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Jorge Lacão, um homem que quase toda a vida foi político (deputado na Assembleia da República, desde 1983, Secretário de Estado no primeiro Governo de Sócrates e actualmente Ministro dos Assuntos Parlamentares) foi eleito como um herói dos anti-políticos portugueses, pelo menos a julgar pelos comentários que os mesmos fazem à sua proposta de redução do número de deputados nas edições on-line dos jornais. E, então, é lê-los aos tais anti-políticos (que estão, sem o saberem, a discutir política) a elevar Lacão aos píncaros.
Esses anti-políticos já tinham votado num político, pensando que estavam a votar num anti-político, aquando das eleições presidenciais que deram 4,5 por cento a José Manuel Coelho, outro dos heróis dos dias de hoje. É ou não verdade que José Coelho é, também, um político, uma vez que é deputado na Assembleia Legislativa da Madeira?
Essa proposta de redução do número de deputados é a mais populista de todas e cai sempre bem na opinião pública.
Segundo estudos que já foram realizados a simples diminuição de 10 deputados criaria uma verdadeira razia na proporcionalidade e representatividade das forças políticas mais pequenas (BE, PCP e CDS) que ficariam reduzidas a 1 ou 2 deputados cada uma, apesar de estarem próximas dos 10 por cento dos votos a nível nacional. E, depois, ficaríamos com o Parlamento ideal para alguns: só PS e PSD. «ora agora governas tu, ora agora governo eu», sem hipóteses de alternativa (não considero que estes dois partidos sejam alternativa um ao outro). Onde ficará o pluralismo que foi bandeira do PS durante tantos anos no pós- 25 de Abril?
Embora eu saiba que o PS já disse que o assunto estava encerrado não se pode confiar muito, porque a tentativa de lançar barro à parede a ver se pega, pode bem ter hipóteses de ser bem sucedida.
Sabe-se que há políticos corruptos, disso não tenho dúvidas. Mas, se calhar, os deputados até são dos menos corruptos de todos. Eu estou à vontade para escrever isto porque nunca nenhum deputado foi eleito com o meu voto, apesar de eu ter sempre votado e nunca ter votado em branco ou nulo.
Por vezes não compreendo os portugueses: acham estranho que os deputados se digladiem no Parlamento (quando isso é a essência da Democracia) e, depois, admiram-se todos se os vêem juntos. É isso a Democracia. Não há volta a dar. Ou temos Democracia ou outra coisa qualquer que não é a Democracia.
Em Portugal também não funciona a cláusula/barreira dos 5 por cento, que existe em muitos países (e que não permite o acesso de formações políticas nos parlamentos se não atingirem 5 por cento da votação), uma vez que todos os pequenos partidos ultrapassam essa barreira. Essa barreira foi instituída em vários países para impedir que partidos a que chamam extremistas possam ter representação parlamentar.
Um dos argumentos dos defensores da redução é, também, o da aproximação dos eleitos aos eleitores, num país onde a maioria dos votantes nas Legislativas vota apenas no líder partidário, sem sequer saber em quem está a votar. Quem nunca ouviu dizer, no concelho de Sabugal, «Eu voto no Sócrates» ou «Eu voto no Louçã», quando se sabe que Sócrates só é eleito pelos votantes de Castelo Branco e Louça o é apenas pelos votantes de Lisboa?
Sabe-se bem (ou tem-se obrigação de saber) que as eleições são para deputados e não para primeiro-ministro.
Manuela Ferreira Leite já veio referir que essa proposta de Lacão é demagógica e visa desviar as atenções para outras coisas bem mais importantes. E tem razão. Só que Ferreira Leite é «velha» (como lhe chamaram os do PS durante a última campanha para as Legislativas) e logo a direcção do «jovem» (Passos Coelho) pegou na declaração de Lacão e toca de cavalgar a onda, que isso sempre dará mais uns votos.
Fala-se muito das despesas com os deputados, mas há outras despesas bem maiores de que ninguém fala. Porque os deputados estão mais à mão. E têm levado muita pancada. Só em pareceres gasta o Governo verdadeiras fortunas todos os anos, já não falando nas indemnizações que estão nos contratos celebrados com os directores dos Institutos Públicos que custariam uma verdadeira fortuna se esses fossem despedidos (eles nunca dão ponto sem nó). Por isso ninguém os despede, mesmo que estejam a fazer um mau trabalho.
Entretanto PS e PSD vão cozinhando, enquanto entretêm as pessoas com a redução do número de deputados, a nova divisão administrativa, que implica a redução do número de freguesias e concelhos. Quero ver como isso vai parar, quando chegar a hora da verdade. Quem quer deixar de pertencer a um concelho, para pertencer a outro?
Como político que sou (e faço gala de o ser) não gostaria de ver a Assembleia da República reduzida a deputados do PS e PSD. Daí o título da minha crónica. Se isso acontecer considero isso como uma machadada no pluralismo democrático.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte
(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com
Sou amigo e admirador de Manuel Casimiro Amaral, o «Mudo», desde há muitos anos.
Ontem, sábado, dia 5 de Fevereiro, acompanhado pelo meu padrinho João Gandaio, veio aos Fóios concertar uns estores na minha casa.
