la tarde se nos ha echado encima y nuestros amigos nos esperan.
Como en otras ocasiones los miembros de las diferentes Cofradías nos fuimos reuniendo en el Hotel San Paulo en Oliveira do Hospital, dónde el siempre activo y amable Pedro Couceiro daba la bienvenida a unos y otros. A los primeros que vimos fue a los tres miembros de la Cofradía del Oriciu de Gijón -Mabel, Alejandro y Mariano- que aún resacosos de su I Gran Capítulo que habíamos celebrado el pasado fin de semana, visitaban por primera vez Oliveira.
Reunidos todos nos dirigimos al vecino municipio de Seia, también englobado en la Serra da Estrela, en dónde estaba prevista una visita al espacio museológico de cultura y ocio del Museo del Pan, inaugurado en el año 2002 y que con sus cuatro salas: la del ciclo del pan; la del pan político, social y religioso; la del arte del pan y el mundo fantástico del ciclo del pan, se ha convertido en uno de los más visitados del vecino país. El museo fue del agrado de todos nosotros, sorprendiendo lo mucho que se puede hacer a partir de un producto que en ocasiones no es valorado como se merece, imaginación y un gran fondo documental y etnográfico hacen de este museo, una visita obligada si se esta en la región.
Sin salir de las instalaciones celebramos la cena de confraternización de las Cofradías, con los habituales bufes portugueses de entradas y sobremesas y un sabroso pez espada como plato principal, aunque el triunfador de la noche fue el queijo de la Serra, con los que la Cofradía de la mano de Joao Madanelo nos agasajo, los habituales en sus dos versiones (normales y curados) a los que se sumaron la mantenga, la crema, el fresco y el requesón, todo ello regado con vinos del Däo, de la subregión Beiras.
Ya de sábado tocaba la concentración de Cofradías en el mercado, para desde allí acudir en desfile cívico hasta el nuevo recinto ferial, ubicado a las afueras de la localidad, dónde tendrían lugar todos los actos de la «XX Festa do Queijo Serra da Estrela e outros productos locais de qualidade», precedidos – como años anteriores – por la peculiar banda de gaitas, los Somdebordäo, el rebaño de ovejas autóctonas de Paulo Rogerio y por los perros de la Serra, a los que paseaban orgullosos los miembros de la recién creada Cofradía del Cao Serra da Estrela.
Sorpresa muy agradable la que encontramos a la llegada al nuevo recinto, espaciosas explanadas dónde estaban ubicadas dos carpas, un escenario, dos restaurantes con sus mesas a cubierto y una gran variedad de puestos. Importante esfuerzo el realizado por el Ayuntamiento, que sin duda se vio recompensado con la masiva asistencia de gente durante todo el fin de semana, sin duda favorecido por el amplio programa diseñado para la ocasión.
Paseos, visitas y compras con tranquilidad por la feria bajo un sol de justicia, y a comer al centro de Oliveira, al restaurante Príncipe da Cidade, dónde nos reunimos una buena parte de los asistentes al Capítulo bajo la tutela de Pedro Couceiro. Sopa de zanahoria, costillas al vino Däo y arroz con leche, acompañados por los vinos del Dáo, fue el menú que se enmarcaba en la Semana de Gastronomía «Paladares da Beira Serra, Um outro sabor», que celebran los restaurantes de la ciudad con motivo de la Feria.
Había tiempo para el descanso, pero un servidor junto con los cofrades Carlos Magalhanes y José Luis de Abreu (que juraba como tal horas más tarde) teníamos trabajo, habíamos sido elegidos junto con el cocinero Helio Loureiro – que durante todo el día dirigió el show-cooking elaborando recetas a base del queijo – y el elaborador quesero y ganadero Paulo Rogerio como miembros del Jurado del II Concurso de Dulcerias, elaboradas con el queijo o sus derivados, bajo la dirección de la concejal de cultura del Ayuntamiento, Maria Silvia.
Repetía como Jurado del mismo, y al igual que con el recinto ferial, se ha visto un importante salto cualitativo con respecto al año pasado, tanto en organización e infraestructuras como en la calidad de las presentaciones, siendo en total once las que se presentaron a concurso, con importante igualdad entre las mismas.
Concentrados en el recinto ferial las más de veinte cofradías asistentes y siguiendo de nuevo a la banda de gaitas y tambores ascendemos hasta el Ayuntamiento, en cuyo Salón noble tuvieron lugar los actos del XXII Gran Capítulo, realizándose previamente la foto de familia de todos los asistentes en las escalinatas de acceso al mismo.
El Capítulo estuvo presidido por el Gran Mestre de la Cofradía, Manuel Freire y el alcalde de la localidad José Carlos Aleixandro, a los que acompañábamos el que suscribe como representante de la Cofradía de Amigos de los Quesos del Principado de Asturias, Madalena Carrito presidenta de la Federación de cofradías gastronómicas de Portugal (compuesta por 70 cofradías) y los cofrades locales Joao Madanelo (Escribano), Antonieta Queimada (Embajadora) y Miguel (Secretario), ejerciendo como maestro de ceremonias, el Gran Conseillero y alma mater de la misma Pedro Couceiro.
