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O Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, recebe este sábado, 8 de Janeiro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho a Presidente da Diputación de Salamanca, Isabel Jiménez Garcia, os Presidentes dos Municípios que integram a BIN-SAL e o Douro Internacional. O encontro de trabalho transfronteiriço surge na sequência da I Feria Eco-Raia e pretende fortalecer as relações transfronteiriças entre os territórios de Portugal e Espanha.

Eco-Raia - SalamancaAntónio Robalo considerou a propósito da jornada de trabalho dos autarcas ibéricos que esta se insere numa estratégia comum porque «vamos ter vários desafios pela frente ao longo dos anos, desafios esses que devem ter paralelamente um desenvolvimento da actividade produtiva nos nossos territórios».
Isabel Jiménez, que ocupa desde 2003 a presidência da Diputación de Salamanca, vai estar presente no Sabugal acompanhada de dois assessores. «Partilhamos dois territórios muito importante – a Beira Interior e a província de Salamanca – nesta zona territorial ibérica a relação entre os municípios portugueses e a Diputación de Salamanca é crescente e consistente com o objectivo de dinamizar os dois territórios», declarou a presidente espanhola durante a Eco-Raia que decorreu no Recintos das Feiras de Salamanca nos passados dias 11 e 12 de Dezembro.
Recorde-se que a organização da I Feira Eco-Raia pertenceu à Comunidade de Trabalho BIN-SAL (Beira Interior Norte – Salamanca) constituída pelos Municípios do Sabugal, Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel e Trancoso e à Diputación de Salamanca. O certame vai ter continuidade em Trancoso (2011), Salamanca (2012) e Pinhel (2013).

Programa do Encontro
11h30 – Recepção às personalidades convidadas no Salão Nobre dos Paços do Concelho do Município do Sabugal com discurso de boas-vindas pelo Presidente António Robalo;
12h00 – Visita cultural à cidade do Sabugal com passagem pelo Castelo e Museu Municipal;
13h00 – Porto de Honra na Junta de Freguesia do Soito e visita ao CNT-Centro de Negócios Transfronteiriços onde estão sedeadas e a laborar várias empresas incluindo uma espanhola;
13h30 – Almoço num restaurante do Soito.
Após o almoço terá lugar uma jornada de trabalho onde serão discutidas a cooperação transfronteiriça na produção e comercialização de produtos do mundo rural, as questões ambientais e energéticas, a protecção civil e as acessibilidades dos dois lados da Raia.

Outras actividades para sábado
10h30 – Quintas do Espinhal – Entrega de dois cachorros da Raça Serra da Estrela ao abrigo do protocolo celebrado entre o Município do Sabugal e a APCSE-Associação Portuguesa do Cão da Serra da Estrela que prevê a entrega em cada ninhada de exemplares certificados da raça Serra da Estrela aos pastores com rebanhos no concelho do Sabugal que viram aprovada a sua candidatura. A iniciativa conta com a presença do vereador Ernesto Cunha.
17h00 – Auditório Municipal – Concerto de Reis pelo Coro Mozart, Infantil e Juvenil.
jcl (com C.M.S.)

Estão confirmados 27 casos de gripe A no Hospital Sousa Martins, na Guarda. Além dos 16 profissionais de saúde já confirmados com gripe, os testes feitos a outros 11 revelaram-se positivos. A maioria dos casos refere-se a enfermeiros. Ao fim da manhã estavam identificados nove casos, sendo que os números foram actualizados ao longo do dia depois de conhecidos os resultados de testes entretanto realizados.

Hospital Sousa Martins - Guarda«Todos os infectados com gripe A estão em casa, com sintomas idênticos aos da gripe sazonal, sem gravidade. A situação está controlada e não foi necessário activar o plano de contingência para a gripe A», informou o presidente do conselho de administração, Fernando Girão.
Face à ausência dos enfermeiros, Fernando Girão explicou que as escalas estão a ser reforçadas «de preferência com profissionais vacinados», e que a situação não está a prejudicar os serviços do hospital.
São já mais de 30 os profissionais afastados do serviço. Desde quinta-feira, 6 de Janeiro, entre os profissionais de saúde, na sua maioria enfermeiros, foram diagnosticados 11 casos de gripe A e 16 casos de vírus do tipo B.
O Hospital Sousa Martins registou, entretanto, dois novos casos de gripe A, agora em doentes, que deram entrada já hoje nesta unidade.
Ouvida pela Rádio Renascença, a subdirectora-geral de Saúde, Graça Freitas, recorda que esta situação poderia ter sido evitada se os profissionais de saúde tivessem seguido as recomendações de tomarem a vacina.
A administração do Hospital de Guarda decidiu promover uma campanha especial de vacinação aos seus funcionários na próxima segunda-feira, embora recorde que não pode obrigar ninguém a vacinar-se.
jcl (com agência Lusa)

O Ipad nunca substituirá o jornal de papel por mais originais que sejam os conteúdos. Pois…

Autoria: Direitos Reservados posted with Galeria de Vídeos Capeia Arraiana

jcl

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaA todos os colaboradores, leitores, simpatizantes e amigos do Capeia, desejo um Bom Ano 2011. Mas, o mês de Janeiro começou com redobradas preocupações deixando em muitos corações um certo aperto, porque as «ameaças» de nos tirarem mais no ordenado e aumentarem os impostos que se sentem em qualquer compra, como o povo dizia – da água ao sal –, essas ameaças mantêm-se. Daí que eu pretenda aliviar um pouco, dizendo a todos com a possível calma…

TUDO É MEU

Tudo é meu e posso usar
Ninguém ouse proibir
Do cheirar e do sentir
Naquele jardim de sonho
Sem ninguém me incomodar.

Tudo é meu e posso usar
O Sol, o vento a soprar
Pois alguém ouse dizer
Que a chuva que me vai refrescar
Alguém ma possa tirar.

À noite brilham estrelas
Que me estão a iluminar
Com brilho e seus tremeliques
Pois quem ousa pensar
Que alguém mas pode tirar?

Tudo é meu e posso usar
Ver a lua e pensar
No homem do conto antigo
Que referia o meu livro
O livro da minha infância.

Tudo é meu e posso usar
O azul do céu e do mar
O cheiro a maresia
Ou a urze na serrania
De perfume tão ímpar!

Tudo é meu e posso usar
Os sonhos que o céu me traz
De anjos que cantam hinos
São fofos, ternos meninos
É um nunca mais acabar…
(Ecos do Meu Pensar)

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

A demora na recuperação do edifício do antigo colégio de Aldeia da Ponte foi a maior preocupação manifestada pelo presidente da Junta de Freguesia da localidade, no decurso da visita que o executivo autárquico do Sabugal efectuou à aldeia por ocasião da reunião de câmara do passado dia 22 de Dezembro.