Depois do trabalho, diga-se que muito bem executado, sentámo-nos à mesa para saborear uma chouriça assada seguida de um guisadinho de coelho bravo. Foi, sem dúvida, um almoço a condizer com o trabalho que o «Mudo» acabara de fazer.
Confesso que foi um dia bem passado e como há tão poucas pessoas a trabalhar nos estores não é fácil encontrar um artista que possa resolver os problemas que vão surgindo. É caso para dizer que com pagar ainda é favor.
Ele é, sem dúvida, uma figura típica do nosso Concelho. É um homem bem disposto, com muito humor e bastante perspicaz.
O «Mudo» tem hoje 66 anos e é casado com uma senhora que também não fala. Ela dedica-se à costura, mas hoje apenas trabalha para uma clientela bastante restrita.
O «Mudo» foi aluno na Casa Pia tendo, mais tarde, regressado ao Sabugal. Trabalhou na empresa do Sr. Fausto Baltazar e também na empresa da família Chapeira, na altura em que esta firma se dedicava à construção civil.
É um homem bastante prestável, estimado na cidade do Sabugal e, de uma maneira geral, em todo o nosso município.
É ferrenho pelo Benfica e sempre que tem a oportunidade de gozar com os sportinguistas ou com os portistas fá-lo, sorrateiramente, e com um ar de gozo que lhe fica muito bem.
O meu padrinho e amigo, João Gandaio, é um dos melhores amigos do «Mudo» e está de parabéns porque se esforça por o compreender.
Ontem fiquei imensamente satisfeito quando me apercebi do excelente relacionamento entre os dois. Conversam e entendem-se, através da mímica, tal como acontece com duas pessoas absolutamente normais.
Parabéns aos dois.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
O Sporting Clube do Sabugal recuperou o segundo lugar na tabela classificativa, ao derrotar por 5-0 o Penaverdense no estádio Municipal do sabugal este domingo.

Na 15ª jornada a Associação Penaverdense deslocou-se ao Municipal do Sabugal para defrontar a equipa da terra. Num jogo com muitas alterações na equipa titular do SCSabugal, onde o técnico optou por utilizar alguns jogadores menos usados, tendo apresentado a seguinte equipa: Fred, Filipe, Janela, Isidro, Pedro, Sérgio, Jorgito, Pires, Manata, Carvalhinho e Ricardito.
A equipa da casa entrou com uma eficácia a 100 por cento, pois decorrido o primeiro minuto do jogo vencia já os forasteiros por duas bolas a zero, ambos os golos apontados por Manuel Manata.
Num jogo em que se previam muitos golos, a avaliar pelos minutos iniciais, terminou com a vantagem do SCSabugal por cinco bolas a zero, tendo sido todos os golos marcados na primeira metade do desafio, três da autoria de Manata e dois de Carvalhinho.
Na segunda parte, o técnico Marco Capela faz entrar dois jogadores que tiveram hoje a sua oportunidade de estreia no campeonato: Igor e Fred Dias, que entraram para o lugar de Sérgio e Pedro. Para além destas duas substituições também o guarda-redes Chucky entrou para o lugar do guarda-redes titular Fred.
O SCSabugal tentou sempre aumentar a vantagem mas sem sucesso, sendo de salientar duas bolas à trave, uma após um remate de Fred Dias e a outra de Pires.
A segunda metade terminou porém tal como tinha terminado a primeira com 5-0 no marcador, resultado que serviu para a subida ao segundo lugar a um ponto do Sporting Clube da Meda (31 pontos), agora primeiro classificado, pois venceu o Manteigas por 2 a 1, já o Foz Côa, ao perder em Vila Cortez por 2 a 0, desceu para a terceira posição a par do Vila Cortez com 29 pontos.
Quanto as camadas jovens do clube, à semelhança do fim-de-semana anterior, jogaram este fim-de-semana Feminino, Infantis, Iniciados, Juvenis e Juniores, estes últimos continuam na luta assumida pelo título continuando na primeira posição da tabela classificativa à 13ª jornada.
Cláudia Janela
TIMOR LESTE – DILI –Na última semana falei de um tipo de transporte «tipo táxi de dois lugares». Nesta crónica vou mostra-vos as «Mikrolet» o transporte mais tipico de Timor Leste. Como podem ver são viaturas motorizadas de transporte para todo o tipo de pessoas, animais e carga mesmo em hora de ponta. Um abraço e até à próxima semana. (Clique nas imagens para ampliar.)
Vai ser lançado o livro «História do Escutismo em Setúbal e na Região», da autoria de Francisco Alves Monteiro, num evento que acontecerá na sexta-feira, dia 18 de Fevereiro, pelas 21 horas, no salão nobre da Câmara Municipal de Setúbal.
O autor do livro é natural da Bismula, freguesia do concelho do Sabugal, estando desde criança ligado à cidade de Setúbal, onde cresceu e viveu. Desde muito novo inserido no movimento escutista, Francisco Alves Monteiro, é dirigente do Corpo Nacional de Escutas e está muito ligado à formação dos jovens na região, facto que o levou a escrever o livro, que conta a história do escutismo na região, com informações sobre a formação dos grupos e episódios mais marcantes, depoimentos e discursos.