Bonito gesto el de la Cofradía, que a pesar de estar presente otra cofradía con la que están hermanados (Queijo de San Jorge) y hermanarse ese día con otra más (la del Atum) siempre tienen la amabilidad de situarnos en las mesas presidenciales de todos los actos y cedernos la palabra durante la celebración del Capítulo, gesto que agradecí dirigiéndome a los presentes en mi mal portoñol, y entregando al Gran Mestre un ejemplar de nuestro Gran libro de los quesos de Asturias.
Las intervenciones del Gran Mestre, del Alcalde, la mía propia y de la Presidenta de la Federación precedieron al juramento de ocho nuevos miembros como cofrades de número –con los que alcanzan la cifra de sesenta- la intervención del doctor Nuno Borges sobre los beneficios del queso, la presentación por parte de Joao Madanelo de la candidatura de la D.O. Queijo Serra da Estrela como una de las “siete maravillas gastronomitas de Portugal, en la sección de entradas” concurso organizado por la RTP a la que optan 70 candidatos y al hermanamiento con la recién creada Cofradía del Atum de San Antonio de Vila Real en el Algarve y que en enero pasado ha celebrado su primer Capítulo.
El Capítulo concluyó con la cena de hermandad realizada en la Quinta do Cháo de Bispa, finca dedicada al cultivo del olivo, dónde el catering del restaurante Visconde de Touriz (Taugá) fue el elegido para servir el menú. Este estuvo compuesto por un buffet de entradas con productos de las cofradías hermanadas del Queijo de la Serra y del Atum, un crepe de legumbres con queijo de la Serra y reducción de vino Dáo, borrego de la Serra con patatas gratinadas y tosta con queijo, para culminar con una tarta de requesón con frutos silvestres y helado de mandarina, todo ello regados ¡como no! con unos estupendos vinos de la D.O. Däo.
De domingo, atendiendo la invitación del matrimonio Magalhaes, nos desplazamos con el matrimonio Couceiro (Fatima y Pedro) al vecino municipio de Arganil, en la serra da Aveleira – en dirección a Coimbra- a Mont´Alto dónde tienen su residencia los amigos Rose y Carlos. Compartiendo los tres matrimonios una estupenda velada y comida en el restaurante cercano de Mont´Alto, a pie del santuario del mismo nombre, en el que no podían faltar elaboraciones típicas de la región como el Bucho de Arganil o los calamares rellenos de morcilla.
Ya en su casa, hemos podido comprobar el amor que Carlos (veterinario) tiene a los animales, y ver a su peculiar mascota, Fifi, una llamativa pitón real africana de un metro treinta centímetros que nos impuso un gran respeto.
Y casi con el bocado en la boca emprender rumbo de regreso a Oviedo, por el mismo itinerario de la ida, dejando atrás tierras portuguesas y a nuestros queridos amigos con quién renovamos nuestro hermanamiento.
Observaciones
La relación de cofradías asistentes al Capítulo han sido las asturianas de Doña Gontrodo, el Oriciu y los Amigos de los Quesos del Principado de Asturias y las portuguesas de: Atum de Vila Real, la Chanfaina de Vila Nova de Poares, Nabos e Companhia de Carapelos, Vinho de Oporto, Vinho Verde, Marmelada de Olivedas, Cabritu de Serra do Caramulo (Tondela), Bucho Raiano de Sabugal, Norte Alenteijo, Madroño de Taubá, Doçaria Conventual de Tengúgal, Arroz do Mar de Figueira da Foz, Ovos Moles de Aveiro, Queijo de San Jorge de las Azores, Cao Serra da Estrela, Bucho de Arganil, Maça Portuguesa de Moimento de Beira. Gastronómica do Pinhal do Rei (Leiria) y Gastronómica de Madeira
(Continua na próxima terça-feira, 12 de Abril.)
Luis Javier del Valle Vega
Este é o título de uma publicação dos exilados políticos portugueses, monárquicos, que estavam em Paris durante a Primeira República. A fotografia é uma página da publicação.
Para a geração de políticos e intelectuais nascidos em finais do século XIX, Salazar em 1890, António Sardinha em 1888, Jaime Cortesão e Raul Proença em 1885, Fernando Pessoa em 1888 e, Cunha Leal também em 1888, a implantação da República marcou o seu despertar político. Esta geração manteve-se sempre dividida face ao ideal Republicano e Democrático. Uns eram hostis ao Movimento da Monarquia Constitucional, desacreditado pelo último rei de Portugal, D. Manuel II, acham-no incapaz e fraco, desligam-se da sua obediência afirmando que «o interesse nacional acima da pessoa do Rei». Outros condenaram o Parlamentarismo, o Liberalismo e o anti-clericalismo, ideais da I República. Tanto um movimento como o outro, tinham como objectivo a afirmação de uma identidade colectiva através do Nacionalismo.