Colégio de Aldeia da PonteO autarca de Aldeia da Ponte colocou a recuperação do imóvel que albergou o velho colégio dos seguidores de Bento Menin, como a sua grande preocupação, tendo em conta o interesse histórico e patrimonial do edifício. A associação local, que detém a sua propriedade, não tem capacidade financeira para executar as obras urgentes que evitem a continuação da degradação do imóvel e a sua derrocada, pelo que pediu à Câmara uma ajuda nesse sentido, pelo menos na colocação de um telhado novo.
O presidente do município, António Robalo, concordou com a importância da recuperação do edifício, e da obrigação da câmara e da junta de freguesia no apoio a essa obra, sendo porém importante que se procurassem encontrar investidores privados, tentando vender a sua atractividade e rentabilizando o espaço.
A reunião do executivo do dia 22 de Dezembro levou os vereadores da Câmara Municipal do Sabugal a Aldeia da Ponte durante a tarde, onde se procuraram inteirar dos problemas daquela freguesia.
Para além da preocupação com a recuperação do edifício do colégio o presidente da junta informou os vereadores de outros problemas muito prementes para a freguesia, a começar pela necessidade de colocar uma vedação junto à Praça de Touros para demarcar e isolar o caminho dos bois nos encerros, diminuindo o perigo para a população, bem como o arranjo do piso que se mantém em terra batida.
Outras peocupações manifestadas pelo autarca tiveram que ver com a necessiadde do arranjo do espaço envolvente à ponte romana, a recuperações dos fontanários da freguesia que se encontram degradados, a colocação de números de polícia e placas toponímicas nas ruas da aldeia, a conclusão de alguns arruamentos, o arranjo da ligação para a Rebolosa e dos caminhos agrícolas da Matrena e do Talefe, e ainda o saneamento do bairro de Santa Bárbara. Outra procupação do autarca é a conclusão da variante de Aldeia da Ponte, onde falta alguma sinalização, a iluminação da estrada e da rotunda, a colocação de grades na ponte, bem como o pagamento das indemnizações aos proprietários de alguns terrenos, cujos valores diminutos não justificam a realização de escrituras.
plb

Vai realizar-se no Instituto Politécnico da Guarda (IPG), no próximo dia 12 de Janeiro, uma conferência subordinada ao tema «O Novo Acordo Ortográfico», a proferir pelo Professor Doutor João Malaca Casteleiro.

Este prestigiado linguista, docente jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, irá falar do contributo do Acordo para a uniformização ortográfica da Língua Portuguesa, entre outros assuntos. Recorde-se que o Prof. Doutor Malaca Casteleiro foi o responsável pela versão portuguesa do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, bem como o coordenador científico do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A conferência decorrerá, a partir das 10 horas, no Auditório dos Serviços Centrais.
Nesse mesmo dia, a partir das 15 horas, vão decorrer alguns workshops, nos Serviços Centrais do IPG, sobre temas como «Em torno do Acordo Ortográfico – principais mudanças» (Prof.ª Doutor Ana Fonseca e Profª Anabela Sardo), «O Acordo Ortográfico – da teoria à prática» (Prof.ª Zaida Ferreira e Drª Isa Severino), «Da grafia à ortografia: um pouco de história» (Prof. Rui Formoso) e «O Desacordo do Acordo Ortográfico» (Dr. Mário Meleiro).
Estas acções têm entrada livre.
plb (com IPG)

O CEAMA – Centro de Estudos de Arquitectura Militar «nasceu» a 2 de Abril de 2008 nas portas exteriores de Santo António na fortaleza da aldeia história de Almeida. Reportagem da jornalista Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

A poetisa Teresa Duarte Reis convida todos os leitores do Capeia Arraiana para a apresentação do seu último livro – «Ecos do Meu Pensar» – no dia 15 de Janeiro, pelas 16.30 horas, na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás na Figueira da Foz.

O Capeia Arraiana endereça os parabéns a Teresa Duarte Reis por mais esta obra poética.
jcl

Depois das lavras, feitas com recurso ao arado ou à charrua, o lavrador antigo gradeava a arada para desterroar e alisar o campo. A sementeira estava feita e a semente começava a germinar, dando-se assim início a um novo ciclo de produção agrícola.

O alisamento da terra fazia-se com recurso a uma alfaia bastante singela, chamada grade. Constava fundamentalmente de dois barrotes de madeira, fortes e toscos, chamados banzos, ligados por duas travessas, as testeiras. A meio do quadrado formado pelos banzos e as travessas era normalmente colocado um pau, paralelo aos banzos. Os banzos tinham cravados dentes, geralmente de pau, sendo nalguns casos de ferro.
A grade atrelava-se ao cambão, que era um pau comprido, que por sua vez se ligava à canga das vacas para assim puxarem e arrastarem a grade. Era usual colocar um pedregulho em cima da grade, ou o próprio lavrador equilibrar-se sobre ela, de forma a aumentar o peso e assim exercer melhor a função.
A grade podia ser usada unicamente para alisar a terra, após a sementeira, sendo então «passada» com os dentes voltados para cima. Porém, se o objectivo era desterroar ou encobrir semente lançada previamente à superfície da terra, então davam-se uso aos dentes que a sulcavam.
A grade de Riba Côa era normalmente formada com dois banzos, mas também havia grades de três e até mais, dependendo do lavrador e da função específica a que se destinava a alfaia.
A grade e o cambão acompanhavam sempre o arado. Quando o lavrador ia jeirar carregava essas alfaias no chedeiro do carro das vacas, juntamente com duas ou três fachas de feno para alimentação dos animais, e metia-se ao caminho. Lavrava pacientemente todo o dia com o arado e, no final, passava calmamente a grade para deixar a terra lisa, mostrando assim o seu esmero no cuido da terra.
Era da lavoura que vinha o sustento da casa e o trato das terras fazia-se com a arte e os cuidados que foram passando de pais para filhos em gerações sucessivas.
Paulo Leitão Batista

E se em vez de PIB falássemos de FIB?

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A Revista Visão trouxe recentemente um artigo sobre o Butão, um pequeno país na zona dos Himalaias, onde em 1972 nasceu o conceito da Felicidade Interna Bruta como o melhor índice para designar o desenvolvimento de uma nação.
Nasceu assim uma nova fórmula para o cálculo de riqueza de um país, que considera outros aspectos, para além do desenvolvimento económico, preocupando-se com a conservação do meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas.
Os quatro pilares em que assenta o cálculo da FIB são a economia, a cultura, o meio ambiente e o bom governo, devendo a «Felicidade» de cada nação ser calculada com base em nove campos: Bem-estar Psicológico; Qualidade do Meio Ambiente; Saúde; Educação; Cultura; Padrão de Vida; Uso do Tempo; Vitalidade Comunitária; Qualidade da Governação.
Desde aquele ano de 1972, muita coisa aconteceu naquele País, com as mudanças incentivadas pelo próprio rei que renunciou da sua condição de monarca absoluto, tendo-se realizado já as primeiras eleições democráticas. O lema é que Democracia e FIB são as faces da mesma moeda. Ambas colocam a responsabilidade no indivíduo. A felicidade é uma busca individual e a democracia é o poder do indivíduo.
Claro que a universalização deste conceito não pode ser feito de forma automática, e, como acontece no Butão, é acompanhada de um conjunto de restrições enormes que, face a formas de desenvolvimento diferentes e, muitas vezes, mais apelativas do chamado mundo do PIB, vem colocando tensões internas às quais o actual rei e governo procuram encontrar o ponto de equilíbrio.
A crise económica e financeira que hoje varre o Mundo inteiro devia levar todos, governantes e cidadãos a olhar para este conceito com outros olhos.
Na verdade, de que vale ter um PIB elevado se grande parte dos cidadãos desse País tem uma felicidade baixa?
E não é, nunca foi, somente o dinheiro a medir o nosso grau de felicidade.
Aos governantes deveria caber tudo fazer para que cada cidadão e a sociedade em geral tivessem «boa nota» em todos os nove campos acima indicados.
Aos cidadãos, se devem exigir que os governantes tomem as suas decisões tendo em conta aqueles campos, compete também, assumir uma posição de mudança de hábitos de vida, percebendo que um nível individual de felicidade elevado, não se estrutura apenas no «ter», mas, e sobretudo, no «ser».
É que este não é um caminho fácil…
Por exemplo, no Butão demora-se quatro dias para atravessar um país com pouco mais de 38.000 km², pois as estradas assim o exigem; os habitantes são obrigados a vestir os trajes tradicionais; é um país onde a esperança média de vida é de apenas 65,6 anos e o índice de mortalidade infantil atinge o valor de 45/1000 nascimentos…
Isto é, está-se perante uma lógica de desenvolvimento sócio-económico muito mais lenta e, sobretudo, não apostando naquilo que nos fizeram crer que era a felicidade.
Estaremos prontos para esta mudança radical?
Eis o que considero uma boa reflexão para o início de mais um ano…

Ps. A todos os meus amigos que se preocuparam com a saúde da minha sogra, o meu e o da minha mulher muito obrigado.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

A Câmara Municipal do Sabugal tem uma nova estrutura orgânica, a qual assenta no princípio da flexibilidade dos serviços municipais. A nova organização dos serviços foi já aprovada no executivo e na assembleia municipal, pelo que os tempos são agora de mudança.

