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O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano decorreu no dia 5 de Março, sábado de Carnaval. A primeira parte teve lugar no Auditório Municipal do Sabugal com a cerimónia de entronização e a segunda parte no Soito com recepção na Junta de Freguesia e almoço no Restaurante «O Martins».

GALERIA DE IMAGENS  –   II CAPÍTULO  –  CONFRARIA BUCHO RAIANO  –  5-3-2011
Fotos Capeia Arraiana –  Clique nas imagens para ampliar

(Continua.)
jcl

O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano decorreu no dia 5 de Março, sábado de Carnaval. A primeira parte teve lugar no Auditório Municipal do Sabugal com a cerimónia de entronização e a segunda parte no Soito com recepção na Junta de Freguesia e almoço no Restaurante «O Martins».

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O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano decorreu no dia 5 de Março, sábado de Carnaval. A primeira parte teve lugar no Auditório Municipal do Sabugal com a cerimónia de entronização e a segunda parte no Soito com recepção na Junta de Freguesia e almoço no Restaurante «O Martins».

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O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano decorreu no dia 5 de Março, sábado de Carnaval. A primeira parte teve lugar no Auditório Municipal do Sabugal com a cerimónia de entronização e a segunda parte no Soito com recepção na Junta de Freguesia e almoço no Restaurante «O Martins».

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O mundo é dos homens e assim deve de continuar a ser! Polémica esta frase dita por uma mulher? Talvez não. Mas dá que pensar…

Mundo das Mulheres - Corrida Saltos Altos

Carla NovoSe o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam o seu dia e assim não teriam uma data especial para celebrar! Se o mundo não fosse dos homens não existiram «quotas» para cargos femininos em diversos sectores. Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não poderiam exigir mais de si mesmas e terem até mais qualificações do que eles para poderem usufruir de igual salário ocupando as mesmas funções! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam a versatilidade que têm durante um simples dia (desde que não seja o delas, claro!). Se o mundo não fosse dos homens as mulheres não poderiam sentir orgulho de terem conquistado o direito ao voto. Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam de ter um companheiro estável (e provar que o têm) para optarem por congelar os seus óvulos e, assim, adiarem a maternidade e recorrer a um banco de esperma! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres teriam menos divertimento nas estradas quando cometem aselhices e levam buzinadelas ao volante, ou não estacionam o carro à primeira! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres, certamente, teriam significados diferentes para as palavras «ajuda», «colaboração e «obrigação», portanto não desenvolveriam tanto o seu vocabulário! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam oportunidade de agradecer quando lhes é dada passagem, portanto seriam seres menos gratos! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam a sorte de poder gerir bem o seu tempo e fazer várias tarefas ao mesmo tempo! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam a possibilidade de estarem numa reunião de trabalho às quatro da tarde e fazer um bacalhau com natas às oito da noite! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres não teriam tanto assunto para falar com outras e seriam seres menos sociáveis! Se o mundo não fosse dos homens, as mulheres, provavelmente, não teriam apurado tanto a sua inteligência emocional, portanto seriam seres menos felizes. Por tudo isto (e outras que ficaram por falta de espaço) as mulheres devem de agradecer o mundo ser dos homens e zelar para que assim continue! Afinal, se não fossem os homens, poderiam as mulheres serem tão… irónicas?!
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo

carlanovo4@hotmail.com

A realização do 2.º Capítulo da Confraria do Bucho Raiano foi um momento alto de afirmação das tradições sabugalenses.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Como confrade participei com grande satisfação na realização deste Capítulo, não podendo deixar de salientar os seguintes aspectos para mim mais relevantes:
1. O crescimento sustentado da Confraria, com a entronização de mais 21 confreiras e confrades que no Anfiteatro Municipal e na presença das restantes confreiras e confrades, fizeram o seu juramento.
2. A ultrapassagem de uma situação que se vinha a revelar contrária aos interesses do Concelho, referindo-me concretamente à presença e à outorga de um diploma de honra à Casa do Concelho do Sabugal.
O elogio público e o abraço entre o Chanceler da Confraria, Paulo Leitão, e o Presidente da Casa do Concelho, José Eduardo Lucas, são o prenúncio de que as duas entidades estão dispostas e saberão encontrar os caminhos para, em conjunto, continuar a defender e a divulgar as potencialidades do nosso Concelho.
3. A realização do Capitulo na cidade do Sabugal e do almoço na vila do Soito, onde fomos magnificamente recebidos, primeiro pelo Sr. Presidente da Junta num «Porto de honra», e depois no Restaurante Martins, mostrando que, de uma vez por todas, devemos saber ultrapassar «guerrinhas» e rivalidades locais, pois, como venho dizendo, somos muito poucos e os desafios são demasiado grandes para que percamos tempo em coisas secundárias.
4. A assinatura do protocolo com um produtor de vinho do Concelho de modo a que o vinho «doispontocinco» da zona de Sortelha passe a ser o vinho oficial da Confraria, estando presente em todas as suas iniciativas. Eis uma forma correcta de promover os produtos sabugalenses.
5. Por último, a nobreza dos dinamizadores da criação da Confraria e seus actuais dirigentes ao recusarem serem entronizados enquanto cavaleiros.
Esta é uma atitude que os engrandece, mas que engrandece e dignifica também a Confraria do Bucho Raiano.
Caros confrades, podeis não ser cavaleiros à luz dos estatutos, mas estou certo que sois cavaleiros na mente e no coração de todas as confreiras e confrades!

Ps: Porque alguns dos presentes me questionaram sobre o assunto, deixo aqui este esclarecimento. O Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal (eu próprio) foi convidado oficialmente para participar neste evento (atitude que não tem vindo a ser seguida por outros promotores de eventos que se realizam no Concelho…).
Porque sou confrade solicitei ao Sr. Chanceler da Confraria que me permitisse juntar-me às restantes confreiras e confrades, o que foi entendido e assim se fez.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

A Divisão Ligeira do exército britânico teve um papel fundamental na luta contra a invasão francesa de Portugal, tendo actuado em diversos cenários com grande heroicidade, incluindo na Batalha do Sabugal em 3 de Abril de 1811.

Face à previsão de uma terceira invasão francesa, Arthur Wellesley, então visconde de Wellington, reestruturou o exército britânico em divisões, nas quais integrou unidades portuguesas, que passariam a actuar em conjunto.
Em 22 de Fevereiro de 1810, criou a Divisão Ligeira, sucedânea da Brigada de Infantaria Ligeira, considerada uma tropa versátil e composta por militares de elite.
Entrega o comendo desta divisão ao general Robert Craufurd, um jovem promissor em cujo valor Wellington acreditava. Isso não foi pacífico, uma vez que tinha com ele outros generais mais antigos que ambicionavam a atribuição desse comando.
A divisão Ligeira estava equipada com a espingarda Baker, mais evoluída do que o musquete que equipava o resto da infantaria britânica. Essa espingarda tinha o cano estriado e era mais leve, tendo maior alcance e maior precisão no tiro. Além disso os homens que a constituíam eram escolhidos entre os melhores atiradores e era-lhes incutido um espírito de corpo e de sacrifício, que os tornavam capazes de efectuar missões descentralizadas, desgarradas do corpo principal do exército, em acções de reconhecimento e de retardamento onde a versatilidade e a velocidade de movimentação eram essenciais.
A nova divisão foi constituída pelos regimentos britânicos 42º, 53º e 95º, a que se juntaram os batalhões de caçadores portugueses números 1 e 3. A divisão foi ainda reforçada pelo 1º regimento de Hussardos da Legião Alemã do Rei, um corpo de cavalaria do exército alemão, que servia os ingleses em Portugal.
Wellington sabia que estava em posição de desvantagem face à excelente cavalaria de Massena, e decide colmatar a sua insuficiência de cavaleiros com o serviço da Divisão Ligeira, cuja versatilidade usou para constituir uma força de observação e de contenção. Assim, encarregou o general Craufurd de estabelecer a linha avançada do dispositivo de defesa de Portugal, dispondo as suas tropas entre os rios Côa e Águeda, com postos avançados muito próximos das tropas de Massena, que começaram por tomar Ciudad Rodrigo, antes de avançarem para Portugal.
Foi a Divisão Ligeira que retardou a invasão, envolvendo-se em refregas com a vanguarda francesa e movimentando-se com rapidez, procurando dar a entender que o grosso do exército estava próximo e pronto a enfrentar a força invasora. Contrariando as indicações de Wellington, Craufurd envolveu-se na batalha do Côa, junto à ponte de Almeida, onde se bateu valorosamente com as hordas do 6º Corpo do exército francês, que, sob o comando do marechal Ney, iniciou a terceira invasão de Portugal. Depois, perante o avanço do dispositivo francês em direcção a Lisboa, a Divisão Ligeira formou a retaguarda do exército anglo-português, procurando observar de perto a evolução da vanguarda da força invasora.
No Buçaco formou no flanco direito do dispositivo de Wellington, em missão de protecção, que cumpriu com denodo. Já nas linhas de Torres Vedras, ocupou um sector da defesa de Lisboa, em igualdade com as demais divisões do exército.
De volta ao Côa, a divisão ligeira, sob o comando interino do general Erskine, por ausência de Craufurd, de licença em Inglaterra, bateu-se na Batalha do Sabugal. Teve aqui uma acção decisiva, actuando com coragem quando apanhada numa situação desfavorável, o que lhe valeu rasgados elogios de Wellington.
Entretanto, já com Craufurd de volta ao comando, a Divisão Ligeira voltou a destacar-se no assalto à praça de Ciudad Rodrigo, em 8 de Janeiro de 1812, onde o seu mítico comandante é gravemente ferido, morrendo após quatro dias de sofrimento, sendo enterrado na brecha.
Paulo Leitão Batista