Vemos então que o nacionalismo dominou a vida política e intelectual da I República, embora fosse bastante heterogéneo. Esta Nacionalismo divide-se em duas grandes tendências, de um lado o idealismo Republicano defendido pelo movimento Renascença Portuguesa. Do outro, um pensamento contra revolucionário, divulgado com grande sucesso pelo Integralismo Lusitano. Em finais de 1923, o Nacionalismo é o denominador comum de um grupo de intelectuais hostis ao regime de partidos, tinham uma publicação que ficou conhecida pela Revista dos homens livres, publicação essa que durou duas semanas. As teorias do movimento Integralismo Lusitano, opunham-se ao idealismo Republicano, essas teorias integralistas dão origem a um Nacionalismo Autoritário, aproximando-se mesmo do fascismo. O Integralismo surge um pouco antes do começo da Primeira Guerra Mundial, foi muito aceite nos meios universitários e católicos de Coimbra, aos quais Salazar pertence. A este Integralismo junta-se também António Sardinha.
Esta corrente de pensamento desenvolve-se ao mesmo tempo nos meios monárquicos dos exilados na Bélgica, que tinham uma revista chamada «Alma Portuguesa», e em Paris á volta do Padre Amadeu de Vasconcelos e de «Os meus cadernos», publicados sob o pseudónimo de Mariotte, estes movimentos são influenciados pelas teorias de Charles Maurras e da Action française, de onde Salazar copiou muitos dos ideais para a governação de Portugal.
Ao ler os meus cadernos, vemos como que uma antecipação do que foi a filosofia política do Estado Novo, Nacionalismo autoritário, Pátria, Deus, anti-parlamentarismo, anti-partidos e anti-liberalismo. A negação da Democracia.
Encontrei quatro tomos de «Os meus cadernos», quando estava a desempoeirar uma velha biblioteca, dei-me ao trabalho de os ler, valeu a pena.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
O líder do grupo parlamentar do PSD, Miguel Macedo, defendeu ontem na Guarda, após ter visitado o concelho do Sabugal, a necessidade de serem encontrados «critérios de discriminação positiva» para as regiões do interior servidas pelas SCUT que passarão a ser portajadas.
A direcção do grupo parlamentar do PSD, e os deputados do partido eleitos pela Guarda, visitaram ontem, dia 4 de Abril, as Termas do Cró e o Centro de Negócios do Soito, no concelho do Sabugal.
Já na Guarda, Miguel Macedo, que liderou a comitiva, disse que o seu partido defende o princípio da universalidade de tarifas em todas as SCUT, afirmando porém que «é preciso encontrar, com justiça, critérios de discriminação positiva» para as regiões mais desfavorecidas, como a Guarda.
E o líder parlamentar social-democrata explicou o que fundamenta a sua proposta: «Significa não fazer exactamente o mesmo que acontece em outras regiões do país, porque as situações são desiguais e temos de tratar de forma desigual aquilo que é desigual».
Sem apresentar medidas concretas para atingir a chamada «discriminação positiva», Miguel Macedo garantiu: «Eu julgo que encontraremos soluções e afirmaremos soluções com equidade e com a justiça que são importantes.
Outro dos assuntos de que falou foi a da diferença fiscal entre Espanha e Portugal, o que reconheceu afectar os povos raianos. «Temos uma espécie de pipeline fiscal em direcção a Espanha», reconheceu Miguel Macedo. Porém «não há soluções mágicas», reconheceu.
plb
Na madrugada do dia 1 de Abril, a Guarda Nacional Republicana (GNR) deteve um jovem com 19 anos, residente no Sabugal, por crime de tráfico de estupefacientes.
Os militares do Núcleo de Investigação Criminal da Guarda, que efectuaram a detenção, encontraram na posse do jovem 53,7 gramas de haxixe (quantidade suficiente para 260 doses individuais), um moinho e uma navalha, objectos utilizados na preparação dos estupefacientes. Presente ao Tribunal Judicial da Guarda, foi-lhe aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência, situação em que aguardará a instrução do processo.
Segundo o comunicado semanal da GNR da Guarda, no dia 3 de Abril o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA), levou a efeito uma operação de fiscalização ao exercício da pesca em águas interiores. Foram fiscalizados 26 pescadores e detidos, em flagrante delito, na localidade de Rio Torto (Ranhados – Meda), dois indivíduos, de 21 e 64 anos de idade, desempregados, residentes em Freixo de Numão (Foz Côa), por pescarem utilizando larvas naturais em águas salmonídeas (truteiras), o que constitui crime de pesca. Foram-lhes apreendidas as canas de pesca, uma caixa com larvas naturais e uma manga. Presentes ao Tribunal Judicial da Mêda, foi-lhes aplicada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência.
Na zona de fronteira com Espanha, foram realizadas, também pelo SEPNA, três operações no âmbito da Fitossanidade Florestal, direccionadas para o controlo do Nemátodo do Pinheiro, tendo sido fiscalizados 169 veículos, de onde resultou a elaboração de dois autos de contra-ordenação
Durante a semana em apreço, as Secções de Programas Especiais dos Destacamentos Territoriais da Guarda, Gouveia e Pinhel, realizaram 12 acções de sensibilização subordinadas aos temas «Comunicar em Segurança – Internet Segura» e «Segurança Rodoviária», em escolas dos concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Gouveia e Trancoso. Nas acções estiveram presentes 263 alunos e 17 professores.
plb
O Manuel Leal Tavares, conhecido em todo o concelho como o Lei Chão é, sem qualquer dúvida, uma figura típica do nosso concelho.