O projecto foi elaborado, segundo o documento que o suporta, dentro de princípios orientadores, como a inovação, a resposta eficaz às solicitações dos munícipes, a competência no atendimento dos cidadãos, a qualidade na prestação de serviços e a dinamização do concelho do Sabugal.
Na nova estrutura estão previstas unidades orgânicas flexíveis, assim configuradas: seis Divisões, nove Serviços e dois Núcleos, sendo cada tipo de unidades coordenadas por dirigentes intermédios de nível 2, 3 e 4, respectivamente.
O presidente do Município tem na sua directa dependência as seis Divisões, que são as de Administração Geral, Gestão e Finanças, Sócio-Cultural e Qualidade de Vida, Planeamento e Urbanismo, Serviços Urbanos e Manutenção, Estratégia Desenvolvimento e Execução. Ainda na dependência directa do presidente estarão dois Serviços: Informática e Telecomunicações, Relações Públicas Comunicação e Marketing.
Dentro das divisões haverá Serviços, tais como os clássicos de Gestão Financeira e de Recursos Humanos, mas também serviços mais contextualizados, como o de Cultura, Juventude, Desporto e Associativismo. Outros Serviços serão, por exemplo, o de Apoio às Juntas de Freguesias e o de Estratégia e Desenvolvimento.
Os dois Núcleos estão integrados na Divisão de Serviços Urbanos e Manutenção, sendo a sua designação: Núcleo de Águas e Saneamento, o Núcleo de Administração Directa de Obras e Vias.
As atribuições e competências serão definidas num regulamento interno a aprovar pela Câmara municipal.
Esta nova estrutura orgânica para o Município do Sabugal foi aprovada na reunião do executivo realizada no dia 22 de Dezembro e depois votada e aprovada na Assembleia Municipal ocorrida em 28 de Dezembro.
No executivo o documento foi aprovado com os votos favoráveis dos vereadores do PSD e do MPT, tendo os do PS votado contra. Os socialistas justificaram a sua oposição por considerarem que o modelo de estrutura orgânica foi idealizado a pensar num municio de grande dimensão, não se ajustando à realidade que tem a Câmara Municipal do Sabugal.
plb

A Serra da Estrela mantém uma oferta de excelência especialmente nas épocas frias. Directo da SIC Notícias com Jorge Patrão, presidente da Turismo Serra da Estrela.

jcl

No passado Domingo, dia 26 de Dezembro, o palco da Associação Cultural e Recreativa da Torre foi pequeno para os 20 alunos do atelier de música, onde demonstraram os seus dotes musicais, fruto da aprendizagem que têm vindo a desenvolver com o professor Jermela.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Foi uma tarde muito bem passada, com os familiares e amigos emocionados e orgulhosos da excelência dos dotes, das capacidades e da enorme vontade de aprender (alguns a darem os primeiros passos) dos alunos da música.
Para os mais pequenos foi uma estreia nervosa, mas tocaram e cantaram as suas músicas com muita alegria. Os mais velhos apresentaram várias músicas, encantaram toda a plateia e deixaram a promessa de, para breve, pisarem outros palcos. Vontade não lhes falta e nós daremos todo o apoio possível para que os seus sonhos se realizem.
Nesta época festiva em que a aldeia quase duplica a população, no Domingo triplicou e demonstrou a todos que se aprende e que não são precisos muitos luxos para encantar.
Um feliz Ano Novo
Associação Cultural e Recreativa da Torre

Dissemos em crónica anterior que o general Foy esteve por quatro vezes no Sabugal por ocasião dos movimentos militares franceses ligados à terceira invasão. A primeira numa estada de 15 dias, integrado no corpo de Reynier, e outras três apenas de passagem, servindo de emissário entre Massena e Napoleão.

O general Foy acampou no Sabugal no início da terceira invasão, comandando uma brigada da divisão Heudelet, do 2.º corpo do exército francês, que ocupou os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, de 27 de Agosto a 11 de Setembro de 1810.
Esteve depois no Sabugal apenas de passagem, enquanto emissário de Massena para com o Imperador dos franceses. É pois das peripécias dessas perigosas missões que nos propomos falar.
Com o exército bloqueado pelas Linhas de Torres, Foy partiu de Santarém, a 1 de Novembro de 1810, portador de uma mensagem de Massena, à frente de um destacamento de 400 homens. Seguiu em marchas forçadas, tentando evitar os locais onde fosse facilmente atacado pelas milícias portuguesas que estavam muito activas nos territórios que não estavam ocupados pelos franceses. Os anteriores emissários de Massena, encarregados de comunicarem com os militares franceses que estavam na praça de Almeida e em Espanha, haviam sido mortos ou capturados, estando o exército invasor completamente isolado. Atravessar esses territórios, enxameados de milícias e de ordenanças, era pois aventura de altíssimo risco.
Em Abrantes tomaram o destacamento de Foy pela vanguarda dos franceses em retirada e fecharam-se na fortaleza. Dali seguiu na direcção de Castelo Branco e, já depois de passar junto a esta cidade, foi atacado por portugueses da ordenança, que lhe provocaram algumas baixas, e conseguiu livrar-se de um recontro com as milícias do general Silveira que tinham saído de Pinhel e seguiam para Abrantes.
Tomou o caminho de Penamacor e passou seguidamente no Sabugal, já com as tropas completamente extenuadas, pois seguira sempre em marchas forçadas, mal parando para descansar. Atingiu a fronteira no dia 7 de Novembro e entrou em contacto com militares franceses que o judaram a chegar a Ciudad Rodrigo e a prosseguir viagem para Paris.
O tenente Jean-Baptiste Barrés, que fez parte desse destacamento de Foy, descreveu a ousadia da missão: «Empreender uma expedição tão arriscada, com tão pouca gente, era muito ousado; mas o general era activo, empreendedor, e tinha ao seu lado um português que conhecia a região e um ajudante-de-campo que falava a língua, para interrogar os habitantes que encontrássemos ou os prisioneiros que fizéssemos.»
Voltou de França nos finais de Janeiro, em pleno Inverno, e fez o caminho inverso em direcção ao exército de Massena. Saiu de Ciudad Rodrigo com uma coluna de 500 homens, passou a fronteira e atingiu o Sabugal, passando depois por Sortelha, Belmonte, Pêraboa, Ferro, Alcaria, Freixial, procurando sempre caminhos secundários para evitar maus encontros. No dia 1 de Fevereiro, perto do Castelejo, foi impiedosamente atacado por ordenanças, o mesmo se passando no dia seguinte, perdendo aí uma boa parte dos seus homens. Porém conseguiu prosseguir viagem e no dia 5 de Fevereiro entrou em contacto com as linhas francesas junto à foz do Zêzere, perto de Punhete (agora Constância), entregando seguidamente os ofícios a Massena.
O jovem tenente Bauyn de Péreuse, que veio de França para integrar o exército de Massena, acompanhou o general Foy nesta perigosa aventura de regresso a Portugal e descreveu as jornadas nas suas memórias. Ao entrarem em Portugal pernoitaram numa pequena aldeia raiana abandonada pelos habitantes. O oficial não indica o nome da aldeia, mas era certamente uma povoação do actual concelho do Sabugal:
«Pernoitámos numa cabana de camponeses; encontrámos nas armações, colocadas sobre os barrotes que sustentavam o tecto, uma grande quantidade de castanhas secas, de que tirámos o melhor proveito e que substituíram frequentemente o pão durante a marcha.
As chaminés, nesta zona, são completamente desconhecidas. Faz-se uma fogueira e o fumo liberta-se através das telhas, contribuindo assim para secar as castanhas.
Por pouco não nos tornámos incendiários e não ficámos assados no nosso covil. Fazia frio. Lefranc encontrou uma arca velha, que desfez em pedaços; pusemos as tábuas no fogo, para o activar, num instante as chamas subiram até às aramações, incendiaram-nas e atingiram o tecto; felizmente a barraca estava isolada e o fogo não se comunicou às outras casas da aldeia.
»
O jovem tenente descreve depois as jornadas na Beira, debaixo de chuva e de neve e sob o frio intenso das terras serranas por onde a coluna deambulou, referindo ainda os ataques de que foram alvo por parte das ordenanças e dos camponeses, que os emboscavam a todo o instante. Foi assim até ao final da viagem, valendo a coragem e a tenacidade do general, que seguiu sempre em frente até cumprir a sua missão.
A 7 de Março, um mês após o seu regresso às linhas francesas, Foy parte de novo com a missão de ir a Paris com outra missiva de Massena para Napoleão Bonaparte anunciando-lhe a retirada francesa. Saiu de Tomar com apenas cinquenta cavaleiros por escolta, mas a experiência das outras expedições levaram-no a seguir de dia e de noite por caminhos pouco frequentados, evitando as povoações. Tendo pela quarta vez o Sabugal no seu percurso, consegue atingir a fronteiras sem encontros desagradáveis.
Paulo Leitão Batista