O Comando Territorial da GNR da Guarda levou a efeito nas estradas do distrito a operação Carnaval 2011, que decorreu entre 4 e 8 de Março, tendo sido registados 21 acidentes de viação, de que resultaram um ferido grave e oito feridos leves.

Comparativamente ao ano anterior verificou-se uma diminuição no número de acidentes (menos cinco) e no, tocante às consequências, registou-se um igual número de feridos graves, havendo um aumento nos feridos leves. As vítimas resultaram de acidentes ocorridos em estradas nacionais e municipais, não se verificando quaisquer acidentes nas auto-estradas A23 e A25.
Segundo o comunicado remetido à 9impresa pelo comandante territorial da Guarda, coronel José Monteiro Antunes, a GNR exerceu, durante a operação, um esforço em matéria de segurança rodoviária, tendo efectuado 79 patrulhamentos e empenhando um total de 157 militares.
A acção fiscalizadora foi também tida em conta, nomeadamente no tocante a manobras perigosas e condução sob efeito do álcool. No total, foram autuados 87 condutores por contra-ordenações (10 muito graves, 30 graves e 47 leves).
Foram controlados 5.010 veículos através dos radares de controlo de velocidade, tendo sido detectados 67 em excesso. Em matéria de álcool foram fiscalizados 877 condutores, tendo-se verificado 18 excessos, dos quais 11 constituíram ilícito criminal por apresentarem uma taxa igual ou superior a 1,20 gramas por litro.
Foi detido um condutor por condução sem habilitação legal.
plb

A Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto do Instituto Politéctico da Guarda (ESECD/IPG) realiza, nos dias 15 e 16 de Março, um Workshop em «Vídeo Documentário», que será orientado por Jorge Pelicano.

Esta iniciativa integra-se no curso de Comunicação Multimédia e tem por objectivo desenvolver a formação integral dos estudantes e facilitar a inserção na vida activa, complementando a aprendizagem curricular na área do vídeo.
No primeiro dia, pelas 21h30, terá lugar no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda (TMG) a projecção do documentário «Pare, Escute e Olhe», de Jorge Pelicano (ex-aluno da ESECD/IPG), a que se seguirá uma tertúlia, aberta a todos os interessados.
Jorge Pelicano é um jornalista e repórter de imagem, de 33 anos, nascido na Figueira da Foz e licenciado em Comunicação e Relações Públicas pelo Instituto Politécnico da Guarda.
Depois de se consagrar com o documentário «Já não há pastores», dedicado aos pastores que restam na Serra da Estrela, Jorge Pelicano produziu o trabalho «Páre, Escute, Olhe», tem como objectivo colocar o tema do fim anunciado da linha do ua na ordem do dia.
A ligação ferroviária entre Bragança e Mirandela foi desactivada em Dezembro de 1991, e o realizador quis mostrar como «essa sentença acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal». O documentário aborda as sucessivas promessas políticas para o apoio ao desenvolvimento da região, o mau estado da linha ferroviária, os acidentes, e a vida das populações locais servidas pelo centenário caminho-de-ferro.
plb

Badamalos teve a honra de receber, no passado dia 4 de Março, na sua Igreja Matriz, S.ª Ex.ª o Sr. Secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, o Exm.º Sr. Governador Civil, Santinho Pacheco, o Exm.º Presidente de Câmara, António dos Santos Robalo e o Revº. Padre Bastos, em representação do Sr. Bispo da Guarda.

Badamalos - José Junqueiro - António Robalo

A visita à nossa terra de tão ilustres Entidades prendeu-se com a assinatura do protocolo através do qual foi celebrado o contrato de a ajuda que o Governo nos vai conceder, no montante de cerca de 43.000 euros, para as Obras de Conservação e restauro da Igreja de São Bartolomeu – nosso Orago – constituídas por cobertura, fachadas, pavimento, paredes, cantarias, tecto e altares (arte sacra).
Há cerca de 15 anos que Badamalos lutava por este objectivo, mas vicissitudes várias, designadamente as que se prendiam com falta de dinheiro, ainda o não haviam permitido. Hoje, porém, com esta preciosa ajuda, podemos garantir aos Badamalenses que o restauro da nossa igreja vai ser uma realidade. A curto prazo terá o seu início.
A presente Comissão Fabriqueira, constituída pelo Sr. Pe. Hélder, João Nobre, Natália Brigas e Isabel Fonseca, Manuel Vaz e José Monteiro, nomeada em 17 de Janeiro de 2010, teve a sua primeira reunião de trabalho, no dia 14 do mês seguinte, com o principal objectivo de analisar e estudar a possibilidade de avançar com o projecto mandado elaborar pela anterior comissão e, embora já com cinco anos de existência, se ainda poderia ser aproveitado para efeito de candidatura no âmbito do Programa de Equipamentos Urbanos de Utilização Colectiva.
O tempo já era curto, já que para alcançarmos aquele desiderato, o projecto teria de ser entregue, até 31 de Março, na CCDC/Guarda para que pudesse ser integrado no primeiro grupo de candidaturas a serem apreciadas e decididas no ano de 2010. Conhecida a possibilidade do seu aproveitamento, feitas as necessárias adaptações, desenvolvidas as imprescindíveis diligências, o objectivo foi alcançado: em 28-03-2010 o projecto, devidamente instruído, foi entregue naquela Entidade.
Hoje dizemos: Valeu a pena! Alcançámos o que tanto ambicionávamos! Por isso, as obras de cobertura, fachadas, paredes, cantarias, pavimento, tecto e coro já as temos adjudicadas pelo montante de 63.340 euros (s/IVA) e irão ter o seu início na segunda quinzena de Abril. A estas seguir-se-ão as obras de arte sacra. Com a preciosa ajuda que nos foi concedida passámos a usufruir de melhores condições para avançarmos para a segunda fase e levarmos a efeito o completo restauro da nossa igreja. Contudo, importa registar que mesmo assim ainda não é o suficiente. Ainda nos falta significativa importância. Mas estamos certos de que a generosidade dos Badamalenses vai continuar a estar presente e, em devido tempo, a quantia em falta será reunida!
O dia 4 de Março de 2011 foi dia de festa para Badamalos. Nunca na sua história, que já é longa, havia tido a oportunidade de, de uma só vez, receber tantos e tão ilustres visitantes. Sente-se ainda honrada e agradecida por a sua igreja ter sido a seleccionada para ser o palco da celebração das assinaturas dos protocolos das cinco freguesias contempladas no Distrito da Guarda. Ao acto das assinaturas, seguiu-se um fausto lanche, oferecido pela Junta de Freguesia.
Os Badamalenses estão de parabéns!
João Nobre
Secretário da Comissão Fabriqueira