Como é do conhecimento geral o LEI, depois de ter regressado de França, estabeleceu-se em Foios, com um restaurante, tendo-se transferido, mais tarde para o Sabugal, onde continuou na mesma actividade.
Teve, na verdade, muito sucesso no ramo da gastronomia onde a sua rica esposa, a Irene, sempre se destacou com os excelentes cozinhados e, sobretudo, por ter sido uma Senhora despachada e simpática.
A filha, Silvie, à medida que ia crescendo, ia também ajudando, onde fosse necessário tendo, por assim dizer, constituído uma empresa familiar e de sucesso.
O Lei, como fojeiro de gema que é, dava um saltinho à terra sempre que podia. Então nos dias de caça raramente faltava. E poucas vezes vinha sem uma abundante merenda e sem umas grades de vinho fino que fazia questão de oferecer aos colegas e amigos da caça.
O que mais lhe custava ao Lei era não poder vir para os Foios, ou para outras terras da raia, nos dias das capeias. Mas o mês de Agosto foi sempre um mês de muito movimento e a Irene tinha que estar sem com o olho no Lei. Não fosse ele escapar-se para ver o último boi como algumas vezes aconteceu. Mas atenção. O Lei mesmo não podendo vir nunca deixou de ser um dos melhores pagantes para a capeia e para as festas religiosas.
Mas o Lei sempre alimentou um sonho. Sonhou sempre com melhorar a casa dos Foios para por cá passar grande parte do seu tempo. Só receava que a Irene não se adaptasse ou que oferecesse alguma resistência. Mas, felizmente, assim não aconteceu. A Casa já está bem preparada e já estão a desfrutar dela.
O Lei continua a participar nas caçadas e às tardes não deixa de fazer a sua partidinha de cartas e umas farritas com os amigos. É assim mesmo.
Parabéns e muitas felicidades.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
Sou natural da Freguesia de Foios, Município de Sabugal e sou trabalhador sazonal em França, numa empresa de exploração de talco em Luzenac – Ariege.
Visto a actividade da minha empresa ser suspensa, no Inverno, por haver muita neve nessa zona, gozo, habitualmente, quatro ou cinco meses de férias junto da minha esposa e filho.
Tenho plena consciência de que é uma actividade algo dura e difícil mas posso dizer que financeiramente compensa o sacrifício, sobretudo nos tempos que correm. Aquele que tenha o seu trabalhinho que dê Graças.
Os tempos que vou tendo livres, na minha empresa, dedico-os a duas actividade que sinceramente me apaixonam. Coleccionando minerais e artigos do Che Guevara.
Há poucos dias fui convidado pelo Sr. Prof. Paulo Favas da UTAD – Universidade de Trás-os Montes e Alto Douro – para participar na 15.ª exposição de minerais que vai ter lugar nos dias 5 e 6 do corrente mês de Abril, no museu de geologia em Vila Real.
Acedi, com muito gosto, ao pedido e lá estarei com parte da minha colecção de minerais.
Para além de gostar de exibir a minha colecção também se sinto muito feliz por representar a minha terra – Foios – bem como nosso querido Município de Sabugal.
Dentro de dias voltarei para Luzenac visto que o tempo já permite que recomecemos a actividade.
Custa-me, sinceramente, não poder vir passar o mês de Agosto a Foios mas a vida é mesmo assim.
O mês de Agosto é, sem dúvida, o mais lembrado porque me recordo das festas dos Foios e de toda a raia. Os dias das capeias da raia são os que mais me fazem sofrer. Mas com as novas tecnologias de agora rapidamente me chegam as os CD,s e DVD,s com as capeias de Foios e das restantes localidades da nossa querida raia sabugalense.
Com um abraço de amizade
José António Leal Duarte
Há pessoas de má catadura que não observam os deveres para com a sociedade, pois só de má vontade se submetem às leis e cumprem as obrigações que lhes cabem enquanto cidadãos.
Ensina-nos a moral que todos os homens são irmãos e devem auxiliar-se mutuamente em caso de precisão. A caridade e a generosidade para com os semelhantes são sentimentos nobres que se esperam de cada homem.
Esses valores estão a ser esquecidos em resultado de uma cultura da competição, traduzida na disputa acirrada entre as pessoas, na ambição desmedida e no louvor aos que sobem a pulso, pisando tudo e todos sem qualquer pejo.
Hoje, mais do que nunca, cultiva-se o egoísmo, com cada qual a bater-se por si, cooperando apenas por razões de ambição, para atingir uma meta.
Vivemos tempos de crise, com a mocidade sem emprego, com as famílias oprimidas pelas dívidas aos bancos e sem dinheiro para comprar o essencial para a vida. Anda por aí muita gente com a corda na garganta, com a vida transformada em inferno, sem alegria e sem esperança no futuro. Ora a experiência diz-nos que há dias sadios e dias aziagos, e o bom senso manda que o indivíduo se previna das fatalidades.
Noutro tempo cultivava-se a ideia de que o homem responsável economizava sempre uma certa quantia do seu salário ou do seu rendimento, tendo em vista a aquisição do que necessitava ou simplesmente para poupar e fazer face a uma fatalidade que o apoquentasse. Só que a mocidade de agora nasceu e cresceu na abundância, na facilidade da vida, com os paizinhos a amparar-lhe os movimentos. Não foram preparados para as dificuldades e andam desesperados com a vida.