Alguém definiu cultura como aquilo que fomos, o que somos e o que queremos ser. Ao longo da História desta Europa, a cultura foi monopólio da Igreja, depois dos Estados e, presentemente das empresas.

António EmidioDurante a Idade Média a cultura esteve nas mãos da Igreja, era a cultura eclesiástica, uma visão eclesiástica do Mundo, o saber estava nos conventos, igrejas e mosteiros. Depois surgem os Estados como mentores do conhecimento e do saber. A Revolução Francesa liberalizou a cultura. Se virmos a história de Portugal, nela veremos que após o vintismo (Revolução Liberal de 1820), quase todos os governos tiveram a preocupação de fazer reformas na educação e na cultura. A República, já em princípios do século XX foi o expoente máximo nesse campo.
Na Europa do pós II Guerra Mundial, nos Estados Estalinistas, e nos Estados Ditatoriais de países como Portugal e Espanha, a cultura não passava de uma propaganda ideológica. Nos Países Democráticos a cultura simbolizava avanço social e também civilizacional, quando se quiseram pôr entraves a este avanço surgiu o Maio de 68 em França e, revoltas noutros países.
Chegámos aos dias de hoje, o que é a cultura presentemente neste Ocidente? É um simples passatempo banal, ligado à comercialização, é uma cultura televisiva. A verdadeira cultura ainda sobrevive, mas é marginalizada. Qual a diferença entre as duas? Vamos pôr com exemplo os livros; todo o escritor que escreve a favor do sistema, vê os seus livros publicados pelas grandes editoras e recebe prémios. Ao escritor anti-sistema tudo lhe está vedado. Isso faz com que cada vez encontremos mais escritores, intelectuais e artistas procurar êxito comercial e ganhar bom dinheiro. Os bens culturais noutras épocas estavam vinculados à ética e à verdadeira cultura espiritual. Agora transformaram-se numa mercadoria como outra qualquer. Esta é a cultura do Neoliberalismo que não passa de uma simples vulgaridade e mediocridade.
Qual o papel do poder político nisto tudo? Recebe ordens do económico, e é de uma aridez cultural impressionante. Berlusconi, por exemplo, entregou a direcção dos museus italianos, esse património cultural fabuloso, a um amigo, ex-gestor da empresa multinacional Mc Donalds. Outro pequenino grande exemplo: aqui bem perto, no Concelho da Guarda, um Presidente de Junta de Freguesia interrompeu uma manifestação cultural, música erudita, a toques de vuvuzela.
Em alguns países europeus estão a entregar-se bibliotecas públicas a empresas privadas, o que significa que quem quiser ter cultura tem de pagar a alguém, para esse alguém enriquecer. Na Alemanha da senhora Merkel querem que os jardins-de-infância paguem pelas canções que as crianças cantarem agora nestas festas de Natal.
Vou dizer o que já disse dezenas e dezenas de vezes: a presente ciência económica europeia não admite outra finalidade senão os benefícios empresariais, esta é a realidade, por mais que os apologistas do sistema digam o contrário.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A última sessão ordinária de 2010 da Assembleia Municipal teve lugar no Auditório do Sabugal na noite de 28 de Dezembro. Os trabalhos (e as intervenções) foram dominados pela ligação à A23, as votações das Grandes Opções do Plano e do Orçamento para 2011 e os ataques ao vereador Joaquim Ricardo pelo pecado de ter chegado a um acordo com a presidência social-democrata permitindo uma maioria e a governação estável e empreendedora do executivo sabugalense.

Câmara Municipal Sabugal

A Assembleia Municipal do Sabugal é constituída, de acordo com a lei, pelos presidentes das 40 Juntas de Freguesia do concelho do Sabugal e pelos 41 deputados eleitos por sufrágio universal nas autárquicas.
Durante o ano de 2010 foram realizadas cinco assembleias municipais ordinárias e foi marcada uma extraordinária (29 de Outubro) que não chegou a efectivar-se por falta de quórum. A última reunião, marcada para 28 de Dezembro era aguardada com bastante interesse até porque a ordem de trabalhos registava assuntos relevantes como, por exemplo, a votação do Orçamento para 2011 e as Grandes Opções do Plano.
A sessão com início às 20.15 horas ocupou praticamente todo o período «antes da ordem do dia» com a suspensão das obras de ligação à A23. O assunto sintetiza-se em poucas palavras. O executivo defende, estrategicamente, que a ligação é fundamental para o desenvolvimento do concelho mas deve ser suportada financeiramente com os dinheiros do Ministério das Obras Públicas. A decisão é correcta e só peca por tardia porque a fórmula imaginada pelo anterior presidente, Manuel Rito, com recurso aos militares do Regimento de Engenharia e com a execução de pequenos troços que no final ficavam ligados entre si apenas era compreendida pelo seu autor. Tal como escrevi no Capeia Arraiana no dia 27 de Junho de 2010 (Aqui.) era tempo de parar com um processo que apenas serviu para delapidar a tesouraria do município sabugalense. Na memória dos presentes ficam as defesas de honra de quem se sentia ultrajado sem ninguém o ter atacado na sua dignidade mas apenas e tão somente nas suas decisões políticas.
A Ordem do Dia «obrigou» a votações importantíssimas. O «Orçamento para 2011» foi aprovado por maioria com 17 votos contra e seis abstenções. As «Grandes Opções do Plano» foram aprovadas por maioria com 18 votos contra e cinco abstenções. O «Regulamento para Cargos de Direcção Intermédia de 3.º e 4.º grau» foi aprovado por maioria com a abstenção de Ramiro Matos (presidente da Assembleia Municipal), Manuel Rito (ex-presidente da Câmara) e António Moreno (presidente da Junta de Freguesia da Moita).