A obra tem o prefácio assinado por D. Manuel da Silva Martins, Bispo Emérito de Setúbal, e será apresentada no salão nobre do Município sadino pelo Dr Salvador Peres. O evento contará ainda com a participação especial do Agrupamento de escuteiros n.º 1135, da Sobreda da Caparica.
O lançamento deste livro, de grande importância para a história do movimento escutista em Portugal, honra a cidade adoptiva do autor, Setúbal, mas também a sua terra de nascimento, a Bismula, e o concelho do Sabugal, onde esta freguesia se insere.
O Escutismo é um movimento mundial, de inspiração cristã, que tem o propósito de contribuir para a educação integral dos jovens. Baseia-se na adesão voluntária a um quadro de valores expressos na Promessa e Lei escutistas, através de um método que permite a cada jovem ser protagonista do seu próprio crescimento, para que se sinta plenamente realizado e desempenhe um papel construtivo na sociedade.
plb
Fiz uma análise do número de entradas de cada terra no «Capeia Arraiana
Cito aqui as mais e as menos, para que se possa pensar que quando criticamos o País porque a comunicação social vive siderada com Lisboa (muito) e Porto (menos), isso afinal se repete por muitos lados e também aqui.
Vejam só que as entradas relativas ao Sabugal (freguesia e vila, sede do Concelho) são 1170. Ou seja: mais, muitas mais do que as outras freguesias todas juntas. Repito: todas juntas.
O Soito, com 199, e Sortelha, com 133, são das mais citadas – e com razão, cada uma por seu motivo específico: o Soito por ser a maior fora a vila; Sortelha por ser aldeia histórica, suponho.
Aldeia da Ponto e Aldeia do Bispo, com perto de 100, estão bem «cobertas» pelo «Capeia Arraiana».
Na linha média, com à volta das 50 referências, andam a Rebolosa e o Casteleiro.
No fim da tabela, uma situação a rever, está Martim Pega, com apenas uma notícia; e pouco melhor andam terras como Peroficós e Amiais com 3 e a Abitureira, com 5.
Assim é a vida: aqui e no resto do País.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes
Em Portugal o processo penal era antigamente instruído através do chamado «corpo de delito», que consistia no conjunto de actos e diligências policiais tendentes a esclarecer um crime e a descobrir o seu agente. Hoje a notícia do crime dá lugar ao inquérito, que facilmente se torna numa tenebrosa teia de procedimentos que de todo impedem a realização da justiça.
Apresentado qualquer facto punível a juízo, seguia-se a organização do corpo de delito, procedendo-se a exames e à inquirição de testemunhas. Só com corpo de delito formalizado havia processo-crime e procedimento criminal.
Face ao corpo de delito, a acusação fazia o seu «libelo» contra o réu e sucedia-se o julgamento. Era comum a nomeação de jurados, entre as pessoas do povo, que respondiam aos quesitos, seguindo-se a elaboração e leitura da sentença pelo juiz. As penas podiam ser de prisão maior celular, prisão maior temporária, degredo (em presídio ou colónia penal no Ultramar), prisão correccional e multa.
Um aparte para dizer que a pena de morte saiu da nossa lei em 1867, e as chamadas penas vis ou infamantes foram também desaparecendo progressivamente, incluindo-se aqui os açoites, marca de ferro quente, baraço, pregão, grilheta, pelourinho.
Entretanto chegou a modernidade e com ela a ideia de que o criminoso tem uma infinidade de direitos, ainda que tal ultraje o direito de justiça por parte da vítima. Vai daí mudaram-se as leis do processo penal. Ao réu chamam agora arguido e o corpo de delito deu lugar ao inquérito, a que se segue a instrução. As novas disposições trouxeram ao processo criminal uma verdadeira trapalhada que emperra o funcionamento dos tribunais e impede que se faça justiça. O excesso de garantias abriu espaço para as manobras dilatórias, que travam o andamento dos processos em tempo útil, ficando a justiça atirada para as calendas gregas.
Quem tiver dinheiro e constitua um bom advogado, batido na barra e nos enredos processuais penais, facilmente embrulha todo o processo, assim escapando à mão punitiva da Justiça.
Veja-se, como exemplo, o caso do chamado processo Casa Pia, em que uma série de criminosos de alto quilate conseguem emperrar de tal modo a máquina judicial a ponto de já não acreditarmos que algum dia o caso tenha um ponto final.
Volte-se pois ao procedimento célere do corpo de delito e à rápida e eficaz punição dos criminosos para que haja maior paz social.
«Tornadoiro», crónica de Ventura Reis
O conterrâneo Ventura Reis está de volta ao Capeia Arraiana. Pede porém para avisar que não tem e-mail, e não se dispõe a responder ao geral dos comentários que os seus artigos mereçam.
Administração do Capeia Arraiana
Aqui há uns anos, fiz uma viagem de estudo a Espanha com um grupo de alunos, rapazes e raparigas de 17 ou 18 anos. Fomos a Mérida, Trujillo, Madrid, Toledo, Escorial, Vale dos Caídos, etc.