A longa idade que tenho dá-me a experiência necessária para considerar que os tempos, sendo difíceis, obrigam à provação e ao sacrifício. Mas temo bem que a mocidade não esteja preparada para enfrentar dificuldades maiores, que obriguem a uma saída da redoma em que se encontra.
Nada se fará pela via do egoísmo e do individualismo. Os moços de hoje têm de dar as mãos e batalhar juntos, em vez de andarem por aí na casmurrice, numa disputa constante.
Tornou-se comum o uso da palavra solidariedade para designar a caridade e a benevolência de antigamente. Ser solidário é ajudar o semelhante, participar no esforço comum para uma melhor vida social, contribuir para que os pobres e ofendidos também singrem ou sejam menos infelizes. Porém nada disto se consegue com comportamentos egoístas, sucedâneos da ambição desmedida e do individualismo extremo, que hoje se cultiva e ensina.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis
As invasões francesas, cujo bicentenário se evoca, deixaram variadas marcas, dentre as quais alguns lugares comuns na nossa linguagem popular, de que são exemplos as conhecidas expressões: «ficar a ver navios», «ir para o maneta» ou «Portugal é Lisboa e o resto é paisagem».
O lugar comum «ficar a ver navios», que se utiliza quando alguém fica desiludido, ou não consegue alcançar aquilo com que contava, teve origem na primeira invasão francesa de Portugal. Foi o general Junot, comandante das tropas invasoras, que viu frustradas as suas expectativas de aprisionar a família real portuguesa, ao ter chegado tardiamente a Lisboa em Novembro de 1807. Restou-lhe observar, do alto de Santa Catarina, os navios da armada que haviam acabado de zarpar do Tejo rumo ao Brasil, para onde foi transferida a corte portuguesa. Junot ficou assim a «ver navios», e a expressão acabou enraizada no léxico popular.
Outro lugar comum muito em voga é «ir para o maneta», expressão usada em sinal de perda irrecuperável. A mesma ficou associada ao mais atroz dos generais de França, de nome Loison, o qual esteve em Portugal nas três invasões. Loison perdera uma mão num acidente e era conhecido entre os portugueses como o general «Maneta», tendo ficado célebre pelas suas acções punitivas sobre a população sublevada. «Ir para o Maneta» era ir parar às mãos, ou melhor, à mão, do fatídico general, assim ficando a expressão no nosso léxico.
Há ainda um terceiro lugar comum que provém do tempo das invasões: «Portugal é Lisboa e o resto é paisagem». A frase é atribuída ao general Foy, o conhecido portador das mensagens de Massena para Napoleão Bonaparte, que passou várias vezes no Sabugal. Massena tinha a maior confiança em Foy, que era um bom conhecedor de Portugal, pelo que contava com os seus conselhos. Instado a pronunciar-se sobre o que seria a terceira campanha do exército francês, Foy não hesitou em dizer-lhe que Portugal era Lisboa e o resto paisagem. A frase foi premonitória, pois a avançada francesa só foi verdadeiramente travada às portas de Lisboa, devido às famosas Linhas de Torres Vedras, pelo que Massena terá compreendido por que razão em Portugal tudo era paisagem á excepção de Lisboa. Aliás Massena não chegou a conhecer as paisagens de Lisboa.
plb
HISTÓRIA DA GASTRONOMIA – Como preâmbulo muito breve, quase a modo de intróito, podemos afirmar que o porco existe desde a Era Terciária, na África Central e na Era Quartenária em África e Europa divididos em duas famílias: a «sus scrofa» que dá origem ao javali e ao facoquero.
O porco começou a ser domesticado até ao ano 7.000 a.C. em Cayônu (Turquia) e no Vale do Jordão. Na Idade do Bronze (4.000-2000 a.C.) o porco já faz parte da alimentação do Homem, entra na religiosidade e mesmo como animal totémico (fenómeno mítico-classificatório que exprime uma relação familiar com um antepassado sob a forma de animal ou planta).
Os mamíferos do género «Sus» dividiram-se em três sub-géneros: «sus mediterraneus» que se expande por toda a Europa; «sus ferus» que é o porco selvagem na actualidade e o «sus scrofa» que é o javali selvagem.
O «sus scrofa» é que dá origem ao porco ibérico que se encontra em Espanha na Anduluzia, Extremadura e na região de Salamanca e em Portugal no Alentejo e parte do Algarve.
Talvez tenha sido o homem a aperceber-se que o porco podia alimentar-se de restos de comida, pastos e mesmo lixo. Recordo as minhas várias viagens à Guiné-Bissau, onde o porco – tal como em outros Estados Islâmicos é um animal sagrado – não era morto nem comido, mas desempenhavam um papel fundamental na limpeza de muitas povoações e mesmo nas cidades principais. Comiam tudo o que encontravam nas ruas ou lugares sendo por alguns considerados os «lixeiros» de serviço permanente juntamente com os abutres.
Os Judeus e posteriormente os Muçulmanos tem leis onde proíbem o seu consumo, ao contrário de ouros povos e religiões onde o porco se tornou um dos animais mais apreciados na alimentação.