Mestre na arte de versejar, senhor de virtualidades técnicas notáveis, Manuel Leal Freire é um dos maiores poetas da nossa terra.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia Arraiana3. Estrutura
Como é usual nos poemas de Leal Freire, a estrutura é simples e dominada por uma rede de correspondências externas: A – B -A- B. C-D-C-D E-F-E-F, etc.
A – Introdução (estrofe 1 e 2).
A estrofe 1 introduz o tema ( a ceia) e o tempo (à hora das trindades).
A estrofe 2 introduz a personagem (o lavrador, que é bom pai, homem bom) e justifica, ao mesmo tempo, a narração que decorre nas estrofes seguintes.
Dir-se-ia, assim, que o tempo real do poema é o que vai das trindades à oração final da ceia do lavrador, mas com um registo temporal diferente, anterior ao da sua própria cronologia, já que â manjedoura e à mesa, vem tudo o que anteriormente o campo generoso deu. Ceiam os animais e lavrador tudo o que da natureza veio.
B – Narração (da estrofe 3 à 13). Descrição do que a natureza fornece, através do alimento dos vários animais e do lavrador.
C – Conclusão (14 e 15). São duas estrofes que emergem do que se diz de 3 a 14, estabelecendo um paralelo entre a ceia dos animais e do lavrador. A sua unidade, de resto, é reforçada pela projecção, ou enjambement, da estrofe 9 (a mesa, que é um altarzinho) para a estrofe 14 (aonde descem as almas santas do céu), 15 (e acaba a ceia com uma prece) e o remeate do poema na 16 (com uma espécie de libação).

4. Tema
Este é mais um belo poema de Leal Freire, no qual, uma notável rede de correspondências entre a ceia dos animais e do lavrador confere unidade ao poema, faz da ligação entre o primeiro e ante-penúltimo versos, o resumo da ideia e do tema:
«Deram os sinos trindades [...] A paz reina sobre a Terra.»
São estes os versos que resumem o poema: A vida simples e tranquila do campo, ao ritmo das trindades. Uma vida espiritual no seio da natureza que a vida moderna suprimiu com a necessidade do indivíduo em prover às sua cada vez mais exigente existência corpórea.
Uma «beatus ille», muito semelhante à áurea mediania (aurea mediocritas) já glosada na antiguidade clássica por Homero, Heráclito, Esopo na fábula do rato do Campo e do rato da cidade, e, na sequência dos estóicos, Virgílio, Horácio, também defensor de um ideal de vida calmo e sem grandes exigências, capaz de dar ao Homem a felicidade que não encontra no meio do ambiente perturbado da cidade, na glória das batalhas ou mesmo «no exercício decoroso das magistraturas» e lá fora, por Frei Luís de León, Carlyle, Tolstoy e outros, e entre nós, por Francisco Manuel de Melo, António Ferreira nalgumas das suas odes, Sá de Miranda na Carta a Mem de Sá, através do recurso também à fabula do rato do campo e do rato da cidade, e posteriormente pelos arcádicos.
Neste poema, em que Leal Freire trata o seu tema recorrente das virtudes da vida no campo, da sua «pátria chica», como costuma dizer, é o ritual da ceia, dos animais e dos homens, cuja hora é anunciada pelo toque das trindades, e culmina na prece final da ceia do lavrador, que traz a paz à terra.
E esta paz a que conduz esta bela vida, é magistralmente resumida na última estrofe, pela fraternidade e igualdade entre todos os homens reunidos na tasca, a qual dá à vida simples do campo um carácter espiritualidade e sagrado mais puros, mais próximos de Deus, porque mais próxima do criador e da sua criação:
«Dia um da criação (16)/A quantos na tasca estão.»
Sorrimos ao remate síngular do poema. Quem conhece o poeta, como nós,vê-o no seu geito bem Ribacudano, chapéu de abas, a entrar numa desas tascas das nossas aldeias e a oferecer uma rodada de bom graminês…
«A todos os que na tasca estão.»
Porque esta, é a natureza de Leal Freire, porque é um homem de Riba-Côa.
(Continua.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A sessão evocativa do poeta Fernando Pinto Ribeiro está marcada para o dia 17 de Março no Café Concerto do TMG e inclui o lançamento da obra póstuma «O Cisne Submerso». A homenagem conta com as presenças dos poetas Julião Bernardes, Joaquim Murale e José Leitão Baptista e de Carlos Augusto Ribeiro, Eduardo Sucena e Jorge Castelo Branco. A leitura de poemas do autor estará a cargo de Américo Rodrigues.

Fernando Pinto Ribeiro

jcl

Realiza-se a 28 de Maio, sábado, o quinto encontro dos antigos alunos e professores do Externato Secundário do Sabugal.

Ex-alunos e professores com José Diamantino dos SantosA comissão organizadora marcou já a data do convívio que anualmente reúne no Sabugal os ex-alunos e professores do colégio de que era proprietário e director o já falecido Dr José Diamantino dos Santos.
O Externato Secundário foi durante algumas décadas a única escola liceal do concelho do Sabugal, e manteve-se em funcionamento até à chegada do ensino oficial, o que apenas aconteceu na década de 1980. Milhares de jovens do concelho do Sabugal e de algumas terras dos concelhos limítrofes obtiveram aí a sua formação académica e dali saíram para as universidades e para a vida profissional.
O espírito de amizade que sempre se viveu no colégio entre professores e alunos passou a reviver-se nos encontros anuais realizados no Sabugal, na Primavera.
A «mordomia» informa que o programa está a ser preparado e será anunciado a seu tempo. Porém os interessados podem já efectuar a sua inscrição para os contactos seguintes:
Fátima Freire: 962918817
Ana Maria Coutinho: 962345214
Manuel Soares Azevedo: 933202788
Manuel Augusto Nabais: 963835665
plb

Em reacção à posição assumida pelo PSD da Guarda acerca da introdução de portagens nas auto-estradas A23 e A25, que servem o distrito, o presidente da comissão política do Partido Socialista do Sabugal, Nuno Teixeira, desafia o PSD a apresentar na Assembleia da República uma proposta de suspensão das mesmas portagens. Publicamos, na íntegra, o comunicado que o PS do Sabugal nos fez chegar acerca deste assunto.

Scuts«O PSD Distrital, de vez em quando, tem de mostrar que existe e tudo serve de pretexto para, esporádicas, conferências de imprensa, a face visível de uma liderança ausente.
E como a questão das SCUT´S e das portagens são tema de movimentações e conversas, eis um bom mote para uma boa dose de demagogia.
Pegando na deixa dos seus Deputados pelo D…istrito, vêm “cavalgar a onda” de que o governo do PS é que governa e por isso a culpa das portagens na A23 e na A25, ser do PS e do Governo.
Está dito e redito, mil vezes escrito, que o PS e o seu Governo resistiram, quanto puderam, a introduzir portagens nas SCUT´s do Interior do País e que foi o líder do PSD, Passos Coelho, quem exigiu a universalidade dos pagamentos no todo nacional.
Se assim não fosse as portagens não seriam introduzidas por duas ordens de razões: Primeiro porque o Governo o não quer e, depois, porque o PSD e restante oposição, com larga maioria no Parlamento, caso fosse o PS a propô-lo, votariam contra e chumbariam a proposta como o já fizeram tantas vezes, noutras situações.
É pois fácil deduzir e concluir:
O PSD é o ÚNICO responsável pelas portagens.
Se assim não é, pois que o demonstre e prove agora.
Nesta fase e uma vez que a cobrança das portagens integra a Lei do Orçamento só o Parlamento pode inverter a situação.
Lançamos o desafio aos senhores Deputados do PSD/Guarda para que, no âmbito do respectivo Grupo Parlamentar, proponham um projecto de resolução e o PSD vote favoravelmente suspender o pagamento de portagens na A23 e na A25.
É na Assembleia da República e não em Conferências de Imprensa sem sentido que o Distrito pode ser defendido e é certo que se a proposta de abolir as portagens na A23 e A25 for a votação na AR, os Deputados do Partido Socialista votarão favoravelmente.
Se o PSD é mesmo contra as portagens tem aqui uma boa oportunidade para o demonstrar.
Ficamos à espera da iniciativa parlamentar do PSD.
Não fujam a esta responsabilidade.
Para o PSD/Guarda chegou a hora da verdade.
O Presidente da Comissão Política Concelhia do Sabugal»

O ministro alemão das finanças, disse numa conferência em Berlim: «Depois do desastre Nazi, o novo poder alemão na Europa, através da União, criou a SEGUNDA OPORTUNIDADE HISTÓRICA DA ALEMANHA».