O meu principal objectivo era mostrar a estes jovens viajantes caminhos que depois eles percorreriam sozinhos (ou não). Penso que o primeiro e grande mérito da viagem residiu exactamente aí – abriu-lhes horizontes, apresentou-os a Velásquez, a Goya, a El Greco, a Picasso; revelou-lhes a beleza inesquecível das cidades espanholas; fê-los olhar extasiados para o Teatro Romano de Mérida, para a catedral gótica de Toledo ou para o imponente Mosteiro do Escorial. Ensinou-os a ver e não apenas a olhar.
Se cada um destes viajantes, ou alguns pelo menos, levarem consigo outros, vejam a enorme cadeia que foi iniciada. É por isso que nunca me arrependo de fazer visitas e viagens de estudo com os meus alunos. Tenho feito dezenas delas, no país e no estrangeiro, apesar dos trabalhos e das responsabilidades. Era muito mais cómodo ficar na sala de aula, debitando monotonamente a matéria, do que conduzir rapazes e raparigas naturalmente irrequietos e barulhentos por essa Europa fora. A semente foi lançada. Nuns germinou, noutros morreu. O semeador, porém, fez o seu trabalho. Qual a recompensa?
Esta, por exemplo: na viagem a Espanha de que falo acima, depois de sairmos do Museu do Prado, perguntei a uma jovem aluna angolana de que quadro tinha gostado mais. Não hesitou: dos «Fuzilamentos de Maio», de Goya. Na verdade, ela foi sensível ao dramatismo e ao significado universalista daquela obra-prima do grande pintor espanhol. A extraordinária força daquela cena, onde a morte inexorável sai dos fuzis dos soldados napoleónicos para ceifar a vida de patriotas cujo único crime era defender a sua terra, impressionou vivamente uma jovem que sentiu na pele os horrores da guerra civil de Angola. Voltaria, tal como muitos dos seus colegas, a ficar «agarrada» por outra obra magistral: a Guernica, de Picasso. Só por isto já teria valido a pena ir a Madrid.
É óbvio que não devemos exagerar quando se servem estes «pratos» culturais a gente nova. Corre-se o risco de provocar uma «indigestão». Devemos saber dosear bem as coisas, deixando tempos livres para o convívio, para o divertimento, para as compras. E eles não deixaram de aproveitar: também visitaram o Hard Rock Café, as discotecas da moda, os Preciados, o Corte Inglês… Também tive oportunidade de lhes mostrar o Vale dos Caídos, onde se travou um dos mais sangrentos combates entre Republicanos e Nacionalistas. O monumento aí levantado pelo regime franquista nos anos cinquenta é de reduzido valor arquitectónico, valendo sobretudo como testemunho de uma época. Ali, à sombra da enorme cruz monumental, com a serra de Guadarrama lá ao fundo, eu e os meus jovens alunos pudemos reflectir um pouco sobre esse drama imenso que foi a guerra civil espanhola, lembrando os milhares de «Caídos». Dos dois lados.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt
A Câmara Municipal do Sabugal inviabilizou um projecto de arborização que previa a plantação de eucaliptos num terreno com perto de quatro hectares na freguesia de Santo Estêvão.
O Gabinete Técnico Florestal do Município pronunciou-se pela rejeição do projecto, apresentado pela empresa Dendrifructus Lda, alegando que a região é inapta para o eucalipto, que é uma árvore pouco tolerada em solos de altitude superior a 400 metros. Assim, por não haver potencial ecológico para uma tal espécie, o executivo camarário decidiu, na reunião de 19 de Janeiro, dar parecer negativo, facto que inviabiliza o avanço do projecto, nos termos da lei vigente.
A decisão camarária teve também em conta as funções do solo, segundo o Plano Regional de Ordenamento Florestal da Beira Interior Norte, que apontam para primeira função a complementaridade entre a floresta e a pastorícia e, em segunda função, a protecção contra a erosão, sendo a terceira, e última, a função da simples produção lenhosa. Ora o eucalipto tem um alto potencial ao nível da produção lenhosa, o que porém não se enquadra no que é a principal função da floresta na região.
O projecto prevê a arborização com eucalipto (eucalyptus globulus), preservando as linhas de água e alguma da vegetação que já existe na parcela, contudo tais garantias não demoveram o Gabinete Florestal a propor a emissão de um parecer negativo com vista a inviabilizar o projecto.
O Gabinete Florestal defende ainda que o castanheiro e o carvalho negral são as espécies florestais de melhor potencial produtivo para o concelho do Sabugal.
plb
Segundo a Wikipédia, «saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular… saudade, só conhecida em galego e português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.» «Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil colônia esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos.» Na verdade, nós sabemos como este termo é muito nosso e como o encontramos na poesia, nas histórias de amor, no fado… Então aí vai um poema de «Ecos».
SAUDADE
Doce e árida
Palavra portuguesa
Que no fado enches a garganta
Que nos livros enches a poesia
Que nos olhos engrossas lágrimas
Que no peito abres feridas
Que nas Mornas
Homenageias Cabo Verde.
Saudade, palavra de ontem e de hoje
De outrora e de sempre
Eterna.
E na tela se pinta a saudade
Nos rostos de sulcos marcados
Em lenços brancos do adeus
Que deixa olhos marejados
De quem parte
De quem fica
Na separação dos seus.