Mas deixemos esta parte da história, para passar à matança do porco, uma cerimónia com algo de religioso e de muito social.
Matança do porco – festa da família
A Matança do Porco é considerada a «festa da família», para onde são convidados familiares e alguns vizinhos mais próximos.
Quem nunca assistiu a uma «matança» não faz ideia do seu ritual, do convívio que o rodeia ou do acto cultural que presencia. Remonta aos velhos tempos em que a autosuficiência era fundamental para a sobrevivência da família rural, e que hoje permanece como um testemunho inigualável da união familiar
A Matança do Porco é dia de festa rija e de muita azáfama na casa do lavrador onde se vai proceder a todo o cerimonial. O «bichorro» está medrado pelo que comeu no campo, caso nado e criado no Alentejo, ou pelas lavaduras gordas onde nunca faltou a farinha milha, a cabaça ou abóbora e as couves, se trata de «reco» no Norte.
A lua está de quarto-crescente, o tempo está fresco, chegou o dia de «escochinar» o reco. Manhã muito cedo, ainda quase noite e com os dedos enregelados da geada o matador encarrega-se da função.
No Minho, não só pela hora, mas também, para que o matador supersticioso não diga que o «requinho» custou a morrer, as crianças devem estar a dormir. Não assistem à matança, pois que os «meninos» ao verem o temível facalhão, podem chorar e dizer «coitadinho», o que pode dar «azar à matança» e o porco não ter morte imediata como é desejável por todos. São crenças que ainda hoje se mantém.
Os grunhidos acordam o lugar, e todos ficam a saber, que no dia seguinte os vizinhos vão ser contemplados com um pedacinho de lombo e uma ou outra chouriça ou mesmo um pouco de sangue.
Nos arrabaldes do Porto, em Vila Nova de Gaia, e onde meus pais possuíam uma vasta propriedade, a matança do porco obedecia a um ritual um pouco diferente. O matador, assim se designava o homem que procedia à operação, era chamado com certa antecedência, pois poderia ter outras marcações, e no dia aprazado muito cedo, e quando chegava começava por tomar o «mata-bicho» – aguardente, outras vezes vinho – dirigia-se para o curral e com a ajuda de dois ou três criados da quinta, arrastavam o porco para junto de uma carro de bois onde se iria proceder à matança. Colocavam o porco na parte dianteira do carro e na posição lateral aí procedia ao trabalho com faca afiada, sem antes verificar se alguidar com vinagre se encontrava preparado para receber o sangue do animal.
O golpe era certeiro, e tinha a sua técnica. Só mais tarde a percebi. Depois de desferir o golpe, a faca deveria rodar cerca de 45º de modo a permitir uma recolha perfeita do sangue, bem como apressar a morte do animal.
Depois de morto e ainda no quinteiro, o «chico» outro dos nomes porque no norte é denominado porco, é «enqueimado» com pequenos molhos de palha, batendo no corpo com pancadas curtas para não queimar a pele. Depois lavado é muito bem «esfregado» com fortes escovas, sabão e depois passado em várias águas. Antigamente usavam-se pedaços de telha para raspar a pele, e mais tarde substituídos por raspadeiras de metal.
Após esta operação o matador repete a dose do mata-bicho. Prepara-se para começar o ritual do «desmancho». Com um golpe profundo e certeiro abre o porco. Tira-lhe o fígado, as tripas e todas as miudezas, ficando só a carcaça que é pendurada numa das travas de uma sala da eira ou na adega, pelas patas em dois ganchos de ferro, bem abertas para deixar escorrer. Noutras regiões – como o Sabugal – o porco é colocado no «chambaril», uma espécie de cruzeta feita de pau de oliveira, cujas pontas são enfiadas entre os tendões das patas. Assim fica o animal, a carcaça de cabeça para baixo, até ao dia seguinte, o dia da «desmancha». Junta-se-lhe um ramo de loureiro «para lhe dar sabor» e um alho porro nas unhas por causa do mau olhado – não vá alguma feiticeira «tolher o porco».
:: ::
(Continua no próximo sábado, 9 de Abril.)
:: ::
«Emoções Gastronómicas», crónica de Paulo Sá Machado
(Ensaísta, Historiador)
paulosamachado@netcabo.pt
:: ::
Paulo Sá Machado, vogal português na CEUCO-Conselho Europeu de Confrarias, aceitou gentilmente o convite para colaborar no Capeia Arraiana com crónicas semanais sobre temas gastronómicos.
Paulo Sá Machado – ensaísta, escritor, jornalista, filatelista, conferencista e historiador – nasceu em Santo Ildefonso, no Porto. É agraciado com a medalha de mérito da cidade do Porto, medalha de mérito da cidade de Vila Nova de Gaia, medalha de ouro da Federação Galega de Sociedades Filatélicas, medalha de ouro da Ufinor, medalha de ouro do grupo filatélico de Vigo, medalha de ouro do clube filatélico de Tuy, sócio honorário da Philatelic Society de Gibraltar, sócio de mérito da Federação Portuguesa de Hóquei e medalha de mérito da Liga dos Bombeiros Portugueses.