António EmidioDepreende-se destas palavras que a Alemanha quer dominar a Europa economicamente, já que militarmente, por enquanto, é impossível, e neste momento não o necessita, convém dizer que é o terceiro país exportador de armas do Mundo.
Aliás, um observador atento de todo este emaranhado político/económico da União Europeia já chegou à conclusão que a independência económica dos Estados Membros é uma miragem. Todas as capitais europeias estão debaixo do jugo político/económico alemão.
Passados 72 anos em que tudo falhou, é a – SEGUNDA OPORTUNIDADE HISTÓRICA DA ALEMANHA – para o domínio total da Europa. Que a história não se repete, é uma realidade, mas caminha sempre acompanhada com o passado. Este, com matizes diferentes, próprias do momento histórico, faz a sua aparição, aí o temos!
A Alemanha tem vontade de poder, não está na União Europeia desinteressadamente, ou no intuito de fazer dela um bloco económico e social próspero.
Se olharmos para a história da Alemanha, desde a sua unificação por Bismark, veremos que dentro dela existe a mentalidade do mando, nasceu para mandar. É racista, a Segunda Guerra Mundial demonstrou-o até à saciedade, a barbárie foi monstruosa. Já Engels, um revolucionário internacionalista, dizia que o destino dos povos do Leste Europeu era serem colonizados pela Alemanha. Os alemães consideram alguns dos outros povos europeus, civilizados, mas a cultura é um privilégio alemão, dizem eles.
E a Democracia dentro da própria Alemanha deixa muito a desejar. A Alemanha tem uma polícia política de nome pomposo «Oficina Federal para a Protecção da Constituição». O partido político Die Link, tem os seus parlamentares no Bundestag, debaixo da vigilância dessa polícia política, o conteúdo dos seus telefonemas e e-mails, são do conhecimento dessa Oficina Federal. Isto é do domínio público, mas não provoca indignação… Estes parlamentares foram eleitos pelo povo alemão democraticamente, mas tem mais valor e força, a vontade da polícia política do que os eleitores!!!
Um dos divertimentos da senhora Merkel é legislar contra os sectores mais desfavorecidos da Alemanha, o que equivale a dizer que vai exigir o mesmo aos outros Estados Membros da União Europeia, no que concerne aos seus próprios povos.
Querido leitor(a), o ser humano nada aprende da história, essa mestra, aprende do seu próprio sofrimento.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

No dia 5 de Março a GNR deteve em flagrante delito, em Celorico da Beira, um indivíduo de 29 anos de idade, desempregado, residente na Guarda, por crime de posse e tráfico de estupefacientes.

Preso algemadoO suspeito tinha na sua posse 27,1 gramas de produto estupefacientes (271 doses de haxixe e heroína), uma balança de precisão, um telemóvel e 60 euros que lhe foram apreendidos. O mesmo foi presente ao Tribunal Judicial de Celorico da Beira.
No dia 4 de Março foram detidos três indivíduos, com idades compreendidas entre 21 e 48 anos de idade, residentes em Celorico da Beira, por crime de resistência e coação sobre militares da Guarda Nacional Republicana, na sequência de discussões e desacatos num bar daquela localidade. Os suspeitos, já com antecedentes criminais, nomeadamente, por crime de detenção e posse de arma proibida e pela prática de vários crimes de furto (um deles havia sido detido e presente a Tribunal no passado dia 28 de Fevereiro), foram presentes ao Tribunal Judicial de Celorico da Beira e ficaram a aguardar em liberdade o resultado do Inquérito, sujeitos à medida de coação de Termo de Identidade e Residência.
Na tarde do dia 3 de Março foram também detidos dois indivíduos, de 17 e 24 anos de idade, residentes em Viseu e Tábua, por crime de detenção e posse de armas proibidas e por falta de habilitação legal para conduzir. Os suspeitos, que na sequência de um controlo de velocidade, desobedeceram ao sinal de paragem dos agentes, têm antecedentes criminais e estão referenciados pela prática de vários furtos em residências de alguns concelhos do Distrito de Viseu, conforme se constatou através das acções de coordenação com o Comando Territorial da GNR de Viseu. Tinham na sua posse dois punhais, uma navalha «ponte e mola», um saco com moedas antigas de colecção e alguns artigos em ouro que, conforme se apurou, tinham furtado numa residência em São Pedro do Sul.
Ainda na tarde do dia 4 de Março, na sequência de uma denúncia apresentada no Posto Territorial de Seia, militares da Equipa de Investigação e Inquéritos daquele Posto identificaram três indivíduos, menores, com idades compreendidas entre 13 e 15 anos, estudantes, residentes em Seia, por crime de furto em residência. Os suspeitos já estavam referenciados pela prática de delitos naquela cidade e estão a ser acompanhados pela Comissão de Protecção de Menores. Ainda tinham na sua posse os objectos furtados numa habitação em Carvalhal – Seia, designadamente, uma consola «Wii», duas «trotinetes» e uma chave de um veículo da marca Mercedes, avaliados em 3.000 euros, que foram recuperados.
plb

=O Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco, desafiou as mulhes do distrito a preservar as tradições. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Pedro Taborda da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano repartiu-se entre o Sabugal e o Soito no sábado, 5 de Março de 2011. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Pedro Taborda da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

No Auditório Municipal do Sabugal decorreram as cerimónias com a presença das confrarias madrinhas (Queijo Serra da Estrela e Chanfana) e uma dúzia de outras confrarias. Foram entronizados 21 novos confrades e condecorados com a Ordem de Cavaleiro o Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco, o escritor Leal Freire e o empresário Manuel Joaquim Rito. Com o diploma de honra foram distinguidas a Casa do Concelho do Sabugal e a redacção da Guarda da LocalVisãoTv.
Após uma viagem em caravana pela nova estrada que faz a ligação entre os cruzamentos do Cardeal e do Ozendo as confrarias desfilaram em cortejo, no Soito, entre o Largo das Festas e o salão da igreja paroquial onde foram recebidas para um porto de honra pela Junta de Freguesia local.
O almoço com bucho raiano e vinho doispontocinco teve lugar no Restaurante «O Martins» com um serviço de excelente qualidade.
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O II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano foi o momento escolhido pelo presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António dos Santos Robalo, para anunciar duas novidades. O Bucho Raiano vai ser candidatado pela Câmara Municipal do Sabugal, com o apoio da Confraria do Bucho Raiano e outras associações de desenvolvimento do distrito da Guarda, ao concurso 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa e a autarquia vai disponibilizar para quem estiver interessado o licenciamento de uma cozinha tradicional para o fabrico local de enchidos. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Pedro Taborda da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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A mocidade de hoje, por força da alteração das leis que regulam o serviço militar, está absolutamente carente de uma educação firme e rigorosa que a prepare para as responsabilidades próprias da idade adulta.