Tema cantado em cada verso
Em cada livro de aventuras
De cavaleiros andantes
Nas histórias, nas pinturas
No romance
Em cada vida
No novo ainda de colo
No homem de meia-idade
Ela que tira a alegria
Como se parasse
Esmorecesse
A vida em cada dia.
«Essa palavra saudade»
Dum fado que eu já ouvi
E que também já senti
Não sentiu
Quem não viveu
Como se possível fosse
Sem saudade ter vivido.
in «Ecos do Meu Pensar»
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com
Clint Eastwood é um dos realizadores veteranos que se tem provado bastante prolífero nos últimos anos e quase sempre com bons resultados. É esse o caso de «Hereafter – Outra Vida», o seu mais recente filme.
Com argumento de Peter Morgan (o mesmo de «A Rainha» e «Frost/Nixon») o filme mais parece uma obra do mexicano Alejandro González Iñárritu, cineasta que por estes dias também chegou às salas portuguesas, devido à sua estrutura com três histórias paralelas que se cruzam no final. E elas são as histórias de Marie LeLay (Cécile De France), uma jornalista francesa que tem uma experiência de pós-morte durante o tsunami de 2004 que afectou o Sudeste asiático, George Lonegan (Matt Damon), um ex-vidente norte-americano que consegue entrar em contacto com os mortos tocando nas mãos das pessoas, e Marcus (George McLaren), um miúdo britânico que perde o seu irmão gémeo num acidente.
Todos se questionam sobre a vida para além da morte, cada um à sua maneira e cada um com as suas dúvidas específicas.
Aparentemente «Hereafter – Outra Vida» poderia ser mais um daqueles filmes sobre filosofias transcendentais, com ideias muito rebuscadas sobre as grandes questões do universo, mas Clint Eastwood consegue fazer uma vez mais um grande filme. Há qualquer coisa nos seus filmes, que por mais simples que pareçam, faz com que nos agarrem. E nem precisa de ter grandes nomes no elenco, como é este caso.
Está muito bem filmado, aquela banda sonora com o piano e guitarra (que também é assinada pelo realizador) está sempre no ponto certo.
Uma vez mais Clint Eastwood prova porque razão continua a ser considerado o último dos realizadores clássicos de Hollywood.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
Depois de ter perdido em Valhelhas na segunda jornada da primeira volta, por 5-2, a equipa de futsal da Rapoula do Côa recebeu a equipa serrana e, retribuiu, vencendo igualmente por 5-2. Como diz o ditado bem português «amor com amor se paga».
Num jogo que se previa difícil dada a qualidade da equipa de Valhelhas e a sua posição na tabela, os atletas de Telmo Vaz, entraram na partida sem qualquer receio e desde cedo mostraram que queriam vencer.
Nos minutos iniciais a equipa da Rapoula do Côa foi sempre superior ao adversário, criando constantes situações de finalização, que se traduziram em golo, primeiro por João Luís (1-0) e mais tarde por Hugo Fernandes (2-0).
No minuto seguinte, a equipa de Valhelhas aproveita o adiantamento do guarda-redes e reduz o marcador. A equipa adversária ganha mais confiança com o golo obtido e consegue equilibrar a partida, superiorizando-se em alguns momentos à equipa da casa. Numa bela jogada colectiva consegue mesmo empatar a partida a duas bolas.
A reacção da Rapoula do Côa foi positiva e, minutos mais tarde, Zé Cunha altera novamente o marcador para 3-2, resultado que se manteve até ao intervalo.
Para a segunda parte, quando se esperava uma maior ofensiva por parte da formação de Valhelhas, dado a desvantagem no jogo, verificou-se o contrário.
Uma entrada forte da equipa raiana anulou em grande parte as investidas da equipa adversária.
As duas equipas procuraram o golo com ambos os guarda-redes em destaque, mas seria a equipa da Rapoula do Côa, através de uma bela jogada individual de Hugo Fernandes a aumentar a vantagem para 4-2.
O ritmo do jogo ia baixando à medida que se aproximava o final da partida, mas ainda houve tempo para mais um golo, novamente para a equipa da casa na conversão de um livre de 10 metros marcado de forma exemplar por Wilson Calva.
Vitória justa e exibição segura da Rapoula do Côa, perante um adversário com grandes valores individuais, que permitiu subir na tabela classificativa.
Marco Capela
A Associação de Judo do Distrito do Porto teve a seu cargo a realização no passado dia 29 de Janeiro do Campeonato Zonal Norte do escalão de Juniores. Os resultados finais indicaram três pódios para o distrito da Guarda com uma campeã regional e duas vice-campeãs.
Foi na «Invicta» que se apresentaram quatro judocas do distrito da Guarda, um masculino e três femininos. Esta prova permitiu aos respectivos campeões regionais garantir o apuramento directo para o Campeonato Nacional (CN) que se realizará a 20 de Fevereiro. O Campeonato Zonal Norte foi para os atletas juniores a última possibilidade de pontuar para o Ranking Nacional e subir na Lista de Classificação Desportiva Nacional que apura apenas os 26 melhores de cada categoria de peso.