Das duas, uma, ou das duas, três
A actividade na «sessão ordinária» ficou marcada pelos constantes ataques de alguns deputados ao vereador Joaquim Ricardo considerando-o como «o grande responsável pela estabilidade governativa do actual executivo camarário».
Das duas, uma, ou das duas, três. Um: em democracia governa quem ganha e apenas o povo está mandatado para fazer «o ajuste de contas» nas eleições seguintes. Dois: em democracia a legitimidade política não se esgota nos dois principais partidos, PSD e PS. Três: em democracia as maiorias absolutas são, na minha opinião, o seu maior defeito. Porquê? Porque, por vezes, criam autoritarismos e despotismos prejudiciais à causa comum. Há países na Europa como, por exemplo, a Alemanha ou a Itália, governados, quase sempre, por governos de coligação.
Há, contudo, importantes reflexões que se impõem a todos os sabugalenses. A quem beneficia ter no Sabugal um executivo minoritário (três vereadores contra quatro) com evidentes dificuldades de governação? A quem beneficia ter no Sabugal um partido com a força nacional do PSD incapaz de colocar em prática o programa eleitoral com que se apresentou nas autárquicas e que mereceu os votos favoráveis dos cidadãos? A quem beneficia no Sabugal colocar em causa o acordo democrático entre o presidente eleito e o vereador eleito pelo MPT? O pecado do vereador Joaquim Ricardo foi ter chegado a acordo com o presidente António Robalo e ter permitido uma governação estável do município. Algo vai mal na democracia do meu Sabugal. Algo vai mal nos conceitos de democracia de alguns sabugalenses que confundem o combate político com interesses pessoais. É feio e fica mal.
Subscrevo as palavras do presidente António Robalo em plena Assembleia Municipal que fez a defesa, aqui sim, da honra de Joaquim Ricardo em resposta aos constantes ataques de que foi alvo o vereador que assumiu entre Julho e o início de Dezembro a presidência da empresa municipal Sabugal+. Os factos dizem (e contra factos não há argumentos) que desde o dia da votação e nomeação para o cargo na Sabugal+, Joaquim Ricardo, deixou a sua manutenção no cargo dependente dos pareceres que foram na altura solicitados às entidades competentes. No dia em que estes foram conhecidos e apontavam para uma ilegalidade processual por dúvidas na votação em causa própria Joaquim Ricardo demitiu-se imediatamente do cargo. Percebe-se que para a oposição, ou melhor, para os seus opositores seria sempre um caso de «preso por ter cão e preso por não ter». Infelizmente para casos idênticos virtudes diferentes.
Os deputados (ou membros) eleitos nas listas do MPT, António Gata e Francisco Bárrios, decidiram constituir um grupo independente demarcando-se dos restantes eleitos pelo Partido da Terra. Em bom rigor todos os candidatos nas listas do MPT eram independentes porque suponho que nenhum era filiado no partido. O MPT serviu, no concelho do Sabugal, para agilizar um processo democrático que privilegia os partidos constituídos que se apresentem a eleições mas sempre vi este movimento encabeçado por Joaquim Ricardo como um grupo de cidadãos que, por diversos motivos (insatisfação com as principais forças políticas, insatisfação com os políticos locais ou reconhecimento das capacidades do candidato) se juntaram para concorrerem às eleições autárquicas. Considero, contudo, que a lei eleitoral tem pormenores «perigosos». Se em todos os grupos políticos das assembleias municipais mais de metade dos seus eleitos entendessem passar a independentes estes passariam a «governar» a assembleia municipal e as grandes decisões do executivo camarário. Interessante mas perverso.
Aqui chegados gostaria de dissecar aquilo que considero uma «ilegalidade» democrática. Vamos por exemplos concretos. Nos sufrágios universais (com voto secreto) os candidatos podem votar em si mesmos seja para presidente da República seja para qualquer outro cargo. Numa autarquia onde as forças partidárias no executivo se dividam em quatro contra três (num total de sete eleitos) mesmo que a força partidária vencedora entenda colocar o presidente, vice-presidente, e um dos vereadores no conselho de administração de uma empresa municipal esse acto poderá ser, sempre, inviabilizado pela oposição minoritária porque os três elementos indicados não podem votar. E para concluir podemos sempre acrescentar que a votação e respectiva eleição para a Sabugal+, com ausência do voto do vereador Joaquim Ricardo já seria possível num cenário de três contra três e voto de qualidade do presidente. Pormaiores que reduzem a nada quem clama pormenores esquecendo que o papel dos políticos é apresentar caminhos e soluções deixando os enredos guionistas para os produtores de ficção.
Pessoalmente assumo e defendo que as empresas municipais são fundamentais nos serviços sociais que prestam e agilizam muitos dos processos que são burocratizáveis nas Câmaras Municipais. As administrações das empresas municipais devem ser constituídas por gestores especializados e pragmáticos que estejam sempre disponíveis para dar o seu melhor inovando em cada época, em cada temporada, em cada mês, em cada dia, trabalhando com muita cumplicidade com todos os funcionários. Mas, acima de tudo, uma empresa municipal tem de ser vista como mais uma divisão da estrutura da própria Câmara Municipal liderada pelo presidente do partido mais votado nas eleições.

Memórias que marcam a História
A cada momento da História está tudo por fazer. Alguns – os aprendizes e os saudosistas – perdem-se nos ataques personalizados e nas lamentações caliméricas pelo regresso de outros tempos sem apresentarem soluções práticas. Outros – pragmáticos e empreendedores – arregaçam as mangas e empenham-se com competência profissional na gratificante tarefa de realizar obras que transformem realmente o futuro do concelho. É destes que fica a memória. É destes que fica a marca.
Adaptando Almada Negreiros não resisto a afirmar que o Sabugal é um concelho que reúne alguns defeitos e muitas qualidades.
Todos temos direito à nossa cidadania. Sempre entendi dar ao meu concelho, dos meus pais e dos meus antepassados, o meu melhor pela sua promoção e valorização. E o meu melhor sempre se apoiou nas minhas competências profissionais. E o meu melhor sempre se apoiou nas minhas convicções pessoais e políticas. Assim continuarei!
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

O Comando Territorial da Guarda da GNR, não registou mortos nem feridos graves nas estradas do distrito no âmbito da operação «Natal / Ano Novo», o que representa uma melhoria face aos números do ano anterior, ao invés do que aconteceu a nível nacional.

Na quadra de Natal e de Ano novo, registaram-se 33 acidentes de viação, de onde resultaram 16 feridos leves. Comparativamente ao ano anterior e em igual período, verificou-se uma diminuição do número de acidentes (menos 17), de feridos graves (menos 2) e um aumento de feridos leves (mais 3).
Segundo o comunicado semanal do Comando Territorial da Guarda, durante a Operação a GNR exerceu um grande esforço em matéria de segurança rodoviária, tendo efectuado 179 patrulhamentos e empenhando um total de 371 efectivos. Também a acção fiscalizadora foi tida em conta, nomeadamente, no tocante às manobras perigosas e condução sob o efeito do álcool. Em matéria de álcool foram fiscalizados 2.553 condutores, tendo-se verificado 13 situações de excesso. Em matéria de excesso de velocidade foram controlados 6441 veículos, tendo sido registados 141 infracções. Foram ainda elaborados 202 autos de contra-ordenação por outras infracções rodoviárias.
O comunicado informa ainda que o Núcleo de Investigação Criminal de Pinhel deteve, na madrugada do dia 1 de Janeiro, na localidade de Malta (Pinhel) um indivíduo de 37 anos de idade, residente na Guarda, por suspeita de furto numa residência. O indivíduo foi interceptado pouco depois do furto, tendo os militares recuperado um PC portátil, peças em ouro, dois telemóveis, sete relógios, uma consola, peças de roupa e calçado, avaliados em 6.000 euros.
Presente ao Tribunal Judicial de Pinhel, foi-lhe aplicada a medida de coação de apresentações periódicas no Posto Policial da área de residência.
Durante a semana transacta a GNR efectuou 14 detenções, 11 em flagrante delito e três no cumprimento de mandados judiciais.
plb

A Direcção do Grupo Cultural e Desportivo de Foios tinha agendado o Pedido das Janeiras para o primeiro dia do ano 2011. Assim aconteceu.

(Clique nas imagens para ampliar.)