Ventura Reis - TornadoiroO fim do serviço militar obrigatório foi a maior das asneiras cometidas pelos responsáveis deste país à beira mar plantado. Ao profissionalizar o exército o governo criou uma classe poderosíssima. Os militares que temos não são verdadeiramente filhos do povo, ao contrário do que sucedia quando todos os jovens eram obrigados a ir à tropa. São antes uma classe profissional empenhada na conquista de direitos e de privilégios.
O serviço militar obrigatório teve sempre uma função formadora para a juventude. Era na tropa que o rapaz tímido e introvertido despontava para a vida, aprendendo a desenrascar-se e a lidar com os outros. Era também ali que o jovem rebelde e indomável via refreado o seu ímpeto, sendo obrigado a sujeitar-se às duras regras da vida militar e a obedecer a quem legitimamente lhe dava ordens. Aquele que se portasse mal era castigado e a punição, com a devida dose e medida, preparava-o para o devir.
O serviço militar aprestava o povo para pegar em armas e defender o país de uma agressão externa. O manejo das armas, a aprendizagem das tácticas de combate, a imposição da disciplina castrense, levam a que todo o cidadão estivesse apto a servir a Pátria.
Relembro o essencial das regras de recrutamento militar que havia antigamente. O serviço militar era «pessoal e obrigatório». E dizia-se «pessoal» porque noutro tempo mais antigo um qualquer, se fosse rico, podia furtar-se à tropa enviando alguém em seu lugar. Mais tarde passou a ser unicamente permitida a substituição entre irmãos, mas depois também esta possibilidade caiu, passando a haver regras iguais para todos.
A idade do serviço militar era os 20 anos, sendo porém admissível o alistamento a qualquer mancebo robusto e alto, que completasse os 16 anos.
Ficavam livres da tropa os inválidos ou inúteis por achaque ou lesão indicada numa tabela. O mesmo sucedia com os que tivessem menos de 1,54 metros de altura. Estes últimos ficavam, ainda assim, na chamada «reserva do exército».
O sistema tinha o instituto do «amparo», que beneficiava os mancebos de cujo trabalho e rendimentos a família dependesse em exclusivo. Nestes casos a tropa era apenas obrigatória para efeitos de instrução, sendo que, no final da recruta e logo que o militar ficasse «pronto», passava automaticamente à disponibilidade, podem regressar a casa para sustentar a sua gente.
Era um sistema justo e benéfico para a mocidade e para a defesa do País. Os jovens, ao serem compelidos a cumprirem o serviço militar, recebiam instrução física e moral, que bem necessitavam para se fazerem homens aptos a enfrentar as dificuldades da vida.
Cada moço, ao ir à tropa e assim servir a Pátria, pagava o outrora chamado «imposto de sangue», porventura a mais pesada das contribuições suportadas pelo povo, sendo por isso fundamental distribuí-lo por todos.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis

O Museu do Sabugal apresenta entre os dias 5 e 23 de Março a exposição «Emoções Gastronómicas», colecção particular de Paulo Sá Machado. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Pedro Taborda da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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O primeiro-ministro, José Sócrates, e a ministra da Saúde, Ana Jorge, visitaram este sábado, 5 de Março, as obras de ampliação do Hospital da Guarda. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaNão destaco a mulher por qualquer razão especial mas, me desculpem, pois ela destaca-se naturalmente, como Mulher e Mãe. O poema, que deixei há um ano, bem prova a multiplicidade de valências que a mulher apresenta, uma vezes para a valorizar, outras, não tanto. Todos sabemos como a mulher desde sempre, na história, era considerada de espécie inferior e hoje ainda temos culturas onde isso acontece.

Em Portugal, várias foram as lutadoras pela liberdade e igualdade da mulher e dessa luta foi-se delineando a Comemoração do Dia da Mulher. Se me perguntarem se concordo, não totalmente, porque se ela sempre deu provas do seu valor, não precisaria de qualquer destaque. Quem sou eu, porém, para questionar se é válido ou não que se faça esta comemoração? E, como nos meus poemas também destaco figuras que considero dignas de tal, aqui deixo uma homenagem a uma mulher que sempre considerei e admirei, pela sua garra, pela sua coragem.

MULHER DO MAR

Sorrisos salgados
Que o sol cresta e perpassa
Lágrimas de sal de puro desgosto
Pestanas russas
Sulcos de quilhas na pele rasgada
De pestes e ventos, secando teu rosto.

Na cabeça a canastra
De prata repleta
Sardinha talvez ou peixe miúdo
São vidas bem cheias
Safado desgosto
De anseio, de pressa, de medo e de tudo.

Na voz canta o mar em rimas e ritmo
Da dança das ondas e barcos no cais
Em olhos de mar
Ou céu de veludo
De negro ou verde
De sons e de versos cantados em ais.

Meneando suas ancas
Gritando “freguesa”
Dançando nas ondas
De pura maresia
É a mulher da praia, do peixe e do mar
Que grita, que canta de nome Maria.

Homem trabalha lá longe a pescar
Coração que bate
Num sufoco sem par
Luta, labuta
Educa seus filhos
Sempre lançando seus olhos ao mar.

Corre ao Senhor
Pedindo, rezando
Com voz de sereia, seu doce cantar
Um choro amargo
De duras esperas
Tantas horas, seu homem no mar!

É o mar que traz é o mar que leva
Num vaivém longo,
Sem fim nem parança
Cansaço de anos
De dias a fio
Mas sempre viva, mantém a esperança.

Vai, vai a varina ligeira
Chinelas tloc, tloc, quase alada
É como que voa e deixa voar
Desliza pela calçada
Baloiça, não esquece
Sempre lembrando seu homem no mar.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

No Dia do Município, 4 de Março, o concelho de Manteigas presidido por Esmeraldo Carvalhinho recebeu a visita de Rui Pedro Barreiro, secretário de Estado da Floresta e Desenvolvimento Rural. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagens de Andreia Marques da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Está tudo a postos para a realização do II Capítulo da Confraria do Bucho Raiano, que acontece amanhã, dia 5 de Março, no Sabugal e no Soito.

Oração de Sapiência - Célio Rolinho Pires - 1.º Capítulo da Confraria do Bucho Raiano - Sabugal

A reunião magna dos confrades do bucho reparte-se este ano entre o Sabugal e o Soito. Na sede do concelho decorrerá a cerimónia protocolar de recepção às confrarias gastronómicas e de entronização e juramento de 21 novos confrades. Ainda no Sabugal haverá a inauguração de uma exposição de trajes confrádicos e outros objectos relacionados com a tradição gastronómica.
A comitiva parte depois para a vila do Soito, onde se realizará o desfile das confrarias, seguido do inevitável almoço do bucho.
A iniciativa surge integrada nos Roteiros Gastronómicos «Sabugal à Mesa», organizados pela Câmara Municipal do Sabugal, nos quais o bucho é presença obrigatória no geral das ementas dos restaurantes aderentes.
O II Capítulo terá o seguinte programa:
SABUGAL
09h30 – RECEPÇÃO DAS CONFRARIAS (Jardim do Museu Municipal do Sabugal).
11h00 – INÍCIO DO II CAPÍTULO
(Abertura musical com José Cláudio e Catarina Brilha)
11h20 – DISCURSO DE BOAS VINDAS DE ANTÓNIO ROBALO – Confrade de Honra e Presidente da CM do Sabugal.
11h30 – BENÇÃO DAS INSIGNIAS
11h40 – ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA (pelo escritor e confrade JOÃO LUÍS VAZ)
12h00 – CERIMÓNIA DE ENTRONIZAÇÃO
12h15 – DISTINÇÕES DE HONRA A PERSONALIDADES
12h30 – DISCURSOS DE ENCERRAMENTO
12h45 – INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO «EMOÇÕES GASTRONÓMICAS» (colecção particular de Paulo Sá Machado) – Museu Municipal.
13H00 – PARTIDA PARA O SOITO

SOITO
13h15 – CONCENTRAÇÃO NO SOITO (Lameiro do Soito ou Largo das Festas)
13H20 – DESFILE DE CONFRARIAS E RECEPÇÃO NA JUNTA DE FREGUESIA (Com a participação dos Escuteiros do Soito)
13h50 – Fotografia de família
14h00 – ALMOÇO DO CAPÍTULO (Restaurante «O Martins»)
plb

Existem momentos, pequenos fragmentos de tempo, que se eternizam. Costumo dizer, usando a expressão que um menino de nove anos me ensinou, que são as «fotografias do coração». Simples?