Paulo Sá Machado foi comissário-geral das grandes exposições filatélicas internacionais realizadas em Portugal e de congressos literários e científicos.
Paulo Sá Machado coordenou editorialmente as «Actas do Congresso da História da Maia», do congresso «de Garrett ao Neo-Garretismo», do «Fórum de Avintes», do acervo de cultura popular da Biblioteca Municipal da Maia, as «Actas do Congresso de Cultura Popular», as «Actas do Congresso Eça de Queirós e os valores do fim de século» e as «Actas do I Congresso de Gastronomia da Federação Nacional».
Paulo Sá Machado publicou os ensaios sobre «Santo Tirso de Ontem e de Hoje», a «História Postal de Valença», o «II Congresso Histórico de Guimarães», a «História do Postal, dos Correios e Filatelia», o «Convívio Galaíco-Português», o «Albeites, componentes e mendicineiros», o «Tondela através dos tempos», a «Literatura portuguesa no coleccionismo», as «Confrarias Gastronómicas Portuguesas» e a «Broa de Avintes através dos tempos».
Paulo Sá Machado colaborou nos jornais «O Povo da Barca», «Notícias Tirsenses», «Notícias do Tâmega», «Notícias de Paços de Brandão», «Folha de Tondela», «Sol Nascente de Santa Maria da Feira», «Diário do Norte», «Via Latina de Coimbra», «Filatelia Temática», «Prelúdio» (director), «Elo» (director), «Jornal da Maia» (director) e «O Comércio do Porto».
Paulo Sá Machado é confrade da Confraria da Broa de Avintes, Confraria Queirosiana, Confraria Gastronómica da Terra da Maia, Encomenda do Cocido de Lalín (Espanha), Cofradia do Viño Condado de Tea Salvatierra do Miño (Espanha), Confraria do Vinho Verde, Confraria dos Jornalistas Portugueses Enófilos, Liga dos Amigos da Saúde e do Vinho, Academia Madeirense de Carnes, Confraria Gastronómica da Madeira, Caballero de «A Lareira» de Tuy (Espanha) e da Confraria do Bucho Raiano.
Bem-vindo!
Administração do Capeia Arraiana
Peguei na «Ruta de los Castillos» do Sabugal Medieval e decidi honrá-los como eles merecem, quais guardiões do Côa, reforçando com a sua imponência, a fronteira que o rio definia. Espero não errar dados nem conceitos, mas prometi a mim mesma levar essa tarefa a bom termo, passando por todas estas fortalezas majestosas, quais marcos de pedra que contam segredos de príncípes e princesas e, quem sabe, de monstros e dragões. Vamos até Sortelha?
SORTELHA
Castelos são lugares com magia
Onde reis e princesas dominaram
Onde lutas se travaram
Numa ânsia de vencer.
Começo pelo de Sortelha
Altivo, dominador
D. Sancho 1º Senhor
Para marcar fronteiras.
D.Dinis e D. Fernando
De todo não o esqueceram
Mas com D. Manuel mereceram
Atenções, novo Foral.
Brasão Real e Pelourinho
Provam as honras recebidas
Em finais de noventa repetidas
Com honras de Aldeia Histórica.
São várias as suas portas
Porta da Vila a nascente
E a Nova da Vila a poente
No exterior medidas padrão.
Medidas de vara e côvado
Pois era ali o mercado
Por isso ali está marcado
Símbolo dessa actividade.
A Porta falsa e cisterna
E nada do que digo é miragem
A sua Torre de Menagem
E seteiras cruciformes.
A muralha defende a Vila
Mostra bem sua firmeza
Da urbe, em sua defesa
E elíptico traçado.
Talvez com Alcanizes perdesses
Mas imponência mantendo
Dominando e defendendo
O teu querido rio Côa.
Para Sortelha, a minha admiração.
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
As pessoas interessantes são interessadas e despertam interesse. Porquê?
É uma pessoa interessante? Acha que os outros a consideram uma pessoa interessante? E o que é ser uma pessoa interessante, afinal? Em conversa com uma amiga, ela falava de uma terceira pessoa e quando chegou o momento para a «avaliar» afirmou, convicta, que essa outra pessoa era «interessante». Seria o mesmo que dizer – quando não sabemos descrever um tipo de beleza estereotipado – chamamos-lhe de «exótica»?! Talvez. Dei por mim a pensar nessa tal coisa de ser ou não uma pessoa interessante. Pesquisei alguns artigos e cheguei a a algumas conclusões, não menos, interessantes! Assim, enumerei alguns itens comuns às pessoas que considero interessantes: As pessoas interessantes cativam e despertam interesse. Atraem-nos ou porque são optimistas, divertidas, ou porque têm algo para nos dar (no bom sentido). As pessoas interessantes são, antes de tudo, pessoas interessadas. Não se fecham na sua sabedoria, gostam de aprender e partilhar ideias. São bons ouvintes. As pessoas interessantes arriscam (ainda que seja de forma ponderada), mas não têm embaraço em fazer algo que nunca ousaram fazer na vida. São proactivas. As pessoas interessantes têm relacionamentos interessantes, ou seja, sabem como manter acesa a chama e não se limitam a contemplá-la. As pessoas interessantes têm sentido de humor. Não quer dizer que sejam «patetas alegres» ou sempre bem-dispostas, mas sabem ter sentido de humor, dar gargalhadas e verem o lado divertido da vida. As pessoas interessantes são optimistas, conseguem ver o «meio cheio» ao invés de o ver «meio vazio». Perante acontecimentos negativos são sobreviventes e não vítimas. As pessoas interessantes são criativas. Estão atentas ao que as rodeia e reinventam-se. As pessoas interessantes partilham histórias interessantes. Têm sempre algo para nos ensinar – ainda que seja o que está diante dos nossos olhos e não estamos a ver. Sabem como contar uma história. As pessoas interessantes tomam decisões. Não esperam que o tempo resolva por elas, não depositam ou transferem as responsabilidades das suas escolhas nos outros. São corajosas, embora também sintam medo. As pessoas interessantes são autênticas. Não são hoje uma coisa e amanhã outra só porque convém. Vivem de acordo com os seus próprios valores, ainda que estes possam ser somente delas.