No sector masculino, o atleta Gabriel Almeida, -81kg, do Sporting Clube do Sabugal, que tinha subido ao pódio na edição de 2010, não conseguiu desta vez ultrapassar os seus adversários. Mas foi no sector feminino que a representatividade distrital seria mais evidente a nível de resultados.
Inês Cunha, do Clube de Judo da Guarda, revalidou o título de Campeã Regional de juniores na categoria de -57kg, confirmando a sua aptidão competitiva e vontade de estar presente na fase final em Lisboa. Na mesma categoria de peso a jovem Ana Sofia Figueiredo, do Sporting Clube do Sabugal, conseguiu o segundo lugar do pódio, melhorando o terceiro lugar que tinha alcançado em 2010 ainda no escalão etário inferior.
Ana Rita Figueiredo, do Sporting Clube do Sabugal, estando inscrita nos -48kg, categoria na qual já tinha garantido o apuramento para o «Nacional», não teve nenhuma judoca inscrita no seu peso, aproveitando assim para competir na categoria acima, nos -52kg. Embora a tarefa não fosse fácil, aproveitou a competição como forma de treino frente a adversárias mais pesadas, conseguindo no entanto sagrar-se vice-campeã Regional.
Deixamos, desde já, os parabéns e um voto de sucesso para o Campeonato Nacional aos judocas apurados.
djmc
Comunicado do Presidente da Direcção do Sporting Clube do Sabugal sobre o apuramento para o lugar de representatividade do distrito da Guarda na Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Judo na época desportiva de 2011.
«Foi com grande satisfação que o Sporting Clube do Sabugal foi informado pela Associação responsável pela modalidade do Judo, desporto com uma secção no Clube Raiano, que o Sporting Clube do Sabugal iria ser o clube representante do Distrito da Guarda, para o Judo, nas Assembleias da Federação Portuguesa de Judo em 2011.
Estamos satisfeitos com a situação pois é fruto de trabalho e dedicação de todos os envolvidos na secção de judo do Clube que há mais de 15 anos se esforçam para fomentar o desporto e os bons valores que esta modalidade olímpica transmite aos seus praticantes.»
Carlos Janela
Não houve interessados no concurso público para Concessão da Exploração Comercial e Turística do Balneário Termal do Cró, lançado em 3 de Dezembro de 2010. A situação levará à exploração directa por parte da Câmara Municipal do Sabugal.
Segundo noticiou o semanário Terras da Beira (TB), que colheu declarações de António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, a autarquia vai ter de explorar o complexo já na próxima época termal, que se vai iniciar em Maio. «Aquilo que é referido por pessoas que não concorreram mas que visitaram as instalações é que as condições financeiras actuais não são as melhores e o momento não é o melhor para fazer este tipo de investimento», justificou António Robalo ao TB.
O prazo do concurso terminou em 16 de Janeiro e a razão apontada pelo presidente para a falta de interessados consistiu no facto do concurso impor também a edificação de um hotel anexo ao balneário, facto que significaria um grande investimento para o qual as empresas eventualmente interessadas não têm neste momento as melhores condições financeiras.
Será a empresa municipal Sabugal+, presidida também por António Robalo, a gerir o empreendimento e garantir a sua exploração até que se consiga chegar a uma gestão privada ou em parceria com outras entidades.
A autarquia pretendia com o concurso público conseguir uma concessão da exploração das termas pelo o prazo de 20 anos, com a possibilidade de renovação por períodos sucessivos de 5 anos, até ao limite de 30.
O novo balneário termal foi construído pela empresa SOMAGUE, tendo a Câmara investido cerca de 4,5 milhões de euros. O equipamento tem as valências de termalismo, SPA e fisioterapia. As águas do Cró são de reconhecido valor terapêutico, sendo indicadas para tratamento de problemas ósseos e musculares, bem como de problemas respiratórios.
plb
Encontrei este pequeno texto num blogue chamado DISSIDENTE – X, e não resisti a aqui o reproduzir, pelos sábios ensinamentos que transporta…
«(1) O culto da personalidade é uma característica das sociedades.
(2) Olhamos e nunca conseguimos ver e filtrar o desejo pelo culto de personalidade que as sociedades cultivam.
(3) O individualismo, o narcisismo e o hedonismo associados nas sociedades impedem-nos de conseguir ver isso, uma forma sofisticada de corrupção não imediatamente visível.
(4) Nunca conseguimos ver nos cidadãos e nos políticos; aqueles que nos vendem a mensagem de acordo com os nosso desejos.
(5) A mensagem é aquela segundo a qual estas pessoas se identificarão connosco e conhecerão as nossas raivas e os nossos desejos.
(6) Essa mensagem é um espelho que fala e reflecte para nós, mas o reflexo é sempre uma enorme mentira.
(7) O reflexo (como um espelho que reflecte) diz-nos que nós não precisamos de estar a segui-lo.
(8) O reflexo (como um espelho que reflecte) diz-nos que só ele nos pode fazer ser livres.
(9) O reflexo (como um espelho que reflecte) vende-nos as coisas que nós achamos deverem ser as nossas.
(10) O reflexo é a imagem da face sorridente da TV que nos vende o que achamos devermos ter que comprar. É o culto da personalidade que nos explora e que nós ainda adoramos, sem perceber que estamos a ser explorados.»