Carnaval

Carla NovoCaptei a ideia sem ter de lhe perguntar, necessariamente, o que raio quereria ele dizer com isso. Nem foi preciso lhe perguntar. Tamanha a simplicidade com que as crianças captam tudo o que as rodeia e, depois, usam uma capacidade incrível de as «traduzir» e «armazenar». É, também esse álbum mágico, que faz de nós o que somos. Sem máscaras. A proposta é aproveitar o fim-de-semana carnavalesco para pegar na sua máquina fotográfica – não a digital ou a velhinha de rolo – mas sim aquela do coração e tirar as melhores fotos. São dias e folia pagã onde quase tudo é permitido. Podemos fingir que não somos nós – apesar de passarmos o tempo a querermos saber quem somos. Podemos (o)usar máscaras atrevidas, assustadoras, angelicais – apesar de passarmos o tempo a quer ver os outros sem elas. Podemos atirar vasos de água – apesar de passarmos o tempo a tentar economizá-la em nome do planeta. Podemos atirar serpentinas e papelinhos – apesar de passarmos o tempo a dizer que não se atiram papéis para o chão. Podemos assumir quase tudo para depois num dia de cinzas enterrarmos o que havíamos assumido – apesar de passarmos o tempo a tentarmos ser e a exigir que sejam coerentes connosco. Gosto do carnaval. Não por ser folia pagã, mas simplesmente, por ser aquele «faz de conta» que nos alivia a tensão dos dias e das verdadeiras máscaras. Por ser aquele «faz de conta» que abraça as crianças e lhes arranca gargalhadas. Assim, espero passar esses momentos a registar cada momento com a tal câmara especial capaz de tirar as tais «fotografias do coração». Prepara-se para o desfile e não se preocupe se está no ritmo do cortejo, afinal todos os foliões seguem a mesma entoação: divertir. Este é lema. Então, aceita o convite para posar?
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo

carlanovo4@hotmail.com

«Blue Valentine» é a segunda longa-metragem de Derek Cianfrance, que apesar de se ter estreado na cadeira de realizador em 1998, esteve até ao ano passado ligado a curtas e documentários.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaEsta é a história de um casal na casa dos 30 anos à beira da ruptura, com uma filha pequena para criar. Protagonizado por Ryan Gosling e Michelle Williams, ambos estão muito bem e não se percebe como é que apenas ela foi nomeada aos Óscares, o filme retrata o fim da relação e, recorrendo a flashbacks, a forma como o casal se conheceu e como nasceu o amor entre os dois.
O filme é uma bela história de amor com duas personagens bastante fortes, cada uma com as suas características bastante vincadas, que chegaram a um ponto das suas vidas em que não sabem como ultrapassar as dificuldades de uma relação.
Blue ValentineEle ainda tenta salvar o casamento, mas ela parece não estar para aí virada. Como referi atrás a interpretação dos dois está muito boa, pois parece que conseguiram transmitir uma boa química para o ecrã, como se aquilo que vemos fosse mesmo um casal a sério.
Mas «Blue Valentine» acaba por não conseguir descolar de um filme banal, sobretudo na maioria das cenas do passado, tirando uma ou outra cena. E é precisamente aqui que está uma das falhas do filme. Apesar de Ryan Gosling estar bem caracterizado quando representa a personagem mais nova, Michelle Williams continua praticamente igual, independentemente de ser nova ou mais velha. Parece que só se lembraram de rejuvenescer o actor. Ponto positivo para a banda sonora, assinada pela banda norte-americana Grizzly Bear.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Mensagem para a Quaresma de D. Manuel Felício, bispo da Guarda. Reportagem da redacção da LocalVisãoTv da Guarda.

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O Projecto Igreja Solidária é uma iniciativa do Patriarcado de Lisboa destinando-se a encontrar respostas, de forma rápida e coordenada, a fenómenos de exclusão social no contexto da actual crise.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O Projecto Igreja Solidária desenvolver-se em três fases:
- 1ª fase – Rede Igreja Solidária, desenvolvendo modelos de cooperação e de interligação das instituições para melhor responderem às questões urgentes e mobilizando recursos financeiros e humanos necessários para garantir o sucesso da iniciativa.
- 2ª Fase – Criação de postos de trabalho, encaminhando desempregados para postos de trabalho em instituições sociais; apoiando desempregados na criação de micro-empresas para serviços à comunidade; criando mais postos de trabalho na área social:
- 3ª Fase – Criação de uma rede de equipamentos para pessoas idosas. Como dizem os seus promotores, «a Igreja Solidária não pretende substituir o trabalho das comunidades, mas dinamizá-las para que façam mais e melhor, possivelmente com as suas forças humanas e materiais e apoiar no que for possível para ir ao encontro das que querem fazer mas que não possuem meios para executar as suas iniciativas.»
Eis mais um bom exemplo de como é possível a sociedade civil, neste caso sob a liderança da Igreja Católica, lançar iniciativas que respondam e apoiem as pessoas que, por vezes, apenas necessitam de um empurrão para ultrapassar a situação em que se encontram.

Ps: Não é meu costume utilizar esta página semanal para falar de coisas que não tenham directamente a ver com o Concelho do Sabugal. Mas, permito-me abrir aqui duas excepções:
1. Muito se fala de queda do Governo e de moções e mais moções de censura. Ainda a poucos ouvi dizer algo que para mim é evidente: o Governo só cai se pedir a intervenção do FMI! Ou alguém pensa que o PSD ia agarrar um poder onde parece que quem lá está se queima?
2. Um antigo Administrador dos CTT, de nome Horta e Costa, vai a tribunal por suspeitas de gestão danosa. Noticia importante, mas curiosamente, parece de bom tom não evidenciar a sua filiação partidária… Não, não é do PS, é do PSD e foi um Governo PSD que o lá colocou…
3. Por que houve quem não leu correctamente o que escrevi na semana passada, aqui repito parte da frase «Agora que as maiores criticas que sofri fossem (…) de grupos de jovens ditos radicais (…)».
Não honraria o meu passado se alguma vez atacasse movimentos ou posições radicais, os quais são essenciais para o funcionamento e o desenvolvimento de uma comunidade!
No início da década de setenta do século passado havia os radicais que faziam a luta possível contra o regime ditatorial salazarento. Pelas mesas dos cafés pululava um sem número de ditos radicais que, hora após hora, faziam as suas «revoluções de café»! Por mim sempre soube de que lado estava e de que lado estou, em Vila Franca de Xira onde vivo e trabalho e no Sabugal onde me submeti ao voto democrático, com o António Dionísio e o Partido Socialista, na defesa do que consideramos ser melhor para o futuro do Concelho do Sabugal.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

Fomos a Torres Vedras falar com o Coronel Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, um dos autores do livro «Sabugal e as Invasões Francesas», que vai ser lançado no Sabugal no próximo dia 2 de Abril, por ocasião da evocação do bicentenário da Batalha do Sabugal. No livro o coronel Mourão descreve com grande minúcia essa última batalha com as tropas francesas em solo português, o que também serviu de mote para a animada conversa com o afável investigador.