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaUm grupo de amigos, ainda mal refeitos da noite da passagem de ano, acompanhados pela nossa amiga acordeonista, Dr.ª Ilda Manso, fizeram-se às ruas e toca a dar sinal, junto de algumas casas, cujos proprietários(as) depressa descobriam que se tratava do pedido das Janeiras.
Naturalmente que não houve tempo para uma grande volta pelo que não fomos a mais de dez famílias que sabíamos que tinham feito matança.
Antes de nos darem as chouriças ofereciam umas típicas bebidas, bolos, filhoses e chocolates.
Por volta das 20 horas todo o pessoal que havia participado e outros que se dignaram comparecer deslocaram-se para o pavilhão multiusos onde, para além dos enchidos, foi também servida uma feijoada que previamente havia sido confeccionada pelo amigo Zé Tavares, presidente da colectividade.
As cerca de cinquenta pessoas que participaram no jantar prometeram que no próximo dia 1 de Janeiro, em 2012, também dirão presente.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Foy serviu nas três invasões de Portugal, na primeira enquanto coronel e nas duas seguintes como general do exército imperial. Esteve no Sabugal no início da terceira invasão, integrado no corpo de Reynier e passou por três vezes nessa vila raiana enquanto mensageiro de Massena e de Napoleão Bonaparte.

Maximilien-Sébastien Foy (1775- 1825), entrou aos 15 anos para a escola de Artilharia, participando depois na campanha de Flandres com o posto de segundo tenente. Promovido a capitão, combateu em várias batalhas, mas em 1794, insurgiu-se contra os jacobinos e foi preso, devendo a sua salvação ao assassinato de Robespierre.
Foi gravemente ferido na batalha de Diersheim e na recuperação cursou direito público e história moderna.
Recomendado ao general Napoleão Bonaparte, recusou ser seu ajudante de campo e participar na campanha do Egipto. Sob as ordens de Massena foi promovido a coronel, em 1799, após se ter destacado no campo de batalha. Combateu depois nas campanhas de Marengo e do Tirol.
Opôs-se à ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder supremo e depois ao seu consulado vitalício e à proclamação do Império, factos que o penalizaram vendo adiada a promoção ao generalato.
No início 1807 foi enviado para Constantinopla, e no final desse ano foi integrado no corpo do general Junot, participando na primeira invasão de Portugal. Na sequência da Convenção de Sintra regressou a França, onde foi finalmente promovido a general de brigada por Napoleão, sendo reenviado para Espanha, onde foi integrado no 2.º corpo, comandado por Soult e combate de novo em Portugal, na segunda invasão francesa. É ferido em Braga numa refrega com milícias portuguesas, e, ao entrar no Porto para exigir a rendição da cidade, é quase linchado pela população que o toma pelo general Loison, o célebre Maneta, salvando-se ao mostrar os dois braços à multidão. É preso, mas logo libertado com a conquista da cidade pelos franceses.
Em 1810 participa na terceira invasão de Portugal, integrado no 2.º corpo, agora comandado pelo general Reynier, que ocupou o Sabugal e Alfaiates de 27 de Agosto a 11 de Setembro, ainda na fase preparatória do movimento geral da invasão.
Já perante as inexpugnáveis Linhas de Torres Vedras, o general Foy foi o escolhido por Massena para ir a Paris levar uma missiva a Napoleão Bonaparte, para explicar a situação do «Exército de Portugal», da novidade que eram as Linhas de Torres e da necessidade de reforços.
Com um destacamento de 400 bons e corajosos caminheiros, Foy conseguiu atravessar o território que separava o exército da fronteira, completamente infestado por milícias portuguesas, que atacavam impiedosamente todos os movimentos militares dos franceses. Nessa manobra passou pelo Sabugal no movimento de ida e atinge Espanha, onde prosseguiu a sua rota para Paris. Recebido pelo Imperador, que lhe admirou a coragem e o mérito da missão, promoveu-o a general de divisão, e reenviou-o a Portugal com instruções para Massena.
Regressou pelo mesmo caminho e, acompanhado por tropas frescas que lhe admiravam a coragem e o seguiam fielmente, voltou a passar pelo Sabugal, e dali seguiu por caminhos pouco frequentados, procurando furtar-se a encontros com as guerrilhas.
Depois de mil peripécias, e com perdas consideráveis entre os seus homens, conseguiu chegar a Massena, a quem entregou a missiva.
Já no movimento retrógrado do exército invasor, Massena voltou a enviar Foy a Paris, dando conta a Napoleão da situação desesperada do exército e da sua firme decisão de não abandonar a empresa: recuará estrategicamente para bons acantonamentos e, contando com os reforços que suplica ao Imperador, voltará a avançar e ocupará Lisboa.
Foy, com uma escolta de apenas 50 cavaleiros, volta a embrenhar-se nos caminhos da Beira, com o Sabugal novamente no percurso, conseguindo atingir a fronteira. Já em Espanha é atacado num desfiladeiro, entre Burgos e Bilbau, por um forte destacamento espanhol. Foy perdeu a quase totalidade dos elementos da escolta mas conseguiu escapar completamente despido, colocando-se em fuga com os ofícios que também salvou. Prosseguiu viagem com roupas emprestadas, levando as mensagens ao seu destino.
Napoleão, irado com o conteúdo da mensagem de Massena, amarrotou os papéis e descarregou no general a sua fúria. Pouco tempo depois Foy era enviado de volta a Massena, levando-lhe uma carta do Imperador extremamente severa, manifestando-lhe o seu desagrado pelo fracasso da invasão. Foi já em Ciudad Rodrigo que Massena recebeu a missiva. Tivera sempre a maior confiança em Foy, mas verificou que os selos da carta haviam sido violados e carta fora lida antes de lhe ser entregue. Manifestou-lhe desagrado e desprezou-o a partir daí.
Porém Massena estava de partida e o general Foy reingressou no «Exército de Portugal», agora chefiado pelo marechal Marmont, comandando uma divisão. Combateu contra o exército anglo-luso, que se expandira por Espanha, sendo notado pela sua coragem e mérito. Já em plena retirada, foi gravemente ferido na batalha de Orthez, em 27 de Fevereiro de 1814, sendo esta a sua última prestação militar até ao fim do Império.
Com a França em convulsão política, Foy serviu como general durante mais alguns anos e depois aposentou-se, dedicando-se à política e à escrita, sendo autor de uma «História da Guerra da Península».
Paulo Leitão Batista

Estamos na Europa civilizada, Vilar Formoso é logo ali [e] o país vai de carrinho. Camões e Eça vendem-se enlatados, lavados com «champon». Das eleições acabadas, do resultado previsto saiu o que temos visto, [mas] toca de papelada no vaivém dos ministérios, [que] lambuzam de saliva os maiorais.

José Afonso

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»[O Governo] faz da bolsa do Povo cofre-forte do bancário [e] despreza a ralé inteira como qualquer plutocrata. Morde pela calada, anda aí à solta, não o deixes bulir. Dá-lhe na corneta até se cansar, mofina de mim, bem o vejo trepar. Ninguém o chora agora.
Alguma gente enganaste, nunca te vimos tão longe daquilo que tens pregado. Estás sempre em traje de gala, a brincar aos Carnavais. Será o Christian Dior a mandar no país?
A palavra socialismo como está hoje mudada, dinheiro seja louvado, a mim quem me vence é o patrão. E o banqueiro? A Ferrugem? Mete-os na forma. Queima-os na fornalha.
A Banca é boa para falir. Chupam-te até ao tutano, levam-te o couro cabeludo. E não se esgota o sangue da manada. Mandadores de alta finança fazem tudo andar p’ra trás. Anda ver o Deus banqueiro, que engana à hora e rouba ao mês.
Às aranhas anda o pobre sem saber quem o maltrata. Onde não há pão não há sossego. O que faz falta é dar poder à malta [e construir uma] cidade sem muros nem ameias, capital da alegria.
Ainda bem que é para breve o Festival e o Campeonato do Mundo no primeiro canal, ainda bem que apostei no Totobola.
Gastão era um parapeito de Papas e Cardeais, não fora Gastão dos fracos e já seria ministro. Acima da pobre gente subiu quem tem bons padrinhos, todos lhe apertam a mão, é homem de sociedade. Vejam bem daquele homem a fraca figura.