PS 1. Partiu um grande amigo, daqueles, como costumo dizer, que só ganhamos em crianças, o António Manuel Alexandre, para mim, e para sempre, o Toninho. Como não podia deixar de ser fui ao Sabugal dar um abraço de solidariedade à família enlutada e, com uma grande tristeza e saudade, despedir-me do amigo que nos deixava.
Na capela ao lado jazia o corpo do irmão de dois grandes amigos de infância, o João e o Amadeu de uma família de etnia cigana que há décadas vive no Sabugal, embora hoje espalhados um pouco por todo o mundo.
Foi com um misto de alegria e de desgosto que reencontrei esses amigos de infância e pude com eles partilhar um pouco da sua dor.
PS 2. Algumas das pessoas que me encontraram no Sabugal perguntaram-me se sempre se havia realizado a homenagem ao João Leitão prevista para o passado dia 29 de Janeiro.
A todos confirmei, dando conta dos momentos de grande emoção e saudade que as dezenas de sabugalenses e amigos viveram naquele dia na Casa do Sabugal em companhia de todos os seus irmãos e restante família.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com
O frio era intenso mas com a lareira por perto e com a boa pinga do amigo Santos, deu para saborear os apetitosos enchidos confeccionados, recentemente, na minha casa.
Na verdade este grupo de técnicos da PT merecem toda a nossa consideração e estima. São eles os responsáveis pelas telecomunicações no nosso concelho e distrito.
No que concerne aos equipamentos electrónicos existentes nos Foios posso afirmar que lhes têm merecido a melhor atenção. Tanto o multibanco como a moderna cabine de telefone público, existentes no Centro Cívico, têm funcionado em óptimas condições.
Na altura das trovoadas ou até mesmo quando acontecem incêndios, na região, estes equipamentos podem deixar de funcionar. Nessa altura lá temos que recorrer aos referidos técnicos que, de uma maneira geral, correspondem ao nosso apelo. Por vezes em situações de tempo tenebroso, de noite ou até mesmo em fins-de-semana.
Para além dos técnicos da PT participou também no referido almoço o carteiro Freitas visto que também ele, o Tó Mané ou o Ricardo, nos têm prestado um bom serviço na distribuição da correspondência. Quando efectivamente necessitamos de um determinado favor não deixam de nos prestar a melhor atenção.
Obrigado, amigos. Continuem a ser prestáveis aos Foios e ao concelho. Assim faremos um Portugal melhor que, aliás, bem precisa. Com atitudes positivas afugentaremos mais facilmente a crise de que tanto se fala.
É que, normalmente, criticamos o negativo e quando as coisas correm bem fingimos que não damos conta. Haja atitude.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos
(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com
Na 14ª jornada do Campeonato Distrital da Primeira Divisão o SCSabugal deslocou-se a Gouveia. Do confronto com o Clube Desportivo de Gouveia resultou um empate a uma bola, resultado que acabou por não agradar ao SCSabugal pois merecia mais.
O SCSabugal entrou em campo com a vontade assumida de tomar o rumo da partida e vencer o jogo, mas tal não foi possível, muito por culpa do guardião da equipa da casa, Buffon, mas também da equipa de arbitragem. Se por um lado era Buffon a negar o golo ao Sabugal, como fez por várias vezes, como por exemplo, ainda na primeira parte, numa das melhores defesas da tarde onde defende para canto fazendo a bola passar por cima da barra da baliza negando assim o golo a Nuno Marcos. Noutras ocasiões era a equipa de arbitragem a dificultar a vida ao Sabugal. Foram situações como foras-de-jogo duvidosos e faltas inexistentes que começaram por «pôr os nervos em pé», quer a jogadores como a adeptos da equipa visitante. Ainda assim o resultado ao intervalo manteve-se inalterado.
Já na segunda metade do desafio as coisas complicaram-se, aproveitando um livre bastante duvidoso, Fábio Nascimento não desperdiçou e marcou. O SCSabugal não baixou os braços e, na busca do golo, consegue também um livre minutos depois numa posição frontal para a baliza à guarda de Buffon, mais uma das situações protagonizadas por André Rafael, ao não assinalar uma grande penalidade a favor do Sabugal pois um jogador do Gouveia que constituía a barreira corta a bola com a mão. Mesmo com estas controvérsias o SCSabugal por intermédio de Carvalhinho consegue repor a igualdade no marcador repondo também alguma justiça no resultado.
De salientar também uma falta sobre o guardião do Sabugal, Fred, que levaria à expulsão de um atleta da casa por acumulação de amarelos. Porém tal não se verificou e, minutos depois, Batista vê o vermelho directo ficando o Sabugal reduzido a 10 jogadores.
Relacionando esta partida com as restantes do topo da tabela, o Sabugal posiciona-se neste momento na terceira posição com 27 pontos a um do segundo classificado, o Meda, e a dois do primeiro o, Foz Côa.
Quanto às camadas jovens do clube, jogaram este fim-de-semana: Feminino, Infantis, Iniciados, Juvenis e Juniores. À excepção do futebol feminino, que se deslocou a Seia e perdeu por duas bolas a zero, as restante equipas venceram, de salientar a equipa de juniores que está neste momento em primeiro lugar com mais sete pontos que o segundo classificado.