- Foi o facto de ser militar a viver aqui em Torres Vedras, a cidade que deu o nome às linhas que defenderam Lisboa dos franceses, que o motivou a investigar e escrever acerca das invasões napoleónicas?
- Verdadeiramente eu nem sei bem como nasceu o meu gosto pela História mas, gostando deste ramo do conhecimento, é natural, pela minha profissão, que me interesse mais pela História Militar. Comecei por canalizar a minha atenção para o estudo da Primeira Guerra Mundial mas as comemorações do Bicentenário da Guerra Peninsular fizeram-me mudar de rumo. Esta é uma boa oportunidade para estudar este tema. Quanto à motivação para escrever sobre o assunto, essa é para mim uma consequência lógica da aquisição de conhecimentos. Estes terão de ser partilhados ou o trabalho de investigação (se é que o que eu tenho feito pode ser designado desta forma) torna-se inútil.
- Ao que sei trabalhou, enquanto oficial do exército, na área da História Militar, o que terá contribuído para aprofundar esse gosto pelo passado histórico.
- Isso é verdade. Em 1990 fui colocado na Escola de Sargentos do Exército onde exerci, entre outras funções, a de professor de História Militar. Antes disso, o meu contacto com a História Militar foi durante o Curso de Promoção a Oficial Superior, no IAEM, quando tive de apresentar um trabalho sobre as Linhas de Torres Vedras. Gostei de fazer o trabalho e a sua apresentação correu muito bem. Mais tarde, fui colocado na Direcção de História e Cultura Militar, onde terminei o serviço activo. Ali desempenhei várias funções e, a última, já na situação de reserva, tinha a ver com o estudo e divulgação da História e foi durante este tempo que decidi começar a publicar na Wikipédia os artigos sobre as batalhas em que participaram as forças portuguesas.
- E foi dessa forma que se deparou com a Batalha do Sabugal?
- Sim, o trabalho sobre a Batalha do Sabugal aparece no contexto de todo o trabalho que tenho desenvolvido. Esta batalha foi, na realidade, o último confronto importante, entre tropas anglo-lusas e tropas francesas, em território português. No entanto, quando Massena retirou deixou uma guarnição francesa em Almeida que só viria a abandonar Portugal alguns dias depois, numa fuga espectacular. Mas a Guerra Peninsular não termina com o fim das Invasões Francesas. Aliás, em 1812, Marmont entra em Portugal, embora por um curto período de tempo. Mas a Guerra Peninsular só termina em 1814, em França, e em todo este processo as tropas portuguesas são parte essencial do exército de Wellington. Mas, voltando à Batalha do Sabugal, procurei descrevê-la ao pormenor, a partir dos relatos que nos são apresentados pelos principais historiadores que escreveram sobre este tema: Napier, Oman e Fortscue. Nos trabalhos que tenho publicado sobre batalhas, para além dos antecedentes que nos permitem saber como se chegou aquela situação, tenho tido o cuidado de apresentar sempre dois elementos que me parecem fundamentais antes da descrição da batalha: o terreno onde se desenrola a batalha, e a composição das forças em presença. É muito difícil compreender qualquer descrição se não tivermos estes elementos presentes. Ao divulgar um texto sobre estes temas não estou a fazê-lo para quem conhece a organização militar, o que é uma divisão, uma brigada ou um batalhão.
- Descreveu e desenhou em croquis o próprio plano de Wellington para a batalha. Crê que ele pretendeu mesmo envolver e capturar o segundo corpo do exército francês, que estava na margem direita do Côa, um pouco acima do Sabugal?
- Como eu refiro no próprio texto (que irá ser publicado), não nos chega através dos autores que referi ou outros, uma clara definição do plano de Wellington. Fortescue e Charles Oman apresentam as intenções de Wellington de forma diferente. Li ambos os autores, verifiquei o terreno, através de mapas e croquis, vi a disposição inicial das forças e, perante isso, atendendo aos princípios doutrinários que se utilizavam (e utilizam) cheguei à conclusão que apresento. Se tudo fosse realizado de acordo com o que estava planeado, teria Reynier conseguido retirar? Se não conseguisse retirar, ofereceria resistência? E, se oferecesse resistência, teriam os outros corpos de exército, principalmente o oitavo, de Junot, oportunidade de intervir? São muitos «ses» que conduzem a raciocínios especulativos e esse não é, a meu ver, o trabalho do historiador.
- Mas Massena tinha outras forças muito perto, que podia enviar em socorro do segundo corpo. Será que Wellington não teve isso em conta?
- Repare que Wellington fixou o sexto corpo com a colocação de uma divisão na margem do Côa a sul do Sabugal. Por outro lado, utilizou as milícias de Trant e Wilson, a norte, ameaçando Almeida e fixando, desta forma, o nono corpo. O oitavo corpo estava recuado, em Alfaiates, muito maltratado. Fazer avançar essas forças em apoio do segundo corpo, de Reynier, significava para Massena aceitar outros riscos e ver a sua retirada cortada, não só para o segundo corpo mas para todo o Armée de Portugal. Wellington teve, certamente, isso em conta e, provavelmente, sabia que estava a correr riscos. Todas as operações militares envolvem riscos.
- À época, tendo em conta os meios de comunicação existentes, talvez fosse difícil ao comandante aliado ter conhecimento do real posicionamento de todas as forças inimigas…
- Existia um sistema de informações que funcionava. Forças de reconhecimento, os guerrilheiros ou a população, todos observavam e transmitiam o que viam. Existiam agentes no terreno em busca de dados que produzissem essas informações. Se olharmos para o dispositivo, não apenas das forças destinadas à batalha mas também que se destinaram a fixar os Sexto e Nono Corpos de Exército, vemos que Wellington tinha a noção clara da disposição das tropas francesas. De qualquer forma, os meios de comunicação poderiam facilitar, quando muito, o acompanhamento dos movimentos das suas próprias tropas. Mas, repare, a maior parte das fardas da época são bem coloridas. Os militares britânicos fardados de branco e vermelho são facilmente identificáveis no terreno. Na Roliça confundiram-se com as tropas suíças ao serviço dos franceses. As tropas ligeiras, como os Caçadores ou os «Rifles», utilizavam normalmente fardas com cor entre o castanho e o verde. Mas essas tinham, normalmente uma missão diferente e, para a cumprirem, deviam confundir-se o mais possível com o terreno.
- Tenho ideia de que Wellington era um general demasiado frio e calculista para se dar a uma aventura dessas, tendo por base o plano ousado que nos sugere.
- Wellington era de facto calculista, cauteloso, mas não deixava de mostrar audácia quando a oportunidade urgia. Sem essa audácia, Soult não teria sido expulso tão facilmente do Porto durante a segunda Invasão Francesa. Wellington soube sempre dar o devido valor ao terreno e aproveitar uma boa oportunidade para resolver a situação. Veja-se o desenrolar da Batalha de Salamanca, em que os exércitos inimigos observaram-se durante seis semanas e quando a oportunidade surgiu (também foi a necessidade de resolver a situação) Wellington atacou. Foi uma grande vitória. E actuava frequentemente com tropas numericamente inferiores às do inimigo. Em Fuentes de Oñoro, os aliados tinham menos 10 mil homens que os franceses. Wellington era um comandante que não fugia de se mostrar na linha da frente. Aliás, quando o seu prestígio era já muito maior que na época que estamos a tratar, Wellington utilizou a sua figura na linha da frente para influenciar as suas tropas e também as do inimigo. Foi assim em Sorauren, em Julho de 1813. Independentemente de tudo isto, Wellington terá cometido erros, como qualquer comandante. No campo da táctica, Napoleão é considerado um génio e cometeu erros…
- Ainda sobre a Batalha do Sabugal: concorda que foi porém o falhanço do plano de Wellington que ditou a vitória das forças anglo-lusas?
- Isso é especulação. Não o podemos afirmar dessa forma. O plano era plausível e pretendia alcançar um objectivo, porém algumas contrariedades, nomeadamente o nevoeiro cerrado e a consequente desorientação da força torneante, levaram à precipitação do combate. Na História, devemos procurar saber «como foi» e não «como seria se». Teria corrido bem se tudo se passasse como estava planeado? Não sabemos. Não se passou assim. Podemos, no máximo, procurar explicações para o que se passou. O que não se passou não existiu e o que não existiu não faz parte da História.
- Pelo que li da sua descrição da batalha, o desrespeito pelo plano deveu-se a erros de Erskine, o comandante interino da divisão ligeira, que fazia precisamente o tal movimento torneante a montante do rio Côa.
- Erskine comandava a divisão ligeira e a cavalaria. No comando da divisão ligeira substituía temporariamente Robert Craufurd. Erskine estava no exército de Wellington, não a pedido deste, pelo contrário. Charles Oman refere que a influência política de Erskine impediram Wellington de o enviar de volta para Inglaterra. Mas a verdade é que Erskine já tinha cometido erros, fez o que fez na Batalha do Sabugal e continuou no comando da divisão ligeira. O principal corpo de tropas sob o comando de Erskine era a divisão ligeira. Esta divisão tinha duas brigadas e isso significa que alguém tem que coordenar a acção das duas brigadas. Erskine, ao afastar-se com a cavalaria, deixou as brigadas por sua conta. Erskine foi uma figura muito polémica. Via mal e precisava que lhe indicassem a posição das tropas ao longe. O professor Charles Esdaile, autor de uma importante obra sobre a Guerra Peninsular, refere claramente o seu problema com a bebida. Outros referem a sua arrogância. É difícil saber o que há aqui de real ou de opinião mas é certo que foi uma figura polémica. Em resumo, na minha opinião, houve ausência de acção de comando por parte de Erskine.
- Massena terá dito mais tarde, em defesa da sua prestação em Portugal, que, tirando os canhões que deixou deliberadamente para trás durante a retirada, apenas perdeu para o inimigo uma peça de artilharia no Sabugal. Esse desejo de não deixar capturar peças e a inversa vontade de o conseguir, explicam essa disputa tão acirrada no Sabugal, por um simples obus?
- É sempre importante capturar artilharia ao inimigo. Impede-o de a utilizar contra a força que a capturou e isso é mais importante quando a artilharia não é numerosa. No entanto, o obus da Batalha do Sabugal, a sua captura, perda, recaptura, serve apenas para ilustrar melhor a forma como o combate se desenrolou, numa sucessão de ataques e contra-ataques, num terreno onde, no meio, tinha ficado um obus francês. Mais importante que perder um obus era deixar capturar o estandarte da unidade. O obus estava no local dos combates mas estes não se travaram por causa do obus.
- Voltamos a Massena, que elogiou Reynier pelo seu desempenho na Batalha do Sabugal, dado que conseguiu retirar em boa ordem, sem grandes perdas. Mas a verdade é que os franceses tiveram no Sabugal uma pesada derrota, não acha?
- Uma pesada derrota não significa necessariamente um mau desempenho do comandante ou das tropas derrotadas. Os franceses perderam a batalha, disso não há qualquer dúvida, porém temos de aceitar que Reynier teve o sangue frio suficiente para retirar de forma ordenada e de acordo com a doutrina táctica. Uma retirada perante um inimigo mais forte não é uma operação fácil nem do ponto de vista da execução táctica nem do ponto de vista do moral das tropas. Se não for executada com firmeza torna-se uma debandada o que significa, antes de mais, um número muito mais elevado de baixas. É normal darmos muita importância aos vencedores. Certamente será merecida e, neste caso, as tropas da divisão ligeira, foram merecedoras dos maiores elogios. Ficamos orgulhosos dos nossos batalhões de Caçadores, o 1 e o 3, que ali estiveram presentes. Com isto temos a tendência para ignorar ou depreciar o trabalho realizado pelos derrotados. Temos de ser cautelosos com este procedimento porque, ao estudarmos as retiradas de Soult ou de Massena no decorrer das segunda e terceira invasões francesas, temos de concluir que os soldados franceses eram bons soldados e os generais que os comandavam eram, em geral, grandes generais. O facto de terem sido aqui derrotados não lhes retira os méritos merecidos. Napoleão foi um grande general mas, por vezes, deu aos seus generais missões impossíveis.
plb