Deixo-lhe um «T.P.C.» para o fim-de-semana: Esteja atenta às pessoas que lidam consigo e faça a sua lista de quantas pessoas interessantes conhece e porquê.
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo
carlanovo4@hotmail.com
A construção de uma circular externa ao Sabugal ganhou força face ao previsível aumento do tráfego na cidade em alternativa às portagens que serão introduzidas na A25 e na A23 e partir do dia 15 de Abril. O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, recebeu há cerca de um mês a garantia do Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações (MOPTC) de que a construção da via circular à cidade do Sabugal será introduzida no Plano Rodoviário Nacional, a fim de ser assegurado o seu financiamento pelo Estado.
O mais que previsível aumento do tráfego de camiões TIR pelo interior da cidade do Sabugal preocupa seriamente o presidente, na medida em que as vias existentes não têm condições para suportar esse aumento de tráfego.
Entretanto a existência de um governo de gestão, na decorrência da dissolução da Assembleia da República, ontem anunciada pelo Presidente da República, poderá atrasar a solução que até agora foi considerada prioritária para o concelho do Sabugal e para a região.
A decisão da colocação de portagens nas SCUT’s, obrigou a estudos técnicos, encomendados pelo MOPTC à empresa F9Consulting. O concelho do Sabugal aparece destacado a vermelho pela falta de variante (e alternativa) à passagem pelo interior da sede do concelho. O novo trajecto que vai passar a ser utilizado pelos TIR aponta para a estrada Ciudad Rodrigo – Aldeia da Ponte e correspondente passagem pela cidade do Sabugal. Os valores apresentados apontam para uma alteração das actuais sete/oito passagens diárias, em média, para cerca de 200 travessias dos TIR.
«O regime SCUT enquanto instrumento de correcção de assimetrias regionais – estudo de critérios para aplicação de portagens em auto-estradas SCUT» é o título do estudo da F9Consulting.
Destacamos algumas das conclusões do estudo, a que o Capeia Arraiana teve acesso:
1 – A introdução de portagens nas SCUTS’s, não só garantirá uma maior equidade e justiça social como permitirá um incremento das verbas a aplicar noutras áreas fundamentais das infra-estruturas rodoviárias, como sejam a conservação e segurança, bem como o melhoramento da rede de estradas e a ampliação da rede rodoviária nacional. A identificação de um conjunto de indicadores que retratam de forma fidedigna a realidade socio-económica das várias regiões servidas pelas SCUT’s, bem como as respectivas vias alternativas, permitirão, através da aplicação de determinados critérios, implementar uma discriminação positiva mais justa e eficaz.
2 – Na análise de alternativas de oferta no sistema rodoviário foi tomado em consideração o tempo de percurso global associado a cada uma das SCUT’s relacionando-o com o tempo de percurso das vias alternativas que lhe correspondem tendo em consideração as fragilidades existentes nas redes viárias regionais e locais.
3 – O concelho do Sabugal pelas suas características de território fronteiriço teve uma atenção especial no estudo. O apuramento do valor dos indicadores que no entender da Estradas de Portugal permitem aferir a existência de alternativas de oferta no sistema rodoviário A25 / A23 no sentido Castelo Branco / Lisboa está identificada pela ligação entre Ciudad Rodrigo (em Espanha) e Aldeia da Ponte (no concelho do Sabugal) com continuação pela Estrada Nacional 332 até à cidade do Sabugal. Os dados estudados apontam para um forte incremento da passagem de camiões pesados. Assim este estudo sugere uma intervenção urgente no sentido de criar uma variante externa à cidade do Sabugal como forma de oferecer alternativas no sistema rodoviário e manter os níveis de segurança no interior da localidade.
plb

Clique para ampliar
Clique para visitar a Habisabugal
Clique para visitar a Caracol Real
Clique para visitar Vinhos de Belmonte
Clique para ampliar
Clique para ampliar
Clique para ampliar
Clique para ampliar

Clique para ver o calendário
Clique para ver o blogue oficial
Clique para visitar a página oficial
Clique para ver a página web
Clique para visitar
Clique aqui
Clique para visitar
Clique para visitar
Clique para ampliar




Clicar na imagem para aceder
Clicar na imagem para ver
Clique para aceder

Comentários recentes