Cláudia Janela
Feito por mão sábia, em duro carvalho negral, o carro das vacas era um equipamento essencial para o trabalho agrícola de antanho. Com recurso ao carro o lavrador fazia o transporte das alfaias, dos fenos e do cereal e das próprias pessoas. Nos dias de romaria o carro era enfeitado com colchas coloridas e seguia pela estrada transportando romeiros.
A estrutura do velho carro visigótico, que servia na lavoura das terras altas, tinha como peças essenciais o chedeiro (que era o leito), as rodas de cambas e o eixo de pau de freixo.
Para a construção do carro o carpinteiro serrava sobre o cavalete (a burra) dois fortes paus ligeiramente recurvos numa das pontas, que constituiriam as chedas, ou seja, as partes laterais do carro. Em cada cheda eram feitos quatro furos, a fim de ali entrarem os estadulhos, destinados a segurar a carrada. Com a mesma técnica cortava, de um carvalho comprido, a cabeçalha, que era a trave colocada ao centro, e que saía para lá do leito do carro. A unir estas três traves colocavam-se travessas, que depois eram cobertas por fortes pranchas (os malhais), assim se completando o chedeiro.
A roda antiga era de cambas, que eram duas peças curvas, que se juntavam a uma peça central, o miulo (ou mium), que levava no centro um furo onde encaixava o eixo. Estas três peças eram unidas por barras de ferro em meia-lua e eram circundadas por um rasto, também de ferro, aplicado na frágua do ferreiro.
O eixo dos carros antigos era feito a partir de um tronco de freixo, que era considerada a madeira menos propícia a incendiar-se com a fricção. O eixo encaixava por baixo das chedas, nas coquetas, também designadas por margaridos, ou estreituras (o povo dizia estrituras), peças igualmente em madeira.
Estes carros de outras eras produziam um som estridente. «O chiar dos carros era o orgulho dos lavradores que, quando chegavam a alguma localidade, faziam questão que o seu carro “cantasse” bem alto», disse-nos Norberto Gonçalves no seu livro «Pedaços de um Quotidiano» (2003). Este característico chirriar (como dizia o povo) levou a que os quadrazenhos, muito propensos à onomatopeia, designassem o carro de vacas por charriante na sua gíria de contrabandistas.
Era comum o lavrador dependurar na cheda do carro um caçapo com azeite para lubrificar o eixo, evitando que a fricção entre a madeira provocasse incêndio. Para o mesmo efeito também era uso untar as coquetas e o eixo com sebo.
Na cabeçalha do carro era feito um furo, designado por chavelhal, onde se metia o chavelhão, que segurava o carro à canga das vacas. Ainda na cabeçalha, era fixada a espera, que era um prumo de madeira que servia para a apoiar, quando o carro estava parado, para alívio dos animais.
Por baixo da cheda o carro tinha tornos, que eram pequenas pontas de madeira salientes, próprios para prender as cordas usadas para segurar a carga.
Para precisamente suster a carga o carro era equipado com oito estadulhos, que eram substituídos pela sebe (ou ceto), de madeira ou de vime, mais apropriado para determinados transportes, como batatas, castanhas ou folhado.
Com o proliferar de novas técnicas o carro antigo sofreu modificações sucessivas, nomeadamente ao nível dos rodados. As cambas foram substituídas por raios de madeira, dando origem às chamadas rodas de galera. Mais tarde toda a roda era feita em ferro e depois, já na fase final, vieram as rodas de pneumático, que de todo desvirtuaram o velho carro de vacas.
Hoje o carro antigo está de todo desaparecido e até em museus rurais é raro encontrar um carro de vacas com rodas de cambas.
Paulo Leitão Batista

O desaparecimento do idoso do Baraçal aconteceu após se ter deslocado sozinho a uma sua propriedade, no campo, não regressando a casa, o que levou a dar o alarme. A Guarda Nacional Republicana, mobilizou homens e meios para o local, nomeadamente cães especializados neste tipo de serviço, que seguiram algumas pistas, mas sem resultados visíveis.










Entre os culpados estão a Social-Democracia e o Socialismo Democrático. Essas duas forças políticas a nível europeu já não governam para defender os interesses das classes mais humildes, governam para defender os interesses das classes altas. Repudiam os seus próprios fundamentos, os seus ideais. Nos Parlamentos já não defendem os assalariados, como era seu dever, defendem os seus próprios interesses. Deixaram de fazer políticas sociais e Keynesianas que sempre as caracterizaram. Como vão explicar aos seus eleitores, àqueles que neles acreditaram, o tipo de políticas que estão realizando? Que dirão por exemplo José Sócrates e os seus seguidores nas próximas campanhas eleitorais? Que dirão dessas «leis 2010» que consistiram num retrocesso de medidas sociais? Talvez que tudo tenha sido necessário para preparar um próximo futuro onde o maná cairá do Céu para todos nós, sem excepção. Que dirão quando eclodir, como se espera, a mais grave crise social dos últimos oitenta anos em Portugal? Pedem mais votos e aplausos…
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