O texto acima é uma colagem de versos de diversas canções de José Afonso, de diferentes épocas, algumas de antes do 25 de Abril de 1974 e outras já de uma época pós- Abril. Considero José Afonso a maior referência de toda a música portuguesa do século XX. Independentemente da sua importância musical, que é fundamental no desbravar de novos caminhos para a música popular portuguesa, não se pode esquecer a intervenção cívica de José Afonso e tudo o que isso representou e continua a representar. O seu inconformismo continua com uma actualidade total. Não será por acaso que José Afonso continua a ser cantado por representantes da nova geração de músicos portugueses. Para cima de duzentas versões de canções de José Afonso conheço eu, muitas das quais em linguagens como o Rock, a Pop, o Fado ou mesmo o Jazz. O verdadeiro cantor popular que continuará a perdurar por muitos e muitos anos, por mais modas que apareçam e desapareçam.
Apesar de José Afonso ter falecido há perto de 24 anos, não há qualquer dúvida que a sua mensagem se mantém o mais actual possível. Basta ler os versos acima reproduzidos para se perceber isso mesmo. Independentemente dos Governos que têm passado por este país (da responsabilidade do PS, PSD e CDS), nestes últimos 34 anos, a mensagem de José Afonso mantém actualidade. Basta lê-la.
Ainda recentemente estive a ver um vídeo onde José Afonso refere, sem qualquer paternalismo (que eu sei que ele detestava) à situação dos jovens nos anos 80 do século passado e a sua mensagem não podia ser mais actual.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

O Município do Sabugal está entre os fundadores de uma nova associação intermunicipal, designada por «Territórios do Côa, Associação de Desenvolvimento Regional», cujo objectivo é combater o despovoamento do interior pela promoção turística do Vale do Côa.

O Município de Figueira de Castelo Rodrigo tem liderado o processo de constituição da associação, onde a mesma terá a sede. Inicialmente pretendeu-se designá-la por «Agência do Vale do Côa», o que, contudo, foi rejeitado pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas, tendo então que escolher-se a designação «Territórios do Côa».
Para além dos municípios de Figueira de Castelo Rodrigo e Sabugal, a nova associação integra ainda os de Almeida, Meda, Pinhel, Trancoso, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo, Mogadouro e Freixo de Espada à Cinta.
A associação pretende promover o desenvolvimento integrado através da dinamização do turismo de aventura e do ecoturismo, aproveitando as condições apropriadas para esse finalidade do território que abrange.
A existência de um património cultural de alto valor e do Museu do Parque Arqueológico do Vale do Côa, são o garante da boa possibilidade de dinamização em rede deste território tendo em vista o alcance dos objectivos consagrados pela nova associação.
Os representantes dos municípios que integram a associação reuniram-se por diversas vezes para a aprovação do projecto de estatutos, e para dar andamento à demais formalidades ligadas ao seu registo legal e ao seu funcionamento quando a mesma estiver em plena actividade. Da parte do Município do Sabugal o processo formal está concluído, tendo a adesão sido aprovada em reunião de Câmara e também pela Assembleia Municipal.
plb

A primeira Capeia Arraiana de 2011 teve lugar numa das praças míticas do concelho do Sabugal – Aldeia Velha. Depois da noite de passagem de ano e apesar do frio os aficionados rumaram até à aldeia da Raia no dia 1 de Janeiro para mirarem os primeiros touros deste ano.

GALERIA DE IMAGENS  –   CAPEIA ARRAIANA   –   ALDEIA VELHA   –   1-1-2011
Fotos Capeia Arraiana –  Clique nas imagens para ampliar

jcl

A Confraria do Bucho Raiano tem encontro marcado para o Restaurante Brasa, em Elvas, no dia 15 de Janeiro de 2011. O almoço está marcado para as 13.00 horas e é aberto a todos os interessados.

Elvas - Restaurante Brasa - Confraria Bucho Raiano - Capeia Arraiana

A Chancelaria da Confraria do Bucho Raiano respondeu afirmativamente ao desafio/convite de um confrade e do proprietário do Restaurante Brasa, em Elvas, para um almoço com bucho na cidade alentejana.
O encontro está marcado para as 13.00 horas no sábado, 15 de Janeiro de 2011 e será seguido de uma visita à Adega Mayor durante a tarde.
O programa completo aberto a todos os interessados inclui, ainda, o jantar de sábado e o almoço de domingo com dormida incluída.
As reservas devem ser feitas até ao dia 10 de Janeiro para email da confraria: confrariabuchoraiano@gmail.com ou para o telemóvel: 966823786.
Chancelaria do Confraria do Bucho Raiano

TIMOR LESTE – DILI – É dia de festa numa aldeia do interior profundo de Timor Leste. A felicidade está estampada nos rostos dos habitantes.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Bilhete Postal de Timor Leste - Por José Bispo
Clique na imagem para ampliar Clique na imagem para ampliar Clique na imagem para ampliar
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Remetente: José Bispo

A alegria do futebol é o golo mas as perdidas de baliza aberta também fazem parte do folclore dos estádios. O vídeo que apresentamos selecciona as melhores (piores) 11 jogadas de golo feito em 2010.

jcl

Neste ano de 2011, os cidadãos com mais de 65 anos residentes no concelho do Sabugal e com parcos recursos financeiros, passarão a beneficiar do Cartão Social Municipal, emitido pela Câmara, com o qual terão alguns benefícios.

A criação do Cartão Social Municipal está prevista no Regulamento de Apoios Sociais do Concelho do Sabugal, aprovado na Assembleia Municipal realizada no dia 28 de Dezembro de 2010.
Segundo o regulamento, podem beneficiar do cartão todos os cidadãos com mais de 65 anos, residentes no concelho do Sabugal há mais de um ano e recenseados numa das suas freguesias, que sejam pensionistas, reformados ou deficientes. O rendimento mensal per capita do agregado familiar onde o candidato se insere não pode ser superior ao salário mínimo nacional.
Entre os benefícios a que o titular do Cartão Social Municipal tem direito, conta-se a isenção de pagamento nos transportes regulares escolares, desde que existam lugares vagos por alunos, a comparticipação em 30% (do valor não comparticipado por outra via) dos tratamentos nas Termas do Cró, a redução de 50% no acesso às piscinas municipais e o acesso a serviços de reparação domiciliária prestados pelo projecto «Bricosolidário». O Município celebrará ainda protocolos com empresas privadas, tendo em vista garantir descontos para os titulares do Cartão Social.
O Regulamento de Apoios Sociais, prevê ainda a concessão de outras ajudas à população mais carenciada do concelho do Sabugal, nomeadamente à habitação, através da construção de instalações sanitárias e outras obras de beneficiação, assim como na aquisição de mobiliário ou na elaboração de projectos de arquitectura. O regulamento prevê ainda a possibilidade da criação de uma bolsa de imóveis a adquirir pelo Município para usufruto dos mais carenciados.
O Município poderá dar ainda ajuda financeira às famílias numerosas de baixos rendimentos, distribuir cabazes de Natal e prestar apoios em situações de urgência que o justifiquem.
plb

O secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, garantiu o financiamento do Centro de Limpeza de Neve da Guarda pelo qual tem lutado o governador civil Santinho Pacheco. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

jcl

ANA DE CASTRO OSÓRIO – Educadora – Pioneira do Movimento Feminino em Portugal. – Aqui há tempos, a propósito do início das obras do futuro hospital de Loures, escrevi no «Capeia Arraiana» um texto sobre Carolina Beatriz Ângelo, natural da Guarda, uma das primeiras mulheres médicas em Portugal, cujo nome foi dado ao novo hospital.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaCarolina Beatriz Ângelo foi, juntamente com Ana de Castro Osório, Maria Amália Vaz de Carvalho, Virgínia de Castro e Almeida, Maria Veleda, Adelaide Cabete, Maria Lamas e outras ilustres mulheres portuguesas, precursora da luta pela igualdade de direitos cívicos e políticos entre homem e mulher.
As primeiras décadas do século XX europeu constituíram um tempo absolutamente revolucionário, no domínio dos valores e do quotidiano. Com a 1.ª Guerra Mundial (1914-18), chega ao fim a Belle Époque e inicia-se uma período que culminará com os «loucos anos 20», marcados pela pressa de viver, pelo desenvolvimento da cultura de massas (o cinema, a rádio, o desporto, etc), pelo jazz e pelas novas danças (o charleston, o one-step, o jazz, o tango) e também por importantes transformações na condição feminina. Durante a Guerra, ao substituírem os homens mobilizados, as mulheres começam a ter acesso a profissões e actividades que, até aí, não lhes eram muito habituais: manipulação de máquinas industriais, condução de autocarros e de eléctricos, etc. As próprias profissões «intelectuais», como jornalista, médica, advogada, professora universitária, começam a ver chegar as primeiras mulheres. Nos anos vinte, o aspecto e os hábitos de vida revelam uma nova mentalidade: as saias curtas e travadas, o cabelo «à garçonne», a frequência de praias e de cabarets, a prática de desportos como a natação, o ténis e o ciclismo mostram uma mulher mais confiante e emancipada.
E em Portugal?
O nosso País acabará por receber, com algum desfasamento, como era habitual, os reflexos deste novo clima mental.
As primeiras décadas do século, em Portugal, caracterizam-se pelo enfrentamento de duas tendências: a primeira, conservadora, tradicionalista, apegada aos valores ditos nacionais, foi culturalmente representada pelo movimento da Renascença Portuguesa, com Teixeira de Pascoais como corifeu, e, politicamente, pelo Integralismo Lusitano, em que pontificou António Sardinha; a segunda, progressista, renovadora e inconformista, terá em António Sérgio e no movimento da Seara Nova a sua melhor expressão política e na geração de Orfeu, representada por José de Almada Negreiros, Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, a expressão cultural. Através de uma adesão radical aos movimentos artísticos e literários de vanguarda, como o modernismo-futurismo, o grupo da revista Orfeu atirou pedradas violentas ao charco do panorama sociocultural português. É o tempo do Manifesto anti-Dantas, de Almada Negreiros, e da adesão de alguns jovens pintores, como Amadeo Sousa-Cardoso e Santa Rita Pintor, aos novos movimentos artísticos. Paralelamente, a vida boémia ganha raízes, com alguns cabarets e clubes nocturnos a implantarem-se nas grandes cidades, como foi o caso do lisboeta Bristol Club, já nos anos vinte. As praias começam a atrair cada vez mais gente, as mulheres da média e alta burguesia usam saias curtas, fumam, pintam-se, desnudam ostensivamente os ombros e o colo.
Não esqueçamos, todavia, que tudo isto se passa entre as minorias urbanas; cerca de 70 a 80 por cento da população continuava a ter como horizonte as serranias ou as planícies da sua aldeia, continuando a viver, a trabalhar e a morrer como havia séculos. E, lembremos também que, apesar de um louvável esforço da I República neste domínio, cerca de dois terços dos portugueses continuavam analfabetos. Por sua vez, à grande maioria das mulheres eram ainda recusados os direitos cívicos e políticos elementares, numa sociedade fortemente dominada pelo machismo e pelo conservadorismo social. A título de exemplo, citemos Júlio Dantas (o Dantas do Manifesto): «… não se percebe o que seja uma grande paixão por uma médica, por uma advogada, criaturas moralmente desvirginadas (ainda que irrepreensivelmente puras) [...]; não nos parece possível encontrar nelas aquela ternura, aquela inocência, aquela submissão. O amor pertence às outras [...] – às belezas tímidas, apagadas, silenciosas e tristes». (Pela amostra, parece que Almada Negreiros tinha toda a razão para gritar, empoleirado numa das mesas do café Martinho, «Pim, morra o Dantas!»).
Ana de Castro Osório - Adérito Tavares - Capeia ArraianaÉ neste ambiente, nesta atmosfera mental, que devemos situar Ana de Castro Osório.
Escritora ilustre e pedagogista, Ana de Castro Osório nasceu em Mangualde em 1872, dentro de uma aristocrática família beirã. A partir dos 23 anos passa a residir em Setúbal, iniciando então uma fecunda carreira literária. Em 1897 começou a publicação de uma série de folhetos intitulados Para as Crianças, contendo contos tradicionais e infantis. Estava encontrada uma das suas principais vocações: a literatura infantil e juvenil. Podemos, aliás, considerá-la a verdadeira fundadora da literatura infantil no nosso País. Através de contos populares adaptados, de histórias originais ou de traduções (dos irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e de outros escritores estrangeiros), Ana de Castro Osório não cessou de contribuir para aquilo que o poeta João de Deus considerava a verdadeira revolução primordial: cultivar o povo.
A partir do seu casamento com o escritor e activista republicano setubalense Paulino de Oliveira, em 1898, passou a dedicar-se também ao combate político e social. Em 1905 publica uma das suas obras mais importantes, verdadeiramente pioneira do movimento feminista em Portugal: As Mulheres Portuguesas. Esta obra, posteriormente traduzida para francês, constitui um pilar da luta pela transformação da condição feminina no nosso País.
Após a proclamação da República, em 1910, Ana de Castro Osório funda a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e colabora com Afonso Costa na elaboração da Lei do Divórcio. Publica, entretanto, outros importantes títulos, como por exemplo: A mulher e a criança (1911), A mulher no casamento e no divórcio (1911), As operárias das fábricas de Setúbal (1911), Mundo novo (1912?), A mulher na agricultura, nas indústrias regionais e na administração (1915), A verdadeira mãe (s/d). Para além da excepcional capacidade interventora e criativa nos domínios social e político que esta sequência quase alucinante de obras revela, Ana de Castro Osório continua a sua actividade pedagógica e didáctica, publicando inúmeros livros destinados às crianças, aos pais e aos educadores. Tendo enviuvado precocemente (em 1914), prossegue sozinha o mesmo pacífico combate em favor da libertação do homem e da mulher através da cultura e da mudança de mentalidades.
Durante a 1.ª Guerra Mundial teve um papel muito activo na defesa dos valores democráticos, representados pelos Aliados, e na assistência aos soldados portugueses. Em 1922 realizou no Brasil um conjunto de conferências muito aplaudidas e publicou um livro sobre as relações luso-brasileiras: A grande aliança.
Morreu em Lisboa, em 1935. Não assistiu ao triunfo de muitas das ideias por que se bateu, algumas das quais ainda hoje continuam a encontrar resistências. É que, entre todas, as estruturas mentais são as que mudam mais lentamente. «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades/ Todo o Mundo é composto de mudança», diz Camões. Mas o preconceito, a atitude de reaccionarismo mental resiste, resiste. Por vezes, bem no recôndito da nossa personalidade, continuamos machistas como os nossos avós. Ana de Castro Osório deu o seu contributo para essa indispensável mudança mental. Esforcemo-nos por dar também o nosso. Modestamente, embora.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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RUIVÓS

FESTA DE SÃO PAULO
25 de Janeiro de 2012

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CONFRARIA BUCHO RAIANO

III CAPÍTULO E ENTRONIZAÇÃO
18 de Fevereiro de 2012

III Capítulo Confraria Bucho Raiano - Sabugal Clique para ampliar

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