Mestre na arte de versejar, senhor de virtualidades técnicas notáveis, Manuel Leal Freire é um dos maiores poetas da nossa terra.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia Arraiana1. Observação preliminar
A simplicidade dos temas, imagens, ideias, aliada, de facto, a uma perfeição formal ímpar, concorre na sua poesia para a construção de um universo lírico de rara beleza e que fez de Leal Freire um dos poetas que mais aprecio.
A sua poesia, é, do ponto de vista técnico, um exemplo de rigor métrico, de simetria, de perfeição. O lugar de cada palavra, obedece a um desígnio sabiamente amadurecido; o mesmo se diga da escolha da forma estrófica, em quadras tão ao gosto popular; a estrutura interna dos poemas, nem curtos nem longos, revela um elevado sentido de equilíbrio, numa construção arquitectónica cuidada e minuciosa que a sabedoria de uma longa vida de escrita trazem. Há uma subtil malha de correspondências no seu interior, a deixar perceber uma verdadeira teia, onde todos os pontos se interligam por um fio condutor habilmente desenhado que desenvolve uma ideia simples subjacente a cada um dos seus poemas.
Mas Leal Freire é mais do que tecnicismo. Quer busque no quotidiano as suas imagens (os campos, a lavoura, os animais, os rituais da aldeia), quer as recolha no tempo cósmico, quer, enfim, as molde no universo rural, os seus textos são fiéis retratos da vida simples, com palavras simples, como convém à boa poesia.
As quadras são, como se disse, um exemplo de organização, ao mesmo tempo que uma manifestação de um espírito lírico sem par.
Esta conjugação da beleza poética e da riqueza lírica com o preciosismo técnico e inegáveis virtualidades linguísticas fazem dos seus poemas excelentes instrumentos de trabalho, tanto para a aprendizagem da língua, como para o do estudo da etnografia, e dos costumes de Riba-Côa, mas que pelos valores de humanismo que confere à sua poesia, tem uma dimensão universal digna de estudo.
Aqui se faz, por isso, um exercício despretensioso que visa partilhar com os leitores algumas dessas reflexões sobre a poesia de Leal Freire.
Este post é uma primeira parte de uma reflexão sobre naturalismo e idealismo, que suscita a dimensão humana e universal da sua poesia, mas que, pela extensão e complexidade de raciocínio, não é publicável num blogue. Fica, aqui, no entanto, o desejo de, com o pequeno esforço de análise do poema «A Ceia Do Lavrador», servir e aumentar a já grande comunidade dos apreciadores da magnifica escrita de Leal Freire.

2. Texto
A CEIA DO LAVRADOR
Deram os sinos trindades (1)
Por sobre as casas da aldeia
Toques de suavidades
Que prenunciam a ceia

Mas mesmo que ande de zorros (2)
O lavrador, que é bom pai,
A ver se a ceia é pra todos
Não manda, que ele proprio vai.

Começa a sua inspecção (3)
Plas vacas, gado mais nobre
Também cabonde ração
Prás cabras, vacas dos pobres.

À égua, luxo da casa, (4)
Á burra, sua cestinha,
Mangedora a feno rasa
Mais até do que convinha.

Pois na pia do cevado, (5)
Que só pra comer nasceu,
É o farelo um pecado,
De fartura brada ao céu.

O gado de bico dorme (6)
Ao fusco se regalara
Os cães aguardam que enforme
O caldo que nutre e sara

Aos animais sem razão (7)
Aconchego já não falta
A seguir vem o pregão
Chamando pra mesa a malta.

Filhos, netos, jornaleiros (8)
O conhecem e de cor
Mendigos e passageiros
Também cabem em redor.

Na mesa, que é um altarzinho (9)
Que branca toalha cobre
Não falta caldo nem vinho
Nem pão. regalo do pobre.

vem à ceia as courelas (10)
cada uma traz seus mimos
dá o quintal bagatelas
a veiga fartos arrimos

Das bouças vêm canhotos (11)
Que um bento calor evolam
E até os manigotos
Mandam cheiros que consolam

Vinhedos, chões e vergéis (12)
Primasias se disputam…
Nem as rochas são revéis
Em dura freima labutam.

As do monte mandam coelhos (13)
As da ribeira bordalos
Pirilampos são espelhos
A cegarrega é dos ralos.

As Almas Santas dos Céus (14)
Também descem para a mesa
A noite, negra de breu,
Resplandesce com a reza.

E quando acaba a litânia (15)
A prece que ceia encerra
Manda pra longe a cizânia
A paz reina sobre a Terra,

Dia um da criação (16)
A quantos na tasca estão.
(Leal Freire)

(Continua na próxima semana.)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A 43.ª Caminhada pelo Interior raiano do concelho do Sabugal percorreu os trilhos da Rebolosa e do Escabralhado. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Pedro Taborda da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

O Presidente da Comissão Política de Secção do PSD Sabugal, Vítor Proença, convida todos os interessados a participar na acção de formação «Campanhas Eleitorais» que tem lugar no sábado, 5 de Março, na cidade raiana.

Vítor Proença - PSD - Sabugal«O Partido Social Democrata do Sabugal tem o grato prazer de convidar V.Exa. a participar no sábado, 5 de Março, pelas 18 horas, no RaiHotel, na Acção de Formação Política subordinada ao Tema – Campanhas Eleitorais.
O programa da acção de formação conta com os oradores, Dr. Luís Vales, deputado e Secretário-Geral Adjunto do PSD e o Prof. João Prata, deputado da Assembleia da República.
Trata-se de uma iniciativa a que o PSD do Sabugal pretende dar continuidade, procurando envolver os militantes e simpatizantes confrontando e debatendo temas de actualidade e que de modo geral contribuam para o fortalecimento de uma cultura de cidadania responsável e interventiva.
É pois para o PSD do Sabugal motivo de grande satisfação poder contar com a sua presença, com a sua participação e o seu contributo.
Com o melhores cumprimentos,
Sabugal, 1 de Março de 2011
O Presidente da CPS
(Vítor Proença)»

A terceira edição da Feira de Caça e Pesca e Desenvolvimento Rural em Vilar Formoso e a montaria ao javali em Nave de Haver foram apresentados por Baptista Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Almeida. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Miguel Almeida e Pedro Taborda da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

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FESTA DE SÃO PAULO
25 de Janeiro de 2012

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III CAPÍTULO E ENTRONIZAÇÃO
18 de Fevereiro de 2012

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